19 de set. de 2024

O ENCONTRO DE ZELENSKY COM A IMPRENSA DA AMÉRICA LATINA E SEUS ELOGIOS A BORIC, MILEI E LACALLE.


Jornalistas do Chile, Argentina e Uruguai 

Gosto de pessoas como ele”, disse o presidente ucraniano sobre Gabriel Boric. Declarou que “estou muito grato” a Javier Milei e elogiou a “voz forte e poderosa” do presidente uruguaio. Volodimir Zelensky recebeu no Palácio Mariinsky jornalistas de jornais latino-  americanos, incluindo La Tercera (Chile), El País (Uruguai) e Clarín (Argentina).

  Foi planejado por uma equipe do Presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, como parte da sua estratégia diplomática em plena guerra com a Rússia.

  Contataram as embaixadas ucranianas na América Latina, incluindo a do Chile, e com editores e jornalistas de pelo menos sete meios de comunicação da região. A ideia era oferecer um encontro de jornais considerados não hostis à Ucrânia, com uma linha editorial conservadora, com influência mediática e que permitisse a Zelensky transmitir a sua mensagem à América Latina e, no processo, enviar elogios a alguns líderes que o apoiam resolutamente.

  Os jornalistas viajaram para a Ucrânia aparentemente convidados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano e foram bem recebidos. No final desta semana puderam estar numa sala do Palácio Mariinsky, local de protocolo e atividades oficiais da presidência daquele país. Lá o anfitrião, Volodimir Zelensky, os recebeu.

   Estiveram presentes, entre outros, a jornalista do jornal La Tercera do Chile, Cristina Cifuentes, Natasha Niebieskikwiat, a jornalista do Clarín da Argentina, e o jornalista do El País do Uruguai, Fabián Cambiaso. O pessoal de comunicação ucraniano esteve atento ao desenvolvimento da reunião.

    Zelensky não foi apenas gentil com os repórteres daqueles meios de comunicação editorialmente simpáticos ao regime ucraniano, mas também dirigiu palavras de amizade e reconhecimento especialmente aos presidentes do Chile, Argentina e Uruguai, Gabriel Boric, Javier Milei e Luis Lacalle Pou, respectivamente. Aliás, estes dois últimos, juntamente com o ucraniano, fazem parte da corrente de extrema direita que procura uma coordenação a nível global, pelo que têm uma afinidade que vai além de condenar a Rússia e desprezar o presidente Vladimir Putin. Para muitos, a ligação entre o Governo da Ucrânia e os grupos neonazis e ultranacionalistas ucranianos que durante anos desempenharam um papel na segurança e no paramilitarismo não passa despercebida. É por isso que a proximidade de Gabriel Boric com Zelensky chama a atenção nos meios políticos e diplomáticos da região.

“Eu gosto de pessoas como ele”

  Na nota do jornalista La Tercera, foi confirmada a alta avaliação que o presidente ucraniano faz do presidente do Chile, Gabriel Boric. “Ele é uma pessoa que influenciou a América Latina a ter mais representação na primeira Cúpula da Paz e eu realmente valorizo ​​seu papel”, disse Zelensky sobre Boric.

  Destacou que “temos um relacionamento muito bom, temos um diálogo muito bom com o Presidente (Boric). Ele é uma pessoa bastante direta, muito justa e gosto de pessoas como ele.”

  O presidente ucraniano disse que com o Chile “seremos capazes de construir muitas relações no futuro dos nossos povos. Acho que somos muito parecidos.”

 

“Contamos” com o Governo Uruguaio

   No encontro com a imprensa latino-americana, o presidente ucraniano sublinhou que “às vezes, nem nós mesmos sabemos o que um país pequeno pode fazer, mas que tem uma voz forte e líderes fortes” e depois expressou que “sabemos que o Uruguai, embora pequeno, tem uma voz forte e poderosa”, em alusão tácita ao presidente Lacalle Pou.

  Baseando-se no apoio do Uruguai à Ucrânia, Zelensky afirmou que “contamos com isso. Não importa se é um país grande ou pequeno. “Todos são importantes para nós.”

   No artigo do El País sobre o Uruguai foi indicado: “O que Zelensky procura gerar é que a posição que o Uruguai possa adotar esteja presente e 'liderando' uma nova cúpula 'pela paz' ​​que Kiev vem agendado para novembro, onde buscarão unir todo o continente e que, segundo ele, isso deveria ser feito nos Estados Unidos. No qual, além disso, a Rússia deveria estar presente.”

   E ficou estabelecido que “a Ucrânia buscou e conseguiu a participação do Uruguai na primeira Cúpula pela Paz, na qual estiveram presentes mais de 100 países, que aconteceu no final de junho na Suíça”.

  


“Estou muito grato” a Milei

  Segundo artigo do Clarín da Argentina, Volodimir Zelenski, “só tive palavras de elogio ao argentino Javier Milei. 'Estou muito grato a ele', disse ele."

  E afirmou que desde que o presidente de extrema direita se tornou presidente, “a política da Argentina é ‘muito positiva’ em relação ao seu país”. O chefe do Executivo ucraniano disse que “a atitude em relação à Ucrânia tem sido muito melhor e as relações melhoraram muito. Não posso dar detalhes, mas tenho visto o apoio político de Javier e estou muito grato por isso, porque ele é um dos líderes de um dos grandes países da América Latina.”

  E confessou, sem dar detalhes: “Por hoje ele (Milei) já fez o que eu pedi. E eu aceito”.

 

  Cúpulas que estão por vir e onde participariam os governos do Chile, Argentina e Uruguai

  Na reunião, discutiram a possibilidade de uma nova Cimeira da Paz a realizar-se em Novembro, provavelmente nos Estados Unidos, e a presença de Gabriel Boric, Javier Milei e Luis Lacalle Pou, ou representantes dos seus governos, como um novo gesto. de apoio à Ucrânia e de condenação da Rússia.

  Um ponto que Zelensky levantou é que estão  pedindo ajuda para recuperar meninas e meninos ucranianos supostamente sequestrados pela Rússia, e ele vê um papel que os líderes latino-americanos podem desempenhar.

  Neste quadro, está prevista uma Cimeira de Primeiras Damas de várias nações, onde estaria presente a esposa de Zelensky, Olena Zelenska, e seria esperada a chegada das respectivas latino-americanas, embora, claro, nem Boric nem Milei sejam formalmente casados. Um dos objetivos teria a ver com a situação das crianças na Ucrânia.

 

https://elsiglo.cl/el-encuentro-de-zelensky-con-prensa-de-al-y-sus-elogios-a-boric-milei-y-lacalle/

@comitecarioca2




18 de set. de 2024

VENEZUELA, UM PAÍS DE REFERÊNCIA NO ANTIFASCISMO E UM EXEMPLO DO QUE SIGNIFICA ENFRENTAR ESTE FLAGELO

      

Por Carlos Aznárez, Resumo Latino-Americano, 14 de setembro de 2024.

     Nada mais oportuno e necessário o “Congresso contra o Fascismo, o Neofascismo e outras experiências semelhantes”, realizado nestes dias em Caracas, com a participação de 1.200 representantes de todo o mundo. E é assim, pois a floresta não pode mais ser escondida com uma árvore e percebe-se que tanto governos como inúmeras organizações com características fascistas ou neonazistas estão surgindo com total impunidade, gerando, como indica a lógica fundadora desses movimentos , atitudes racistas, xenófobas e expansionistas que culminam em ataques violentos e até mortes contra aqueles que se opõem a essas atitudes criminosas.

   É o que acontece na Venezuela, quando cada vez que o governo revolucionário convoca eleições ou implementa medidas antecipadas para a população afetada pelas diferentes crises econômicas. A burguesia e a sua emergente lumpenagem paramilitar põem-se a trabalhar e geram ataques de todos os tipos, como ocorreu entre a noite de 28 e 31 de julho, que terminou com a morte de 27 chavistas.

    Isto e as consequências que poderiam ocorrer se tais acontecimentos não fossem levados a sério foram discutidos no Congresso Antifascista, mas também sobre o que está acontecendo com nuances semelhantes, em outros países do continente latino-americano e na Europa.

    Daí a importância que têm hoje estes encontros, onde se ouvem vozes como as da vice-presidente bolivariana Delcy Rodríguez, que destacou que o fascismo se aninha no conteúdo do capitalismo, e cuja dinâmica permanente visa destruir qualquer indício de organização ou mobilização popular isso os enfrenta. Foi a mesma Delcy quem alertou sobre a existência de um “imperialismo tecnológico” que, por exemplo, baixou 30 milhões de ataques por minuto contra a estrutura informática eleitoral na tarde e noite do dia 28/07,. buscando produzir uma hecatombe caso não tivesse sido possível divulgar - em muito pouco tempo - os resultados. Esta ofensiva golpista foi acompanhada pela tentativa de ataque às fontes de energia elétrica, tentando conseguir um apagão massivo em todo o país. Ambos os acontecimentos procuraram levar a oposição às ruas e, através da violência, estabelecer um cenário desestabilizador gravíssimo. 

    Além disso, foi importante ouvir neste primeiro Congresso a voz de Diosdado Cabello, alma mater junto com o Comandante Hugo Chávez e agora com Nicolás Maduro, de uma dupla de ferro essencial para manter o ritmo ascendente da Revolução. Diosdado trouxe à tona a ideia de que este processo é forte e continuará a sê-lo graças ao cuidado da memória histórica, que resgata a ideia de construção por baixo do que é hoje o poder popular comunal e a aliança fundamental dos povos -forças armadas com mais milícias populares, prontas para defender de qualquer ataque tudo o que foi conquistado na luta. “Não voltarão”, insistiu Diosdado, não como um mero slogan, mas como a confirmação de que há coragem e consciência revolucionária suficientes para evitar a pior das possibilidades, como uma invasão militar imperialista. Se isso acontecesse, o povo armado seria, sem dúvida, o responsável por impossibilitar a vida dos invasores, como acontece hoje na Palestina, a cujo povo Diosdado enviou uma mensagem de total solidariedade.

    O Congresso também foi povoado por diferentes discussões que tiveram o fascismo, o imperialismo, o colonialismo e o sionismo como elementos de debate, úteis para expressar ideias que tornam possível a autodefesa contra estes flagelos. Nesse sentido, tanto a Palestina como o que está acontecendo hoje com o fascismo-sionismo-ultraliberalismo na Argentina foram comuns nas negociações no Congresso. No primeiro caso, instando os delegados dos 95 países presentes a reforçarem ações de solidariedade em apoio à Resistência Palestina e em repúdio ao sionismo, ampliando o apoio ao boicote ao establishment político, cultural e militar israelense. No caso da Argentina, foram denunciadas as políticas de fome do governo e a crescente repressão, usando como exemplo os ataques extremamente violentos contra os aposentados, e também a destruição de qualquer organização ou instituição que pudesse trazer benefícios ao povo.

    O presidente Nicolás Maduro também falou sobre o fenômeno de crueldade que se instalou na Argentina no encerramento do Congresso, destacando que Milei aplica toda a perversidade do fascismo contra a população, mas que mais cedo ou mais tarde o povo argentino lhe dará o que ele merece.

     Foi o próprio Maduro, já falando da Venezuela, convertida “num laboratório” das políticas criminosas do imperialismo e do fascismo, que não hesitou em qualificar como “cúmplices dos nossos inimigos” aqueles que tentam “meter o nariz onde não querem”. pertencem.” dando conselhos que ninguém pediu ou que arruínam diretamente as relações fraternas mantidas durante anos. Sem nomeá-los especificamente, houve ataques contra a atitude lamentável de Lula, Cristina Kirchner e do colombiano Gustavo Petro, embora para isso Maduro tenha reiterado seu repúdio a qualquer tentativa de golpe que o derrubasse.

  O Presidente Maduro e os familiares de uma das mulheres assassinadas pelos fascistas da oposição.: 


    Não há nenhum país no mundo que mostre os seus registros eleitorais, mas que dê a conhecer os resultados da votação. Só se um partido decidir impugnar uma votação, então a Justiça Eleitoral intervirá”, disse Maduro, pondo fim a uma acusação suja de tantos inimigos reacionários da Revolução Bolivariana.

   Foram muitos os momentos de emoção num Congresso que foi invisibilizado pelos meios de comunicação hegemônicos ou distorcido pelos fantoches do império que se alimentam do desprezo pelos mais pobres. O mais significativo foi a homenagem às vítimas da violência fascista que custou a vida a 27 chavistas, e não a membros da oposição como mentiram os porta-vozes do terrorismo mediático. A certa altura do seu discurso, Maduro trouxe ao palco a família, incluindo os filhos pequenos, de uma das dirigentes assassinadas pela oposição. Todos eles foram abraçados pelo presidente num abraço prolongado, enquanto a multidão cantava, furiosa, “No volverán” ( não voltarão).

   Em suma, a Venezuela não está sozinha nestas circunstâncias difíceis colocadas pelo ataque permanente dos Estados Unidos, da União Europeia e dos seus comparsas latino-americanos. E não está sozinha porque em todos os países há centenas de milhares ou milhões de pessoas que continuam a admirar esta Revolução, como é o caso de Cuba, e estão prontas a defendê-la. Partem do fato de que, perante a verificação “in situ” do que são as democracias liberais, burguesas, repressivas e destruidoras, o exemplo da pátria de Bolívar e Chávez, desafiando todas as dificuldades, é o de um país que hoje recupera a sua economia, defende a sua soberania, educa e cuida da saúde do seu povo e, num esforço monumental, passou de praticamente não ter alimentos devido ao bloqueio e também a certas ineficiências próprias, para produzir atualmente mais de 85% dos mesmos. Isto é conseguido com amor a uma causa, a do socialismo, com vontade política e também com coragem suficiente para enfrentar os inimigos de todas as formas possíveis.

    A Venezuela é, juntamente com Cuba e a Nicarágua, um país que nos deve orgulhar a nós, latino-americanos e caribenhos, e que nos compromete a assegurar que este Congresso Antifascista, já concluído, tenha continuidade assegurada para que, na formação de uma Internacional, anunciada por Diosdado e Maduro, possamos acrescentar consciência ofensiva nos povos que já sofrem este flagelo, e consolidar a autodefesa naqueles que hoje se vêem ameaçados por propostas recolonizadoras ou decididamente neofascistas. Neste último caso, ser coerentemente anti-imperialista na esquerda envolve múltiplos factores, e um deles é defender a Venezuela contra todas as probabilidades.      Para que depois ninguém diga que “isso não pode ser feito”, basta lembrar que a Venezuela existe e é revolucionária há 25 anos, por decisão da luta popular sob a direção do governo bolivariano que cumpre o legado do Comandante Hugo Chávez.

    Se na rua, no trabalho, nas escolas e na Universidade alguém insiste que “na Venezuela há uma ditadura” ou que “lá o povo tem fome”, não há necessidade de hesitar em responder, sabendo que o adversário se não é um provocador, é uma pessoa alienada pela desinformação, e devemos tentar convencê-lo com as verdades sobre a Venezuela. A batalha será dura, mas vale a pena lutar se a enorme causa que é o internacionalismo for verdadeiramente abraçada.


em espanholhttps://www.resumenlatinoamericano.org/2024/09/14/venezuela-pais-referente-del-antifascismo-y-ejemplo-de-lo-que-significa-enfrentar-a-dicho-flagelo/

Trad: @comitecarioca21

                         


17 de set. de 2024

MAIS DE 30 EX-PRESIDENTES DO MUNDO PEDEM A BIDEN QUE RETIRE CUBA DA LISTA DE PAÍSES QUE APOIAM O TERRORISMO. (+ carta)

 

   O ex-presidente da Colômbia Ernesto Samper anunciou a carta que ele e outros 34 ex-presidentes da América Latina e Caribe, Europa, África e Ásia assinaram.

   Na carta, os ex-líderes pedem ao presidente Joe Biden que retire Cuba da lista de Estados patrocinadores do terrorismo que os Estados Unidos elabora unilateralmente antes do final do seu mandato.

  Nenhum país deve comprometer para fins políticos a seriedade da luta contra o flagelo do terrorismo”, afirmam no documento.

    Entre os signatários da carta estão, além de Samper, a brasileira Dilma Rousseff, a argentina Cristina Fernández de Kirchner, o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa.

   O ex-presidente Samper sustentou que “não faz sentido que um país como Cuba, que trabalhou pela paz no mundo e que ajudou a nós, colombianos, a assinar o acordo de paz com as FARC, seja incluído na lista de países” que apoiam o terrorismo e como consequência, submetê-lo a sanções imorais, ilegais e desumanas”.

  Na carta, os ex- dirigentes sublinham que “manter a inclusão de Cuba na lista dos Estados que patrocinam o terrorismo é uma medida coercitiva difícil de justificar no século XXI, quando a igualdade entre os Estados deve ser uma realidade”.

   Assinalam que as razões para solicitar a retirada definitiva de Cuba da lista “são apoiadas por um forte apelo humanitário que visa aliviar a situação de milhões de pessoas inocentes”, e que outro argumento é a “profunda convicção de que o Governo de Cuba “está seriamente empenhado contra o terrorismo e a favor da paz na região e no mundo”.

    Acrescentam que “a decisão injusta também afeta a carta universal dos direitos humanos, pilar ético das relações internacionais contemporâneas, ao impactar os setores mais vulneráveis ​​da população cubana atingidos recentemente pelos efeitos desastrosos da pandemia, agravados pela falta de medicamentos e equipamentos para lidar com a emergência.”

   Em maio deste ano, o Departamento de Estado tomou a decisão de retirar Cuba da lista dos Estados que não cooperam na luta contra o terrorismo, uma decisão correta e justa que aplaudimos. Desta forma, as autoridades do seu país insistem em manter Cuba incluída na outra lista, a dos Estados patrocinadores do terrorismo.

Como se pode afirmar, ao mesmo tempo, que um país coopera na luta global contra o terrorismo e ao mesmo tempo acusá-lo de apoiá-lo abertamente?

Sem qualquer prova, Cuba é acusada de ter ligações com atividades terroristas das quais tem sido vítima e devido a esta presunção, são impostas duras sanções que atingem diretamente a sua população e desequilibram permanentemente a sua economia”.


Senhor JOSEPH BIDEN   Presidente dos Estados Unidos

 Senhor Presidente, 

 Como é do seu conhecimento, a economia cubana é uma das mais afetadas do mundo, devido a décadas de sanções unilaterais e medidas coercitivas, e encontra-se hoje, socialmente, num ponto de difícil retorno. Na administração de Barack Obama - da qual V. Exa. fez parte - deu-se um passo histórico no sentido do levantamento dessas sanções e da normalização das relações diplomáticas entre dois vizinhos que não têm qualquer razão para se privarem da sua cooperação mútua pelo simples fato de terem sistemas políticos com inspirações ideológicas diferentes. 

 Não há registo na nossa história, desde o pós-guerra, quando foi fundado o Sistema das Nações Unidas, de normas internacionais que estipulem que as relações entre Estados devam ser regidas ou condicionadas em função do seu nível de sintonia ideológica, o que significaria o fim da soberania e da autodeterminação como pilares fundamentais sobre os quais se estabeleceu o sistema de governança global em paz após a Segunda Guerra Mundial. 

Precisamente com base neste raciocínio, o próprio Obama reconheceu o anacronismo de algumas medidas unilaterais contra Estados como Cuba. Em maio deste ano, o Departamento de Estado tomou a decisão de retirar Cuba da lista de Estados que não cooperam na luta contra o terrorismo, uma decisão correta e justa que aplaudimos naquele momento. 

Apesar disso, e de forma contraditória, as autoridades do seu país insistem em manter Cuba na outra lista - a lista dos Estados patrocinadores do terrorismo -, como é que podem, ao mesmo tempo, afirmar que um país coopera na luta global contra o terrorismo e, simultaneamente, acusá-lo de o apoiar abertamente?

 Sem qualquer prova, Cuba é acusada de ter ligações com atividades terroristas de que tem sido vítima e, devido a esta presunção, são-lhe impostas duras sanções que afetam diretamente a sua população e desequilibram permanentemente a sua economia. Além disso, a manutenção da inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo é uma medida coercitiva dificilmente justificável no século XXI, quando a igualdade entre Estados deve ser uma realidade.

 Esta decisão injusta afeta também a carta universal dos direitos humanos, pilar ético das relações internacionais contemporâneas, na medida em que se repercute nos setores mais vulneráveis da população cubana, recentemente atingidos pelos efeitos nefastos da pandemia, agravados pela falta de medicamentos e de equipamentos para fazer face à emergência.

 A difícil situação que a economia cubana atravessa explica-se, entre outros fatores, pelas sanções unilaterais aplicadas pelos Estados Unidos e condenadas pelo seu unilateralismo pelo sistema das Nações Unidas e por muitas pessoas e instituições em diferentes cenários e ocasiões. 

Na Assembleia Geral das Nações Unidas, o bloqueio contra Cuba foi condenado em mais de trinta resoluções por maioria absoluta. Em Cuba, Senhor Presidente, a situação começa a ser dramática, e isso reflete uma situação crítica que pode e deve ser corrigida se for feita justiça aos esforços comprovados de Cuba para lutar contra o terrorismo e não com o terrorismo. 

A onda de migração sem precedentes de emigrantes cubanos para os Estados Unidos é talvez o exemplo mais ilustrativo do impacto devastador e do sofrimento causado pelas medidas extremas contra a economia cubana em resultado da sua inclusão na lista de Estados patrocinadores do terrorismo. O impacto extraterritorial das medidas de cerco financeiro contra Cuba afeta também os interesses dos setores bancário e empresarial dos nossos países.

 A participação ativa do governo cubano na construção dos Acordos de Paz assinados em Havana, em 2016, entre o Estado da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), somada à sua recente intervenção como país garante na mesa de diálogo que procura a paz entre o Estado colombiano e o Exército de Libertação Nacional (ELN), demonstram a vontade humanitária de paz e não de guerra que anima Cuba e o seu governo. 

 Em suma, Senhor Presidente, as razões que apresentamos para solicitar que Cuba seja retirada da lista de Estados patrocinadores do terrorismo baseiam-se num forte apelo humanitário que visa aliviar a situação de milhões de pessoas inocentes e na nossa profunda convicção de que o Governo cubano está seriamente empenhado em combater o terrorismo e em promover a paz na região e no mundo. Nenhum país deve comprometer a seriedade da luta contra o flagelo do terrorismo por motivos políticos. 

 Por isso, pedimos a Vossa Excelência que considere enviar esta mensagem clara de humanismo e compreensão para além das legítimas diferenças ideológicas que não podem nem devem justificar ações contrárias. 

O povo de Cuba e os países que representamos reconhecerão o seu gesto histórico, Senhor Presidente. 

Cordialmente, 

 América Latina e  Caribe

 1. Dilma Rousseff, expresidenta de Brasil.
 2. Cristina Fernández de Kirchner, expresidenta de Argentina.
 3. Ernesto Samper Pizano, expresidente de Colombia. 
 4. EvoMorales, expresidente de Bolivia. 
 5. Rafael Correa, expresidente de Ecuador.
 6. Donald Ramotar, expresidente de Guyana. 
 7. David Arthur Granger, expresidente de Guyana. 
 8. Moses Nagamootoo, ex primer ministro de Guyana. 
9. Ollanta Moisés Humala Tasso, expresidente de Perú.  
10. Mirtha Esther Vásquez Chuquilín, exprimera ministra de Perú. 
 11. Aníbal Torres Vásquez, exprimer ministro de Perú. 
 12. Salomón Lerner Ghitis, exprimer ministro de Perú. 
 13. Said Musa, exprimer ministro de Belice. 
 14. Dean Barrow, exprimer ministro de Belice.  
15. Salvador Sánchez Cerén, expresidente de El Salvador. 
 16. Vinicio Cerezo, expresidente de Guatemala. 
 17. Manuel Zelaya, expresidente de Honduras. 
 18. Martín Torrijos, expresidente de Panamá. 
 19. Ernesto Pérez Balladares, expresidente de Panamá. 
 20. Baldwin Spencer, exprimer ministro de Antigua y Barbuda. 
 21. Leonel Fernández, expresidente de República Dominicana. 
22. Hipólito Mejía, expresidente de República Dominicana. 
 23. Charles Angelo Savarin, expresidente de la Mancomunidad de Dominica. 
 24. Keith Mitchell, exprimer ministro de Granada. 
 25. Percival James Patterson, ex primer ministro de Jamaica. 
 26. Kenny Anthony, exprimer ministro de Santa Lucía. 

 Europa 
27. José Luis Rodríguez Zapatero, expresidente del gobierno de España.  
28. Tomislav Nikolić, expresidente de Serbia. 

 África  
29. John Dramani Mahama, expresidente de Ghana. 
 30. Joaquim Alberto Chissano, expresidente de Mozambique. 
 31. Hifikepunye Pohamba, expresidente de Namibia. 
 32. Sam Nujoma, expresidente de Namibia. 
 33. Danny Faure, expresidente de Seychelles. 

 Asia 
34. Mari bim Amude Alkatiri, exprimer ministro Timor Oriental
35. Mahathir Mohamad , exprimer ministro de Malásia 





http://www.cubadebate.cu/noticias/2024/09/13/mas-de-30-expresidentes-del-mundo-piden-a-biden-sacar-a-cuba-de-lista-de-paises-que-apoyan-el-terrorismo-video/

 Tradução/Edição : @comitecarioca21 

 

16 de set. de 2024

O NASCIMENTO DA NECESSÁRIA INTERNACIONAL ANTIFASCISTA NA VENEZUELA

                                   

Beto Almeida

O governo Nicolás Maduro, convocou um Congresso Mundial contra o Fascismo, realizado em 10 e 11 de setembro, em Caracas, que decidiu pela formação de uma Internacional Antifascista, aprovada por 1200 delegados, de 95 países, que terá sua direção instalada na capital da Venezuela Bolivariana.

 A decisão, de grande envergadura, é uma resposta à operação fascista mundial, patrocinada pelos EUA, que busca descreditar o resultado da eleição presidencial, realizada em julho de 2024, que reelegeu, pelo voto popular, o presidente Nicolás Maduro. O questionamento do resultado eleitoral venezuelano é parte de uma operação fascista mundial, que inclui a disseminação da russofobia, bem como de práticas políticas neo fascistas instaladas nos países da Otan, que também incluem políticas hostis  contra a China, o Irã, contra Cuba, a Nicarágua Sandinista e também contra a integração latino-americana.


Venezuela sofre ataque cibernético internacional

 No momento em que o Conselho Nacional Eleitoral venezuelano preparava-se para anunciar a totalização dos votos, em 28 de julho passado, o sistema de computadores sofreu ataque cibernético originado no exterior, que veio acompanhado de uma sistemática campanha midiática de largo alcance internacional, espalhando a Fake News de que o candidato da oposição, Edmundo Gonzalez, comprovadamente um ex-agente da CIA, havia vencido a eleição. Era operação desestabilizadora tão sofisticada que, enquanto o CNE estava tecnicamente impedido de apresentar a totalização dos votos, a oposição fascista, apoiada pelos EUA, divulgou seu próprio resultado eleitoral, publicando na internet súmulas eleitorais fraudadas, na qual se registrava a presença de eleitores mortos e até mesmo que o presidente Nicolás Maduro não havia votado em si mesmo. Ato contínuo, a oposição fascista venezuelana lançou mão de ações violentas contra estações de metrô, de clínicas e escolas estatais, incendiando-as. Para produzir a sensação de que haveria convulsão popular e desgoverno, mas a ação da unidade cívico-militar se fez presente e debelou a programada anarquia da direita. Curioso é que há setores da esquerda que querem os bolsonaristas fascistas presos aqui no Brasil, mas protestam contra a prisão de fascistas lá na Venezuela...

Certamente, se a Venezuela não fora possuidora da maior reserva de petróleo do mundo, especialmente na bacia do Rio Orenoco, ainda não explorada, o país não estaria sendo alvo de constantes agressões internacionais, mal chamadas de sanções, quando são ações violentas, nem estaria sendo atingida por 930 medidas que vão desde a proibição da comercialização de petróleo (sua principal economia) até a cruel proibição de importação de remédios quimioterápicos e de insulina. Essas ações coercitivas tiveram início durante o governo de Barack Obama, inacreditável Prêmio Nobel da Paz, em março de 2014. 



Petróleo alavanca democracia social bolivariana

Resistência tem sido a palavra fundamental para o povo venezuelano, enquanto vai, seguidamente, pelo voto popular, respaldando a continuidade e o aprofundamento da Revolução Bolivariana, que, fundamentalmente, consiste na utilização soberana da receita petroleira em favor de programas sociais que já levaram o país, conforme a Cepal, a pagar o maior salário mínimo da América Latina, a universalizar a aposentadoria a todos seus cidadãos, a conquistar 95% de educação pública e gratuita, bem como a erradicação do analfabetismo, como reconheceu a UNESCO, talvez contra sua vontade. Além disso, a renda petroleira alavancou a construção, pelo programa Missão Vivienda, de 5 milhões e 100 mil moradias populares, em prédios erguidos no centro de Caracas e das grandes cidades -  não nas lonjuras da vida - , sendo que as residências já vêm equipadas com geladeira , fogão e móveis indispensáveis para as famílias mais pobres. No Brasil o petróleo pré sal já está desnacionalizado em 70%, segundo a Associacao dos Engenheiros da Petrobrás.

Todo esse processo de justiça social em expansão, ao longo dos 25 anos, foi duramente atacado pelos EUA e países da União Europeia, vassalos dos gringos. Porém, além da resistência protagonizada pelo povo venezuelano, apoiada na original e necessária aliança cívico-militar, arranjo dialético de Hugo Chávez para evitar que se repita lá o golpe que derrubou Allende no Chile, em 1973,  a Revolução Bolivariana também conta com aliados sinceros, entre eles a Rússia, a China e Cuba que, durante a Covid, lhes forneceram as vacinas, já que o FMI, criminosamente, negou ao governo Maduro um crédito de apenas 5 milhões de dólares para a compra dos medicamentos. Isso é para matar um povo! Com uma vacinação que alcançou 100% do público, a Venezuela registrou uma perda de 5 mil vidas, considerada lamentável , mas  reduzida se comparada com os EUA e o Brasil, por exemplo, proporcionalmente às suas respectivas populações. 


Oxigênio bolivariano solidário salvou vidas em Manaus

Mesmo sob privações severas impostas pela Guerra Econômica dos EUA, a Venezuela doou, generosamente, oxigênio solidário à população de Manaus, quando, criminosamente abandonada pelo Governo de Bolsonaro, a capital amazonense se transformara em um dramático cemitério a céu aberto. Ainda não se conhece um sinal de agradecimento do Governo Brasileiro àquela generosa solidariedade bolivariana, que salvou milhares de vidas no Brasil, não passando de calúnia quando algumas vozes na esquerda brasileira se juntam ao bolsonarismo para insultar a Maduro como um ditador que rigorosamente não é.


 Lula viola Constituição com ingerência na Venezuela

Surpreendentemente, o Governo Lula, acompanhado do governo do colombiano Petro, país que tem em seu território 7 bases militares dos EUA, passou  a questionar de forma injustificada os resultados eleitorais da Venezuela, em sintonia com o questionamento de Washington, em posição antagônica ao reconhecimento de Rússia, China e Irâ, à vitória de Nicolás Maduro, acompanhados de mais 50 países, entre eles da Turquia, o primeiro pais da Otan a reconhecer a vitória bolivariana, e , agora, a reivindicar seu ingresso no BRICS, O mundo se move! 

O questionamento brasileiro à soberania eleitoral venezuelana  -  violando a Constituição Cidadã que, em seu preâmbulo, estabelece, como cláusula pétrea, a proibição de ingerência em assuntos internos de outros países e o respeito à autodeterminação dos povos  -   ocorre paralelamente à confirmação de que o Brasil abastece com petróleo a máquina genocida de Israel, levando o presidente Lula a discursos controversos. De um lado, condena, corretamente, o genocídio sionista contra os palestinos em Gaza, mas mantem a remessa do petróleo; é também controverso quando defende a integração da América Latina, mas questiona Venezuela Bolivariana, assediada por guerra econômica, país que poderia ser o mais leal parceiro na obra integracionista regional defendida pelo próprio Lula.

 

Star Link: liberada no Brasil, proibida na Venezuela

O PT, que em nota oficial reconheceu os resultados eleitorais da reeleição de Maduro, não participou, oficialmente, do Congresso Mundial contra o Fascismo, muito embora seja titular no Secretaria Executiva do Foro de São Paulo. Todas estas incoerências e posições controversas dos brasileiros, destoam a solidariedade firmada entre o governo Maduro e o MST, que recebeu 10 mil hectares para produção no sistema de agroecologia, em terras bolivarianas, para onde enviará uma brigada de mil trabalhadores. Se a reforma agrária não avança aqui, avança lá. O mesmo se poderia indagar sobre a posição do governo brasileiro que critica Elon Mursk, mas não suspende a concessão da empresa Star Link, que controla as comunicações militares no Brasil, revelando uma soberania sequestrada, aliás, desde que FHC privatizou e desnacionalizou a Embratel.  Na Venezuela, a empresa Star Link está proibida de se instalar.

O que se espera é que as recomendações contidas no indispensável livro de Samuel Pinheiro Guimarães, “Quinhentos Anos de Periferia”, voltem a guiar as diretrizes do Itamaraty. quando agia de forma verdadeiramente altiva e ativa, sendo que hoje , perigosamente, atua de modo errático e incoerente, pois os objetivos da política externa dos EUA para a América Latina, não comportam uma esperança vaga de colaboração e cooperação com Washington, haja vista as recente declarações hostis e ingerencistas da Generala Laura Richardson, chefe do Comando Sul do Exército estadounidense, afirmando que as riquezas minerais dos países da América Latina são consideradas  reservas estratégicas para o império do norte, acrescentando ser inadmissível, para ela, a soberana cooperação entre Brasil e China!! A resposta contra esta declaração hegemonista da generala veio, energicamente, da Embaixada da China no Brasil, defendendo a soberania da cooperação sino-brasileira. Por que não veio do Itamaraty, que se manteve mudo, e assim, vassalo?

                     

Presidente venezuelano aprova a criação da Primeira Internacional Antifascista


Beto Almeida, jornalista

Conselheiro da ABI

Membro da Rede de Intelectuais em Defesa da Humanidade.


Edição: @comitecarioca21


12 de set. de 2024

A GUERRA CULTURAL DA EXTREMA DIREITA E A CANDIDATA CUBANA DE BOLSONARO

                                            

Por Gustavo Veiga

    Lula e Bolsonaro são os principais candidatos nas eleições de 6 de outubro. As eleições municipais no Brasil não devem mover o perímetro político para além das suas fronteiras.  Mas isso não se verifica porque a extrema direita global sempre ultrapassa os limites, assim como a OTAN

     As eleições para eleger prefeitos e vereadores em São Paulo, no dia 6 de outubro, têm o presidente Lula e Bolsonaro como combate subjacente. Nesta luta pelo controle da principal cidade do país, a extrema-direita conta com os serviços de propaganda de uma jovem influenciadora nascida na ilha. Candidata anticomunista fanática, ela foi investigada pela Justiça por incentivar o golpe de estado de 8 de janeiro de 2023.

   O mundo inteiro é onde ele trava a sua guerra cultural e não apenas num país. É por isso que se joga muito no dia 6 de outubro e principalmente em São Paulo, a cidade mais populosa da América Latina – com área metropolitana superior a 22 milhões de habitantes – onde um aliado de Lula, o psicanalista, professor e ativista de esquerda Guilherme Boulos é o primeiro nas pesquisas seguido por dois apoiadores de Jair Bolsonaro. O atual prefeito, Ricardo Nunes e o ascendente Pablo Marçal.

     Este cenário é propício a uma luta binária, sem cinza, onde a direita expõe a sua dialética macarthista contra o fantasma do comunismo. Para esse setor, ele é encarnado pelo presidente e líder do PSOL que aspira governar a capital do estado mais importante do país.

    São Paulo é um território muito desejável porque Lula e o ex-presidente de extrema direita têm muito em jogo. Bolsonaro está pesando sobre uma decisão do Tribunal Supremo Eleitoral que o declarou inelegível em junho de 2023. Ele não poderá concorrer às eleições gerais de 2026, mas o Bolsonarismo residual lhe sobreviverá e é muito provável que o ex-militar atue como árbitro entre os candidatos para substitui-lo. O líder histórico do PT poderá concorrer à reeleição. Ele está em condições de governar o Brasil pela quarta vez.

     É na disputa pela subjetividade do eleitor paulista que reaparece um país dividido ao meio, como nos tempos do assalto ao Planalto. Dezenas de militantes leais a Bolsonaro continuam detidos pela tomada e destruição da sede do governo em Brasília, outros fugiram para a Argentina onde obtiveram o estatuto de refugiados e todos aguardam uma anistia que não chega.

 

A candidata cubana e Bolsonaro

 

   Naquele ataque de 8 de janeiro de 2023, havia apoiadores do golpe de Estado. Eles realizaram suas tarefas a partir de meios de comunicação ligados à extrema direita. Uma dessas vozes é cubana: a jovem influenciadora Zoe Martínez, naturalizada brasileira. Hoje, vinte meses depois, é candidata a vereadora em São Paulo pelo Partido Liberal. Afilhada política de Michelle Bolsonaro, a ex-primeira-dama foi quem propôs que ela entrasse em suas listas. Ela voltou renovada e recarregada depois de trabalhar na rede Jovem Pan, que foi a mais pró-governo durante a presidência do homem que minimizou a Covid, a ‘gripezinha’.

   Em suas redes sociais onde tem mais de um milhão de seguidores, ousou dizer que “Lula é o homem que mais roubou na história do mundo”. Ou que “o marketing da revolução cubana é muito forte no Brasil”. Por enquanto, as suas declarações confirmam o ódio da extrema direita no mundo virtual. Teremos que esperar mais um pouco para ver se eles também podem afetar a realidade.

    Ela veio de Cuba para o país ainda menina e atrás dos pais. Naquele momento se discutia o impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff. “Amiga de Fidel Castro”, certa vez ela a definiu como se fosse um desdém. Aos 16 anos fez sua primeira postagem nas redes, sempre no mesmo sentido e de forma agressiva, como ela mesma reconheceu. Continuou sua pregação contra a revolução cubana, elogiando Bolsonaro (“Que saudade dele”, chegou a dizer) e agora em defesa do bilionário Elon Musk, em conflito com o governo petista porque o juiz Alexandre de Moraes suspendeu sua licença para. X para operar no Brasil.

   Em 21 de dezembro de 2022, quando a estratégia para dar um golpe de Estado estava incubada com Lula já eleito presidente, ela solicitou publicamente que as Forças Armadas demitissem os ministros do Supremo Tribunal Federal que inclui  Moraes. Não parou por aí. No dia 30 daquele mês, ela postou uma foto com Bolsonaro que dizia na legenda: “Obrigada por tudo, presidente! Você lutou o bom combate. É bom lembrar que só a Marinha esteve com ele, parabéns pela bravura!”

  Entre seus planos confessados ​​nas redes está a realização de um documentário sobre as missões dos médicos cubanos. “Seria muito importante neste ano eleitoral e atacar indiretamente o PT”, confessou em programa no YouTube a outro influenciador cubano e anticomunista fanático: Alexander Otaola Casal, em 8 de fevereiro de 2022.

   Ao contrário de Martínez, que ainda não foi oficialmente identificada em Cuba como desestabilizadora, o seu entrevistador faz parte da Lista Nacional de Terroristas publicada no Diário Oficial nº 83 de 7 de dezembro de 2023. Eles têm um discurso semelhante. Ao falar sobre “a ameaça do comunismo cubano” Otaola Casal acrescenta: “a de Lula e Dilma”. Mas ele faz isso nos Estados Unidos, onde concorreu como candidato a prefeito nas eleições de Miami  no mês passado. O resultado que obteve o deixou de fora. Ele ficou em terceiro lugar, 46 pontos atrás da prefeita reeleita, a democrata Daniella Levine Cava. Foram retumbantes 58% a 12%. E apesar dessa diferença, ele exigiu uma recontagem voto a voto. No dia 6 de outubro é a vez de Martínez, a cubana de Bolsonaro que concorre a um cargo eletivo em São Paulo. A guerra cultural de extrema direita está  sendo travada em várias frentes e inclui críticas ao Papa Francisco e às Nações Unidas porque “eles não fazem nada por Cuba”. Embora desta vez a eleição seja no Brasil.

 

https://cubaenresumen.org/2024/09/12/brasil-la-guerra-cultural-de-la-ultraderecha-y-la-candidata-cubana-de-bolsonaro/

Trad/edição: @comitecarioca21 

                     


10 de set. de 2024

CARTA ABERTA DE IGNACIO RAMONET AO PRESIDENTE BIDEN - Adesões.

                           

   Olá, o nosso amigo e grande escritor Abel Prieto, ex- Ministro da Cultura de Cuba, atual Diretor da Casa das Américas em Havana, e toda a sua equipe estão  fazendo circular esta👇🏽👇🏽👇🏽 “ Carta Aberta ao Presidente Joe Biden ‘ que escrevi para exigir que o presidente dos EUA retire Cuba da infame ’ lista de países patrocinadores do terrorismo ” antes do fim do seu mandato. Por favor, leia-a. 

Se concordarem, assinem. 

E peça às pessoas que conhece para  assinarem também.

Juntos podemos fazê-lo. Cuba e o seu povo heroico precisam e merecem o nosso apoio. 

Enviar nome, sobrenome, profissão ou atividade para o seguinte endereço eletrônico:

casadelasamericas2024@gmail.com

OBRIGADO!

            Ignacio Ramonet




CARTA ABERTA DE  IGNACIO RAMONET AO PRESIDENTE JOE BIDEN

 

“Tire Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo!”

 

 

Ignacio Ramonet

Professor. Escritor. Jornalista

Paris (França)

 

Sr. Joseph R. Biden

Presidente

dos Estados Unidos da América

Washington DC (EUA)

 

 

Senhor Presidente Joe Biden,

 

           O seu mandato presidencial está chegando ao fim dentro de alguns meses. Escrevo-lhe, com o devido respeito, em nome de um número significativo de pessoas, movimentos sociais, sindicatos, associações humanitárias e organizações não governamentais de todo o mundo que assinam esta carta comigo e que esperam um gesto seu para reparar uma profunda injustiça cometida em 12 de janeiro de 2021 pelo seu antecessor, Donald Trump, quando, algumas semanas antes de deixar a Casa Branca, decidiu - sem qualquer base jurídica real - reinserir Cuba na infame lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo (lista SSOT em inglês).

 

Senhor Presidente, como o senhor sabe, a lista SSOT é um mecanismo de política externa concebido pela Secretaria de Estado dos EUA (Chancelaria) para sancionar os países que “apoiam repetidamente atos de terrorismo internacional”.

 

Senhor Presidente, num ato de justiça e de lucidez política, a Administração do Presidente Barack Obama, da qual V. Exa. fazia parte, retirou Cuba desta lista desonrosa em 2015. Tratou-se de um passo muito positivo no sentido de estabelecer finalmente uma relação mais construtiva com Havana. Durante a administração de Barack Obama, quando V. Exa. era Vice-Presidente dos Estados Unidos, foi efetivamente possível avançar para uma normalização das relações diplomáticas entre dois vizinhos com sistemas políticos diferentes, mas dispostos a  se entenderem com base no respeito mútuo.

 

Senhor Presidente, o senhor não ignora que Cuba sempre denunciou e combateu o terrorismo. Nunca o encorajou ou patrocinou. Nunca o praticou. Durante 65 anos, apesar das tensões que possam ter existido entre os Estados Unidos e Cuba, não se pode citar um único caso de ação violenta em território estadunidense que tenha sido patrocinada, direta ou indiretamente, por Havana. Nem um único caso! Por outro lado, Cuba tem sido um dos países mais atacados por organizações terroristas. Mais de 3 500 cidadãos cubanos morreram em atentados cometidos por grupos terroristas financiados, armados e treinados por organizações violentas sediadas, na sua maioria, nos Estados Unidos. Em outras palavras, é o mundo de pernas para o ar. E o senhor Presidente o sabe.

 

Senhor Presidente, também não ignora que, ao ter incluído Cuba - injustamente - nessa lista SSOT, estão sendo aplicadas numerosas e dolorosas medidas coercitivas unilaterais a este país e a toda a sua população inocente. As consequências mais atrozes derivam do risco associado a qualquer tipo de ajuda humanitária, negócio, investimento e comércio que envolva Cuba e, por extensão, os seus cidadãos. Por exemplo, foi negada aos cubanos de nacionalidade estrangeira que se qualificam para uma isenção do Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem (ESTA, em inglês) para viajar para os Estados Unidos. Os cubanos residentes na União Europeia viram as suas contas bancárias encerradas porque o seu país consta da lista SSOT e tornam-se automaticamente “clientes de alto risco”. Muitos grupos religiosos viram os seus fundos congelados e os envios de ajuda humanitária para a ilha bloqueados. As pessoas que tentam transferir dinheiro através do PayPal ou da Wise para membros da família em Cuba podem ver os seus fundos congelados e as suas contas bloqueadas. A maioria dos bancos recusa-se a processar pagamentos cubanos, tendo mesmo congelado somas de dinheiro destinadas a atividades humanitárias. A presença de Cuba nesta lista SSOT limita, para os particulares, a abertura de contas bancárias no estrangeiro, a utilização de instrumentos de cobranças e pagamentos internacionais, o acesso à banca digital, a contratação de servidores e serviços em linha e mil outros impedimentos.

 

Senhor Presidente, a inclusão de Cuba na lista SSOT significa também que os viajantes estrangeiros de países incluídos no ESTA que desejem visitar Cuba devem solicitar um visto especial no Consulado Geral da Embaixada dos EUA no seu país de origem. Esta política, implementada pela sua Administração, tem um impacto desastroso na indústria do turismo de Cuba, um setor de importância decisiva para a frágil economia da ilha.

 

Senhor Presidente, como p senhor sabe, tudo isto vem juntar-se às terríveis consequências do cruel e ilegal bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba que o Governo do seu país mantém há mais de 60 anos - ignorando a posição clara da comunidade internacional e as sucessivas resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas - com o objetivo de criar uma situação de escassez e descontentamento entre a população que conduza a protestos contra as autoridades cubanas.

 

Senhor Presidente, este desígnio agressivo, que tem causado tanta dor e tanta provação à população civil inocente de Cuba, atingiu proporções desumanamente punitivas na última década - como a sua própria mulher, Jill Biden, pôde confirmar durante a sua visita à ilha em outubro de 2016. O povo cubano não tem acesso a muitos bens e recursos básicos: medicamentos, alimentos, materiais de construção, fertilizantes, energia, maquinaria industrial, peças sobressalentes que não podem ser importadas porque Cuba está na lista. A atual onda de migração de expatriados cubanos para os Estados Unidos, sem precedentes na sua magnitude, é talvez o exemplo mais ilustrativo do impacto devastador e do sofrimento causado pelas medidas extremas e brutais contra a economia cubana, resultantes tanto do bloqueio criminoso como da injusta inclusão de Cuba na infame lista SSOT.

 

Senhor Presidente, o senhor tampouco ignora que, em maio de 2024, o Departamento de Estado tomou a decisão de retirar Cuba da lista dos "Estados que não cooperam na luta contra o terrorismo". Uma decisão correta e justa. Apesar disso, e de forma contraditória, incongruente, confusa e injustificável, a vossa Administração insiste em manter Cuba na lista SSOT, a lista de Estados patrocinadores do terrorismo. Como é possível afirmar, ao mesmo tempo, que Cuba coopera na luta global contra o terrorismo e, simultaneamente, acusar Havana de patrocinar abertamente o terrorismo? A melhor maneira de esclarecer esta contradição é retirar imediatamente Cuba da lista SSOT.

 

Senhor Presidente, Cuba não é um patrocinador do terrorismo. Pelo contrário, Cuba é um patrocinador da paz. E o senhor o sabe. Porque certamente se recorda que, quando era Vice-Presidente dos Estados Unidos, em 2016, foram assinados em Havana os Acordos de Paz entre o Estado da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), naquele momento consideradas uma “organização terrorista”, que puseram fim a mais de meio século de guerra e massacres, e que até valeram ao Presidente colombiano Juan Manuel Santos o Prémio Nobel da Paz. Isto não teria sido possível sem a ativa participação diplomática do governo cubano.

 

Senhor Presidente, essa pacificação foi tão impressionante que, a partir de 2018, o governo colombiano do Presidente Juan Manuel Santos pediu a Cuba que acolhesse um processo de conversações com os líderes de outra organização armada, o Exército de Libertação Nacional (ELN), após a decisão do Equador de recusar acolher as conversações. Como se recordam, estas conversações com o ELN foram interrompidas na sequência de um hediondo atentado com carro-bomba em Bogotá, em 2019, que destruiu uma academia de polícia causando numerosas vítimas e foi reivindicado pelo ELN.

Senhor Presidente, na sequência dessa tragédia, o Governo de Iván Duque solicitou a extradição para a Colômbia de dirigentes do ELN que, protegidos por um estatuto diplomático especial, se encontravam em Cuba para negociações de paz. Havana não pôde aceder a esse pedido. De fato, os acordos diplomáticos internacionais não o permitem, uma vez que a extradição violaria os protocolos estabelecidos como garante das conversações de paz entre o ELN e o governo colombiano. A Noruega, outro dos principais garantes das conversações de paz, concordou plenamente com a posição de Havana, tal como a grande maioria dos governos. No entanto, esta rejeição legítima de Havana foi o pretexto utilizado pelo seu antecessor Donald Trump, em janeiro de 2021, para voltar a colocar Cuba na abominável lista SSOT.

 

Senhor Presidente, Cuba não deixou de promover a paz. Prova disso é que, em 2022, Gustavo Petro, o novo Presidente da Colômbia, anunciou que o pedido de extradição dos líderes do ELN seria retirado como parte da sua iniciativa de “paz total”. Havana, por sua vez, aceitou voltar a acolher e garantir as conversações de paz entre Bogotá e o ELN. Como o senhor sabe, graças à mediação de Cuba, em 9 de junho de 2023, em Havana, o Presidente Gustavo Petro e Antonio García, comandante da guerrilha do ELN, apertaram as mãos numa reunião em que acordaram, pela primeira vez, um ponto da agenda acordada e um cessar-fogo bilateral que constitui um passo histórico para o silenciamento das armas e a paz definitiva na Colômbia. Este cessar-fogo, aliás, foi renovado em Havana seis meses depois, após esforços cruciais do governo cubano. Meses mais tarde, Cuba aceitou uma nova proposta do Governo colombiano para ser o garante e a sede alternativa de outro processo de paz, desta vez com o grupo rebelde armado Segunda Marquetalia.

 

Senhor Presidente, Cuba não é apenas um promotor da paz, é também, como nenhum outro país do mundo, um promotor da saúde. Nos últimos vinte anos, Havana enviou mais de 600 000 profissionais e técnicos de saúde para cerca de 165 países. Isto significou aliviar o sofrimento de muitos doentes e salvar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

 

Senhor Presidente, Cuba não é apenas um promotor da paz e da saúde, mas, como nenhum outro país, também promove a educação, como foi amplamente reconhecido pela própria UNESCO. Milhares de professores e professoras cubanos trabalharam em dezenas de países para combater o analfabetismo e incentivar milhões de crianças a frequentar a escola. Isto é exatamente o contrário de “promover o terrorismo”......

 

Sr. Presidente, em 2021, pouco depois de se ter mudado para a Casa Branca, vários altos funcionários da sua Administração prometeram rever a inclusão de Cuba na lista SSOT. Em outubro de 2022, o seu próprio Secretário de Estado, Anthony Blinken, reiterou essa promessa. Em 2023, quarenta e seis congressistas, muitos deles democratas, enviaram-lhe uma carta pedindo-lhe que mantivesse essa promessa. Em junho de 2024, na 56ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, numa declaração conjunta, nada menos do que 123 países exigiram o mesmo do seu governo. Mas, apesar destas promessas e destes importantes pedidos, V. Exa. ainda não fez nada para pôr termo a esta escandalosa injustiça.

 

Senhor Presidente, esta situação tem de acabar. O senhor o sabe. Não há um único argumento válido e razoável para acusar Cuba e manter a sua população sob uma punição coletiva ilegal e desumana. Vossa Excelência tem autoridade para, antes de deixar a Casa Branca, corrigir este cruel absurdo e retirar Cuba da lista SSOT. Faça-o já!

 

Na esperança de que o senhor, Senhor Presidente, saiba estar à altura deste momento histórico e atenda a este pedido, despeço-me respeitosamente de Vossa Excelência,

 

      Ignacio Ramonet



Em espanhol :

https://www.juventudrebelde.cu/internacionales/2024-09-06/carta-abierta-de-ignacio-ramonet-al-presidente-de-estados-unidos-joseph-r-biden

@comitecarioca21