18 de out. de 2022

Baltasar Garzón: vitória de Lula pode condicionar derrota da extrema direita no mundo

 

Para o jurista espanhol, a eleição no Brasil “pode condicionar o futuro imediato de toda a humanidade”

O Brasil vota o futuro do planeta 


Por Baltasar Garzon Real, jurista e presidente da FIBGAR

É cada vez mais evidente que estamos assistindo a uma crise civilizatória, caracterizada entre outras coisas por uma nova guerra na Europa (algo impensável até muito recentemente); o retorno do fascismo em nível global; a mudança climática que está se tornando cada vez mais presente (agora inegável a menos que você seja um terraplanista ou algo semelhante) ou a crescente desigualdade e concentração da riqueza mundial em cada vez menos pessoas. Sem mencionar a pandemia que praticamente superamos, mas com a certa ameaça de um fenômeno semelhante em um futuro não muito distante.

Neste contexto pouco encorajador, e embora à primeira vista possa não parecer, o que será decidido no Brasil no futuro próximo pode condicionar o futuro imediato de toda a humanidade.

O Brasil aguarda o segundo turno eleitoral, que decidirá quem será o próximo presidente do país, se Luiz Inácio Lula da Silva ou Jair Bolsonaro. A vitória do progressista por seis milhões de votos, mas insuficiente para superar os 50% contra a extrema direita em 2 de outubro, torna obrigatória esta nova votação prevista para o 30º, de acordo com o sistema eleitoral do país. Nestas eleições, os brasileiros estão decidindo muito mais que a eleição de um nome ou outro: valores tão essenciais como o respeito às liberdades fundamentais, a proteção dos povos indígenas e o cuidado com o meio ambiente e, é claro, o próprio conceito de democracia em si, estão em jogo. É evidente que um admirador aberto de Pinochet, como Bolsonaro, é uma regressão em muitos aspectos, como demonstrou seu próprio governo nos últimos anos.

Escondido atrás das redes sociais, algo típico da extrema direita, o presidente e candidato manipula informações à vontade e distorce a mensagem quando afirma: "O que está em jogo neste momento é o futuro de nosso país, é hora de unir forças para proteger as liberdades e a dignidade do povo brasileiro e impedir que o grupo que assaltou e quase destruiu o país volte ao poder". Ele acusa Lula, quando ele é o culpado pela corrupção, e se coloca como o último obstáculo para deter o socialismo, quando ele é o único que deve ser detido por seus tons autoritários. 

Uma ameaça

Em sua propaganda ele apresenta outros líderes progressistas latino-americanos como o diabo reencarnado: Alberto Fernández, Gabriel Boric e Gustavo Petro. Lula, por sua vez, sem deixar sua conta no Twitter, se mistura com o povo, visitando localidades, fazendo-se visto ao vivo e estabelecendo alianças com outras formações para impedir que a extrema direita continue a liderar o governo.

Bolsonaro representa uma ameaça óbvia devido a sua política agressiva de desmatamento e agressão contra a Amazônia, por atacar os povos indígenas, minar o sistema eleitoral e enfraquecer o Estado de Direito. Em seu Relatório Mundial 2022, a Human Rights Watch (HRW) destaca estas más práticas típicas da extrema direita e do neofascismo. Durante a pandemia, o governo Bolsonaro espalhou informações falsas e, como documentado pelo Senado, houve corrupção na compra de vacinas.

Mais de 600.000 pessoas perderam suas vidas devido ao vírus, enquanto o negacionismo bolsonarista reinou irracionalmente. É verdade que a memória dos eleitores às vezes é frouxa, mas não tão frouxa a ponto de esquecer tudo isso e fazer pender a balança em favor do desastre. Nunca desde o retorno à democracia os direitos humanos sofreram momentos tão terríveis como com as políticas agressivas contra os povos indígenas, as mulheres, as pessoas com deficiência e a própria liberdade de expressão; sem mencionar o aumento da violência institucional que atingiu seu nível mais alto desde 2006.

Lawfare

Além de tudo isso, tem havido ataques contínuos ao judiciário e sua utilização para fins políticos. O julgamento contra Lula, que passou 580 dias na prisão, o que o impediu de participar das eleições de 2018, faz parte desta verdadeira guerra judicial ou lawfare. O braço executor foi o juiz Sergio Moro, que usou os mais diversos truques em uma investigação cheia de graves irregularidades, que mais tarde foram descobertas. No ano seguinte, Bolsonaro o recompensou com o Ministério de Segurança e Justiça. Agora, como senador, nesta viagem de ida e volta, ele apoia seu benfeitor. As acusações e condenações contra Lula foram anuladas em 2021 pelo Supremo Tribunal Federal com o fundamento de que as garantias do devido processo foram violadas, mas os danos a Lula, e ao país como um todo, foram irreparáveis.

Se Bolsonaro vencer, você pode imaginar quanto esforço ele fará para desmantelar o Supremo Tribunal Federal que ainda lhe resiste? Assim o exemplo do presidente húngaro Viktor Orban, que expulsou o presidente da Suprema Corte, Andras Baka, porque, como disse o próprio juiz, "ele criticou reformas que eram incompatíveis com a lei europeia", é muito grande. Assim você vê: Montesquieu e o princípio da separação de poderes, despedaçados em um golpe.

A primeira barreira ao poder absoluto é o Judiciário, citado por Baka, que foi demitido em 2012 após descrever a redução da idade de aposentadoria para juízes de 70 para 62 anos como um "expurgo disfarçado" no Judiciário. Em 2016, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos decidiu a favor de Baka com o fundamento de que a sua demissão tinha o objetivo de intimidar o Judiciário.

Não esqueçamos Donald Trump e suas manobras para domar o judiciário. Darei apenas dois exemplos: primeiro, a proibição de entrada nos Estados Unidos em 2018 sob ameaça de sanções contra funcionários do Tribunal Penal Internacional e promotores que investigam casos que implicam os Estados Unidos ou Israel em crimes contra a humanidade; segundo, a promessa eleitoral de Trump de 2016, posteriormente cumprida, de nomear juízes da Suprema Corte comprometidos com a causa antiaborto. Tal manipulação nas nomeações levou, com efeito, à Suprema Corte dos EUA em 2022, com uma maioria de juízes ultraconservadores, acabando por revogar a decisão que garantia o direito ao aborto, permitindo que estados individuais o proibissem ou regulassem.

A mentira triunfa

Bolsonaro tem trilhado este caminho que a ultra-direita conduz em cada país em que governa, como uma marca distintiva. No caso brasileiro, além de Sergio Moro, deve-se mencionar o ex-procurador evangélico Deltan Dallagnol, que liderou a acusação contra Lula da Silva no caso Lava Jato. A demonstração de que houve manipulação política, alteração de provas e perseguição levou à anulação do processo, o que, entretanto, não impediu tanto Moro quanto Dallagnol de concorrer nas últimas eleições, e ambos foram eleitos: Sergio Moro como senador e Deltan Dallagnol como deputado federal, sendo este último o mais votado no Paraná, inclusive à frente da presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

Tais resultados são desanimadores diante da confirmação de que mentiras, fraudes, trapaças por parte de alguns meios de comunicação, ataques aos direitos humanos e aos valores democráticos, bem como o uso político do Judiciário, são tão efetivamente recompensados.

O objetivo final, eu acho, é a ascensão da ultradireita globalmente, e o Brasil é um dos principais protagonistas deste jogo para o continente. Estas eleições são cruciais, porque se verá se as forças progressistas conseguem se impor ou, ao contrário, a ultradireita contraria os mais recentes avanços da esquerda alcançados no Chile ou na Colômbia e, além disso, como um elemento chave nos próximos planos de Donald Trump. Mas a importância da disputa eleitoral no Brasil é ainda maior.

O que está em jogo

O sociólogo e filósofo Boaventura de Sousa Santos o colocou muito bem há alguns dias: "Embora o Brasil, devido ao seu enorme tamanho, tenha dificuldade de imaginar que qualquer país ou movimento estrangeiro possa afetá-lo decisivamente, o fato é que a extrema direita global, que hoje tem seus maiores recursos financeiros e tecnológicos nos Estados Unidos, vê Bolsonaro como um instrumento estratégico para manter sua visibilidade internacional e facilitar o retorno de Donald Trump. Para a extrema-direita global, o segundo turno das eleições brasileiras são as primárias para as eleições americanas em 2024. Chamei a atenção para as atividades da Rede Atlas, inicialmente financiadas pelos irmãos Koch, magnatas reacionários americanos. Hoje ela tem 500 instituições parceiras em 100 países para promover sua ideologia ultra-liberal. Eles foram importantes na recente rejeição do projeto constitucional do Chile que procurava acabar com a constituição do ditador Pinochet e são muito ativos no Brasil...".

Os riscos são altos. Os cidadãos brasileiros e todos nós. Nesta próxima convocação às urnas depende, entre outras considerações cruciais, do futuro da Amazônia, que será de destruição se for deixado à extrema direita predatória de Bolsonaro, ou de recuperação se for a visão progressista de Lula que, como a Petro na Colômbia, se compromete a proteger os pulmões do mundo. Numa época em que a mudança climática é uma evidência alarmante, o possível resultado desta disputa presidencial faz com que o planeta prenda sua respiração. 

O que está em jogo agora no Brasil não são apenas os direitos humanos de 214 milhões de pessoas, mas também o futuro de todos nós, ameaçados pela intolerância, a busca insaciável do lucro, o desprezo pelas liberdades e a depredação suicida do meio ambiente. Por todas estas razões, acredito não estar exagerando quando digo que o futuro do planeta está em jogo no Brasil.

https://www.brasil247.com/ideias/vitoria-de-lula-pode-condicionar-derrota-da-extrema-direita-no-mundo-diz-jurista-espanhol


16 de out. de 2022

Mensagem dos educadores, jornalistas, escritores, artistas e cientistas cubanos para os seus colegas de outros países #CubaVive

               Somos parte dos milhões de cubanos formados pela Revolução e defensores de seus valores. Como a grande maioria de nossa população, estamos dedicados a recuperar o país do terrível impacto do furacão. Estamos sofrendo o desconforto de cidadãos por causa dos apagões e da escassez.

"Nosso compromisso se baseia em ideais e princípios patrióticos, no apego irrestrito à independência e à soberania".

Nós nos identificamos com os esforços e o auto-sacrifício das autoridades cubanas. Cientes das dificuldades e erros, o Partido e o Governo estão liderando e participando diretamente da recuperação. Eles também vão às comunidades e conversam frente a frente com os cidadãos.

Nosso compromisso se baseia em ideais e princípios patrióticos, no apego irrestrito à independência e soberania, no anti-imperialismo e na certeza de que é possível construir uma sociedade mais justa, baseada no culto à plena dignidade do ser humano.

"A repressão só existe em mensagens que incitam à violência e apoiam o bloqueio, contrariando os interesses e os desejos da Pátria".

Rejeitamos a manipulação em mídia hegemônica e redes digitais da dura e heróica realidade da Cuba dos dias atuais. A repressão só existe em mensagens que incitam à violência e apóiam o bloqueio, contrariando os interesses e desejos da Pátria. Qualquer análise de nossa situação requer uma visão abrangente e contextualizada, que considere antes de tudo a crescente e sustentada agressão do governo dos EUA.

A irritação e o desgosto provocados pelas necessidades diárias são compreensíveis; mas rejeitamos seu uso perverso e politizado por aqueles que - guiados por interesses mesquinhos e uma alta dose de cinismo - fingem compaixão por esse povo sem se preocupar com seu sofrimento.

"Condenamos o discurso do ódio, a difamação, as distorções de nossa realidade".

Condenamos o discurso do ódio, a difamação, as distorções de nossa realidade, e aspiramos que as informações verdadeiras cheguem àqueles que em boa vontade acompanham os acontecimentos e se preocupam honestamente com este país. Com nossa contribuição, a atividade escolar começa, o trabalho incansável da ciência continua, a vida nas comunidades é revitalizada, a programação cultural é reiniciada ao alcance de todos, e a verdade de Cuba é defendida.

Viva Cuba Libre! Abaixo o bloqueio!


http://www.lajiribilla.cu/mensaje-de-educadores-periodistas-escritores-artistas-y-cientificos-cubanos-a-sus-colegas-de-otros-paises/

NT: No sítio acima as mais de mil assinaturas do documento.

Tradução e edição: Carmen Diniz /Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

                    



15 de out. de 2022

CUBA, A SURPREENDENTE. (um texto que eu assinaria ...)

Foto: Yaimi Ravelo 
                              

Por Farruco Sesto.   

É impossível não se apaixonar por Cuba para sempre. E digo isto por sentimento, mas também pela razão, por minha própria experiência. Meu caso de amor com Cuba começou há muito tempo, quando eu tinha apenas quinze anos de idade, como um amor juvenil do tipo que permanece vivo e que nunca é esquecido.

Desde então, e eu investi uma vida inteira neste caso amoroso, ela nunca me decepcionou. Nem um único momento ela me fez duvidar dela, ou de mim mesmo, ou dos laços com os quais eu voluntariamente amarrei meu espírito rebelde, meu bem mais valioso, a ela.

Nem por um só momento me desencantei com seus líderes, nem com seu povo, nem com sua revolução, que está aqui para ficar.

Porque Cuba é muito especial. Sempre excepcionalmente bela, com aquela beleza do autêntico, do singular. Sabe? Cuba enche minha alma. Ou porque não dizer de outra forma, coletivamente: Cuba enche nossas almas. E isso nos surpreende a cada momento.

Seria, penso eu, uma boa maneira de chamá-la, quero dizer, se tivéssemos que lhe dar um adjetivo para descrevê-la: Cuba, a surpreendente. Porque depois de mais de sessenta anos de bloqueio imperialista, continua a nos mover, a nos cativar, a nos surpreender, com sua imaginação transbordando de humanidade, sua capacidade de resistência incorruptível, e um exercício permanente de decoro que não é nada menos que incomum, com o qual escreve a história passo a passo da vida cotidiana.

Confesso tudo isso, pelo amor que dedico a ela, que não é um amor cego, mas um amor que está sendo constantemente testado e reafirmado, para destacar o efeito de admiração e prazer que uma rápida leitura do CÓDIGO DAS FAMÍLIAS produz em mim. submetida a uma consulta especializada no ano 21, bem como a uma ampla consulta popular entre fevereiro e abril deste ano, e que, depois de ter sido apoiada pela maioria em um referendo nacional, foi aprovada pela Assembléia Nacional do Poder Popular de Cuba. 

Pode ser encontrada na íntegra na edição ordinária do Diário Oficial da República de Cuba, nº 87, de 17 de agosto de 2022, que consegui baixar on-line.

Por favor, leia, não perca, mesmo que seja uma leitura rápida como a minha. E para aqueles que têm um interesse especial no assunto, tome-o como um documento de estudo e aprendizado. É extraordinariamente valioso, em minha opinião. Uma grande e substancial contribuição à cultura humana, a partir desta ilha mágica e sempre surpreendente, elaborada a partir de sua própria realidade, "baseada na dignidade e no humanismo como valores supremos", que deve ser tomada como referência e exemplo.

Aprendi com meus professores que qualquer verdadeira revolução nada mais é do que, no fundo, uma mudança profunda e irreversível nas relações humanas. A sociedade cubana demonstra isso mais uma vez.

https://cubaenresumen.org/2022/10/15/cuba-la-sorprendente/

Tradução/edição: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 


JULIAN ASSANGE É UM DOS 3 FINALISTAS AO PRÊMIO SAKHAROV 2022 #FreeAssangeNOW

                     

  




  Julian Assange foi selecionado como um dos três finalistas do prestigioso Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, concedido a cada ano pelo Parlamento da União Européia. O Prêmio Sakharov é um prêmio honorário concedido a um indivíduo ou grupo que tenha dedicado suas vidas à defesa dos direitos humanos. O vencedor será anunciado no dia 19 de outubro.

   Stella Morris foi ao Parlamento Europeu para denunciar a brutal perseguição a sua casa, #JulianAssange e apoiar sua candidatura ao Prêmio Sahjarov do Parlamento Europeu.

  Sabrina Pignedoli e o Movimento 5 Estrelas apresentaram oficialmente a candidatura na primeira fase da seleção para o Prêmio Sakharov, o mais alto reconhecimento concedido pela Eurocâmara àqueles que se destacam na batalha pelo respeito aos direitos humanos.

  "O de meu marido é um caso político, Julian é um prisioneiro político, prêmios como o Prêmio Sakharov atuam como proteção política e em seu caso este prêmio poderia salvar sua vida". Ganhar este prêmio certamente mudaria as coisas", diz a Sra. Assange.

"Queríamos promover a candidatura de Assange ao Prêmio Sakharov porque Assange está pagando caro por dizer a verdade, por isso acreditamos que ele é o melhor candidato", disse Sabrina Pignedoli.

Esta candidatura é um reconhecimento do trabalho de Julian, que lutou toda sua vida pela liberdade de expressão e para garantir que isto fosse uma realidade e que as violações dos direitos humanos pudessem ser tornadas públicas para que pudéssemos pedir contas aos governos perante a justiça".

"Por ser um caso político, ele é um prisioneiro político, perseguido por divulgar os crimes de um governo verdadeiramente poderoso, e este reconhecimento poderia salvar sua vida".

O fato de Julian Assange estar na prisão "é ao invés disso uma mensagem clara, que nos diz que os governos podem cometer crimes com impunidade e ser presos mesmo no Ocidente, que a luta pelos direitos humanos não tem mais nenhum valor e que, de fato, aqueles que levam adiante esta luta podem ser punidos", concluiu Stella Assange.

                         


https://dontextraditeassange.com/post/julian-assanges-wife-in-the-european-parliament-for-the-sakharov-prize-nomination/?fbclid=IwAR27jCG-Qk9VS2r06KUbjmHIImd6g81evC1w_KIS755QszfkkRPMKyttLK8

Tradução e edição: Carmen Diniz/Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

                                                  


DE GUAIDÓ A ZELENSKY, OU DE COMO O IMPERIALISMO NÃO APRENDE NEM MESMO COM AS DERROTAS.

                                                                            

 Editorial de Izquierda Castellana publicado el 14-10-2022 

Em 31 de janeiro de 2019, o Parlamento Europeu reconheceu Juan Guaidó como o legítimo presidente da Venezuela por uma ampla maioria, com 439 votos a favor, de um total de 705 assentos. Anteriormente, em 24 de janeiro, os EUA, liderados por Donald Trump, já haviam realizado a mesma operação. Em 4 de fevereiro de 2019, o Parlamento espanhol também reconheceu Guaidó como o legítimo presidente da Venezuela por uma ampla maioria. Tudo o que restava era o povo venezuelano mostrar sua concordância com as decisões dos parlamentos das "democracias ocidentais". É claro, isso nunca aconteceu.

Todo este processo internacional, orquestrado pelos EUA, foi acompanhado por uma campanha dentro da Venezuela com sabotagens e algumas revoltas de setores minoritários do exército e da sociedade civil, que culminaram na operação fracassada de 30 de abril de 2019, com o principal centro na base aérea de La Carlota, em Caracas. Foi a chamada "Operação Liberdade", assim chamada por Juan Guaidó.

Anteriormente, em 23 de fevereiro de 2019, foi lançada uma campanha de intoxicação da mídia, que teve como ponto de partida a recusa do governo venezuelano em receber a "ajuda humanitária" que se pretendia transferir da Colômbia através da Ponte Internacional de Cúcuta. É muito interessante recordar a intervenção de Pedro Sánchez em 4 de fevereiro de 2019, quando o Parlamento espanhol decidiu reconhecer o Guaidó como presidente legítimo.

As campanhas de intoxicação e criminalização da mídia contra a Venezuela foram bestiais, e não inferiores em seu nível de manipulação aos atuais sobre a guerra na Ucrânia.

De acordo com a mídia ocidental de manipulação, Maduro estava cada dia em uma posição mais fraca e o exército se dividia em seu apoio ao chefe de Estado, enquanto Guaidó ganhava constantemente apoio social e institucional. Afinal, não era tudo como a tal  história "contava" . Maduro ainda é o presidente da Venezuela, e agora aqueles que até dias atrás não reconheciam sua legitimidade têm que negociar com ele.

Hoje podemos ver como mentiras semelhantes e intoxicação da mídia estão sendo repetidas em relação à guerra na Ucrânia: que a oposição a Putin está crescendo na Rússia; que o exército russo está perdendo a guerra de forma retumbante e clamorosa; que a Europa e o mundo em geral estão se tornando cada vez mais unidos contra a Rússia e a favor de Biden/Zelensky. Basta olhar para a recente decisão da OPEP (que virou as costas aos EUA ao decidir cortar a produção de petróleo em dois milhões de barris por dia a partir de novembro) para ver a falsidade dessas avaliações, que confundem o pensamento ilusório com a realidade.

A questão é por que os EUA estão apoiando a continuação e extensão da guerra na Ucrânia em vez de adotar uma política favorável às negociações que conduziria pelo menos a uma trégua que traria um fim ao confronto armado. Guerras significam morte e destruição para as classes trabalhadoras. No caso da guerra na Ucrânia, este sofrimento recai especialmente sobre o povo trabalhador daquele país, e também sobre o povo russo. Mas a guerra também é um grande negócio para o capitalismo, ou pelo menos para alguns países capitalistas, e é aí que estamos.

O capitalismo anglo-americano, hegemônico no campo imperialista, está em uma crise estrutural muito profunda da qual não é capaz de se livrar por meios comuns. Seu grande concorrente estratégico, a República Popular da China, está avançando apesar da gravidade dos problemas que enfrenta, que são em grande parte compartilhados pelo resto da humanidade. Por exemplo, na China, com 1,4 bilhões de habitantes, a pandemia de Covid-19 causou a morte de 5.300 pessoas, enquanto nos EUA, com 330 milhões de habitantes, já causou a morte de mais de um milhão, ou no caso da UE, onde com 450 milhões de habitantes, também foram registradas mais de um milhão de mortes. Mas também com relação à seca e às ondas de calor, para as quais estão pesquisando e testando diferentes medidas, incluindo o cultivo de arroz em água salgada. Eles também estão levando muito a sério a luta contra o aquecimento global e o planejamento para o uso de combustíveis de carbono. Em condições normais, a China não levará muito tempo para ultrapassar os EUA como potência econômica e tecnológica, e isso é algo que o imperialismo não pode de forma alguma permitir-se. Se eles tiverem que travar uma guerra para fazê-lo, eles o farão. E se nessa guerra eles tiverem que usar algum tipo de armamento nuclear para garantir a vitória, ele será usado. O imperialismo capitalista já utilizou esta mesma metodologia em etapas históricas anteriores, como demonstram claramente as duas guerras mundiais do século passado.

Alguns fatos sobre a situação econômica do imperialismo americano. O PIB dos EUA representa cerca de 20% do PIB mundial, mas seus gastos militares constituem mais de 40% dos gastos militares globais. O Presidente Biden apresentou um orçamento militar para o ano fiscal de 2023 de 773 bilhões de dólares, uma quantia que provavelmente será aumentada no processo de debate antes de sua aprovação. Biden prometeu US$ 1,5 bilhão por mês à Ucrânia para financiar a guerra, e uma quantia semelhante deve ser fornecida pela UE. A inflação vem crescendo ininterruptamente há mais de 17 meses, e não há nenhuma expectativa séria e rigorosamente fundamentada de que esta tendência mude de forma clara. O nível de endividamento dos países ocidentais é absolutamente brutal, começando pelos próprios EUA, que atualmente têm uma dívida pública de 31,2 trilhões de dólares, muito próxima dos 32 trilhões de dólares que a legislação dos EUA considera como o teto para este ano fiscal em termos de endividamento público. Este valor representa 133,92% da dívida para o PIB, e uma dívida per capita de 74.286 dólares. Há dezenas de outros números que poderiam ser acrescentados, mas acreditamos que estes são elementos suficientes para a reflexão.

Promover Zelensky como líder mundial do fascismo e da reação, como fizeram não há muito tempo com Juan Guaidó, é uma nova manobra condenada ao fracasso. Mas enquanto isso, a guerra liderada e financiada por seus promotores está causando dezenas de milhares de mortes e grande sofrimento para as classes trabalhadoras da Europa como um todo. É claro que as contas que eles tinham elaborado não funcionam, nem funcionarão. Mas muito provavelmente optarão por continuar financiando a guerra em vez de procurar alternativas para sua solução, pois é a única maneira que eles acreditam poder sair de sua crise estrutural. Sem dúvida, o sofrimento aumentará significativamente, mas também a consciência e o grau de organização, ou seja, a resistência popular.

Diante da guerra, existem apenas duas opções: ou pará-la ou transformá-la em revolução.

Izquierda Castellana, 14 de octubre de 2022

https://www.bricspsuv.com/2022/10/14/de-guaido-a-zelensky-o-de-como-el-imperialismo-no-aprende-ni-de-las-derrotas/

Tradução: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

                                      


13 de out. de 2022

77° PERÍODO DE SESSÕES DA ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS (+vídeo) #NoMasBloqueo

                    

            Neste último mês de setembro se iniciou o 77° período de sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas que contou com declarações de presidentes e demais representantes dos países membros. São importantes discursos que já se antecipam a algumas decisões a serem votadas no período. Vale aqui reuni-las para avaliar, no caso cubano, a expectativa das votações e, em especial a análise pela apresentação da Resolução para pôr fim ao bloqueio por parte dos EUA contra Cuba.

           Cuba apresentará pela trigésima vez uma resolução contra o bloqueio dos EUA na Assembléia Geral da ONU.

O Ministro das Relações Exteriores cubano Bruno Rodríguez Parrilla anunciou em um vídeo postado no Twitter que pela trigésima vez será apresentada à Assembleia Geral das Nações Unidas a resolução para acabar com o bloqueio econômico dos EUA.

                                   



Durante os primeiros 14 meses da Administração Biden, esta política causou danos a Cuba avaliados em 6.364 milhões de dólares.

De acordo com Rodríguez Parrilla, o bloqueio impede o desenvolvimento do país e o priva de renda que poderia melhorar o bem-estar dos cubanos.

"O governo deste país persiste em ignorar as exigências da comunidade internacional e tem apertado o bloqueio para níveis sem precedentes", disse ele.

O Ministro das Relações Exteriores declarou que o bloqueio "tem sido uma política fracassada em seu objetivo de subverter a ordem constitucional em Cuba, mas causa escassez, dor e sofrimento injustificável às famílias cubanas, ao limitar o acesso a alimentos, medicamentos, combustível e outras necessidades básicas".

Ele também ressaltou que a designação unilateral e fraudulenta de Cuba como Estado patrocinador do terrorismo reforça o impacto dissuasivo e intimidador desta política de asfixia econômica, cuja natureza extraterritorial afeta as relações que governos, entidades, bancos e empresários estabelecem com a ilha e seus cidadãos que vivem no exterior.

O bloqueio deixa os Estados Unidos em profundo isolamento internacional, desacredita e desperta a profunda rejeição dos povos, ressaltou Rodríguez Parrilla.

"Cuba tem o direito de viver sem bloqueio", concluiu o ministro.

A apresentação da minuta da resolução contra o bloqueio ocorrerá entre 2 e 3 de novembro.            

                                              

Em 2 e 3 de novembro, apresentaremos à # AGNU, pela 30ª vez, o projeto de resolução vs bloqueio Após mais de 60 anos de cerco, esta política tem um impacto hoje, como nunca antes, às famílias cubanas dentro e fora do país #Cuba tem o direito de viver sem bloqueio #BetterWithoutBlockade https://t.co/wVOjYUu0wQ


        Alguns discursos de chefes de Estado na ONU  que junto à grande  maioria dos países-membros se posicionarão contra o bloqueio criminoso a Cuba :


                            DEBATE GERAL 77° PERÍODO DE SESSÕES DA AGNU



"Hoje que a guerra volta a castigar os mais pobres do mundo e que somos países invadidos, reivindicamos o retorno ao respeito à autodeterminação dos povos, RECHAÇANDO O INFAME E BRUTAL BLOQUEIO AO POVO DA IRMÃ REPÚBLICA DE CUBA.
É tempo de discutir seriamente a muitipolaridade do mundo. O presidente Barack Obama deu os primeiros passos para o fim desta infâmia"
Xiomara Castro - Presidenta de Honduras  


"No mundo de hoje, as diferenças se devem resolver pelo diálogo e pela cooperação, por isso, ao nosso entender, O BLOQUEIO DE LONGA DURAÇÃO CONTRA CUBA E O POVO CUBANO DEVE SE LEVANTAR"
Chandrika Persad - Presidente de Suriname 



"Quero dizer ao povo dos Estados Unidos, não tenham objetivos a curto prazo porque na América a paz e a prosperidade é para todos no continente, a ambos os lados e nada justifica dificultar a vida das pessoas por diferenças ideológicas. E se há diferenças em matéria de Direitos Humanos, resolvamos, como temos decidido fazer com muitos outros países no mundo, SEM IMPOR SANÇÕES. A justiça e a transparência requerem que assim façamos."
Mia AmorMottlet - Primeira Ministra de Barbados 



        "Devemos chamar a atenção sobre a utilização das Medidas Coercitivas Unilaterais.(...) Neste sentido, APOIAMOS A REIVINDICAÇÃO DE CUBA E VENEZUELA PARA QUE ACABEM COM OS BLOQUEIOS QUE SOFREM ESTAS NAÇÕES" 
                                     Alberto Fernández - Presidente da Argentina 



"Outra demonstração clara da aplicação de medidas unilaterais É O DESUMANO E CRIMINOSO BLOQUEIO COMERCIAL E FINANCEIRO CONTRA CUBA, que põe em risco a vida de milhões de cidadãos e cidadãs"
Luis Arce - Presidente da Estado Plurinacional da Bolívia.



"Dominica continua se somando às vozes da grande maioria de membros desta organizaçãomundial para pedir que se suspendam imediatamente as restrições comerciais e à exportação que se impõem ao bom povo de Cuba. SE DEMONSTROU QUE, INDEPENDENTEMENTE DOS OBJETIVOS HÁ 60 ANOS QUANDO SE INSTITUIU ESTE BLOQUEIO JÁ ISTO NÃO SE JUSTIFICA E NUNCA SE PÔDE"
Charles Angelo Savarin - Presidente de Dominica.
            

https://cubaenresumen.org/2022/09/15/cuba-presentara-por-trigesima-ocasion-resolucion-contra-bloqueo-de-eeuu-ante-la-asamblea-general-de-la-onu/

Tradução, Redação e Edição: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba                                      


https://solidariedadecubarj.blogspot.com/2021/06/a-votacao-na-onu-e-o-bloqueio-contra.html                 



12 de out. de 2022

MENSAGEM DE STELLA ASSANGE SOBRE JULIAN #FreeAssangeNOW

                             

Mensagem de Stella Assange

Amigos,

Graças a você, o sábado foi uma conquista histórica.

Muitos de vocês sabem que desde sábado, Julian deu positivo para a COVID e agora está em prisão 24 horas em sua cela de Belmarsh até novo aviso. Contei-lhe sobre o grande sucesso no sábado e estou enviando-lhe fotos do dia para levantar seu espírito. Ele está profundamente comovido com a maciça demonstração de apoio.

Ninguém sabia ao certo se iria funcionar, mas a participação de cada um de vocês foi essencial para estender a cadeia e ajudar a torná-la um sucesso. É uma metáfora do nosso movimento, que devemos continuar a construir mais forte e por mais tempo e na qual cada um de nós é necessário para alcançar o objetivo da liberdade de Julian.

Reunimo-nos e, apesar da greve ferroviária, a afluência superou nossas expectativas. Precisávamos de 5.000 pessoas para completar o círculo. Conseguimos isso, e muito mais. As pessoas estavam ombro a ombro e em alguns trechos o asfalto estava lotado. O ex-embaixador britânico Craig Murray, que andava ao redor da corrente humana quando a sirene disparou, os números estimados eram de 10.000-12.000. As imagens do dia falam por si mesmas.

Havia aqueles que haviam tentado espalhar o medo, a incerteza e a dúvida para nos desencorajar, mas nós perseveramos. Demos uma mensagem clara e unificada de que somos muitos, somos impulsionados e estamos determinados. Não vamos parar até que Julian esteja livre.

Foi um dia de cooperação, solidariedade e propósito comum e, acima de tudo, de esperança e humanidade palpáveis.

Continuaremos a construir este movimento para libertar Julian planejando mais demos, e na construção destes, traremos mais palestras e eventos localmente. Para nos ajudar a planejar estes eventos locais, precisamos da sua ajuda e contribuição, por favor, entre em contato.

Estamos planejando mais exibições dos filmes Ithaka e Hacking Justice. Ithaka, sobre a luta de nossa família pela liberdade de Julian, será exibido no Soho London Independent Film Festival (LIFF), em novembro. Estarei na exibição de Ithaka no Festival de Direitos Humanos de Berlim na quinta e sexta-feira desta semana.

Precisamos divulgar a injustiça, crueldade e desumanidade que mantém uma editora presa em prisão preventiva, ano após ano, em uma prisão de alta segurança no meio de Londres.

Precisamos chamar a atenção para a farsa de que o que está se desenrolando é um processo legal legítimo. O que está se desdobrando é o oposto disso. É uma perseguição política que está instrumentalizando o sistema judicial britânico e explorando os acordos de extradição entre os dois países. O chamado processo em si é punitivo, mantendo Julian preso ano após ano enquanto ele resiste à extradição para um julgamento de fachada nos EUA e uma grotesca sentença de 175 anos como punição por ter publicado a verdade.

Como podemos sequer fingir que Julian poderia enfrentar um processo justo e equitativo quando é o país que planejou o assassinato de Julian que está exigindo sua extradição? Como alguém pode argumentar com credibilidade que é correto que o país cujos crimes de guerra e tortura Julian expôs no Iraque, Afeganistão, Baía de Guantánamo e em outros lugares, possa então instaurar um processo criminal contra ele por ter publicado as provas dos crimes cometidos pelo governo dos EUA? E como alguém pode argumentar seriamente que Julian enfrenta um julgamento justo quando as autoridades americanas violaram o privilégio advogado-cliente através de suas operações criminosas visando os advogados de Julian e gravando suas conversas?

Aqueles que se beneficiam da impunidade pela criminalidade e corrupção cometidas no escuro estão abusando do sistema de justiça criminal para punir o homem que deu ao público as provas necessárias para alcançar a responsabilidade.

Este é um caso de corrupção estatal desenfreada, não apenas evidenciada nos documentos que o WikiLeaks publicou, mas também na forma criminosa em que a perseguição política está se desenrolando contra ele.

As autoridades americanas e britânicas se tornaram desonestas neste caso e nós, o povo, devemos esclarecer o que o Estado de direito, a justiça e a democracia realmente significam neste caso, e todos eles se resumem a uma coisa: libertar Julian Assange.

Mais uma vez, obrigado. E até a próxima vez. 



Tradução/ediçao: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba