6 de ago. de 2021

ATUALIZAÇÃO SOBRE O DISCURSO DO PARLAMENTAR ESPANHOL ALBERTO SERRANO : MAIS UMA VITÓRIA !

 

Alberto Cubero Serrano 


Rejeitam em Zaragoza as tentativas de condenar #Cuba.

Madri, 6 de agosto. A câmara de Zaragoza, na Espanha, rejeitou por maioria as tentativas da direita de condenar Cuba, sublinhando que a direita se preocupa com o exemplo que a ilha oferece ao mundo.

É imoral apontar um país que sofre um bloqueio econômico há mais de 60 anos, agora submetido a uma Playa Girón digital, na tentativa de sufocar um exemplo de resistência para a América Latina e o mundo, disse o vereador  Alberto Cubero.

Cubero, responsável pelo Partido Comunista de Aragão, em representação do grupo Zaragoza en Común, determinou que a direita não tem ética em buscar condenar a maior das Antilhas.

“Votamos contra esta proposta porque é um direito preocupado com a situação dos direitos humanos em Cuba, mas é o mesmo direito que se recusou há três meses a condenar as violações na Colômbia”, argumentou.

Acrescentou que a direita dessa zona da Espanha também não fez menção ao assassinato do presidente do Haiti por ex-militares colombianos formados nos Estados Unidos.

Ele apontou os setores de direita por ignorar o bloqueio econômico que Washington mantém contra Cuba, repudiado pela grande maioria nas Nações Unidas.

Um embargo, que impede a única nação que produziu não uma, mas duas vacinas contra a Covid-19, de comprar seringas, enfatizou Cubero.

De que democracia os senhores estão falando a Cuba se vivem e praticam a ditadura da capital na Espanha, convocou o parlamentar depois de dar vários exemplos de problemas da sociedade na nação ibérica. (PL)


Tradução: Carmen Diniz

https://siempreconcuba.wordpress.com/2021/08/06/rechazan-en-zaragoza-intentos-de-condenar-a-cuba-nomasbloqueo-acubaponlecorazon/


Conforme postado anteriormente:


Intervenção do vereador do PCE Alberto Cubero Serrano no parlamento de Zaragoza em forte intervenção a favor da Revolução cubana. Alberto Cubero discursa sobre uma moção contra Cuba e sobre as mentiras, o cinismo e a hipocrisia dos políticos de direita da Espanha e dos meios de desinformação do imperialismo. Julho de 2021

                                               

5 de ago. de 2021

OEA: O COLAPSO DO 'MINISTÉRIO DAS COLÔNIAS' DOS ESTADOS UNIDOS

Luis Almagro

Por Hector Bernardo

    Os presidentes da Argentina, México e Bolívia garantiram que este órgão "como está, não funciona" e pediram a construção de uma alternativa. A entidade, que já sofria um grande descrédito, acabou afundando com a desastrosa liderança de Luis Almagro.

       A Organização dos Estados Americanos (OEA) deve funcionar como um espaço de integração, mediação, resolução de conflitos, defesa de soberanias, respeito ao direito internacional, autodeterminação dos povos e defesa dos processos democráticos, mas, muito pelo contrário, seu papel tem sido o de ingerência, a desestabilização dos processos populares, a promoção de políticas intervencionistas e chegou ao extremo de atuar como peça fundamental no golpe contra Evo Morales, em outubro de 2019.

    A liderança do uruguaio Luis Almagro, caracterizada pelo chanceler do México, Macelo Ebrard, como a pior da história daquela organização, acabou mergulhando a OEA no descrédito total.

    Por isso, não é de estranhar que os presidentes do México, da Bolívia e da Argentina tenham declarado recentemente que este órgão não tem mais utilidade e tenham apoiado a ideia de buscar um novo espaço que represente fielmente a vontade dos povos da América Latina, que respeitam a autodeterminação, favorecem a integração e a não interferência.

    Além disso, segundo a agência Télam, em 29 de julho, até mesmo a própria "Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma lei que inclui um apelo ao governo do presidente Joe Biden para investigar se as reclamações infundadas da Organização contra os Estados americanos (OEA ) sobre irregularidades eleitorais contribuíram para o golpe contra o ex-presidente boliviano Evo Morales em 2019 ”.

   No início da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou: “Washington nunca deixou de realizar operações abertas ou encobertas contra os países independentes localizados ao sul do Rio. Bravo. A influência da política externa dos EUA é predominante na América. Só existe um caso especial, o de Cuba ”

    “Não somos um protetorado, uma colônia ou seu quintal”, comentou e acrescentou: “É hora de uma nova convivência entre todos os países da América porque o modelo imposto há mais de dois séculos se esgotou, não tem futuro, sem saída, não beneficia mais ninguém".

López Obrador,  Luis Arce e Alberto Fernández

    López Obrador afirmou que “a política dos últimos dois séculos, caracterizada por invasões para colocar ou destituir governantes aos caprichos da superpotência, já é inaceitável. Vamos dizer adeus às imposições, interferências, sanções, exclusões e bloqueios. Apliquemos nas mudanças os princípios da não intervenção, da autodeterminação dos povos e da solução pacífica das controvérsias. Vamos iniciar uma integração em nosso continente sob a premissa de George Washington, segundo a qual as nações não devem aproveitar a desgraça de outros povos ”.

    “Sei que se trata de uma questão complexa que exige uma nova visão política e económica, a proposta é construir algo semelhante à União Europeia, mas apegado à nossa história, realidade e às nossas identidades (...). Nesse espírito, não se deve excluir a substituição da OEA por um órgão verdadeiramente autônomo, não um lacaio de ninguém, mas um mediador a pedido e aceitação das partes em conflito em matéria de direitos humanos e democracia ”.

     Na mesma linha, o presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Luis Arce, disse na rede social Twitter: “Fazemos eco das palavras de nosso irmão López Obrador na ideia de substituir a OEA por outro órgão verdadeiramente autônomo que expresse equilíbrios regionais, respeite a autodeterminação dos povos e não permita a hegemonia de um único Estado ”

  Por sua vez, durante a Cúpula do Grupo de Puebla, o presidente argentino, Alberto Fernández, afirmou que “o que a OEA fez na Bolívia deve necessariamente ser investigado e necessariamente julgado, porque agora não há dúvida sobre o que aconteceu” ao golpe contra o governo legítimo de Evo Morales.

   Fernández disse que "o primeiro a fazer seu mea culpa é seu secretário-geral Luis Almagro, pela quantidade de coisas que fez e também pela institucionalidade dos Estados Unidos por ter proposto e apoiado um homem como Almagro"

  A OEA se tornou "uma espécie de esquadrão de polícia para avançar sobre os governos populares", disse o presidente argentino e concluiu que esse órgão "como está, é inútil".

    Nesse sentido, Contexto conversou com o embaixador da Argentina junto à OEA, Carlos Raimunidi, que explicou que “quando o mapa político de nossa região foi tingido principalmente por governos populares nacionais, a OEA aprovou ao fundo e a CELAC e a UNASUL ganharam espaço como instâncias de integração ”.

  “A OEA conta com comissões de trabalho importantes para o estabelecimento de padrões internacionais de combate ao tráfico de pessoas, em matéria de políticas de gênero, multiculturalismo e direito do trabalho. Todas as áreas em que a Argentina tem muito a dizer porque tem uma legislação interna muito importante que às vezes serve de modelo ”, afirmou.

  Raimundi observou que “ao mesmo tempo, a OEA é uma organização anacrônica porque responde a um esquema de poder típico do segundo pós-guerra e a situação do poder mundial é muito diferente neste momento. Então, a América não deve mais ser considerada como uma zona de influência de uma potência vitoriosa em uma guerra, mas as soberanias e os equilíbrios de todos os países devem ser reconhecidos. Que na OEA é muito difícil porque tem um aspecto democrático em que, formalmente, cada Estado tem direito a um voto e o menor e o maior valem o mesmo, mas na realidade há uma assimetria muito grande. São 34 Estados membros e um deles (os Estados Unidos) detém 84% do PIB da região e, se somarmos o Canadá, entre dois - dos 34 países membros - eles têm 90% do PIB da região. Isso torna a situação muito assimétrica ”. “Acredito que a CELAC, que reúne toda a América Latina e o Caribe sem aquela assimetria e contando com o Estado ausente na OEA (Cuba), é um órgão muito interessante para desdobrar todas as potencialidades e o exercício dos poderes soberanos que necessitamos na região ”, concluiu o embaixador argentino.




Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba

 https://www.diariocontexto.com.ar/2021/08/03/oea-el-derrumbe-del-ministerio-de-colonias-de-estados-unidos/


Mais: 

https://argmedios.com.ar/celac-oea-mexico-integracion-disputa-obsal-tricontinental/

https://www.aa.com.tr/es/mundo/el-gobierno-de-per%C3%BA-implementar%C3%A1-una-nueva-pol%C3%ADtica-exterior-con-relaci%C3%B3n-a-venezuela/2323440

4 de ago. de 2021

A CONTRARREVOLUÇÃO CULTURAL CUBANA : os rappers e artistas sustentados pelo governo dos EUA ganham fama como “catalisadores dos distúrbios atuais”.


 Cuba rapper NED USAID CIA

MAX BLUMENTHAL

                         

O Movimento de San Isidro, que se apresenta como um coletivo popular de artistas que lutam pela liberdade de expressão, converteu-se em uma arma chave no assalto do governo estadunidense à revolução cubana.

“Meu povo necessita da Europa, meu povo necessita que a Europa aponte o ofensor”, proclamou Yotuel, um rapper cubano que vive na Espanha, em um ato do Parlamento da UE convocado por legisladores de direita, antes de ceder o microfone ao golpista venezuelano Juan Guaidó. Dias depois, Yotuel manteve uma chamada por Zoom com funcionários do Departamento de Estado, para falar de “Patria y Vida”, o hino rap anticomunista de sua autoria.

Enquanto assentava o pó de um dia de protestos nas cidades cubanas, o Wall Street Journal qualificou “Patria y Vida” como o “grito de guerra comum” dos opositores ao governo de Cuba, e a Rolling Stone qualificou-o como “o hino dos protestos em Cuba”.

Além de Yotuel, os dois rappers que colaboraram na canção formam parte de um conjunto de artistas, músicos e escritores chamado Movimento San Isidro. Os meios de comunicação estadunidenses atribuíram a esse coletivo o mérito de “ser o catalisador dos atuais distúrbios”.

Ao longo dos últimos três anos, à medida que as condições econômicas pioravam, sob a escalada da guerra econômica dos Estados Unidos, e enquanto o acesso à Internet se ampliava, como resultado dos esforços da Administração Obama por normalizar as relações com Cuba, o Movimento San Isidro chamou a um conflito aberto com o Estado.

Com atuações provocadoras, nas quais suas figuras mais destacadas desfilaram por Habana Vieja ondeando bandeiras estadunidenses e com flagrantes demonstrações de desprezo pelos símbolos nacionais cubanos, San Isidro entrou em conflito com as autoridades, provocando frequentes detenções de seus membros e campanhas internacionais para libertá-los.

Ao estabelecer-se em una zona majoritariamente afro-cubana de Habana Vieja e trabalhar através de meios como o hip-hop, San Isidro também manobrou para apossar-se da imagem racialmente progressista que o governo cubano de esquerda ganhou com sua histórica campanha militar contra a África do Sul do apartheid e o asilo que ofereceu aos dissidentes negros estadunidenses. Neste caso, o Movimento de San Isidro parece seguir um modelo articulado pelo grupo de pressão estadunidense para a mudança de regime.

Durante a última década, o governo dos Estados Unidos gastou milhões de dólares para cultivar rappers, músicos de rock, artistas e jornalistas cubanos antigovernamentais, numa tentativa explícita de converter em uma arma a “juventude dessocializada e marginalizada.” A estratégia implementada pelos Estados Unidos em Cuba é uma versão na vida real das fantasias que os democratas anti-Trump alimentavam, quando se preocupavam com que a Rússia estivesse patrocinando encobertamente os movimentos Black Lives Matter e Antifa, para semear o caos na sociedade norte-americana.

 

O golpista venezuelano Juan Guaidó, apoiado pelos EUA, apareceu junto de Yotuel no Parlamento da UE, para celebrar a estreia de “Patria y Vida”.

Como revelará esta investigação, os principais membros do Movimento San Isidro receberam financiamento de organizações para a mudança de regime, como a Fundação Nacional para a Democracia [NED] e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional [USAID], ao mesmo tempo em que se reuniram com funcionários do Departamento de Estado, com pessoal da embaixada dos Estados Unidos em Havana, com parlamentares europeus de direita e com golpistas latino-americanos, desde o venezuelano Guaidó, até o secretário geral da OEA, Luis Almagro.

San Isidro também recebeu o apoio de uma rede de think tanks fundamentalistas do livre mercado, que não escondem seu plano de transformar Cuba em uma colônia para as corporações multinacionais. Dias depois de estalarem os protestos em Cuba, a direção de San Isidro aceitou um prêmio da Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, um think tank republicano de direita de Washington que inclui os soldados alemães nazistas em sua lista de mortes históricas em mãos do comunismo.

Por trás de sua marca como intelectuais cosmopolitas, rappers renegados e artistas de vanguarda, San Isidro abraçou abertamente a política extremista do lobby cubano de Miami. De fato, seus membros mais proeminentes expressaram um efusivo apoio a Donald Trump, respaldaram as sanções estadunidenses e clamaram por uma invasão militar a Cuba.

Não obstante, o coletivo cultural fez incursões nos círculos progressistas da intelectualidade norte-americana, trabalhando para debilitar os tradicionais laços de solidariedade entre a revolução cubana e a esquerda estadunidense. Como veremos, a ascensão do Movimento San Isidro é o último capítulo do livro emergente de jogadas do imperialismo interseccional.

As cenas de um carro de polícia virado no bairro de 10 de Octubre, em Havana, as turbas lançando coquetéis molotov nos agentes da polícia e o saqueio dos centros comerciais, neste 11 de julho, suscitaram o ressentimento de uma classe de cidadãos que caiu nas gretas da assediada economia especial de Cuba.

Após anos de aprofundamento das privações econômicas, os cubanos sofreram apagões e racionamento de alimentos, provocados pela intensificação do bloqueio econômico de 60 anos dos Estados Unidos a Cuba, realizada pelo ex-presidente Donald Trump. Um repentino colapso do turismo, devido à pandemia de Covid-19, junto com a eliminação, pelo governo, do sistema de dupla moeda de Cuba, exacerbou o caos econômico.

Cristina Escobar, jornalista residente em Havana e uma das personalidades informativas mais seguidas no canal estatal cubano, descreveu a The Grayzone as fileiras do protesto como o subproduto de uma marginalização prolongada.

“Há um grupo de pessoas em centros urbanos como Havana que têm as seguintes características”, explicou Escobar. “Costumam ser procedentes de zonas rurais pobres e se mudaram para a cidade em busca de melhores oportunidades; em geral, não são brancos, com todos as variações existentes, e vivem à margem, recebendo qualquer prestação estatal que estiver disponível. Costumam trabalhar na economia informal, sentem-se abandonados e não se implicam em ações patrióticas, porque são vítimas do período especial de pobreza”.

Ainda que a rede de segurança social de Cuba tenha evitado que esse grupo demográfico caia na miséria como a das favelas e barriadas de Estados gestionados pelo FMI, como Haiti ou Honduras, Escobar afirma que “são um grupo de pessoas olvidadas, desintegradas, sem raízes na sociedade. Estão expressando a desigualdade que experimentam e, infelizmente, já não o fazem de forma pacífica”.

Os meios de comunicação corporativos estadunidenses aproveitaram as imagens dos manifestantes afro-cubanos para pintar as manifestações como uma expressão de descontentamento explicitamente racial. Em um artigo intitulado “Afro-cubanos à frente dos distúrbios [em Cuba]”, o Washington Post citou ONGs antigovernamentais e ativistas associados ao Movimento de San Isidro, denunciando Black Lives Matter, por sua declaração de solidariedade com a revolução cubana.

O Washington Post não mencionou o papel do governo dos EUA no apoio a muitas dessas mesmas ONGs e ativistas, num intento de armar a classe baixa de Cuba. À frente da estratégia de Washington, encontram-se duas frentes tradicionais da CIA: a Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e a Fundação Nacional para a Democracia (NED).

Ao longo da Guerra Fria, a USAID trabalhou junto com a CIA para liquidar os movimentos socialistas em todo o Sul Global. Mais recentemente, ajudou a pôr em marcha um falso programa de vacinação da CIA no Paquistão, para localizar Osama bin Laden, e em seu lugar acabou gerando um surto massivo de pólio. Em toda a América Latina, a USAID financiou e formou figuras da oposição de direita, incluído o pseudopresidente da Venezuela nomeado pelos Estados Unidos, Juan Guaidó.

Por seu lado, a NED foi criada sob a supervisão do ex-diretor da CIA William Casey, para proporcionar apoio aos ativistas da oposição e aos meios de comunicação, em todos os lugares em que os Estados Unidos buscaram uma mudança de regime. “Muito do que fazemos hoje foi feito de forma encoberta há 25 anos pela CIA”, disse o cofundador da NED, Allen Weinstein, ao jornalista David Ignatius, que felicitou a organização como “o ‘coroa com grana’[1] das operações abertas”.

Ao longo de sua história, a USAID e a NED trabalharam para explorar os ressentimentos dos grupos étnicos minoritários contra os governos socialistas e não alinhados. Seu apoio financeiro e logístico aos uigures contra a China, aos tártaros contra a Rússia e aos indígenas miskitos contra a Nicarágua são alguns dos muitos exemplos.

Nos últimos anos em Cuba, os especialistas de Washington em mudança de regime centraram-se nos afro-cubanos e nos jovens marginalizados, aproveitando a cultura para converter o ressentimento social em uma ação contrarrevolucionária.

 

Convertendo a “juventude dessocializada e marginalizada” em uma arma contra o socialismo cubano

 

Um artigo publicado em 2009 no Journal of Democracy, órgão oficial da National Endowment for Democracy (NED), esboçava um ambicioso plano para cultivar a classe baixa cubana do pós-guerra fria como vanguarda antigovernamental.

“Utilizar os princípios da democracia e dos direitos humanos para unir e mobilizar a essa vasta maioria despossuída frente a um regime altamente repressivo é a chave da mudança pacífica”, escreveram Carl Gershman e Orlando Gutiérrez.

Gershman e Gutiérrez são figuras influentes no mundo dos operadores de mudança evidente de regime. Diretor fundador da NED, Gershman presidiu durante quatro décadas os esforços dos Estados Unidos para desestabilizar governos, desde Manágua até Moscou. Gutiérrez, por seu lado, que é um franco defensor de uma invasão militar estadunidense a Cuba, é secretário nacional do Diretório Democrático Cubano, financiado pela USAID e pela NED.

Gershman e Gutiérrez aconselharam uma estratégia que fomentasse a “não cooperação” com as instituições revolucionárias de Cuba, entre os que eles descrevem como “jovens dessocializados e marginais: os que abandonam os estudos, os jovens sem trabalho, que constituem quase três quartos dos desempregados de Cuba, e os que se sentem atraídos pelas drogas, a delinquência e a prostituição”.

Os dois especialistas em mudança de regime assinalaram a música e os meios de comunicação online como veículos ideais para aproveitar as frustrações da juventude cubana: “A alienação dos jovens chega à corrente principal e se expressa nas letras raivosas dos músicos de rock; nas representações dos blogueiros das frustrações e da vulgaridade da vida cotidiana; na frequente evasão do trabalho agrícola, do serviço voluntário e das reuniões dos comitês de vizinhos; e na desvinculação geral da política, que é o fruto de meio século de participação coagida e propaganda política alimentada à força”, escreveram.

No ano em que se publicou o influente documento de Gershman e Gutiérrez, Washington pôs em marcha uma audaz operação encoberta baseada na estratégia que haviam esboçado.

 

“O rap é a guerra”: a USAID recruta, de forma encoberta, artistas de hip-hop cubanos, como propagandistas da mudança de regime.

 

Em 2009, a USAID pôs em marcha um programa para desencadear um movimento juvenil contra o governo de Cuba, mediante a criação e promoção de artistas locais de hip-hop.

Devido a sua longa história como fachada da CIA, a USAID subcontratou, para essa operação, a Creative Associates International, uma empresa com sede em Washington DC, com seu próprio histórico de ações encobertas.

Creative Associates encontrou seu homem chave em Rajko Bozic, um veterano do grupo Otpor!, respaldado pela CIA, que ajudou a derrubar o líder nacionalista Slobodan Milosevic e cujos membros passaram a formar um “grupo de exportação de revolução”, que plantou as sementes de várias “revoluções coloridas”.

Fazendo-se passar por promotor musical, Bozic se aproximou de um grupo de rap cubano chamado Los Aldeanos, conhecido por seu hino ferozmente antigovernamental, “Rap is War”. O agente sérvio nunca disse a Los Aldeanos que era um agente da inteligência estadunidense; ao contrário, afirmou que era um profissional de marketing e prometeu converter o líder do grupo em uma estrela internacional.

Para levar a cabo o plano, Creative Associates pôs em marcha ZunZuneo, uma plataforma de redes sociais do estilo de Twitter, que enviava milhares de mensagens automáticas para promover Los Aldeanos entre os jovens cubanos, sem que o grupo de rap soubesse.

Após um ano, quando Los Aldeanos intensificaram sua retórica, ridicularizando a polícia cubana como zangões descerebrados, durante um festival local de música indie, a inteligência cubana descobriu contratos que vinculavam Bozic com a USAID e pôs fim à operação.

A vergonha chegou a Washington, com o senador Patrick Leahy resmungando: “A USAID nunca informou o Congresso sobre isto e nunca deveria ter sido associada a algo tão incompetente e temerário”.

Danny Shaw, professor associado de Estudos Latino-americanos e do Caribe na City University de Nova York, conheceu Los Aldeanos durante várias visitas prolongadas a Cuba. Também conheceu Omni Zona Franca, um coletivo de poetas e artistas de performance de orientação rastafári com sede no bairro de Alamar, em Havana, que serviu de inspiração para o Movimento de San Isidro.

Shaw disse que a hostilidade dos artistas contra o sistema socialista de Cuba era tão intensa, que muitos deles negavam a existência do bloqueio estadunidense. “Tentei explicar-lhes minha forma de entender a guerra econômica, e me disseram: ‘Você pode ir e vir quanto quiser, não vive aqui, assim é fácil ser marxista’. E tinham razão, descontextualizava-se completamente a situação”, disse a The Grayzone.

Segundo Shaw, alguns membros da Omni Zona Franca começaram a visitar os Estados Unidos e Europa, para participar em festivais de arte e entrevistas com meios de comunicação corporativos em espanhol. “Quando saíram à luz as histórias sobre o apoio da USAID aos rappers e artistas cubanos, tudo então fez sentido para mim”, acrescentou.

Em 2014, a USAID voltou a ficar exposta, quando recorreu à Creative Associates para organizar uma série de falsas oficinas de prevenção da AIDS, que, em realidade, eram seminários de recrutamento político.

Um documento interno da Creative Associates, vazado para os meios de comunicação em 2014, referia-se às falsas oficinas sobre a AIDS como a “desculpa perfeita” para alistar os jovens em atividades de mudança de regime na ilha.

 

O presidente Barack Obama apresentou seu plano para normalizar as relações com o governo de Cuba justamente quando se expôs a última operação da USAID. Como condição para o reconhecimento diplomático, Obama insistiu em que Cuba ampliasse o acesso à Internet.

O sítio web de investigação venezuelano Misión Verdad advertiu então: “Estamos assistindo a uma atualização dos mecanismos, métodos e modos de intervenção. Toda a harmonia deste momento é totalmente ilusória. O que já se coloca sob o título de ‘normalização’ no entorno sociopolítico cubano proporciona as condições mínimas de funcionamento para facilitar a ideia de uma ‘primavera cubana’, uma revolução de proveta […]”

 

 

A expansão da Internet abre a porta à infiltração estadunidense

 

A rede de internet 3G chegou a Cuba em 2018, permitindo aos jovens cubanos ter acesso às redes sociais em seus telefones. Agora, em lugar de fazer girar a plataforma de meios sociais como ZunZuneo, a inteligência estadunidense centrou-se em desenvolver tecnologia como Psiphon, para que os cubanos pudessem entrar no Facebook e YouTube apesar dos cortes de Internet.

A NED e a USAID aproveitaram essa oportunidade para construir um potente aparato mediático antigovernamental online. A nova fornada de meios respaldados pelos Estados Unidos, como CubaNet, Cibercuba e ADN Cuba, representaram uma câmara de eco de insurreição tóxica, ridicularizando o presidente Miguel Díaz-Canel com memes insultantes pedindo que fosse processado por altos crimes, inclusive o genocídio.





Publicado por: The Grayzone, em 25-07.21.  https://thegrayzone.com/2021/07/25/cubas-cultural-counter-revolution-us-govt-rappers-artists-catalyst/

Tradução: Marcia Chouerie.



[1]     Sugar daddy, no original.





3 de ago. de 2021

BIDEN: "HAVERÁ MAIS SANÇÕES" CONTRA CUBA SE NÃO HOUVER MUDANÇAS DRÁSTICAS


O Presidente dos Estados Unidos promete mais sanções contra Cuba depois de impor uma série de restrições à Polícia Nacional Revolucionária (PNR) da ilha.

Na sexta-feira, a Administração dos Estados Unidos impôs sanções contra a Polícia Nacional Revolucionária (PNR), no dia seguinte Joe Biden ameaçou com medidas mais coercivas, se "mudanças drásticas" não forem produzidas em Cuba.

“Haverá mais sanções, a menos que haja uma mudança drástica em Cuba, o que eu não prevejo (...) Os Estados Unidos estão tomando medidas conjuntas para fazer avançar a causa do povo cubano”, disse o presidente norte-americano no sábado.

Durante sua campanha eleitoral, o líder democrata prometeu que eliminaria as sanções impostas por seu antecessor, Donald Trump, na ilha.  No entanto, está na Casa Branca desde 20 de janeiro e as 243 sanções promulgadas no quadro da “pressão máxima” de Trump permanecem em vigor, incluindo 55 impostas no contexto do COVID-19.

Nesse sentido, Biden informou que Washington está ampliando sua "assistência" aos presos políticos cubanos e dissidentes, mas nada disse sobre as sanções draconianas que sufocam o povo cubano em meio à pandemia COVID-19.

Havana tem repetidamente rejeitado a ingerência e o bloqueio de que é vítima, destacando que essas medidas arbitrárias se somam à desinformação e à agressão contra Cuba.

Tudo isso no seguinte contexto: em junho passado a Organização das Nações Unidas (ONU) condenou pela 29ª vez o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba por esmagadora maioria e pediu o fim desse bloqueio.

Além disso, o Grupo de Puebla repudiou no sábado o "vergonhoso" bloqueio imposto pelo governo dos Estados Unidos ao povo cubano e exigiu que todas as sanções fossem suspensas "incondicional e urgentemente":  https://www.cubaenresumen.org/2021/08/pronunciamiento-del-grupo-de-puebla-en-solidaridad-con-cuba/

tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba ;https://www.cubaenresumen.org/2021/08/biden-habra-mas-sanciones-contra-cuba-si-no-hay-cambio-drastico/


NT: Para os que pensavam em uma mudança no governo estadunidense com a substituição de um republicano por um democrata, o contexto é :



Mais sobre o assunto:

https://revistaopera.com.br/2021/07/31/a-politica-dos-eua-e-seu-impacto-em-cuba/





#Solidariedade com #Cuba apoia o combate a Covid-19 e contra o bloqueo. #NoMasBloqueo #CubaNoEstaSola

 Havana - As recentes chegadas de ajuda solidária a Cuba confirmam hoje o apoio à nação caribenha e a reclamação sobre a necessidade de acabar com a política hostil dos Estados Unidos.

Durante a última semana, alimentos, suprimentos médicos, seringas e material de biossegurança tocaram o solo cubano para sustentar o complexo cenário causado pela Covid-19 depois que o mês de julho deixou os piores números para a pandemia.

A chegada dessas doações ratifica o apoio da comunidade internacional contra o cerco dos Estados Unidos e desafia os anúncios de interferência nos assuntos internos da ilha desde o governo de Joe Biden.

Dois navios e uma aeronave do México, um avião da Força Aérea Boliviana, dois da Rússia, ventiladores de pulmão da China, alimentos da Venezuela e suprimentos médicos da Jamaica juntaram-se ao esforço dos concidadãos no exterior para contribuir.

A política hostil de mais de 60 anos afeta hoje mais do que nunca os direitos à saúde e alimentação dos cubanos, garantiu o presidente da Bolívia, Luis Arce.

“Toda a nossa solidariedade para com a nação caribenha, que enfrenta não só os efeitos da pandemia, mas também o brutal bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos”, escreveu ele antes da saída da doação aprovada por seu governo.

Por sua vez, o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, ratificou sua posição contra o cerco dos Estados Unidos e a ingerência nos assuntos internos do país.

“Há uma situação delicada em Cuba porque sofrem um bloqueio desumano, uma medida extrema, típica da época medieval que mostra um grande atraso na política externa, e nada tem a ver com a fraternidade que deveria existir entre os povos do mundo . ", reconheceu.

Cuba retribuirá esses gestos na medida do possível e com seus próprios esforços, assegurou o Ministro de Comércio Exterior e Investimentos Estrangeiros, Rodrigo Malmierca, durante o recebimento da primeira remessa da nação asteca.

Enquanto isso, a Ministra do Comércio Interno, Betsy Díaz, especificou que o Executivo está avaliando diversos mecanismos para a entrega equitativa dessas doações à população.

“Nunca será pouco e vamos retribuir solidariedade”, disse. (PL)


Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba https://siempreconcuba.wordpress.com/2021/08/02/solidaridad-con-cuba-apoya-combate-a-covid-19-y-contra-bloqueo-nomasbloqueo-cubanoestasola/

SOLIDARIEDADE AO POVO CUBANO

              


 

Estimados amigos e amigas,


             Em 1992, durante o Período Especial enfrentado por Cuba, fizemos no Brasil ampla campanha, por iniciativa dos abaixo-assinados, o que resultou no Voo da Solidariedade. Recolhemos toneladas de donativos e lotamos uma aeronave com mais de uma centena de pessoas que estiveram em Havana.


             Agora, devido às dificuldades agravadas pela pandemia, pelo garrote de Trump ao bloqueio (243 novas medidas ainda não revogadas por Biden), a queda brutal do turismo (uma das principais fontes de ingresso de moeda estrangeira no país) e os reveses de importações (refluxo do comércio marítimo, alta dos preços dos produtos, entre outros motivos), decidimos deflagrar nova campanha de solidariedade.


             Várias outras campanhas têm sido promovidas no Brasil pelos Comitês de Solidariedade a Cuba. O MST doará 240 quilos de sementes de hortaliças de vários tipos. São 24 caixas de 10 quilos. E dispõe de 10 mil toneladas de arroz orgânico que poderiam ser enviadas, mas o custo da remessa é calculado em US$ 10 milhões, o que é inviável!


             Como ainda os aeroportos da Ilha não estão abertos a voos turísticos, os donativos do Brasil chegam lá graças à Câmara Empresarial Brasil-Cuba, que se encarrega de adquirir os produtos mais urgentes indicados pelas autoridades cubanas e impedidos de entrar pelo bloqueio econômico do  governo dos Estados Unidos. A Câmara Empresarial sabe como fazê-los chegar ao país com a devida nota fiscal. Em data recente, remeteu à Ilha 1 milhão de agulhas e seringas e, agora, neste agosto de 2021, 400 mil sondas vesicais.


             Caso você queira se somar a este mutirão solidário, ainda que doando R$ 1, favor depositar nesta conta da


              Câmara Empresarial Brasil-Cuba:

     Banco do Brasil – Agência 4770-8 – Conta: 13.844-4 – Pix CNPJ: 34.131.511/0001-64


             Favor adicionar aos centavos de seu donativo 0,01. Por exemplo, se for doar 10 reais, deposite R$ 10,01. Assim facilita identificar a doação a esta nossa campanha e ter noção do valor total para a obtenção de insumos sanitários, medicamentos, alimentos e outros produtos.


             Divulgue esta iniciativa em suas redes digitais e outros meios.


             Nossa gratidão,


             Chico Buarque

             Eric Nepomuceno

             Fernando Morais

             Frei Betto

             João Pedro Stédile




 

SOLIDARIEDADE AO POVO CUBANO
Estimados amigos e amigas,
Em 1992, durante o Período Especial enfrentado por Cuba, fizemos no Brasil ampla campanha, por iniciativa dos abaixo-assinados, o que resultou no Voo da Solidariedade. Recolhemos toneladas de donativos e lotamos uma aeronave com mais de uma centena de pessoas que estiveram em Havana.
Agora, devido às dificuldades agravadas pela pandemia, pelo garrote de Trump ao bloqueio (243 novas medidas ainda não revogadas por Biden), a queda brutal do turismo (uma das principais fontes de ingresso de moeda estrangeira no país) e os reveses de importações (refluxo do comércio marítimo, alta dos preços dos produtos, entre outros motivos), decidimos deflagrar nova campanha de solidariedade.
Várias outras campanhas têm sido promovidas no Brasil pelos Comitês de Solidariedade a Cuba. O MST doará 240 quilos de sementes de hortaliças de vários tipos. São 24 caixas de 10 quilos. E dispõe de 10 mil toneladas de arroz orgânico que poderiam ser enviadas, mas o custo da remessa é calculado em US$ 10 milhões, o que é inviável!
Como ainda os aeroportos da Ilha não estão abertos a voos turísticos, os donativos do Brasil chegam lá graças à Câmara Empresarial Brasil-Cuba, que se encarrega de adquirir os produtos mais urgentes indicados pelas autoridades cubanas e impedidos de entrar pelo bloqueio econômico do governo dos Estados Unidos. A Câmara Empresarial sabe como fazê-los chegar ao país com a devida nota fiscal. Em data recente, remeteu à Ilha 1 milhão de agulhas e seringas e, agora, neste agosto de 2021, 400 mil sondas vesicais.
Caso você queira se somar a este mutirão solidário, ainda que doando R$ 1, favor depositar nesta conta da Câmara Empresarial Brasil-Cuba:
Banco do Brasil – Agência 4770-8 – Conta: 13.844-4 – Pix CNPJ: 34.131.511/0001-64
Favor adicionar aos centavos de seu donativo 0,01. Por exemplo, se for doar 10 reais, deposite R$ 10,01. Assim facilita identificar a doação a esta nossa campanha e ter noção do valor total para a obtenção de insumos sanitários, medicamentos, alimentos e outros produtos.
Divulgue esta iniciativa em suas redes digitais e outros meios.
Nossa gratidão,
Chico Buarque
Eric Nepomuceno
Fernando Morais
Frei Betto
João Pedro Stédile
Comunicado nº 128/2021
São Paulo, 03 de agosto de 2021




2 de ago. de 2021

ONDE ESTAVAM AQUELES QUE UNEM AS PALAVRAS "AJUDA" E "HUMANITÁRIA"? Texto de uma estudante cubana


Texto de uma jovem estudante cubana 

Arianna Álvarez Avalo

   Onde estavam os que unem as palavras "ajuda" e "humanitária" quando os Estados Unidos proibiram a entrada de um navio da China com suprimentos para enfrentar o Covid e ajudar o povo cubano? Onde estavam quando Trump proibiu o auxílio monetário às famílias da ilha, quando uma política desumana se intensificou em meio a uma crise global e uma doença mortal, quando proibiu a compra de ventiladores de empresas norte-americanas, ao deixar navios petroleiros no mar ? Onde eles estavam quando as pessoas mais precisavam deles? A principal ajuda humanitária para todos os cubanos seria a eliminação total do Bloqueio. Se você não concorda, você não é humano, nem quer ajudar ninguém.

  Coincidentemente, são os mesmos que se espantaram quando Cuba ajudou o navio inglês porque ninguém mais queria fazê-lo ...

        Nós, cubanos, somos solidários por nós próprios. Não precisamos de nenhum corredor "humanitário" oportunista com objetivos políticos claros quando temos milhões de irmãos em todos os lugares sendo este sim, um corredor humanitário sem muito alarde há anos.

   Existem organizações de solidariedade a Cuba que enviam doações há anos e durante a pandemia não pararam. Os projetos, organizações, ONGs, igrejas e centros que enviam ajuda a Cuba são públicos. Se você quer ajudar, por que nunca contatou essas organizações e grupos cubanos? Por que agora fazem shows e cartazes diretos, tornando-se heróis enquanto foram cúmplices dos maiores abusos contra o povo cubano? Da Itália, Canadá, Ilhas Canárias, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Panamá ...  enviaram suprimentos e ajuda verdadeiramente humanitária, desde remédios, seringas, até dinheiro. E continuam montando contêineres para embarcar, esquivando-se dos milhares de obstáculos impostos pelo Bloqueio para levar a carga ao porto cubano.

     A todos os nossos mais sinceros agradecimentos.

   Toda vida que se perde dói muito, a situação dos hospitais e centros de isolamento dói muito, a escassez dói muito, mas não somos nem remotamente o pior país da região. E embora a matemática pareça inadequada quando se trata de vidas humanas, é hora de mostrar alguns dados para aqueles que querem nos vender o caos e o abandono. Esses dados são de ontem, mas a situação não mudou muito, ou pelo menos não para melhor.

Miami,  com apenas 2.717.000 habitantes teve 504.000 casos de Coronavírus e 6.472 óbitos (1,28% dos casos confirmados)

Na Flórida, com o dobro de habitantes do que Cuba, foram 37.895 mortes.

Pedimos ajuda humanitária para a Flórida? 🤔

Madri com 6.752.763 habitantes teve 739.000 casos e 15.469 óbitos (2,09% dos casos confirmados)

O Rio de Janeiro com 6.748.000 habitantes teve 973.000 casos e 56.321 mortes (5,78% dos casos confirmados). De ontem para hoje quase 200 mortes a mais.

A Região Metropolitana do Chile com 7.112.808 habitantes teve 661.000 casos e 17.377 mortes (2,62% dos casos confirmados)

    Assim poderia continuar a mostrar dados de cidades da região e do Primeiro Mundo onde, com muito menos habitantes, o manejo da pandemia foi catastrófico e ninguém pediu a "intervenção humanitária".

    Depois, Cuba, que controla esta pandemia há mais de um ano sem atingir o colapso dos sistemas de saúde e com 11.333.483 habitantes, apresentou 218.396 casos e 1.431 óbitos (0,65% dos casos confirmados).

     Não tenho muito mais a dizer ... Cuba não tem as condições necessárias nem está remotamente perto, de acordo com a resolução da ONU, para solicitar ou aceitar uma intervenção humanitária. Para quem não sabe, a intervenção humanitária pode ser por meio do uso da força ... Não há conflito de guerra, nem estamos perto da média de má gestão da pandemia na região. Não vou me entregar a ingenuidades tolas e campanhas orquestradas.

    Não faltam exemplos de intervenções “humanitárias” que culminaram em intervenções militares e na derrubada de governos com interesses econômicos por trás e milhares de civis mortos, apesar de a ONU estipular que deve haver respeito à soberania. Só para citar alguns, temos Panamá, Iugoslávia, Haiti, Iraque, Líbia, etc. Quem estava por trás, direta ou indiretamente, de toda essa "ajuda humanitária"? Bem, os mesmos abusadores de sempre que não nos deixam viver em paz e que agora dizem "preocupar-se" com o nosso bem-estar. Cinismo político e oportunismo imperial.

     Eu me recuso a ser usada. Toda ajuda é bem vinda e a  

gratidão será eterna. A  solidariedade dos grupos que estão no

 exterior e que não deixaram de buscar meios de nos enviar

suprimentos são uma verdadeira ajuda humanitária, são o único

corredor humanitário que existe até hoje.

As organizações estão aí, os caminhos estão aí, os mecanismos estão aí, a intenção está.

 Se você quer ajudar seus irmãos cubanos, faça-o de coração e abnegadamente, como só

 a verdadeira solidariedade pode ser.

Cuba precisa de todos, mas para fazer por ela. Parem de

 aparecer nas redes que aqui há vidas para salvar.


Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

 (https://www.facebook.com/arianna.alvarezavalo em 9/07/2021)