6 de fev. de 2021

UM SÍMBOLO DE CUBA NO PRÊMIO NOBEL

As brigadas médicas Henry Reeve acumulam indicações para o prêmio de 2021

Profissionais de saúde realizaram missões humanitárias nos cinco continentes há 15 anos, trabalharam em 46 nações e continuam fazendo isso até hoje.


      Em tempos de pandemia, as brigadas médicas cubanas Henry Reeve acumulam várias indicações para o Prêmio Nobel da Paz de 2021. Dia 31 se encerrou o prazo para receber inscrições na Academia Sueca. As adesões vieram da Alemanha, Austrália, México, Japão, Argentina e Bélgica, entre vários outros países. Seus profissionais de saúde realizaram missões humanitárias nos cinco continentes há 15 anos, trabalharam em 46 nações e continuam fazendo isso até hoje. Mas em um momento crucial como o atual - com 2,2 milhões de mortes e mais de 100 milhões de infectados no mundo pela Covid-19 - eles ainda causam suspeitas em governos autoritários. O presidente de extrema direita Jair Bolsonaro ou a ditadora Jeannine Añez, expulsou-os do Brasil e da Bolívia. No entanto, esses contingentes foram distinguidos pela OMS em 2017 por sua atuação em emergências e epidemias graves. 

     Desde sua criação em 19 de setembro de 2005 por ocasião do furacão Katrina que destruiu Nova Orleans - e cuja assistência George W. Bush rejeitou - eles têm colaborado em catástrofes naturais, como vanguarda contra o ebola na África e agora contra o novo vírus.

       Em um planeta onde a saúde é negociada como uma mercadoria, as Brigadas Henry Reeve são o paradigma do oposto. Eles têm esse título em homenagem a um jovem americano que desembarcou em Cuba em 1869 para se juntar à luta pela independência contra a Espanha. Morreu aos 26 anos após lutar contra as tropas monarquistas sob o comando de Máximo Gómez. Os contingentes médicos internacionalistas idealizados por Fidel Castro são o resultado de um extenso processo. Suas bases foram lançadas muito antes de 2005. São o prestigioso modelo de saúde cubano, seu sistema de ensino voltado para a ciência, a Escola Latino-americana de Medicina (ELAM) e a Operação Milagre iniciada em 2004 junto com a Venezuela para tratar pacientes com problemas graves. entre outras decisões políticas.

      As brigadas médicas são indicadas para o Prêmio Nobel da Paz junto com um mosaico de personagens tão diferentes quanto incomuns. É o que prova o caso de Donald Trump, postulado pelo parlamentar norueguês anti-imigrante de direita Christian Tybring-Gjedde. Depois do ataque ao Capitólio estimulado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, o norueguês agora diz que não merece o prêmio. Ele o havia proposto por sua suposta contribuição para a paz entre Israel com as monarquias do Bahrein e os Emirados Árabes Unidos.

    Também nomeados para o Prêmio Nobel estão o presidente da Rússia, Vladimir Putin - pelo escritor de seu país, Sergei Komkov - e Julian Assange, pela ativista da Irlanda do Norte e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1976, Mairead Maguire. As propostas de nomes não são conhecidas a menos que sejam divulgadas pelas partes interessadas ou somente após cinquenta anos quando a fundação sueca o faz. São milhares desde 1901 - quando foi concedido o primeiro dos prêmios - e de acordo com o banco de dados oficial, entre aquele ano e 1967 houve 4.425 indicações para o mais famoso e discutido de todos. O Prêmio Nobel da Paz conquistado por personagens tão diferentes como Henry Kissinger, Barack Obama, Nelson Mandela e Adolfo Pérez Esquivel.

      As contribuições dos profissionais médicos cubanos estão documentadas. Até 2020, 9.000 profissionais de saúde integraram suas missões, ajudando cerca de 4 milhões de pessoas e salvando a vida de mais de 89.000 em 46 países e cinco territórios sem autonomia. Fizeram isso especialmente na América Latina e na África, em nações tão pobres como Haiti, Guiné Bissau e Moçambique. É pelo menos controverso como a imprensa hegemônica torna suas realizações invisíveis em lugares onde quase ninguém vai. Mesmo quando menciona seu trabalho assistencial, argumenta que eles fazem a chamada “diplomacia da saúde” ou que seus integrantes são “explorados” pelo governo de Havana. É engraçado: o que eles fazem geralmente custam suas próprias vidas.

      Em Serra Leoa, Libéria e Guiné Conakry, dois membros da brigada médica morreram de malária e um terceiro, Felix Báez Sarría, foi infectado com Ebola, foi levado para a Suíça, passou por Cuba e voltou à África para concluir seu trabalho. No Haiti, eles também desempenharam um papel fundamental na epidemia de cólera de 2010, onde mais de 400.000 pessoas foram atendidas por eles. Persistentes, em dezembro passado eles voltaram do continente africano. Foram recebidos na ilha pelo presidente Miguel Díaz Canel. Estavam voltando de uma nova missão em Serra Leoa, mas desta vez contra covid-19.

    Cuba não subordina o envio de seus médicos à cor política dos governos. Honduras é presidida por Juan Orlando Hernández, um aliado dos Estados Unidos que causa desconforto a Washington. Um tribunal de Nova York o está investigando porque ele teria recebido suborno de um traficante de drogas. O mesmo Congresso hondurenho que rejeitou as acusações contra o presidente, premiou as brigadas Henry Reeve com a Cruz do Comandante pelos bons resultados alcançados no país na luta contra o coronavírus.

       Quando a ditadura cívico-militar-policial comandada por Añez - hoje candidata a governadora no departamento de Beni - foi entronizada na Bolívia, profissionais cubanos trabalhavam no país. O regime os perseguiu, deteve quatro deles e os expulsou. Foram 725 que colaboraram na área da saúde. Uma fonte diplomática da ilha confidenciou à Página  12 que “durante sete anos foi feita uma contribuição gratuita de suprimentos e equipamentos médicos roubados ou destruídos pelos golpistas”. A constatação veio após a eleição de Luis Arce. O novo governo do MAS confiou a informação a Havana.

     Quando a pandemia começou na China, Cuba voltou a oferecer seus recursos humanos. Até o ano passado, cerca de 3.700 profissionais de saúde - 61,2% mulheres - foram para o exterior para trabalhar em 39 países. De acordo com dados oficiais do governo caribenho atualizados até 29 de janeiro em um mapa virtual, o México recebeu o maior número de brigadas (1.479) desde que o coronavírus se espalhou pelo mundo.

    A América Latina se beneficiou do maior número de voluntários - médicos viajam nessa condição - seguida por três países do Oriente Médio, Azerbaijão, Catar e Kuwait; Caribe e África. Mas onde os membros das brigadas Henry Reeve sentiram mais demonstrações de respeito e afeto foi na Itália. Quando o sistema de saúde daquele país explodiu, 90 deles trabalhavam na região da Lombardia. Quando se despediram em julho passado, foram homenageados em Turim com um almoço ao ar livre e recebidos com alegria pela equipe médica local.

       Até o português Cristiano Ronaldo, um dos dois melhores jogadores do mundo, deu a 38 médicos e enfermeiras a camisa autografada de seu clube, a Juventus. Ele não foi o único que agradeceu. O chanceler Luigi Di Maggio e a prefeita de Turim, Chiara Appendino, fizeram o mesmo.

   Três anos antes de a atual pandemia explodir, os médicos da ilha, bloqueada há sessenta anos pelos Estados Unidos, receberam uma distinção da Organização Mundial de Saúde. Naquele 26 de maio de 2017, a entrega do prêmio Doctor Lee Jong-Wook no valor de 100.000 dólares, foi precedida por um comentário do apresentador: “Estamos muito satisfeitos em homenagear sua memória ao conceder este prêmio ao Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastre e Epidemias Graves Henry Reeve ”. O evento foi realizado durante a 70ª Assembleia da OMS.



Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

https://www.pagina12.com.ar/320850-un-simbolo-de-cuba-va-por-el-premio-nobel

SENADORES NORTE-AMERICANOS APRESENTAM PROJETO DE LEI PARA ACABAR COM O BLOQUEIO A CUBA


Ron Wyden, democrata por Oregón e presidente do Comitê de Finanças do Senado. Imagem: Jacquelyn Martin / AP.


  O presidente da Comissão de Finanças do Senado, Ron Wyden, democrata do Oregon, apresentou ontem à noite um projeto de Lei do Comércio entre Cuba e os Estados Unidos de 2021, que visa revogar as sanções obsoletas e estabelecer relações comerciais normais com a Ilha.

“O embargo de nossa nação a Cuba é um artefato dos anos 1960. Continuar essa política de isolamento desatualizada e prejudicial seria um fracasso da liderança dos Estados Unidos. Embora Trump tenha aumentado as tensões com Cuba durante seu desastroso mandato no cargo, estou otimista sobre o novo curso diplomático do presidente Biden ”, disse Wyden.


"Apesar de tudo, o Congresso tem uma obrigação moral e econômica para com o povo americano de melhorar as relações entre os Estados Unidos e Cuba o mais rápido e seguro possível."

     

A Lei de Comércio Estados Unidos-Cuba de 2021 revogaria os principais estatutos que codificam sanções contra Cuba, incluindo a Lei Helms-Burton e a Lei da Democracia Cubana, bem como outras disposições que afetam o comércio, os investimentos e as viagens a Cuba. Também estabeleceria relações comerciais normais com o país.

Os senadores americanos Patrick Leahy, Richard Durbin e Jeff Merkley se juntaram a Wyden no projeto de lei.


Confira o texto do projeto aqui:

Proyecto de Ley de Comercio entre Cuba y Estados Unidos 2021


Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

http://www.cubadebate.cu/noticias/2021/02/05/senadores-estadounidenses-presentan-proyecto-de-ley-para-poner-fin-al-bloqueo-contra-cuba/

 



Para quem queira mandar mensagem ao Senador:

https://www.wyden.senate.gov/contact/email-ron   


NT: É uma boa notícia, ainda mais nesse momento de um novo governo e com uma maioria democrata no Congresso. Vamos esperar e ver como o capital vai se comportar.    #CubaSalvaVidas




AQUI OUTRA MATÉRIA SOBRE O ASSUNTO:


Uma crítica trabalhosa, mas positiva para a Casa Branca

Randy Alonso Falcon

      Na semana passada, o porta-voz da Casa Branca anunciou a vontade do governo Joe Biden de rever a política dos EUA em relação a Cuba, cujo curso foi notavelmente estragado pelo governo anterior.

  Após os inúmeros passos na direção certa dados no segundo mandato de Barack Obama - a fim de estabelecer relações entre as duas nações apesar das diferenças políticas e ideológicas - o governo Trump interrompeu tudo o que havia sido feito e tensionou as relações ao máximo possível.

   Desde junho de 2017, quando assinou uma Diretriz Presidencial por Cuba, perante uma audiência enervada em Miami repleta de políticas anti-cubanas, mercenários de Playa Girón e assalariados da indústria anti-cubana nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump aplicou 240 medidas punitivas contra Cuba  a uma taxa de mais de uma por semana.

    O bilionário de Nova York, mas com sede legal na Flórida, lançou-se ferozmente na jugular da nação caribenha para tentar subjugar o governo cubano. Proibiu as viagens de cidadãos norte-americanos, limitou drasticamente a quantidade de remessas de dinheiro que os cubanos que viviam naquele país poderiam enviar a Cuba e forçou o fechamento dos escritórios da Western Union em todo o arquipélago cubano, perseguiu violentamente as transações financeiras cubanas e estabeleceu uma caçada para impedir a chegada do combustível; atrapalhou todos os investimentos estrangeiros em solo cubano e até obrigou Marriot a se retirar da administração de um hotel da marca Sheraton em Havana (único que uma empresa norte-americana tinha em Cuba).

      Intercâmbios educacionais, culturais, esportivos e científicos entre os dois países também foram sabotados.

    As decisões mais aberrantes contra Cuba por Trump e sua equipe foram: uma, a habilitação total do Título III da chamada Lei Helms-Burton (que nenhum outro governo ousou pôr em vigor), para promover processos judiciais sem precedentes contra qualquer empresa que tenha investido ou usado instalações ou terras nacionalizadas pela Revolução Cubana - mesmo que seus proprietários na época da medida não fossem cidadãos norte-americanos; e a outra, nos últimos dias do governo, a inclusão novamente de Cuba na Lista particular de Governos que apoiam o Terrorismo, medida duramente criticada por diversos setores dos Estados Unidos e pela comunidade internacional.

   Como se vê, a revisão do governo Biden será trabalhosa. Trump, Pompeo, Claver-Carone e outros representantes do governo cessante, com o apoio entusiástico de Marco Rubio e outros congressistas anti-cubanos, teceram uma densa trama de medidas difíceis de desatar e que limitaram ao máximo os propósitos declarados de mudança, de sua campanha eleitoral, o novo inquilino da Casa Branca.

       Esta vontade já foi ratificada, mas enfrentará não poucos obstáculos: de alguns inconvenientes jurídicos à oposição ativa das forças anti-cubanas no Congresso, passando por certas reivindicações para estabelecer um processo no desmantelamento das medidas, Isso enfraqueceria uma relação assimétrica, onde Cuba não bloqueia, ataca, nem financia as forças da oposição, nem tem uma base militar no país do norte, nem coloca os Estados Unidos em listas espúrias e manipuladas.

    Mas se Trump, com base em decretos e resoluções, armou sua aberrante ofensiva anti-cubana em apenas 3 anos e meio, o governo Biden pode fazer o mesmo na direção oposta (embora Cuba não seja sua prioridade nestes tempos de pandemia e economia crise)

     O que aconteceu entre 2014 e 2016, com a adoção de acordos bilaterais em cerca de vinte áreas como meio ambiente, saúde, ciência, justiça, esporte, cultura, educação e outras, em benefício de ambas as nações, mostra um possível caminho positivo, inclusive. no meio das diferenças. Não são poucos os membros da atual administração que sabem disso.


Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

https://www.cubainformacion.tv/contra-cuba/20210206/89923/89923-miembros-del-senado-de-eeuu-presentan-proyecto-de-ley-para-poner-fin-al-bloqueo-contra-cuba




5 de fev. de 2021

USAID, NED, ADN, Diario de Cuba e mais: O negócio da 'democracia' em Cuba está bombando

 

 

Por: Tracey Eaton


Uma extensa rede de grupos financiados pelo governo dos Estados Unidos envia dinheiro em efetivo, todos os anos, a milhares de ativistas pela “democracia” cubana, jornalistas e dissidentes.

A qualquer momento, dezenas de organizações gestionam programas de “democracia” na Ilha. Os registros públicos revelam apenas centelhas fugazes do mosaico. Alguns programas são tão secretos, que nunca se revelam os destinatários dos fundos. Os detalhes gerais sobre outros programas se encontram em registros públicos, mas operam em Cuba com a máxima discrição.

 

Os funcionários estadunidenses dizem que não podem revelar detalhes dos programas cubanos para proteger os participantes de represálias. As estratégias de construção da “democracia” são consideradas “segredos comerciais” e estão isentas de divulgação, em virtude da Lei de Liberdade de Informação ou FOIA, segundo as cartas que recebi do Departamento de Estado e da Agência para o Desenvolvimento Internacional.

 

Alguns informes dos meios das últimas semanas centraram-se na Digital News Association Inc. Em 12 de outubro, informei que a USAID havia concedido $410,710 à empresa da Flórida, para promover os direitos humanos em Cuba. Na terça, um amigo jornalista me perguntou se sabia se parte do dinheiro era canalizado para ADN Cuba, um sítio web popular que oferece notícias sobre Cuba. É uma pergunta lógica, porque a CEO e diretora executiva da Asociación de Noticias Digitales é Gelet Martínez Fragela, fundadora de ADN Cuba, mas respondi ao jornalista que não tinha ideia de como a associação de notícias estava usando o dinheiro.

 

Veja também:

Repórter da ADN Cuba reconhece quanto lhe pagaram pelo espetáculo em frente ao Ministério de Cultura  em :  http://solidariedadecubarj.blogspot.com/2021/02/reporter-da-adn-cuba-reconhece-quanto.html


Uma pergunta mais ampla, e cuja resposta também não sei, é se os grupos financiados pelo governo dos Estados Unidos estão canalizando dinheiro para o Movimiento San Isidro, que oferece espetáculos musicais e apresentações artísticas.

Os membros andaram protestando contra a detenção do rapper Denis Solís, um membro de San Isidro que recebeu uma sentença de 8 meses de prisão, por insultar um oficial da polícia. Desde então, outros cubanos se uniram ao protesto e exigem não só a libertação de Solís, mas que o governo socialista impulsione a liberdade de expressão e outros direitos básicos.

 Com o crescimento do interesse pelo Movimiento San Isidro, em 24 de novembro, o Departamento de Estado ofereceu até 1 milhão de dólares a programas que aumentariam “os direitos civis, políticos, religiosos e trabalhistas em Cuba”. Os funcionários buscam propostas que “fortaleçam a capacidade dos grupos independentes da sociedade civil em Cuba, para promover os direitos civis e políticos na Ilha e aumentar a responsabilidade dos funcionários cubanos por violações de direitos humanos e corrupção”.

Embora o anúncio não mencione o Movimiento San Isidro, é possível que o Departamento de Estado esteja tentando criar impacto antes que o protesto míngue, mas não posso ter certeza disso.

Relacionar eventos e grupos dissidentes em Havana com fundos estadunidenses é sabidamente difícil. Não é  segredo, mas é  grande a quantidade de organizações que operam em Cuba..

Pelo menos 54 grupos operaram programas em Cuba financiados pela USAID ou National Endowment for Democracy, aproximadamente desde a época em que Donald Trump assumiu o cargo, em janeiro de 2017.

Os programas geralmente duram de 1 a 3 anos. O quadro seguinte revela uma amostra de grupos que receberam um total de $16,569,889 em subvenções da USAID, desde 2017. Ver gráfico interativo. O gráfico mostra que, ainda que a USAID informe financiamento a apenas cinco ou seis grupos em determinado ano, de fato 9, 10 ou 11 podem continuar funcionando com as subvenções do ano anterior. De forma que há mais atividade do que parece.

 


 

Este quadro mostra quanto a USAID espera pagar aos grupos ao longo do tempo. A quantidade totaliza $67,020,757, mas provavelmente será menor, porque depende do financiamento do Congresso, que não está garantido. Mas pode-se ver que a continuidade do financiamento também continua ao longo do tempo. Ver gráfico interativo.

 

Agora junte à imagem as 40 organizações que a NED financiou para projetos de Cuba desde mais ou menos 2017. O número total de grupos chega a 54, com base numa rápida contagem das organizações que são mais visíveis. Os grupos incluem:

 

  1.    Agora Cuba Inc.
  2.    Arlenica, Arte, Lenguaje e Investigación para el Cambio Social
  3.    Asociación Civil Cronos
  4.    Asociación Diario de Cuba
  5.    Asociación Mexicana para las Naciones Unidas de Jóvenes
  6.    Asociación Minga Perú
  7.    Fundación Familia Bacardi
  8.    Campaña Global por la Libertad de Expresion A19 AC
  9.    Canyon Communications LLC

10.   Caribbean Tales Worldwide Distribution Inc.

11.   Centro por una Cuba Libre

12.   Centro para la Empresa Privada Internacional (CIPE)

13.   Centro de Estudios Constitucionales Iberoamericanos

14.   Christian Solidarity International

15.   Clovek v tisni, ops (pessoas necessitadas)

16.   Cubalex

17.   Dirección Democrática Cubana (Directorio Democrático Cubano)

18.   Fundación Alma Cubana, Inc.

19.   CubaNet News, Inc.

20.   Asociación de Noticias Digitales Inc. (ADN)

21.   Equipo de Ayuda de EchoCuba / Américas

22.   Editorial Hypermedia Inc.

23.   Fundación para los Derechos Humanos en Cuba, Inc.

24.   Proyecto Sociedad Libre Inorporado

25.   Freedom House Inc.

26.   Fundación Cartel Urbano

27.   Fundación Espacio Público

28.   Fundación La Voz Pública

29.   Fundación Pro Bono

30.   Fondo Global de Defensa Legal del Estado de Derecho y la Libertad

31.   Grupo de Apoyo a la Democracia

32.   Grupo Internacional para la Responsabilidad Social Corporativa en Cuba

33.   Instituto de Informes sobre Guerra y Paz (IWPR)

34.   Instituto Cubano por la Libertad de Expresión y Prensa

35.   Insituto de Comunicación y Desarrollo

36.   Instituto de Liderazgo Simone de Beauvoir AC

37.   Instituto Interamericano de Derechos Humanos

38.   Instituto Político para la Libertad Perú

39.   Instituto Prensa y Sociedad

40.   Instituto Internacional de Raza, Igualdad y Derechos Humanos

41.   Plataforma Internacional de Derechos Humanos en Cuba

42.   Instituto Republicano Internacional

43.   Investigación e Innovación Factual AC

44.   Red Latinoamericana y del Caribe por la Democracia Inc.

45.   Centro Latinoamericano para la Noviolencia

46.   Unión Cultural Latinoamericana

47.   Libertatis

48.   Instituto Nacional Demócrata para Asuntos Internacionales

49.   Observatorio Cubano de Derechos Humanos

50.   Ayuda de Extensión a las Américas Inc.

51.   Fundación Panamericana para el Desarrollo Inc.

52.   People in Need Slovakia (PIPA)

53.   Transparencia Electoral

54.   Universidade Sergio Arboleda

 

Não se incluem, nos 54 grupos, aqueles que recebem financiamento secreto. O Departamento de Estado, USAID e NED informam ter contratados “não revelados” ou “diversos”, cujos nomes não revelam.

Os subcontratados são outros grandes desconhecidos. As grandes ONGs recebem subvenções e rotineiramente contratam subcontratados, mas seus nomes não se tornam públicos.

Outro mistério é quantos cubanos recebem dinheiro de organizações financiadas pelos Estados Unidos. Os registros fiscais dão poucas pistas. Em 2018, por exemplo, o Directorio Democrático Cubano informou haver pagado a 746 “empregados, agentes e contratados independentes” um total de $103,647. O grupo também informou haver pagado um total de $48,628 dólares a 1.930 pessoas em Cuba. Mas é impossível saber quanto do dinheiro da democracia estadunidense termina em Cuba e a quantas pessoas se paga.



(Tomado de Cuba Money Project. Publicado com o título: El negocio de la democracia em Cuba está em auge / Traducción Cubadebate)

Publicado em Diferendo Estados Unidos – Cuba, Manipulación y mentiras mediáticas, Relaciones Cuba – EE.UU.

Neste artigo: Cuba, Estados Unidos, Subversão

NR: O termo democracia foi colocado entre aspas em nossa edição pelos propósitos realmente subversivos desses programas e a questionável “democracia” que propõem.


Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

Original: http://www.cubadebate.cu/especiales/2021/02/03/usaid-ned-adn-el-negocio-de-la-democracia-en-cuba-esta-en-auge/ 





4 de fev. de 2021

VACINAS E SOBERANIA CIENTÍFICA

Por: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

         Em 1993, em pleno período especial, Fidel Castro disse:


“A ciência e as produções da ciência devem ocupar no futuro o primeiro lugar da economia nacional, porque [...] temos de desenvolver as produções da inteligência. Esse é o nosso lugar no mundo, não haverá outro”.

 

    Como costumava acontecer, Fidel tinha razão, e a prova é como a Ilha está enfrentando a pandemia. Cuba é o único país da América Latina que está produzindo uma vacina própria. Aliás, uma, não. Quatro!

      O Instituto Finlay de Vacinas tem duas candidatas, as Soberanas 1 e 2. E o Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia tem outras duas, a Mambisa, que será aplicada por via nasal, e a Abdala, ambas autorizadas, em novembro de 2020, a iniciar a fase de ensaios clínicos.

      No dia 16 de janeiro, começou um ensaio clínico com a formulação mais simples e mais segura da Soberana 1, com 30 voluntários entre 19 e 59 anos que já tiveram a doença, mas apresentam um nível baixo de anticorpos, ou seja, poderiam reinfectar-se. É um estudo original, porque todas as outras vacinas no mundo estão sendo testadas em pacientes jovens e que não passaram pela doença. Este ensaio dá a possibilidade de saber como reagirão à vacina os mais suscetíveis e também permite que se faça com apenas uma dose, que funciona como um reforço. Até o momento, os resultados do estudo são muito positivos.

     E embora a Soberana 1 tenha iniciado os ensaios clínicos em agosto de 2020, a candidata mais avançada é a Soberana 2. Segundo o diretor do Instituto Finlay, esta vacina é diferente de todas as outras que existem atualmente no mundo. Trata-se de uma vacina conjugada, em que o antígeno do vírus está enlaçado quimicamente ao toxoide tetânico.

       No dia 18 de janeiro, começou a fase de ensaio IIB ampliado da Soberana 2, com 900 pessoas entre 19 e 80 anos. Nesta fase, avaliam-se também os possíveis efeitos adversos. Os voluntários estão divididos em dois grupos aleatórios, que receberão duas doses da vacina ou de um placebo, para comparar os efeitos. Após esta fase, começará a fase III, com 150 mil pessoas vulneráveis e residentes em zonas de alto risco.

      O diretor-geral do Instituto Finlay, Dr. Vicente Vérez Bencomo, anunciou que o país está se preparando para produzir 100 milhões de doses dessa vacina. Essa quantidade será suficiente para imunizar toda a população da Ilha e para vender a outros países interessados, como Venezuela, Irã, Índia, Paquistão e Vietnam, que já se manifestaram. Além disso, ele informou também, numa coletiva à imprensa internacional, que turistas poderão ser vacinados, caso desejem. A vacinação é voluntária para todos.

     E a vacina Abdala, do CIGB, também já vai começar a segunda fase de ensaio clínico, com 800 voluntários entre 19 e 80 anos, saudáveis ou com doenças controladas. Este candidato vacinal apresentou um perfil adequado de segurança na primeira fase dos ensaios, aplicada a um grupo de 132 pessoas.

          Essa capacidade de produção científica é fruto de decisões e políticas adotadas pela Revolução, apesar de todas as dificuldades. O principal obstáculo nesse caminho é, como sempre, o bloqueio norte-americano contra Cuba, que tenta impedir a compra de equipamentos e insumos, e até mesmo acordos com empresas de outros países, para aumentar a capacidade de produção.


      Mas Cuba não desiste, nem se rende. E conta com o apoio de milhões de pessoas, no mundo todo, que reconhecem os valores de solidariedade e internacionalismo de suas brigadas médicas e convênios de colaboração.


#CubaSalva

#CubaViva

#BloqueioNãoCubaSim




SEM TRÉGUA : o imperialismo e sua contrarrevolução em Cuba.

Mariela Castro Espin 


      Trégua. O imperialismo e sua contrarrevolução em Cuba atacam sem piedade e sem trégua. Usam diferentes formas de violência e provocações contra personalidades e instituições revolucionárias para se apresentarem como vítimas nas campanhas hostis da mídia contra Cuba. 

     Vivemos episódios semelhantes e piores há mais de 60 anos, mas desta vez há um contexto peculiar de mudança de governo nos Estados Unidos que pode ser favorável à reivindicação de muitos americanos e nações que no mundo exigem que se respeite o direito internacional e que se eliminem as violentas medidas unilaterais do poderoso norte contra a pequena ilha das Antilhas. 

      Estamos falando do bloqueio mais cruel e mais longo da história, a Helms-Burton e as 242 medidas impostas pelo governo #DonalTrump, que deixou o prato servido com a cereja do bolo para colocar Cuba na lista dos países que patrocinam o terrorismo .

      Uma gangue de soldadinhos e oportunistas bem financiada acredita que poderá continuar a brincar de “polícia e ladrão” como crianças mimadas, sem consequências criminais. Nem sempre conseguirão a superproteção de seus padrinhos, porque a história mostra que Roma paga traidores, mas também os despreza. A contrarrevolução cubana demonstrou muitas vezes sua obsolescência nas jogadas políticas dos poderosos.

     A maioridade legal indica, entre outras coisas, que a pessoa pode assumir responsabilidades e responder pelos seus atos perante os tribunais. O povo cubano clama pela imposição dos limites penais que correspondem a quem transgride a Constituição e as leis, a serviço da potência imperialista que nos ataca.


Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba

https://www.facebook.com/mariela.castroespin/posts/3622574114522406






2 de fev. de 2021

REPÓRTER DA ADN CUBA RECONHECE QUANTO LHE PAGARAM PELO ESPETÁCULO EM FRENTE AO MINISTÉRIO DA CULTURA

    Nelson Julio Álvarez Mairata, repórter do ADN Cuba, recebeu entre 150 e 200 dólares para cobrir o protesto realizado em frente ao Ministério da Cultura (MINCULT), em 27 de janeiro de 2021. Assim foi informado em um vídeo que vazou e a que os administradores do Grupo do Facebook “Telescópio Cubano” tiveram acesso.


No material, Álvarez Mairata afirmava o seguinte:


“Meus honorários para fazer o trabalho de repórter naquele dia foram cerca de US $ 150 a US $ 200. Não me lembro exatamente agora. "


Sobre como era o meio de pagamento, declarou: “Só sei que é uma pessoa que traz o dinheiro em casa. Nunca é a mesma; quer dizer, não sei se é uma agência ... Só sei que é uma pessoa que um dia bate na minha porta ou me liga e me entrega o dinheiro ”.

Ao mesmo tempo, reconheceu a forma como recebeu instruções para fazer transmissões diretas do MINCULT, no dia 27 de janeiro:

“Tive um contato com a redação para saber como eu ia fazer as transmissões e quando fazer as transmissões, com a editora que estava lá na época, Yaima Pardo”.

Segundo o site Cuba Money Projet, a ADN Cuba, administrada a partir dos Estados Unidos, recebeu a quantia de $ 410.710 no ano passado por meio da USAID. Esses fundos são administrados pelo Escritório de Assuntos Cubanos da USAID, dirigido por Rebecca Demar, que garante que Gelet Fragela, Diretor de DNA, e Yaima Pardo la Red, Diretora de Multimídia, recebam as consideráveis ​​somas de dinheiro e depois distribuam entre seus repórteres e colaboradores.

Em matéria publicada por Nelson Julio Álvarez Mairata no espaço Tremenda Nota, com o título “Peguei minha bolsa e a experiência de 27N*: A história de um repórter que a polícia deixou seminu no Ministério da Cultura”, o próprio autor mencionou que "na manhã de 27 de janeiro de 2021, derramei meu café na mesa quando o editor do ADN Cuba me chamou para me notificar de outro protesto em frente ao Mincult", o que corrobora a versão do vídeo vazado pelo grupo de Facebook  Telescopio Cubano.

Atos subversivos contra Cuba geram lucros para quem os cobre

   Segundo fontes de Mincult, naquela data foi agendada uma reunião entre dirigentes da entidade e três representantes de um pequeno grupo caracterizado por sua relação com meios de comunicação pagos por órgãos federais dos Estados Unidos, aos quais se juntaram trinta pessoas.

   O grupo solicitou esclarecimentos sobre a situação de alguns cidadãos que, segundo eles, haviam sido detidos em diferentes partes de Havana, foram convidados a ingressar no Ministério em várias ocasiões, mas se recusaram e iniciaram atos provocativos.

     A partir de sua conta oficial no Twitter, o Mincult ratificou a vontade de dialogar "com artistas honestos sobre qualquer tema relacionado à política cultural da Revolução Cubana e reitera sua recusa em aceitar provocações ou em dialogar com mercenários".

     Um incidente semelhante ocorreu em novembro do ano passado, quando um grupo de pessoas se reuniu em frente à sede do Ministério, alguns incentivados por indivíduos e meios de comunicação pagos por agências americanas, como diversos materiais jornalísticos posteriormente evidenciaram.

     Vários especialistas coincidem em apontar que esses eventos estão ligados ao script de um golpe suave que as redes sociais querem aplicar à maior das Antilhas.

    Os Estados Unidos relataram recentemente que gastaram mais de US $ 261 milhões em projetos de subversão contra Cuba de 1990 a este ano.

      Nesse sentido, Cuba Money Project assegura que mais de 124 milhões de dólares foram alocados para o propósito descrito como 'participação democrática e sociedade civil', cerca de 38 milhões para 'a questão dos direitos humanos' e 25 milhões dedicados à 'mídia e informação livre fluxo'.



Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

https://www.cubaenresumen.org/2021/02/reportero-de-adn-cuba-reconoce-cuanto-le-pagaron-por-el-show-frente-al-ministerio-de-cultura/

https://www.prensa-latina.cu/index.php?o=rn&id=427642&SEO=actos-subversivos-contra-cuba-generan-ganancias-para-quien-los-cubra

* NT: em 27 de Novembro foi a primeira manifestação no Ministério da Cultura.

HATUEY - O PRIMEIRO REBELDE DA AMÉRICA

   Aconteceu em  02 de fevereiro de 1512  - quinhentos e nove anos atrás. Período de invasão das terras da América e Caribe e do massacre dos povos originários. 



Eduardo Galeano nos conta assim: 

   " Nestas ilhas, nestes humilhadeiros, são muitos os que escolhem sua morte, enforcando-se ou bebendo veneno junto aos seus filhos. Os invasores não podem evitar essa vingança, mas sabem explicá-la: os índios, tão selvagens que pensam que tudo é comum, dirá Oviedo, são gente de natural ociosa e viciosa, e de pouco trabalho....Muitos deles por seu passatempo. se mataram com peçonha para não trabalhar, e outros se enforcaram com suas próprias mãos.

    Hatuey, chefe índio da região  de Guahaba, não se suicidou. Em canos fugiu do Haiti, junto aos seus. e se refugiou nas covas e montes do Oriente de Cuba.

     Ali apontou uma cesta cheia de ouro e disse:

- Este é o deus dos cristãos. Por causa dele nos perseguem. Por ele morreram nossos pais e nossos irmãos. Bailemos para ele. Se nossa dança o agradar, esse deus mandará que não nos maltratem.

    É agarrado três meses depois.

    É amarrado em um pau.

    Antes de acender o fogo que o reduzirá a carvão e cinza, um sacerdote promete-lhe glória e eterno descanso se aceitar o batismo. Hatuey pergunta:

- Nesse céu estão os cristãos?

 - Sim.

Hatuey escolhe o inferno e a lenha começa a crepitar."

       


(Eduardo Galeano em "Memória do Fogo")


Mais sobre a história:

https://iela.ufsc.br/povos-originarios/noticia/12-de-outubro-o-comeco-do-massacre