27 de set. de 2022

O REFERENDO POPULAR DO CÓDIGO DAS FAMÍLIAS EM CUBA

                                   

Maria do Carmo Leite

    Em 25 de setembro de 2022, os cubanos viveram um momento transcendental na história do país, dia em que se realizou o referendo sobre o Código das Famílias. A lei, destinada a dar respostas jurídicas aos conflitos que fazem parte de discussões em esfera mundializada, foi o assunto constante de debates em escolas, locais de trabalho, redes sociais, canais de televisão e transportes. O Projeto aprovado pela Assembleia Nacional de Poder Popular foi publicado em 12 de janeiro de 2022, para dar seguimento ao processo de consulta popular entre 1º de fevereiro e 30 de abril. Mais de 78 mil pontos de encontro foram concebidos em todo o território cubano, além de 109 circunscrições especiais em embaixadas e consulados de Cuba no exterior. 

  Como resultado, cerca de seis milhões de cidadãos participaram da discussão, gerando 300 mil intervenções dos eleitores, com 434 mil propostas ao anteprojeto de lei. O matrimônio igualitário, a responsabilidade parental, a adoção, a filiação assistida e o combate à discriminação foram os temas que suscitaram a maior quantidade de sugestões. Isto, por si só, já é uma conquista. 

   Mais do que derrubar tabus e barreiras machistas, se introduziram novos conceitos compatíveis com a realidade econômico-social da Ilha, sendo possível afirmar que muitos cubanos terão agora a possibilidade de legitimar uniões de fato, com todos os benefícios legais; que outros, cuja maternidade e paternidade foram limitadas por vários motivos, terão acesso a amplas possibilidades. Mais ainda, o que se busca é comunicação entre todos os membros das famílias na busca de soluções, onde a violência de gênero seja totalmente rejeitada.

      O Código está desenhado para desmantelar estereótipos enraizados nas veias da sociedade, a herança discriminatória colonial, que foi sendo configurada historicamente por mais de quatro séculos. 

       Contudo, entre o fundamentalismo religioso e voto de “castigo”, dos que não sabem diferenciar entre a dura realidade econômica que Cuba enfrenta e os direitos contidos no código, o resultado obtido de aprovação, em torno de 66% dos votantes, significa uma vitória aos que querem o país mais feliz. 

     Por certo, a mídia hegemônica no Brasil, partindo dos valores que a sustentam, não soube diferenciar o conceito de “gestação solidária”, previsto no código, de “barriga de aluguel”. Também fingem desconhecer que a homossexualidade era considerada crime na Inglaterra e no País de Gales até 1967, na Escócia até 1980 e na Irlanda do Norte até 1982. Aliado a isso, que as relações homossexuais ainda são consideradas ilegais em cerca de 70 países e punidas com a pena de morte em outros, lembrando ainda que a Assembleia-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), somente no dia 17 de maio de 1990, retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, declarando que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão". 

     A homofobia em Cuba, desde as concepções herdadas do capitalismo, não fugia à regra presente em muitos países, mas, já em 1989, uma resolução ministerial criou o Centro Nacional de Educação Sexual, que sublinha o respeito à diversidade sexual.  Na década de 1960, como foi reconhecido, o país tratou de forma imprópria as questões da sexualidade. Entretanto, durante o mesmo período, em vários países europeus, injeções eram aplicadas para curar a homossexualidade. Fidel fez, anos atrás, uma autocrítica não por ter ordenado, mas porque não se preocupou suficientemente com o que estava acontecendo. Esclarecido que Cuba cometeu erros neste campo, seria prudente sabermos quantos e quais países fizeram os progressos que a Ilha teve nas últimas décadas. 

     Por fim, a mídia finge ignorar que se somos no Brasil os campeões de crimes contra homossexuais é porque o Estado é omisso e as autoridades são cúmplices.


Cuba eleita como presidente do Grupo dos 77 mais a China #MejorSinBloqueo

                                                              

   Cuba foi eleita na última sexta-feira (23) pela primeira vez como presidente do Grupo dos 77 mais a China para o ano 2023, no âmbito da 77ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas.

O Diretor Geral de Assuntos Multilaterais e Direito Internacional do país caribenho, Rodolfo Benítez, indicou via Twitter que "orientar o trabalho deste amplo e diversificado grupo de consulta política não é apenas uma grande responsabilidade, mas também um reconhecimento de nossa defesa dos interesses do Sul".

Por sua vez, o Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, assegurou que é uma grande honra para o país assumir esta responsabilidade. Ele enfatizou que o G-77 é o maior e mais diversificado agrupamento das Nações Unidas (ONU) e de toda a esfera multilateral.

"Serviremos ao honroso propósito de dar voz às nações do Sul diante dos muitos desafios da ordem atual", disse ele.

Na reunião do Grupo, realizada à margem da Assembleia Geral da ONU, o Ministro das Relações Exteriores Bruno Rodríguez agradeceu ao povo e ao governo cubanos pela decisão.

O G-77 foi criado em 15 de junho de 1964. O grupo foi originalmente formado por 77 países, mas agora tem 134 membros, faz declarações conjuntas sobre questões específicas e coordena um programa de cooperação em áreas como comércio, indústria, alimentação, agricultura, energia, matérias primas, finanças e assuntos monetários.

Em 1988, o G-77 adotou o acordo para um sistema global de preferências comerciais entre países em desenvolvimento, que prevê concessões tarifárias, particularmente em produtos agrícolas e manufaturados.

Realiza uma reunião ministerial anual em Nova Iorque, e as decisões tomadas são transmitidas às delegações regionais em Genebra, Paris, Roma e Viena, após o que atividades específicas são designadas aos comitês de ação. O grupo é financiado por contribuições de seus membros.                                    

https://espanol.almayadeen.net/news/politics/1632916/eligen-a-cuba-como-presidente-del-grupo-de-los-77-m%C3%A1s-china

Tradução/Edição: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba


                                           



24 de set. de 2022

Por que o Código das Famílias cubano é acusado de ter uma "ideologia de gênero"? Porque é feminista #CodigoSi

                       

Por Giorgina Alfonso González*

   As lutas feministas contra os cânones patriarcais despertam a ira dos poderosos, que conspiram para dar novos argumentos ao patriarcado, não só de ética e teologia, mas também usando o direito e a ciência. Desta forma, a supremacia masculina (o homem branco, rico, bem sucedido, viril, sedutor) é mais uma vez legitimada e se torna a norma legal e a verdade absoluta. 

    Esta nova investida do patriarcado é uma reação desenfreada contra a força global das lutas das mulheres por seus direitos. Agora, o feminismo é confrontado com os discursos da "cultura da morte" e da "ideologia do gênero", que responde a uma oposição monolítica de dominação patriarcal, contra a perspectiva de gênero, desvalorizando-a e criando confusão sobre o Feminismo. 

  O feminismo tem uma diversidade de posições epistemológicas, políticas e ideológicas. Todas as suas correntes estão unidas na crítica ao patriarcado, o que justifica a subordinação das mulheres aos homens e naturaliza a misoginia, a homofobia, a heterossexualidade e a violência contra mulheres e meninas. Em Cuba, o feminismo tem acompanhado as mudanças sociais e políticas mais radicais. Quando falamos de contribuições feministas à Revolução Cubana, nos referimos à subversão da ordem patriarcal e falamos da subversão da ordem patriarcal: a noção de vida coletiva e solidária; a relação entre produção e reprodução em condições de igualdade para cada mulher e homem; a luta permanente pela igualdade de oportunidades para moradia, alimentação, trabalho, saúde, educação e lazer; a sexualidade plena, segura e responsável; a liberdade de assumir compromissos sociais e históricos incompatíveis com qualquer forma de exclusão ou discriminação; compartilhar tempo e espaços para o cuidado; assumir a maternidade saudável como um valor universal e o respeito pelo direito à vida com dignidade. 

    Estas exigências impulsionam as lutas feministas em nível local, regional e global. Eles possuem uma força utópica concreta contra o capitalismo patriarcal e apontam para o futuro da humanidade. O anti-feminismo surge como uma força conservadora para deter o novo horizonte histórico que está sendo reavivado em meio à crise capitalista global.

   A identificação do feminismo como "ideologia de gênero" expressa um ressurgimento do fundamentalismo patriarcal que está ligado a um processo de expansão neoliberal na sociedade de hoje. A proliferação do discurso anti-feminista não é uma coincidência, nem seu propósito é diferente da ideologia dominante. De acordo com seus porta-vozes: a verdadeira matriz do pensamento feminista e da teoria de gênero é impor, pela força, uma ideologia feminista radical inspirada na interpretação marxista da luta de classes, que busca basicamente acabar com a família tradicional propondo identidades que não sejam masculinas e femininas, e promover a sexualidade livre.

  A conversão do feminismo em "ideologia de gênero" é uma reação conservadora à mobilização progressiva em favor dos direitos das mulheres e de todas as pessoas. A defesa desses direitos é parte da luta feminista internacional contra a pobreza e pela igualdade.  

   Contra a aprovação do Código das Famílias cubano, há uma escalada fundamentalista religiosa que concorda com o conservadorismo patriarcal em dois objetivos básicos: manter sua influência em espaços de socialização (família, escola, comunidade); e ampliar sua influência na opinião pública usando a campanha "ideologia de gênero". 

   As estratégias retóricas e discursivas utilizadas contra o Código das Famílias cubano visam gerar "pânico moral" ou "terror erótico" a fim de bloquear a aprovação de normas legais contra o patriarcado, a discriminação e a inclusão de todos. 

    O discurso sobre "ideologia de gênero", do qual acusam o Código das Famílias cubano, é uma campanha ideológica conservadora contra os direitos da mulher e a diversidade sexual. A fim de tornar invisíveis as relações de poder entre os gêneros que produzem desigualdades, discriminação, exclusão e violência, naturaliza o binarismo masculino e feminino e a heterossexualidade como a única orientação sexual.

  Por trás desta retórica de "ideologia de gênero", a vida sexual plena é condenada, mas o tráfico sexual, a mercantilização do sexo, a violência baseada no gênero, o feminicídio e os atos de corrupção ficam impunes. Com uma grande dose de manipulação simbólica, a educação sexual e a cultura de respeito à diversidade são minadas. 

  A manobra conservadora contra o Código das Famílias Cubano tem um objetivo político e econômico preciso: justificar o controle sobre o corpo da mulher como objeto de prazer e mercadoria. A defesa da família tradicional significa um retorno da mulher ao lar, à esfera privada, dedicada apenas à procriação, aos cuidados e ao trabalho não remunerado. 

  A campanha contra o Código das Famílias Cubano é utilizada como mecanismo de despolitização social. A condenação do Código pelos púlpitos por ter uma "ideologia de gênero" esconde a reação conservadora patriarcal, sexista e homofóbica aos sucessos alcançados pelas mulheres cubanas em favor da igualdade e de uma vida digna para todas as pessoas. 

  Estamos enfrentando uma onda conservadora com novas máscaras patriarcais no mundo e Cuba não é exceção. Quando o Código das Famílias é acusado de ser permeado pela "ideologia de gênero", trata-se de abrir o caminho para concepções éticas e políticas que apóiam uma agenda de privatização dos direitos humanos das mulheres e da comunidade LGTBQ+. Não aceitar o Código das Famílias cubano é uma reação contra a igualdade, é aceitar privilégios, violência, exclusões e sustenta a perda de horizontes em direção a uma vida humana mais plena.

   Em vários países da região, com governos de direita e de esquerda, o patriarcado tem confiado em grupos religiosos para espalhar o pânico moral em torno de políticas de educação sexual, direitos reprodutivos e a agenda LGBTQ+. Em Cuba, no contexto do debate popular sobre a nova Constituição de 2019, muitas manifestações a favor da "família original" (=pai+mãe+filhos) e contra o casamento igualitário foram tornadas públicas a partir de posições revolucionárias e socialistas. Por quê? 

  Porque ainda prevalece a idéia de que a emancipação da mulher é alcançada além da emancipação abrangente da sociedade. Entretanto, a emancipação plena significa uma mudança cultural civilizadora, uma transformação radical da subjetividade baseada em novas formas de relações sociais e vínculos afetivos. E este é o desafio que o Código das Famílias Cubanas está sendo levado à votação.

  O aprofundamento da categoria "ideologia de gênero" como ferramenta para acentuar a rejeição do Código das Famílias Cubanas faz uma tradução apocalíptica do feminismo como teoria emancipatória, e convence com frases vazias mas repetidas que a ideologia de gênero "porá um fim aos valores familiares". Elas acusam as feministas de destruir famílias e, sob a defesa de preceitos baseados na ignorância e em falsos argumentos, endossam estereótipos da cultura machista cubana a fim de encorajar as pessoas a votar contra a aprovação do Código das Famílias.

  O discurso que fala do feminismo como "ideologia de gênero" mascara o fato de que o capitalismo é um modo de vida pervertido, onde o patriarcado é usado para maximizar os lucros, desprezando o trabalho que as mulheres fazem para sustentar a vida no dia-a-dia. O discurso anti-feminista que se esconde por trás do conceito de "ideologia de gênero" articula posições políticas e éticas retrógradas que dificultam as mudanças necessárias. 

   Diante dos argumentos que ameaçam a aprovação do novo Código das Famílias Cubanas, é urgente que todas as pessoas, instituições e grupos da sociedade civil, comprometidos com a dignidade e os direitos humanos, os enfrentem de forma ativa e coesa.


Havana, 23 de setembro de 202


*Espaço Feminista "Berta Cáceres". Instituto de Filosofia de Havana.

                                                              


https://www.resumenlatinoamericano.org/2022/09/23/cuba-por-que-le-imputan-al-codigo-de-las-familias-cubanas-tener-ideologia-de-genero-porque-es-feminista/

Tradução/Edição: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedadea a Cuba







23 de set. de 2022

Projeto de Lei do Código das Famílias de Cuba : um código para TODAS as famílias. #CodigoSi

                             

Carmen Diniz #

 

    Neste domingo dia 25 de setembro os cubanos vão às urnas para votar em referendo o novo Código das Famílias cubano que vai substituir, atualizar e revolucionar a norma anterior de 1975. É o primeiro Código de Família submetido a referendo popular no mundo e seus avanços são incontestáveis, sendo o estatuto que protegerá as famílias cubanas para os próximos 40 – 50 anos.

    O processo se iniciou com uma Consulta Especializada entre setembro e outubro de 2021 e após, em 12 de janeiro de 2022 com a publicação em Diário Oficial pela Assembleia Nacional do Poder Popular (órgão máximo de Cuba) do Projeto de Lei do Código das Famílias com a finalidade de submetê-lo à Consulta Popular entre 1° de fevereiro a 30 de abril de 2022. Contando com a aprovação de cerca de 62% dos participantes. De se ressaltar que o Projeto e a consulta atendem à  11° Disposição Transitória  da Constituição de 2019 que trata da família em seus artigos 81 a 89.  Participaram da Consulta 47 instituições e grupos sociais cubanos como assembleias de bairros, centros de trabalho, universidades, centros estudantis.

   O Código revoluciona o conceito de família com especial ênfase no matrimônio incorporando reformas e ampliações de direitos para que se permita, por exemplo, o matrimônio igualitário dois anos após a reforma constitucional em 2019.  Uma nova concepção de família, ampliada na qual os laços afetivos importam mais que os consanguíneos e os direitos LGBT para crianças e adolescentes sejam respeitados.

    A oposição da igreja católica ao Código tem mínima influência em Cuba pelo fato de existir um grande ecumenismo no país e o estatuto recusa o pensamento conservador e se posiciona contra a exclusão de direitos por discriminação, de acordo com os princípios constitucionais. A ideologia patriarcal estabelece desequilíbrios nas relações de poder e o Código se posiciona em dar voz a pessoas e realidades que eram silenciadas dentro da própria família.  Assim é que na Consulta Especializada os psicólogos alertaram para que as famílias não sejam espaços de opressão e sim espaços de desenvolvimento e bem estar para que “ O amor seja lei” *.

   É com esses princípios que o Código das Famílias vai a referendo popular neste domingo 25 de setembro de 2022. Trata-se de um código absolutamente inclusivo que com 11 títulos e 474 artigos amplia o conceito das famílias qualquer que seja sua estrutura ou organização para formar uma família para que se preserve: respeito mútuo, lealdade, solidariedade  e o AFETO com a finalidade de fazer felizes os que a compõem.

      Algumas inovações são especialmente incluídas:

   Mudança da denominação do Pátrio Poder**para Responsabilidade Parental . Importante ressaltar que, ao contrário das falsas informações divulgadas, os pais não perdem o controle sobre seus filhos (ver a respeito texto sobre a inominável Operação Peter Pan que tem sido divulgado para criar obstáculo ao referendo :  https://bit.ly/3dsoZMl ) . Aqui o que o código propõe é que crianças e adolescentes sejam considerados sujeitos de direitos e não propriedade dos pais. Dessa forma, não se retiram os direitos dos pais ou responsáveis, mas amplia as responsabilidades destes com o seu bem estar: as crianças e adolescentes como sujeitos de direito por eles mesmos ou através de seus pais e/ou tutores de acordo com a Convenção dos Direitos da Criança a que Cuba aderiu.

   A relação entre pais e filhos muda de um sistema de poder à responsabilidade, o direito-dever de ter os filhos consigo, cuidar, dar amor, estabilidade emocional, educar sem violência e respeitar suas características, com uma comunicação efetiva e afetiva para que se escute a criança/adolescente (menor de 18 anos) em autonomia progressiva. Como exemplo, a questão de identidade de gênero somente aos 18 anos, com a maioridade.

    Além disso, o novo Estatuto prevê  a possibilidade de qualquer pessoa poder denunciar tratamento de discriminação e violência no espaço familiar para efeitos jurídicos, de não permitir matrimônio, mesmo com autorização judicial ou dos pais, a menores de 18 anos (antes se podia meninas com 14 e meninos com 16)

   O Código das Famílias prevê a proteção à vida familiar sem desigualdade, suprimindo a prioridade da heterossexualidade e assim, o direito de TODAS as pessoas de contrair matrimônio e fundar uma família sem discriminação por qualquer condição ou circunstância pessoal.Assim sendo,matrimônio, união de fato afetiva, adoção ou reprodução assistida “Toda forma de amor vale a pena” como diria a música. Da mesma forma o divórcio passa a funcionar sem se ventilar culpa e bastando a vontade de uma só das partes do casal.

    Se fortalece o parentesco por afinidade ou seja, além da consaguinidade e da adoção se soma a reprodução assistida e a que se origina na socio-afetividade, sem depender unicamente do matrimônio, se somando o regime jurídico de mães/pais/avós/filhos afins (madrastas e padrastos), reforçado o direito/dever de comunicação a todo o grupo familiar. Surge a figura de pais e mães afins, os cônjuges ou casais afetivos que convivem ou têm a guarda com famílias reconstituídas. Ou seja, se pode ter legalmente mais de um pai ou de uma mãe por causas originárias ou supervenientes, independentemente de laços biológicos ou genéticos. A Muitiparentalidade é reconhecida judicialmente  e a filiação passa a ser por 4 tipos: procriação natural, adoção, reprodução assistida ou laços de socio-afetividade.

    Outro avanço: a gestão solidária, desde que sem remuneração, permitido entre pessoas com vínculo familiar ou afetivo.

      Outra inovação diz respeito ao sobrenome da criança; em Cuba o primeiro sobrenome é o do pai – o que já era parte da ideologia patriarcal que estabelecia desequilíbrios . Uma vez que a Constituiçao de 2019 proíbe a discriminação por gênero/ orientação sexual, como se resolveria no caso do casamento igualitário? Assim sendo, a decisão cabe aos pais da criança e não mais à lei e aos costumes.

   A referida responsabilidade parental que substitui o pátrio poder, assim como a guarda da criança, pode ser transferida a terceiros mediante escritura, o que facilita a administração da educação da criança/adolescente no impedimento dos pais biológicos.

     Frente a toda essa transformação que visa a proteção dos mais fracos na relação familiar, importante ressaltar que o reconhecimento de direitos das crianças e adolescentes implica no reconhecimento de seus deveres, em especialde respeito aos familiares e co-responsabilidade no lar.

   No que se refere aos idosos, o Código reconhece explicitamente os direitos dos avós pela transmissão de seus valores na formação das famílias. Além disso atribui valor econômico ao trabalho doméstico para quem a ele se dedica, em especial aos cuidadores familiares (idosos e pessoas com deficiência) por sua opção em renunciar a uma vida profissional própria.


        O que se pretende demonstrar com esse artigo é primeiramente elucidar alguns aspectos do novo Código das Famílias (projeto) que tem sido vítima de algumas “fake news”.Além disso é a característica de um projeto de lei que deve ser referendado pelo povo cubano, uma vez que se trata de um Estatuto Revolucionário que atende às novas mudanças sociais no planeta. Cuba mais uma vez demonstra estar à frente das mudanças e apresenta ao povo uma norma das mais modernas da atualidade. O fato de ser um país EM Revolução constante é o que permite apresentar esse cuidadoso estudo envolvendo tantos cidadãos para entender que como sempre : “Outro mundo é possível. E necessário”, segundo as palavras do grande Comandante em Chefe Fidel Castro que, certamente, aprovaria este  Código pelo bem das famílias atuais ( e futuras)

*Citação do Centro Martin Luther King, católico, Havana

** O termo Pátrio Poder tem sua origem na Roma Antiga onde a infância não tinha valor nem direitos, sendo algumas crianças trocadas ou vendidas por seu “dono”

 

Fontes: http://cuba.cu/sociedad/2022-02-23/algunas-claves-sobre-el-codigo-de-las-familias/59040

http://www.cubadebate.cu/especiales/2022/08/15/el-codigo-que-merecen-las-familias-cubanas/

http://www.cubadebate.cu/especiales/2022/08/15/el-codigo-que-merecen-las-familias-cubanas/

 

 

#Coordenadora do Capítulo Brasil do Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos e do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba


                                             


22 de set. de 2022

CUBA CONTINUARÁ A LEVANTAR SUA VOZ PARA RECHAÇAR A DOMINAÇÃO E O HEGEMONISMO (+vídeo)

                                           

Discurso do Ministro das Relações Exteriores da República de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, no Debate Geral do Segmento de Alto Nível da Assembléia Geral das Nações Unidas. Nova York, 21 de setembro de 2022.


Sr. Presidente:

Senhores delegados:

O impacto da pandemia da COVID-19 expôs, como nunca antes, a verdadeira essência da ordem internacional injusta e insustentável prevalecente.

Nunca antes a humanidade teve este formidável potencial científico e técnico, esta extraordinária capacidade de gerar riqueza e bem-estar, e ainda assim nunca antes o mundo foi tão desigual e a iniquidade tão profunda.

Oitocentos e vinte e oito milhões de pessoas, 10% da população mundial, sofrem de fome, e quase 50 milhões de crianças sofrem de raquitismo, a forma mais mortal de desnutrição.

O desemprego afetará 207 milhões de pessoas em 2022, 21 milhões a mais do que em 2019. Em meio à quarta revolução industrial, 773 milhões de seres humanos não sabem ler nem escrever.

Cerca de 6,5 milhões de pessoas morreram devido à pandemia de HIV/AIDS. As  vacinas para enfrentá-la são inacessíveis a um bilhão de pessoas em países de baixa renda. Em 2021, as multinacionais farmacêuticas ganharam 84,588 bilhões de dólares.

A dívida externa já foi paga várias vezes, mas está se multiplicando. Paradoxalmente, os gastos militares globais crescem vertiginosamente, ultrapassando pela primeira vez dois trilhões de dólares.

Nada justifica o fato de que a humanidade ainda esteja ameaçada pela existência de quase 13.000 armas nucleares. Defendemos a universalidade do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares.

Quanto mais poderíamos fazer se esses recursos fossem gastos na promoção da saúde e do desenvolvimento? Quantas mortes causadas pela COVID-19 e outras causas poderiam ter sido evitadas? Quantas crianças seriam salvas da fome e de doenças evitáveis ou curáveis?


Sr. Presidente:

Os gases de efeito estufa registraram concentrações recorde em 2021, e serão as mesmas em 2022. O nível médio do mar atingiu um novo patamar. Os últimos sete anos são os mais quentes de que se tem notícia.

Não podemos continuar ignorando as advertências de uma catástrofe climática iminente. Temos apenas uma Terra, a única casa para todos nós. Devemos agir sem mais demora.

A "filosofia de guerra e espoliação" e os padrões irracionais de produção e consumo do capitalismo levarão a uma catástrofe.

As relações internacionais estão em um caminho muito perigoso. A ofensiva norte-americana visando subjugar os Estados por meio de ameaças e coerção econômica, militar e político-diplomática, a fim de submetê-los a uma ordem baseada em suas regras caprichosas, juntamente com a expansão da otan e o desenvolvimento de uma doutrina agressiva e de uma guerra não convencional de quinta geração, levam inevitavelmente a um clima de tensão e conflito, cujas consequências são imprevisíveis.

Sr. Presidente:

Cuba, um pequeno estado insular em desenvolvimento, pagou um alto preço por defender seu legítimo direito de existir como uma nação soberana e independente.

Por mais de seis décadas, temos resistido a um implacável e unilateral bloqueio econômico, comercial e financeiro que se intensificou a níveis sem precedentes desde 2019 e durante a pandemia.

Trinta anos após a primeira resolução desta Assembléia contra o bloqueio, o Governo dos Estados Unidos continua a ignorar a exigência quase unânime da comunidade internacional de cessar sua política ilegal e cruel contra Cuba.

Ele persiste em seus esforços para gerar escassez de material, escassez e sofrimento, para semear o desânimo e a insatisfação e causar danos ao povo cubano.

O governo dos Estados Unidos reforça a pressão sobre governos, instituições bancárias e empresas em todo o mundo interessadas em ter relações com Cuba, e busca obsessivamente todas as fontes de renda e fluxos de divisas para o país, a fim de provocar o colapso econômico.

Como resultado, a economia cubana tem experimentado pressões extraordinárias, manifestadas na indústria, serviços, escassez de alimentos e medicamentos e a deterioração do nível de consumo e bem-estar geral da população.

O dano humano causado por esta política a todas as famílias cubanas, impossível de ser quantificado, é enorme, cruel e imoral.

O bloqueio é um ato de guerra econômica em tempo de paz.

O atual governo dos Estados Unidos mantém em vigor as medidas de pressão mais agressivas contra nosso país adotadas pelo governo do Presidente Donald Trump.

A inclusão injustificada de Cuba na lista arbitrária e unilateral do Departamento de Estado dos países que supostamente patrocinam o terrorismo continua.

Esta classificação caluniosa impõe um estigma a nossas entidades e instituições, e torna as transações financeiras e comerciais, os pagamentos e os créditos extremamente difíceis.

Cuba, que tem sido vítima do terrorismo de Estado, não promove e nunca promoverá o terrorismo. Pelo contrário, condenamo-lo em todas as suas formas e manifestações.

O Governo dos Estados Unidos manipula oportunisticamente questões altamente sensíveis como terrorismo, religião, democracia, justiça, corrupção e direitos humanos.

Padrões duplos, incoerência, seletividade e manipulação política prejudicam a causa dos direitos humanos.

O discurso anterior do chanceler tcheco, que não ousa mencionar o crime do bloqueio de Cuba, é um triste exemplo.

Alertamos claramente o Governo dos EUA que os fatores que incentivam a migração irregular e causam a perda de vidas humanas devem ser abordados, tal como seu fracasso, desde 2017, em cumprir sua obrigação, nos termos dos acordos bilaterais existentes, de conceder não menos de 20.000 vistos anuais para migrantes; a existência da Lei de Ajuste Cubano, tratamento privilegiado politicamente motivado, pressões restritivas sobre os países de trânsito regular, e o bloqueio econômico reforçado.

O anúncio de hoje de que o processamento de vistos de migrantes retornará à Embaixada dos EUA em Havana é um passo positivo.

Cuba reitera sua vontade de avançar para um melhor entendimento com o Governo dos Estados Unidos e de desenvolver relações civilizadas e até mesmo cooperativas entre os dois países, com base no respeito mútuo, na igualdade soberana e sem minar nossa independência e soberania, apesar das profundas diferenças.

Destacamos o valioso compromisso e as recentes manifestações de cubanos e descendentes de cubanos em todas as latitudes e neste país, de respeito aos direitos soberanos de Cuba, e a rejeição da agressão implacável dos Estados Unidos, em particular o bloqueio econômico.

Também sou profundamente grato pelas declarações dos Chefes de Estado e de Governo neste debate geral, pelo apoio histórico desta Câmara e pelas expressões de solidariedade para com Cuba por parte de governos, personalidades, organizações políticas e movimentos solidários, sociais e populares em todo o mundo.

Hoje, essa solidariedade e apoio continuam a ser essenciais.

Sr. Presidente:


Apesar dos enormes desafios, o povo e o governo cubanos não se renderam em sua determinação de avançar na construção de uma sociedade socialista mais justa, democrática, próspera e sustentável.

Superamos a COVID-19 com recursos, nossas próprias vacinas e a força de nosso sistema de saúde pública e científico. Conseguimos colaborar modestamente enviando 58 brigadas médicas, no pior momento da pandemia, para 42 países e territórios.

Trabalhamos para restaurar a vida econômica e social do país; para apoiar a transformação de nossas comunidades; e para sustentar e expandir programas sociais.

Continuamos a melhorar nosso sistema jurídico, nosso estado socialista de direito e justiça social, para garantir o pleno gozo de todos os direitos humanos por todos os cubanos, e para enriquecer o sistema de justiça social que várias gerações desfrutaram.

Em 25 de setembro, após um amplo processo de participação e consulta popular, será realizado o referendo legislativo sobre um novo e inclusivo Código das Famílias. Será um exercício de verdadeira democracia direta e de poder efetivo do povo cubano.


Sr. Presidente:


A "unidade na diversidade" proposta pelo então Presidente Raúl Castro é possível nos países do Sul e na Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe, que está se fortalecendo cada vez mais, e está criando as condições para que nossa região avance em direção a formas mais elevadas de integração e cooperação, com base nos postulados da Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz.

Apreciamos a postura digna tomada por vários países de nossa região diante de exclusões arbitrárias em foros hemisféricos.

Renovamos nosso apoio e solidariedade com a República Bolivariana da Venezuela, seu presidente constitucional, Nicolás Maduro Moros, e a unidade civil-militar de seu povo, diante das tentativas de desestabilizar e subverter a ordem interna daquele país fraternal. Rejeitamos a aplicação de medidas coercitivas unilaterais contra a Venezuela.

Denunciamos as tentativas imperialistas de desestabilizar o Governo de Reconciliação e Unidade Nacional da Nicarágua. Reiteramos nosso firme apoio ao povo nicaraguense fraternal e a seu presidente, Daniel Ortega.

Somos solidários com as nações irmãs do Caribe e apoiamos sua legítima demanda por reparações pelos efeitos nocivos do colonialismo e da escravidão. Elas precisam e merecem um tratamento justo, especial e diferenciado.

Reafirmamos nosso compromisso histórico com a autodeterminação e a independência do povo de Porto Rico.

O Haiti precisa de uma contribuição especial da comunidade internacional para sua reconstrução e desenvolvimento. A humanidade tem uma dívida com essa República fundacional.

Apoiamos a legítima reivindicação do Presidente Alberto Fernandez e do povo da Argentina à soberania sobre as Malvinas, as Ilhas Sandwich do Sul e Geórgia do Sul e as áreas marítimas vizinhas.

Expressamos nossa total solidariedade com a Vice-Presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que, vítima de assédio judicial e midiático injusto e infundado, sofreu recentemente uma tentativa vil de assassinato.

Reiteramos nosso firme compromisso com a paz na Colômbia. A manifesta vontade de paz do atual Presidente Gustavo Petro e das partes interessadas merece o apoio da região e da comunidade internacional.

Os recursos necessários devem ser disponibilizados para apoiar a Agenda 2063 da União Africana, que estabelece o roteiro para o desenvolvimento deste continente irmão.

Defendemos a busca de uma solução pacífica e negociada para a situação imposta à Síria, e exigimos a cessação da interferência externa e o pleno respeito por sua soberania e integridade territorial.

Apoiamos uma solução justa, abrangente e duradoura para o conflito do Oriente Médio, que garanta o exercício real do direito inalienável do povo palestino de construir seu próprio Estado dentro das fronteiras pré-1967, com sua capital em Jerusalém Oriental, e o fim da ocupação israelense dos territórios palestinos ocupados.

Reafirmamos nossa inabalável solidariedade com o povo saharaui.

Rejeitamos as medidas coercitivas unilaterais impostas à República Islâmica do Irã.

Condenamos a imposição de medidas econômicas unilaterais injustas contra a República Popular Democrática da Coréia e a interferência externa em seus assuntos.

Nos opomos à interferência nos assuntos internos da República de Belarus.

Reafirmamos nossa rejeição à imposição de sanções unilaterais contra a Federação Russa.

Condenamos as campanhas de difamação infundadas contra a República Popular da China e as tentativas de prejudicar sua integridade territorial e sua soberania. Reiteramos o apoio inabalável ao princípio de "Uma só China".

Defendemos uma solução diplomática séria, construtiva e realista para a guerra atual na Ucrânia, por meios pacíficos e de acordo com as regras do direito internacional, o que garante a segurança e a soberania de todos.

Sr. Presidente:

Cuba continuará a levantar sua voz para rechaçar o domínio e o hegemonismo, as medidas coercitivas unilaterais, os bloqueios genocidas e a tentativa de impor ao mundo uma cultura e um modelo únicos.
Nunca renunciaremos à defesa da independência, soberania e autodeterminação dos povos, sem interferência ou intervenção estrangeira.
Por nosso passado glorioso, pelo presente e futuro das novas gerações de cubanos, com a liderança do Presidente Miguel Díaz-Canel, resistiremos com criatividade e lutaremos incansavelmente até alcançarmos nossos sonhos de paz e desenvolvimento, com equidade e justiça social para Cuba e para o mundo.

Muito obrigado.



https://cubaenresumen.org/2022/09/21/cuba-continuara-alzando-su-voz-para-rechazar-la-dominacion-y-el-hegemonismo/

Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba


                         



21 de set. de 2022

A NOVA MANOBRA CONTRA O TURISMO EM CUBA E A FALTA DE DIGNIDADE DA EUROPA.

                               

Por: José Manzaneda

    A União Europeia tornou-se, de fato, uma colônia americana.         

           E sua mídia reproduz o esquema de propaganda da metrópole: censura e reportagens de guerra sobre o conflito ucraniano, submissão aos interesses de Washington na agenda de notícias internacionais

    Se empresas petrolíferas europeias como a ENI ou a Repsol estão novamente operando na Venezuela porque o governo dos EUA lhes permite fazê-lo, depois de tê-las proibido durante anos, será que lemos alguma análise crítica, algum editorial na imprensa italiana ou espanhola denunciando tal subjugação da soberania europeia? Nada, nem mesmo o mínimo vislumbre de dignidade. "Os EUA permitirão que a Repsol e a ENI levem o petróleo venezuelano para a Europa", lemos.  A imprensa europeia se limita a escrever o que o mestre dita.

   No caso de Cuba, mais do mesmo. A lei estadunidense Helms-Burton persegue as empresas europeias que investem na ilha e ameaça e afugenta aquelas que estão planejando fazê-lo. Seus executivos - os da empresa hoteleira espanhola Meliá, por exemplo - estão até proibidos de entrar nos EUA. E o que faz a imprensa corporativa espanhola? Ela defende os interesses de suas empresas, ela denuncia tal extorsão? Não. Pelo contrário. O jornal ABC, por exemplo, coloca Camila Acosta como sua correspondente em Havana. Ela é a força motriz por trás do boicote ao turismo na ilha, que inclui ações contra Meliá e outras empresas espanholas.

   O último exemplo de falta de dignidade europeia é a medida da Casa Branca de exigir um visto para entrar nos Estados Unidos para qualquer pessoa que tenha visitado Cuba. Lembremos que os cidadãos europeus não precisam de visto para entrar nos EUA, apenas um formulário digital chamado ESTA. Mas qualquer pessoa que tenha sido turista em Cuba terá agora que solicitar um visto para entrar nos EUA. Algum protesto dos governos europeus, medidas recíprocas? E a imprensa europeia? Qualquer denúncia, qualquer editorial, qualquer crítica a esta chantagem inaceitável? Nada. Mais uma vez, curvando a cabeça diante do império, cujo Departamento de Segurança Nacional, em seu website, deixa claras suas ameaças: "se for constatado que um viajante visitou um país designado como patrocinador estatal do terrorismo (...) ele ou ela deve solicitar um visto para entrar nos Estados Unidos".

   Recordemos que Cuba foi incluída em 2021, pela Casa Branca, em sua "Lista de Estados Patrocinadores  do Terrorismo", algo que teve consequências letais para sua economia, como o bloqueio bancário internacional. Sua inclusão foi um truque sujo entre os presidentes dos EUA e da Colômbia, Donald Trump e Iván Duque. Este último havia decidido interromper o processo de diálogo com os guerrilheiros do ELN, que estava sendo realizado com a ajuda de Cuba, e exigiu que Havana entregasse a delegação negociadora da guerrilha. A recusa do governo cubano em violar o protocolo assinado pelas partes e pelos países garantidores foi a desculpa para Trump incluir Cuba, um país que tem dado tudo pela paz na Colômbia, na famosa "lista de países terroristas".

    Mas voltemos à medida que exige visto para entrar nos EUA para qualquer pessoa que tenha visitado a ilha. A intenção é óbvia: colocar mais um pau na roda da economia cubana, enfraquecida pelo bloqueio, pelas 243 sanções recentes e pela pandemia, e atacar uma das poucas fontes de renda do país, o turismo. Tudo isso para que a escassez, a falta de medicamentos e os apagões elétricos se estendam com o tempo, a ponto de provocar o desespero da população e hipotéticos protestos em massa.

    É por isso que é necessário difundir esta mensagem. Cuba deve ser visitada, seu turismo deve ser promovido. É uma questão de vida ou morte para um povo submetido a uma guerra impiedosa e cruel.


http://www.cubadebate.cu/opinion/2022/09/21/la-nueva-maniobra-contra-el-turismo-a-cuba-y-la-indignidad-europea-video/

Tradução e Edição: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba


20 de set. de 2022

MANUEL ZELAYA E PERSONALIDADES DE DESTAQUE PEDEM A LIBERTAÇÃO DE JULIAN ASSANGE #FreeAssangeNOW

                            
   Lois Pérez Leira  

    O ex-presidente da República de Honduras e atual presidente da Internacional Anti-imperialista dos Povos em Defesa da Humanidade e da Natureza, José Manuel Zelaya Rosales, pediu à primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, a revisão da extradição para os Estados Unidos da América e a libertação imediata do jornalista e ativista australiano Julian Assange.

    Julian Assange está preso desde abril de 2019, após uma estadia de sete anos como refugiado político na embaixada do Equador.

    O ex-presidente hondurenho juntou-se à voz de outros presidentes representando a Internacional Anti-Imperialista dos Povos, organizações de direitos humanos e numerosas personalidades políticas e culturais da América Latina e do mundo, que estão conscientes de que o confinamento prolongado e as condições atuais de detenção afetaram seriamente a saúde do Sr. Assange, mas também em razões que alertam sobre a violação dos direitos não apenas dos acima mencionados, mas da sociedade civilizada como um todo.

     Deve-se notar que, caso o Reino Unido dê autorização para extraditar o Sr. Assange para os EUA, isto implica o risco de uma sentença de 175 anos de prisão, o que, dado o atual estado de saúde do jornalista, significa na prática sua sentença de morte. Em vista disto, o ex-presidente Zelaya ressaltou que tal autorização ignora o fato de que a extradição por delitos políticos é proibida pela legislação britânica e europeia.

      Em sua carta à primeira-ministra britânica, o presidente da Internacional Anti-Imperialista lembrou-lhe que o maior crime do Sr. Assange foi revelar ao mundo a verdade sobre uma série de eventos que demonstram a violação do direito internacional e dos direitos dos povos à segurança e à paz. Considerando que Zelaya foi vítima de uma dessas violações quando foi derrubado por um golpe de Estado em 2009, onde a interferência de uma força estrangeira foi posteriormente confirmada pelos documentos desclassificados pelo Wikileaks.

    Zelaya também mencionou que o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada por todos os Estados que compõem a comunidade internacional, declara: "Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão"; este direito inclui o direito de ter opiniões sem interferência e de buscar, receber e transmitir informações e idéias através de qualquer mídia e independentemente de fronteiras.

     Após ler este artigo, Zelaya perguntou se a disseminação da verdade poderia representar qualquer ameaça à segurança dos Estados signatários desta Declaração, que havia sido consagrada alguns anos após a tragédia da Segunda Guerra Mundial, cujas formidáveis lições nunca deveriam ser esquecidas.

        A prisão prolongada e a extradição iminente de alguém que não cometeu um único crime em sua consciência, que não ordenou o bombardeio de cidades ou a derrubada de governos, constitui uma ameaça real à imprensa livre, ao direito dos povos à informação, como consagrado no citado artigo 19, disse Zelaya.

     O ex-presidente de Honduras terminou sua carta lembrando à primeira-ministra do Reino Unido que ela tem hoje a oportunidade de executar um gesto de grandeza para contribuir para a inauguração de uma nova era marcada pelo respeito zeloso aos direitos humanos, o que exige que governos e estadistas adotem uma atitude magnânima de respeito à lei e de defesa dos fracos contra os poderosos.                      

     Desta forma, Zelaya reiterou seu pedido de não-extradição e libertação imediata de Julian Assange:


Secretaria de Imprensa

David de la Paz

Setembro de 2022

À Honorável Excelência Liz Truss

Primeira Ministra do Reino Unido


Sua Excelência Primeira-Ministra:


Escrevo-lhes, na minha qualidade de ex-presidente da República de Honduras e atual presidente da Internacional Anti-Imperialista dos Povos em Defesa da Humanidade e da Natureza, para solicitar a revisão da extradição para os Estados Unidos da América e a libertação imediata do jornalista e ativista australiano Julian Assange, que está preso em seu país desde abril de 2019, após uma estadia de 7 anos como refugiado político na embaixada do Equador. Ao fazê-lo, junto minha voz à de outros presidentes, organizações de direitos humanos e numerosas personalidades políticas e culturais da América Latina e do mundo. Baseio este pedido em razões humanitárias, pois como é do conhecimento público, o confinamento prolongado e as condições atuais de detenção afetaram seriamente a saúde do Sr. Assange, mas também em razões que alertam para a violação dos direitos não apenas do acima mencionado, mas da sociedade civilizada como um todo.

A autorização do Reino Unido para extraditar o Sr. Assange para os EUA implica o risco de uma pena de prisão de 175 anos, o que, dado o atual estado de saúde do jornalista, significa na prática que ele será condenado à morte. Posso também ressaltar que esta autorização ignora o fato de que a extradição por ofensas políticas é proibida tanto pela legislação britânica quanto pela europeia e não tenho dúvidas de que existe uma completa falta de salvaguardas em um julgamento onde o detido é condenado antecipadamente.

Excelentíssima Primeira-Ministra, estou cada vez mais convencido de que o maior crime do Sr. Assange tem sido revelar ao mundo a verdade sobre uma série de eventos que demonstram no mínimo a violação do direito internacional e dos direitos dos povos à segurança e à paz. O próprio autor foi vítima de uma dessas violações quando foi derrubado por um golpe de Estado em 2009, onde a interferência de uma força estrangeira foi posteriormente confirmada pelos documentos desclassificados pelo Wikileaks.

Devo lembrar a Sua Excelência que o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual todos os Estados que compõem a comunidade internacional subscreveram, declara: Todos têm o direito à liberdade de opinião e expressão"; este direito inclui a liberdade de ter opiniões sem interferência e de buscar, receber e transmitir informações e idéias através de qualquer mídia e independentemente de fronteiras.

À luz deste artigo, então, vale a pena perguntar se a disseminação da verdade pode representar qualquer ameaça à segurança dos Estados signatários desta Declaração, que foi adotada alguns anos após a tragédia da Segunda Guerra Mundial, cujas formidáveis lições nunca devem ser esquecidas. Se, como expressa o Evangelho cristão: "Somente a verdade nos libertará", não tenham dúvidas de que o conhecimento da verdade, por mais dura e amarga que seja, é o único caminho para um mundo mais justo onde a convivência pacífica e harmoniosa entre estados, povos, comunidades, etc., se torne uma realidade.

Por outro lado, a prisão prolongada e a extradição iminente de alguém que não cometeu um único crime em sua consciência, de alguém que não ordenou o bombardeio de cidades ou a derrubada de governos, constitui uma ameaça real à imprensa livre, ao direito dos povos à informação, como consagrado no citado artigo 19.

Neste momento dramático do mundo, ameaçado por uma nova conflagração mundial, e coincidindo com a nova nomeação de Vossa Excelência para uma posição governamental tão alta, nós, os povos, esperamos dos governantes das grandes nações, gestos de grandeza.

A senhora, hoje, tem a oportunidade de realizar uma delas a fim de contribuir para a inauguração de uma nova era marcada pelo zeloso respeito aos direitos humanos, que exige dos governos e dos estadistas uma atitude magnânima de respeito à lei e de defesa dos fracos contra os poderosos.

Reitero, portanto, meu pedido de não-extradição e liberação imediata de Julian Assange.

Envio-lhe meus melhores cumprimentos

Manuel Zelaya Internacional Antiimperialista de losPueblos en Defensa de la Humanidad y la Naturaleza  Tegucigalpa, República de Honduras

Se suman también al pedido internacional las siguientes personalidades firmantes:

  • Fernando Lugo, Ex Presidente de Paraguay
  • Adolfo Pérez Esquivel, Premio Nobel De La Paz.
  • Martin Almada, Premio Nobel Alternativo 2002. Descubridor de los Archivos del Plan Cóndor, Paraguay.
  • Juan Carlos Monedero, Profesor De Ciencia Política UCM Y Cofundador De Podemos. España
  • Atilio Boron, Analista Internacional, Argentina
  • Piedad Córdoba, Senadora, Colombia.
  • Ignacio Ramonet, Escritor y Periodista de España.
  • Verónika Mendoza, Ex Candidata a Presidenta del Perú, Por Nuevo Perú.
  • Yeidckol Polevnsky, Diputada Morena. México.
  • Alberto Rusconi, Secretario Relaciones Internacionales del Movimiento Evita. Argentina.
  • Hugo Gutiérrez Gálvez, Ex Diputado y Ex Convencional Constituyente de Chile.
  • Jorge Elbaun, Periodista y Sociólogo, Argentina.
  • Raúl Torres, Cantante de la Nueva Trova Cubana. Diputado de la Asamblea Popular. Cuba
  • Nidia Diaz, Negociadora y Firmante de la Paz por Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN) El Salvador, Ex Diputada Asamblea Legislativa y del PARLACEN de El Salvador
  • Stella Calloni, Analista Internacional, Argentina.
  • Lois Pérez Leira, Secretario Ejecutivo de la Internacional Antiimperialista de los Pueblos, Argentina.
  • Gabriela Rivadeneira Burbano. Ex Presidenta Asamblea Nacional del Ecuador.
  • Carlos Aznarez, Director de Resumen Latinoamericano. Argentina.
  • Enver Leon Gonzales, Secretario General Movimiento Nuevo Perú.
  • Arleen Rodríguez Derivet, Periodista Cubana Mesa Redonda.
  • Jorge Alemán, Psicoanalista y Escritor, España.
  • Saúl Ortega, Diputado Asamblea Nacional. Venezuela.
  • Sandra Russo, Periodista y Escritora. Argentina.
  • Claudio Lozano, Director Banco Nación Argentina. Presidente U.P.
  • Adriana Varela. Cantante Argentina.
  • Carlos Castañeda, Ex Canciller de El Salvador. FLN FM.
  • Cynthia García, Periodista. Argentina.
  • Gabriela Montaño, Ex Presidenta de la Cámara de Diputados y de la Cámara de Senadores del Estado Plurinacional de Bolivia.
  • Ricardo Canese, Parlamentario del Mercosur por el Frente Guasu, Paraguay.
  • Eduardo Sigal, Vicepresidente Partido Frente Grande. Argentina.
  • Víctor Kot, Secretario General del Partido Comunista Argentino.
  • Jorge Kreynnes, Secretario de Relaciones Internacionales del Partido Comunista Argentino.
  • Esteban Diotallevi. Director del Diario El Argentino.
  • Francisco Paco Olveira, Sacerdote Grupo Curas en Opción por los Pobres de Argentina.
  • Roberto Perdía, Montonero, Miembro de Organizaciones Libres del Pueblo Resistir y Luchar OLP R Y L., Argentina
  • Julia Argentina Perié, Parlamentaria del Parlasur. Argentina.
  • Javier Madrazo Lavín, Ex-Consejero de Vivienda y Asuntos Sociales del Gobierno Vasco.
  • Rafael Méndez, Ex Diputado y Dirigente de la Fuerza del Pueblo. República Dominicana.
  • Elsa Osorio, Escritora. Argentina.
  • Adair Pinto Rivero, Periodista Boliviano.
  • Fatima Rallo Gutierrez, Internacionalista, Antropóloga Dirigente Social. Paraguay.
  • Pablo Micheli, Secretario General Central de Trabajadores de Argentina.
  • Paula Klachko, Coordinadora de la REDH Argentina.
  • Norma Guevara, Ex Diputada y Ex Secretaria General Adjunta del Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN) El Salvador.
  • Thelma Luzzani, Periodista y Escritora de Argentina.
  • Víctor Bassuk, Cineasta, APRI-. Argentina.
  • Graciela Ramírez Cruz, Coordinadora Comité Internacional Paz, Justicia y Dignidad a los Pueblos, Cuba.
  • Carlos Javier Estrada. Subsecretario de Comunicación Estratégica y Prensa de Honduras.
  • María Remedios García Albert. España.
  • Federico Lopardo, Área de Relaciones Internacionales de la Corriente Nuestra Patria, Argentina.
  • Fernanda Pereyra, Secretaria de Relaciones Internacionales de la UTEP, Argentina.
  • Alberto Larrambebere, Músico y Cineasta. Argentina.
  • Miguel Petridis, Psicólogo. Argentina.
  • Alberto Grillon, Ex Senador del Frente Guazu. Paraguay.
  • Oscar González, Ex Diputado Nacional, Presidente de Asociación Democracia Participativa. Argentina.
  • Alberto Girondo, Periodista de Tiempo Argentino.
  • Horacio Viqueira, Diputado Nacional (MC). Frente Grande. Argentina.
  • Francisco López. Coordinador de Podemos Argentina. Secretario de Participación y Círculos de Podemos Exterior.
  • Minou Tavárez Mirabal, Militante Política. República Dominicana.
  • Andrés Bercum, Secretario de Relaciones Internacionales Corriente Peronista Descamisados. Argentina.
  • Andrés Rodríguez, Secretario de Relaciones Internacionales de Nuevo Encuentro. Argentina.
  • Secil Oswaldo De León, Profesor Universitario Guatemala.
  • Julio Gambina, Fundación de Investigaciones Sociales y Políticas. Argentina.
  • José Pacheco, Secretario General Del Partido Pueblo Unido – Perú.
  • Tirso Saenz, Ex Ministro de la Industria de Cuba bajo las Órdenes de Ernesto Guevara.
  • Alberto Nadra, Escritor y Periodista. Argentina.
  • Daniel Ponzo, Periodista. Argentina.
  • Geraldina Colotti, Periodista y Escritora Italiana.
  • Dante Alfaro, Sindicalista Docente Escritor. Integra la Internacional Antimperialista de los Pueblos. Argentina.
  • Juan Dionisio Rodríguez, Diputado por el Frente Amplio de República Dominicana.
  • Maria Stella Cáceres, Periodista y Directora Fundadora del Museo de Las Memorias: Dictadura y Derechos Humanos Paraguay.
  • Lorena Lores, Cantante y Actriz. Argentina.
  • Norberto López, Empresario. Argentina.
  • Héctor Castro Pérez, Economista, Perú.
  • Sergio Maldonado, Defensor de Derechos Humanos  y Hno. De Santiago Maldonado, Argentina.
  • Taty Almeida, Por Madres de Plaza de Mayo L.F., Argentina.
  • Lidia Doninni, Docente y Activista Defensora de Derechos Humano, Paraguay.
  • Ricardo Patiño Aroca, Ex Ministro de Relaciones Exteriores de Ecuador.
  • Hugo “Cachorro” Godoy, Secretario General de ATE, Argentina
  • Edgardo Hernán Cardo, Periodista, Presidente del Instituto de Investigación y Análisis Geopolítico Alexandre Pétion, Argentina.
  • René Ortiz Muñiz, Enlace Legislativo Cámara De Diputados Morena México.
  • Juan Manuel Flores Cornejo. Preside La Federación Centroamericana de Amistad China. Miembro del Consejo Nacional Del Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN) El Salvador.
  • Anabel Belloso, Diputada a la Asamblea Legislativa de El Salvador. Integrante de la Comisión Política del Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN).
  • Lorena Peña, Presidenta de la Federación Democrática Internacional de Mujeres-FDIM- Ex presidenta de la Asamblea Legislativa de El Salvador.
  • Alejandro Navarro Brain, Presidente del Foro Latinoamericano de Derechos Humanos ( FOLACH ). Ex Senador de la República de  Chile.
  • Esteban Silva Cuadra, Presidente Fundación Constituyente XXI, Chile.
  • Adolfo Mendoza, Dirigente del MÁS Bolivia, Diputado Presidente del Parlamento Andino
  • Luisa Valenzuela, Novelista y periodista, Argentina.
  • Jorge Rivas, Dirigente socialista. Argentina.
  • Allan Fajardo Reina, Sociólogo, Honduras.
  • Francisco López, Red de Círculos Podemos Latinoamérica, Argentina.
  • Fernando Bossi, Director Portal Alba, argentino venezolano. Fundador del Congreso Bolivariano de los Pueblos, Argentina.
  • Mónica Sainz, Fundación Emancipación, argentina venezolana, Venezuela.
  • Cris González, Directora de la Revista Correo del Alba, Venezuela.
  • Roberto Perdía, Ex conducción de Montoneros – OLP Resistir y Luchar, Argentina.
  • Hector Bejar. Escritor, Ex Canciller de Perú.
  • Jasael Torres, Secretario Nacional de Juventud del FMLD, El Salvador.
  • Juan Hubieres, Ex Diputado Presidente Capítulo Dominicano.
  • Juan Andrés Compres, Ex Diputado Vicepresidente Capítulo dominicano.
  • Miguel Eduardo Espinal, Relaciones Internacionales Capítulo Dominicano.
  • Albertina Méndez, Secretaria Capítulo Dominicano.
  • Txema Guijarro García, Diputado Nacional Unidas Podemos, España.
  • Marco Consolo. Refundación Comunista, Italia.
  • Verónica Costilla. Escritora, TGD Padres, Argentina.
  • Myriam Archerito, Escritora, Argentina.
  • Ana Navone. Escritora Argentina.
  • Alonso Acosta, Lund, Suecia.
  • Frente Intercontinental del FMLN“.
  • Asociación Taxistas De Buenos Aires, República de Argentina.
  • Asociación Civil Alexandre Pétion, Argentina.


https://www.resumenlatinoamericano.org/2022/09/14/comunicacion-manuel-zelaya-y-destacadas-personalidades-reclaman-la-libertad-de-julian-assange/
Tradução: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba