24 de mai. de 2026

“Muitas pessoas no mundo estão tomando consciência da realidade do bloqueio contra Cuba”: Gerardo Hernández Nordelo, em entrevista exclusiva

                               

“Eles já admitem: estão sufocando o povo cubano para que ele saia às ruas”

O Herói da República de Cuba e coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR) concedeu uma entrevista à Cubainformación TV, na qual abordou a solidariedade internacional com a ilha, o papel dos CDR, a incorporação de jovens, as campanhas de mentiras nas redes sociais e a situação atual do bloqueio contra a ilha.

Em um extenso diálogo, Gerardo Hernández Nordelo, coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR), apresentou um panorama detalhado sobre o momento que Cuba vive, a resposta do povo diante das agressões e o papel fundamental da organização de massas na defesa da Revolução a partir dos bairros.

Agradecimento pelo Convoy “Nuestra América”

Hernández começou avaliando positivamente o recente Convoy “Nuestra América” de solidariedade com Cuba. “Nós, cubanos, nos sentimos muito gratos e muito orgulhosos”, afirmou, destacando a presença de muitos jovens ao lado de veteranos lutadores solidários, incluindo pessoas que participaram da campanha pela libertação dos Cinco Heróis.

“Havia muitas pessoas que não tínhamos visto antes, que não conhecíamos, e também jovens”, observou, interpretando esse fenômeno como um despertar da consciência internacional sobre a realidade do bloqueio.

O bloqueio: uma verdade que já ninguém esconde

Uma das declarações mais contundentes do entrevistado girou em torno do cerco econômico imposto pelos Estados Unidos. Hernández explicou que, durante décadas, os inimigos da Revolução tentaram minimizar seus efeitos dizendo que “não é contra o povo, é contra os dirigentes, é contra o regime”.

“Agora eles tiraram a máscara e reconhecem que é contra o povo e, mais ainda, reconhecem que é para que o povo se sinta sufocado, desesperado e saia às ruas para provocar uma desordem social”, denunciou.

E sentenciou: “O bloqueio existe, o bloqueio se intensificou e causa muito sofrimento ao povo de Cuba”.

Os CDR: sentinela revolucionária diante de um contexto semelhante ao de 1960

Hernández lembrou que os CDR foram fundados por Fidel Castro em 28 de setembro de 1960 e destacou que as circunstâncias atuais se assemelham perigosamente àquelas. “Sob ameaça até mesmo de agressão militar, com infiltrações e tentativas de atos terroristas, as circunstâncias se assemelham muito às da fundação”, alertou.

Embora algumas tarefas tenham evoluído — como a coleta de matérias-primas ou as doações de sangue —, a missão fundamental permanece intacta: “a defesa da Revolução a partir de nossos bairros, a defesa de nossos princípios e de nosso processo revolucionário a partir das comunidades e pelos próprios vizinhos”.

Sobre as críticas que acusam os CDR de serem uma rede de espionagem de bairro, Hernández respondeu com ironia: “Ignoram de forma muito hipócrita que em lugares como os Estados Unidos existe uma organização chamada Neighbor’s Watch”. E esclareceu: “Nossa vigilância tem a ver com pessoas que querem roubar em armazéns, assaltar, distribuir drogas ou cometer atos terroristas”.

Ele também reconheceu com honestidade que, em uma organização tão grande (cerca de 38 mil CDR em todo o país), “é possível que em algum lugar tenha ocorrido algum excesso, alguma injustiça”, mas negou categoricamente que isso caracterize o movimento.

O desafio da juventude e das novas tecnologias

Um dos maiores desafios é a incorporação dos jovens. Hernández explicou que muitos estudantes e trabalhadores sentem que não têm tempo, o que fez com que a base da liderança comunitária fosse composta por idosos. “Queremos injetar sangue jovem na organização”, afirmou.

Ele citou como exemplo o uso das redes sociais e dos grupos do WhatsApp para convocar reuniões, uma tarefa em que os jovens são indispensáveis. “Contamos com ativistas nas redes sociais em muitos CDRs que estão ajudando a organização”, destacou.

Insultos nas redes e paternidade: “Quem fica ridículo são eles”

Questionado sobre como lida com as zombarias e mentiras nas redes sociais, Hernández lembrou sua trajetória como humorista desde os 17 anos, o que lhe deu “uma paciência extra para aguentar tudo”. Ele apontou que os ataques recorrentes sobre sua paternidade — um assunto de domínio público por documentos do FBI e até mesmo declarações de Ileana Ros-Lehtinen — são ridículos.

“Quem fica ridículo ao usar isso são justamente eles, porque é algo que a maioria das pessoas sabe como se desenrolou”, afirmou.

Mensagem final à solidariedade internacional

O coordenador nacional dos CDR lançou um apelo aos amigos e amigas de Cuba no mundo: "É hora de apoiar Cuba, é hora de levantar as vozes. Não se pode subestimar os perigos destes tempos. É todo um povo — homens, mulheres e crianças — que está em perigo“.

Ele ressaltou que os cubanos e as cubanas sabem que têm problemas e que há coisas a mudar, ”mas queremos fazer isso do nosso jeito, como nós mesmos decidirmos, não porque alguém de fora venha nos impor um sistema de governo".

E lançou uma pergunta ao ar para aqueles que, de Miami, prometem um futuro próspero para a ilha: “Por que não começam construindo casas para os cubanos que vivem debaixo das pontes em Miami?”.

Concluiu com uma mensagem de confiança na preparação e na determinação do povo cubano: “Contem também com a preparação do nosso povo e com a determinação dos cubanos livres de defender nossa Revolução”.


Transcrição integral da entrevista com Gerardo Hernández Nordelo

1. Como avalia o recente Convoy “Nuestra América” de solidariedade com Cuba?

Em primeiro lugar, nós, cubanos, nos sentimos muito gratos e muito orgulhosos, considerando o momento em que vivemos, um momento de tanta importância para o nosso país. Ver quantos amigos, sem muita preparação nem preâmbulos, se fizeram presentes em nosso país para expressar solidariedade aos cubanos é realmente motivo de satisfação e orgulho.

Gostaria de pensar que não é algo ocasional, porque vimos muitos jovens nesse comboio, ao lado de pessoas experientes, conhecidas nas lutas de solidariedade com nosso país, e até mesmo pessoas que se solidarizaram durante a campanha pela libertação dos Cinco. Mas havia muitas pessoas que não tínhamos visto antes, que não conhecíamos, e também jovens. Acontece que, mesmo para os amigos, chegou um momento em que o discurso sobre o bloqueio lhes parecia um pouco exagerado; diziam: “não é um bloqueio, é um embargo”.

Na verdade, os efeitos são tão graves quanto Cuba costuma dizer. O que vem ocorrendo demonstrou a muitas pessoas no mundo, em primeiro lugar, que estávamos certos, que estivemos certos durante todos os anos em que nos queixamos dos efeitos do bloqueio, de quanta dor e sofrimento ele causa ao nosso povo. Além disso, o uso da palavra “bloqueio” não é exagerado; agora, mais do que nunca, isso ficou evidente. Acho que há muitas pessoas no mundo que estão despertando para essas realidades.

O bloqueio existe mesmo, se intensificou e causa muito sofrimento ao povo de Cuba. Os inimigos da Revolução, durante muito tempo, tentaram esconder que o bloqueio afeta nosso povo e diziam: “não é contra o povo, é contra os dirigentes, é contra o regime”. Agora, eles tiraram a máscara e reconhecem que é contra o povo e, mais ainda, reconhecem que é para que o povo se sinta sufocado, desesperado e saia às ruas para provocar desordem social. Eles já não se escondem para dizer: “sim, há bloqueio, sim, queremos sufocar o povo, sim, queremos colocar esse povo de joelhos”, algo que Cuba vem dizendo há décadas.

O bloqueio afeta o povo, não é contra o governo, é para fazer nosso povo sofrer, e agora isso está mais do que comprovado. Há muitas pessoas que tomaram consciência dessa situação, e acredito que há um fortalecimento da solidariedade, e devo dizer, não apenas lá fora, mas também internamente em nosso país. Para nós, que nascemos sob o bloqueio há gerações, às vezes a maneira de condenar o bloqueio se tornava um pouco monótona, e algumas pessoas chegavam até a duvidar novamente da história do bloqueio. No entanto, agora, com o que vem ocorrendo, muito mais pessoas em Cuba estão conscientes de que o bloqueio tem como objetivo nos colocar de joelhos, nos subjugar pela fome e pelas necessidades, e fazer com que este povo se rebele contra seu governo.

2. Que relações os CDR mantêm com a solidariedade internacional para com Cuba?

Nós, os Comitês de Defesa da Revolução, temos procurado fortalecer nossas relações internacionais. Temos relações muito boas, com todo o respeito, com organizações de outros países, mas também com a solidariedade em sentido geral. Por sermos a maior organização de massas de Cuba, com presença em todos os bairros e recantos do país, somos uma organização que se presta para que pessoas solidárias possam chegar onde houver cubanos que precisem de ajuda.

Como tal, temos trabalhado e fortalecido nossos laços com companheiros e companheiras solidários do mundo todo, e com cubanos residentes em muitos países. Como é sabido, fazemos parte do projeto “A Cuba hay que quererla”, que vem trabalhando há vários anos, desde sua fundação, na questão dos medicamentos. Ao final do “Barrio Debate”, centenas de membros do CDR do bairro Laguinera, em Arroyo Naranjo, assinaram em prol da pátria, enquanto os pioneiros homenageavam combatentes do Exército Rebelde e de Playa Girón por sua dedicação em momentos cruciais da história do país. Adán Morel, canal cubano de notícias, informou sobre o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, a falta de medicamentos para as crianças e o genocídio contra o povo palestino, e exigiu…

Portanto, há diferentes projetos que temos apoiado, diferentes iniciativas de nossos compatriotas que residem em outros países, de forma não estatal. Nossa mensagem de solidariedade com Cuba nestes momentos tão difíceis, em que é hora de levantar nossas vozes e unir esforços em apoio ao nosso povo, é que vocês podem contar com os Comitês de Defesa da Revolução para ajudar a viabilizar qualquer projeto que seja em benefício do nosso povo.

3. Que atividades os CDR realizam atualmente e quais deixaram para trás?

Como vocês sabem, os Comitês de Defesa da Revolução foram fundados por Fidel em 28 de setembro de 1960. Por muito tempo, nos últimos anos, eu mesmo costumava dizer, quando falava dessa data: “os tempos mudaram muito, as circunstâncias não são as mesmas”. No entanto, devo me corrigir, pois agora há circunstâncias muito semelhantes às daquela época.

Nestes tempos recentes, sob ameaça até mesmo de agressão militar, com infiltrações e tentativas de atos terroristas, as circunstâncias se assemelham muito às da fundação dos Comitês de Defesa da Revolução. Portanto, embora algumas das tarefas fundacionais tenham mudado, à medida que o país e o mundo foram mudando, nossa missão fundamental continua sendo a defesa da Revolução a partir de nossos bairros, a defesa de nossos princípios e de nosso processo revolucionário a partir das comunidades e pelos próprios vizinhos. A essa tarefa se somaram outras ao longo dos anos. Nossa organização está envolvida, por exemplo, com a questão das doações de sangue para ajudar voluntariamente as pessoas que precisam. Tivemos grande participação no que antes era conhecido como “coleta de matérias-primas”, hoje chamado de “recuperação de valores”. A forma de agir mudou um pouco. Temos agora ótimas relações com o grupo empresarial de recuperação conhecido como Hermoso.

Apoiamos esse trabalho de recuperação de matérias-primas. Embora sejam tarefas que durante muitos anos caracterizaram a organização, elas foram se adaptando e se modificando de acordo com as novas circunstâncias. Há tarefas que nunca mudaram nem mudarão: a defesa da nossa Revolução, a proteção dos nossos bairros, a vigilância revolucionária. Esse é um aspecto muito criticado pelos inimigos da Revolução e, especificamente, pelos inimigos dos Comitês de Defesa da Revolução.

Dizem que os Comitês são uma organização de vizinhos espionando outros vizinhos, etc., e ignoram de forma muito hipócrita que em lugares como os Estados Unidos existe uma organização chamada Neighbor's Watch, onde em qualquer bairro, sobretudo nos mais abastados, onde não é comum ver pessoas afro-americanas andando, existe essa organização e consiste precisamente em vizinhos vigiando seu bairro e, quando veem uma pessoa estranha, chamam a polícia. Nossa vigilância não tem a ver com pessoas de um bairro que não deveriam estar no seu, mas com pessoas que querem roubar nos armazéns onde está a cesta básica dos cidadãos, com pessoas que assaltam para roubar um celular, com pessoas que distribuem drogas. Esse tipo de proteção, que somos nós, os vizinhos, que devemos proporcionar a nós mesmos, é nisso que consiste nossa vigilância.

É claro que, se há pessoas que querem sabotar, cometer um ato terrorista ou agir contra a Revolução, isso também faz parte da nossa vigilância, porque se trata de defender um projeto que custou muito sacrifício para ser construído, e não vamos entregá-lo de mão beijada, vamos continuar protegendo-o. Você perguntou o que deixamos para trás: os princípios fundamentais são os mesmos; o que pode ter mudado é a forma de desenvolver nossas estratégias de acordo com os tempos, que mudaram. Mudaram os códigos para transmitir nossos interesses, para fazer um apelo ao cumprimento das missões da organização.

Tentamos nos adaptar aos novos tempos, mas as tarefas fundamentais são as mesmas; não deixamos para trás nenhuma essencial. Também posso te dizer que, ao longo de mais de sessenta anos, em uma organização que é a maior de Cuba, com presença em todas as quadras, e pensando nas coisas pelas quais se difama os CDR e com as quais se critica os cederistas, sou o primeiro a reconhecer que, em uma organização tão grande, com cerca de 38.000 CDR diferentes em todo o país, é possível que em algum lugar tenha ocorrido algum excesso, alguma injustiça, que alguma pessoa tenha excedido suas funções. Isso pode ter acontecido, como pode ocorrer com qualquer organização em qualquer lugar do mundo, mas não é, de forma alguma, o que caracteriza nossa organização nem o que deve definir uma organização comunitária como a nossa.

4. O que estão fazendo para incorporar mais jovens?

Esta é uma das missões mais importantes que temos, um dos desafios mais importantes dos Comitês de Defesa da Revolução: a incorporação de jovens. Isso se deve a vários fatores, incluindo o fato de que muitas pessoas que foram fundadoras dos CDR, que dedicaram sua vida à organização, que a amam, que assumiram uma responsabilidade em determinado momento, têm querido permanecer enquanto tiverem forças. Portanto, ainda existem em nossas fileiras fundadores, pessoas que durante toda a vida dedicaram seus esforços ao trabalho comunitário por meio de nossa organização. Mas também nos afeta o fato de que há pessoas muito revolucionárias e com um trabalho muito destacado em seus locais de trabalho; elas trabalham oito ou mais horas e, quando voltam para casa, dizem: “já cumpri minha parte por hoje, agora preciso descansar”.

Em essência, não têm tempo para começar tarefas da comunidade a essa hora. O mesmo ocorre com jovens estudantes que dizem: “estudo o dia todo na universidade ou onde quer que seja, e quando volto tenho que fazer algum seminário, estudar”, e também dizem não ter tempo para se envolver em tarefas da comunidade. E então a quem fica essa responsabilidade? Quem é essa pessoa na família que tem tempo suficiente? Pois o avô ou a avó, que em determinado momento dizem: “tudo bem, eu vou assumir a responsabilidade no CDR e o trabalho na comunidade”.

Isso levou, é um dos fatores que levou, a que nossa liderança nos quarteirões e bairros seja geralmente composta por pessoas da terceira idade ou, pelo menos, da segunda. Queremos injetar sangue novo na organização. Sentimos um enorme orgulho dos idosos que, como eu dizia, dedicaram toda uma vida ao trabalho na organização e são muito úteis; por isso defendemos a incorporação de jovens para que assumam toda essa experiência ao lado dos idosos.

É uma necessidade para os CDR que os jovens identifiquem a organização como uma trincheira a partir da qual possam contribuir para o país, para o seu bairro, para os seus vizinhos, e desenvolver toda a sua vocação organizativa e sua liderança. O trabalho comunitário que podem desenvolver por meio da nossa organização é ilimitado e, felizmente, a cada dia são mais os jovens que a identificam dessa forma e se incorporam à organização. Posso te dizer que temos pessoas muito jovens que são presidentes de CDR, que são até mesmo coordenadores de zona, e que contribuem para nossa organização. Vou te dar um exemplo: o tema das redes sociais. Quando os CDR foram fundados, elas não existiam; até pouco tempo atrás, há apenas alguns anos, eram algo completamente desconhecido.

Quem hoje domina mais esse tema são os jovens. Atualmente, há reuniões que são convocadas por meio de grupos do WhatsApp, mas, para isso, é preciso que haja alguém que ensine aos outros o que é um grupo do WhatsApp, como se lida com as redes sociais. Contamos com ativistas de redes sociais em muitos CDR que estão ajudando a organização nessa tarefa. É apenas um exemplo.

5. Ouvimos dizer que “o bloqueio contra Cuba” não existe

Eles nunca perdoaram o fato de nós, cubanos, termos feito uma revolução bem debaixo do nariz do império, e a partir daí surgiu sua tremenda perseguição, que já dura décadas. Um bloqueio tão criminoso quanto este, tão prolongado, é, creio eu, único na história da humanidade. Durante muitos anos, como já dissemos, eles afirmavam que o bloqueio não tinha nada a ver com o povo, que não era contra o povo, que era contra o regime. Mas eles já se desmascararam, essa mentira não tinha pernas para andar.

Agora tiveram que reconhecer, em parte e entre aspas, graças ao presidente dos Estados Unidos, que não tem papas na língua quando fala de suas pretensões, não é nada diplomático nem as esconde. Aquelas pessoas, inclusive de origem cubana, que tinham um pouco de vergonha e não queriam reconhecer que se aliavam a interesses estrangeiros para agir contra seu povo, que não queriam reconhecer que tentavam matar seu povo de fome e privações, que não queriam reconhecer que a falta de medicamentos de seu povo se devia em grande parte à sua atitude, essas pessoas, seguindo a linha traçada por seus senhores, hoje reconheceram que sim, que o bloqueio serve para estrangulá-los, para sufocá-los e para que vocês façam algo e saiam às ruas contra o seu governo. Já dizem isso abertamente. É muito triste que pessoas de origem cubana ataquem dessa maneira o seu país e tenham a descarada ousadia de pedir até mesmo uma agressão militar contra ele, quando sabem que isso vai custar a vida de pessoas, possivelmente até de crianças.

6. Como você lida com os insultos e mentiras nas redes sociais?

É curioso porque eles têm um trabalho um pouco complicado comigo nesse sentido. Eu, desde os 17 anos, sou humorista, entrei no mundo do humor, e os humoristas precisam ter uma paciência extra para, como dizemos nós, cubanos, “aguentar o tranco” ou suportar as provocações. Portanto, as provocações não me afetam pessoalmente, e principalmente quando eles são tão pouco inteligentes a ponto de escolherem para zombar de algo que todo mundo conhece.

A questão da minha paternidade está registrada em documentários, em documentos do FBI, em declarações da sua querida Ileana Ross. Enfim, isso é de conhecimento público. Quem quiser saber como isso aconteceu só precisa verificar. A maneira como isso ocorreu foi realmente um golpe para eles, para aqueles que queriam que eu ainda estivesse na prisão, para aqueles que querem criar desentendimentos constantemente entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos, que negociaram pelas costas deles, e isso os magoa muito; por isso, eles pegaram nesse assunto para fazer piadas.

Mas quem fica ridículo ao usar isso são justamente eles, porque é algo que a maioria das pessoas sabe como se desenrolou. Quanto à organização, também é fruto de campanhas de zombaria e desinformação.

7. O que você diria a tantos amigos e amigas de Cuba neste momento?

Eu diria que em Cuba levamos muito a sério os perigos destes tempos. Nós, cubanos, não deixamos de nos preparar. Até mesmo os inimigos da Revolução, tão servos e tão subservientes, zombam de seu povo quando sai uma reportagem na televisão mostrando como o povo se prepara para defender a pátria. O que se pode esperar de pessoas que se dizem martinianas e que dizem seguir as ideias de Martí, mas agem contra seu próprio povo em função dos interesses de um império como o dos Estados Unidos?

Não se pode esperar nada deles. Aos nossos amigos diríamos: é hora de apoiar Cuba, é hora de levantar a voz. Não se pode subestimar os perigos destes tempos. É todo um povo, é a segurança de todo um povo — homens, mulheres e crianças — que está em perigo. É um povo que resistiu a muitos problemas, a muitas carências, e que está disposto, em sua maioria, a defender a revolução. Porque nós, cubanos, sabemos que temos problemas, sabemos que há coisas que devem ser mudadas, mas queremos fazê-lo à nossa maneira, como nós mesmos decidirmos, não porque alguém de fora venha nos impor um sistema de governo ou condições. As pessoas percebem que muitos daqueles que, dos Estados Unidos, prometem que, quando chegarem ao poder em Cuba, construirão casas para todo mundo e que Cuba será próspera…

Por que não começam construindo casas para os cubanos que vivem debaixo das pontes em Miami? Por que não começam resolvendo os problemas de tantas pessoas que passam por dificuldades lá, que também são cubanas?

Parece-me uma grande hipocrisia que estejam prometendo ao nosso povo vilas e castelos quando sabem que são coisas que não poderão cumprir, e que, assim que conseguirem seus interesses, o que farão será explorar, como estão acostumados, e submeter o país aos interesses dos Estados Unidos.

Em resumo, eu diria aos nossos irmãos que é hora de levantar suas vozes por Cuba, que nós, cubanos, agradecemos a solidariedade com que sempre nos acompanharam, e que este é um momento de perigos, mas que também contem com a preparação do nosso povo e com a determinação dos cubanos livres de defender nossa Revolução.

                            

José Manzaneda

Coordenador da Cubainformación   

www.cubainformacion.tv

Trad/Ed: @comitecarioca21

                

21 de mai. de 2026

DECLARAÇÃO DO COMITÊ INTERNACIONAL PAZ, JUSTIÇA E DIGNIDADE AOS POVOS

                             

O Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos rejeita e condena a escalada de agressões do governo dos EUA contra Cuba.

Neste dia 20 de maio, 131 anos após a morte em combate de José Martí, a máfia de Miami, liderada por congressistas anticubanos, apresentou uma acusação contra o General do Exército Raúl Castro Ruz por um ato de legítima defesa ocorrido em 24 de fevereiro de 1996.

Naquele dia, três aeronaves da organização terrorista Hermanos al Rescate (HAR), liderada pelo criminoso José Basulto, violaram pela 26ª vez o espaço aéreo cubano.

Durante dois anos, de 1994 a 1996, em pleno período especial, a HAR realizou múltiplas incursões aéreas. Repetidamente, por vinte e cinco vezes, realizaram voos sobre as cidades de Havana e Matanzas. Cada voo era uma provocação e cada provocação colocava em risco a segurança nacional de Cuba, seus habitantes e o corredor aéreo nacional e internacional. Os aviões da HAR lançavam panfletos contrarrevolucionários, folhetos que incitavam à sedição ou pesticidas para destruir as plantações. Voavam a baixa altitude para burlar os radares, mas podiam ser vistos do Malecón.

Cada incursão ilegal foi denunciada pelo governo cubano ao governo dos EUA e aos organismos internacionais de aviação. Fidel deixou claro que não haveria mais tolerância a agressões ao espaço aéreo, marítimo e terrestre de Cuba.

Em 24 de fevereiro de 1996, a Força Aérea cubana advertiu os terroristas da HAR para que recuassem e não invadissem o espaço aéreo cubano.

O chefe Basulto ordenou que os dois aviões continuassem, mas, covardemente, deu meia-volta e voltou para Miami. Os dois aviões foram abatidos, caindo em águas marítimas cubanas.

Os Estados Unidos ocultaram por 30 anos as imagens de satélite que comprovam que os aviões violaram o espaço aéreo e caíram em águas marítimas cubanas.

Um único testemunho, do proprietário de um iate de luxo, intimamente ligado à sinistra Fundação Nacional Cubano-Americana de Miami, afirmou que o abate ocorreu em águas internacionais.

Nós, que participamos da campanha internacional pela liberdade dos Cinco Patriotas Cubanos, tomamos conhecimento detalhado ao analisar a falta de provas da acusação.

O único responsável por aquele lúgubre fato de legítima defesa foi o governo dos Estados Unidos, que permitiu e permite a impunidade de grupos terroristas como o Hermanos al Rescate, que, por trás da fachada de seu nome, se dedicava ao tráfico de drogas, a atentados terroristas, ao contrabando e ao tráfico ilegal de migrantes.

Os Estados Unidos mentem descaradamente e manipulam os fatos, carecem de qualquer base jurídica e realizaram esse espetáculo vergonhoso para continuar aumentando a pressão a limites desumanos que provoquem uma explosão interna ou justifiquem uma agressão militar.

Raúl, o do Moncada, o do Granma, o jovem da Sierra Maestra e da vitória resplandecente de 1º de janeiro, é a força do povo uniformizado e do povo comum. Raúl brilhou como Comandante guerrilheiro à frente da II Frente Oriental. Como estadista, conseguiu os Acordos de Paz na Colômbia e a retomada das relações com os Estados Unidos. Conquistou o respeito de todo o mundo.

Seu humanismo, sua ética, seu exemplo de vida militante, sua fidelidade a Fidel, ao ideário de Martí e ao seu povo fizeram com que ele entrasse, aos 95 anos, na alma da história de Cuba. Quem se atrever a querer sequestrar a história perecerá nela.

Fazemos nossa a Declaração do Governo Revolucionário Cubano, convocamos a solidariedade internacional a se mobilizar em todo o mundo para evitar a guerra e a agressão militar dos Estados Unidos contra Cuba.

Cuba não ameaça, não ofende nem invade ninguém; Cuba quer que a deixem viver em paz, sem bloqueio nem sanções, mas se for atacada, se defenderá. Com ela e ao seu lado, na linha de frente estará a solidariedade internacional.

Diante da agressão imperial no Centenário de Fidel, dizemos mais alto do que nunca:

Não ao imperialismo! Não ao fascismo!

Viva a Revolução!

Viva Fidel e Raúl!

Havana, 20 de maio de 2026   


https://cubaenresumen.org/2026/05/21/comite-internacional-paz-justicia-y-dignidad-a-los-pueblos-rechaza-y-condena-la-escalada-de-agresiones-del-gobierno-de-ee-uu-contra-cuba/ 

                        


BEN GVIR TRANSFORMA O SEQUESTRO DA FLOTILHA EM UM ESPETÁCULO DE HUMILHAÇÃO E ABRE UMA BRECHA EM "ISRAEL"

                                 

    O ministro de extrema-direita exibe centenas de ativistas algemados como troféus de guerra, enquanto a Europa começa, timidamente, a reagir à impunidade do Estado sionista de Israel.

O Estado sionista de Israel vem destruindo Gaza há meses diante dos olhos do mundo. Fome. Bombardeios. Hospitais destruídos. Crianças mutiladas. Jornalistas assassinados. E agora, demonstrações públicas de humilhação contra ativistas internacionais detidos em águas internacionais. Porque eles nem sequer escondem mais nada. Eles gravam. Editam. Publicam com orgulho.

Em 20 de maio , o Ministro da Segurança Nacional de Israel, o direitista Itamar Ben Gvir, divulgou um vídeo do porto de Ashdod mostrando dezenas de ativistas da Flotilha Global Sumud amarrados, ajoelhados e amontoados sob o sol, enquanto o hino nacional israelense era tocado por alto-falantes. Ben Gvir sorriu. Acenou com uma bandeira. "Bem-vindos a Israel", disse ele em tom de deboche.

                                                          https://x.com/haaretzcom/status/2057063202639253845 

                                                                                                                       

                  Não se trata de uma cena isolada. É uma declaração política.

A flotilha tentava romper o bloqueio marítimo imposto por Israel a Gaza desde 2007 e entregar ajuda humanitária a uma população que as Nações Unidas descrevem há meses como sofrendo uma catástrofe humanitária sem precedentes. A resposta israelense foi interceptar os navios em águas internacionais, prender cerca de 430 pessoas e usar a prisão como propaganda ultranacionalista.

O sadismo político como mensagem de Estado

O que mais perturba não é apenas a violência em si, mas a naturalidade com que ela ocorre. As imagens mostram policiais israelenses arrastando ativistas pelo pescoço, obrigando-os a permanecer algemados e de bruços, e empurrando ao chão uma mulher que gritava "Palestina Livre".

Enquanto isso, Ben Gvir fala sobre "apoiadores do terrorismo". A mesma velha desculpa de sempre. Vale tudo se a palavra Hamas for mencionada. Não importa se são trabalhadores humanitários, médicos, ativistas pela paz ou membros do parlamento. O Estado sionista de Israel transformou a acusação de terrorismo em uma licença política para justificar qualquer abuso. Até mesmo o sequestro de civis em alto-mar.

A organização Adalah, que oferece assistência jurídica a alguns dos detidos, denunciou uma “política criminosa de abuso e humilhação”. Observou ainda que esta não é a primeira vez que tais incidentes ocorrem e que Israel nunca foi responsabilizado por eventos semelhantes.

Isso é o que importa. Impunidade.

Porque Ben Gvir não surgiu do nada. Ele é ministro. Ele tem poder institucional. Ele controla a polícia israelense. Ele passou anos defendendo medidas brutais contra a população palestina e contra detidos, desde cortes no fornecimento de água e comida nas prisões até a defesa aberta da pena de morte.

No entanto, o Ocidente continua a tratar Israel como uma democracia.

Uma democracia onde um ministro desfila seres humanos algemados como se fossem animais derrotados. Uma democracia onde navios civis são interceptados em águas internacionais. Uma democracia onde a ajuda humanitária é apresentada como uma ameaça militar. Uma democracia onde a extrema-direita racista é parte estrutural do governo.

Em seguida, surgiram as nuances diplomáticas. Netanyahu descreveu o vídeo de Ben Gvir como algo que "não está em conformidade com os valores e normas de Israel". O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, classificou-o como uma "apresentação vergonhosa".

Mas ninguém questionou a questão fundamental. Ninguém criticou o sequestro da flotilha. Ninguém falou em suspender o bloqueio a Gaza. Eles só discutem a encenação. Se era apropriado filmar tudo.

É a diferença entre violência e relações públicas.                              

Integrantes da flotilha presos por "israhell"e humilhados (maio de 2026 )

A Europa começa a se sentir desconfortável com o que não pode mais ser escondido.

A divulgação do vídeo provocou protestos diplomáticos da Espanha, Itália e França. O governo espanhol convocou novamente o representante diplomático israelense e descreveu o tratamento dado aos ativistas como “monstruoso, indigno e desumano”.

José Manuel Albares lembrou que entre os detidos estavam 44 espanhóis e sublinhou algo óbvio: a interceptação ocorreu em águas internacionais, onde Israel “não tem o direito de tocar em nenhum espanhol”.

Parece óbvio. Mas temos visto há meses como as coisas mais básicas e óbvias desaparecem quando se fala de Israel.

A Itália também exigiu explicações. A França convocou o embaixador israelense e classificou o tratamento como “inaceitável”. Mesmo dentro do próprio governo israelense, houve vozes preocupadas com os danos internacionais que Ben Gvir estava causando.

Danos internacionais. Isso de novo.

Não é o sofrimento em Gaza. Não são os detidos. Não é o direito internacional. O problema surge quando as imagens se tornam demasiado obscenas, mesmo para os aliados.

O ativista espanhol-palestino Saif Abukeshek, deportado após dez dias de detenção, rapidamente desmantelou a narrativa de um “incidente isolado”. Ele afirmou que Ben Gvir “representa o governo” e que o exército israelense não intercepta navios em alto-mar sem ordens políticas.

E ele tem razão.

Porque isto não é um desvio do sistema israelense. É o sistema funcionando exatamente como foi concebido: ocupação, punição coletiva, propaganda e desumanização.

Talvez o mais perigoso não seja Ben Gvir. O mais perigoso é que, após meses de genocídio transmitido ao vivo, ainda existam governos europeus fingindo surpresa cada vez que o Estado sionista de Israel mostra ao mundo o que realmente é.

https://spanishrevolution.net/ben-gvir-convierte-el-secuestro-de-la-flotilla-en-un-espectaculo-de-humillacion-y-abre-una-grieta-en-israel

Declaração do  gov.br: https://www.brasil247.com/brasil/itamaraty-critica-tratamento-humilhante-e-pede-libertacao-imediata-de-brasileiros-presos-ilegalmente-por-israel

Trad/Edição: @comitecarioca21

Mural MST 

20 de mai. de 2026

DECLARAÇÃO DO COMITÊ CARIOCA DE SOLIDARIEDADE A CUBA

                           

  

      O Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba vem expressar sua mais profunda indignação pela tentativa insana do governo dos Estados Unidos em criminalizar o General Raul Castro, ícone da Revolução Cubana.

      Trata-se de mais uma calúnia contra um cidadão cubano e todos sabemos muito bem que a perseguição não tem limites. O governo estadunidense não possui legitimidade nem sequer competência para ajuizar qualquer ação contra cidadão de fora de seu país, e essa é uma simples base jurídica decorrente do mais básico direito Internacional. 

    Por que insistir, então, em uma ameaça inócua contra um prócer de outro país? A acusação que seria imputada ao General Raul Castro – a derrubada de aviões estadunidenses em espaço aéreo cubano – é de total conhecimento público e a partir deste fato se comprova a desonestidade do seu “acusador”. 

       É fato que o governo dos EUA se encontra cada vez mais isolado na comunidade internacional e os motivos estão muito claros. Desde a posse do atual governo e a partir do início daquele mandato, as ameaças e medidas contra Cuba têm sido constantes e absurdamente criminosas. Estamos assistindo uma guerra silenciosa contra todo o povo cubano, diariamente. Todos os obstáculos e asfixias praticados por aquele governo por meio do reforço de medidas coercitivas unilaterais, incluindo o bloqueio energético injusto e genocida e as ameaças de agressão armada estão aí. Publicamente.

    O Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba se une às demais declarações de apoio ao General Raul Castro Ruz prestando toda a nossa solidariedade irrestrita a este herói da Revolução Cubana que continua nos demonstrando que outro mundo é possível. E necessário.  HASTA LA VICTORIA! 

  Rio de Janeiro, 20 de maio de 2026



 El Comité Carioca de Solidaridad con Cuba desea expresar su más profunda indignación ante el intento descabellado del gobierno de los Estados Unidos de criminalizar al general Raúl Castro, ícono de la Revolución Cubana.

      Se trata de una calumnia más contra un ciudadano cubano y todos sabemos muy bien que la persecución no tiene límites. El gobierno estadounidense carece de legitimidad e incluso de competencia para entablar cualquier acción judicial contra un ciudadano de fuera de su país, y esta es una simple base jurídica derivada del derecho internacional más básico. 

    ¿Por qué insistir, entonces, en una amenaza inofensiva contra un líder de otro país? La acusación que se le imputaría al general Raúl Castro —el derribo de aviones estadounidenses en el espacio aéreo cubano— es de dominio público y, a partir de este hecho, queda demostrada la deshonestidad de su «acusador». 

       Es un hecho que el gobierno de EE. UU. se encuentra cada vez más aislado en la comunidad internacional y los motivos son muy claros. Desde la toma de posesión del actual gobierno y desde el inicio de ese mandato, las amenazas y medidas contra Cuba han sido constantes y absurdamente criminales. Estamos presenciando una guerra silenciosa contra todo el pueblo cubano, a diario. Todos los obstáculos y asfixias practicados por ese gobierno mediante el refuerzo de medidas coercitivas unilaterales, incluyendo el bloqueo energético injusto y genocida y las amenazas de agresión armada, están ahí. Públicamente.

    El Comité Carioca de Solidaridad con Cuba se une a las demás declaraciones de apoyo al General Raúl Castro Ruz, brindando toda nuestra solidaridad sin límites a este héroe de la Revolución Cubana que sigue demostrándonos que otro mundo es posible. Y necesario. ¡HASTA LA VICTORIA!

                                                      Río de Janeiro, 20 de mayo de 2026


18 de mai. de 2026

DECLARAÇÃO DA REDE DE INTELECTUAIS E ARTISTAS EM DEFESA DA HUMANIDADE

                                             

 Cuba continua de pé. Trabalha, cria e luta contra a ameaça do imperialismo

Declaração do capítulo cubano da Rede em Defesa da Humanidade

O imperialismo planeja friamente cada passo. Cada passo faz parte de sua obsessão histórica de se apoderar de Cuba.

Ao bloqueio histórico — o mais longo da história — acrescentou o bloqueio de combustíveis, sob chantagem e ameaças a quem tentar vender petróleo a Cuba. A isso, somou um conjunto de sanções entre 29 de janeiro e 7 de maio.

Nesse terreno de privações calculadas que chegam à asfixia, em meio a esforços titânicos do Governo Revolucionário de Cuba para instalar fontes de energia solar, chegou um navio em abril, enviado pela Rússia, que ajudou a amenizar a grave situação energética.

Não é por acaso que, com o esgotamento do combustível e diante da chegada do verão, o governo Trump jogou duas cartas: solicitar permissão para a visita do diretor da CIA e oferecer 100 milhões de dólares como ajuda humanitária.

Em meio a enormes pressões, impõe-se como mantra a frase do secretário de Estado Marco Rubio: “Cuba é um Estado falido”. Somada à crença de Trump: “Eles virão até nós”.

Marco Rubio tirou de seu baú de mentiras o alerta: “Bases da China e da Rússia instaladas em Cuba são uma ameaça para o Hemisfério Ocidental”.

Tudo isso é absolutamente falso, todos sabem disso: desde os congressistas que visitaram Cuba até a grande mídia.

Não é um diagnóstico, é o planejamento perverso de um império decadente que acredita estar diante de seu fruto maduro. Agora, começou a nova narrativa: “Drones cubanos seriam ativados”. Tentam preparar o golpe final.

Sua derrota no Irã, a proximidade das eleições de meio de mandato, a mobilização de mais de seis milhões de cubanos dispostos a defender sua soberania, não ter conseguido provocar uma revolta interna e constatar que o povo continua trabalhando e resistindo os deixou desesperados.

A minoria fascista anticubana ancorada na Flórida finalmente encontrou um governo sobre o qual se impor, pressionar e tentar subjugar, chantagem com seus votos. 

Eles querem uma vitória rápida. Querem reinstalar o cassino, as drogas e a prostituição. Querem o porto, as escolas, as propriedades nacionalizadas.

É a pressa do império quando sente que o tempo está se esgotando.

Um bloqueio feroz de mais de seis décadas não serviu para que compreendessem o custo de sua política punitiva e fracassada. Eles não entendem com que povo estão lidando.

Este é o mesmo povo e o mesmo Exército Rebelde que, após anos de luta internacionalista na África, sentou-se à mesa de negociações onde o imperialismo tentou arrancar-lhe a certeza de se cruzaria ou não a fronteira da Namíbia. E o líder cubano respondeu: “Nós nem podemos dizer que o faremos nem que não o faremos”.

Nunca saberão da nossa decisão silenciosa. 

Nunca conhecerão os sacrifícios que estamos dispostos a fazer.

Esse internacionalismo herdado de Fidel e Raúl não ampliou nossas fronteiras geográficas, nem trouxe ouro e prata; apenas trouxe para o nosso solo os mortos que entregamos. Mas ampliou para sempre nossas fronteiras políticas, de solidariedade e respeito sem igual.

E esse é o fato que o império, em seu desespero, não consegue compreender: que uma invasão a Cuba não será apenas contra Cuba. Será contra todos os povos do mundo que começam a se mobilizar e se alistar, como fizeram em Girón para defender Cuba diante da agressão.

 A resistência não terá uma única trincheira: ela se multiplicará em cada espaço da Nossa América e além.

Cuba conhece o roteiro porque o sofreu por mais de sessenta anos. Sabe que por trás de cada acusação há um plano de dominação, por trás de cada “ameaça” inventada há uma frota pronta para zarpar, e por trás de cada “nação falida” está a ganância de quem sonha em repartir seus despojos.

 Mas este povo não é novato na resistência. Vem de muito longe e lembra de onde parte sua primeira missão.

Quando na Sierra Maestra os foguetes estadunidenses caíram sobre a casa do humilde camponês Mario Sariol, Fidel proferiu as palavras que hoje ressoam com idêntica atualidade: " “Ao ver os foguetes que lançaram na casa de Mario, jurei a mim mesmo que os americanos vão pagar caro pelo que estão fazendo'".

Quando esta guerra acabar, começará para mim uma guerra muito mais longa e grande: a guerra que vou travar contra eles. Percebo que esse será o meu verdadeiro destino”.

Aquela certeza não foi um slogan de emergência, foi a bússola fundacional da Revolução. E é essa bússola que continua nos guiando. Eles querem nosso colapso. Querem nossa humilhação. Eles se enganam de povo. Eles se enganam de história.

 Só saberão, quando tentarem o golpe final, que Cuba continua de pé, agarrada à sua primeira missão, que é também sua última trincheira: lutar contra o imperialismo.

Hasta la victoria, siempre ! 

Havana, 18 de maio de 2026

                           

RESUMINHO DAS DUAS VISITAS ESTADUNIDENSES DESTA SEMANA

                                                                              Por Patricio Montesinos

Dois eventos significativos e históricos ocorreram no mundo nos últimos dias: o encontro em Pequim entre o presidente da China, Xi Jinping, e seu homólogo americano, Donald Trump, e uma reunião em Havana entre o chefe da Agência Central de Inteligência (CIA), John Raccliffe, e altos funcionários do Ministério do Interior cubano. 

Ambos os eventos atraíram a atenção de diversos veículos de comunicação, grandes conglomerados de mídia e especialistas e analistas políticos, enquanto as redes sociais foram inundadas com opiniões de todos os tipos.   

Os representantes dos EUA, Trump e Raccliffe, viajaram curiosamente para dois países comunistas que Washington sempre considerou seus adversários, o que são claramente eventos de grande importância.   

O atual ocupante da Casa Branca fez sua primeira visita de Estado ao gigante asiático em busca de apoio para ajudar os EUA a saírem do atoleiro em que se encontram devido à sua acentuada hostilidade e ao seu crescente isolamento global.

Naturalmente, seus anfitriões, liderados pelo presidente Xi, estabeleceram limites claros para o ocupante do Salão Oval e sua delegação, embora o tenham feito com elegância e a alta diplomacia característica da China.

Apesar das especulações da imprensa e de vários especialistas, pouco foi revelado sobre os resultados dessa visita; no entanto, ficou claro que Washington não tem outra opção senão se comportar de maneira apropriada em relação à nação que atualmente é a mais poderosa economicamente do planeta.

Quase simultaneamente, todos ficaram surpresos com a chegada a Havana, pela primeira vez, de um chefe da CIA, num momento em que os EUA ameaçam um possível ataque militar à ilha caribenha e intensificam o bloqueio que impõem há quase sete décadas.

Inimigos ferrenhos repetem como papagaios que a viagem de Raccliffe é o golpe final para destronar o governo da maior das Antilhas e pôr fim à sua Revolução, iniciada em 1º de janeiro de 1959.

Mas, mais uma vez, e fazendo comparações irrelevantes, omitem intencionalmente que os cubanos lutam contra a CIA e suas ações hostis desde o início do seu processo revolucionário.

Eles também ignoram o fato de que Cuba já enganou e derrotou a principal agência de inteligência dos EUA em inúmeras ocasiões, e Washington sabe disso muito bem. 

O próprio secretário de Estado Marco Rubio, profundamente anticubano e descrito por alguns como um linha-dura de Trump, teve que reconhecer que os serviços secretos do arquipélago mais antigo do Caribe estão entre os mais fortes do mundo.

Nos recentes encontros em Pequim e Havana, as autoridades do gigante asiático e da ilha caribenha deixaram claro aos seus convidados que continuarão a defender o diálogo, a colaboração e a paz, mas que, ao mesmo tempo, estão preparadas, juntamente com seus povos, para enfrentar qualquer alegada agressão.       

   16 de maio de 2026              

    https://europaporcuba.blogspot.com/2026/05/china-sento-trump-en-beijing-y-cuba-al.html




15 de mai. de 2026

MAIS UM DIA EM MARICÁ, ESSA CIDADE TÃO ESPECIAL .💘

Dia 8 de maio de 2026 partimos para Maricá. 

  Desta vez o Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba convidou o Dr. Leandro Bertoldi, médico da Bahia e graduado na Escola Latinoamericana de Medicina (ELAM) localizada em Cuba, a conhecer Maricá. Ele já havia ouvido falar da cidade e tinha muita curiosidade em conhecer um município que conta com transporte tarifa zero (ônibus, vans), bicicletas da prefeitura (ou seja, sem publicidade de empresa), e  um hospítal de referência para a populaçao de nome Dr. Ernesto Che Guevara. 

    Além disso, um lindo cinema também gratuito (Cine Henfil), moeda própria (mumbuca), um grupo do MST alfabetizando moradores locais (Sim, Eu Posso), além do investimento em plantações orgânicas.

   Começamos a visita pela cooperativa COOPERAR que conta com um banco de sementes crioulas e uma horta agroecológica que serve gratutamente à população local. Nesse ponto agradecemos à companheira Andrea Maas que nos levou ao local das sementes crioulas e em seguida à Horta Agroecológica em outro local. O Sr. José Rosa, responsável pela conservação do local nos deu uma verdadeira aula sobre as semeaduras, a variedade impressionante de plantações, suas propriedades medicinais e compostagem.       

A Horta Agroecológica 
sementes crioulas

                  


compostagem 

       


                          


Em seguida, Andrea Maas nos levou ao Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara onde já tínhamos agendado a visita. Ali fomos recebidos pela diretora do hospital, Dra. Ana Paula Silva que nos guiou a conhecer todo o imenso hospital, inaugurado há seis anos (mais informações aqui:https://shre.ink/7Wrx). Ali nos juntamos ao também querido companheiro Carlos Alves, morador de Maricá, sempre muito presente e nossa referência local. Em 2024 estivemos juntos presenteando o hospital com uma quadro de Ernesto Guevara para o hospital. E não é que o quadro está bem localizado ? Na recepção do hospital. Combinamos de levar mais um quadro do Che na próxima visita.

Dr Leandro Bertoldi com Dra Ana Paula Silva 

                      O hospital é realmente impressionante pelo tamanho e organização.  Além disso, uma ala está sendo construída para hemodiálise - muito importante, porque sem isso os pacientes locais tinham que fazê-la em Niterói.... O Hospital recebeu da população usuária nota 92. Os funcionários percebe-se  que trabalham com muita atenção, cuidado e boa vontade.

                             

           
O quadro doado pelo Comitê em 2024
                                                                           

                                                                                           

De se ressaltar a ala pediátrica toda decorada com pinturas de Ches Guevaras (os "Chezinhos").     

                                

                            

                                                              

   Próximo local fomos ao encontro agendado com o Secretário de Cultura e das Utopias da cidade com quem o Comitê está organizando realizar evento em homenagem ao Centenário do Comandante em Chefe Fidel Castro. Mais uma vez o Comitê elege Maricá como sede de atividades. Mais à frente informaremos os detalhes.   Uma reunião muito produtiva e agradável com o secretário Sady Bianchin, Carmen Diniz do Comitê, Carlos Alves e Dr. Leandro Bertoldi. 


                                                   

   Em seguida visitamos a sede do método de alfabetização cubano "Sim, Eu Posso"  aplicado por uma brigada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Tera (MST) no município. Ali fomos recebidos pela querida Estrela, responsável pelo local que nos explicou o método, como é concretizado e como a brigada consegue aplicá-lo em locais diferentes: onde está a população a ser alfabetizada. Quintais, casa de alguém, bares, salões de igrejas, etc onde se possa durante 4 meses alfabetizar um adulto. Já são mais de 1400 pessoas alfabetizadas na região em pouco mais de 3 anos. 

                                         

                                                             

(Mais aqui: https://www.youtube.com/watch?v=1T2eJBPhFfc&t=37s )

   Maricá é um exemplo de município que atende e assiste sua população. Ali o Comitê fez questão de estrear o filme cubano "Onde estão os Girassóis"  em 2024 ( https://solidariedadecubarj.blogspot.com/search?q=Maric%C3%A1e é em Maricá, sem dúvida, que vamos comemorar os #100AnosDeFidel este ano.  

Como ninguém é de ferro, voltamos para o centro da cidade de tarifa zero, em um dos ônibus "vermelhinhos" como são chamados. 
   

 No centro ainda vimos bicicletinhas "kids" estacionadas. As crianças também têm direitos.

estacionamento "kids"