10 de out. de 2015

SEREMOS COMO CHE !!!


Como homenagem ao Comandante Ernesto Guevara, a cada 8 de outubro crianças cubanas utilizam o lenço azul que as identifica como Pioneiras Moncadistas. Nessa quinta-feira, os pequenos moncadistas da escola primaria Farabundo Martí de Ciego de Ávila, acrescentaram pela primeira vez aos seus uniformes o lenço azul.





















Foto: Osvaldo Gutierrez Gomez / AIN




                                                                    VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!! 

HASTA SIEMPRE COMANDANTE !! 48 ANOS DA MORTE DO COMANDANTE ERNESTO CHE GUEVARA.

#‎FIMDOBLOQUEIO‬
 

Hasta siempre comandante Che Guevara
Carlos Puebla

Aprendimos a quererte
Desde la histórica altura
Donde el sol de tu bravura
Le puso un cerco a la muerte.

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
Tu mano gloriosa y fuerte
Sobre la historia dispara
Cuando todo santa clara
Se despierta para verte.

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Vienes quemando la brisa
Con soles de primavera
Para plantar la bandera
Con la luz de tu sonrisa.

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Tu amor revolucionario
Te conduce a nueva empresa
Donde esperan la firmeza
De tu brazo libertario.

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Seguiremos adelante
Como junto a ti seguimos
Y con Fidel te decimos:
Hasta siempre comandante.

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.


                                                                

                                          VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!!      

6 de out. de 2015

CUBA SINTETIZA O ANSEIO DE SOBERANIA DA AMÉRICA LATINA.

 

  Darío Pignotti, enviado especial a Havana:

A hostilidade econômica e as sabotagens armadas não fizeram os cubanos se curvarem, ou repensarem seu vigor latino-americanista.

Darío Pignotti, enviado especial a Havana:
Quando Francisco, um papa que toma mate e fala sobre o “Che”, visitou Fidel Castro há duas semanas, e conversou com o único líder que protagonizou vários dos momentos mais intensos da região durante a segunda metade do Século XX, a América Latina viveu um desses acontecimentos destinados a entrar para a História. O encontro de Fidel com o papa Jorge Bergoglio, no contexto da reaproximação entre Havana e Washington, foi um episódio comparável com a Cúpula das Américas de 2005, quando Luiz Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez e Néstor Kirchner acabaram com a utopia regressiva da ALCA, a proposta de George W. Bush e seus capangas, o mexicano Vicente Fox e o colombiano Álvaro Uribe.

Ambos os acontecimentos indicam o fracasso das políticas hemisféricas da Casa Branca e mostram, na prática, o potencial político de uma região com os anseios se soberania não alcançados. Épica e complexa, a Revolução Cubana pode ser vista por diferentes ângulos, como o da construção de um sistema político original, e imperfeito, baseado no poder popular. Ou desde a perspectiva das mudanças estruturais, como a nacionalização dos bens de produção ou as políticas que garantiram direitos educativos e sanitários para toda a população.

Mas o aspecto mais interessantes para a análise é o de compreender a Revolução a partir de sua identidade nacional e latino-americana.

América Latina
 

Desde os Anos 60, a soberania intransigente da ilha foi castigada pelos Estados Unidos, inclusive antes de o bloqueio ser formalizado, durante o governo de John Kennedy, em 1962.

Um memorando de 1960, desclassificado nos Anos 90, indica a estratégia de atacar a população para minar a adesão ao governo.

“A maioria dos cubanos apoia Castro, não existe oposição política efetiva, a única forma de reunir o apoio necessário é através do desencanto surgido das dificuldades econômicas da população, para conseguir esse objetivo, deve-se usar qualquer meio”, recomenda o texto apresentado por Dwigth Eisenhower.

Desde então, a estratégia de “contenção do comunismo” e a luta dentro das “fronteiras ideológicas”, ditada por Washington contra o hemisfério foi justificada pelo argumento de evitar que surgissem outras Cubas na América Latina. Esse fantasma foi invocado pelos generais que derrubaram João Goulart no Brasil em 1964, e Salvador Allende, em 1973, um ano depois que de Fidel se hospedar no país durante quase um mês.

Cuba, o modelo de socialismo tipicamente latino-americano, como definiu o herói Ramón Labañino Salazar em entrevista à Carta Maior, foi um tema onipresente no debate latino-americano dos Anos 60 e 70.

O pretexto da Guerra Fria e o combate ideológico caíram junto com o Muro de Berlim, em 1989. Mas, em vez disso atenuar o bloqueio, o tornou mais feroz, através das leis Torricelli, de 1992, no governo republicano de George Bush, e a lei Helms Burton, de 1996, promulgada pelo democrata Bill Clinton. A hostilidade norte-americana era uma política de Estado, independente do partido que governava.

Washington e (principalmente) a ultradireita de Miami estavam eufóricos, imaginando que o colapso da Revolução era iminente, assim como a restauração de um regime neocolonial, no mesmo estilo do que imperava durante a ditadura de Fulgêncio Batista, época em que os mafiosos ítalo-americanos controlavam hotéis e cabarés na capital cubana.

Posteriormente, nos Anos 90 os ataques terroristas e a guerra desinformativa, orquestradas na Flórida com o aparato de propaganda centrado no Miami Herald, se fizeram mais agressivas.

Um jornalista desse diário, Andres Hoppenheimer, chegou a publicar, com ar profético, um livro que se transformou em um grande “faz me rir”, devido ao título “A última hora de Castro”. Em setembro deste ano, o mesmo colunista do Herald e da CNN criticou Francisco por ter cumprimentado Fidel.

A hostilidade econômica e as sabotagens armadas não fizeram os cubanos se curvarem, ou repensarem seu vigor latino-americanista.

Em 1990, Fidel e Lula criaram o Foro de São Paulo para rebater os cantos da sereia sobre o fim das ideologias e da esquerda.

Visionário, Fidel Castro foi pessoalmente até o aeroporto da capital cubana, em dezembro de 1994, para receber o então ainda coronel Hugo Chávez, recém saído da prisão após liderar um levante contra o governo neoliberal de Carlos Andrés Pérez, o presidente venezuelano que protagonizou a ofensiva privatizadora em seu país, assim como Fernando Henrique Cardoso no Brasil, Carlos Menem na Argentina e Carlos Salinas no México.

CELAC

 Na primeira década do Século XXI, a diplomacia subserviente acabou, graças à guinada dada pelo Mercosul reinventado por Lula e Kirchner, e também pela criação da Unasul. Para os governos progressistas, acabar com o isolamento cubano e revogar a expulsão do país – medida adotada nos Anos 60 – foi uma das prioridades.

Um passo decisivo para isso dado por Lula, em 2008, quando organizou um encontro de presidentes latino-americanos, com a presença de Raúl Castro, numa cúpula na qual foi criada a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (CELAC), uma espécie de OEA, mas sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.

A construção do Porto de Mariel, com financiamento do BNDES e inaugurado em 2014 pela presidenta Dilma, foi outro movimento brasileiro contra o isolamento de Cuba. Certamente, Washington não aprovou a aproximação concreta entre Brasília e Havana.

Um ano depois, Dilma e vários colegas latino-americanos anunciaram que não participariam novamente da Cúpula das Américas se os Estados Unidos deixassem de fora o líder cubano Raúl Castro – encontro que finalmente aconteceu na cúpula de abril deste ano, no Panamá.

Batinas e carros cor-de-rosa

Neste especial da Carta Maior, reunimos artigos sobre Cuba, o acolhimento dado por esse país ao papa, durante uma turnê de 5 dias, cuja repercussão derivarão, possivelmente, em mudanças nos rumos do continente.

Essa seleção de artigos traz crônicas, como a que descreve a luta cotidiana contra o bloqueio contada pelo taxista David Hernández, dono de um Ford Victoria, ano 1953, oito cilindros, pintado de um rosa radical, com o qual nos leva desde o Hotel Nacional até o bairro da Havana Velha.

Também mostramos a entrevista com o ex-agente Ramón Albañino Salazar enviado à Flórida para desarticular os grupos terroristas que atacavam Cuba, preso pelo FBI em 1998, após ser condenado por uma juíza de Miami, ele permaneceu preso durante 16 anos nas cadeias norte-americanas, até ser liberado, no dia 17 de dezembro de 2014, quando Raúl e Obama anunciaram o restabelecimento das relações.

Também publicamos uma análise sobre a terceira viagem de um chefe de Estado do Vaticano em Cuba.

Francisco celebrou uma missa na Praça da Revolução, conversou reservadamente com Raúl e foi até a casa do próprio, defender a ideia de uma “reconciliação” e da “amizade” entre os cubanos.

Bergoglio não repetiu o comportamento de João Paulo II, em 1998, com suas lições incendiárias, resultado de um equívoco essencial.

O papa polaco Karol Wojtyla confundiu Cuba com o leste europeu, e acreditou que a Revolução Cubana poderia implodir no início dos Anos 90 … como aconteceu com a União Soviética e seus países satélites no final os Anos 80.

Tradução: Victor Farinelli

  Por: Carta Maior
 
                                             VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!! 

RAFAEL CORREA SE REUNE COM OS CINCO HERÓIS CUBANOS.

#‎FIMDOBLOQUEIO‬
Photo: Presidencia de Ecuador

Correa reúne-se com Heróis cubanos de visita no Equador


QUITO.— O presidente do Equador, Rafael Correa, reuniu-se em 1º de outubro com os Cinco lutadores antiterroristas que cumpriram longas condenações em cárceres estadunidenses, e com o coronel Orlando Cardoso, quem esteve confinado em um cárcere somaliano durante quase 11 anos.
“Que sorte ter vocês aqui, os esperávamos há muito tempo!”, expressou o presidente a Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, René González, Ramón Labañino e Fernando González, conhecidos internacionalmente como os Cinco, e ao militar cubano, ao recebê-los em seu gabinete.
Após dar um abraço a cada um deles e a suas esposas, Correa agradeceu aos heróis cubanos em nome da Pátria Grande pelo exemplo de dignidade e de patriotismo que deram durante os anos de prisão.
A esse respeito, lembrou que os Cinco cumpriram injustas penas de cárcere após terem sido condenados em um julgamento sem garantias nem respeito ao devido processo.
Correa, quem foi dos primeiros presidentes do mundo a exigir a libertação dos lutadores antiterroristas cubanos, reiterou aos seus convidados o carinho e admiração que disse sentir pelo povo da Ilha caribenha, e por seus dirigentes.
“Eu jamais teria imaginado, quando era jovem, que acabaria sendo amigo de Fidel”, comentou o líder equatoriano durante o fraternal encontro que se estendeu durante mais de uma hora.
Em agradecimento, os heróis cubanos entregaram ao presidente vários presentes, entre eles um quadro do líder da Revolução Cubana pintado por Antonio na prisão.
Ramón colocou na lapela do presidente o selo que se converteu em símbolo da luta por sua liberdade, enquanto Gerardo e Cardoso lhe entregaram vários livros.
“Saiba, senhor presidente que aqui tem seis soldados dispostos a defender a Revolução Cidadã”, expressou Antonio.
No encontro participou também o chanceler Ricardo Patiño, quem em declarações à Prensa Latina ressaltou o privilégio que representa ter de visita aos seis heróis cubanos no Equador.
“É um enorme privilégio ter aqui pessoas que sacrificaram suas vidas por defender, não só a Cuba, mas também aos Estados Unidos do terrorismo”, afirmou.
Os Cinco foram presos em setembro de 1998, em Miami, onde se dedicavam a monitorizar as organizações terroristas anticubanas com sede no sul da Flórida, e depois foram condenados a longas penas de cárcere em um julgamento efetuado em meio de um ambiente politizado.
René e Fernando saíram em liberdade em 2013 e 2014, respectivamente, após cumprirem suas sentenças, enquanto Gerardo, Ramón e Antonio foram liberados em 17 de dezembro passado, como parte das negociações entre Cuba e os Estados Unidos que depois permitiram o início do processo de restabelecimento das relações bilaterais.
Cardoso esteve retido em uma prisão somaliana durante quase 11 anos depois de ser apreendido quando combatia como internacionalista na Etiópia, nos anos 70 do século passado.
Os seis heróis cubanos chegaram ao Equador, em 24 de setembro, convidados pelo presidente Correa, e desde então cumpriram uma agenda que incluiu encontros com autoridades locais e membros dos grupos de solidariedade com a Ilha caribenha.
Também têm previsto visitar a Amazônia para constatar o dano ambiental que provocou a transnacional petroleira estadunidense Chevron, antes de continuar viagem para a Bolívia no domingo próximo.

Por:

DIA 27 DE OUTUBRO NA ONU OCORRERÁ A VOTAÇÃO DA RESOLUÇÃO QUE PÕE FIM AO BLOQUEIO IMPOSTO A CUBA PELOS ESTADOS UNIDOS.


Dia 27 de outubro será mais uma vez votada a Resolução que propõe o fim do bloqueio econômico, financeiro e comercial imposto pelos EUA contra Cuba há mais de cinquenta anos. Este ano, frente a pressões internacionais, declarações do próprio presidente Obama e do Papa Francisco, há uma possibilidade dos EUA se absterem na votação. Não custa também participarmos dessa pressão contra um bloqueio que jamais deveria ter existido, basta aderir por aqui:

noalbloqueoacuba@gmail.com 

Leia a Carta que o Comitê Internacional enviou com essa finalidade:

Pronunciamento da Rede em Defesa da Humanidade – Cuba :
O BLOQUEIO A CUBA DEVE CESSAR

Em 17 de dezembro de 2014, com o anúncio paralelo dos presidentes de Cuba e EUA da decisão de restabelecer relações diplomáticas se deu o primeiro passo no longo e complexo processo para a normalização dos vínculos entre os dois países. Barack Obama tornou pública sua intenção de adotar medidas destinadas a modificar a aplicação de alguns aspectos do bloqueio e de solicitar ao Congresso dos EUA seu levantamento. No entanto, esta política genocida segue intacta. 

O Ministro das Relações Exteriores de Cuba Bruno Rodríguez Parrilla declarou em sua intervenção do dia 16 de setembro de 2015 que em que pese ter entrado em vigor algumas emendas nas regulamentações dos Departamentos do Tesouro e Comércio, elas resultam absolutamente insuficientes, não somente pela magnitude e pelo alcance das proibições e sanções que estabelece o bloqueio como também em comparação com tudo que se pode conseguir se o Presidente Obama fizer uso das faculdades executivas que possui.

É necessário denunciar que após o 17 de dezembro de 2014 se manteve o recrudescimento do bloqueio, o que se evidencia na imposição de multas milionárias contra bancos e outras instituições perseguidas pelas transações financeiras internacionais cubanas. Cuba está impedida de exportar e importar livremente produtos e serviços dos EUA, não pode utilizar o dólar estadunidense em sua atividade comercial nem ter contas nessa moeda em bancos de terceiros países. Tampouco se permite seu acesso a créditos bancários nos EUA, de suas filiais em terceiros países e das instituições financeiras internacionais.

Estas medidas, junto a outras vigentes, continuam causando graves prejuízos à economia cubana, limitam o direito ao desenvolvimento de nosso país e causam privações diretas que influem na saúde e no nível de vida da população.

Cuba apresentará à Assembleia Geral das Nações Unidas, como tem feito ano após ano, a Resolução “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”. Uma vez mais a comunidade internacional se pronunciará a respeito desta política cruel e imoral. No informe que será divulgado é feita uma análise da legislação do Congresso e das disposições administrativas que estabelecem a política do bloqueio: as medidas executivas adotadas pelo presidente Barack Obama e suas limitações; as prerrogativas executivas a que o presidente pode recorrer para modificar e esvaziar de conteúdo a implementação desta política e que aspectos exigem ação do Congresso para sua eliminação ou modificação; exemplos concretos das sanções aplicadas após o 17 de dezembro de 2014 e o custo dos danos produzidos; uma extensa análise de sua aplicação extraterritorial; assim como a condenação da política do bloqueio tanto dentro dos EUA como no resto do mundo.

Avaliamos que neste novo cenário em que ambos os países se propõem a dialogar a fim de normalizar suas relações, resta inconcebível a manutenção desta política que viola os princípios do Direito Internacional, que em 23 ocasiões tem sido condenada pela maioria absoluta dos países membros das Nações Unidas. Solicitamos ao presidente dos EUA que seja consequente com suas declarações e faça uso de suas amplas prerrogativas executivas para iniciar, verdadeiramente, uma nova etapa das relações entre nossos dois países.

O bloqueio contra Cuba nunca deveria ter existido e deve cessar de uma vez por todas. A solidariedade não pode se desmobilizar. Devemos continuar a luta contra o cerco que tem asfixiado o povo cubano durante mais de cinco décadas.

Convocamos todas as nossas companheiras e companheiros no mundo a se pronunciar aderindo a esta mensagem e a redobrar a luta contra o bloqueio em qualquer de suas modalidades.

Email para adesões : noalbloqueoacuba@gmail.com

¡Hasta la victoria siempre!
 
Red En Defensa de la Humanidad-Cuba

Septiembre de 2015

                                                                   VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!!  

30 de set. de 2015

CARTA CAPITAL ENTREVISTA RAMÓN LABAÑINO, UM DOS CINCO ANTITERRORISTAS CUBANOS.

       
Carta Maior entrevistou um dos Cinco antiterroristas cubanos infiltrados entre terroristas de Miami, libertado após o restabelecimento de relações entre EUA e Cuba.

Por Carta Maior:

Darío Pignotti, enviado especial a Havana

“Gostaria de dizer ao papa, pessoalmente, o quanto eu estou agradecido pelo que ele fez por mim e pelos meus quatro companheiros”. Ramón Labañino Salazar é um dos cinco heróis cubanos condenados por um tribunal de Miami e liberados em dezembro de 2014, depois de 16 anos de prisão.

Salazar estava acompanhado por sua esposa, Elizabeth Palmeiro, quando concedeu esta entrevista exclusiva a Carta Maior, em uma antiga casona da Rua 17, que desemboca no Malecón, onde Francisco e seu papamóvel passaram na noite de segunda-feira (21/9), em sua despedida de Havana.

Depois dos cinco dias de visita ao país caribenho, Francisco voou rumo a Washington, e dali até Nova York, onde pronunciou um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta sexta-feira (25/9), sendo aplaudido por um Raúl Castro que retornou aos Estados Unidos após de 56 anos de uma guerra fria recentemente concluída.

EIXO RAUL-FRANCISCO

– O fato de que Raúl receba o papa em Havana e depois viaje aos Estados Unidos para escutá-lo indica que as relações passaram a ser bastante amigáveis.

– É verdade, porque este é um papa diferente. Eu diria até que é um papa progressista, que fala bem dos nossos povos, que critica fortemente o capitalismo e as guerras. Ele é uma pessoa que observa claramente a situação internacional. É um amigo de Cuba. Ou seja, as coisas que ele faz e diz são realmente admiráveis, ainda mais vindas de um papa. Isso é algo que nunca havia acontecido e faz com que nos sintamos mais próximos a ele. Há muitos comentários sobre a participação dele no processo que levou à nossa liberdade, e tomara que algum dia eu possa conversar com ele sobre isso, eu gostaria muito de uma oportunidade dessas. Claro que ele, que é uma pessoa de modéstia infinita, não quis reconhecer essa ajuda, mas qualquer que tenha sido sua intervenção já é o suficiente para eu querer agradecer. Ele tem a nossa gratidão e a nossa admiração.

– Nesta viagem marcada por diversos sinais, o que a reunião entre Francisco e Fidel simboliza?

– Acho que estamos vivendo um momento histórico singular, a concretização de uma profecia. Há mais de 40 anos, perguntaram a Fidel quando terminaria o bloqueio a Cuba, e Fidel respondeu que seria quando o papa fosse latino e um presidente dos Estados Unidos fosse um negro. Fidel, com essa visão profética, visualizou a circunstância que vivemos hoje em Cuba. Se trata de um momento histórico singular, de futuro, de amor e de otimismo, porque demostra que os tempos estão sempre a favor da Revolução. Fidel sempre esteve certo, porque ele não é só um líder para a Revolução Cubana, e sim para o mundo, e o papa também simboliza esses valores universais. Isto é, a unidade de dois homens que lutam em favor dos pobres. Este encontro demonstra que a Revolução está mais firme e mais solidária que nunca.

– É possível que aconteça um encontro entre Raúl Castro e Barack Obama em Nova York?

– Não é impossível, eu acho que é possível, e parece que vai acontecer, sou otimista. É minha opinião pessoal, não é uma informação. Mas se Raúl e Obama se encontram na ONU, se produziria um fato de muita força simbólica. Com isso, Obama terá maior dimensão de estadista, e para Raúl também será importante, porque demonstrará a firmeza da Revolução Cubana, e que Cuba ainda é a mesma. Claro que, para que essa reunião aconteça mesmo, vai depender de que possam se encontrar no mesmo lugar e na mesma hora, em Nova York.

OBAMA: CAPITALISMO PRAGMÁTICO

– Você foi condenado a mais de uma prisão perpétua. Quando Obama foi eleito, em 2008, você já estava preso há quanto tempo?

– Sim, minha pena era de mais de uma perpétua, e não sou o único dos cinco com uma pena tão grande, que foi dada em Miami, após um julgamento que parecia um circo romano, sem respeitar a lei. Em 2008, quando Obama ganhou a presidência nós, estávamos presos há dez anos, e desde que ele assumiu, houve uma mudança nas condições da nossa prisão.

– Melhoraram com Obama?

– Melhoraram radicalmente, foi uma mudança importante com relação ao que sofremos nos tempos de George W. Bush, quando nos proibiram as visitas de familiares por dois anos e meio. A partir de 2009, quando Obama tomou o poder, percebemos uma mudança. Em primeiro lugar, dando mais vistos aos nossos familiares, para poderem nos visitar. A atenção médica melhorou, eu já tinha problemas nos joelhos na época de Bush e não me atendiam, e com Obama eles vieram analisar a minha situação, fizeram raios X e me deram um cuidado diferente. Obama foi um sinal de esperança. Na cadeia, nós percebemos os tempos estavam mudando. O governo de Bush foi a época na qual mais membros da extrema direita cubano-americana ocuparam cargos no governo. Por exemplo, o senhor Otto Reich ocupou um lugar no Departamento de Estado, e também o senhor John Negroponte, outro que esteve em postos importantes. Tenho certeza que toda essa camada anti-cubana teve influência no aumento do nosso sofrimento na prisão.

– Você confia nos compromissos assumidos por Obama?

– Nós não acreditamos que o mundo vai mudar completamente graças ao Obama. Sabemos que ele pertence ao establishment norte-americano, que defende o capitalismo. Achamos que sua posição sobre Cuba é pragmática, ele entende que o confronto com Cuba fracassou, que as guerras, as ameaças, o bloqueio, o incentivo à subversão interna na ilha, nada disso deu certo. Hoje, Cuba está mais acompanhada que nunca internacionalmente e os Estados Unidos estão mais isolados do que nunca, isso se vê no tratamento que muitos líderes mundiais dão a Cuba. Por exemplo na visita da presidenta argentina Cristina Kirchner a Cuba, durante esta viagem do papa. Mas nós não dependemos somente do que o Obama faça, nós temos nossas virtudes, depois desses 56 anos de Revolução, da aprendizagem a respeito de como lidar com o imperialismo norte-americano, não somos tontos, não baixamos a guarda, sabemos, que apesar desta aproximação, eles continuam buscando se intrometer em nossos assuntos, mas agora são menos belicistas que antes. O império sempre vai querer dominar Cuba.
 

GUERRA IMPERIALISTA NÃO ACABOU

– Você acha que virão batalhas de outro tipo?

– Podem vir batalhas fortes, mas que vão se desenvolver num terreno diferente. No terreno dos investimentos estrangeiros, da compra de mentes, além da subversão interna, porque eles vão poder financiar com mais recursos os pequenos grupos de supostos dissidentes. Vão falar de uma suposta democracia, vão querer criar um segundo partido político, ou terceiro, tudo para dividir o nosso país. Ao abrir a embaixada (em agosto) o secretário de Estado (John Kerry) disse que pretende trazer a democracia, e nós lhe respondemos que Cuba já é um país democrático. Nós devemos tentar demostrar a qualquer pessoa que nossa democracia é muito mais real que a democracia dos Estados Unidos. Em Cuba não se gastam milhões em campanhas de publicidade durante eleições marcadas por promessas vazias. Em Cuba não há corrupção dentro dos partidos. Em Cuba, o melhor cidadão de cada quadra vai se elevando pouco a pouco e chega naturalmente a um nível político superior. Essa é a nossa democracia – que tem problemas, claro, mas muito mais fáceis de solucionar. O principal é que as pessoas estão no centro de tudo em Cuba.

"EU MORRO COMO VIVI"

Ramón Labañino Salazar nasceu em 1963, quando a Revolução tinha apenas quatro anos. Em 1965, nasceu Gerardo Hernández, o oficial de inteligência que comandou o grupo de agentes enviado a Flórida nos Anos 90 para impedir os ataques terroristas frequentes contra a ilha, perpetrados por grupos ultradireitistas, com a tolerância e/ou a cumplicidade de Washington.

Embora Salazar evite responder a pergunta sobre se os Cinco encabeçarão a futura dirigência revolucionária, fontes consultadas em Havana os indicam como potenciais protagonistas desta fase de “atualização”, já que se tratam de quadros políticos bem formados e por terem protagonizado uma façanha épica nas masmorras estadunidenses.

Há alguns anos, se dizia que todo cubano era especialista em contar histórias sobre Fidel e em falar de beisebol, o esporte nacional. Na atualidade, os cubanos sabem quem são os Cinco e muitos falam deles com um respeito que eles ganharam através de suas ações.

Pouco tempo depois de retornar a Cuba, no ano passado, Salazar e seus companheiros assistiram a um recital de Silvio Rodríguez, o maior nome da Trova Cubana – quem, em outros tempos, compartilhou alguns concertos com Chico Buarque.

Rodríguez convidou os Cinco Heróis a subir no palco para cantar com ele a canção “El Necio”, cuja letra defende os valores da Revolução apesar dos momentos difíceis e da chantagem permanente do império.

“Eles vêm me convidar a me arrepender, mas eu morro como vivi” diz um dos versos dessa canção, que durante 16 anos foi “o hino da resistência, quando estávamos no fundo do poço”, segundo contou o ex-prisioneiro Gerardo Hernández.

– O que você chama de fundo do poço?

– Quando fomos presos, no dia 12 de setembro de 1998, não nos levaram à prisão, e sim a um escritório do FBI, em Miami. Ali tivemos uma entrevista com oficiais, na qual, obviamente tentaram nos fazer trair o nosso país, o nosso comandante e a Revolução. Nos fizeram propostas para que colaborássemos. Nesses 16 anos, o governo dos Estados Unidos esteve constantemente pressionando para que colaborássemos, mas isso nunca aconteceu, porque somos fiéis à nossa pátria. Quando viram que não iríamos trair o nosso país, nos mandaram finalmente para a prisão, mas não uma prisão normal. Nos colocaram num minúsculo calabouço, onde permanecíamos por 24 horas, um lugar deplorável, sujo, úmido, um espaço de 2 por 3 metros, revestido de cimento sólido. Inventamos passatempos para suportar a prisão, jogávamos com uns dados rústicos que o Gerardo fez a partir de pedaços de pão, fizemos um xadrez com pedaços de papel. Esse calabouço foi feito para pessoas que cometem crimes dentro da prisão, quem mata outro preso, ou cria uma briga, mas nós fomos para lá somente porque éramos cubanos, sem ter cometido nenhuma infração. Nossa relação com os demais reclusos foi amigável, sempre nos trataram bem, houve respeito. Nos perguntavam sobre a Revolução, alguns inclusive mostravam simpatia para com o nosso processo, tinha gente que manifestava seu apoio. Essa simpatia se dava mais entre os negros e os latinos. Na medida em que eles descobriam que éramos agentes do Fidel, da Revolução, isso fazia com que tivessem mais respeito conosco. A maioria dos presos eram negros pobres, muitos por narcotráfico, por venda de maconha, por tráfico de cocaína, heroína. Eu ainda mantenho contato com alguns deles, alguns me ligam da prisão mesmo.

– Você pensa mais no passado vivido no calabouço, ou no futuro?

– Eu penso bastante sobre os anos na prisão, mas me preocupo mais com o futuro do meu país.
 

SOCIALISMO TIPICAMENTE CUBANO

– Que rumo você acha que Cuba está tomando?

– Creio que estamos no caminho correto, ao ter decidido buscar melhores relações com os Estados Unidos, deixando muito claro que, apesar desse processo, nós vamos continuar trabalhando para fortalecer o nosso socialismo. Não fazemos esta aproximação dar uma guinada ao capitalismo. Não vamos perder o que conquistamos, isso está bem claro. Obviamente as intenções dos norte-americanos não são ajudar o nosso socialismo, nada disso. Eles querem destruir o nosso socialismo. Gostaria de dizer algo importante: tem gente que pensa que os norte-americanos vão investir amanhã mesmo, quando eles quiserem, e isso não é assim. Eles virão somente através dos investimentos que sejam aprovados por Cuba, quando sejam considerados benéficos. O capitalismo não vai solucionar os nossos problemas. O capitalismo vai jogar por terra todos os avanços. Cuba viveu 62 anos de capitalismo, passou a ser uma neocolônia dos Estados Unidos em 1898, quando roubaram a independência que havíamos conseguido na luta contra a Espanha. Portanto, Cuba sabe o que é o capitalismo. Nós vivemos numa sociedade saudável, com valores solidários, sem narcotráfico, sem violência, diferente da que existe nos Estados Unidos. O estilo de vida dos norte-americanos não é o que queremos. Em Havana não há McDonald´s, mas não sei se haverá dentro de algum tempo. Isso nós veremos no futuro. Se você já conhece os sanduíches do McDonald´s precisa provar as fritangas cubanas, que são feitas de pura carne, são deliciosas. Eu comi no McDonald´s quando vivia nos Estados Unidos e garanto que prefiro a fritanga, e não digo de má vontade, porque você sabe que aqui somos muito orgulhosos da nossa pátria e da nossa comida.

– Carlos Fuentes (escritor mexicano) disse alguma vez que México reconquistará a Califórnia através das tortilhas.

– Isso é uma grande verdade… porque há muito simbolismo na comida. Sempre devemos considerar a nossa cultura, pois nós somos latinos. Lembre-se sempre que a Revolução Cubana nasceu do povo, não foi imposta de fora. Eu resumo da seguinte forma: o nosso socialismo é tipicamente cubano.

– Cuba adotará um modelo econômico similar ao vietnamita?

– Como economista, eu estudei bastante tempo o que o Vietnã fez, e não sei se vamos tomar tudo dessa experiência, mas certamente há coisas positivas. Mas também há coisas negativas. Temos que ser criativos e saber nos adaptar às nossas condições objetivas e subjetivas, respeitando a nossa idiossincrasia, porque nem sempre o adequado para a cultura asiática é adequado para a nossa gente. Por exemplo, temos que buscar investimentos estrangeiros que se fiquem no país por bastante tempo. Não podemos permitir que o grande capital se forme em nosso país, ou que as grandes corporações se estabeleçam, que se apoderem pouco a pouco do território cubano. Tampouco devemos permitir que surjam supermilionários e que existam grandes diferenças com o resto do povo.

– Como acontece na China.

– Eu não aponto nenhum país como exemplo, prefiro dizer o que queremos em Cuba. Por exemplo, nós deveríamos atrair capitais cubanos que estão fora do país, capitais cubanos que sejam bons e que não estejam envolvidos com o terrorismo contra o nosso país. A inteligência está em fazer as coisas para conseguir maior bem-estar para o nosso povo, que haja menos problemas para a população, mas buscar isso a partir do modelo econômico cubano, não do vietnamita, nem do russo, nem de nenhum outro lugar.

Tradução: Victor Farinelli
                                             VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!!

EM OUTUBRO NA ONU SERÁ VOTADA A RESOLUÇÃO CONTRA O BLOQUEIO IMPOSTO A CUBA PELOS ESTADOS UNIDOS.


 Este mês de outubro, no dia 27, será votada na ONU mais uma vez a Resolução sobre o fim do bloqueio dos EUA a CUBA. A cada ano aumenta o número de países que votam pelo fim desta medida tão perversa quanto inócua. Há uma possibilidade única dos EUA se absterem na votação.

Seria/será mais uma vitória nesta luta contra a injustiça imposta a um povo. E uma verdadeira reaproximação entre os povos !

Podemos nos somar? Claro que sim !! Vamos postar aqui a Declaração da Rede em Defesa da Humanidade com um endereço eletrônico para aderirmos. O Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos participa ativamente. Podemos divulgar em nossas redes sociais e outras mídias e ampliar a força.

                                              VENCEMOS !! VENCEREMOS !!!