11 de jun. de 2021

OS SEIS MESES DE BIDEN, CUBA E AS PROMESSAS VELADAS #EliminaElBloqueo



   Não poucas expectativas despertaram em algumas pessoas a chegada à Casa Branca de Joe Biden. Seus discursos de campanha fizeram o mundo respirar aliviado depois de ter sofrido os ataques do ex-presidente megalomaníaco Donald Trump.

   É verdade que a respeito de Cuba nunca falou com clareza, disse que revisaria a política do anterior ocupante do Salão Oval, mas não disse quando ou por que, em duas ocasiões se referiu ao papel dos cubano- americanos, tampouco de forma clara, disse algo assim que deixaria a solução do problema de Cuba para os cubanos e que os cubanos que o interessavam eram os que viviam nos Estados Unidos.

   Após cerca de seis meses de governo, na atual administração, pouco se fez na arena internacional, as tensões aumentaram entre os EUA e a Rússia, as tropas ianques continuam no Oriente Médio, no que diz respeito à América Latina, tudo continua igual, ao que parece que vamos ter Monroe por um tempo norteando as relações com o Continente ao sul do Rio Grande.

    A prometida revisão da política criminal seguida pelo governo Trump contra a maior das Antilhas, parece ter concluído com a decisão de continuar a mesma linha de ação, não só Biden nada fez para eliminar as mais de 240 medidas de cerco unilateral econômica, mas decidiu desferir seus próprios golpes.

   Aconselhado pela sombra nefasta de sua "eminência parda" Mauricio Claver-Carone, sempre nos bastidores, o senador Marco Rubio e outros membros do lobby anti-cubano em Washington, decidiram esperar pela "queda eminente do regime cubano" previsto por Carone "é questão de tempo", garante.

    O discurso do lobby anti-cubano de hoje relembra aquela estratégia ianque do final do século XIX que aconselhava usar "a fome e sua eterna companheira a peste" para dizimar a população cubana e o Exército de Libertação, a fim de derrotar os que o eram. Era muito difícil tentar vencer pelas armas em seu projeto de anexação.

     Joe Biden não só manteve intactas as medidas unilaterais de Trump que reforçam o Bloqueio Econômico, Comercial e Financeiro, já em fevereiro, como prorrogou até 2022 a declaração de emergência contra Cuba aprovada em 1996. Tal declaração impede a entrada de qualquer embarcação registrada nos Estados Unidos em águas territoriais cubanas.

    Como se não bastasse, manteve Cuba na espúria lista de países que, segundo Washington, não colaboram suficientemente na luta contra o terrorismo, o que justifica qualquer ação contra Havana, inclusive a perseguição de transações financeiras.

   Por outro lado, a rejeição global contra a política de cerco econômico dos EUA cresce a cada dia, mesmo dentro do próprio país do norte.

   As manifestações têm ocorrido nas principais cidades do mundo, da América e Europa à Ásia e África, exigindo a eliminação imediata e incondicional do cerco mantida pelos Estados Unidos contra a Ilha há mais de 60 anos.

     A rejeição das medidas coercitivas de Washington contra a Maior  das Antilhas, unilaterais, extraterritoriais, em violação do direito internacional e dos direitos humanos dos cubanos, especialmente em tempos de pandemia COVID-19, mobiliza pessoas honestas e de boa vontade.

     No dia 23 de junho, o projeto de resolução de Cuba contra a política de Washington será apresentado na Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), que, sem dúvida, como aconteceu em anos anteriores, terá o apoio quase absoluto da comunidade internacional.

     Esperamos que o atual presidente, Joe Biden, deixe de lado de uma vez por todas uma política fracassada, que causa inúmeros sofrimentos aos cubanos, uma política ignóbil e covarde, que não leva a lugar nenhum, porque nunca poderão derrotar um povo com orgulho de sua soberania e de seu sistema social e político que constrói com o esforço e sacrifício da maioria.

                  

 #EliminaElBloqueo 

Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba

https://www.cubaenresumen.org/2021/06/los-seis-meses-de-biden-cuba-y-las-veladas-promesas/

Retirado do cubano El Adversario / foto da capa: AF



                                             Vídeo irônico sobre os EUA e como descobrem os verdadeiros "terroristas" :







9 de jun. de 2021

FORO DE SÃO PAULO NA CAMPANHA CONTRA BLOQUEIO A CUBA #EliminaElBloqueo

 


     O Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba se une à Campanha do Foro de São Paulo pelo fim do bloqueio imposto a Cuba há seis décadas pelos governos estadunidenses.  

      Seguimos em luta pelo fim desta medida unilateral e criminosa que o povo cubano sofre diuturnamente e que consiste em verdadeira guerra contra um país que envia "Médicos, não bombas!" a diferentes países em clara demonstração de pura solidariedade. 

    Em um mundo devastado pela pandemia da Covid-19, ou nos salvamos todos e todas ou ninguém estará a salvo. Esta importante lição a humanidade terá que aprender, pelo amor ou pela dor.

     Que seja a primeira opção. Chega de bloqueio! Basta! 


                                              #EliminaElBloqueo 


                        VEJA A CAMPANHA E PARTICIPE: 


Desde o Foro de São Paulo, iniciamos a campanha: Bloqueio não, solidariedade sim – Nossa América pela vida, que se realizará até 23 de junho, data da votação na Assembleia Geral das Nações Unidas da resolução 74/7 titulada “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, financeiro e comercial do Estados Unidos contra Cuba.

O objetivo é denunciar o caráter extraterritorial e a violação do direito internacional que constitui a aplicação do bloqueio, principal obstáculo ao desenvolvimento econômico e social de Cuba e que constitui a mais flagrante e maciça violação dos direitos humanos dos povos da Nossa América.

O mundo vive o impacto da crise multidimensional, agravada pela pandemia do COVID-19 e pelas políticas neoliberais, que colocam o mercado acima da vida do ser humano, ao invés da cooperação e solidariedade prevalecerem. Durante a pandemia, em vez de suspender as medidas unilaterais contra Cuba, o que assistimos é o agravamento dessas medidas, que afeta diretamente a capacidade dos países de conter a pandemia.

Em tese, as sanções unilaterais dos Estados Unidos dizem que os medicamentos estão isentos. Mas a realidade é que não é possível comprar suprimentos médicos com facilidade, transportá-los para esses países, nem usá-los em seus sistemas de saúde principalmente públicos. Este embargo nesta era de COVID-19 não é apenas um crime de guerra de acordo com os parâmetros da Convenção de Genebra (1949); conforme definido pela Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas, é também é um crime contra a humanidade.

Ao contrário do Bloqueio, o que Cuba oferece à humanidade é solidariedade e cooperação. Sua brigada médica solidária oferece serviços médicos em mais de 40 países e a Ilha está também produzindo as primeiras vacinas candidatas da América Latina e do Caribe.

O Bloqueio afeta diretamente a vida das pessoas na América Latina e no Caribe e seu agravamento durante a pandemia é muito preocupante. Convidamos você a conhecer a campanha e a se juntar a essa divulgação de informações. A chave para superar este momento difícil é a cooperação e a solidariedade.

(Da página do FSP )

 saiba  mais :

 https://forodesaopaulo.org/campanha-bloqueio-nao-solidariedade-sim-maio-e-junho







RAMÓN LABAÑINO : A HONRA DE SERVIR E SALVAR VIDAS #EliminaElBloqueo


Por  Ana Álvarez Guerrero.

    Na mesma década em que nasceu Ramón Labañino, ocorreram cem atos terroristas. Girón, bombardeios, guerrilhas de vandalismo, Programa de Ação Secreta contra o regime de Castro, o início de investimentos milionários da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos. Enquanto houve mudanças e revolução, também ameaças e morte. Os anos sessenta.

   Marianao. Dentro de um corredor muito estreito, uma casa modesta e um banheiro comum para várias famílias, Ramón, o mais velho dos irmãos, teve seus primeiros anos.

    Sua mãe, uma dona de casa. Seu pai, jardineiro, segurança do Náutico. E uma infância “que eu não trocaria por nada” - diz ele - em meio a carrinhos de bebê, piões e bolas.

 “Papi” - como seus pais, familiares e amigos mais próximos o chamavam - era uma criança que gostava, além de esportes, matemática, ciências. Ele tinha a ideia de viver atrás de um microscópio, sendo um cientista, um trabalhador de laboratório, um médico. Não foi assim.

- Como você mudou o curso de sua história?

   Economistas eram necessários. Houve até várias carreiras ligadas à economia. Nesta fase, os amigos influenciam muito. E no final decidi pela Economia da Indústria. Quando terminei o segundo ano, com a média de cinco pontos, fui para Planejamento da Economia Nacional.

  No meu quarto ano de universidade, alguns colegas me abordaram para perguntar se eu queria ser membro do Ministério do Interior. Disse que sim. Estava na casa dos 20 anos.

   Era a época de 'David', En Silencio ha tenido que ser, Julito el Pescador. Se sentia aqueles seriados como se fossem seus. Ser como David era o desejo dos meninos: destruir os planos terroristas, punir os traidores, os assassinos. Acho que isso me marcou, minha geração também. Sofremos muito com atos terroristas. O avião de Barbados, que terrível! O Comandante disse: “quando um povo enérgico e viril chora, estremece a injustiça” e a sentimos em primeira mão. A impotência de não poder conter os terroristas. O que eu não sabia é que em algum momento teria uma missão desse tipo.

   Minha mãe, que sempre influenciou muito minha vida, sempre quis que eu fosse militar. De alguma forma, realizei seu sonho, embora nunca tenha dito nada a ela. Era um militar sem uniforme, mas eu tinha orgulho disso.

    Quando terminei a universidade, passei por um processo mais complicado de estudos dentro do Ministério. Fizemos trabalhos de todos os tipos. Enfim, no início dos anos noventa não se cumpria a missão de integrar as fileiras da Segurança do Estado para enfrentar os atos terroristas procedentes, sobretudo, do território norte-americano, da área da Flórida. Aí começamos a cumprir missões muito honrosas: defender a Pátria nas entranhas do império.


Raul concede a Ramón o título de Herói da República de Cuba e a Ordem Praia Girón em fevereiro de 2015. Foto: Irene Pérez/ Cubadebate 

Os anos oitenta e noventa são marcados pelo susto. Dispositivos explosivos em hotéis, lojas, escolas, embaixadas cubanas. Tentativa de assassinatos. A Fundação Nacional Cubano-Americana e suas “missões”, os “Hermanos al  Rescate” e suas “Flotilhas de la  Libertad”. A CIA e seu manual para liquidar a Revolução.

Como nos defender? Lá estavam eles,  estão eles. Em segredo, com seus nomes ou com outros.


 - O que significa assumir outra identidade?


  É talvez uma das partes mais complicadas. Você carrega o nome de outra pessoa, uma biografia completa: o lugar onde nasceu, viveu, estudou, seus pontos de ônibus, telefones, endereços ... Tudo de memória.

  Às vezes, não é uma única personalidade, mas várias. É um processo de convicção interior. Como ator, se você não acredita no personagem que está interpretando, então o trabalho não vai bem. Você gosta, mas é difícil.

  No caso dos Cinco, Gerardo, Fernando e eu éramos os que tínhamos dupla identidade. É um processo psicológico, com muita memória, existem mecanismos. A lógica ajuda muito, conhecer os detalhes dessa biografia. Uma vez que você está 'no personagem', você consegue, se sente confiante.

   Isso não significa que você está confiante. Ao menor erro, qualquer um pode dizer "seu sotaque não é daquele lugar, é de outro" ou "você não parece um porto-riquenho", por exemplo. E assim você vive com extrema cautela e vigilância. Sem cair na paranoia, mas alerta 24 horas por dia. O mais importante é estar atento para não cometer erros. Um erro pode levar ao desastre.

  Os sucessos sempre eram comemorados em particular quando uma missão era concluída. Em um quarto de hotel ou na casa onde morava, fazia um brinde. "Pela Revolução. Pela família. Por nossos companheiros ”.

  Todos estavam longe. Poucos sabiam que Ramón, Luis Medina, aliás el Oso, estava tão perto de Orlando Bosch, autor de dezenas de atos terroristas contra Cuba; ou personagens perigosos da Fundação Nacional Cubano-Americana. Seguia suas ações, coletava informações. Seu objetivo era evitar que as bombas fossem detonadas aqui ou ali, afetando Cuba. Tínhamos, temos, o direito de nos defender.


12 de setembro de 1998. Um pequeno apartamento, um quitinete em  Hollywood Beach. 5:30 da manhã.


  “De repente, você sente que muitas pessoas estão atacando você:  FBI. ' parado! , parado!’. Eles jogam você no chão. Você está sonolento. Eles acorrentam você. Colocam algemas em você. Naquele momento, você nem percebe. Você reage e diz, 'isso não pode estar acontecendo', 'é um erro', 'talvez uma apreensão de drogas', mas você nunca pensa que é pelo motivo real.

   No Estado-Maior de Miami, eles realizam conosco uma entrevista convincente. Para trairmos, em essência.

Lembro-me do oficial do FBI, um porto-riquenho, chegando e dizendo: 'Olha, estou aqui para te ajudar, estamos te dando uma chance. Se você colaborar conosco, você vai para a rua imediatamente. Só quero que me diga seu nome verdadeiro, onde nasceu e onde cresceu.

—Meu nome verdadeiro é Luis Medina, nasci em Houston, Texas e fui criado em Porto Rico.

-Não não não. Você não entende muito bem, me diga a verdade. Além disso, esqueça Fidel, sobre a Revolução Cubana. Você já sabe qual é o nosso livro. Você vai enfrentar muitos anos de prisão. Muitos. Ou pior. A única saída que você tem é colaborar comigo.

-Está bem. Eu quero colaborar. Me diga o que você quer.

"Diga-me seu nome, onde você nasceu."

—Meu nome verdadeiro é Luis Medina. Nasci em Houston, Texas, e fui criado em Porto Rico.

O homem começou a ficar vermelho e me disse:

"Você não entende muito bem." Sua situação é crítica. Se você colaborar conosco, nós o tiraremos de lá imediatamente, podemos lhe dar uma nova identidade, dinheiro, o que você quiser. Diga-me a verdade.

- A verdade é o que estou te dizendo. Meu nome é Luis Medina, nasci em Houston, Texas e cresci em Porto Rico.

Não sei como ele não me agarrou pelo pescoço. Foi aí que a entrevista acabou ”.

Os Cinco no concerto de Silvio Rodriguez no Estádio Latino americano em dezembro de 2014
 Foto : Irene Pérez/ Cubadebate 

  17 meses na solitária. Depois, as "batalhas jurídicas" - como Ramón as chama -. Uma história mais ou menos conhecida, mas em sua versão, novas nuances aparecem.

   “O julgamento durou cerca de 7 meses, um dos mais longos da história dos Estados Unidos. Ele tinha de tudo, desde espionagem, relações internacionais Cuba-EUA até terrorismo. A ideia era nos punir e não íamos nos ajoelhar diante deles.

   Fomos vitoriosos. Desde o primeiro dia, provamos que eles eram os terroristas. Imagine trazer para ele fotos do Alpha 66 treinando com alguns rifles muito grandes, alguns com M-50s. Os M-50s são metralhadoras com balas enormes. Eles disseram que era para matar tubarões. Imagine.

   Golpe após golpe, a promotoria se escondia debaixo da mesa toda vez que íamos fazer uma declaração por meio de nossos advogados.

   Poderíamos dizer "não machucamos ninguém, não matamos ninguém, não batemos em ninguém, não tínhamos arma nenhuma". Tudo estava no nível de inteligência. Busque informação sobre grupos terroristas, envie a Cuba e aí tome medidas para neutralizar a atividade.

  A única maneira de você entender nosso julgamento é que foi político, portanto, todas as razões foram políticas. Quando há política, não há mais nada nos Estados Unidos. No final, fomos considerados culpados de todas as acusações. Foram 26 no total.

  É assim que Gerardo acaba com duas sentenças de prisão perpétua, mais 15 anos. Duas sentenças de prisão perpétua são: "você morre uma vez, nasce de novo e cumpre outra cadeia, morre de novo e cumpre mais 15 anos."

   Sempre tive sorte, eles me deram prisão perpétua, mais 18 anos, assim como Tony (prisão perpétua, mais 10). Morremos uma vez e resolvemos o problema - diz ele, os olhos semicerrados de tanto rir -.

   Agora se diz assim, mas é complicado. Mais do que tudo, está atacando sua psique para destruí-lo como ser humano. 'Você vai passar o resto da sua vida neste quadrado' e não importa o quão feio ou bonito seja, é pensar que você não verá mais nada. Psicologicamente, isso afeta você. Mas essas foram as sentenças. Então veio a transferência para a prisão.

   Eles me mandaram para uma chamada "terra sangrenta", uma das mais brutais, assim como a de Gerardo, em Victorville, Califórnia. Havia muitas máfias. As máfias são as que controlam as prisões.

Quando vou …

   Me acordam às 3 da manhã, acorrentam meus pés, minha cintura, colocam algemas em mim. Uma corrente vai dos pés à cintura, outra da cintura às algemas e ainda por cima uma caixa preta. Você não consegue mexer as mãos, corta a pele.

   Nessas condições, comer alguma coisa é impossível e ir ao banheiro muito menos. Então das 3 da manhã às 8 ou 9 da noite é que você chega na prisão. A essa altura, tudo o que você quer é deitar no chão, mas há um processo. Geralmente rápido. O capitão, os três seguranças atrás, a pasta dos prisioneiros.

   A minha era assim - mão direita suspensa sobre a esquerda, espaço no meio - imagino quantas coisas o FBI tinha colocado. Pensei ‘se este homem começar folha por folha, nunca mais terminaremos ’. Mas não. A primeira coisa que ele fez foi me dizer: ‘Então você é um prisioneiro político. Ah, isso significa que você odeia meu presidente Bush. "

  Ano 2002. Uma pergunta provocativa com o objetivo de me mandar para a solitária. O que nós, cubanos, fazemos em situações extremas? Nós rimos. Mas uma risada de ‘como estou ferrado’. O que acontece é que o capitão da prisão não interpreta da mesma forma, ele é americano.

"Ah, você se acha valente." Está bem. Vou te enviar uma semana para a solitária, para que você saiba que isso é sério. E depois de uma semana vou colocá-lo com o cubano mais cruel nesta prisão, que também é o chefe da prisão. Então você vai ter dificuldades.

   Na prisão aprendi com os companheiros que, embora as mesas do refeitório estejam vazias, não se pode sentar em nenhuma. Cada mesa pertence a uma máfia. Se você for 'para fora', o lugar é distribuído entre as máfias. A política na prisão é outro mundo e você tem que aprender suas regras para sobreviver.

    No nosso caso foi mais complicado porque tivemos que aprender a morar ali, mas evitar que isso entrasse no sangue, para não acabarmos nos tornando delinquentes.

   Termino a semana na solitária. Eles me dão as roupas. Eu estou indo para a unidade. Assim que entro pela porta da frente, vejo um homem sentado em uma cadeira. Alto, magro, o uniforme impecável. Calças e camisas passadas, botas engraxadas. E um lenço no rosto, cara bonito dos anos oitenta. Ao lado dele, dois homens de pele escura, disse, ‘os guarda-costas’, pensando que se tratava de uma super mafioso internacional.

-Vem cá. Então você é um dos espiões de Fidel, do tipo que a imprensa fala por aí?

   Na minha cabeça já estava pegando um pela orelha, outro pelo nariz. E eu respondo que sim, que sou um dos homens de Fidel

- Qual é o problema? —A esta altura, eu também estava de valentia.

O homem salta da cadeira.

- Meu irmão, mas vocês são valentes de verdade. Vocês são os homens de Fidel.

    Fiquei chocado. Todo respeito por mim ou pelos Cinco era por sermos homens de Fidel. Uma coisa é falar de Fidel, o símbolo. Outra é viver a realidade de que sua vida foi salva por ele. Se não fosse por isso, eles teriam me matado lá ”.

     Ramón explica que se busca recursos para “sair da prisão”. Não faz sentido se espremer em um espaço mínimo. Olhar para a parede.     Por isso optou por estudar. Qualquer curso que estivesse  em oferta, aceitava. Assim, acumulou vários títulos. Economia do Capitalismo, como investir na Bolsa, Imobiliário, Caligrafia, Elaboração de leis. E mais.

   Com as mãos - ásperas e desajeitadas, segundo a sua classificação - fazia colares indianos "com bolinhas", pintava, tentava tocar violão, fazia carteiras de couro para cada uma das filhas, e poucos sabem, tinha entusiasmo sobre a técnica do crochê.

   "Para tricotar. Isso me fazia rir alto. Eu, com uma pequena agulha. Pegava uma velocidade ... Gastava horas e horas nisso. Você esquece que o mundo existe. Eu estava começando a fazer lindas figuras e combinações. Vermelho com verde. Vermelho com azul. Coisas malucas que vêm à mente. Aprendi o básico, mas queria saber mais. E com amiga nossa da solidariedade na Califórnia, pedi um livro de crochê. A mulher dizia: "O que aconteceu com esse cara agora?" Comprei os fios, disponíveis na prisão e muito baratos, as agulhas. Me enquadrei, investi muito tempo nisso.

   Repare no vício, que às vezes chegava em um lugar e se  não tivesse as agulhas inventava com um lápis. Cutucava a ponta com uma lâmina de barbear, como um gancho. Perfeito! Só que as lacunas (os pontos) saíam maiores  ”.

   Também escrevia cartas, poesia. Lá nasceram Gaviota Blanca e Poemas Diáfanos, de seus livros já publicados. Também as histórias, que saem de seu diário, compiladas no Hombre del Silenciodas quais haverá em breve uma segunda parte.

A outra coisa era ler.

“Gostei muito dos livros de história geral, biografias, Lenin, Hitler ... O melhor livro de todos que li na prisão chama-se Hombradia, de Antonio Maceo. Que tremendo! É um daqueles que tem um gancho na primeira página e você não consegue largar . Outro que gostei foi Socialism Betrayed. Muito interessante. Foi-me enviado por Roger Keeran e Thomas Kenny, dois escritores e economistas marxistas americanos. Também li muitos livros de ficção científica. Até mesmo Harry Potter. E a poesia que não podia faltar. Martí, Mario Benedetti… O favorito é Martí. O dicionário do Marti sempre me acompanhou. Eu tenho isso como referência. Não sei o que Martí tem que quando você lê você quer escrever, ler mais ”.


"Havia medo na prisão?"

   “Todos nós sentimos medo, o problema é superá-lo. O mais difícil é a vida cotidiana. Você vive entre criminosos. Tem gente que pode te matar por 10 pesos, por 100 pesos. Você tem essa situação todos os dias. Mas o medo se torna uma arma de defesa. Isso o mantém alerta.

   Certa vez, senti um perigo iminente. Um preso começou a dizer que "os agentes de Castro tinham que ser mortos". Eu o confrontei. “Há algo errado?” Felizmente o homem reagiu bem e disse “não há problemas”. É um estado perpétuo de tensão. Depois que estávamos livres, foi como ... 'Oh, já  descansei.'

Os Cinco em casa! Foto: Irene Pérez/Cubadebate 

    Já conhecemos a história do retorno. 17 de dezembro de 2014. Os nervos, a empolgação, a alegria. Desde então tem sido aprender, saber, abraçar parte das pessoas que o assumem como uma família, algo que eles gostam e a pandemia proibiu, mas que lhes dá “satisfação, uma honra tremenda, uma responsabilidade altíssima de nunca falhar com eles. "

    Ramón não imaginava que pudesse ser "David", até que em silêncio teve que ser. E diz, é uma honra que carrega sempre no peito: "fazer parte da Segurança do Estado", do Ministério, que é também: Polícia Nacional Revolucionária, Direção Técnica de Investigações, Trânsito, Guarda Fronteira , Investigação Criminal e Operacional, Atendimento a Menores, Segurança Pessoal, Estabelecimentos Penitenciários, Corpo de Bombeiros e outras entidades, que hoje completam 60 anos.

 “Atualmente ainda existem atos terroristas e existem nossos companheiros. Há outra batalha contra a subversão, o golpe suave. Eles estão aplicando o manual em nós com todas as letras e com todos os algoritmos. Nós também somos contra isso.

 Neste 60º aniversário, é bom pensar nas mulheres e homens muito valiosos que comprometeram suas vidas pelo bem-estar do povo. Alguns morreram em batalha, outros nunca serão conhecidos porque vivem no anonimato. Alguns estão aqui, outros ali, onde é necessário descobrir um plano subversivo ou terrorista contra Cuba.

   Os companheiros do Ministério do Interior têm um alto profissionalismo. Nosso trabalho, o dos Cinco, é a prova disso. Sem dúvida, eles nos prepararam e fizeram bem. Podemos estar confiantes e certos de que temos uma organização de nível superior. Reconhecido internacionalmente, até mesmo  pelos serviços especiais inimigos,  como um dos melhores do mundo.

 Não somos movidos por dinheiro, não somos movidos por mesquinharias humanas ou interesses materiais. Nos movemos por consciência e amor por nosso povo. É a honra de servir e salvar vidas. Por isso o trabalho do Minint é tão sublime e belo ”.



                                          Tomado de Cubadebate/ Foto de portada: Irene Pérez/ Cubadebate.



Tradução: Carmen Diniz/ Comitê Carioca 

https://www.cubaenresumen.org/2021/06/ramon-labanino-la-honra-de-servir-y-salvar-vidas/



                                 #EliminaElBloqueo 


8 de jun. de 2021

DECLARAÇÃO DA COMISSÃO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA ASSEMBLEIA NACIONAL DO PODER POPULAR DA REPÚBLICA DE CUBA


Declaração de denúncia da Comissão de Relações Internacionais da Assembleia Nacional do Poder Popular da República de #Cuba ante  uma nova manobra no Parlamento Europeu. #CubanosConDerecho

      Soubemos com indignação que um pequeno grupo de eurodeputados que responde à agenda de Washington, conseguiu incluir na próxima Assembleia Plenária do Parlamento Europeu, a realizar-se no dia 8 de junho, um ponto relacionado com a Situação Política e Direitos Humanos em Cuba.

     Querem que seja adotada uma resolução contra o nosso país, distorcendo a realidade em que vivemos; estão  tentando desesperadamente romper os laços que nos ligam à União Europeia e impedir a implementação do Diálogo Político e do Acordo de Cooperação que está sendo desenvolvido com base no respeito mútuo e na igualdade entre os nossos Estados.

    Não nos surpreendemos com tais ações, elas são típicas dos padrões duplos que as motivam, dos padrões duplos que as caracterizam.

     Parecem preocupados com o exercício dos direitos humanos em Cuba, um país livre, independente, soberano, democrático, de justiça social e solidariedade humana, onde o povo decide seus destinos e onde, segundo um princípio inviolável de Martí, contido na Constituição , a primeira lei  da República é o culto dos cubanos à plena dignidade do homem.

    É curioso que, tão inquietos  pelos direitos humanos em Cuba, não tenham convocado o Parlamento Europeu para analisar a principal violação dos direitos humanos sofrida pelo povo cubano, que é o bloqueio genocida imposto ao nosso país há 62 anos e deflagrado a limites qualitativamente inacreditáveis ​​em meio a uma crise econômica global e pandemia; um bloqueio que atinge também os cidadãos da Europa, especialmente os seus empregadores.

   Também atuam com total insensibilidade às flagrantes violações desses direitos cometidas nos Estados Unidos e em outros países do mundo, inclusive na própria Europa, em que as manifestações de brutalidade policial, aplicação de políticas discriminatórias contra migrantes foram exacerbadas no último ano , discursos que promovem ideias de ódio e supremacia, ou violações da liberdade de imprensa e expressão, bem como manifestações de racismo, xenofobia e outras formas de intolerância.

   Denunciamos esta manobra daqueles que não representam todos os membros do Parlamento Europeu. Estes exercícios politizados respondem a exigências de interesses externos que procuram comprometer a ação independente da União Europeia na política externa.

   Respeitosamente, apelamos aos eurodeputados para que não façam o jogo desta infâmia, para impedirem esta manobra.


Comissão de Relações Internacionais.

Assembleia Nacional do Poder Popular.

                                                      Havana, 4 de junho de 2021.





                                 #EliminaElBloqueo 


Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba

https://siempreconcuba.wordpress.com/2021/06/05/declaracion-de-denuncia-de-la-comision-de-relaciones-internacionales-de-la-asamblea-nacional-del-poder-popular-de-la-republica-de-cuba-ante-nueva-maniobra-en-el-parlamento-europeo-cubanosconderecho/


A FARSA DO DEBATE SOBRE CUBA NO PARLAMENTO EUROPEU

                                        Cuba critica debate convocado no Parlamento Europeu para agredi-la 

 

      Bruxelas, 7 de Junho de 2021. - O Parlamento Europeu convocou, para a terça-feira, 8 de Junho, um artificial debate sobre o que deram por chamar “a situação política e os direitos humanos em Cuba”. Se o Parlamento Europeu decide discutir sobre Cuba, o debate necessariamente deve referir-se à violação massiva, flagrante e sistemática dos direitos humanos de toda a população cubana, causada pelo genocida, imoral e ilegal bloqueio económico, comercial e financeiro que o governo dos Estados Unidos mantém contra o nosso país há mais de 60 anos.

      Perguntamos se os promotores dessa farsa estariam dispostos a exigir, do governo dos Estados Unidos, o levantamento dessa política, que, até o final de Março de 2020, representou prejuízos acumulados à economia cubana que atingem 144.413,4 milhões de dólares. Será que estão também dispostos a defender as pessoas naturais e jurídicas europeias afetadas pela crescente extraterritorialidade do bloqueio? Por acaso, pedirão aos seus homólogos estadunidenses a revogação da Lei Helms-Burton? Será que exigirão a eliminação das 243 medidas aplicadas pelo ex-presidente Donald Trump, e que a atual administração norte-americana mantém vigentes?

      É vergonhoso que um grupo de eurodeputados tenha promovido a inclusão desse tema como parte da agenda do Parlamento Europeu. Os eleitores europeus e a comunidade internacional em geral esperariam do legislativo europeu objetividade e imparcialidade, em lugar de seletividade e pesos duplos, ao examinar questões relativas aos direitos humanos, em um mundo tão convulso, onde todos os dias ocorrem fatos que comocionam a consciência universal, sobre os quais o Parlamento Europeu manteve e mantém um silêncio cúmplice e imoral. 

      Fere a dignidade humana que temas como o racismo, a discriminação e a crescente xenofobia presentes na Europa não sejam discutidos a fundo pelo PE. Também são profundamente ofensivos, os enfoques parcializados por posições de direita, quando se avaliam situações presentes em países da América Latina e/ou do Oriente Médio. É de uma grosseria e falta de ética extraordinárias, que se escolha criticar Cuba, país que garante o Direito à vida e que constitui um exemplo mundial de solidariedade e cooperação em matéria de saúde, educação e outros âmbitos cardinais dos direitos humanos.

   São claras, as motivações políticas por trás desse show anticubano, promovido,  em primeiro lugar, por eurodeputados espanhóis que têm em comum a nostalgia do franquismo e a vocação golpista, e que esquecem que Cuba deixou de ser colônia da Espanha desde o ano 1898. Não têm em conta que o povo cubano se libertou para sempre, em primeiro de Janeiro de 1959, e, em pleno exercício do seu direito à autodeterminação, adotou, mediante  referendo efetuado em 24 de Fevereiro de 2019, com o voto de 86,5% dos eleitores, uma nova Constituição, na qual se consagra, como primeiro princípio, que “Cuba é um Estado socialista de direito e justiça social, democrático, independente e soberano, organizado com todos e para o bem de todos como república unitária e indivisível, fundada no trabalho, dignidade, humanismo e na ética dos seus cidadãos, para o gozo da liberdade, equidade, igualdade, solidariedade, bem-estar e prosperidade individual e coletiva”.

      Sua obsessão com Cuba tem uma explicação: responde à mesma agenda dos que, desde os Estados Unidos, tentam derrubar a Revolução Cubana há mais de 60 anos. Não podem admitir que exista um povo que não se curva aos seus desígnios e que resiste a um férreo bloqueio, agudizado de maneira criminosa em meio a uma pandemia global.

Também não admitem que, apesar de todas as dificuldades, a pequena nação caribenha tenha sido capaz de produzir não um, mas cinco candidatos vacinais, com capacidade produtiva suficiente para imunizar toda a sua população antes do final de 2021 e ainda contribuir para o processo de vacinação em outros países em desenvolvimento. Os que promoveram esse indecoroso debate omitirão intencionalmente essa enorme façanha. 

     Esses eurodeputados se empenham em silenciar, ocultar e tergiversar, de todas as maneiras possíveis, o exemplo de Cuba. Por isso, nesse novo show, alguns membros do Parlamento Europeu tentarão apresentar uma realidade, desconhecida para milhões de cubanos, mas que frequentemente domina as manchetes da grande imprensa hegemônica global, e da qual faz eco a imprensa de Miami e os meios mercenários que a apoiam.

     Como referendou, na sua denúncia, a Comissão de Relações Internacionais da Assembleia Nacional do Poder Popular: “Não nos assombram tais ações, são próprias da prática de dois pesos que os anima, da dupla moral que os caracteriza.”

    Com essa manobra anticubana, pretende-se, ademais, entorpecer as relações bilaterais entre Cuba e a União Europeia e abalar a implementação do Acordo de Diálogo Político e Cooperação entre Cuba, a União Europeia e os seus Estados membros. Os promotores dessa lamentável farsa e repugnante manobra política sabem perfeitamente que o Acordo se implementa de uma maneira positiva, e que existe uma clara vontade política das Partes de, através dele, continuar criando pontes entre os nossos povos e governos, apesar das diferenças existentes e em total apego às bases e princípios aprovados no Acordo e endossados pelo Parlamento Europeu, na sua resolução de consentimento de 5 de Julho de 2017. 

     Com tais ações, a única coisa que conseguirão, os promotores dessa farsa e os que a apoiam, será desacreditar, ainda mais, a imagem da chamada casa da democracia europeia. O povo cubano continuará decidindo o seu destino, sem nenhum tipo de ingerência, de maneira livre, independente e soberana.


                                                                  Embaixada de Cuba em Bruxelas

                                            #EliminaElBloqueo 


Texto original: 
http://www.minrex.gob.cu/es/la-farsa-del-debate-sobre-cuba-en-el-parlamento-europeo

7 de jun. de 2021

BLOQUEIO E A HIPOCRISIA DOS DIREITOS HUMANOS #EliminaElBloqueoYa



  Marcia Choueri *     

            Neste mês de junho, será votada na Assembleia Geral das Nações Unidas, pela 29ª vez consecutiva, um projeto de resolução chamado “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”.  Essa votação deveria ter sido no final do ano passado, mas foi adiada, por causa da pandemia.

            Faz 29 anos que os governos norte-americanos – um após outro – desobedecem à decisão da Assembleia Geral da ONU em relação ao bloqueio. Em todas as votações, a resolução é aprovada pela imensa maioria dos países, mas os ianques simplesmente ignoram. Em 2019, além dos Estados Unidos e de Israel, passamos a vergonha internacional de ver o Brasil votar também contra Cuba, gesto que, aliás, está sendo questionado judicialmente. No dia 13 de março passado, o PT entrou, ante o STF, com uma ação contra a postura do governo brasileiro na ONU, na votação da proposta de Resolução 74 de Cuba, por entender que o voto violou os artigos 1º e 4º da Constituição Federal Brasileira de 1988 (CF/88).

            Agora, o governo estadunidense já vem preparando o terreno com falsas alegações, para justificar a manutenção dessa política ilegal, injusta e criminosa.

            É aí que entra, por exemplo, o cínico relatório do Departamento de Estado norte-americano, apresentado em abril, que acusa Cuba da realização de torturas e execuções extrajudiciais. Sem apresentar nenhuma prova, aliás. Esse relatório foi precedido “casualmente”, na véspera da apresentação, por uma declaração de Luís Almagro, secretário-geral da OEA, de que o governo cubano praticaria “terrorismo de Estado”.

            Outra iniciativa nesse sentido do governo estadunidense, em maio passado, foi a qualificação de Cuba como país que não combate o terrorismo. Isso serve para incluir a Ilha na famosa lista – autoritária e unilateral – de países que apoiam o terrorismo.

            Esses que cinicamente acusam Cuba de práticas contra os Direitos Humanos e a favor do terrorismo são os mesmos que apoiam o governo colombiano, omisso e cúmplice ante as chacinas cometidas por grupos paramilitares, contra ativistas e ex-guerrilheiros que já depuseram suas armas. São os mesmos que apoiam o governo chileno, cuja polícia pratica tiro contra os olhos dos manifestantes, deixando-os cegos. São os mesmos que mantêm centenas de pessoas presas ilegalmente na base de Guantánamo. Os mesmos que financiam a política genocida de Israel contra o povo palestino.

            A lista é interminável, bastam alguns exemplos, para demonstrar que as acusações do governo norte-americano sobre os Direitos Humanos em Cuba é uma obra de fantasia, cuja utilidade primordial é justificar a manutenção do bloqueio contra a Ilha.

             E o cinismo, neste caso, é duplo, porque ninguém nem nada viola mais os direitos humanos do povo cubano que o próprio bloqueio.

            Para começar, porque, em Direito Internacional, o bloqueio é um ato de guerra, e é considerado um “crime internacional de genocídio”, segundo a Convenção para a Prevenção e a Sanção do Delito de Genocídio.

            O bloqueio total a Cuba foi imposto em 7 de fevereiro de 1962 pelo presidente norte-americano John Kennedy. Nesses quase 60 anos de constante agressão, Cuba já sofreu prejuízos superiores a 930 bilhões de dólares. E, durante todo esse tempo, Cuba nunca realizou nenhuma ação agressiva contra os Estados Unidos, ao contrário destes que financiam e acolhem terroristas anticubanos em seu território.

            Ou seja, embora o governo dos Estados Unidos não tenha declarado oficialmente guerra a Cuba, ele usa a força e o poder imperial para tentar matar de fome um país que não lhe oferece nenhum risco e nunca agrediu seu povo ou território.

            Apesar do bloqueio, Cuba não deixou de avançar, em todos esses anos, em campos importantes, como a pesquisa e indústria biofarmacêutica. Também conseguiu garantir a todo seu povo alimentação, emprego, educação e saúde de qualidade, cultura, segurança. Graças a isso, tem os melhores índices do continente quanto à mortalidade materno-infantil, alfabetização, número de homicídios, para citar apenas alguns exemplos.

            E, se fosse pouco, oferece solidariedade internacional, principalmente no campo da saúde, com as brigadas médicas. Em 56 anos, foram mais de 400 mil profissionais da saúde, presentes em 164 países. No dia 16 de março de 2021, fez um ano que saiu a primeira brigada Henry Reeve para combater a covid-19 em outro país. Durante esse ano, 57 brigadas Henry Reeve, com cerca de 5 mil profissionais, estiveram em 40 países e territórios combatendo a pandemia.

            “Médicos, e não bombas!”. A frase de Fidel Castro continua ressoando, agora mais que nunca. Não resta dúvida sobre quem viola e quem protege os Direitos Humanos.

#CubaViva #CubaSalva


*Marcia Choueri é integrante do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

5 de jun. de 2021

OXFAM CONTRA O BLOQUEIO, PELO MAIS URGENTE. #EliminaElBloqueoYa

                                                                         

A confederação internacional apresentou em Havana um relatório sobre os prejuízos causados ao povo e às mulheres e conclamou Washington a acabar com essa política

Enrique Milanés León

            Se, depois que todos vão embora, deve restar uma ideia clara de uma entrevista coletiva com jornalistas, a de ontem, no Centro de Imprensa Internacional, poderia estar muito bem resumida em três linhas do seu relatório: “Oxfam condena o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba porque contraria o que é mais urgente e necessário hoje: salvar vidas humanas e proteger os direitos da população”.

            Com efeito, a Oxfam – confederação internacional de 21 organizações, que trabalha em 67 países por um futuro sem pobreza – acaba de apresentar o seu informe “Direito a viver sem bloqueio. Impactos das sanções dos Estados Unidos sobre a população cubana e a vida das mulheres”, e o que denota melhor que, desde 1993, ela tem os pés bem postos em nossa terra é que chama o assédio pelo que de fato é: bloqueio.

            Elena Gentili, diretora da Oxfam em Cuba, destacou a dimensão humana do conflito, o que pode ser muito bem apreciado no saldo dessa denúncia: “Há mais de um ano, essas sanções representam um obstáculo real para adquirir ventiladores pulmonares mecânicos, máscaras, kits de diagnóstico, reagentes, seringas para a vacinação e outros insumos necessários para o manejo da enfermidade da Covid-19”.

Elena Gentili  

            O bloqueio – afirmou Gentili – reforça o sistema patriarcal e ignora as necessidades diferenciadas, as oportunidades e a autonomia das mulheres, 78 por cento das quais nasceram aqui com esse cerco em vigor.

            Por tudo isso, a Oxfam não faz, em seu informe, uma simples catarse solidária, mas insta concretamente os congressistas norte-americanos a acabar com o bloqueio, e o governo dos Estados Unidos a empreender a normalização de relações com Cuba e garantir imediatamente a suspensão das medidas que a impedem de adquirir materiais e insumos para enfrentar a Covid-19.

            A recomendação inclui retomar a diretiva presidencial de outubro de 2016, para a “normalização das relações com Cuba”, retirá-la da lista de países patrocinadores do terrorismo e suspender o título III da Lei Helms-Burton, revogar o memorando presidencial de segurança nacional sobre o fortalecimento da política para Cuba, de 2017; reverter as limitações a remessas e viagens, e a reabertura dos serviços diplomáticos. Ademais, faz chamados de apoio a essa causa aos Estados membros da ONU e às organizações de cooperação internacional.

            Presente na coletiva, Joel Suárez, coordenador executivo do Centro Memorial Dr. Martin Luther King Jr., informou que, como parte dessa ação, será realizado um foro virtual para a apresentação do próprio informe à comunidade internacional, o que contará com o respaldo de personalidades e organizações de Cuba, dos Estados Unidos e da ONU.           

                                          

Publicado em Juventud Rebelde, 26-05-2021

Tradução: Marcia Choueri