18 de ago. de 2026

PELA PAZ! PELA VIDA ! CONTRA O FASCISMO!

                                      

Declaração dos participantes da Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade no Colóquio Internacional "Fidel: Legado e Futuro" e na 34ª Feira do Livro de Havana.

Em 18 de agosto de 1936, há noventa anos, o grande poeta Federico García Lorca foi brutalmente assassinado pelo fascismo. Sua figura deslumbrante, suas palavras e seu sacrifício continuam a nos inspirar em nossas lutas atuais.

Guiados pela certeza de que não é possível fechar os olhos ou ficar de braços cruzados diante da agressão imperialista, sionista e fascista, e comovidos por estes dias que passamos com o heroico povo cubano, reunimo-nos na Casa de las Américas em 14 de agosto para discutir como ampliar a influência da Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade, criada em 2003 com o apoio decisivo de Fidel e Chávez.

Neste momento, o governo dos EUA e seus aliados estão aplicando a lei do mais forte em todos os lugares com total impunidade; estão criando um clima insuportável de macartismo e tornando sem sentido as garantias básicas do direito internacional, incluindo o direito à vida de milhões de pessoas.

Enquanto isso, a extrema-direita latino-americana, seguindo à risca as ordens do imperador, parece determinada a levar a região de volta aos tempos sombrios da Doutrina de Segurança Nacional e da Operação Condor. Ela se esforça para reavivar um anticomunismo fervoroso, atacando brutalmente líderes, organizações e movimentos sociais.

Nos próprios Estados Unidos, os atos de repressão policial contra migrantes, latinos, negros, jovens que abraçaram a causa palestina e ativistas antifascistas estão se multiplicando: contra qualquer pessoa que levante a voz pela paz, justiça e igualdade. Na Europa, partidos fascistas, xenofobia, discursos de ódio e manifestações públicas de uma extrema-direita fortalecida e brutal estão em ascensão.

Uma política genocida cruel está sendo levada adiante contra dois povos que resistem: o projeto atroz de extermínio do povo palestino; e o genocídio silencioso, sem bombas por enquanto, contra o povo cubano. Um plano implacável de asfixia.

O Império vê Cuba como o maior obstáculo para reinar sem oposição sobre o que ainda considera seu quintal e agora a apresenta como o "inimigo ideológico" por excelência.

Diante desse cenário e da necessidade urgente de construir "trincheiras de ideias" contra a barbárie e a onda de mentiras que o acompanha, nossa Rede EDH propõe:

·         Denunciar por todos os meios ao nosso alcance o genocídio contra os povos da Palestina e de Cuba e a interferência ilegal e imoral dos EUA em nossa América.

·         Defender alternativas políticas populares e progressistas contra o fascismo em qualquer lugar do mundo.

·         Contribuir para a construção da unidade entre as forças de esquerda, sem qualquer sectarismo. Onde houver um núcleo de resistência cultural antifascista, a Rede deve estar presente com sua mensagem de solidariedade.

·         Trabalhar para alcançar novos setores, em particular os jovens.

·         Defender a verdade e desmontar as manipulações e falsidades criadas para confundir, dividir e desinformar.

·         Dar a máxima prioridade à guerra de comunicação no campo das redes sociais e plataformas digitais.

Que a esta luta de tamanha importância se unam todas as pessoas sensíveis e dignas que compreendam a magnitude desta ameaça à humanidade.

 

O genocídio contra o povo palestino deve parar!

O cerco implacável contra o povo cubano precisa acabar!

Cuba tem o direito de viver em paz!

O presidente venezuelano Nicolás Maduro e a congressista Cilia Flores devem ser libertados!

A injustiça racista contra os migrantes deve acabar!

O assédio macarthista contra o povo dos EUA deve parar!

Basta de guerras e das mentiras usadas para justificá-las!

                         

 

https://cubaenresumen.org/2026/08/18/por-la-paz-por-la-vida-contra-el-fascismo/

VENEZUELA : NÃO CULPE A VÍTIMA.


Por Roger D. Harris, Francisco Dominguez e María Paez Victor, Popular Resistance.

“Nada é mais fácil do que ser idealista em nome dos outros.” Karl Marx, 1858

Sob o manto da noite, o exército dos Estados Unidos sequestrou o presidente legítimo da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada da Assembleia Nacional Cilia Flores, em 3 de janeiro de 2026. Os danos colaterais incluíram mais de 100 mortos, entre civis e guardas cubanos e venezuelanos.

Esse ataque surpresa e não provocado violou flagrantemente o direito internacional. A potência hegemônica agiu com plena expectativa de poder operar com impunidade. Mesmo os governos vizinhos de esquerda do Brasil e da Colômbia ofereceram apenas repreensões fracas. O então ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, disse: “estamos sozinhos”. Esse é o contexto em que os acontecimentos posteriores devem ser entendidos.

A atroz ação militar culminou um quarto de século de maquinações dos Estados Unidos e de seus aliados (principalmente Canadá e Reino Unido) contra a Venezuela: sanções asfixiantes, ativos roubados, isolamento diplomático, ataques cibernéticos, tentativas de assassinato, invasões mercenárias e a instalação de um governo paralelo fictício. Durante os dois meses que antecederam a invasão, a marinha estadunidense bloqueou os embarques de petróleo. Mesmo assim, o objetivo do império de conseguir uma mudança de regime não foi alcançado.


A resiliência da revolução obrigou os EUA a intensificar as ações

Washington e seus aliados não conseguiram destruir o chavismo, o movimento fundado por Hugo Chávez e continuado por seu sucessor, Nicolás Maduro. A Venezuela não entrou em colapso nem degenerou no caos após a decapitação. A paz interna prevaleceu.

A oposição de extrema direita, apoiada e financiada pelos Estados Unidos, não tomou o poder, mas se viu cada vez mais marginalizada e em desordem.

A liderança chavista prosseguiu com uma sucessão constitucional sem falhas, com a vice-presidente Delcy Rodríguez empossada como presidente interina. A unidade do alto comando permaneceu firme, apoiada pela Assembleia Nacional e pela Suprema Corte. Da mesma forma, a união cívico-militar e as comunas e instituições chavistas de base apoiaram plenamente o governo.

Valendo-se de sua esmagadora superioridade militar, Washington fez uma oferta ao estilo da máfia que não se pode recusar. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ligou para Rodríguez naquele dia infame e deu a ela um ultimato: colaborar com os EUA ou enfrentar a destruição militar do país e o assassinato dela e de outros líderes. Variações desse cenário são corroboradas tanto pela imprensa corporativa quanto por fontes chavistas.

Trump ameaçou explicitamente: “Tem mais de onde isso veio”. A alternativa era a devastação que atualmente assola o Irã, um país com capacidade militar muito maior. Com as forças estadunidenses mobilizadas por toda a região e em frente às suas costas, um confronto militar teria significado a aniquilação, incluindo a destruição da indústria petrolífera. Rodríguez fez o que qualquer líder responsável teria feito, dadas as opções existentes; ela fez uma retirada tática diante de uma força avassaladora.


A Venezuela não se rendeu.

Todas as instituições do Estado chavista e o poderoso universo de organizações de base que sustentam a revolução permanecem intactos. No entanto, o imperialismo estadunidense, ao ter uma arma apontada para a cabeça do governo, está em condições de exercer uma coação substancial que leve a decisões desagradáveis, como a deportação de Alex Saab.

Essas concessões refletem pressões que nós, que estamos de fora, só podemos imaginar. Como o movimento de solidariedade deve responder é uma questão central.

O ex-funcionário de Chávez, Sergio Rodríguez Gelfenstein, descreve as negociações atuais como um exercício essencial de autopreservação nacional. Ele observa: “O que está em jogo é a sobrevivência do Estado e da república, que, se perdida, tornaria irrelevante a discussão sobre qualquer outro tema”. Como disse o ex-ministro das Relações Exteriores venezuelano Jorge Arreaza, “tudo está sendo negociado agora”, com Washington sendo obrigada a participar de uma troca diária de concessões com Caracas.

A reforma legislativa já estava há muito tempo na agenda de Maduro. No entanto, as revisões das leis que regem a exploração de hidrocarbonetos e minerais duros implicavam oferecer condições generosas ao capital internacional para atrair o investimento estrangeiro tão necessário (o que Cuba também está fazendo).

A nova lei de anistia, outra iniciativa planejada, é um instrumento fundamental para promover a reconciliação e negar aos elementos extremistas argumentos para incitar a violência. A lei exclui estritamente “qualquer pessoa que tenha cometido crimes de guerra, violações dos direitos humanos, homicídio, tráfico de drogas ou traição”.

O governo está em negociações com a oposição moderada. Essas rodadas sucessivas de diálogo foram uma característica recorrente da presidência de Maduro.

Rodríguez aconselhou prudência e paciência estratégica. Em particular, o núcleo da liderança chavista, os militares, o Partido Socialista e as organizações comunitárias permaneceram unidos sob uma pressão tremenda, uma pressão destinada a romper esse acordo unificador.

                                        


Conquistas há muito almejadas alcançadas

Os EUA deram marcha à ré e, na prática, reconhecem o governo venezuelano como legítimo. O projeto bolivariano não apenas persistiu, como também obrigou seu maior adversário a chegar a algum tipo de acordo.

Desde 2019, os EUA não permitiam transações com o Banco Central da Venezuela e os principais bancos estatais. As restrições estadunidenses haviam anteriormente isolado a Venezuela do sistema financeiro global, impedindo o acesso a transações denominadas em dólares e aos canais financeiros dos EUA. As vendas de petróleo aos EUA foram retomadas, com parte da receita retornando à economia nacional. O Fundo Monetário Internacional (FMI), dominado pelos EUA, restabeleceu relações com a Venezuela. Rodríguez declarou que a Venezuela não busca empréstimos do FMI, mas sim acesso aos seus próprios fundos congelados.

Embora as sanções permaneçam em grande parte em vigor, as licenças especiais e uma flexibilização temporária das restrições econômicas para o socorro às vítimas do terremoto proporcionaram certo alívio à economia venezuelana em dificuldades, ao mesmo tempo em que facilitam os fluxos de petróleo para os EUA. As concessões são limitadas e reversíveis, deixando intacta a estrutura mais ampla da guerra econômica dos EUA. Mesmo assim, o acordo é preferível ao bloqueio total do petróleo imposto imediatamente antes do ataque de 3 de janeiro.

Rodríguez tem exigido repetidamente que a Venezuela seja isenta de sanções, solicitando formalmente a liberação dos ativos venezuelanos no exterior para fazer face à devastação causada pelos terremotos. Ele chegou até a apelar ao rei Carlos III para que devolvesse as 31 toneladas de ouro venezuelano depositadas no Banco da Inglaterra.


Mudança no cenário político

O equilíbrio de forças que a atual liderança venezuelana enfrenta é substancialmente menos favorável do que era na época de Chávez; portanto, julgar seus compromissos com base em um padrão idealizado da era Chávez é um erro.

Alguns observadores internacionais invocam Chávez para desacreditar a liderança atual. Esquece-se que, durante a presidência de Chávez, a Venezuela vendia petróleo quase exclusivamente aos EUA, quando a dependência era significativa. Ignorando a mudança de contexto, fazem-se afirmações infantis de esquerda de que Chávez nunca cedeu e de que “não se negocia com o inimigo”, esquecendo o famoso conselho de Fidel Castro durante o golpe de 2002: “Não se sacrifique, Hugo”.

Chávez governou durante um período de alta nos preços das commodities, o que proporcionou ao projeto bolivariano recursos para benefícios materiais que hoje, sob sanções, não estão disponíveis. O contexto geopolítico mudou significativamente desde a época de Chávez, especialmente sob a atual “Doutrina Monroe”. Desde a vitória de Maduro em julho de 2024, nenhum candidato de esquerda venceu na América Latina. As últimas sete eleições presidenciais foram dominadas pela direita. Até que essa trajetória reacionária mais ampla seja revertida, é provável que ocorram mais retrocessos.

O objetivo e o impacto acumulado das medidas coercitivas unilaterais ilegais têm sido minar o apoio público ao governo. Anos de sanções generalizadas – apesar da recuperação econômica de 2021 a 2025, após uma contração do PIB de aproximadamente 75% – deixaram a Venezuela em uma posição vulnerável. Atualmente, a economia venezuelana opera a aproximadamente 30% do nível anterior às sanções.

O governo de Rodríguez tenta ganhar tempo para recuperar a economia, embora os terremotos de 24 de junho tenham desferido um duro golpe. Segundo as Nações Unidas, os danos físicos diretos são estimados em mais de 37 bilhões de dólares, o que representa mais de um terço do produto interno bruto da Venezuela.

A maioria dos venezuelanos deseja a paz interna e o retorno à prosperidade, não um confronto com o império.


“A unidade é o mais importante; sem ela, nada é possível; com ela, tudo é possível.”

Essas foram as palavras de Fidel Castro enquanto organizava a Revolução Cubana em 1956. O mais perigoso para a irmã Revolução Bolivariana é a sugestão de que a atual liderança traiu a causa e de que se pode promover uma “terceira via” verdadeiramente de esquerda para substituí-la. Sempre houve facções rivais dentro do movimento bolivariano. Mas as opções políticas devem ser resolvidas, em última instância, dentro da própria Venezuela, sem a interferência de forças internacionais.

Essas análises da “terceira via”, que rejeitam tanto Caracas quanto Washington, geralmente não abordam o que os venezuelanos poderiam fazer de forma realista neste momento histórico: abundam em críticas ao que está errado, mas escasseiam em alternativas viáveis.

Não faz muito tempo, eram pessoas como a ultradireitista María Corina Machado que destacavam “rachaduras e fissuras nas fileiras chavistas” e antecipavam “o início de uma explosão social” contra o governo venezuelano eleito. Agora, alguns ativistas solidários dizem o mesmo.

A “essência trágica” da desunião da esquerda na Bolívia deveria servir de lição de alerta sobre o que poderia ocorrer na Venezuela. A liderança chavista está dolorosamente ciente disso, daí seu esforço enérgico para estabelecer a frente unida mais ampla contra a colonização estadunidense. Longe de serem traidores da causa, os Rodríguez e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, representam os chavistas mais militantes: lutadores desde o início da revolução.


O que a solidariedade exige

A crítica construtiva e o ativismo solidário não precisam necessariamente se opor. As opiniões dissidentes são válidas quando contextualizadas e apresentadas como parte de um esforço colaborativo para avançar em objetivos comuns, e não como um desabafo individualista.

Alguns na esquerda se autoproclamaram guardiões da fé, julgando negativamente à distância a difícil e arriscada retirada tática empreendida pela liderança bolivariana, apesar de ela ter evitado um confronto militar suicida com o imperialismo estadunidense.

É compreensível a angústia e a decepção da esquerda internacional em relação aos retrocessos da Venezuela. Mas o Sul Global não está prestes a concretizar as aspirações revolucionárias daqueles que vivem no ventre da besta. Isso, deve ficar claro, é tarefa dos povos do núcleo imperial.

Como disse um amigo ativista venezuelano: “Vocês, os gringos, nos dizem como fazer nossa revolução, quando nosso problema é que vocês não conseguiram fazer a de vocês”.

Os venezuelanos determinarão seu caminho sem interferência estrangeira, seja da direita ou da esquerda. A solidariedade exige esforços para acompanhar e fortalecer, não para ditar regras. Os internacionalistas que vivem nos EUA, no Canadá e no Reino Unido devem se concentrar principalmente em nossos próprios imperialistas. Todas as outras contradições são secundárias.

O movimento de solidariedade deve se unir na mais ampla aliança em torno da defesa da soberania nacional e do direito à autodeterminação, opondo-se firmemente ao julgamento farsante de Nova York contra Nicolás Maduro e Cilia Flores, exigindo o levantamento de todas as sanções e pedindo a devolução dos ativos roubados.

O povo unido jamais será vencido.


Roger D. Harris é fundador da Venezuela Solidarity Network na América do Norte.

Francisco Dominguez é secretário nacional da Venezuela Solidarity Campaign no Reino Unido.

María Paez Victor é fundadora do Círculo Bolivariano Louis Riel no Canadá.

https://la-cronica-taquense.blogspot.com/2026/08/republica-bolivariana-de-venezuela-no.html?m=1

@comitecarioca21

                                            

Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba e às Causas Justas 

12 de ago. de 2026

O MARTÍRIO CUBANO NO CENTENÁRIO DE FIDEL CASTRO

                                      

 Roberto Amaral*

Ainda saboreávamos o Ano-Novo — era o réveillon de 1958-1959 — quando nos chegou, em Fortaleza, a notícia de que caíra, em Cuba, a ditadura de Fulgêncio Batista, de quem pouca ou nenhuma notícia tínhamos. O fato era este, tão só, mas sugeria algo de inusitado: não se tratava de mais uma quartelada dentre tantas que faziam e fazem a história do poder da classe dominante latino-americana, interferindo na governança para que tudo permanecesse como dantes no castelo de Abrantes: uma periódica recomposição oligárquica.
Desta feita, surpreendentemente, nos era dado conhecer uma insurgência de base popular que, descendo de Sierra Maestra, encontrava a consagração em Havana. Entre os líderes não se contavam nem sargentos, nem coronéis, nem generais. Este era seu caráter inusitado, principalmente no Caribe e na América Central dos anos 1950-60, uma virtual fazenda da United Fruit Company

Este verdadeiro "polvo" era muito mais do que uma empresa agrícola; era um superpoder econômico e político tão grande que ajudou a popularizar a expressão "república das bananas". A seu pedido, por exemplo, Washington determinou, via CIA, em 1954, a deposição de Jacobo Arbenz, presidente da Guatemala, que ousara levar a reforma agrária para suas terras improdutivas.

Naquele final dos anos 1950, Cuba ainda era, para nós, apenas uma ilha distante, o maior e talvez o mais requintado prostíbulo do Caribe, balneário de gângsteres controlado pela máfia e pelo tráfico, país sem economia própria, sem indústria, limitado à monocultura do açúcar e à produção de charutos.
De ilustre, era conhecido apenas o refúgio de Hemingway na Finca Vigía, onde escrevera O velho e o mar 1952). Nesta sua obra-prima, ele nos fala, por intermédio do protagonista Santiago, sobre a resistência humana em tempos difíceis. Difíceis já eram os tempos do povo cubano, sob a ditadura do sargento Fulgêncio Batista; mais difíceis seriam ainda os tempos de hoje, quando sua sobrevivência é ameaçada pelo império norte-americano, onipotente, diante do silêncio do mundo.

O mesmo silêncio e a mesma omissão (é bom recordar para evitar surpresas futuras) que, nos anos antecedentes a 1939, caracterizaram a covardia europeia (Inglaterra à frente) e o silêncio dos EUA diante da anexação da Áustria e, depois dos Sudetos, da invasão da Tchecoslováquia.

Logo ouviríamos falar em Sierra Maestra. Ainda estávamos em 1959 quando surgiram os nomes de seus heróis: Camilo Cienfuegos, Ernesto "Che" Guevara e Fidel Castro Ruz, seu líder. A história escrita a partir daí é conhecida e nos conta a transição política que alcança seu apogeu em 1961, quando Fidel, coincidentemente às vésperas da invasão da Baía dos Porcos, proclama o caráter socialista da Revolução (em plena Guerra Fria!), heroicamente preservado até aqui, no essencial, com as dores e os sacrifícios conhecidos. 

Nascia — fato único nas Américas — um Estado socialista a apenas cerca de 150 km dos EUA.

Cuba surgia como exemplo e luz profética, dizendo-nos que a revolução social era possível. Podíamos, então, sonhar com a revolução brasileira, com a qual, porém, não se compadeceu a história. Azar nosso.

Irrelevante do ponto de vista econômico, com seus menos de 7 milhões de habitantes (um bairro de Pequim) e 109.884 km² de extensão (menor do que o Ceará), a ilha que se fez rebelde cumpriu, por décadas, com imensos sacrifícios para seu povo, o papel de esteio da luta anticolonialista e anti-imperialista, indispensável para a construção de um mundo socialmente menos injusto, mundo que, no presente, parece distanciar-se de nós.

Em quase toda a África — Angola é certamente o exemplo mais relevante (uma jornada de 14 anos e 50 mil combatentes) —tropas cubanas estiveram lutando em defesa dos processos de libertação nacional. Com a óbvia exceção da Revolução de 1917 e, certamente, ao lado da Guerra do Vietnã, nenhum outro processo social terá influenciado tanto o mundo, e principalmente nosso continente, no século passado, quanto a Revolução Cubana: venceu reiteradas vezes o poderosíssimo império norte-americano; venceu o general Dwight Eisenhower, o primeiro presidente a decretar embargo comercial (1960); venceu John F. Kennedy e a invasão da Baía dos Porcos (1961); venceu Richard Nixon e as 634 tentativas de assassinato de Fidel Castro comandadas pela CIA (O Globo, 27/11/2016).
Vencerá o desvario Trump.

Cuba era a nossa Dulcineia, a ínsula que o sonho do cavaleiro nos prometia. Era uma esperança; sua resistência e sua sobrevivência (muitas vezes batendo de frente contra a lógica, resistindo contra a destruição certa e tantas vezes anunciada) valiam como o certificado de que eram possíveis e viáveis todos os nossos sonhos de jovens socialistas que logo seriam chamados para o enfrentamento da ditadura militar aqui instalada em 1º de abril de 1964, ditadura que a embriaguez do romantismo revolucionário não nos permitira prever e cujas bases ideológicas e políticas nos derrotaram em 2018 e, nesta década, ameaçam destruir nosso futuro.

Os inimigos de Cuba também tecem armas entre nós.

Fidel foi um Quixote quando subiu a Sierra Maestra para comandar uma revolução impossível, mas, a partir daí, seria o comandante de um projeto estratégico. Não foi um acaso sua chegada a Havana, nem a assunção ao poder, nem a opção pelo socialismo. Basta rever sua história, como belamente nos conta Cláudia Furiati em seu primoroso Fidel Castro: uma biografia consentida (Editora Revan, 2003).

Revolucionário e estadista, venceu os adversários com os quais se defrontou, e sempre em condições extremamente desvantajosas. Nenhum deles era moinho de vento, pois todos eram inimigos ferocíssimos, poderosíssimos, e o mais perigoso de todos, o império estadunidense, armado com modernos escudos, lanças e mesmo garras e dentes atômicos. O império luciferino que volta a atacar a Ilha e seu povo.

Visitei Cuba por diversas vezes, em tempos de bonança e nos tempos do "Período Especial" — assim chamado aquele que se sucedeu ao suicídio da URSS. Visitei a ilha como dirigente político, quando, com Jamil Haddad, estava incumbido da tarefa de reorganizar o Partido Socialista Brasileiro, então um partido de esquerda, que consignava em seu programa o compromisso com a defesa da Revolução Cubana. Velhos e saudosos tempos.

Foram muitas as delegações trocadas entre o PSB de então e o Partido Comunista Cubano. Conheci e convivi com seus principais líderes, como Manuel Piñero, o Barba Roja, Armando Dávalos e o comandante Jorge Risquet Valdés. Em algumas oportunidades, pude viajar por suas províncias, conversar com sua gente, visitar suas escolas e universidades, projetos agrícolas, centros cívicos, conviver com seus estudantes e intelectuais, dialogar, debater, discutir. Testemunhei suas dificuldades e pude acompanhar a dedicação majoritária em torno do grande projeto.

As circunstâncias ensejaram-me vários encontros — longas conversas, sem hora para começar e sem hora para terminar — com o "Comandante", em Brasília, em São Paulo e, principalmente, em Havana. No primeiro desses encontros, Fidel disputou com o senador Jamil Haddad quem mais conhecia o programa siderúrgico brasileiro.

Fui a Cuba noutras oportunidades para participar de congressos e seminários diversos. Na última vez em que estivemos juntos, eu integrava uma delegação de escritores e políticos brasileiros que comparecia a um congresso latino-americano sob a chancela da UNESCO. Nosso bate-papo começou por volta das 22 horas e só terminou em torno das 5 horas da manhã. Nesse encontro, Fidel teve a oportunidade de discorrer, para uma plateia espantada, sobre o quadro político de cada um de nossos países. E ele, só ele, passou grande parte do tempo falando de pé.

Sem maiores ilusões quanto à supremacia da práxis, chamava-nos a atenção para os dias vindouros, difíceis, dizia ele, para nossa surpresa coletiva, a reclamar de todos os militantes de esquerda muita reflexão, muita produção teórica. Muita recuperação das lições da História. Aquele homem, por excelência homem de ação e chefe de Estado, nos ditava a lição de Engels: "Não poderemos prever o futuro senão quando tivermos compreendido o passado."

A revolução impossível, que, no entanto, se fez e chega até aqui, enfrentando uma corrida de obstáculos que lhe impõe o desvario genocida dos EUA fez de Fidel Castro — a um tempo ator e objeto do processo histórico — o principal líder latino-americano do século XX, líder da relevância de Nelson Mandela.

Cuba, enfim, sob sua liderança, superou mais de 50 anos de cerco político-econômico, diplomático e militar da maior potência do mundo, sobreviveu à crise do socialismo real e à globalização. Derrotou as oligarquias, os insurgentes, os sabotadores internos e externos.

Até aqui. E hoje, no ano do centenário de Fidel, seu povo se sente só.

Só, desamparada, a pequena ilha do Caribe padece uma asfixia luciferina: afastada do comércio internacional, bloqueada militarmente, ameaçada de nova invasão, sofre de asfixia energética, já que depende do petróleo importado. Mas nenhum país — nem o Brasil, nem a China, nem a Rússia — se atreve a furar o bloqueio. Todos se rendem aos caprichos dos EUA. 

A única fonte de energia de que dispõe Cuba, hoje, são velhas termoelétricas movidas a petróleo, combustível que a grande potência e seus aliados acovardados lhe negam. Daí os apagões, que chegam a 20 horas diárias, impondo a paralisação da vida.

Passo a palavra a meu amigo Jorge Ferrera, ex-adido de Cuba no Brasil, que me escreve (no dia 6 do mês corrente) de Havana:

“Estamos sem eletricidade e sem conexão via internet. O último navio russo carregado de petróleo chegou a Cuba nos primeiros dias de abril, trazendo 100 mil toneladas de petróleo bruto, que foram refinadas no país. Isso representou um alívio, tornando possível que, durante cerca de 15 dias, não houvesse apagões em todo o território nacional.
De janeiro de 2026 até o momento, esse foi o único navio de petróleo recebido. Entre janeiro e junho deste ano, seriam necessários cerca de 40 navios para garantir a geração de eletricidade no país, mas apenas um chegou, o que ilustra a grave crise econômica e social que Cuba enfrenta desde que o governo Trump decretou o bloqueio petrolífero contra a ilha.”

No próximo dia 13 Fidel faria 100 anos.

·      *Com a colaboração de Pedro Amaral


11 de ago. de 2026

Será que governos amigos permitirão um genocídio contra Cuba?

                                 
Por Hedelberto López Blanch

   Seria muito difícil resumir em poucas linhas a enorme quantidade de ajuda humanitária não remunerada, somente no setor da saúde, que Cuba forneceu a mais de cem nações ao redor do mundo. 

 A prática da Revolução Cubana desde 1959 tem sido a de que, se um grande desastre natural ocorre em qualquer lugar do universo, o governo e seu povo estão dispostos a fornecer assistência urgente, independentemente do regime social ou do sistema vigente no território afetado.

Os exemplos são inúmeros: brigadas médicas foram enviadas para prestar auxílio ao povo chileno após os terremotos de 1960 e 1971; no Peru, em 1970, não só foi enviada assistência médica, como também sangue doado por 100 mil cubanos, e posteriormente, brigadas de trabalhadores da construção civil cubanos construíram 15 centros hospitalares.

Em 1963, uma brigada médica da Ilha chegou à Argélia para prestar apoio ao país recém-libertado, do qual quase todo o pessoal estrangeiro, que anteriormente prestava cuidados precários à população, havia partido.

Após o terremoto de 1972, e apesar da ditadura nicaraguense de Anastasio Somoza, apoiada pelos Estados Unidos, estar no poder naquele país, Cuba enviou imediatamente sangue, pessoal de saúde e medicamentos.

A ajuda humanitária cubana estendeu-se a muitas outras nações, como o Vietnã; a América Central durante as inundações da década de 1980; e o Paquistão após o terremoto de 1996, onde Cuba forneceu pessoal de saúde, medicamentos, suprimentos e equipamentos ortopédicos. A República Popular da China e a maioria dos países africanos também receberam assistência médica. Na Venezuela, no Brasil e na Nicarágua, entre outras nações, dezenas de milhares de profissionais de saúde cubanos atuaram.

A Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), que iniciou suas atividades em setembro de 1999, já formou mais de 12.000 médicos estrangeiros de cinquenta países, incluindo os Estados Unidos. 

A contribuição decisiva do governo e do povo cubano para a libertação de vários países africanos e a consequente eliminação do apartheid naquele continente, pela qual mais de 2.000 de seus filhos deram a vida, é inegável.

Considerando todas as políticas humanitárias e de solidariedade que Cuba implementou com diversos países ao redor do mundo sem pedir nada em troca, podemos nos perguntar: será que os governos do mundo permitirão que um genocídio seja cometido contra Cuba, como o que está sendo perpetrado pelas políticas agressivas e desumanas implementadas pelo império americano contra a ilha?            


Será que os Estados Unidos, com seu presidente condenado Donald Trump e o secretário de Estado mitômano Marco Rubio, continuarão pressionando vários países para que não enviem petróleo para Cuba?

Até quando nações poderosas e países amigos como Rússia, China, Brasil, México, Argélia, Angola e outros continuarão a obedecer às ações genocidas e injustas de Washington?

Será que não podem todos concordar em enviar o precioso petróleo para Cuba, que está sofrendo uma das guerras mais cruéis travadas por um império em declínio, mas extremamente agressivo?                             


Em um discurso recente durante as comemorações do dia 26 de julho, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel-Bermudez declarou:

"Os funcionários do Departamento de Estado, especialistas em redigir sanções, compilar listas e inventar pretextos, são uma versão moderna dos redatores de éditos e proclamações militares que eram tão temidos e odiados na Idade Média ou durante as ocupações nazistas da Segunda Guerra Mundial. Como se o resto do mundo fosse sua colônia, eles ditam como as coisas devem ser feitas sob ameaças de punição ou agressão."

“Denunciamos aqueles que conceberam, implementaram e sustentam esta política de sufocamento como responsáveis ​​pelo sofrimento do povo cubano. Denunciamos também aqueles que permanecem em silêncio e toleram os excessos da extrema-direita fascista estadunidense, que mente, rouba, mata e finge ser o Deus de todos os destinos. ”

Díaz-Canel então enfatizou: “O bloqueio dos EUA só funciona por causa da cumplicidade daqueles que temem o poder de Washington mais do que o julgamento da história. Este é um novo apelo à consciência mundial: Não se tornem cúmplices de outro genocídio. ”

E concluiu com uma declaração contundente: “Cada vez que uma parte do mundo permanece em silêncio diante da agressão contra Cuba, o direito internacional se enfraquece. Cada vez que um governo aceita as sanções ilegítimas impostas pelos Estados Unidos, o princípio da não intervenção é corroído. Cada vez que uma empresa é pressionada a abandonar seus investimentos em Cuba, e outras hesitam em investir por medo de represálias, a ditadura econômica de uma única potência se fortalece. Antes era Gaza, Líbano, Irã; hoje é Cuba. Amanhã pode ser qualquer outra nação. ”

E este comentarista pergunta, em conclusão: Será que algumas nações do mundo decidirão libertar-se do medo, unir-se e desafiar a guerra genocida dos Estados Unidos contra Cuba?

https://cubaenresumen.org/2026/08/04/permitiran-gobiernos-amigos-un-genocidio-contra-cuba/  

                                    

6 de ago. de 2026

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil entrega doação de medicamentos a hospitais cubanos.

O carregamento consiste principalmente em antibióticos de alta qualidade, essenciais para o atendimento médico e cirúrgico em um hospital terciário. Foto: Wennys Díaz Ballaga
                                   
O novo carregamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reafirma que, mesmo em circunstâncias adversas, a solidariedade entre os povos continua sendo uma força capaz de acompanhar e apoiar os esforços para preservar a saúde e o bem-estar das pessoas.


Como expressão dos laços históricos de solidariedade entre os povos de Cuba e do Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entregou na quarta-feira uma doação de 7,6 toneladas de medicamentos ao Sistema Nacional de Saúde Pública, uma contribuição que chega em um momento particularmente complexo para o país.

O Dr. Reynaldo Denis de Armas, vice-diretor do Hospital Clínico-Cirúrgico Hermanos Ameijeiras – uma das instituições beneficiadas – agradeceu, em nome do Ministério da Saúde Pública, o gesto de solidariedade e destacou a importância deste auxílio para uma instituição de referência nacional que atende pacientes de alta complexidade de todo o território.

Ele explicou que o carregamento é composto principalmente de antibióticos de alta qualidade, essenciais para o atendimento médico e cirúrgico em um hospital terciário, bem como outros medicamentos de alta demanda, incluindo o omeprazol, cuja disponibilidade é atualmente limitada no país.

"Esta é uma ajuda muito significativa neste momento", disse o funcionário, que reiterou sua gratidão ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra pela doação que ajudará a garantir a continuidade dos serviços sociais.

A doação faz parte de uma campanha de solidariedade contínua promovida pela organização brasileira. Anteriormente, o MST enviou 4,6 toneladas de medicamentos e suprimentos médicos para Cuba para apoiar os esforços de recuperação após o furacão Melissa na região leste do país, incluindo recursos destinados ao Instituto de Endocrinologia e ao Hospital Ortopédico Frank País.

Marcelo Durao Fernández de Oliveira, coordenador da brigada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil, afirmou que para essa organização é uma honra acompanhar o povo cubano e contribuir para o seu sistema de saúde, ao mesmo tempo em que denunciou os efeitos do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos à ilha.

"Cuba é um exemplo humanitário, humanista e internacionalista para o mundo", disse ele, e reafirmou que a solidariedade do MST continuará por meio de uma campanha permanente de apoio.

Durao Fernández explicou que, além dos carregamentos organizados com a colaboração das autoridades sanitárias cubanas, membros do movimento que viajam para a ilha contribuem com medicamentos como parte dessa iniciativa.

"Esta não é a última doação; nem a próxima será a última", assegurou o líder brasileiro, reafirmando seu compromisso em manter os laços de fraternidade e cooperação com Cuba.

O novo carregamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reafirma que, mesmo em circunstâncias adversas, a solidariedade entre os povos continua sendo uma força capaz de acompanhar e apoiar os esforços para preservar a saúde e o bem-estar das pessoas.


https://www.granma.cu/cuba/2026-08-05/movimiento-sin-tierra-de-brasil-entrega-donativo-de-medicamentos-en-hospitales-cubanos-05-08-2026-19-08-13

@comitecarioca                     

5 de ago. de 2026

Palestina, uma causa de Fidel (+vídeo)

O líder palestino Yasser Arafat visitou Cuba oito vezes, a convite do Comandante-em-chefe Fidel Castro. Photo: Liborio Noval
                                          

A causa do povo palestino encontrou um aliado em Fidel, que denunciou a injustiça nos mais altos níveis internacionais.

A causa palestina era a causa de Fidel. Desde o início da Revolução vitoriosa, Fidel dedicou seus esforços e solidariedade a ela, que expressou em Cuba, nos fóruns internacionais e nos mais altos níveis onde nosso país levantou sua voz.

Em 12 de outubro de 1979, o Comandante-em-chefe proferiu um discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, no qual informou sobre os acordos adotados na 6ª Conferência de chefes de Estado e de Governo do Movimento dos Países Não-Alinhados (Mnoal), realizada naquela época na capital cubana.

Tanto na Cúpula quanto em outros fóruns, a situação palestina ocupou tempo e discussão, principalmente nas denúncias contra o governo israelense por sua agressão, expansionismo e ocupação ilegal de terras palestinas, todas apoiadas por sucessivos governos dos Estados Unidos.

Fidel então declarou: «Para os Países Não-Alinhados, a questão palestina é o cerne do problema do Oriente Médio. Os dois formam um todo integral, que não pode ser resolvido separadamente».

E argumentou: «A base para uma paz justa na região começa com a retirada total e incondicional de Israel de todos os territórios árabes ocupados e pressupõe para o povo palestino o retorno de todos os seus territórios ocupados e a recuperação de seus direitos nacionais inalienáveis, incluindo o direito de retorno à sua terra natal, à autodeterminação e ao estabelecimento de um Estado independente na Palestina, de acordo com a Resolução 3236 da Assembleia Geral».

O líder cubano então declarou: «Repudiamos com todas as nossas forças a perseguição implacável e o genocídio que o nazismo desencadeou contra o povo judeu em sua época. Mas não consigo me lembrar de nada mais semelhante em nossa história contemporânea do que a expulsão, a perseguição e o genocídio que o imperialismo e o sionismo praticam hoje contra o povo palestino. Despojados de suas terras, expulsos de sua própria pátria, dispersos pelo mundo, perseguidos e assassinados, os heroicos palestinos constituem um exemplo impressionante de altruísmo e patriotismo, e são o símbolo vivo do maior crime de nosso tempo».

E Fidel perguntou aos presentes: «Alguém pode se surpreender que a Conferência (do Movimento dos Países Não-Alinhados), por razões que não decorrem de qualquer preconceito político, mas de uma análise objetiva dos fatos, tenha sido obrigada a salientar que a política dos Estados Unidos desempenha um papel fundamental para impedir o estabelecimento de uma paz justa e completa na região, alinhando-se com Israel, apoiando-o e trabalhando para obter soluções parciais favoráveis aos objetivos sionistas e garantindo os frutos da agressão israelense às custas do povo árabe da Palestina e de toda a nação árabe?»                                               

                               No YouTube se pode optar por legendas automáticas em português 

O compromisso do Comandante-em-chefe com essa causa não se limitou a discursos. Como homem de coerência em palavras e ações, também estabeleceu relações solidárias com o líder palestino Yasser Arafat, a quem convidou para visitar Cuba, percorrer parte do país e realizar encontros amistosos. Esses encontros serviram de base para um grande relacionamento que os transcendeu, unindo inclusive seus povos. 

Arafat visitou a ilha oito vezes. Em 16 de junho de 2001, enviou uma mensagem a Fidel, cujo conteúdo expressa uma amizade consolidada.

Em seu discurso, o líder palestino expressou: «Com profunda emoção, pudemos ver ontem, nas agências de notícias internacionais, a imagem de Vossa Excelência com o lenço palestino nos ombros, liderando uma manifestação popular de solidariedade à luta de nosso povo heroico»

E argumentou: «Considero, Sua Excelência o presidente Fidel Castro, esta demonstração de firmeza e amizade inquebrantável ocorrida em Havana, como uma mensagem forte e eficaz, de um querido líder mundial, que goza de grande prestígio internacional entre todos os povos e países do mundo, com o objetivo de mobilizá-los rapidamente, para pôr fim ao sofrimento do povo palestino em consequência da ocupação israelense de sua pátria, e da intensificação das ações e do bloqueio militar, econômico e financeiro contra nossas cidades, vilas, povoados, fazendas e poços de água e do fechamento das passagens de fronteira internacionais por terra, ar e água».

                                           

E a carta concluía: «Todo palestino hoje guarda em seu coração e consciência esta imagem gloriosa de Vossa Excelência com o lenço palestino sobre os ombros, que é prova irrefutável da justiça de nossa causa e da magnitude da injustiça cometida pelos agressores israelenses contra nosso povo. Tenha plena confiança, Vossa Excelência Presidente Castro, tão amado por nosso povo e por todos os povos, que o nosso, resiliente como as montanhas palestinas, extrai de sua posição e exemplo, que nos orgulham, maior coragem e determinação para continuar a luta, a resistência e a Intifada para expulsar os ocupantes israelenses de nossa pátria, a Palestina».

Agora, 46 anos após o memorável discurso de Fidel na ONU, a realidade nos apresenta o mesmo Israel: ocupante, agressor e genocida, com o governo dos Estados Unidos cada vez mais implicado nesse crime, enquanto a população palestina morre, sofre e continua à espera de ações de organizações internacionais. Vemos também uma comunidade global mais comprometida com a paz na Palestina. E um povo cubano firme em sua posição de apoio aos filhos da terra de Yasser Arafat, amigo de Fidel e da maior Ilha das Antilhas

Os laços forjados pelo Comandante-em-chefe com a Palestina transcenderam os laços entre os líderes e uniram os dois povos. Photo: Dunia Álvarez Palacios


https://pt.granma.cu/mundo/2025-08-07/palestina-uma-causa-de-fidel

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