4 de jul. de 2026
O PREÇO (ALTO) DA LIBERDADE. Um dia comum em Cuba sob um criminoso bloqueio injustificável.
Diplomacia da chantagem: as amarras coloniais de Washington contra Cuba
Preste atenção a esta informação! O ministro das Relações
Exteriores de Cuba denuncia que Washington está utilizando três
documentos secretos para chantagear o mundo inteiro contra Cuba.
Em resumo:
• Ameaçam bancos e países que não aderirem ao bloqueio
• Pressionam diplomatas da ONU para que votem contra
• Inventam uma mentira sobre Cuba e a Ucrânia sem provas
No dia 7 de julho, Cuba levará essa questão à Assembleia Geral da ONU.
Aqui o artigo completo:
Diplomacia
da chantagem: as amarras coloniais de Washington contra Cuba
Cuba denuncia na ONU os três documentos secretos com os
quais os EUA estão chantageando o mundo. Descubra a verdade histórica e a
defesa da soberania em 7 de julho.
A verdade histórica possui uma força poderosa que nenhum monopólio midiático consegue conter por muito tempo. O recente comparecimento do Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, não foi apenas um ato de legítima autodefesa soberana, mas também uma radiografia cirúrgica do desespero imperial. Ao convocar uma sessão de emergência da Assembleia Geral das Nações Unidas em 7 de julho, Cuba está trazendo à tona, para o centro das atenções globais, o que Washington pretendia realizar nas sombras: um crime contra a humanidade em pleno andamento.
A questão não se resume mais à antiga e amplamente apoiada
denúncia do bloqueio econômico, comercial e financeiro. Estamos diante de uma
escalada qualitativa em que o bloqueio energético se combina com um
estrangulamento financeiro genocida e, alarmantemente, com a ameaça latente de
agressão militar direta.
Os
três papéis da infâmia: a chantagem como método.
A diplomacia dos EUA abandonou qualquer aparência de decoro
legal para abraçar o gangsterismo político. As revelações do ministro das
Relações Exteriores cubano sobre os três documentos clandestinos que Washington
usa para pressionar ministérios das Relações Exteriores ao redor do mundo
demonstram o nível de decadência de sua política externa.
O manual do estrangulamento extraterritorial: um documento
explícito de ameaças punitivas contra terceiros países, empresas e bancos.
Washington já nem sequer tenta disfarçar a ilegalidade das suas leis; diz
textualmente aos Estados soberanos que, tenham ou não laços com Cuba, devem
alinhar-se com a sua estratégia de isolamento sob ameaça de ruína financeira. É
a ditadura do dólar na sua forma mais pura.
O medo da verdade na ONU: Com a tradicional votação de
outubro se aproximando, o Departamento de Estado está empregando uma estratégia
de pressão brutal para forçar diplomatas do mundo todo a ignorarem a justiça ou
alterarem seus depoimentos. Eles temem o isolamento internacional que sofrem ano
após ano na Assembleia Geral.
A mentira geopolítica sobre a Ucrânia: O terceiro documento
expõe uma campanha difamatória grosseira, desprovida de qualquer prova
material, com o objetivo flagrante de retratar Cuba como parte beligerante no
conflito europeu. Uma calúnia insustentável.
"O
aparato diplomático do Departamento de Estado está tentando impedir que a
Assembleia Geral das Nações Unidas considere uma questão de preocupação global
e de enorme urgência, usando pressão, chantagem e ameaças."
Cuba:
Uma Ilha de Paz Diante da Ilusão Nuclear
A narrativa americana constantemente esbarra na realidade
incontestável. Acusar Cuba de ser uma "ameaça à segurança nacional"
da maior potência militar e nuclear do mundo beira o absurdo psicológico. Cuba
não possui armas de destruição em massa, não tem bases militares no exterior,
nem promove instabilidade.
Pelo contrário, a única base militar estrangeira no
arquipélago cubano é aquela que os Estados Unidos ocupam ilegalmente em
Guantánamo, contra a vontade do nosso povo e do nosso governo. Foi precisamente
em Havana que a CELAC assinou a histórica proclamação da América Latina e do
Caribe como Zona de Paz. Isso está no nosso DNA diplomático.
7 de
julho: Um encontro com a dignidade universal
A tentativa da missão dos EUA em Nova York de sabotar a sessão por meio de manobras processuais demonstra seu medo do debate aberto. Eles sabem que, no órgão mais universal e democrático da ONU, a chantagem do veto não tem poder.
O que será discutido em 7 de julho em Nova York não é
apenas a situação em Cuba. O que está sendo defendido é a validade da Carta das
Nações Unidas.
- A igualdade
soberana dos Estados.
- Não interferência
em assuntos internos.
- O direito
inalienável dos povos à autodeterminação.
O imperialismo, em sua ânsia de impor uma mudança de
sistema na ilha, está disposto a provocar uma catástrofe humanitária ou uma
aventura militar com consequências incalculáveis. No entanto, está calculando
mal. A resistência do povo cubano não é um fator negociável em nenhuma mesa de
negociações, e a solidariedade dos povos do mundo demonstrará mais uma vez que
a dignidade não se rende às chantagens.
Cuba
prevalecerá, porque a justiça, a história e a razão estão do nosso lado.
#CubaVencerá #AltoAlBloqueo #ONU #Soberanía
#VerdadHistórica #RazonesDeCuba
https://razonesdecuba.cu/diplomacia-del-chantaje-washington-cuba-onu
A sábia distinção de Fidel
O Comandante-em-Chefe da Revolução sempre distinguiu entre o cidadão estadunidense — que ele reconhecia como nobre e capaz de agir com justiça — e as políticas imperiais de seus governos, responsáveis pelo bloqueio e pela agressão contra Cuba. Essa coerência norteou as reaproximações com Kennedy, Carter e Clinton, e permaneceu mesmo quando ele ofereceu ajuda médica ao povo americano após o furacão Katrina.
Autor: Jorge Enrique Jerez Belisario | internet@granma.cu
Como convicção forjada no próprio âmago da Revolução, existe uma linha divisória que o Comandante-em-Chefe traçou com a precisão de um arquiteto e a firmeza de um estadista. Para Fidel, a distinção entre o povo americano e as políticas imperialistas de seus governos era um pilar ético e intelectual sobre o qual se baseou sua relação com o vizinho do norte por mais de seis décadas. Não foi por acaso que ele escolheu se hospedar no Hotel Teresa, entre as pessoas mais pobres da Nova York dos anos 1960, quando lhe foi negada hospedagem na Big Apple.
"Nossa luta não é e nunca será contra o povo dos Estados Unidos", disse ele certa vez, e isso resume a coerência dos princípios da Revolução. Fidel não apenas distinguiu o governo de seus cidadãos; ele estabeleceu com o cidadão estadunidense um laço de respeito e fraternidade que desafiava a lógica, até mesmo a da Guerra Fria.
“Talvez em nenhum outro país os cidadãos estadunidenses sejam recebidos com o respeito e a hospitalidade que recebem em Cuba”, afirmou. Não era retórica: era a constatação de um fato que a propaganda inimiga jamais poderia negar. Ele conhecia a história e a psicologia do povo estadunidense. Sabia que eles podiam ser enganados e levados a causas injustas, mas também que, ao conhecerem a verdade, sua nobre essência se inclinava para a justiça. Isso ficou demonstrado, recordou Fidel, quando 80% dos cidadãos estadunidenses apoiaram o retorno do menino Elián González à sua família e à sua pátria.
Em suas reflexões, Fidel sempre foi enfático ao apontar quem era o responsável pela disputa. Ele nunca culpou o povo estadunidense. A responsabilidade, insistia ele, recaía sobre um sistema que "gera egoísmo, arrogância e comportamento prepotente, e que concebe governos quase exclusivamente para manter e expandir um vasto império".
Essa distinção era, para ele, essencial para a luta de Cuba e para a paz mundial. Ele definiu a disputa com os EUA como "a retumbante e persistente recusa" dos governos estadunidenses em respeitar o direito soberano do povo cubano. Mas essa recusa não diminuiu sua fé no povo: ele acreditava firmemente que eles eram "os únicos que podem conter e impor restrições aos fanáticos do poder, da arbitrariedade e da guerra".
Ao contrário do que por vezes se acredita, o diálogo não é um desenvolvimento recente. Foi uma característica constante da política externa cubana, forjada nos bastidores da confrontação, desde os contatos secretos iniciados por John F. Kennedy após a Crise dos Mísseis de Cuba — interrompida pelo seu assassinato em Dallas — até aos progressos alcançados pela administração Carter, quando foram firmados acordos sobre migração, pesca e fronteiras marítimas, e as Seções de Interesses foram abertas. Durante esses anos, as trocas acadêmicas, desportivas e culturais aumentaram, e realizaram-se conversações privadas que demonstraram que a compreensão baseada no respeito mútuo era possível.
Na década de 1990, com Bill Clinton na Casa Branca e a mediação de Gabriel García Márquez, novas reaproximações ocorreram. Cuba estendeu um ramo de oliveira, chegando a oferecer informações sobre redes terroristas que operavam contra a Ilha a partir de território dos EUA. Mas a resposta de Washington, em vez de desmantelar os criminosos, foi perseguir fontes cubanas; contudo, Fidel nunca fechou as portas.
Essa disposição permaneceu mesmo durante os momentos mais intensos do confronto. Quando o furacão Katrina devastou a Costa do Golfo em 2005, Fidel imediatamente se ofereceu para enviar mais de mil médicos e 36 toneladas de suprimentos; o governo de George W. Bush rejeitou a ajuda, mas o gesto serviu como prova irrefutável de que a solidariedade cubana com o povo estadunidense não conhece bloqueios nem ressentimentos.
Por isso, quando Barack Obama e Raúl Castro anunciaram a restauração das relações em 17 de dezembro de 2014, Fidel escreveu em uma de suas reflexões que "qualquer solução pacífica e negociada para os problemas entre os Estados Unidos e os povos [...] que não envolva força ou o uso da força deve ser tratada de acordo com os princípios e normas internacionais".
Essa é a grandeza do pensamento de Fidel: a mão estendida, não a ingenuidade. A coerência estratégica da soberania e a flexibilidade tática do diálogo. Lidando com dez administrações estadunidenses, sobrevivendo a mais de 600 tentativas de assassinato, Fidel manteve a porta aberta para o povo do Norte, jamais cedendo seus princípios ao poder imperial. Porque, como Martí nos ensinou, os direitos não se imploram: constroem-se com leis, com dignidade e, quando necessário, com a certeza de que a paz é sempre preferível à guerra, mas nunca à custa da pátria.
Da mesma forma, a solidariedade do povo estadunidense com Cuba é inestimável. Suas contribuições para as guerras de independência da ilha, as inúmeras manifestações de apoio em diferentes momentos da Revolução à justa causa do povo cubano e a luta contra o bloqueio demonstram que, além das posições políticas, merecemos um futuro em que nossos povos possam trocar experiências e se beneficiar do melhor dos dois mundos em seu desenvolvimento. Essa foi, e continua sendo, uma das maiores lições de Fidel.
https://www.granma.cu/mundo/2026-07-04/la-sabia-distincion-de-fidel-03-07-2026-22-07-54
A FÁBRICA DA DISSIDÊNCIA (parece uma coisa ultrapassada ? Pois é, SQN)
O ataque de Anna Bensi a Gerardo Hernández e a construção da oposição cubana por parte de Washington.
Por Federica Cresci, Cuba Mambí – Grupo de Ação Internacionalista
Nos últimos dias, uma jovem influenciadora cubana, Anna Bensi, ficou no centro de uma polêmica com Gerardo Hernández, um dos Cinco Heróis Cubanos. A jovem, conhecida nas redes sociais por suas posições anticubanas e anticastristas, foi rapidamente promovida pelos principais meios de comunicação do exílio cubano em Miami e apoiada pelos setores políticos que, há anos, impulsionam a oposição ao governo de Havana.
A controvérsia surgiu a partir de acusações dirigidas contra Gerardo Hernández e logo se tornou um caso midiático. Além da polêmica em si, o episódio oferece uma oportunidade para refletir sobre um fenômeno muito mais amplo: o papel desempenhado pela mídia, pelas organizações e pelos programas financiados pelos Estados Unidos na construção da oposição cubana nas últimas décadas.
De fato, essa última polêmica entre Anna Bensi e Gerardo Hernández remete a um mecanismo político que opera há mais de sessenta anos contra a Revolução cubana e que continua se reproduzindo com rostos, instrumentos e linguagens diferentes.
A influenciadora em questão é apresentada como uma voz espontânea da oposição cubana. Cada um é livre para acreditar nisso. O que não pode ser ignorado é o contexto em que sua imagem é construída, promovida e amplificada.
Há décadas, o governo dos Estados Unidos financia programas destinados a influenciar a vida política cubana. Não se trata de acusações nem de teorias. Trata-se de documentos oficiais. Por meio da USAID, da NED, do Departamento de Estado e de outras estruturas federais, Washington destinou centenas de milhões de dólares a projetos voltados para a chamada “mudança democrática” em Cuba.
Somente em 2024, a USAID destinou 2,3 milhões de dólares a programas de mídia voltados para Cuba. A Reuters documentou que a CubaNet, uma das principais plataformas que promovem conteúdos da oposição cubana, recebeu 500 mil dólares para alcançar os jovens cubanos da Ilha por meio de conteúdos multimídia.
A National Endowment for Democracy continua financiando programas voltados para meios de comunicação, ativistas e organizações que atuam contra o sistema político cubano. A Rádio Martí e a TV Martí, apresentadas há anos como instrumentos de informação independente, são, na verdade, estruturas financiadas diretamente pelo governo dos Estados Unidos e continuam recebendo dezenas de milhões de dólares em recursos públicos.
Essa estratégia não pertence ao passado. Enquanto a mídia e os influenciadores da oposição são promovidos como vozes espontâneas da sociedade cubana, Washington continua utilizando abertamente seu poder diplomático contra a ilha. Justamente nestes dias, um telegrama do Departamento de Estado, revelado pela revista The Nation e atribuído a diretrizes do secretário de Estado Marco Rubio, mostra a tentativa dos Estados Unidos de pressionar governos de todo o mundo para impedir o debate solicitado por Cuba na Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o bloqueio econômico.
Segundo o documento, as embaixadas americanas receberam instruções para incentivar os países aliados a não atribuir a crise cubana às sanções e ao bloqueio, e para neutralizar as posições favoráveis à ilha. Aos governos que tradicionalmente apoiam Cuba na ONU também é dirigida uma clara advertência diplomática: evitar declarações que possam gerar atritos com Washington.
Não estamos diante de uma simples controvérsia diplomática. Estamos diante da confirmação de que a pressão contra Cuba é exercida simultaneamente nos âmbitos econômico, midiático, político e internacional.
A história é longa. Houve a Rádio Martí e a TV Martí. Houve programas de financiamento a grupos de oposição. Houve o ZunZuneo, a rede social criada secretamente pela USAID para influenciar a sociedade cubana. Houve programas de infiltração no cenário cultural e musical da ilha. Houve operações, financiamentos, campanhas midiáticas e pressões diplomáticas que se sucederam sob governos republicanos e democratas, sem diferenças substanciais.
Os presidentes mudam. A política em relação a Cuba não muda.
Nesse contexto, Anna Bensi não representa nenhuma novidade. Ela representa uma continuidade.
Antes dela, a mesma operação foi realizada com outras figuras da oposição cubana. Ao longo dos anos, a mídia ocidental e as organizações apoiadas pelos Estados Unidos promoveram figuras como Oswaldo Payá, Yoani Sánchez, Guillermo Fariñas, Berta Soler e as Damas de Branco, José Daniel Ferrer, Luis Manuel Otero Alcántara e muitos outros.
Sempre se falava do novo rosto da liberdade cubana, do novo líder destinado a conduzir a mudança política na ilha, do símbolo capaz de representar o povo cubano diante da Revolução. Os nomes mudam, mas o mecanismo permanece idêntico.
Também na Itália essa operação de legitimação política encontrou apoios institucionais concretos. Em 2009, Pietro Marcenaro, dirigente do Partido Democrático e presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, apontou Raúl Rivero, Oscar Espinosa Chepe, Vladimiro Roca, Elizardo Sánchez, Oswaldo Payá e Manuel Cuesta Morúa como protagonistas da batalha democrática contra Cuba.
Nos anos seguintes, sob a presidência de Luigi Manconi na mesma Comissão, figuras da oposição cubana continuaram encontrando espaço e visibilidade nas instituições italianas. Enquanto Washington financiava programas de mudança de regime por meio da USAID, da NED, da Rádio Martí e de outras estruturas dedicadas à desestabilização de Cuba, uma parte da política italiana oferecia reconhecimento e legitimidade aos protagonistas dessa mesma estratégia.
Hoje é a era dos influenciadores.
As redes sociais substituíram as antigas ferramentas de propaganda, mas a lógica continua a mesma.
É nesse contexto que o ataque contra Gerardo Hernández adquire um significado particular.
Gerardo Hernández não construiu sua autoridade por meio do TikTok, do Facebook ou de campanhas na mídia. Ele a construiu passando pelas prisões estadunidenses e pagando pessoalmente o preço de suas convicções políticas.
Por mais de dezesseis anos, ele ficou preso nos Estados Unidos como parte do caso dos Cinco Cubanos. Enquanto Washington financiava programas, meios de comunicação e organizações dedicados à mudança do sistema político cubano, Gerardo pagava com sua liberdade por uma história que milhões de cubanos consideram parte da defesa de sua soberania nacional.
Alguns ficam famosos porque são promovidos. Outros tornam-se verdadeiramente respeitados porque estão dispostos a pagar pessoalmente o preço de suas ideias.
A diferença entre uma notoriedade construída com dinheiro e a autoridade moral nascida da dignidade está precisamente aí.
É por isso que o caso de Anna Bensi não conta apenas a história de uma jovem influenciadora. Conta a história de uma máquina política que, há mais de sessenta anos, investe dinheiro, estruturas, meios de comunicação e recursos para construir uma oposição eficaz aos interesses dos Estados Unidos em Cuba.
Os nomes mudam. A estratégia continua a mesma.
Artigo publicado no blog Cuba Mambí: https://cuba-sbloqueando.blogspot.com
3 de jul. de 2026
Cuba, novas medidas da Revolução
A população
cubana vive em situação de guerra. Devido aos apagões frequentes e prolongados,
muitas famílias cozinham com carvão ou lenha catada em fundos de quintal. São
raros os veículos que circulam pelas ruas e não há transporte público.
Hospitais e outros centros vitais à vida no país funcionam à base de placas
fotovoltaicas, insuficientes para atender à enorme demanda.
Por falta
de combustível para caminhões, o lixo se acumula nas ruas das cidades e, em
Havana, grande quantidade de medicamentos destinada às cidades do interior
permanece estocada.
Em busca de
saídas para a crise, na terceira semana de junho Cuba aprovou o mais abrangente
pacote de reformas econômicas desde a vitória da Revolução, em 1959. Com 176
medidas agrupadas em 23 eixos, a iniciativa, apoiada pelo ex-presidente Raúl
Castro, visa a enfrentar a crise mais severa do país desde o “Período Especial”
(1990-1995). No entanto, ao flexibilizar o modelo centralizado, o governo de
Miguel Díaz-Canel reacende um debate crucial: estas reformas aprimoram o
projeto socialista ou representam um retrocesso?
A decisão
por uma “terapia de choque” caribenha foi impulsionada por um cenário extremo:
o aprofundamento do bloqueio dos EUA, a interrupção do fornecimento de
combustível e a queda nas receitas do turismo. O fracasso da reforma monetária
e a ineficiência estatal geraram apagões de até 20 horas diárias e escassez
generalizada. O governo admite que a “brecha entre renda e preços é
insustentável”, e a necessidade de mudanças urgentes tornou-se inadiável.
As reformas
promovem uma descentralização radical: 1) Fim dos monopólios estatais: O
comércio exterior e a produção não serão mais exclusividade do Estado, com
abertura para importações e exportações diretas. 2) Privatização e capital
privado: Empresas estatais podem se tornar empreendimentos privados com ações,
e bancos privados são autorizados a funcionar. O setor privado, que já
representa 15% do PIB, terá espaço ampliado, incluindo o investimento
imobiliário. 3) Investimento Estrangeiro e Diáspora: Investidores não
precisarão mais de sócios estatais, e cubanos no exterior poderão investir no
país. 4) Empresas Mistas: A associação entre Estado e setor privado foi
legalizada para diversos setores, exceto saúde, educação e defesa. 5)
Reestruturação do Estado: O número de ministérios será reduzido de 27 para 20
para aumentar a eficiência.
As medidas
incluem a municipalização da economia: os municípios passam a ficar
independentes do poder central para implantar empresas, importar e exportar, e
aprovar investimentos de cubanos residentes no exterior.
A narrativa
oficial, ecoada pelo primeiro-ministro Manuel Marrero, assegura que as transformações
“não constituem um desvio do projeto socialista; ao contrário, respondem à
lógica inerente de seu desenvolvimento”. A lógica é pragmática: para salvar o
socialismo, é preciso adotar novos instrumentos econômicos condizentes com a
realidade atual.
Nessa
visão, a abertura é uma ferramenta para fortalecer o projeto socialista, e não
para abandoná-lo. O reconhecimento do mercado como um “instrumento para a
alocação eficiente de recursos” é visto como evolução, e não capitulação. Além
disso, a promessa de proteção social busca mitigar os efeitos das reformas
sobre os mais vulneráveis e preservar o núcleo de justiça social do projeto
revolucionário. O presidente Díaz-Canel reforça que “Cuba muda para seguir
sendo livre” e para “viver melhor”, enquadrando as reformas como um ato de
soberania.
Para alguns
críticos, as medidas representam um afastamento significativo dos princípios
socialistas. A privatização de setores chaves, a permissão para bancos privados
e o desenvolvimento imobiliário privado são vistos como introdução de relações
capitalistas no coração do projeto socialista. O economista cubano Daniel
Torralbas as classifica como a “reforma econômica mais profunda em 70 anos”, o
que, para muitos, equivale a uma mudança de sistema.
Há o receio
de que as mudanças levem à concentração de renda e ao aumento da desigualdade,
algo já observado com a dolarização parcial. Alguns analistas destacam que a
vida melhora apenas para quem tem acesso ao dólar, criando uma clivagem social
que contradiz o ideal igualitário socialista. Além disso, o histórico de
aberturas seguidas de retrocessos gera desconfiança.
O sucesso ou fracasso dessas medidas em relação ao projeto socialista dependerá de sua implementação e de fatores externos, como o fim da asfixia energética dos EUA. O governo cubano aposta que a eficiência econômica gerada pela abertura será capaz de financiar e preservar as conquistas sociais da Revolução. No entanto, o risco de que as forças de mercado desvirtuem o caráter igualitário do Estado é real.
Em última
análise, Cuba adota medidas ousadas típicas do capitalismo para salvar o
socialismo, a exemplo da China e do Vietnã. Se isso é aprimoramento ou
retrocesso, dependerá do resultado prático - se a maior eficiência econômica se
traduzirá em bem-estar para a maioria da população sem sacrificar os pilares de
justiça social, ou se abrirá uma fenda irreparável no projeto revolucionário
iniciado em 1959. O tempo e a capacidade de o governo revolucionário gerir essa
transição dirão se estas reformas serão o início de um novo capítulo do
socialismo cubano ou o prenúncio de seu ocaso.
Um fator é
óbvio: apesar das múltiplas dificuldades atuais, a resiliência do povo é
incontestável. É como se os cubanos, que já enfrentaram tantas ameaças do
imperialismo e crises em 67 anos de Revolução, agora estejam seguros de que não
sairão derrotados. Como me disse um amigo em Havana: “Não temos eletricidade, mas nos sobra energia. ”
Frei Betto é escritor, autor do romance “O Voo da
Locomotiva” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org
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Os EUA tentam impor uma nova estratégia de chantagem contra Cuba, alerta Cossío
1º de julho de 2026
O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, denunciou que o governo dos Estados Unidos está intensificando uma política de pressão global contra a ilha, não apenas por meio do bloqueio econômico, mas também por meio de chantagem direta a governos de diferentes regiões do mundo.
Primeiro, Washington pressionou para que vários países encerrassem os programas bilaterais de cooperação médica com Cuba. O resultado não é abstrato: comunidades inteiras ficaram privadas de serviços de saúde, atendimento primário, especialistas e apoio médico que, durante anos, salvaram vidas onde muitas vezes outras alternativas não chegavam.
Agora, essa mesma pressão se estende ao âmbito diplomático. Os Estados Unidos tentam forçar governos — incluindo aliados tradicionais — a alterar sua posição histórica contra o bloqueio na Organização das Nações Unidas e até mesmo a se recusarem a debater um tema essencial para a comunidade internacional: o impacto de uma política ilegal, extraterritorial e cruel contra o povo cubano, afirma o diplomata.
Fernández de Cossío também destacou outro elemento-chave: Washington já pressiona com sucesso governos e atores internacionais para que acatem a proibição imposta pelos Estados Unidos de exportar combustíveis para Cuba. Ou seja, o cerco energético não é coincidência nem um simples problema comercial: faz parte de uma estratégia deliberada para asfixiar a vida cotidiana do país.
O que está se configurando é grave: uma ordem internacional em que um governo pretende decidir com quem os demais podem comercializar, que tipo de cooperação médica podem manter, que combustível pode chegar a uma ilha bloqueada e até mesmo quais temas podem ser debatidos na ONU.
Essa “nova ordem”, baseada em sanções, medo e obediência forçada, é insustentável, injusta e perigosa para todos os povos. Hoje ela é aplicada contra Cuba; amanhã poderá ser aplicada contra qualquer país que não se submeta.
De Cossío: O critério de sucesso da estratégia política dos EUA contra Cuba é medido pelo número de horas de apagões sofridas pela população…
O critério de sucesso do plano político dos EUA contra Cuba é medido pelo número de horas de apagões sofridas pela população, pelo número de famílias sem gás para cozinhar, pelos alimentos que estragam por não poderem ser refrigerados, pelas cirurgias adiadas ou não realizadas, pela queda nas taxas de mortalidade infantil e a consequente morte de recém-nascidos.
Isso se manifesta na falta de transporte público, no lixo sólido que se acumula em cada quarteirão, nas dificuldades de acesso à educação, na interrupção de empregos e na diminuição da renda pessoal e familiar, na inflação e na crescente escassez que a população conhece muito bem.
Uma certa classe de políticos se orgulha de suas conquistas e comemora entre si. É a guerra cruel e diária à qual a nação está submetida.
Cada ato de criatividade, cada reparo engenhoso, cada solução, por mais frágil que seja, cada vida salva e cada ato de solidariedade são registrados como derrotas do imperialismo, infligidas por um povo pacífico, mas que se recusa a retornar à condição de sujeito dependente e desprezado que sofreu durante a primeira metade do século XX.
É GRAVE. E O NOME DISSO É CHAN-TA-GEM ! IMPORTANTE: vaza telegrama de Rubio para pressionar a ONU contra Cuba
Um artigo da *The Nation*, assinado por **Peter Kornbluh* e *Ken Klippenstein*, revela um fato gravíssimo: o Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob instruções de **Marco Rubio*, teria enviado um telegrama diplomático às suas embaixadas para pressionar governos de todo o mundo e impedir que a ONU debata a agressão econômica contra Cuba.
O documento vazado confirma o que Cuba vem denunciando: Washington não apenas mantém o bloqueio, o cerco energético e as sanções financeiras, mas também tenta *silenciar o debate internacional* sobre suas consequências humanitárias.
Segundo o artigo, o telegrama ordena que as embaixadas estadunidenses pressionem seus países anfitriões a se oporem ao debate solicitado por Cuba na *Assembleia Geral da ONU no próximo dia 7 de julho*. Caso o debate prossiga, os Estados Unidos pedem a seus aliados que ataquem Cuba em seus discursos, que a acusem de incompetência, corrupção e fracasso econômico, e que evitem atribuir a responsabilidade pela crise ao bloqueio.
Mais grave ainda: aos países que tradicionalmente apoiam Cuba na ONU, Washington lança uma advertência diplomática direta. Pede que sejam “extremamente cautelosos” em suas intervenções e adverte que comentários favoráveis a Cuba poderiam gerar “atritos” em suas relações bilaterais com os Estados Unidos.
Isso significa que os Estados Unidos tentam impor uma mordaça global: pressionam os governos para que não falem, para que não denunciem, para que não mencionem o bloqueio e para que não reconheçam o sofrimento que essa política causa ao povo cubano.
O artigo também desmonta a narrativa de Washington. Enquanto os Estados Unidos afirmam que “se preocupam profundamente com o povo cubano”, mantêm uma guerra econômica aberta: bloqueio petrolífero, sanções contra empresas estrangeiras, ameaças a países que mantêm relações comerciais com Cuba e obstáculos até mesmo à cooperação humanitária.
*The Nation* lembra que a Assembleia Geral da ONU condenou, por *31 votações consecutivas*, o bloqueio contra Cuba, de forma esmagadora. No entanto, o governo Trump tenta agora impedir até mesmo que o tema seja debatido, pois sabe que a maioria do mundo rejeita essa política ilegal, cruel e extraterritorial.
O texto cita ainda o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, *Volker Türk*, que alertou que sanções tão severas, dirigidas contra setores inteiros de uma economia e com efeitos indiscriminados sobre a população, são incompatíveis com o direito internacional dos direitos humanos.
A conclusão é contundente: Cuba não representa uma ameaça para os Estados Unidos. Cuba não é uma potência militar nem nuclear. A verdadeira ameaça é o bloqueio: uma política de punição coletiva que afeta alimentos, medicamentos, combustível, hospitais, transporte, eletricidade e a vida cotidiana de milhões de cubanas e cubanos.
Como disse o ministro das Relações Exteriores *Bruno Rodríguez Parrilla*: *“Cuba não é uma ameaça. Mas o bloqueio é. É um crime contra a humanidade que está ocorrendo neste momento”.**
📢 *Compartilhe esta mensagem e comente. É importante romper o cerco informativo e denunciar as pressões dos Estados Unidos contra Cuba na ONU.*
#NuestraRespuestaEsLaUnidad
Um artigo da The Nation, assinado por *Peter Kornbluh e Ken Klippenstein, revela um fato gravíssimo: o Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob instruções de *Marco Rubio, teria enviado um telegrama diplomático às suas embaixadas para pressionar governos de todo o mundo e impedir que a ONU debata a agressão econômica contra Cuba.
O documento vazado confirma o que Cuba vem denunciando: Washington não apenas mantém o bloqueio, o cerco energético e as sanções financeiras, mas também tenta silenciar o debate internacional sobre suas consequências humanitárias.
Segundo o artigo, o telegrama ordena que as embaixadas estadunidenses pressionem seus países anfitriões a se oporem ao debate solicitado por Cuba na Assembleia Geral da ONU no próximo dia 7 de julho. Caso o debate prossiga, os Estados Unidos pedem a seus aliados que ataquem Cuba em seus discursos, que a acusem de incompetência, corrupção e fracasso econômico, e que evitem atribuir a responsabilidade pela crise ao bloqueio.
Mais grave ainda: aos países que tradicionalmente apoiam Cuba na ONU, Washington lança uma advertência diplomática direta. Pede que sejam “extremamente cautelosos” em suas intervenções e adverte que comentários favoráveis a Cuba poderiam gerar “atritos” em suas relações bilaterais com os Estados Unidos.
Isso significa que os Estados Unidos tentam impor uma mordaça global: pressionam os governos para que não falem, para que não denunciem, para que não mencionem o bloqueio e para que não reconheçam o sofrimento que essa política causa ao povo cubano.
O artigo também desmonta a narrativa de Washington. Enquanto os Estados Unidos afirmam que “se preocupam profundamente com o povo cubano”, mantêm uma guerra econômica aberta: bloqueio petrolífero, sanções contra empresas estrangeiras, ameaças a países que mantêm relações comerciais com Cuba e obstáculos até mesmo à cooperação humanitária.
The Nation lembra que a Assembleia Geral da ONU condenou, por 31 votações consecutivas, o bloqueio contra Cuba, de forma esmagadora. No entanto, o governo Trump tenta agora impedir até mesmo que o tema seja debatido, pois sabe que a maioria do mundo rejeita essa política ilegal, cruel e extraterritorial.
O texto cita ainda o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, que alertou que sanções tão severas, dirigidas contra setores inteiros de uma economia e com efeitos indiscriminados sobre a população, são incompatíveis com o direito internacional dos direitos humanos.
A conclusão é contundente: Cuba não representa uma ameaça para os Estados Unidos. Cuba não é uma potência militar nem nuclear. A verdadeira ameaça é o bloqueio: uma política de punição coletiva que afeta alimentos, medicamentos, combustível, hospitais, transporte, eletricidade e a vida cotidiana de milhões de cubanas e cubanos.
Como disse o ministro das Relações Exteriores Bruno Rodríguez Parrilla: “Cuba não é uma ameaça. Mas o bloqueio é. É um crime contra a humanidade que está ocorrendo neste momento”.*
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