9 de mar. de 2026

CASA MARX - RJ

Marilia Falci, Carmen Diniz e Maj Asad 

           No último  sábado  (7/3), nesta véspera do Dia Internacional da Mulher, estivemos em atividade sobre a Palestina na Casa Marx do Rio de Janeiro em uma tarde de conversas, muita seriedade e trocas de saberes e vivências. 

O evento principal foi o lançamento do livro da escritora e artista brasileira palestina Maj Asad Entre a nossa morte ainda existe diálogo? que aborda a questão palestina com muita emoção e afeto. 

https://www.instagram.com/p/DVI7kAlDqm-/?img_index=1

Maj Asad e seu livro ( e o brinco palestino rsrsrrs)

Representando o grupo Julho Negro (e  Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba),  Gizele Martins e Carmen Diniz, encantadas com o lindo espaço que, além do evento, apresenta uma linda exposição sobre Rosa Luxemburgo.(veja aqui : https://www.instagram.com/p/DR2QV1hjeZy/

Além disso, uma outra exposição, no mesmo salão, sobre as mães de jovens favelados cariocas assassinados pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Muito emocionante. Linda e muito triste homenagem. 

                                    

"As armas israelenses que matam na Palestina e no Irã são as mesmas que matam nossos jovens favelados no Brasil." 

   

                         
     
      Todos os participantes se referiram às possibilidades que o Brasil possui a fazer em solidariedade ao povo palestino, como por exemplo romper relações com Israel, romper o acordo ( de um bilhão de reais!) com a subsidiária  de empresa israelense para compra de obuseiros, romper a "tornozeleira" sionista de lobby junto ao governo federal, além de enviar petróleo a Cuba (6 (seis!) dias de produção de petróleo pela Petrobrás equivale a UM ANO  da necessidade de Cuba para a energia !) enfim, muitas opções para se solidarizar com o sofrimento dos  povos  daqui e de outras latitudes.  

Importante observação:  a administração (e a frequência) da CasaMarxRJ é majoritariamente de pessoas jovens comprometidas com a libertação dos povos.                                       

                   


Gizele Martins e mais participantes

 Queremos deixar aqui mais uma vez o agradecimento pelo convite e os parabéns por esta casa tão bonita e acolhedora. 


                                                SEGUIMOS !!!



5 de mar. de 2026

ISRAEL E OS ARQUIVOS DE EPSTEIN QUE PRESSIONARAM TRUMP

                               
Hedelberto López Blanch*

O profundo envolvimento do presidente Donald Trump no caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein o levou a aceitar a pressão do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para se juntar a ele na violenta agressão contra o Irã, o que constitui uma flagrante violação do direito internacional e um enorme perigo para a paz mundial.

Duas semanas antes dos ataques de 28 de fevereiro contra o Irã, em 10 de fevereiro, Netanyahu chegou a Washington (pela quarta vez em um curto período) para se encontrar com Trump e, segundo diversos veículos de comunicação, forçá-lo a declarar guerra a Teerã, caso contrário, tornaria públicos documentos que comprovariam seus atos de abuso sexual juntamente com seu ex-amigo Epstein.

Apesar das negociações de paz entre Teerã e Washington, mediadas por Omã, que, segundo relatos oficiais, estavam progredindo bem, Trump não teve escolha a não ser ceder à pressão de Netanyahu.

O jornal The New York Times (NYT) noticiou recentemente que o primeiro-ministro israelense desempenhou um papel fundamental ao influenciar a decisão de Trump de atacar o Irã, pressionando-o pessoalmente durante meses.

Com base em depoimentos de pessoas com conhecimento direto das deliberações, incluindo autoridades estadunidenses e israelenses, diplomatas, legisladores e figuras da inteligência, o NYT acrescentou que "quando o primeiro-ministro israelense entrou no Salão Oval em 11 de fevereiro, seu objetivo era claro: manter Trump comprometido com a ação militar".

Segundo o jornal, os dois homens discutiram durante três horas possíveis datas para um ataque e as supostas poucas chances de uma resolução diplomática.

Netanyahu havia levantado pela primeira vez a possibilidade de uma ofensiva contra o Irã durante uma visita à mansão de Trump em Mar-a-Lago, em dezembro.

Segundo o NYT, o vasto conjunto de documentos divulgado pelo Departamento de Justiça referente às investigações sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein não incluía alguns materiais importantes relacionados a uma mulher que acusou o presidente Donald Trump, condenado por pedofilia.

As alegações de que Epstein pode ter sido empregado por um serviço de segurança estrangeiro têm ganhado força nos Estados Unidos devido às investigações do jornalista Tucker Carlson e de outros membros da mídia. 

Um relatório do FBI do escritório de Los Angeles, datado de outubro de 2020 e que consta nos arquivos do criminoso sexual, afirma que a fonte da agência estava "convencida de que Epstein era um agente recrutado pelo serviço de inteligência israelense, o Mossad".

Entre os mais de três milhões de documentos divulgados, encontram-se memorandos do FBI que resumem entrevistas conduzidas pela agência em relação às alegações feitas em 2019 por uma mulher que, após a prisão de Epstein, afirmou ter sido agredida sexualmente por Trump e pelo financista décadas antes, quando era menor de idade.

Em investigações subsequentes, autoridades federais redigiram um memorando de 2025 afirmando que a mulher disse que Epstein a apresentou a Trump e que ele a agrediu em um encontro violento e perturbador. Os documentos indicam que o suposto incidente ocorreu em meados da década de 1980, quando ela tinha entre 13 e 15 anos de idade.

Robert Garcia, representante da Califórnia e principal democrata no Comitê de Supervisão da Câmara, afirmou que, ao analisar as versões não editadas dos arquivos de Epstein no Departamento de Justiça, também constatou a ausência de resumos de entrevistas relacionadas às alegações da mulher.

Em outro artigo do NYT, os jornalistas Steve Eder Michael e David Enrich afirmam que "os arquivos estão repletos de referências a Trump, que era um amigo próximo de Epstein até o início dos anos 2000.

Devido à pressão de legisladores democratas e republicanos, o Departamento de Justiça, sob a direção de Pamela Bondi, nomeada por Trump, foi forçado a divulgar por algumas horas uma parte do arquivo contendo depoimentos sobre o envolvimento pessoal de Trump nessas orgias pedófilas e a intimidação das vítimas por sua equipe de segurança."

Embora os documentos relacionados ao presidente tenham sido apagados após algumas horas, os três milhões de arquivos restantes permaneceram online e foram recuperados por diversos veículos de comunicação utilizando uma ferramenta de busca própria.

Foi assim que veio à tona o envolvimento do presidente em uma série de casos perturbadores envolvendo menores, incluindo a suposta coerção de uma menina de 13 ou 14 anos para praticar sexo oral nele. Além disso, há indícios de que Trump promovia festas no estilo "Calendar Girls" em sua propriedade de Mar-a-Lago, onde Epstein supostamente lhe fornecia garotas para leiloar.

Netanyahu, que segundo todos os analistas possui muitos desses documentos, conseguiu facilmente o apoio de Trump para lançar a guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, mas não se sabe quando ela terminará, pois a nação iraniana tem força suficiente para enfrentá-la.

A verdade é que o presidente americano narcisista, condenado e pedófilo, que também ambiciona se tornar "rei do mundo", embarcou numa aventura muito perigosa na qual chegou ao ponto de assassinar o líder supremo xiita, o Grande Aiatolá Ali Khamenei.

Estima-se que os xiitas sejam cerca de 170 milhões de seguidores, principalmente no Irã, Iraque, Bahrein, Iêmen (com comunidades significativas também na Índia, Kuwait, Líbano, Paquistão, Catar, Síria, Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos), e o traiçoeiro ataque israelense-estadunidense poderia incendiar todo o Oriente Médio, com consequências catastróficas para o mundo e especialmente para a atual ditadura que governa os Estados Unidos.

Embora Trump tente desviar a atenção da mídia para suas novas guerras, os documentos de Epstein continuarão a assombrá-lo.

 

(*) Jornalista cubano. Escreve para o jornal Juventud Rebelde e para o semanário Opciones. É autor de “Emigração Cubana para os Estados Unidos”, “Histórias Secretas de Médicos Cubanos na África” e “Miami, Dinheiro Sujo”, entre outros.

https://cubaenresumen.org/2026/03/05/israel-y-archivos-epstein-presionaron-a-trump/

Trad: @comitecarioca21


4 de mar. de 2026

DE FREUD AOS ALGORITMOS: A ENGENHARIA DO CONSENSO NA ERA DIGITAL

                               

Já não é necessário convencer as pessoas de que algo existe; agora é possível fabricar uma realidade tão perfeita que rivaliza com o objeto autêntico

Autor: Raúl Antonio Capote

Para entender quem realmente controla a opinião pública na era da inteligência artificial, é necessário estudar dois homens que, nas sombras do século XX, manipularam a realidade com uma eficácia sem precedentes. Estamos falando de Ivy Lee e Edward L. Bernays, os arquitetos da persuasão moderna.

O DNA da propaganda atual leva a assinatura indelével desses dois pioneiros, cujas contribuições constituem a base fundamental dessa maquinaria invisível que continua moldando a opinião pública na era digital.

Ivy Lee, reconhecido como o “pai prático” das relações públicas, fez uma contribuição fundamental: rompeu com a concepção negativa de “encobridor de más notícias” e estabeleceu as bases da comunicação de crise e das relações com a mídia como as conhecemos hoje.

Por sua vez, Edward Bernays, sobrinho de Sigmund Freud, aplicou as teorias da psicanálise ao comportamento das massas. Ele cunhou o termo “relações públicas” precisamente para se distanciar da conotação negativa que a palavra “propaganda” tinha para a maioria das pessoas.

Segundo o guru da propaganda moderna, os indivíduos não são seres racionais, mas tomam decisões guiadas por desejos inconscientes e emoções primárias. Seu livro Propaganda (1928) tornou-se o manual de referência sobre como as elites podem dirigir as massas apelando para esses impulsos ocultos. Para ele, a “engenharia do consenso” era essencial para evitar o “caos social”.

Ao contrário da visão unidirecional da propaganda tradicional, Bernays introduziu a chamada “estratégia bidirecional”, a “via de mão dupla”. Ou seja, não se trata apenas de dizer às pessoas o que pensar, mas de criar eventos e notícias que gerem a resposta desejada. Ao mesmo tempo, ele demonstrou que era possível associar um produto a um desejo emocional profundo, sem que o público percebesse que era vítima de manipulação.

As técnicas de Bernays chegaram a ser aplicadas até mesmo para derrubar governos. Seu trabalho para a United Fruit Company em 1954 é um exemplo concreto: na época, ele foi o autor da narrativa da ameaça comunista na Guatemala, que justificou a agressão ianque que pôs fim ao governo de Jacobo Arbenz.

Com base na experiência desse plano, nos primeiros anos da Revolução, foi construída a estratégia de guerra psicológica e propaganda dirigida contra Cuba, prática que lançou as bases do que hoje sobrevive, constantemente atualizado através do uso de novas tecnologias.

Enquanto ele apelava aos desejos inconscientes das massas de forma genérica, graças ao big data e à inteligência artificial, hoje isso pode ser feito a nível individual. 

Não é mais necessário convencer as pessoas de que algo existe; agora é possível fabricar uma realidade tão perfeita que rivaliza com o objeto autêntico.

A microsegmentação adaptativa, as mensagens hipersensoriais, a criação de realidades paralelas por meio de enxames de inteligência artificial e os deepfakes seriam o sonho de qualquer propagandista do século XX.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               https://www.granma.cu/mundo/2026-02-24/de-freud-a-los-algoritmos-la-ingenieria-del-consenso-en-la-era-digital-24-02-2026-21-02-39

Trad:Comitê Carioca