11 de mar. de 2026

A REVOLUÇÃO CUBANA DIANTE DO CERCO DOS EUA : UM NOVO MOMENTO DE PERIGO

                       
Por Gabriel Vera Lopes. 

Na sequência do ataque à Venezuela, os Estados Unidos procuram agravar a crise energética de Cuba, bloqueando o seu fornecimento de petróleo.

Nas últimas duas semanas, Cuba tornou-se novamente o foco central das ameaças da Casa Branca, que, após o ataque à Venezuela, afirmou que “nem mais uma gota” de petróleo venezuelano chegará à ilha. Desde então, as repetidas ameaças de Washington tornaram-se constantes.

O ataque a Caracas colocou Cuba em uma situação extremamente difícil. Desde a chegada da Revolução Bolivariana, a Venezuela havia se tornado o principal parceiro econômico, político e diplomático da ilha caribenha. De fato, foi essa relação que, no início do século, permitiu a Cuba se recuperar da violenta convulsão do "Período Especial" e tentar um novo tipo de engajamento internacional após a queda do bloco socialista europeu.

Tanto é assim que, no início dos anos 2000, os então presidentes Hugo Chávez e Fidel Castro assinaram um acordo não comercial pelo qual a Venezuela começou a enviar petróleo para Cuba em troca do envio de diversos profissionais — principalmente médicos e professores — com os quais a ilha colabora com o país sul-americano.

Afligida pelo bloqueio criminoso dos EUA, essa relação tem sido — como nenhuma outra — crucial para a relativa estabilidade de Cuba. É por isso que o cerco militar e o enfraquecimento da Venezuela têm sido apresentados por Washington como o prelúdio para o tão alardeado "golpe final" contra Havana, chegando a sugerir em diversas ocasiões que a Revolução Cubana "está prestes a cair".

Isso foi afirmado até pelo próprio Trump, que recentemente confessou que Washington tem aplicado todas as medidas possíveis de pressão e danos contra a ilha, com exceção de uma invasão militar. "Não acho que seja possível exercer muita pressão a não ser entrar e destruir o lugar", afirmou ele, num momento de brutal honestidade.

Esta não é a primeira vez que Washington se apressa em prever o fim da Revolução Cubana. Fez isso a cada dificuldade enfrentada por Cuba, enquanto a estratégia dos EUA permanece invariavelmente a mesma: explorar a situação para aprofundar o bloqueio e o estrangulamento econômico da ilha.

Isso aconteceu após a queda do bloco socialista e novamente durante a pandemia de COVID-19, quando a aquisição de ventiladores e seringas foi bloqueada. Em ambas as ocasiões, o governo dos EUA intensificou o bloqueio com a intenção explícita de que, ao aumentar o sofrimento do povo cubano, a situação se tornaria tão insuportável que a Revolução cairia.

Mais uma vez, a situação não é diferente hoje. Castigada por uma das crises mais severas de sua história, Cuba sofre agora o impacto do bloqueio militar dos EUA contra Caracas. Essa situação perigosa tornou-se o principal desafio para a economia cubana no curto e médio prazo.

                            


O bloqueio dos EUA e a crise energética

Em meio a uma grave crise energética, os apagões cada vez mais frequentes e prolongados tornaram-se parte de uma rotina diária e opressiva. Nesse contexto, a falta de combustível e eletricidade não afeta apenas as famílias, mas também degrada a capacidade produtiva de bens e serviços, resultando em uma espiral de dificuldades para a recuperação econômica do país.

Já no final do ano passado, o governo cubano denunciou os ataques militares que os Estados Unidos começaram a realizar contra vários petroleiros que se dirigiam à ilha como um "ato de pirataria e terrorismo marítimo", vinculando essas ações à política de "pressão máxima e estrangulamento econômico" que o governo Trump vinha implementando contra Cuba. Essa agressão, em grande parte, prenunciou a atual ofensiva de Washington.

Estima-se que, para um funcionamento estável — ainda que abaixo do necessário —, Cuba consuma atualmente cerca de 120.000 barris de petróleo por dia (bpd). Desse volume, pouco mais de um terço provém da produção nacional, enquanto os dois terços restantes dependem de importações.

Embora as importações de petróleo de Cuba sejam relativamente diversificadas — tendo a Venezuela, o México, a Rússia e outros países como principais fornecedores — o país opera abaixo de sua demanda, tornando sua estrutura energética altamente vulnerável a qualquer interrupção.

Apesar da falta de dados oficiais, diversos estudos indicam que, em 2025, Caracas exportava entre 27.000 e 35.000 barris de petróleo por dia para a ilha, representando aproximadamente 30% do consumo diário de Cuba.

Diante das atuais dificuldades enfrentadas pela ilha, a interrupção desse fluxo torna-se uma questão crítica para a segurança energética cubana. Além disso, essa quantidade de petróleo é muito difícil de ser reposta imediatamente devido à escassez de divisas estrangeiras no país.

Embora Cuba tenha iniciado um processo acelerado de transição energética nos últimos dois anos, com a instalação de parques fotovoltaicos (energia renovável baseada na luz solar) para reduzir sua dependência externa, a transição é inegavelmente difícil e custosa. Atualmente, estima-se que 90% da eletricidade da ilha ainda dependa do petróleo e seus derivados.

Soma-se a essa dificuldade o fato de que, devido ao bloqueio agressivo que enfrenta, Cuba não consegue acessar o mercado internacional em condições "normais". As empresas que comercializam com a ilha, assim como as transportadoras que transportam petróleo bruto — ou qualquer outro produto — estão sujeitas a um regime de sanções imposto pelos Estados Unidos, o que aumenta significativamente o custo das importações para a ilha. Estima-se que Cuba tenha que pagar até três vezes o preço internacional do petróleo que precisa importar.

                                  


Resistência histórica e a posição de Cuba perante Washington:

Sem vastos recursos naturais, com uma área territorial que representa aproximadamente 1% dos Estados Unidos e com uma população trinta vezes menor que a da superpotência do norte, somente propaganda vil e maliciosa pode sustentar que Cuba representa uma “ameaça à segurança dos Estados Unidos”, como frequentemente repetem os porta-vozes do Departamento de Estado americano.

Por mais de seis décadas, Cuba teve que sobreviver ao cerco do bloqueio criminoso e ilegal — que nada mais é do que uma política de guerra — imposto pelos Estados Unidos, uma política de guerra cujo único objetivo é sufocar o cotidiano da população da ilha. Nunca na história outra nação foi subjugada por tanto tempo. Este é o alto preço que Cuba teve que pagar pelo “pecado” de escolher ser a arquiteta do seu próprio destino.

Diante dessa situação, em 3 de janeiro, após o ataque de Washington à Venezuela, o Secretário de Estado Marco Rubio — em tom irônico — declarou que “se eu estivesse em Havana, estaria preocupado, mesmo que só um pouco”. Dias depois, em uma de suas típicas mensagens ameaçadoras, Trump afirmou que Cuba deveria “negociar antes que seja tarde demais”.

No entanto, Havana jamais se recusou a dialogar com os Estados Unidos, algo que faz diariamente em questões tão importantes quanto migração, o combate ao narcotráfico e a preparação para desastres. Embora os Estados Unidos mantenham uma política ativa de guerra contra a ilha, Cuba tem sistematicamente recusado permitir que as negociações impliquem uma rendição de sua soberania nacional.

Isso foi esclarecido pelo próprio presidente cubano, Díaz-Canel, que na última sexta-feira, durante a Marcha do Povo Combatente, realizada em homenagem aos 32 heróis cubanos mortos em combate, declarou: “Não há possibilidade de rendição ou capitulação, nem de qualquer tipo de entendimento baseado em coerção ou intimidação. Cuba não precisa fazer concessões políticas, e isso jamais estará em discussão nas negociações para um entendimento entre Cuba e os Estados Unidos. É importante que eles entendam isso. ”

Acrescentando à multidão: “Estaremos sempre abertos ao diálogo e à melhoria das relações entre os nossos dois países, mas em termos de igualdade e com base no respeito mútuo. Tem sido assim há mais de seis décadas; a história não será diferente agora. ”


https://www.resumenlatinoamericano.org/2026/01/23/cuba-la-revolucion-cubana-frente-al-asedio-de-estados-unidos-un-nuevo-momento-de-peligro/

Trad/Ed: @comitecarioca21

        


ICAP CONVOCA A XIX BRIGADA INTERNACIONAL DE TRABALHO VOLUNTÁRIO E SOLIDARIEDADE COM CUBA PARA O DIA 1° DE MAIO.

                             

O Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e sua agência de viagens Amistur Cuba SA, no âmbito do 65º aniversário de fundação do ICAP e do 67º aniversário do Triunfo da Revolução, convidam os amigos de Cuba de todo o mundo a participar da XIX Brigada Internacional Primeiro de Maio.

 

Esta edição, de 26 de abril a 9 de maio de 2026, possui profundo significado histórico e militante. É especialmente dedicada à comemoração do Centenário do Nascimento de nosso invicto Comandante-em-Chefe, Fidel Castro Ruz, arquiteto da unidade e da dignidade da Pátria. A brigada se constitui como um ato de reafirmação internacionalista por ocasião do Dia Internacional dos Trabalhadores, data que simboliza a luta histórica da classe trabalhadora mundial contra a exploração e pela justiça social.

 

A brigada foi concebida para oferecer aos seus participantes uma compreensão abrangente e aprofundada da realidade cubana contemporânea. Através de um programa estruturado, destacará o progresso do nosso projeto social, as transformações em curso e a resistência criativa do povo cubano face ao bloqueio econômico, comercial e financeiro criminoso imposto pelo governo dos EUA, que foi intensificado a um grau extremo pela atual administração Trump.

 

O programa inclui dias de trabalho voluntário, como expressão prática de solidariedade e homenagem ao valor do trabalho libertador; encontros com representantes de organizações políticas e de massa, instituições e da população, analisando os desafios e as conquistas da sociedade cubana. Além disso, estão previstas visitas a centros de interesse histórico, econômico, cultural e social nas províncias de Havana, Artemisa e Cienfuegos, que permitirão aos participantes observar o desenvolvimento nacional em primeira mão.

 

Logística e Condições:

 

Duração: 13 noites/14 dias.

Acomodação: 10 noites no Acampamento Internacional “Julio Antonio Mella” (CIJAM) em Caimito (fundado em 1972) e 3 noites em um hotel em Cienfuegos. A estadia no CIJAM exige o cumprimento rigoroso de seu regulamento interno e das normas de disciplina e convivência coletiva.

Taxa de participação: 690 EUR/USD. Inclui:

Acomodação em quartos compartilhados (até 4 pessoas no CIJAM, quartos duplos/triplos em Cienfuegos).

Pensão alimentícia integral.

Todos os traslados: aeroporto-CIJAM-aeroporto e transporte para atividades programadas.

Método de pagamento: Transferência bancária ou portal de pagamento online seguro.

Requisito: Todos os membros da brigada devem possuir seguro de saúde com cobertura válida em Cuba.

Chegadas antecipadas: Quem chegar ao CIJAM antes de 26 de abril pagará um suplemento de EUR/USD 20,00 por noite (incluindo acomodação e refeições).

 

Processo de inscrição:

 

As inscrições encerram em 31 de março de 2026.

É obrigatório preencher o formulário de inscrição em: https://forms.gle/3fQ3yg7y11Luqdsy9.

Informações pessoais detalhadas e itinerários de voo (datas, horários e números dos voos) devem ser fornecidos para garantir a logística adequada de embarque e traslados. O transporte para a CIJAM será garantido para os membros da brigada que estiverem em Havana antes da data oficial de início.

Para dúvidas: brigada1romayo@gmail.com

Esta brigada não é uma viagem turística; é um bastião de ideias, trabalho e fraternidade. É uma oportunidade para honrar, ao lado do povo cubano, o legado de Fidel, celebrar as conquistas da Revolução e fortalecer, por meio de ações concretas, os laços indissolúveis de solidariedade internacionalista que caracterizam a luta por um mundo mais justo.

 

Pela paz, pela amizade e pela vitória da solidariedade!

  

Programa de atividades da XIX Brigada Internacional de Trabalho Voluntário e Solidariedade com Cuba “1º de maio”

 

Domingo, 26 de abril de 2026

Chegada dos membros da brigada. (Transferência do aeroporto para o CIJAM).

16h00      Partida para o Acampamento Internacional “Julio Antonio Mella” ( CIJAM ) dos brigadistas que chegaram mais cedo. Local: Casa de la Amistad (Casa da Amizade).

Alojamento e jantar.

Noite livre.

 

Segunda-feira, 27 de abril de 2026

7h da manhã. Despertar.

7h30 Café da manhã       

10h00: Inauguração da Brigada no CIJAM.

11h00 Reunião com representantes da liderança política do ICAP.

12h30 Almoço no CIJAM

Conferência das 14h: Situação atual em Cuba e impacto do bloqueio.

17h00: Reunião organizacional por países.

20h00 Jantar e noite de boas-vindas cubana para os brigadistas.

 

Terça-feira, 28 de abril de 2026

7h da manhã. Despertar.

7h30 Café da manhã

08:00 h Partida para Havana.

9h00: Visita ao Centro Fidel Castro. Debate sobre a vida e obra do Comandante-em-Chefe Fidel Castro.

13h30 Almoço no Restaurante 1830.

14h30: Encontro com intelectuais e artistas cubanos na Casa de las Américas.

17h00 Partida em direção a CIJAM.

Jantar às 19h no CIJAM.

Uma noite para compartilhar / Música gravada / Os contadores de histórias se reúnem.

Amistur Opcionais

 

Quarta-feira, 29 de abril de 2026

05:45 h. Despertar

06:15 h. Café da manhã

07:00 h. Manhã e saída para o trabalho produtivo.

12h30. Almoço no CIJAM.

14h30 - Conferência: A ofensiva imperial da administração Trump contra a América Latina.

18h30: Jantar no CIJAM.

20h30: Reunião de esclarecimento sobre o evento do Dia do Trabalho.

Noite gratuita com música gravada.

Amistur Opcionais

 

Quinta-feira, 30 de abril de 2026

5h30 da manhã. Despertar.

6h00 Café da manhã

7h da manhã. Visita aos centros de produção conforme o planejamento do ICAP-CTC.

12h30: Almoço no Restaurante Aljibe em Havana.

15h00: Reunião com estudantes palestinos no ICAP.

17h00: Partida em direção a CIJAM.

19h00 Jantar no CIJAM.

Uma noite para compartilhar / Música gravada.

 

Sexta-feira, 1 de maio de 2026

03:00 h. Despertar

03:15 h. Café da manhã.

04:00 h. Partida para Havana.

7h00: Participação na atividade principal do Dia do Trabalhador.

10h00: Atividade de confraternização na Casa da Amizade.

12h00: Almoço na Casa da Amizade/Retorno ao CIJAM.

Amistur Opcionais

Jantar / Noite livre no acampamento

 

Sábado, 2 de maio de 2026

5h da manhã. Despertar

06:30 h. Café da manhã.

07:00 h. Partida em direção ao Palácio das Convenções.

                 Participação no evento de solidariedade.

13h00: Almoço no Palácio de Convenções.

                 Encerramento do evento. Retornar ao CIJAM.

18h30 Jantar no CIJAM / Noite livre / Música gravada.

 

Domingo, 3 de maio de 2026

5h da manhã. Despertar

5h30 Café da manhã

06h30 Saída em direção a Cienfuegos.

9h00. Boas-vindas à Brigada no Parque “Martí”. Oferenda floral.

9h30: Visita a projetos comunitários.

12h30. Almoço e check-in no hotel. Aproveite as instalações do hotel.

19h: Jantar no hotel

20h00: Atividade cultural no hotel.

 

Segunda-feira, 4 de maio de 2026

7h00: Café da manhã.

9h00: Visita a uma fazenda agroecológica na província. Troca de experiências com os produtores.

12h00: Almoço no hotel.

14h: Visita à Escola de Arte Benny Moré.

15h30: Visita guiada à cidade com o historiador provincial. Retorno ao hotel.

19h00: Jantar no hotel.

 À noite: Desfrute da Noite Cubana no hotel com artistas locais.

 

Terça-feira, 5 de maio de 2026

7h00 Café da manhã

08:00 h. Trabalho voluntário em uma UBPC em Cienfuegos.

13h00: Almoço no hotel.

14h30. Reunião com médicos internacionalistas. Entrega de doações ao Hospital Provincial de Cienfuegos.

19h00: Jantar no hotel.

Noite livre.

 

Quarta-feira, 6 de maio de 2026

7h00: Café da manhã.

08:00 h. Check-out.

08h30. Partida em direção a Villa Clara.

10h30: Visita ao Memorial de Che Guevara e ao Trem Blindado.

13h00: Almoço no Hotel Los Caneyes/Granjita.

15h00. Partida em direção a CIJAM.

20h00 Jantar no CIJAM.

Uma noite para compartilhar / Música gravada.

 

Quinta-feira, 7 de maio de 2026

05:45 h. Despertar

06:00 h. Café da manhã.

07:00 h. Trabalho Produtivo.

12h30: Almoço no CIJAM.

14h00 Cultura e nação: o mistério de Cuba. Debate com representantes da Sociedade Cultural José Martí. Venda de livros.

19h00 Jantar no CIJAM.

Noite: Preparativos para a Noite Internacional. / Reunião de relatores e redatores da declaração final.

OPÇÕES DE AMIZADE

 

Sexta-feira, 8 de maio de 2026

05:45 h. Despertar

6h00 Café da manhã

7h00 Trabalho Produtivo

11h00 - Atividade final de produção

12h30: Almoço no CIJAM.

14h00. Cerimônia de encerramento. Leitura da declaração final no CIJAM. Preparativos para a Noite Internacional.

19h30: Jantar / Noite Internacional e festa de encerramento.

 

Sábado, 9 de maio de 2026

Transferência dos membros da brigada para o aeroporto conforme planejado.

10h00. Transferência para Havana (ICAP) dos brigadistas que permanecerão em Cuba.

Partidas das delegações.

 

Opcionais de Amistur: file:///D:/Downloads/Opcionales-de-Amistur-para-la-Brigada-del-1ro-de-Mayoocx.pdf

Trad/edição: @comitecarioca21

10 de mar. de 2026

RESISTIR É UMA VITÓRIA: MENSAGEM DA ILHA AOS PRISIONEIROS PALESTINOS

                                     

     O Herói da República de Cuba, Antonio Guerrero, envia uma mensagem de solidariedade aos prisioneiros palestinos nas prisões israelenses e reafirma o valor da resistência contra o imperialismo.

O Herói da República de Cuba, Antonio Guerrero, enviou uma mensagem de solidariedade aos prisioneiros palestinos, destacando sua resistência à ocupação israelense e comparando-a à sua própria experiência como prisioneiro em prisões estadunidenses.

"Posso imaginar as condições deles, porque só de imaginar o genocídio sendo cometido e ser prisioneiro da pessoa que cometeu esse genocídio é realmente difícil de imaginar", disse Guerrero em uma entrevista exclusiva à Al Mayadeen Español durante o Festival Internacional Granma-Rebelde.

O combatente, que passou anos em prisões dos EUA após se infiltrar em organizações terroristas sediadas em Miami que planejavam ataques contra Cuba, enfatizou que sua experiência como prisioneiro do "império" lhe permite falar com um profundo senso de solidariedade.

"Eu sei muito bem o valor de não desistir, sei muito bem o valor dos princípios. Como disse Martí, um princípio justo é mais poderoso que um exército, das profundezas de uma caverna é mais poderoso que um exército", disse ele.

Ele enfatizou que os prisioneiros palestinos estão resistindo por um princípio justo: o de sua identidade, sua pátria, sua Palestina livre, sua soberania e seus direitos como nação. "Eles estão resistindo a um grande exército que é diretamente alimentado por aquele império do qual nós também fomos prisioneiros", acrescentou.

Da sua experiência, ele enviou uma mensagem de esperança: "Que tenham sempre fé na vitória, que a vitória já está nessa resistência, que a vitória já está marcada. Mesmo sendo um prisioneiro que resiste, é uma vitória, algo que não pode ser apagado pela vida ou pela história."

Guerrero concluiu com palavras de carinho: “Que vocês se sintam livres, que se sintam acompanhados, que de Cuba lhes enviamos amor infinito, solidariedade infinita e força infinita. Que vocês tenham confiança de que, mais cedo ou mais tarde, a liberdade chegará e todos nós celebraremos a vitória. Custe o que custar. ”

https://www.resumenlatinoamericano.org/2025/10/20/cuba-resistir-es-una-victoria-mensaje-a-prisioneros-palestinos-desde-la-isla/

@ComitêCarioca



9 de mar. de 2026

CASA MARX - RJ

Marilia Falci, Carmen Diniz e Maj Asad 

           No último  sábado  (7/3), nesta véspera do Dia Internacional da Mulher, estivemos em atividade sobre a Palestina na Casa Marx do Rio de Janeiro em uma tarde de conversas, muita seriedade e trocas de saberes e vivências. 

O evento principal foi o lançamento do livro da escritora e artista brasileira palestina Maj Asad Entre a nossa morte ainda existe diálogo? que aborda a questão palestina com muita emoção e afeto. 

https://www.instagram.com/p/DVI7kAlDqm-/?img_index=1

Maj Asad e seu livro ( e o brinco palestino rsrsrrs)

Representando o grupo Julho Negro (e  Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba),  Gizele Martins e Carmen Diniz, encantadas com o lindo espaço que, além do evento, apresenta uma linda exposição sobre Rosa Luxemburgo.(veja aqui : https://www.instagram.com/p/DR2QV1hjeZy/

Além disso, uma outra exposição, no mesmo salão, sobre as mães de jovens favelados cariocas assassinados pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Muito emocionante. Linda e muito triste homenagem. 

                                    

"As armas israelenses que matam na Palestina e no Irã são as mesmas que matam nossos jovens favelados no Brasil." 

   

                         
     
      Todos os participantes se referiram às possibilidades que o Brasil possui a fazer em solidariedade ao povo palestino, como por exemplo romper relações com Israel, romper o acordo ( de um bilhão de reais!) com a subsidiária  de empresa israelense para compra de obuseiros, romper a "tornozeleira" sionista de lobby junto ao governo federal, além de enviar petróleo a Cuba (6 (seis!) dias de produção de petróleo pela Petrobrás equivale a UM ANO  da necessidade de Cuba para a energia !) enfim, muitas opções para se solidarizar com o sofrimento dos  povos  daqui e de outras latitudes.  

Importante observação:  a administração (e a frequência) da CasaMarxRJ é majoritariamente de pessoas jovens comprometidas com a libertação dos povos.                                       

                   


Gizele Martins e mais participantes

 Queremos deixar aqui mais uma vez o agradecimento pelo convite e os parabéns por esta casa tão bonita e acolhedora. 


                                                SEGUIMOS !!!



5 de mar. de 2026

ISRAEL E OS ARQUIVOS DE EPSTEIN QUE PRESSIONARAM TRUMP

                               
Hedelberto López Blanch*

O profundo envolvimento do presidente Donald Trump no caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein o levou a aceitar a pressão do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para se juntar a ele na violenta agressão contra o Irã, o que constitui uma flagrante violação do direito internacional e um enorme perigo para a paz mundial.

Duas semanas antes dos ataques de 28 de fevereiro contra o Irã, em 10 de fevereiro, Netanyahu chegou a Washington (pela quarta vez em um curto período) para se encontrar com Trump e, segundo diversos veículos de comunicação, forçá-lo a declarar guerra a Teerã, caso contrário, tornaria públicos documentos que comprovariam seus atos de abuso sexual juntamente com seu ex-amigo Epstein.

Apesar das negociações de paz entre Teerã e Washington, mediadas por Omã, que, segundo relatos oficiais, estavam progredindo bem, Trump não teve escolha a não ser ceder à pressão de Netanyahu.

O jornal The New York Times (NYT) noticiou recentemente que o primeiro-ministro israelense desempenhou um papel fundamental ao influenciar a decisão de Trump de atacar o Irã, pressionando-o pessoalmente durante meses.

Com base em depoimentos de pessoas com conhecimento direto das deliberações, incluindo autoridades estadunidenses e israelenses, diplomatas, legisladores e figuras da inteligência, o NYT acrescentou que "quando o primeiro-ministro israelense entrou no Salão Oval em 11 de fevereiro, seu objetivo era claro: manter Trump comprometido com a ação militar".

Segundo o jornal, os dois homens discutiram durante três horas possíveis datas para um ataque e as supostas poucas chances de uma resolução diplomática.

Netanyahu havia levantado pela primeira vez a possibilidade de uma ofensiva contra o Irã durante uma visita à mansão de Trump em Mar-a-Lago, em dezembro.

Segundo o NYT, o vasto conjunto de documentos divulgado pelo Departamento de Justiça referente às investigações sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein não incluía alguns materiais importantes relacionados a uma mulher que acusou o presidente Donald Trump, condenado por pedofilia.

As alegações de que Epstein pode ter sido empregado por um serviço de segurança estrangeiro têm ganhado força nos Estados Unidos devido às investigações do jornalista Tucker Carlson e de outros membros da mídia. 

Um relatório do FBI do escritório de Los Angeles, datado de outubro de 2020 e que consta nos arquivos do criminoso sexual, afirma que a fonte da agência estava "convencida de que Epstein era um agente recrutado pelo serviço de inteligência israelense, o Mossad".

Entre os mais de três milhões de documentos divulgados, encontram-se memorandos do FBI que resumem entrevistas conduzidas pela agência em relação às alegações feitas em 2019 por uma mulher que, após a prisão de Epstein, afirmou ter sido agredida sexualmente por Trump e pelo financista décadas antes, quando era menor de idade.

Em investigações subsequentes, autoridades federais redigiram um memorando de 2025 afirmando que a mulher disse que Epstein a apresentou a Trump e que ele a agrediu em um encontro violento e perturbador. Os documentos indicam que o suposto incidente ocorreu em meados da década de 1980, quando ela tinha entre 13 e 15 anos de idade.

Robert Garcia, representante da Califórnia e principal democrata no Comitê de Supervisão da Câmara, afirmou que, ao analisar as versões não editadas dos arquivos de Epstein no Departamento de Justiça, também constatou a ausência de resumos de entrevistas relacionadas às alegações da mulher.

Em outro artigo do NYT, os jornalistas Steve Eder Michael e David Enrich afirmam que "os arquivos estão repletos de referências a Trump, que era um amigo próximo de Epstein até o início dos anos 2000.

Devido à pressão de legisladores democratas e republicanos, o Departamento de Justiça, sob a direção de Pamela Bondi, nomeada por Trump, foi forçado a divulgar por algumas horas uma parte do arquivo contendo depoimentos sobre o envolvimento pessoal de Trump nessas orgias pedófilas e a intimidação das vítimas por sua equipe de segurança."

Embora os documentos relacionados ao presidente tenham sido apagados após algumas horas, os três milhões de arquivos restantes permaneceram online e foram recuperados por diversos veículos de comunicação utilizando uma ferramenta de busca própria.

Foi assim que veio à tona o envolvimento do presidente em uma série de casos perturbadores envolvendo menores, incluindo a suposta coerção de uma menina de 13 ou 14 anos para praticar sexo oral nele. Além disso, há indícios de que Trump promovia festas no estilo "Calendar Girls" em sua propriedade de Mar-a-Lago, onde Epstein supostamente lhe fornecia garotas para leiloar.

Netanyahu, que segundo todos os analistas possui muitos desses documentos, conseguiu facilmente o apoio de Trump para lançar a guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, mas não se sabe quando ela terminará, pois a nação iraniana tem força suficiente para enfrentá-la.

A verdade é que o presidente americano narcisista, condenado e pedófilo, que também ambiciona se tornar "rei do mundo", embarcou numa aventura muito perigosa na qual chegou ao ponto de assassinar o líder supremo xiita, o Grande Aiatolá Ali Khamenei.

Estima-se que os xiitas sejam cerca de 170 milhões de seguidores, principalmente no Irã, Iraque, Bahrein, Iêmen (com comunidades significativas também na Índia, Kuwait, Líbano, Paquistão, Catar, Síria, Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos), e o traiçoeiro ataque israelense-estadunidense poderia incendiar todo o Oriente Médio, com consequências catastróficas para o mundo e especialmente para a atual ditadura que governa os Estados Unidos.

Embora Trump tente desviar a atenção da mídia para suas novas guerras, os documentos de Epstein continuarão a assombrá-lo.

 

(*) Jornalista cubano. Escreve para o jornal Juventud Rebelde e para o semanário Opciones. É autor de “Emigração Cubana para os Estados Unidos”, “Histórias Secretas de Médicos Cubanos na África” e “Miami, Dinheiro Sujo”, entre outros.

https://cubaenresumen.org/2026/03/05/israel-y-archivos-epstein-presionaron-a-trump/

Trad: @comitecarioca21


4 de mar. de 2026

DE FREUD AOS ALGORITMOS: A ENGENHARIA DO CONSENSO NA ERA DIGITAL

                               

Já não é necessário convencer as pessoas de que algo existe; agora é possível fabricar uma realidade tão perfeita que rivaliza com o objeto autêntico

Autor: Raúl Antonio Capote

Para entender quem realmente controla a opinião pública na era da inteligência artificial, é necessário estudar dois homens que, nas sombras do século XX, manipularam a realidade com uma eficácia sem precedentes. Estamos falando de Ivy Lee e Edward L. Bernays, os arquitetos da persuasão moderna.

O DNA da propaganda atual leva a assinatura indelével desses dois pioneiros, cujas contribuições constituem a base fundamental dessa maquinaria invisível que continua moldando a opinião pública na era digital.

Ivy Lee, reconhecido como o “pai prático” das relações públicas, fez uma contribuição fundamental: rompeu com a concepção negativa de “encobridor de más notícias” e estabeleceu as bases da comunicação de crise e das relações com a mídia como as conhecemos hoje.

Por sua vez, Edward Bernays, sobrinho de Sigmund Freud, aplicou as teorias da psicanálise ao comportamento das massas. Ele cunhou o termo “relações públicas” precisamente para se distanciar da conotação negativa que a palavra “propaganda” tinha para a maioria das pessoas.

Segundo o guru da propaganda moderna, os indivíduos não são seres racionais, mas tomam decisões guiadas por desejos inconscientes e emoções primárias. Seu livro Propaganda (1928) tornou-se o manual de referência sobre como as elites podem dirigir as massas apelando para esses impulsos ocultos. Para ele, a “engenharia do consenso” era essencial para evitar o “caos social”.

Ao contrário da visão unidirecional da propaganda tradicional, Bernays introduziu a chamada “estratégia bidirecional”, a “via de mão dupla”. Ou seja, não se trata apenas de dizer às pessoas o que pensar, mas de criar eventos e notícias que gerem a resposta desejada. Ao mesmo tempo, ele demonstrou que era possível associar um produto a um desejo emocional profundo, sem que o público percebesse que era vítima de manipulação.

As técnicas de Bernays chegaram a ser aplicadas até mesmo para derrubar governos. Seu trabalho para a United Fruit Company em 1954 é um exemplo concreto: na época, ele foi o autor da narrativa da ameaça comunista na Guatemala, que justificou a agressão ianque que pôs fim ao governo de Jacobo Arbenz.

Com base na experiência desse plano, nos primeiros anos da Revolução, foi construída a estratégia de guerra psicológica e propaganda dirigida contra Cuba, prática que lançou as bases do que hoje sobrevive, constantemente atualizado através do uso de novas tecnologias.

Enquanto ele apelava aos desejos inconscientes das massas de forma genérica, graças ao big data e à inteligência artificial, hoje isso pode ser feito a nível individual. 

Não é mais necessário convencer as pessoas de que algo existe; agora é possível fabricar uma realidade tão perfeita que rivaliza com o objeto autêntico.

A microsegmentação adaptativa, as mensagens hipersensoriais, a criação de realidades paralelas por meio de enxames de inteligência artificial e os deepfakes seriam o sonho de qualquer propagandista do século XX.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               https://www.granma.cu/mundo/2026-02-24/de-freud-a-los-algoritmos-la-ingenieria-del-consenso-en-la-era-digital-24-02-2026-21-02-39

Trad:Comitê Carioca 



25 de fev. de 2026

DA SÉRIE : SAUDADES DE UM VERDADEIRO PRÊMIO NOBEL......

Adolfo Pérez Esquivel 

       Carta aberta do ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, a Barack Obama, instando-o a exigir que o governo e o Congresso dos EUA encerrem o bloqueio criminoso contra Cuba.

Para Barack Obama

Prêmio Nobel da Paz

Envio-lhe esta carta aberta com a saudação fraterna de Paz e Bem, na esperança de que a leia e assuma o compromisso com o seu povo e com a humanidade, que atravessa situações de dor e incerteza, sendo grande parte vítima da violência social e estrutural que suporta guerras, genocídios, pobreza e destruição da Mãe Terra; enquanto as grandes potências intensificam a corrida armamentista e o mundo convive com o crescente perigo de uma Terceira Guerra Mundial com armas nucleares.

Você está bem ciente do que discuto brevemente a respeito da situação geopolítica e econômica global: os poderosos interesses que detêm o poder arrastam pessoas para guerras e conflitos como o da Ucrânia e da Rússia, alimentados pela OTAN, causando sérias consequências para pessoas e nações sujeitas à dependência, à exploração e a mecanismos de escravidão.

As políticas da administração de Donald Trump violam os direitos humanos e os direitos dos povos, tanto global quanto internamente. Isso inclui a perseguição de imigrantes deportados do país, violando seus direitos e roubando-lhes a vida e a esperança. Além disso, a administração apoia o genocídio de Israel contra o povo palestino com a cumplicidade de países europeus, violando pactos e protocolos internacionais e desrespeitando resoluções das Nações Unidas.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusado de genocídio pelo Tribunal Penal Internacional, age com total impunidade.

Trump, em suas políticas belicistas, bombardeia países como Nigéria e Irã, invade a Venezuela, bloqueia o Mar do Caribe e afunda barcos de pesca, matando suas tripulações. Você conhece o longo histórico de invasões e injustiças cometidas por seu país.

O Congresso dos EUA mantém um bloqueio contra Cuba há mais de 60 anos, inclusive durante a sua presidência, ignorando um povo que defende sua soberania e autodeterminação. Cuba não representa uma ameaça para os EUA; seu país é que representa uma ameaça para Cuba, com seu histórico de décadas de agressão e mentiras.

É urgente pôr fim à violência e ao bloqueio contra Cuba, retirar os navios da frota naval, intensificar o bloqueio que prejudica a vida e a segurança do povo cubano e parar de ameaçar os países que comercializam com a ilha.

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum foi clara e contundente em sua resposta a Trump, rejeitando suas ameaças: "Ninguém vai ditar ao México para quem ele deve vender petróleo."

É importante reconhecer seu gesto de estender a mão a Cuba, viajando até a Ilha e abrindo a possibilidade de diálogo. Agora você pode contribuir com sua experiência para encontrar caminhos alternativos e evitar danos a um país que oferece à humanidade apoio médico, técnico e educacional.

Trump busca estrangular economicamente Cuba intensificando o bloqueio e impedindo que petroleiros cheguem à ilha, impondo sanções a quem comercializa com Cuba, extorquindo e violando sua soberania e autodeterminação, e recorrendo à chantagem contra países que negociam com Cuba. Essa arrogância imperial busca subjugar um país não beligerante pela força das armas. Trump se transformou em um "ditador global", desconsiderando o Congresso dos EUA e impondo um autoritarismo que pode arrastar o país para situações imprevisíveis de desastre nacional e global, colocando em risco a democracia em seu próprio país com políticas totalitárias.

Ela ameaça países como Colômbia, Nicarágua, México, Brasil, Groenlândia e Canadá, buscando fortalecer sua hegemonia global e desrespeitando os direitos dos povos.

A irresponsabilidade de Trump representa uma ameaça à paz e à segurança mundial, bem como ao continente latino-americano.

A CELAC declarou a América Latina uma “Zona de Paz” e um continente livre de armas nucleares.

Sabemos que as decisões estatais devem ser aprovadas pelo Congresso; seria necessário que o senhor, como laureado com o Prêmio Nobel da Paz e ex-presidente dos EUA, apelasse aos membros do Congresso para impedir que o mundo mergulhe na violência e na guerra, antes que seja tarde demais.

Sabemos como a guerra começa, mas ninguém sabe como termina. Sabemos que é um negócio lucrativo para poucos e deixa um rastro de morte e desolação por décadas. A paz não é a ausência de conflito. A paz é construída, e é preciso muita força e coragem para mantê-la.

O presidente venezuelano Nicolás Maduro foi sequestrado e está sendo mantido prisioneiro junto com sua esposa, Cilia Flores, em um crime que resultou em 100 mortes. Eles serão julgados em Nova York, acusados ​​de serem narcotraficantes do "Cartel dos Sóis", apesar de esse cartel não existir. Os sequestrados já foram condenados antes do julgamento por conta de mentiras e ódio, e não possuem garantias legais.

É urgente exigir sua libertação. Os problemas internos que a Venezuela enfrenta devem ser resolvidos por seu povo, não por interferência estrangeira. Vocês devem decidir e agir para pôr fim ao bloqueio imoral contra Cuba. O Congresso dos EUA deve decidir, com consciência e justiça, buscar a unidade, os direitos e a igualdade para todos os povos, em vez de acreditar que a violência e a mentira lhes trarão poder.

O mundo está em constante transformação; a ciência e a tecnologia revolucionaram a vida e aceleraram o tempo. Um "Novo Contrato Social" precisa ser construído. Para isso, "o cântaro" deve ser esvaziado de tantas mentiras, ódio e poder de dominação — como a sujeira acumulada ao longo da história que nos impede de alcançar a luz da Verdade e da Justiça para construir um novo amanhecer para nossa Casa Comum.

O caminho é complexo e difícil, repleto de medos e dúvidas; deve ser percorrido com coragem e determinação, sabendo que colhemos o que plantamos. Quando o povo dos Estados Unidos despertou e abraçou a "Rebelião da Consciência", conseguiu se opor à Guerra do Vietnã e defender os Direitos Civis. Hoje, é necessário que essa rebelião se manifeste novamente para pôr fim às guerras e à violência que afligem toda a humanidade. Devemos acabar com o totalitarismo imposto por Trump.

Saúdo-vos fraternalmente, desejando-vos muita força e esperança de que outro mundo seja possível.

 

Adolfo Pérez Esquivel

Prêmio Nobel da Paz de 1980, Buenos Aires, 10-2-26


https://www.resumenlatinoamericano.org/2026/02/23/argentina-carta-abierta-del-premio-nobel-de-la-paz-adolfo-perez-esquivel-a-barack-obama-instandolo-a-que-exija-que-el-gobierno-y-el-congreso-de-eeuu-pongan-fin-al-criminal-bloqueo-a-cuba/

@comitecarioca21