2 de fev. de 2026

DECLARAÇÃO FINAL DO IV ENCONTRO INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE COM CUBA. (port/esp) VENHA SE SOMAR !

                                     

Desde Sevilha, cidade de vocação universal, reunimo-nos organizações, movimentos e povos no IV Encontro de Solidariedade com Cuba, convocado pela Europa por Cuba, para dizer o que outros silenciam e para nomear o que se pretende ocultar.

Fizemos isso no ano do centenário de Fidel Castro Ruz, símbolo vivo da dignidade indomável, e no 173º aniversário do nascimento de José Martí, herói nacional e apóstolo da independência de Cuba, cujas palavras continuam sendo guia e luz para os povos que não se resignam. Neles, a quem prestamos homenagem perpétua, reconhecemos a continuidade de uma mesma luta: a da soberania, da justiça e da emancipação.

A guerra e a pilhagem são legalizadas e o crime se disfarça de ordem internacional. Diante desse mundo inseguro e agressivo, reafirmamos nossa profunda e militante irmandade com Cuba e com a Venezuela, povos que resistem ao castigo imperial pelo simples fato de terem escolhido seu próprio caminho.

Denunciamos o bloqueio criminoso contra Cuba, uma política de asfixia prolongada que constitui um ato de guerra e um crime contra a humanidade. Rejeitamos a mentira transformada em norma, a hipocrisia que pretende chamar de democracia o cerco e a fome induzida.

Exigimos a retirada imediata e incondicional de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo, uma infâmia que busca isolar, intimidar e justificar novas agressões. Nos pronunciamos firmemente contra as ameaças de bloqueio naval, as provocações militares e qualquer forma de intervenção no Caribe, porque os povos da região proclamaram seu direito de viver em paz.

Apelamos também o humanismo da velha Europa, berço dos direitos proclamados e das lutas populares que hoje não podem ser traídos sem desonra. Denunciamos que, enquanto os povos europeus enfrentam suas próprias crises, o Parlamento Europeu tenta, de forma irracional e servil, eliminar o Acordo de Diálogo Político e Cooperação com Cuba, com o objetivo de privá-la de suprimentos, cooperação e recursos que são indispensáveis para a sobrevivência de seu povo. Não é o diálogo que se busca, mas o castigo; não são os direitos humanos que se defendem, mas o alinhamento com a política de asfixia. A Europa não pode se tornar cúmplice do bloqueio nem instrumento de uma guerra econômica que nega os valores de humanidade, solidariedade e justiça que diz representar.

A partir deste encontro, como nos anteriores, levantamos também a nossa voz em solidariedade com o povo palestino, que resiste ao genocídio e à ocupação; com o povo saharaui, a quem continua a ser negado o seu direito inalienável à autodeterminação; e também com o povo dos Estados Unidos, vítima de um sistema que não governa para os povos, mas contra eles.

Reivindicamos a unidade como princípio e como prática. Unidade dos povos contra o imperialismo, contra sua face mais crua, que é o fascismo. Unidade das lutas contra o colonialismo, o racismo e a guerra. Unidade consciente, organizada e solidária, porque só ela transforma a resistência em vitória. Para isso, declaramos aqui nossas resoluções:

- Continuar ativos no campo de batalha que são os meios de comunicação alternativos, as redes sociais digitais e estar muito atentos aos acontecimentos no Caribe e às ameaças sobre Cuba. Para isso, convocamos em breve uma maratona midiática no final de abril.

- Fortalecer a unidade com todos os setores que defendem a revolução cubana: partidos, sindicatos, organizações de massa, associações de cubanos e solidários para criar uma grande frente contra o imperialismo e em apoio às conquistas da revolução cubana.

- Assinar um comunicado de apoio à Venezuela, condenando a agressão à revolução bolivariana. Travar a batalha em 8 de março e além, se assim o exigir o presente, para conseguir o retorno de Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores.

- Continuar nossas ações e fortalecer nosso compromisso não apenas com Cuba e Venezuela, mas também com os irmãos palestinos e o povo saharaui e com todos os povos do mundo que lutam contra o imperialismo.

- Realizar atividades de reafirmação revolucionária e de defesa de Cuba no espaço público, sem esquecer os muros, as ruas e os meios tradicionais de agitação e propaganda.

Ressaltamos a importância de fortalecer a consciência política de que a derrota do imperialismo é possível.

De Sevilha, afirmamos em alto e bom som que Cuba não está sozinha. Que a América Latina é uma zona de paz, mas também de combate, como Aleida enfatizou, quando necessário.

Cuba nunca estará sozinha enquanto existir dignidade e amor pela justiça.

Enquanto existirem agressões e ameaças intervencionistas, haverá solidariedade.

Assinam esta declaração as organizações, coletivos e pessoas participantes do IV Encontro de Solidariedade com Cuba, convencidos de que a história não é escrita pelos impérios, mas pelos povos que resistem.

31 de janeiro de 2026

Qualquer pessoa que ame Cuba e sua dignidade também pode aderir a esta Declaração. Envie seu nome e, se for o caso, sua organização ou associação para europaporcuba@gmail.com

                     



En español : 

Declaración final del IV Encuentro Internacional de Solidaridad con Cuba.
Desde Sevilla, ciudad de vocación universal, nos reunimos organizaciones, movimientos y pueblos en el IV Encuentro de Solidaridad con Cuba, convocados por Europa por Cuba, para decir lo que otros callan y para nombrar lo se pretende ocultar.
Lo hemos hecho en el año del centenario de Fidel Castro Ruz, símbolo vivo de la dignidad indoblegable, y en el 173 aniversario del natalicio de José Martí, Héroe Nacional y apóstol de la independencia de Cuba, cuya palabra sigue siendo guía y luz para los pueblos que no se resignan. En ellos, a quienes rendimos homenaje perpetuo, reconocemos la continuidad de una misma lucha: la de la soberanía, la justicia y la emancipación.
La guerra y el saqueo se legalizan y el crimen se disfraza de orden internacional. Frente a ese mundo inseguro y agresivo, reafirmamos nuestra hermandad profunda y militante con Cuba y con Venezuela, pueblos que resisten el castigo imperial por el solo hecho de haber elegido su propio camino.
Denunciamos el bloqueo criminal contra Cuba, una política de asfixia prolongada que constituye un acto de guerra y un crimen contra la Humanidad. Rechazamos la mentira convertida en norma, la hipocresía que pretende llamar democracia al asedio y al hambre inducida.
Exigimos la retirada inmediata e incondicional de Cuba de la lista de países patrocinadores del terrorismo, una infamia que busca aislar, intimidar y justificar nuevas agresiones. Nos pronunciamos con firmeza contra las amenazas de bloqueo naval, las provocaciones militares y cualquier forma de intervención en el Caribe, porque los pueblos de la región han proclamado su derecho a vivir en paz.
Apelamos también al humanismo de la vieja Europa, cuna de derechos proclamados y de luchas populares que hoy no pueden ser traicionadas sin deshonra. Denunciamos que, mientras los pueblos europeos enfrentan sus propias crisis, desde el Parlamento Europeo se intente de manera irracional y servil eliminar el Acuerdo de Diálogo Político y Cooperación con Cuba, con el objetivo de privarla de suministros, cooperación y recursos que son indispensables para la supervivencia de su pueblo. No es diálogo lo que se persigue, sino castigo; no son derechos humanos lo que se defiende, sino alineamiento con la política de asfixia. Europa no puede convertirse en cómplice del bloqueo ni en instrumento de una guerra económica que niega los valores de humanidad, solidaridad y justicia que dice representar.
Desde este encuentro como en los anteriores levantamos también nuestra voz en solidaridad con el pueblo palestino, que resiste el genocidio y la ocupación; con el pueblo saharaui, al que se le sigue negando su derecho inalienable a la autodeterminación; y también con el pueblo de los Estados Unidos, víctima de un sistema que no gobierna para los pueblos, sino contra ellos.
Reivindicamos la unidad como principio y como práctica. Unidad de los pueblos frente al imperialismo, contra su cara más descarnada que es el fascismo. Unidad de las luchas frente al colonialismo, el racismo y la guerra. Unidad consciente, organizada y solidaria, porque solo ella convierte la resistencia en victoria. Para ello decimos aquí nuestras resoluciones:
- Seguir activos en el campo de batalla que son los medios de comunicación alternativos, las redes sociodigitales y estar muy atentos a los hechos en el Caribe y las amenazas sobre Cuba. Para ello, convocamos próximamente a un Maratón mediático a finales de abril.
- Potenciar la unidad con todos los sectores que defienden la revolución cubana: partidos, sindicatos, organizaciones de masa, asociaciones de cubanos y solidarios para crear un gran frente contra el imperialismo y en apoyo a las conquistas de la revolución cubana.
- Firmar un comunicado de apoyo a Venezuela, condenando la agresión a la revolución bolivariana. Dar la batalla el 8 de marzo y más allá si así lo impone el presente para lograr el retorno de Nicolás Maduro y su esposa Cilia Flores.
- Continuar nuestras acciones y afianzar nuestro compromiso no solo con Cuba y Venezuela sino también con los hermanos palestinos y el pueblo saharahui y con todos los pueblos del mundo que luchan contra el imperialismo.
- Realizar actividades de reafirmación revolucionaria y de defensa de Cuba en el espacio público sin olvidar los muros, las calles ni los medios tradicionales de agitación y propaganda.
Subrayamos la importancia de potenciar la conciencia política de que la derrota del imperialismo, es posible.
Desde Sevilla decimos alto y claro que Cuba no está sola. Que América Latina es una zona de paz pero también de combate, como subrayaba Aleida, cuando sea necesario.
Cuba no estará nunca sola mientras exista la dignidad y el amor por la justicia.
Mientras existan las agresiones y amenazas injerencistas, habrá solidaridad.
Firman esta declaración las organizaciones, colectivos y personas participantes en el IV Encuentro de Solidaridad con Cuba, convencidas de que la Historia no la escriben los imperios, sino los pueblos que resisten.
enero 31, 2026
Puede adherir además a esta Declaración toda persona que ame a Cuba y a su dignidad. Envíe su nombre y dado el caso su organización u asociación a europaporcuba@gmail.com



Trad/ed: @comitecarioca21

ENTREVISTA AP: CUBA NÃO MANTÉM DIÁLOGO COM EUA APÓS ÚLTIMAS AMEAÇAS DE TRUMP

                               

HAVANA (AP)   Cuba não mantém diálogo com os Estados Unidos devido às tensões causadas após o presidente Donald Trump ter aumentado drasticamente as sanções contra a nação caribenha na semana passada, afirmou na segunda-feira um alto funcionário da Ilha.

 As trocas de mensagens e as conversas são as habituais (principalmente sobre migração e drogas) no âmbito das relações diplomáticas bilaterais, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, em entrevista à Associated Press.

 “Se me perguntam se hoje temos uma mesa de diálogo (com os Estados Unidos), não temos”, afirmou enfaticamente Fernández de Cossío, embora tenha reiterado que estão dispostos a “manter esse diálogo informal com os Estados Unidos” para discutir “as diferenças”, respeitando o modelo político da Ilha.

 Trump assinou na semana passada uma ordem executiva pela qual ameaçou impor tarifas sobre os bens dos países que ousassem vender ou entregar petróleo a Cuba, uma reviravolta nas sanções contra Cuba impostas há mais de seis décadas para pressionar por uma mudança no país.

 No fim de semana, Trump também disse que os Estados Unidos já haviam iniciado uma conversa com os líderes cubanos enquanto seu governo tenta cortar o fornecimento de petróleo proveniente da Venezuela e do México. O presidente sugeriu que isso forçaria Cuba a sentar-se à mesa de negociações.

Quando questionado sobre quanto tempo Cuba poderá suportar as condições atuais, dada a grave crise econômica que a ilha já vive nos últimos anos, com severos apagões e escassez, Fernández de Cossío afirmou que não poderia revelar “nenhuma via” que a ilha tenha para garantir o fornecimento de petróleo.

 “Cuba, é claro, está se preparando com criatividade, estoicismo e austeridade”, disse ele.

 A Ilha produz apenas 40% do petróleo de que necessita para sua economia e, até o início de janeiro, dependia das importações da Venezuela, México e Rússia. A intensidade das sanções causou 7,556 bilhões de dólares em perdas para o ciclo entre março de 2024 e fevereiro de 2025, 49% a mais em relação ao mesmo período anterior, segundo as autoridades.

Nos últimos seis anos, a nação caribenha perdeu 15% de seu Produto Interno Bruto, o que resultou também em uma forte migração.

 Após assinar a ordem para impor tarifas, Trump disse que Cuba era uma nação “falida” e que não sobreviveria sem o apoio da Venezuela, sua grande aliada nas últimas décadas, após o ataque americano que capturou o então presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. O líder republicano instou a Ilha a negociar com os Estados Unidos antes que fosse tarde demais.

Havana,  2 de fevereiro de 2026  

A correspondente Dánica Coto contribuiu com esta reportagem.

Trad/ed: Comitê Carioca 

SOBRE O ENCONTRO DE SOLIDARIEDADE A CUBA EM SEVILHA E A PARTICIPAÇÃO DO COMITÊ CARIOCA.

                           

O IV ENCONTRO INTERNACIONAL EUROPA POR CUBA/ EXPRESSÕES DE SOLIDARIEDADE COM A REVOLUÇÃO CUBANA E REPÚDIO AO IMPERIALISMO EM SEVILHA  

Com a presença de Aleida Guevara, médica e filha do Comandante Heroico, e da Cônsul da República Bolivariana da Venezuela, entre outros convidados ilustres, teve início em Sevilha, Andaluzia, o 4º Encontro Internacional da Europa por Cuba nos sias 30 e 31 de janeiro de 2026, organizado pelo canal homônimo. Nessa ocasião, a vil agressão de Donald Trump contra Cuba, intensificando o bloqueio para sufocar economicamente a Revolução, e a recente escalada contra a Venezuela, incluindo o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, bem como o bombardeio daquele país, serviram de pano de fundo para fortes condenações ao imperialismo ocidental durante o Encontro.

O evento ocorreu no salão principal de um centro cultural da Câmara Municipal de Sevilha, bem no centro da cidade andaluza, e tanto a sessão da manhã quanto a da tarde contaram com a presença de um grande público e de delegados de diversos países europeus que apoiam ativamente Cuba.

O encontro foi inaugurado com palavras de boas-vindas de José Antonio Toledo, diretor do canal Europa para Cuba, que falou não apenas sobre a oportunidade de realizar o encontro em um momento crítico da política imperialista de agressão contra a Cuba socialista, mas também sobre a importância de fortalecer a solidariedade com a ilha. Em seguida, foi executado o hino nacional cubano e uma mensagem de Havana foi transmitida por Mariela Castro, Diretora do CENESEX.

A lista de oradores foi aberta em grande estilo por Aleida Guevara, que, recordando várias frases proferidas por seu pai, Che Guevara, em diferentes ocasiões, enfatizou a importância da solidariedade internacionalista com Cuba, Palestina e todos os países que lutam contra o imperialismo.

Em seguida, Carlos Aznárez, diretor do Resumen Latinoamericano, foi chamado a discursar. Após solicitar um minuto de aplausos em homenagem aos 32 heróis cubanos e aos militares e civis venezuelanos mortos em combate e brutalmente assassinados pelas tropas americanas de Donald Trump, ele elogiou o papel que Cuba sempre desempenhou no apoio aos que lutam. Também se referiu à necessidade de apoiar o povo venezuelano e a liderança revolucionária em seus esforços para garantir o retorno do legítimo presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, prisioneiros de guerra nos Estados Unidos.

                            

Pela manhã, no Centro Cultural da Câmara Municipal de Sevilha, onde decorreram os dois dias do Encontro Europa por Cuba, ouviram-se a representante do Brasil, Carmen Diniz, em nome do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba, o líder andaluz dos Trabalhadores Rurais, Oscar Reina, o representante da Nação Andaluza, Carlos Ríos, a diplomata bolivariana Glenna Cabello e outros delegados de países europeus.

Um trecho do documentário "Mulheres Cubanas, Guardiãs da Revolução", dirigido por María Torrellas, da Resumen Latinoamericano, também foi exibido. Ela explicou que, assim como no filme anterior sobre as mulheres de Cuba, "desta vez, ampliamos o foco para outros aspectos fundamentais da luta dessas heroínas, que buscamos homenagear, as guerreiras históricas e aquelas que hoje, diariamente, lutam contra o bloqueio criminoso".

Ao comentar o que viu no filme, Aleida Guevara lembrou o papel fundamental desempenhado por Haydée Santamaría, combatente do ataque de Moncada, cujo irmão Abel foi assassinado, e fundadora da Casa de las Américas, de onde reuniu os melhores intelectuais latino-americanos e internacionais.

   Ao longo do dia, discursaram também as seguintes personalidades: a escritora de Cádiz, Concepción Cruz Rojo; os líderes do Comitê Central do Partido Comunista dos Povos da Espanha, Teresa Pantoja e Víctor Manuel Lucas Ranz; o ex-secretário-geral da União Andaluza de Trabalhadores Rurais e porta-voz nacional da União Andaluza de Trabalhadores, Diego Cañamero; o jornalista Pascual Serrano; uma delegada da França; e a Ministra da Cooperação da República Árabe Saharaui, Fatma El Mehdi.

Durante a tarde, foram ouvidos relatos de delegados solidários a Cuba da Irlanda, Portugal, Eslovênia, Suíça e Rússia. Entre os presentes, estavam também representantes de Madri, Holanda, Sérvia, Senegal, País Basco, Noruega, Alemanha e América Latina, incluindo representantes do México, Colômbia, Argentina e Brasil.

O primeiro dia do Encontro terminou com um discurso comovente de Aleidita Guevara, que começou recitando um belo poema de José Martí. Em seguida, expressou sua gratidão por tudo o que a solidariedade internacionalista fez e continua a fazer por Cuba. Com exemplos reveladores, ela se referiu ao impacto de seis décadas de bloqueio criminoso contra Cuba, à falta de medicamentos em certas circunstâncias que levam à perda de vidas, inclusive de crianças, à escassez de itens essenciais para o dia a dia e a outras consequências. Ela concluiu defendendo a Venezuela e o povo palestino, e afirmando que Cuba se mantém firme na defesa de sua Revolução contra os constantes ataques do imperialismo.

O Encontro Internacional Europa por Cuba terminou no cenário solene da cidade combativa de Marinaleda. Entre os oradores estavam Aleida Guevara, Glenna Cabello e representantes da Palestina e da Frente Polisário.

A cidade andaluza de Marinaleda proporcionou um cenário apropriado para o encerramento do Encontro Internacional Europa por Cuba. O grande anfiteatro da cidade estava lotado e adornado com as bandeiras de Cuba, Venezuela, Palestina, República Árabe Saharaui Democrática e, claro, da Andaluzia. Cartazes com as imagens do presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores também eram visíveis, exigindo seu retorno à Venezuela, de onde foram sequestrados por forças militares criminosas dos EUA agindo sob ordens de Trump e Marco Rubio. 

Homenagem a José Martí

                      

Neste domingo, um grupo de delegados do Encontro depositou uma oferenda floral no monumento a José Martí, na Plaza Cuba, em Sevilha, e, além de ouvir um representante dos residentes cubanos na Catalunha, que relatou os valores do Apóstolo da liberdade e inspiração da luta revolucionária cubana, foram lidas as conclusões finais do Encontro.

 

Um pequeno grupo de "vermes" contrarrevolucionários tentou atacar Aleida Guevara em Sevilha.

                

Ao sair da conferência Europa por Cuba, que lotou Sevilha e Marinaleda no último fim de semana, a filha do Comandante Heroico foi violentamente atacada por um casal de “cubanos” contrarrevolucionários que tentaram abordá-la gritando que ela era “filha de um assassino”. A ativista revolucionária respondeu sem levantar a voz que isso não era verdade, enquanto seus companheiros se colocavam na frente dos agressores para proteger a combatente cubana. (Vídeo e fotos dos agressores aqui:  https://www.resumenlatinoamericano.org/2026/02/01/andalucia-un-pequeno-grupo-de-gusanos-intentan-agredir-a-aleida-guevara-en-sevilla/)

Em determinado momento, a mulher, posteriormente identificada como Leslya López Torres, tentou avançar em direção a Aleida, gritando furiosamente. Enquanto filmava a cena com um celular em uma das mãos, carregava um spray de pimenta na outra, que disparou contra os olhos de Teresa Pantoja, uma ativista que se colocou entre o grupo e Aleida. O grupo de apoiadores da Revolução Cubana conseguiu expulsar as agressoras, enquanto a ativista atingida pelo spray foi atendida por um médico que passava pelo local.

Como era de se esperar, o vídeo gravado pelos "vermes" rapidamente circulou nas redes sociais e em alguns veículos de comunicação contrarrevolucionários, que celebraram o "feito" do grupo violento. Essa ação é absolutamente ilegal e proibida, pois envolve o uso de um gás que causa danos graves aos olhos de qualquer pessoa exposta a curta distância.

Juntamente com uma declaração da embaixada cubana deplorando os acontecimentos, foi divulgada também uma declaração do Encontro Europa por Cuba, repudiando "a atitude reiterada daqueles que, encorajados pelas políticas imperialistas de Trump e seus cúmplices, tentam denegrir, quase sempre com violência, uma Revolução do Povo e para o Povo, que continua a iluminar milhões de nós em todo o mundo". A declaração, em nome dos delegados de 23 países que participaram do evento, elogia o exemplo de ativismo revolucionário personificado pela companheira Aleida Guevara, digna herdeira do pensamento e das ações de seu pai. Além disso, a ativista atacada afirmou que registraria uma queixa sobre o incidente, pois sua visão foi seriamente afetada. Essa queixa deve ser levada a sério, visto que os vídeos mostram claramente os rostos dos supostos agressores, identificados por suas aparências sem disfarce nas redes sociais, onde se vangloriavam do crime. O nome do homem é Brian José Infante Machin e o da mulher é Leslya López Torres. Como é comum nesses casos, ambos provavelmente já receberam o pagamento mercenário pelo ataque.

 

TODAS  as fotos e vídeos e a base dos textos do Encontro, aqui no Resumen Latino-americano :

https://www.resumenlatinoamericano.org/2026/01/30/andalucia-quedo-inaugurado-en-sevilla-el-iv-encuentro-internacional-europa-por-cuba-expresiones-de-solidaridad-con-la-revolucion-cubana-y-de-repudio-al-imperialismo/

https://www.resumenlatinoamericano.org/2026/02/01/andalucia-culmino-el-encuentro-internacional-europa-por-cuba-en-el-digno-marco-de-la-combativa-localidad-de-marinaleda-hablaron-aleida-guevara-glenna-cabello-y-representantes-de-palestina-y-el-fr

Traduções: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba(@comitecarioca21)

NT: Algumas anotações sobre o Encontro em Sevilha: (e a participação brasileira)

    Carmen Diniz, coordenadora do Comitê Carioca e militante do MST, convidada pelos organizadores do Encontro, em sua participação no evento elencou as campanhas e brigadas que no Brasil têm sido realizadas em solidariedade a Cuba e agradeceu a imensa solidariedade incomparável da Ilha pelo mundo e, especificamente com o Brasil, ressaltando e agradecendo publicamente:

  - A grande contribuição de Cuba em acolher dezenas de jovens indicados pelo MST e outras organizações populares para se graduarem na Ilha;

 - Pelo método de alfabetização cubano “Sim, Eu Posso” com o qual o MST já alfabetizou mais de 100 mil adultos no país;

- Pelo Programa mais Médicos (PMM) que atendeu milhares de pessoas no país, algumas que nunca em suas vidas haviam sido atendidas por um médico...

Como proposta objetiva para divulgar a realidade de Cuba, distribuiu entre os presentes um tipo de panfleto usado no país e muito didático, que explica a questão do bloqueio a Cuba de forma simples. Basta a tradução para o idioma requerido e a reprodução é "copyleft".                                                      

Da mesma forma distribuiu entre as pessoas o adesivo do grupo carioca Julho Negro de defesa de favelas e da Palestina. O adesivo serve para ser colado em metrô, ônibus, muros e paredes e ressalta que "Verifique se você é humano, defenda a Palestina". 

Por fim, o agradecimento pelo oxigênio que a Venezuela enviou a Manaus na crise da Covid em um triste período do Brasil com um governo brasileiro à época contrário à Revolução Bolivariana . Venezuela salvou muitas vidas de brasileiros e brasileiras. Jamais esqueceremos.                        

                                
Com essa declaração emotiva de agradecimento, a representante venezuelana, Glenna Cabello, cônsul da Venezuela em Bilbao foi presenteada  com um boné do MST, que a emocionou bastante e que com ele seguiu se apresentando. 
 

Glenna Cabello, diplomata bolivariana. 

VENCEREMOS ! 

 

29 de jan. de 2026

EM 29 DE JANEIRO DE 2014 FOI ASSINADA A DECLARAÇÃO DA II CÚPULA DA CELAC . AQUI O TEXTO COMPLETO. NO ITEM 53 (GRIFAMOS): AMÉRICA LATINA E CARIBE ZONA DE PAZ.

                             

II Cúpula da CELAC – Declaração de Havana – 29 de janeiro de 2014

    Os Chefes de Estado e de Governo da América Latina e do Caribe, reunidos em Havana, Cuba, por ocasião da II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), realizada nos dias 28 e 29 de janeiro de 2014,

  Reafirmando a vigência do acervo histórico da Comunidade, integrado, por sua vez, pelo acervo histórico do Grupo do Rio e da Cúpula da América Latina e do Caribe sobre desenvolvimento e integração e pelas Declarações, Comunicados Especiais e decisões aprovadas na I Cúpula da CELAC, realizada em Santiago do Chile, nos dias 27 e 28 de janeiro de 2013; na Cúpula Fundacional de Caracas, em 3 de dezembro de 2011; na Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe, realizada na Riviera Maya, Cancún, México, em 23 de fevereiro de 2010; nas Cúpulas da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento, iniciadas em Salvador da Bahia, Brasil, nos dias 16 e 17 de dezembro de 2008; e no processo de convergência que deu origem à CELAC.

   Destacando que, dois anos após o início das atividades da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, conseguimos construir um espaço de diálogo e concertação política que nos une e torna possível a aspiração de trabalhar juntos pelo bem-estar de nossos povos; o que permite, por sua vez, uma melhor inserção e projeção de nossa região no âmbito internacional.

  Ratificando hoje nossa vontade irrevogável de fortalecer este espaço de diálogo político efetivo. Fomos, somos e seremos diversos, e é a partir dessa diversidade que temos que identificar os desafios e objetivos comuns e os pontos de convergência que nos permitirão avançar no processo de integração de nossa região. Fortaleçamos nossas democracias e todos os direitos humanos para todos; ofereçamos maiores oportunidades ao nosso povo; construamos sociedades mais inclusivas; melhoremos nossa produtividade; estreitemos nosso comércio; melhoremos nossa infraestrutura e conectividade e as redes necessárias que unem cada vez mais nossos povos; trabalhemos pelo desenvolvimento sustentável, pela superação das desigualdades e por uma distribuição mais equitativa da riqueza, para que todos sintam que a democracia dá sentido às suas vidas. Essa é a missão da CELAC, essa é a tarefa para a qual fomos convocados e essa é a responsabilidade política que temos pela frente e pela qual devemos prestar contas aos nossos povos.

1. Reiteramos que a unidade e a integração de nossa região devem ser construídas gradualmente, com flexibilidade, com respeito ao pluralismo, à diversidade e ao direito soberano de cada um de nossos povos de escolher sua forma de organização política e econômica. Reiteramos que nossa Comunidade se baseia no respeito irrestrito aos Propósitos e Princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional, na solução pacífica de controvérsias, na proibição do uso e da ameaça do uso da força, no respeito à autodeterminação, à soberania, à integridade territorial, à não ingerência nos assuntos internos de cada país, a proteção e promoção de todos os direitos humanos, o Estado de Direito nos planos nacional e internacional, o fomento da participação cidadã e da democracia. Da mesma forma, nos comprometemos a trabalhar conjuntamente em prol da prosperidade para todos, de forma a erradicar a discriminação, as desigualdades e a marginalização, as violações dos direitos humanos e as transgressões ao Estado de Direito.

2. Reafirmamos como princípio geral que o fortalecimento da CELAC como fórum e ator político internacional é uma de nossas prioridades. Nesse contexto, consideramos fundamental buscar o aperfeiçoamento da coordenação e da cooperação entre os membros da CELAC, no âmbito dos organismos internacionais, sempre que isso for possível e viável.

3. Expressamos nosso mais profundo pesar pelo falecimento do Comandante Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Rafael Chávez Frías, ocorrido em 5 de março de 2013, um dos principais fundadores e impulsionadores da CELAC, humanista incansável e impulsionador da união latino-americana e caribenha, que lutou contra a exclusão social, a pobreza e impulsionou o desenvolvimento integral da região.

4. Ressaltamos nosso propósito de continuar avançando juntos na concertação e integração latino-americana e caribenha e na consolidação de nossa Comunidade, de acordo com os ideais e sonhos de nossos libertadores e heróis. Ratificamos nossa decisão de estabelecer ações que nos permitam prevenir e, quando necessário, enfrentar de forma coordenada os efeitos da atual crise internacional de múltiplas inter-relações, que continua impactando negativamente os esforços de nossos países para promover o crescimento e o desenvolvimento sustentável e integral da região.

5. Promovemos uma visão de desenvolvimento integral e inclusivo, que garanta o desenvolvimento sustentável e produtivo, em harmonia com a natureza, nos âmbitos em que podemos construir sinergias, particularmente em áreas como energia, infraestrutura, comércio intrarregional, produção de alimentos, indústrias intermediárias, investimentos e financiamento, com o objetivo de alcançar o maior desenvolvimento social para nossos povos.

6. Assumimos nosso compromisso com o desenvolvimento regional integrado, não excludente e equitativo, levando em conta a importância de garantir um tratamento favorável às economias pequenas e vulneráveis, aos países em desenvolvimento sem litoral e aos Estados insulares.

7. Saudamos os importantes resultados alcançados nas Reuniões de Coordenadores Nacionais e de Ministros das Relações Exteriores realizadas até o momento e apelamos à aplicação das decisões e mandatos contidos nos acordos alcançados, com base nos princípios de flexibilidade e participação voluntária.

8. Reconhecemos que a experiência dos dois anos de existência da CELAC demonstra a importância do diálogo permanente para fortalecer o consenso em temas de interesse regional, com base nos princípios da solidariedade, complementaridade com outras experiências ou instituições regionais e sub-regionais e cooperação, e orientado para alcançar resultados efetivos para o desenvolvimento sustentável, solidário e inclusivo dos Estados latino-americanos e caribenhos. Destacamos os avanços no diálogo com os mecanismos regionais e sub-regionais de integração.

9. Apelamos à comunidade internacional para que tome medidas urgentes para enfrentar as fragilidades e desequilíbrios sistêmicos. Expressamos nosso desejo de trabalhar em conjunto para superar os desafios que nos apresenta o atual cenário internacional e de envidar esforços para impulsionar ritmos de crescimento econômico sustentado, dinâmico e de longo prazo para a região, que promovam uma equidade e inclusão social crescentes e a integração da América Latina e do Caribe, levando em conta o valor do empreendedorismo e das PMEs como instrumentos para fortalecer as economias nacionais.

10. Reafirmamos que, para a erradicação da pobreza e da fome, é necessário impulsionar políticas econômicas que favoreçam a produtividade e o desenvolvimento sustentável de nossas nações, trabalhar para fortalecer a ordem econômica mundial em benefício de nossos países, promover a complementaridade, a solidariedade e a cooperação, e exigir o cumprimento dos compromissos de ajuda ao desenvolvimento por parte dos países desenvolvidos.

11. Ratificamos nossa vontade de promover o crescimento, o progresso, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável de nossos Estados, formulando e desenvolvendo planos, políticas e programas nacionais com metas quantificáveis e cronogramas, voltados para a universalização do gozo e do exercício dos direitos econômicos, sociais e culturais, com atenção prioritária às pessoas em situação de extrema pobreza e aos setores em situação de vulnerabilidade, como as populações indígenas, afrodescendentes, mulheres, crianças, pessoas com deficiência, idosos, jovens e migrantes.

12. Saudamos o sucesso da III Conferência Global sobre Trabalho Infantil e reiteramos nosso compromisso com a eliminação das piores formas de trabalho infantil até 2016, bem como com a erradicação do trabalho infantil no menor prazo possível.

13. Saudamos a adoção da Declaração e do Plano de Ação de Caracas pelas autoridades de Desenvolvimento Social para a Erradicação da Fome e da Pobreza. Continuaremos trabalhando em planos, políticas e programas nacionais para reduzir progressivamente as desigualdades de renda que estão na base da fome, da pobreza e da exclusão social por meio, entre outras, de políticas fiscais progressivas, de criação de empregos formais permanentes, de proteção, assistência e segurança social, de estabelecimento de salários mínimos e seu aumento progressivo, que se concretizariam de acordo com as capacidades de cada membro da CELAC, aumentando gradualmente o investimento social.

14. Damos a mais alta prioridade ao fortalecimento da segurança alimentar e nutricional, da alfabetização e pós-alfabetização, da educação pública geral gratuita, da educação técnica, profissional e superior de qualidade e relevância social, a posse da terra, o desenvolvimento da agricultura, incluindo a familiar e camponesa, e do trabalho decente e duradouro, o apoio aos pequenos produtores agrícolas, o seguro-desemprego, a saúde pública universal, o direito à moradia adequada para todos e todas, e o desenvolvimento produtivo e industrial como fatores decisivos para a erradicação da fome, da pobreza e da exclusão social.

15. Reiteramos nosso compromisso de trabalhar em conjunto no fortalecimento dos mecanismos nacionais, regionais e multilaterais na luta contra o tráfico ilícito de bens culturais e garantir a integração cultural de nossos povos por meio da promoção do intercâmbio de conhecimentos culturais, tradicionais e modernos.

16. Reconhecemos que os povos indígenas e as comunidades locais desempenham um papel importante no desenvolvimento econômico, social e ambiental, bem como a importância das práticas agrícolas tradicionais sustentáveis, associadas à biodiversidade e ao aproveitamento de seus recursos, seu direito de acesso à água adequada para irrigação, de acordo com a legislação de cada país, e os sistemas comunitários de posse da terra, os sistemas tradicionais de fornecimento de sementes e o acesso ao financiamento e aos mercados.

17. Decidimos fortalecer, de forma integral, a base produtiva, com ênfase nas práticas locais e culturais sustentáveis dos povos indígenas e das comunidades locais, para uma gestão integral que otimize o uso e o acesso à água para irrigação, a partir de uma visão de gestão de bacias hidrográficas, a recuperação da fertilidade do solo por meio da reposição da cobertura vegetal, adubos orgânicos, terraços e a conservação e aumento da biodiversidade, por meio da recuperação e cultivo de sementes nativas e produção de sementes melhoradas.

18. Ressaltamos o papel fundamental das políticas públicas e reconhecemos a valiosa contribuição do setor privado, da sociedade civil, dos movimentos sociais e da sociedade como um todo. Tomamos nota dos progressos alcançados e nos comprometemos a continuar promovendo-os ativamente, em conformidade com as prioridades e estratégias nacionais de desenvolvimento de cada Estado, para alcançar as metas de erradicação da fome, da pobreza e da exclusão social. Reconhecemos a importância da cooperação internacional, regional e bilateral para tal fim.

19. Reconhecemos as iniciativas nacionais, sub-regionais e regionais destinadas a garantir o direito humano à alimentação e promover a segurança alimentar e nutricional, reduzir os níveis de pobreza e impulsionar a inclusão plena, e saudamos os progressos alcançados nesses esforços, ao mesmo tempo em que sublinhamos que, para garantir sucessos futuros, deve-se privilegiar a complementaridade e a solidariedade entre nossas nações.

20. Reiteramos o compromisso de fortalecer os mecanismos de acompanhamento em cada país para os programas e projetos sociais implementados em diferentes setores, com especial atenção aos grupos populacionais em situação de maior vulnerabilidade, a fim de avaliar seu impacto com uma perspectiva multidimensional e compartilhar as melhores práticas com os demais países da região.

21. Apoiamos a Iniciativa América Latina e Caribe Sem Fome 2025.

22. Reafirmamos nossa vontade de impulsionar programas regionais, sub-regionais, bilaterais e triangulares de cooperação para o desenvolvimento, bem como uma política regional de Cooperação Sul-Sul e Triangular, que levem em conta as características e necessidades específicas das diversas áreas e sub-regiões, bem como de cada um dos países que as compõem.

23. Reconhecemos, nesse sentido, o Caribe insular e a América Central, bem como os países da costa norte da América do Sul com áreas costeiras baixas, como as sub-regiões de maior vulnerabilidade do ponto de vista econômico, social e ambiental, e defendemos a promoção do comércio solidário e complementar, dos investimentos e projetos, e das ações de cooperação destinadas a superar os diversos desafios e dificuldades associados à sua vulnerabilidade.

24. Comprometemo-nos a continuar contribuindo para o esforço de reconstrução e desenvolvimento do Haiti, de acordo com as áreas prioritárias definidas por seu governo e com pleno respeito à sua autoridade e soberania, bem como ao princípio da não intervenção nos assuntos internos, em conformidade com a resolução sobre cooperação especial com o Haiti aprovada pelos Ministros das Relações Exteriores e ratificada pelos Chefes de Estado e/ou de Governo na I Cúpula da CELAC. Instamos os governos, os doadores tradicionais e as instituições financeiras internacionais a apoiarem de forma mais ampla e rápida a execução do Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento (NSDH) do Governo do Haiti, especialmente no âmbito da agricultura. Instamos, igualmente, a apoiar o Plano Nacional para a Eliminação da Cólera, que requer medidas urgentes de prevenção e controle, bem como investimentos em infraestrutura hídrica, saneamento e fortalecimento da capacidade das instituições do país.

25. Afirmamos que, para a elaboração de uma Agenda Estratégica Regional sobre Gestão Integral do Risco de Desastres, é necessário que o tema seja reconhecido como um processo integrado por ações relacionadas à estimativa e redução do risco, preparação, assistência humanitária e reconstrução, que devem fazer parte de um Plano de Ação coordenado e articulado entre os entes locais, nacionais, sub-regionais e regionais.

26. Comprometemo-nos a continuar consolidando princípios regionais sólidos em matéria de reconhecimento dos direitos dos migrantes, bem como a aprofundar a coordenação das políticas migratórias regionais e das posições comuns nas negociações globais e inter-regionais sobre migrações e, em especial, na promoção do debate internacional sobre a relação entre migração, desenvolvimento e direitos humanos.

27. Reafirmamos nossa vontade e compromisso de continuar avançando na consecução dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

28. Ratificamos a importância crucial do processo intergovernamental de formulação da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, que deve ser aberto, transparente e inclusivo. Ressaltamos que a nova agenda de desenvolvimento deverá ser formulada com base no respeito irrestrito aos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e à luz dos princípios consagrados no Documento Final da Rio+20, “O Futuro que Queremos”, bem como nas diferentes abordagens, visões, modelos e instrumentos que os países determinaram para alcançar o desenvolvimento sustentável, em função de suas circunstâncias e prioridades nacionais. Devemos zelar para que o processo seja universal e suficientemente flexível para responder às prioridades, condições e necessidades dos países em desenvolvimento, levando em conta as necessidades especiais dos diferentes países, incluindo os países menos desenvolvidos, os países sem litoral, os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os chamados países de renda média.

29. Reconhecemos a necessidade urgente de que a nova Agenda de Desenvolvimento inclua explicitamente como objetivo, com indicadores e prazos específicos de cumprimento, os meios de implementação que garantam seu cumprimento, entre os quais figuram recursos financeiros novos, adicionais e previsíveis, o desenvolvimento e a transferência de tecnologia e a criação de capacidades nos países em desenvolvimento.

30. A nova Agenda deve partir da experiência na consecução dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para definir harmoniosamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; excluir qualquer condicionalidade; e eliminar as lacunas dentro das sociedades, entre regiões e em escala global. Além disso, deve reforçar o compromisso da comunidade internacional de que as pessoas sejam o centro de suas preocupações, promovendo o crescimento econômico sustentável e inclusivo, o desenvolvimento social participativo e a proteção do meio ambiente.

31. Reafirmamos a Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas A/RES/64/292, de 28 de julho de 2010, na qual a Assembleia Geral reconhece o direito à água potável e ao saneamento como um direito humano essencial para o pleno gozo da vida e de todos os direitos humanos.

32. Convencidos de que as mudanças climáticas são um dos problemas mais graves de nosso tempo, expressamos profunda preocupação com seu crescente impacto negativo nos países em desenvolvimento e nos pequenos Estados insulares em particular, o que compromete os esforços para erradicar a pobreza e alcançar o desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, e no âmbito do princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas, e das respectivas capacidades, reconhecemos que a natureza global das mudanças climáticas exige a cooperação de todos os países e sua participação em uma resposta internacional eficaz e adequada, de acordo com a responsabilidade histórica de cada um por esse fenômeno, a fim de acelerar a redução global das emissões mundiais de gases de efeito estufa e a adoção de medidas de adaptação, em conformidade com as disposições e princípios da Convenção-Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e as decisões adotadas nas Conferências das Partes.

33. Congratulamo-nos com a realização do Diálogo Interativo da Assembleia Geral sobre Harmonia com a Natureza, que se realizou em Nova Iorque, em 22 de abril de 2013, no âmbito da comemoração do Dia Internacional da Mãe Terra, evento que discutiu as diferentes abordagens econômicas, no contexto do desenvolvimento sustentável, para promover de forma mais ética a relação entre a humanidade e a Terra.

34. Comemoramos a recente assinatura da nova Convenção de Minamata sobre Mercúrio, como o primeiro instrumento vinculativo negociado no âmbito das Nações Unidas nos últimos doze anos, e o primeiro da agenda pós-Rio+20 sobre desenvolvimento sustentável, destacando que ela representa um grande passo no desenvolvimento do direito ambiental internacional, tendo como objetivo a proteção da saúde humana e do meio ambiente contra os riscos do mercúrio, instando especialmente os países membros a tomarem medidas que possibilitem sua rápida entrada em vigor e sua efetiva implementação. Da mesma forma, instamos à participação na reunião regional do GRULAC, preparatória da Sexta Sessão do Comitê Intergovernamental de Negociação sobre Mercúrio (INC-6).

35. Os países da América Latina e do Caribe expressamos nosso apoio à Presidência peruana da 20ª Conferência das Partes da Convenção-Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e da 10ª Reunião das Partes do Protocolo de Kyoto, que serão realizadas em Lima, Peru, de 1º a 12 de dezembro de 2014, e estamos comprometidos em garantir o sucesso dessas reuniões e de sua fase preparatória, etapas essenciais no processo de desenvolvimento de um instrumento jurídico fortalecido no âmbito da Convenção, que deve ser apresentado em 2015. Ressaltamos a importância de que esse instrumento, para ser eficaz e facilitar a participação de todos os países, respeite os princípios e disposições da Convenção.

36. Incentivamos a participação de representantes dos países da Comunidade na primeira Pré-COP Social sobre Mudanças Climáticas, que ocorrerá entre 13 e 16 de outubro de 2014, em Caracas, Venezuela, que representa uma iniciativa importante no processo de negociações no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas para fortalecer a aliança entre povos e governos na construção do futuro regime necessário para enfrentar as mudanças climáticas.

37. Comprometemo-nos, de acordo com nossas capacidades e legislações internas, a apoiar a pesquisa científica sobre a dependência química nos países da CELAC, com o objetivo de avançar no desenvolvimento de tratamentos, incluindo vacinas e antídotos.

38. Reiteramos o caráter latino-americano e caribenho de Porto Rico e, tomando nota das resoluções sobre Porto Rico adotadas pelo Comitê Especial de Descolonização das Nações Unidas, reiteramos que se trata de uma questão de interesse da CELAC.

39. Os países membros da CELAC nos comprometemos a continuar trabalhando no âmbito do Direito Internacional e, em particular, da Resolução 1514 (XV) da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 14 de dezembro de 1960, para que a região da América Latina e do Caribe seja um território livre de colonialismo e colônias.

40. Encarregamos o Quarteto da CELAC de, com a participação de outros Estados-membros que desejem se somar a este mandato, apresentar propostas para avançar no que foi indicado no parágrafo 38 desta Declaração.

41. Reiteramos nossa rejeição às listas e certificações unilaterais por parte de países desenvolvidos que afetam países da América Latina e do Caribe, em particular as referidas ao terrorismo, tráfico de drogas, tráfico de pessoas e outras de natureza semelhante, e ratificamos o Comunicado Especial aprovado pela CELAC em 5 de junho passado, que rejeita a inclusão de Cuba na chamada Lista de Estados que promovem o terrorismo internacional do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

42. Reafirmamos a Declaração de Santa Cruz, denominada “Ama Qhilla, Ama Llulla e Ama Suwa” (não roubar, não mentir e não ser preguiçoso), da Primeira Reunião Especializada de Ministros, Ministras e Altas Autoridades de Prevenção e Combate à Corrupção da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), adotada em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, em 8 de novembro de 2013, na qual se estabelece, entre outros temas, que os crimes de corrupção devem ser combatidos de forma rigorosa e sem impedimentos para sua investigação, julgamento e punição, de acordo com as legislações nacionais e os acordos internacionais em vigor; da mesma forma, celebramos a criação de um Grupo de Trabalho especializado na Prevenção e Combate à Corrupção, que elaborará um Plano de Trabalho com o objetivo de promover e impulsionar as linhas de ação de acordo com as bases e prioridades estabelecidas na Declaração e no Plano de Ação da CELAC para 2014, otimizando recursos, complementando os trabalhos desenvolvidos em outros mecanismos e fóruns multilaterais e evitando a duplicação de esforços.

43. Ressaltamos a importância de nossos países fortalecerem sua preparação em matéria de atendimento a controvérsias internacionais e consideramos que se deve avaliar a possibilidade de nossa região se dotar de mecanismos apropriados para a solução de controvérsias com investidores estrangeiros. Manifestamos nossa solidariedade aos países da América Latina e do Caribe que estão sendo afetados por reclamações ilegítimas e campanhas de desprestígio contra eles, que colocam em risco o desenvolvimento de seus povos, e solicitamos às empresas e grupos transnacionais que mantenham uma conduta responsável e consistente com as políticas públicas adotadas pelos Estados receptores do investimento.

44. Reafirmamos a importância de desenvolver ferramentas que permitam fortalecer o sistema financeiro internacional, o que deve contemplar uma regulamentação mais rigorosa e eficaz das grandes instituições financeiras e a adoção de medidas concretas para alcançar melhores práticas internacionais nos fluxos financeiros internacionais. Em consonância com isso, é de grande relevância a redução da dependência excessiva das avaliações das agências de classificação de risco de crédito.

45. Consideramos indispensável para a estabilidade e previsibilidade da arquitetura financeira internacional garantir que os acordos alcançados entre devedores e credores no âmbito dos processos de reestruturação das dívidas soberanas sejam respeitados, permitindo que os fluxos de pagamento sejam distribuídos aos credores cooperativos, conforme acordado com eles no processo de readequação consensual da dívida. É necessário contar com instrumentos que possibilitem acordos razoáveis e definitivos entre credores e devedores soberanos, permitindo enfrentar os problemas de sustentabilidade da dívida de forma ordenada.

46. Expressamos nossa convicção sobre a importância que os fluxos de investimento estrangeiro direto adquiriram em nossa região e a necessidade de que eles contribuam efetivamente para os processos de desenvolvimento de nossos países e resultem em um aumento dos níveis de bem-estar de nossas sociedades, sem imposição de condicionalidades, com respeito à sua soberania e em conformidade com seus planos e programas nacionais de desenvolvimento.

47. Consideramos necessário contar com uma ferramenta de planejamento latino-americana e caribenha diante dos novos desafios que a CELAC enfrenta, razão pela qual são imperativos os esforços coletivos de integração, solidariedade e cooperação, mutuamente vantajosos, em particular com os países vulneráveis e de menor desenvolvimento relativo, que servirão para alcançar objetivos claros, mensuráveis e adaptáveis às diferentes realidades nacionais, com vistas à erradicação da pobreza e à promoção do desenvolvimento sustentável.

48. Ratificamos a importância da cooperação e integração financeira regional. Nesse sentido, apoiamos as resoluções adotadas pelos Ministros e Ministras da CELAC em suas reuniões de 2013.

49. Saudamos com satisfação o Governo do Estado Plurinacional da Bolívia e o povo boliviano pelo lançamento bem-sucedido ao espaço ultraterrestre do primeiro satélite boliviano de comunicações denominado “Túpac Katari” (TKSAT-1), realizado em 20 de dezembro de 2013 no centro espacial Xichang, da República Popular da China, reconhecendo que os benefícios do satélite chegarão a milhões de bolivianos, facilitando o acesso à educação e à informação, garantindo o exercício dos direitos humanos e facilitando o intercâmbio de conhecimentos científicos entre os diferentes povos da América Latina e do Caribe.

50. Reiteramos nosso mais firme apoio aos direitos legítimos da República Argentina na disputa de soberania pelas Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos circundantes, bem como o interesse permanente em que tal disputa seja resolvida por meios pacíficos e de negociação, conforme disposto na Resolução 31/49 da Assembleia Geral das Nações Unidas.

51. Reiteramos nosso compromisso com o princípio do direito soberano dos Estados de dispor de seus recursos naturais e de gerenciá-los e regulá-los. Manifestamos, igualmente, o direito de nossos povos de aproveitar, de maneira sustentável, os recursos naturais, que têm o potencial de ser utilizados como uma importante fonte para financiar o desenvolvimento econômico, a justiça social e o bem-estar de nossos povos.

52. Reiteramos nossa mais profunda rejeição à aplicação de medidas coercitivas unilaterais e reiteramos, mais uma vez, nossa solidariedade com a República de Cuba, ao mesmo tempo em que reafirmamos nosso apelo ao governo dos Estados Unidos da América para que ponha fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro que impõe a essa nação irmã há mais de cinco décadas.

53. Comprometemo-nos a continuar trabalhando para consolidar a América Latina e o Caribe como Zona de Paz, na qual as diferenças entre as nações sejam resolvidas por meio do diálogo e da negociação ou de outras formas de solução pacífica estabelecidas no Direito Internacional.

54. Tendo em conta os objetivos delineados na Declaração do Suriname, aprovados na Primeira Reunião de Ministros da Cultura da CELAC, realizada nos dias 14 e 15 de março em Paramaribo, Suriname, enfatizamos a importância da cultura na América Latina e no Caribe como fundamento da identidade de cada país e como catalisador dos processos de integração regional. Ressaltamos a importância da cultura e das indústrias culturais para as economias nacionais e assumimos o compromisso de promover o empreendedorismo cultural como ferramenta de conservação de nosso patrimônio cultural e de geração de oportunidades de emprego e riqueza para nossos povos, de forma a contribuir para o bem-estar de nossos cidadãos e para o progresso da sociedade como um todo.

55. Expressamos nossa satisfação pela realização da VI Cúpula Mundial das Artes e da Cultura, realizada em Santiago do Chile entre os dias 13 e 16 de janeiro passado, o que contribuiu para projetar a região como um cenário privilegiado para viabilizar encontros e diálogos de vocação universal no âmbito da cultura.

56. Reiteramos nosso apoio ao processo de diálogo que está sendo realizado em Havana, Cuba, entre o Governo da Colômbia e as FARC, e saudamos os avanços alcançados por meio da conclusão de acordos em dois pontos importantes da agenda. Instamos as partes a continuarem o processo destinado a pôr fim a um conflito interno que, por mais de 50 anos, tem afetado o desenvolvimento político, social e econômico dessa nação irmã. Saudamos e agradecemos o papel dos países garantes, Cuba e Noruega, e dos países acompanhantes, Chile e Venezuela, nas conquistas alcançadas.

57. Reiteramos nosso apoio à proclamação pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em dezembro de 2013, da Década Internacional dos Afrodescendentes, que terá início em 1º de janeiro de 2015, sob o tema “Afrodescendentes, justiça e desenvolvimento”; bem como ao Comunicado aprovado pelos Ministros das Relações Exteriores da CELAC, em sua terceira reunião, que proclama a Década dos Afrodescendentes Latino-Americanos e Caribenhos, iniciada em 1º de janeiro deste ano.

58. Reconhecemos a importância de considerar o papel essencial da ação coletiva dos povos indígenas e das populações locais na conservação e uso sustentável da diversidade biológica, como uma contribuição significativa para o planeta. Apoiamos as ações que estão sendo desenvolvidas para promover seu reconhecimento oficial.

59. Reiteramos a necessidade de tomar medidas para proteger os direitos sobre os conhecimentos tradicionais e ancestrais dos povos indígenas e tribais e das comunidades locais, evitando sua violação por terceiros por meio de registros que não reconheçam sua titularidade, bem como promover a participação justa e equitativa nos benefícios decorrentes de sua utilização. Apoiamos as negociações que estão sendo realizadas a esse respeito nos fóruns multilaterais competentes.

60. Destacamos que as negociações do Documento Final conciso e orientado para a ação da Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas, da Reunião Plenária de Alto Nível do sexagésimo nono período de sessões da Assembleia, que será conhecida como a Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas, a ser realizada nos dias 22 e 23 de setembro de 2014 em Nova York, terão como objetivo compartilhar pontos de vista e melhores práticas sobre a realização dos direitos dos povos indígenas, incluindo a realização dos objetivos da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, e tomamos nota das recomendações dos principais temas da Conferência Preparatória Mundial dos Povos Indígenas para a Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas, realizada de 10 a 12 de junho de 2013, em Alta, Noruega. Tomamos nota da iniciativa do Governo do México de realizar uma reunião preparatória da Conferência Mundial em abril de 2014.

61. Apoiamos o Ano Internacional da Agricultura Familiar declarado pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

62. Saudamos a eleição do Estado Plurinacional da Bolívia para a Presidência do Grupo dos 77 e China durante o ano de 2014 e nos comprometemos a lhe dar todo o nosso apoio no exercício dessa responsabilidade, a fim de que ela redunde em favor dos interesses da América Latina e do Caribe. Da mesma forma, celebramos a organização de uma Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos 77 mais a China, a ser realizada em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, nos dias 14 e 15 de junho de 2014, em comemoração ao 50º aniversário da fundação do G77.

63. Consideramos a necessidade de uma distribuição geográfica equitativa no sistema das Nações Unidas e enfatizamos a necessidade de a América Latina e o Caribe aumentarem quantitativa e qualitativamente sua presença em cargos-chave das Nações Unidas e de outros organismos internacionais, objetivo ao qual dedicaremos nossos melhores esforços.

64. Reiteramos nossas posições em torno de uma reforma integral do sistema das Nações Unidas, muito particularmente, a democratização das instâncias decisórias internacionais, em particular o Conselho de Segurança. A democratização necessária deve incluir representatividade, transparência, eficiência, democracia, respeito pelos mandatos de outros órgãos das Nações Unidas e prestar contas devidamente a todos os membros da ONU.

65. Considerando que a migração internacional é um fenômeno global que envolve mais de 220 milhões de pessoas, entre as quais mulheres, crianças, adolescentes e indígenas, reconhecemos o valor do conteúdo da resolução adotada durante o II Diálogo de Alto Nível das Nações Unidas sobre Migração e Desenvolvimento (DAN2013), que privilegia a abordagem dos direitos humanos, destaca a urgência de proteger os grupos mais vulneráveis nos fluxos migratórios e insiste na necessidade de um maior envolvimento das Nações Unidas, suas agências, fundos e programas na matéria, bem como no interesse de incluir o tema da migração internacional na Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, entre outros assuntos, e nos comprometemos a fortalecer as ações de cooperação no âmbito da responsabilidade compartilhada, para avançar na atenção aos múltiplos desafios que a migração internacional nos apresenta.

66. Ratificamos o compromisso de fortalecer a luta contra o crime organizado transnacional, em conformidade com o Direito Internacional. Nesse contexto, estamos cientes de que o crime e a violência constituem um obstáculo ao pleno desenvolvimento da América Latina e do Caribe, e enfatizamos a necessidade de contar com uma visão de consenso regional sobre segurança cidadã com um enfoque de desenvolvimento humano e respeito aos direitos humanos e aos princípios de soberania nacional e não ingerência nos assuntos internos. Com essa perspectiva, devemos reforçar os mecanismos de diálogo e coordenação, conforme apropriado, para melhorar as estratégias regionais sobre segurança cidadã e desenvolvimento sustentável.

67. Expressamos nossa mais séria preocupação com a grave situação humanitária e de segurança na República Árabe da Síria e com a ameaça que ela representa para o Oriente Médio e para a paz e a segurança internacionais. Elogiamos as partes sírias por terem aceitado manter negociações diretas na Conferência Internacional sobre a situação na Síria (Genebra II), sob os auspícios do Enviado Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga dos Estados Árabes. Felicitamos o Secretário-Geral das Nações Unidas pela organização dessa Conferência. O diálogo e a negociação são urgentes e essenciais para avançar nos esforços de reconciliação nacional e para garantir a plena aplicação das Convenções de Genebra na Síria. Reiteramos que somente um processo político inclusivo liderado pelos sírios poderá conduzir à paz e à realização das legítimas aspirações do povo sírio, com base na aplicação estrita dos princípios de soberania, independência, autodeterminação, integridade territorial e não interferência nos assuntos internos.

68. Destacamos a realização, pela primeira vez nas Nações Unidas, de uma Reunião de Alto Nível sobre Desarmamento Nuclear, em 26 de setembro de 2013, na qual a CELAC reafirmou a necessidade urgente de avançar em direção ao desarmamento nuclear e alcançar a eliminação total e geral das armas nucleares de forma transparente, irreversível e verificável, e instou a trabalhar para avançar na negociação de um instrumento universal juridicamente vinculativo, que proíba as armas nucleares com um cronograma acordado multilateralmente. Comprometemo-nos a dar continuidade a essas posições.

69. Expressamos nossa mais profunda preocupação com as consequências humanitárias de enormes proporções e os efeitos globais de qualquer detonação nuclear acidental ou intencional. Exortamos a comunidade internacional a reiterar sua preocupação com as consequências humanitárias das armas nucleares, onde quer que se realize o debate sobre esse tipo de armas. Congratulamo-nos com os resultados da Conferência de Oslo sobre o Impacto Humanitário das Armas Nucleares, realizada em março de 2013 e, nesse sentido, apelamos a todos os Estados para que participem na segunda Conferência Internacional sobre o Impacto Humanitário das Armas Nucleares, que se realizará no México, nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2014.

70. Tomamos nota com satisfação do acordo preliminar entre a República Islâmica do Irã e o Grupo 5+1 em Genebra sobre o programa nuclear iraniano, o que demonstra que o diálogo e a negociação são o caminho para resolver as diferenças entre os Estados, e manifestamos nossa expectativa de que em breve se chegue a uma solução ampla e duradoura para a questão. Ratificamos o direito inalienável de todos os Estados, em conformidade com o disposto no TNP, de desenvolver a pesquisa, a produção e a utilização da energia nuclear para fins pacíficos, sem discriminação, o que, juntamente com o desarmamento e a não proliferação, constitui os pilares do Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares, do qual todos os membros da CELAC fazem parte.

71. Reiteramos nosso apelo para que a Conferência para o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares e outras armas de destruição em massa no Oriente Médio seja realizada o mais rápido possível, de acordo com o acordado pelas Partes do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares em 1995, 2000 e 2010, uma vez que contribuiria de forma valiosa para o fortalecimento da paz e da segurança internacionais.

72. Destacamos o valor e a contribuição para a paz e a segurança internacionais do Tratado para a Proibição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe e seus Protocolos (Tratado de Tlatelolco), que estabeleceu a primeira zona mais densamente povoada e livre de armas nucleares do planeta. Ressaltamos nosso total apoio ao trabalho da Organização para a Proibição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe e, nesse sentido, reafirmamos a importância da colaboração e cooperação entre a CELAC e a OPANAL, órgão especializado da região, para articular posições comuns e trabalhos conjuntos em matéria de desarmamento nuclear.

73. Tomamos nota da adoção do Tratado sobre o Comércio de Armas pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em abril de 2013.

74. Tomamos nota das atividades internacionais da CELAC, especialmente a visita da Troika Ministerial ampliada à Federação da Rússia, as reuniões da Troika Ministerial aberta da CELAC com os Ministros das Relações Exteriores da República da Coreia, da República Popular da China, o Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo, a Turquia e o Japão, realizadas em Nova Iorque por ocasião do início do 68º Período de Sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas, bem como o trabalho para acordar, com cada um desses interlocutores, um Roteiro para o diálogo e a cooperação.

75. Congratulamo-nos com o estabelecimento do Fórum CELAC-China e do Mecanismo de Diálogo com a Federação da Rússia, elementos que podem ter um impacto positivo nas atividades da Comunidade.

76. Estamos convencidos de que é necessário continuar a busca por novas sinergias da CELAC em nível internacional, para o que é preciso retomar aquelas que já foram iniciadas em 2012 e estabelecer modalidades adicionais de convergência e relacionamento.

77. Saudamos a coordenação entre os Estados-Membros da CELAC nas Nações Unidas e expressamos nossa disposição de continuar trabalhando gradualmente nessa matéria e de ampliar o trabalho para outras sedes, nos casos em que for possível e necessário.

78. Expressamos, além disso, nosso apoio ao processo preparatório da II Cúpula CELAC-UE, a ser realizada em Bruxelas em 2015. Encarregamos os Coordenadores Nacionais e os Altos Funcionários do Diálogo CELAC-UE, conforme o caso, de concluir a negociação do acordo internacional para o estabelecimento da Fundação EULAC, com vistas à II Cúpula CELAC-UE. 79. Agradecemos ao Presidente da República do Chile, Excelentíssimo Senhor Sebastián Piñera Echenique, que este ano encerra seu mandato, pelo excelente trabalho e liderança desenvolvidos durante o processo de convergência e implementação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, que culminou com a realização da bem-sucedida I Cúpula da CELAC, celebrada em Santiago, Chile, nos dias 27 e 28 de janeiro de 2013.

80. Agradecemos à República da Costa Rica por acolher a Presidência Pro Tempore da CELAC em 2014 e a III Cúpula da CELAC em 2015. Reconhecemos a Excelentíssima Senhora Laura Chinchilla Miranda, Presidente da República da Costa Rica, que encerrará seu mandato em maio de 2014, por seu firme e valioso apoio à CELAC desde sua origem.

81. Agradecemos à República do Equador por acolher a Presidência Pro Tempore da CELAC em 2015 e a realização da IV Cúpula da CELAC.

82. Tomamos nota da oferta reiterada pela República Dominicana de sediar a CELAC em 2016, apresentada em fevereiro de 2013.

83. Expressamos nosso agradecimento ao Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da República de Cuba pela liderança e pelo trabalho realizado durante o exercício da Presidência Pro Tempore do fórum e o reconhecimento ao povo e ao Governo de Cuba pela organização da II Cúpula da CELAC em Havana, nos dias 28 e 29 de janeiro de 2014.

Havana, 29 de janeiro de 2014


Em español : https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/ii-cupula-da-celac-declaracao-de-havana-29-de-janeiro-de-2014

tradução : @comitecarioca21