Talvez o atentado terrorista mais emblemático da política
terrorista mantida e apoiada pelos governos dos Estados Unidos contra o
povo cubano, em mais de 52 anos, seja a explosão em pleno vôo do avião
civil da Cubana de Aviação que causou a morte de 73 pessoas: 57 cubanos,
11 guianeses (a maioria deles estudantes bolsista em Cuba) e 5
funcionários coreanos do setor cultural. Entre os 73 passageiros e
tripulantes assassinados nesse ato, único por sua brutalidade,
encontravam-se todos os integrantes da equipe nacional juvenil de
esgrima de Cuba, que retornava à pátria com todas as medalhas de ouro
conquistadas no recém terminado campeonato centro-americano dessa
disciplina.
Nesse 6 de outubro completa 40 anos desse ato de barbárie que
estremeceu e estremece a nação cubana e toda pessoa de bem que toma
conhecimento sobre isso.
Os chefes terroristas que organizaram e dirigiram esse atentado, Luis
Posada Carriles e Orlando Bosh Ávila, ambos membros da CIA durante
décadas (como demonstram toneladas de documentos dessa agência de
inteligência), nunca foram penalizados com o rigor que a lei estabelece
para esse tipo de crime.
Ambos, eventualmente, refugiaram-se em
Miami escapando da justiça. Bosch viveu livre, gozando da impunidade
prestada pelos governos dos Estados Unidos até sua morte, em 2011, aos 84 anos, de causa natural. Posada
Carriles, aos seus 88 anos de idade, continua gozando da mesma
impunidade mantida a favor de todos os terroristas da extrema direita
cubano - estadunidense oferecida pelos governos dos Estados Unidos.
Como
ainda existe especialista nessa matéria, seguindo instruções da CIA (que
desde aquele momento quis dar a aparência de distanciamento entre seus
terroristas e ela), Orlando Bosch convocou uma reunião, em junho de 1976,
na República Dominicana, junto a seus comparsas, que pertenciam a cinco
organizações terroristas, e, juntos, estabelecem a Coordenação de
Organizações Revolucionárias Unidas (CORU). E inicia uma criminosa
ofensiva terrorista contra Cuba.
Os principais atentados dessa escalada terrorista em 1976 foram: a
bomba colocada na Embaixada de Cuba em Lisboa, Portugal, onde morreram
dois diplomatas cubanos; o assassinato de um técnico de pesca na cidade
de Mérida, Yucatán, em um frustrado atentado contra o cônsul de Cuba
nessa cidade; sequestro e desaparecimento de dois diplomatas, membros da
Embaixada de Cuba em Buenos Aires, na Argentina; uma bomba detonada na
pista do vagão de cargas com bagagens destinadas a um avião de
passageiros de Cubana de Aviação, no aeroporto de Kingston, Jamaica; em
setembro desse ano, a Omega 7, uma das organizações terroristas
integrantes da CORU, em colaboração com a ditadura militar chilena,
assassinou Orlando Letelier, ex-ministro das Relações Exteriores do
governo da Unidade Popular do presidente Salvador Allende, e sua
secretária, Ronni Moffit, explodindo seu carro no Dupont Circle, no
centro de Washington D.C; y, claro a explosão do avião civil de Cubana
de Aviação.
Entre os diferentes alvos da campanha terrorista de
mais de cinco décadas contra o povo cubano encontram-se: a destruição ou
sabotagem de objetivos civis dentro do país; ataques contra instalações
no litoral, naves áreas, mercantes e pesqueiras; atentados contra
instalações e funcionários cubanos no exterior, inclusive dentro de
sedes diplomáticas; tentativa de assassinato contra os principais
dirigentes da república; introdução de gérmens e pragas contra a
agricultura e a pecuária; e introdução de doenças humanas, inclusive
contra menores de idade.
As consequências dessa campanha desleal são mais de 3.478 cubanas e
cubanos que perderam suas vidas e mais de 2.099 ficaram incapacitadas.
No dia 6 de outubro de 2001, menos de um mês depois do trágico
atentado terrorista em Nova Iorque, Washington e Pensilvânia, no ato que
lembrava os 25 anos do atentado contra avião da Cubana, durante um
discurso, em Havana, o presidente cubano, Fidel Castro, disse:
"O frio número de 73 pessoas inocentes assassinadas em Barbados, não diz tudo quanto ao sentido e a magnitude da tragédia."
Seguramente os estadunidenses o compreenderão melhor se comparamos a
população de Cuba de 25 anos atrás, com a dos Estados Unidos no 11 de
setembro de 2001, de forma proporcional. A morte de 73 pessoas no avião
cubano, abatido no ar, é o que significaria para o povo dos Estados
Unidos que 7 aviões da linha aérea norte-americana, como mais de 300
passageiros cada um, fossem destruídos em pleno voo no mesmo dia, a
mesma hora, por uma conspiração terrorista.
Si vamos um pouco
mais longe e tomamos em conta que 3.478 cubanos foram mortos durante
mais de 42 anos, vítimas das ações agressivas, incluídas a invasão de
Playa Girón e todos os atos de terrorismo que Cuba já sofreu, originados
dos Estados Unidos, é como se nesse país tivesse morrido cerca de
88.434 pessoas. Um número quase igual ao número de estadunidenses
mortos nas guerras da Coreia e Vietnã, juntas."
Nada disso que
está escrito aqui é novo, ao contrário, muitas dessas questões são
amplamente conhecidas. Mas que outra coisa podemos fazer para conseguir
fazer justiça a todas estas vítimas, assassinadas ou incapacitadas, por
estas monstruosas campanhas terroristas e, além disso, para que o povo
cubano um dia, não muito distante, possa viver e desenvolver-se
livremente e em paz, que denunciar, denunciar e denunciar aos
terroristas, seus crimes e a política que os sustenta? Esmagá-los com a
verdade e a exatidão.
Por: Andrés Gómez, diretor da Areítodigital