14 de abr. de 2022

DIA 19 DE ABRIL : VEM POR AÍ MAIS NOTÍCIA FALSA CONTRA CUBA - #VamosConTodo #CubaEsJusta


A grande mídia estadunidense e ocidental têm se encarregado de lotar de notícias falsas sobre o que acontece na Ucrânia. 

Marco Velázquez Cristo                

     O novo embuste contra Cuba: colocá-la no banco dos réus no Conselho de Direitos Humanos da ONU para tentar forçar sua exclusão do Conselho.

    No atual cenário mundial turbulento, no qual a informação sobre o conflito na Ucrânia estabelece a agenda da mídia, os grandes meios de comunicação dos EUA e do Ocidente, apoiados por suas equipes, assumiram a tarefa de saturar a mídia com notícias falsas sobre o que está acontecendo naquele país, publicando e ampliando as mentiras mais grosseiras e implausíveis; uma nova infâmia contra Cuba está começando a ser forjada.

    A etapa escolhida para realizá-la será a 73ª sessão do Comitê contra a Tortura das Nações Unidas (ONU), a ser realizada em 19 de abril. Lá, eles pretendem introduzir nos debates a análise de um relatório espúrio produzido por uma suposta "ONG" (falaremos sobre isso mais tarde) chamada Prisoners Defenders, que acusa Cuba de torturar o que eles chamam de "prisioneiros políticos".

       Talvez nossos inimigos estejam considerando que, dada a atmosfera predominante de conhecimento da mídia e as condições dentro da ONU favoráveis a seus interesses, que lhes permitiram conseguir a suspensão da Rússia do Conselho de Direitos Humanos daquela organização, eles poderão alcançar o mesmo resultado com Cuba ou, pelo menos, questionar sua filiação ao Conselho.

    Conceber tal afirmação não é fruto de especulação selvagem. O título do artigo no The Washington Post, que poderia ser classificado como uma espécie de preâmbulo da campanha que já começa a ser desencadeada para apoiar a nova infâmia que está sendo forjada contra nossa pátria, é sugestivo: "Opinião: Cuba tortura prisioneiros políticos e ao mesmo tempo é membro do Conselho de Direitos Humanos da ONU".

      Por sua vez, o consórcio alemão de rádio e televisão Deutsche Welle (DW) delineou este objetivo espúrio ainda mais claramente ao publicar um artigo intitulado "Cuba e Venezuela também pediram para deixar o Conselho de Direitos Humanos". Este pedido é feito pela organização contrarrevolucionária Centro para uma Cuba Livre (CFC), criada em outubro de 1997 nos EUA, financiada pela USAID e Ned e com a missão de fomentar a subversão contra Cuba.

   Como o representante cubano na Assembleia Geral indicou ao explicar o voto contra a exclusão da Rússia do Conselho de Direitos Humanos, o que aconteceu com aquele país estabelece um precedente que abre a porta para a aplicação de medidas similares a países cuja permanência e vozes são desconfortáveis para os EUA no Conselho.

   Neste contexto, é evidente que eles já estão correndo para aproveitar este precedente e tentar usá-lo para realizar sua infame agressão contra Cuba, cuja voz digna não é nada agradável ao vizinho irritante e arrogante do norte.

     Mas é necessário voltar ao artigo do influente jornal americano, pois nele seu autor, o contrarrevolucionário Abraham Jiménez Enoa, com a cínica indiferença com que geralmente manipula e mente sobre nossa realidade, anuncia a intenção de seus mestres de realizar a provocação a que nos referimos acima.

    Não vou me concentrar em analisar sua conduta, neste caso como nos anteriores, sua falta de valores patrióticos e éticos, sua necessidade de reconhecimento, assim como sua coincidência e subordinação aos interesses daqueles que o financiam, são as fontes que o condicionam. Não vale a pena gastar tempo com alguém que se tornou um instrumento habitual das campanhas para desacreditar Cuba. No final, não é o mensageiro que é importante, mas o que se pretende.

  Quanto aos Defensores dos Prisioneiros, sabe-se que tem sua sede em Madri e está registrada no Registro Nacional de Associações espanhol, mas na realidade esta falsa ONG é uma organização criada pelo Departamento de Estado dos EUA, que a dirige através de sua Embaixada em Madri, e a financia utilizando a USAID e a NED. Ela se destina a atividades subversivas contra Cuba. A partir dela, em setembro de 2018, surgiu uma seção "especializada", com a fachada de uma "ONG" chamada "Defensores dos Prisioneiros Cubanos", que esteve envolvida na fabricação de falsas acusações contra Cuba perante as Nações Unidas, a União Europeia e o Tribunal Penal Internacional.

  A simplificação do nome no caso em questão não significa uma mudança de atores, em essência eles são a mesma entidade com objetivos semelhantes, tanto que os jornalistas na mídia hegemônica usam indistintamente ambos os nomes.

  Seus "relatórios" geralmente tratam de supostas violações dos direitos humanos em Cuba, da suposta tortura de "presos políticos", do tamanho da população carcerária da ilha, que eles superestimam, enquanto mentem sobre as condições de encarceramento. Por exemplo, eles afirmam que nosso país tem o maior número de detentos do mundo, algo que é contraditado pelo relatório World Prison Brief (WPB), um site baseado em Londres que fornece acesso livre a informações sobre sistemas prisionais em todo o mundo, o que coloca os EUA em primeiro lugar no mundo em termos do número de pessoas privadas de sua liberdade.

   Além disso, frequentemente realizam campanhas de descrédito contra as missões médicas cubanas, deturpando seus objetivos e apresentando seus participantes como vítimas do trabalho escravo.

    Seu fundador e presidente é Javier Larrondo, um empresário espanhol com pais cubanos de uma família burguesa pré-revolucionária, que se apresenta como o representante na Espanha e Europa do grupo contrarrevolucionário Unión Patriótica Cubana (UNPACU), com cujo líder, o apátrida José Daniel Ferrer García, mantém relações estreitas. Este fato, assim como declarações do próprio Larrondo, apresenta os "Defensores dos Prisioneiros Cubanos" como parte da organização contrarrevolucionária acima mencionada.

    Entretanto, o alcance e o grau de organização de suas atividades, a articulação de suas ações com as de outras organizações subversivas, o apoio que elas oferecem e o montante de financiamento necessário para elas, indicam que "Defensores dos Prisioneiros Cubanos" é muito mais do que um apêndice da UNPACU.

    Javier Larrondo não é um "filantropo" como a imprensa espanhola tenta retratá-lo. Ele tem sido um ativo opositor da revolução cubana durante anos, participando sistematicamente de atividades anti-cubanas, com vínculos com organizações contrarrevolucionárias sediadas no exterior, como a agora extinta Fundación Hispano-Cubano (FHC), a filial espanhola da Fundação Nacional Cubano-Americana (CANF), conhecida por seu apoio a ações terroristas contra Cuba.

  Também mantém vínculos com elementos da extrema direita cubano-americana sediada nos EUA que incitam ações violentas contra a ilha, assim como com organizações terroristas sediadas na Flórida, tais como a CANF. Em sua cruzada contra a maior das Antilhas, ela uniu forças com organizações conservadoras que respondem às autoridades norte-americanas, como por exemplo: Asociación de Iberoamericanos por la Libertad, Fundación para la Democracia Panamericana, Fundación Memorial Víctimas del Comunismo, Solidaridad sin Fronteras, The Global Liberty Alliance e o Instituto Fe y Libertad.

   Todas estas ações, que apoiam e coincidem com as famosas campanhas de descrédito do governo dos Estados Unidos contra Cuba, revelam a quem "Defensores dos Prisioneiros" ou "Defensores dos Prisioneiros Cubanos" responde, não importa.

    Por outro lado, seria ingênuo pensar que esta nova agressão contra nossa pátria é apenas fruto da maldade e da baixeza dos mercenários que pagam o governo dos Estados Unidos, que vagam pelo mundo ruminando sobre sua frustração e ódio à revolução cubana. O que eles pretendem fazer conosco em 19 de abril é parte da política hostil do governo dos Estados Unidos contra Cuba. Ele é o verdadeiro culpado.

  Mas como disse Fidel, "não há força no mundo capaz de esmagar a força da verdade e das ideias".

Como em outras ocasiões, eles falharão.

                                                 

http://razonesdecuba.cu/la-nueva-patrana-contra-cuba-sentarla-en-el-banquillo-de-los-acusados-en-el-consejo-de-derechos-humanos-de-la-onu-para-tratar-de-forzar-su-exclusion-del-mismo/amp/

                                              

                                                

                      NA MESMA ONU, OUTRA NOTÍCIA .....

Cuba eleita para os órgãos do Conselho Econômico e Social da ONU      

O Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) elegeu Cuba como membro de quatro de seus órgãos, incluindo o Conselho Executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância.

Esta decisão, anunciada durante uma sessão na sede da ONU em Nova Iorque, também permitirá que Cuba faça parte da Comissão sobre o Status da Mulher, da Comissão de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento e do Comitê sobre Organizações Não Governamentais.

  Segundo o Ministério das Relações Exteriores da ilha, a eleição foi realizada por aclamação, demonstrando o prestígio do país em nível mundial.

   Ela também prova a influência de Cuba dentro das Nações Unidas e seu trabalho em favor da promoção e proteção dos direitos humanos.

    Em sua conta oficial no Twitter, a Presidência do país caribenho considerou que esta decisão faz de Cuba uma referência mundial.

      Seu prestígio se destaca no mundo, apesar da cruel campanha da mídia contra ela. Cuba está crescendo, acrescentou ele.    

   A Ecosoc é composta por 54 membros eleitos pela Assembleia Geral e seus mandatos têm a duração de três anos.

    É o órgão que coordena o trabalho econômico e social da ONU e de suas instituições e agências especializadas.

https://capac-web.org/eligen-a-cuba-para-organos-del-consejo-economico-y-social-de-la-onu/



Traduções: Carmen Diniz/Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

                             

13 de abr. de 2022

JULIAN ASSANGE RECEBE HOMENAGEM EM SÃO PAULO

       No último dia 9 de abril foi realizado evento em comemoração ao Dia do Jornalista (7/4) em São Paulo. A cerimônia ocorreu na Praça Memorial Vladimir Herzog e contou com a presença de centenas de pessoas entre jornalistas, estudantes, ativistas e personalidades importantes da história recente do país. 

                              

Juca Kfouri com Clarice Herzog. De branco, Sérgio Gomes

    A cerimônia foi organizada pelo instituto Oboré Projetos Especiais, associações de jornalistas  e outras entidades apoiadoras da liberdade de expressão e dos direitos humanos.                          


 Na ESCADA DA LIBERDADE da praça Vladimir Herzog, apresentação musical no Dia do Jornalista

    

Na ocasião foi feito um tributo ao artista gráfico Elifas Andreato falecido em 29 de março de 2022 e  um ícone da geração que enfrentou a ditadura militar no país e autor das 3 grandes obras ali instaladas que fazem referência a Vladimir Herzog:

  


                             

O troféu Audálio Dantas - Indignação, Coragem e Esperança  foi outorgado ao jornalista australiano fundador do WikiLeaks Julian Assange e entregue à Carmen Diniz, coordenadora do Capítulo Brasil do Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos pelo historiador José Luis Del Royo. Ambos explicaram o caso Assange aos demais e a situação em que o jornalista se encontra atualmente na prisão. A representante se comprometeu a fazer chegar a Assange e à sua família o troféu recebido assim como as informações de toda a atividade ali realizada e sua importância. Ressaltou, ainda, que "o pior que pode acontecer com alguém que está preso é achar que está sozinho" 

                

    O troféu outorgado é uma escultura de São Jorge, padroeiro dos jornalistas em  uma imagem estilizada na qual ao invés de empunhar a lança ele porta um microfone e um gravador no combate ao dragão da maldade. De se ressaltar que São Jorge também é o padroeiro da Inglaterra, país onde Julian Assange se encontra encarcerado na prisão de segurança máxima de Belmarsh em Londres. Oxalá toda essa simbologia contribua para que Assange finalmente seja libertado da prisão injusta em que se encontra.

                    

    Além da homenagem a Assange o prêmio também foi entregue ao grupo de mais de 300 jornalistas que integram o Consórcio de Veículos da Imprensa por sua cobertura da pandemia no país e no mesmo ato, descerradas 11 placas com o nome de 1006 jornalistas que em 1976 assinaram corajoso manifesto contestando as circunstâncias da morte de Vladimir Herzog em pleno período da ditadura.

Agradecimentos ao jornalista Sérgio Gomes pela organização do ato, pelo convite e pelo envio de fotos.

Fotos: Jorge Araújo e Sergio Gomes 

Mais informações :



https://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornalismo-independente/a-praca-da-liberdade-comemora-o-dia-do-jornalista/

                                          



12 de abr. de 2022

UMA 'RADIOGRAFIA' SOBRE A GUERRA SUAVE CONTRA CUBA

          Mapa de ações e atores na guerra suave contra Cuba                                 

    Em 30 de março, o Alto Representante da União Europeia para as Relações Exteriores, Josep Borrell, emitiu um comunicado no qual descreveu os protestos nacionais de 11 e 12 de julho de 2021 em Cuba como "manifestações espontâneas" que eram "um reflexo das exigências legítimas da população, mas que foram enfrentadas com repressão".

     É bem conhecida a intervenção dos Estados Unidos e de vários de seus governos aliados na escalada desestabilizadora que ocorreu no ano passado no contexto da intensificação das medidas coercitivas unilaterais e dos efeitos da pandemia global do Covid-19.

     Em um ato claro de interferência, Borrell descreveu como "desproporcionais" as 128 sentenças aplicadas aos operadores da escalada violenta que buscavam realizar um golpe suave. Ele também pediu às autoridades cubanas que permitissem que a comunidade diplomática assistisse aos julgamentos e instou a libertação de todos os envolvidos que estão sujeitos à justiça e à lei sob a lei cubana.

     A resposta do governo cubano foi rápida. O Ministro das Relações Exteriores cubano Bruno Rodríguez Parrilla, que também é membro do Bureau Político, salientou que "somente nossos tribunais, e não qualquer autoridade europeia, têm poderes para emitir sentenças em estrito cumprimento do devido processo", acrescentando que a UE não tem direito ou autoridade moral para intervir em assuntos que são da exclusiva responsabilidade do Estado cubano. Disse ainda que a UE deveria se preocupar com episódios de repressão em seus estados membros e menores detidos em suas prisões.


Ações para criminalizar Cuba 

    Como é bem sabido, no ano passado ocorreram pequenas e médias manifestações em algumas cidades cubanas apelando para uma "intervenção humanitária", mas que basicamente buscava desmantelar, com o mesmo roteiro mas com novos atores, o processo revolucionário que vem se desenvolvendo há mais de 60 anos. Isto foi acompanhado por uma guerra de desinformação e um componente que incluiu setores do movimento cultural da ilha.

    Foi um chamado aos Estados Unidos e à "comunidade internacional" para intervir em um suposto colapso da crise sanitária e econômica vivida pela ilha devido à pandemia, agravada pelos impactos da guerra econômica, financeira e comercial travada por Washington. O resultado judicial foi mais de 1.400 pessoas presas e 790 acusadas, das quais surgiram as condenações apontadas pelo comunicado europeu interferente.

     Em um ato de superioridade ilusória, o eixo europeu tenta pontificar sobre os direitos humanos, mesmo estando subordinado a Washington, seus membros fecham a mídia, condenam rappers como Pablo Hasel por acusações contra um monarca supostamente envolvido em corrupção e a repressão dos protestos dos Coletes Amarelos na França ultrapassa 1.000 feridos e causou a perda dos olhos e até das mãos de vários manifestantes.

    Durante os protestos de julho passado em Cuba, Luis Manuel Otero Alcántara, coordenador do Movimento San Isidro (MSI), foi preso e desde então realizou várias greves de fome na prisão, que ele terminou em fevereiro passado.

   Um de seus patrocinadores, a Fundação Centro para a Abertura e Desenvolvimento da América Latina (CADAL), com sede na Argentina, pediu à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que intercedesse em nome de Otero. Eles também pediram por Maykel Castillo Pérez "Osorbo", que está detido desde maio de 2021 por supostos crimes de resistência e desacato, e é o vencedor de dois Grammys latinos pela canção "Patria y Vida" junto com o rapper Yotuel Romero, o cantor e compositor Descemer Bueno, e o grupo de reggaeton Gente de Zona.

     A declaração de Borrell refere-se a sentenças de 30 anos. Os dois casos correspondem ao crime de sedição (desestabilização do Estado e subversão da ordem legalmente estabelecida em Cuba) porque se armaram com pedras, garrafas e outros objetos de agressão, que jogaram no cordão dos agentes públicos enquanto avançavam em direção a eles. Um deles é reincidente e estava em liberdade condicional, o outro é multi-reincidente e tinha sido condenado a 12 anos de prisão por roubo com força, e três meses de prisão por roubo.

Protesto "pacífico" do 11 de julho em Cuba 

Em relação às pessoas condenadas que são menores de idade:

31 réus entre 16 e 20 anos de idade foram sancionados, aos quais foi aplicada a redução dos quadros mínimo e máximo das sentenças.

Os de 16 a 18 anos podem ser reduzidos em até a metade, e os de 18 a 20 anos em até 1/3.

Vinte e dois deles foram considerados como tendo "má conduta social", além de não terem vínculos empregatícios ou estudantis.


Um mapa de atores e ações (novos e não tão novos) com um roteiro antigo

     Além da UE, dezenas de organizações globais de prestígio, como a Anistia Internacional e a Pen International, vêm exigindo há meses a libertação dos detidos para os eventos de julho passado.

     Uma investigação anterior revela como a Fundação Cadal estimulou financeiramente os protestos, com seus recursos provenientes "das mãos das filiais da CIA para a região; a Fundação Atlas (ligada aos irmãos Koch), Fupad (Fundação Pan-Americana de Desenvolvimento), USAID e NED".

     Há outros atores como o Instituto para a Paz e Jornalismo de Guerra, Factual, Distintas Latitudes, Fundação Sueca de Direitos Humanos, Editorial Hipermídia, Diario de Cuba, Cubanet, Universidade Sergio Arboleda (o núcleo tecnocrático do Uribismo do qual Iván Duque é originário), bem como angariadores de fundos de diferentes agências e fundações junto com outras ONGs registradas em diferentes países que mascaram veículos de mídia como CiberCuba, ADN Cuba, Cubanos por el Mundo, Cubita Now, Cubanet, Periodismo de Barrio, El Toque, El Estornudo e YucaByte.

    A rede de veículos de mídia, influenciadores e agentes de mídia financiados para apoiar a atividade dos atores comprados para a mudança de regime em Cuba, tem se movido com forte financiamento até hoje em redes e mídia digital.

   Além do ciber-ativismo, eles também se moveram para novas tendências jornalísticas, como afirma o jornalista Javier Gómez Sánchez: "Eles são meios digitais criados e sustentados como parte de uma operação de longo prazo implementada pela CIA em Cuba para fabricar uma imprensa que, a partir da Internet, geraria conteúdo político deliberadamente tóxico para a Revolução, sob a fachada da prática jornalística".

      Em 2 de junho, pouco antes da instalação insurrecional, Samantha Power, diretora da USAID, condenou a prisão de Osorbo, deixando claro o compromisso de sua agência de infiltrar-se na indústria musical hip-hop de Cuba e recrutar rappers para condicionar culturalmente as gerações mais jovens e incitá-las a "mudança de regime". É um projeto estratégico com as principais cidades cubanas em seu núcleo, mas dirigido a partir dos Estados Unidos.


Breves perfis de alguns dos operadores

Um breve perfil define os dois personagens nomeados:

Luis Manuel Otero Alcántara. Ele se dedicou, através de grotescas expressões pseudo-artísticas, a promover valores contrários à Revolução Cubana e símbolos patrióticos, que beiravam a ofensa pública, a provocação e a ilegalidade.

Maykel Castillo "Osorbo". Fez constantes apelos, através de redes sociais, por violência, desrespeito e desordem, defendendo uma invasão norte-americana de Cuba. Já foi anteriormente processado por crimes de roubo, furto, desacato ao tribunal e agressão.

                                      

Luis Manuel Otero Alcántara e Maikel «Osorbo» Castillo do Movimento San Isidro, foram condenados por delitos recorrentes em Cuba  e EE.UU exige que sejam libertados

Outros atores:

 Berta Soler. Líder das Damas de Branco, que declarou na Espanha que a Cuba de Batista era uma "joia de ouro", tem uma longa história de provocações apoiadas por dinheiro da Fundação Nacional Cubano-Americana na Flórida (EUA). A falta de eficácia de suas ações midiáticas fez com que se reduzisse a quantia de dinheiro que recebe, e foi acusada de usar esses fundos para benefícios pessoais e não para lutar por uma suposta "causa cubana".

José Daniel Ferrer. Promotor de ações criminosas e contrarrevolucionárias com reconhecimento internacional. Este é o personagem que bateu repetidamente com a cabeça contra uma mesa e depois acusou um oficial de segurança de tê-lo agredido.

Denis Solis. Posicionado como uma força mobilizadora para a MSI. Cumpriu uma pena em Cuba por agressão a um policial fora de sua casa quando foi convocado para testemunhar sobre suas ligações com grupos contrarrevolucionários no exterior que planejavam realizar ações de vandalismo, após o que deixou Cuba para um destino desconhecido.


Atores de fora de Cuba:

Orlando Gutiérrez Boronat. Cubano-americano radicado no sul da Flórida, dirige a organização Directorio Democrático Cubano ou Dirección Democrática Cubana, embora seus discursos sejam tingidos de pacifismo. Em novembro de 2020 ele emitiu um comunicado dizendo que: "Se há uma repressão mortal, o uso da força militar para reprimir o povo de Cuba é legítimo, e pedimos uma intervenção internacional liderada pelos Estados Unidos para derrubar este regime e pôr fim a ele".

Ultrak. Promove ações terroristas em Cuba, financia atos de vandalismo dentro da ilha e usa redes sociais para fazer apelos rudes ao desacato, transferindo assim a agressividade de sua linguagem nas redes sociais para a realidade cubana, e chegou a  ameaçar de morte jornalistas em Cuba.

                      

Elementos da campanha subversiva encabeçada por atores da cultura, mídias e redes sociais (Prensa Latina) 

Alexander Otaola. Inicialmente ele atraiu um público e seguidores, abordando questões relacionadas a artistas e show business, mas mais tarde definiu sua clara linha de incitação a uma explosão social na ilha através da desobediência e do caos. Em 2020, entrevistou o então presidente americano Donald Trump em seu show e lhe deu uma "lista vermelha" de cubanos a serem impedidos de entrar no país, incluindo a dupla Gente de Zona e suas famílias por terem saudado o presidente Miguel Díaz-Canel durante um concerto em Havana. O grupo purgou sua culpa participando do "Patria y Vida" (Pátria e Vida).

Tania Bruguera. Operadora do MSI que busca benefícios e posicionamento, limítrofes à ilegalidade, organizando atos provocatórios de violência e confronto em espaços como a Praça da Revolução, tudo a partir de uma construção simbólica na arte.

Carlos Manuel Álvarez.  Dirige um meio de comunicação chamado El Estornudo, que usa suas redes sociais para denegrir o trabalho dos médicos cubanos no exterior, Che e Fidel. Ele é um jornalista e escritor cubano de alto nível baseado no México que conseguiu inserir o MSI em meios hegemônicos, como o New York Times.

Omara Ruiz Urquiola. Ex-professora do Instituto Superior de Diseño, participante do MSI, relacionada com altos funcionários do governo estadunidense em Cuba. Ela descreveu parte do Movimento San Isidro que participou do diálogo com o Ministério da Cultura cubano como "aproveitadores e arrivistas".

Elaine Díaz. Jornalista e ex-professora da Universidade de Havana, com sede fora de Cuba e dedicada ao recrutamento de jovens jornalistas e estudantes universitários para construir narrativas subalternas contra a Revolução Cubana. Foi a primeira cubana a obter uma bolsa de estudos Nieman da Universidade de Harvard, como parte dos programas de "treinamento de liderança" que foram implementados e financiados em várias universidades nos Estados Unidos, Europa e América Latina por entidades aparentemente inocentes.

Eliécer Ávila. Baseado nos Estados Unidos, declarou em várias ocasiões que é a favor da violência e da invasão de Cuba, ligado ao partido ultradireitista Vox e opera através do grupo Somos+. Ele chegou ao ponto de criticar as manifestações da Black Lives Matter e alegou que o alto desemprego entre a população negra naquele país é devido à sua falta de "vontade de trabalhar". Assinou uma carta ao Presidente Joe Biden exigindo que o bloqueio e as sanções econômicas contra seu país não fossem levantados.

Ariel Ruiz Urquiola. Biólogo que tentou difamar a cooperação médica internacional da ilha e o Sistema Nacional de Saúde que o trata de uma doença crônica e lhe garante medicamentos gratuitos. Apresentado pelos Estados Unidos como ambientalista e defensor dos direitos humanos, ele foi sancionado por desacato ao tribunal e tem vínculos com representantes do governo dos EUA em Havana.

 Rosa María Payá. Representante dos interesses da extrema direita em Miami em relação a Cuba, ela postou em sua conta no Twitter: "Durante anos pedi primeiro à administração Obama e depois à administração Trump que restabelecesse o regime cubano na lista de patrocinadores do terrorismo porque é a coisa certa e consistente a fazer". Na quarta-feira, 30 de março, ela pediu ao Parlamento britânico que aplicasse sanções contra Cuba por "violação dos direitos humanos e repressão judicial contra os manifestantes da explosão social de 11 e 12 de julho".


https://cubaenresumen.org/2022/04/04/mapa-de-acciones-y-actores-en-la-guerra-blanda-contra-cuba/

mais: https://www.resumenlatinoamericano.org/2022/04/10/cuba-abril-el-ataque-por-las-redes-sera-vencido-como-lo-fueron-los-mercenarios-en-giron/

Tradução: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 



Luis Manuel Otero Al

11 de abr. de 2022

CAMPANHA POR ASSANGE ! #FreeAssangeNOW (+vídeo explicativo sobre o caso) 11 de abril: 3 anos de prisão

Projeção nas ruas de Londres

  Hoje se completam 3 anos que Julian Assange foi encarcerado na prisão de segurança máxima de Belmarsh após sete anos asilado na embaixada do Equador em Londres. Em 11 de abril de 2019, o então presidente do Equador Lenin Moreno retirou sua cidadania equatoriana e permitiu que a polícia britânica adentrasse na embaixada e de lá o levasse para o presídio.**
 
                       
 
A prisão de Belmarsh é conhecida como a "Guantánamo britânica". Assange não tem acesso a nenhuma notícia do exterior, está em uma solitária desde que ali chegou, é permitido que uma vez por semana  fale ao telefone (mas não tem crédito e precisa dividir o tempo com outros presos),sabe que está confinado com presos de extrema periculosidade, teve um AVC em outubro e atualmente se encontra muito debilitado em sua saúde física e mental. 

Interior da solitária 

Belmarsh


    Em Londres hoje desde a meia noite foram realizadas projeções por Assange espalhadas pela cidade reivindicando sua liberdade imediata e registrando os 3 anos de cárcere desumano. Continua a prisão e continua a campanha #FreeAssangeNOW. Contar a verdade não é crime. Jornalismo não é crime !

                         

Registre-se que foi pelo WikiLeaks que foram divulgadas imagens dos crimes praticados pelas tropas estadunidenses em diversos países invadidos pelos EUA  e seus aliados ; sem isso, jamais se saberia sobre os fatos nem do acobertamento por parte do governo dos EUA:  o assassinato de civis a partir de helicópteros de guerra, as torturas nas prisões iraquianas, etc. 
A agressão e perseguição política  contra Julian Assange atinge o direito de todos à informação, sobre atos criminosos dos governos por mais poderosos que estes sejam. Os criminosos são eles. Se extraditado aos estados unidos isso significa uma sentença de morte. Nos EUA ele pode ser condenado a 175 anos de prisão, o que equivale a uma prisão perpétua. Aos 50 anos e debilitado equivale à pena de morte.
 Esta perseguição implacável do governo dos EUA não é só contra o Assange. É contra a liberdade de informar e ser informado. Assange não ameaça ninguém. Perigoso é o precedente. 



O processo continua 

              O processo judicial contra Julian Assange continua no Reino Unido, apesar de todas as evidências divulgadas a favor do jornalista.  Enquanto isso, mais e mais personalidades e grupos se solidarizam pelo mundo reivindicando a liberdade imediata de Julian Assange. A mídia corporativa talvez não divulgue essas atividades mas é importante saber que há um grande movimento espalhado pelo planeta em defesa de Julian Assange. Aqui se vê alguns exemplos. 
   
  
"Se Assange for extraditado, nenhum jornalista no mundo está a salvo de prisão perpétua nos Estados Unidos" Daniel Ellsberg, Pentagon Papers Whistleblowers

                                

 Este vídeo é de 2021 quando uma das testemunhas contra Julian Assange confessou que mentiu com a finalidade de mantê-lo encarcerado*. É um bom resumo sobre o caso Assange e a implacável perseguição política que o governo dos EUA promove contra o jornalista australiano.



                              O que quer que tenha sido feito para você acreditar:
SEU futuro, SUA vida e SEU direito de saber o que o SEU governo está fazendo com o poder e os impostos que VOCÊ dá a eles. Eu NÃO quero deixar para meus filhos um mundo onde dizer a verdade se tornou um CRIME. (Nils  Melzer é Relator Especial das Nações Unidas sobre Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes)

                                       
Em 23/4 dia do casamento de Assange e Stella, fitas amarelas em frente à prisão de Belmarsh

                                         Londres, hoje (10/04) 



Itália:


O SILÊNCIO DO INOCENTE: #Assange não pode falar de #belmarsh prisão de segurança máxima!
Por que o #jornalista Assange é preso como nos piores estados ditatoriais, por publicar crimes comprovados enquanto os responsáveis são livres? 
O SILÊNCIO DA MÍDIA É CULPADO




                         No Brasil, uma  homenagem a Assange:
                                    
 

Edição/traduções : Carmen Diniz / Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba

                         
                      
                                #FreeAssangeNOW

"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário". Frase do eterno Ernesto.





 * https://www.correiodobrasil.com.br/eua-mentiras-testemunha-contra-assange-provam-caso-deve-abandonado/  
**  https://noticias.r7.com/internacional/para-nao-ser-preso-assange-ficou-2429-dias-na-embaixada-do-equador-11042019                

7 de abr. de 2022

Cuba adverte sobre os perigos para a humanidade decorrentes das manobras dos EUA nas Nações Unidas

                        

Nova York, 7 de abril de 2022 - A Assembleia Geral das Nações Unidas reuniu-se nesta quinta-feira a pedido dos Estados Unidos para votar um projeto de resolução sobre a suspensão dos direitos da Federação Russa como membro do Conselho de Direitos Humanos, devido ao conflito na Ucrânia. Cuba votou contra esta iniciativa.

 O Representante Permanente de Cuba junto às Nações Unidas, Embaixador Pedro Luis Pedroso Cuesta, alertou para os perigos impostos pelo uso de tal mecanismo de suspensão, que não tem paralelo em nenhum outro órgão da ONU e pode ser facilmente utilizado de forma seletiva, especialmente contra os países do Sul.

 Ele lembrou como os promotores mais entusiastas da cláusula de suspensão da adesão, quando a construção do novo Conselho de Direitos Humanos estava sendo negociada, eram nações desenvolvidas com uma tendência comprovada de acusar países do Sul que não estão em conformidade com seus supostos modelos de democracia, permanecendo em silêncio cúmplice diante das flagrantes violações dos direitos humanos nos países ocidentais.

Hoje é a Rússia, mas amanhã poderá ser qualquer um de nossos países, particularmente nações do Sul que não se curvam aos interesses da dominação e que defendem firmemente sua independência, enfatizou Pedroso Cuesta.

 O diplomata cubano explicou que Cuba sempre defendeu e trabalhou para um Conselho de Direitos Humanos capaz de enfrentar os complexos desafios enfrentados pela comunidade internacional nesta área, da qual nenhum país está isento. No entanto, a nação caribenha se opôs à cláusula de suspensão do membro do Conselho , devido ao sério risco de que ela fosse utilizada por certos países que favorecem a duplicidade de critérios, a seletividade e a politização das questões de direitos humanos.

A ilha sempre defendeu a objetividade, imparcialidade e transparência no trabalho deste órgão, e que seus procedimentos e mecanismos funcionem com base em informações verdadeiras e verificadas.

Embora para ser eleito como membro do Conselho de Direitos Humanos, um país precise obter pelo menos o apoio da maioria dos membros da ONU em uma votação secreta, ou seja, pelo menos 97 votos; esta cláusula de suspensão pode ser ativada com o apoio de apenas dois terços dos presentes e votantes; portanto, as abstenções não contam e não há sequer um número mínimo de votos necessários para que a suspensão seja aprovada.

Assim, os direitos de um membro do Conselho podem ser suspensos pela vontade de ainda menos Estados do que aqueles que decidiram eleger e conceder-lhe esses direitos.

A Federação Russa, que foi eleita como membro do Conselho de Direitos Humanos em 2020 com 158 votos, poderia ser suspensa hoje com menos votos, disse o embaixador.

O uso da cláusula de suspensão não favorecerá de forma alguma a busca de uma solução pacífica, negociada e duradoura para o conflito na Ucrânia; muito menos ajudará a fomentar o clima de cooperação, diálogo e compreensão que deve prevalecer ao abordar a questão dos direitos humanos, ressaltou Pedroso Cuesta.

(Cubaminrex - Missão Permanente de Cuba junto às Nações Unidas)

Informações relacionadas :

https://cubaminrex.cu/es/intervencion-del-embajador-pedro-luis-pedroso-cuesta-sobre-proyecto-de-resolucion-sobre-la?fbclid=IwAR1i6D6Ta-JEmy7wFAG4e_AA__Q3HlSEJ1GePBj7T7_dZyuxwP_Zy3AqNvY

Intervenção do Representante Permanente de Cuba junto às Nações Unidas, Embaixador Pedro Luis Pedroso Cuesta, em declaração de voto sobre o projeto de resolução sobre a suspensão dos direitos da Federação Russa como membro do Conselho de Direitos Humanos. Nova York, 7 de abril de 2022

Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba / Carmen Diniz




6 de abr. de 2022

O PROCESSO DE KAFKA - atualização.


No próximo dia 20 de abril o tribunal de Westminster emitirá a ordem de extradição do jornalista e fundador do @WikiLeaks Julian Assange para os EUA.
Esta decisão irá para a mesa da Ministra do Interior do Reino Unido, Priti Patel. A equipe jurídica da Assange deve apresentar-lhe suas razões até 18 de maio.


"Tudo está conectado.. e continuará... ainda mais malévolo".

Kafka, O Processo




Mary Kostakidis - jornalista e amiga pessoal de Julian Assange e de sua família no Twitter: "Pedi permissão para assistir a audiência de 20 de abril de Assange quando o magistrado emitirá a ordem de extraditá-lo para os EUA". A ordem será então enviada à Ministra do Interior do Reino Unido, Priti Patel, para aprovação. A defesa de Assange apresentará pedido a Patel até 18 de maio". "Eles pretendem apelar da decisão original com base na liberdade de imprensa e julgamento justo". "A última audiência realizada em um tribunal superior foi uma farsa". Jornalistas fora de Londres não foram informados se haveria um link até o último minuto, quando fomos informados que tínhamos sido aprovados após o início da curta audiência, durante a qual conseguimos apenas acessar uma tela preta..." "...sem som apenas para descobrir, através do Twitter, que tinha acabado. Espero sinceramente que desta vez seja conduzida de maneira diferente no que diz respeito ao acesso dos jornalistas. Mas já sabemos que o resultado é amargo de fato, após a decisão da Suprema Corte recusando-se a ouvir a apelação de Julian Assange". "Prevejo que será uma audiência curta e espero que o último fiasco de acesso à imprensa não seja parte de uma restrição contínua".



Trechos da carta aberta desesperada de um pai:
"Para Julian, o tempo está se esgotando, a sua condição física é chocante. " Anos de tortura mental e prisão arbitrária cobram seu preço amargo. Seu último pleito judicial foi rejeitado e ele agora está esperando uma decisão de extradição para os EUA, prevista para o dia 20 de abril. Se Julian tivesse sido submetido a tratamento semelhante em uma prisão chinesa, russa ou iraniana, nosso governo condenaria publicamente esses regimes como bárbaros, imorais e corruptos. Em vez disso, nosso governo está em silêncio sobre a perseguição ultrajante do cidadão australiano Julian Assange. Nossa mídia australiana também está em silêncio. Até onde as nações mais poderosas irão para encobrir seus crimes? O que significa para a nossa imprensa e nossa democracia Julian estar enfrentando uma sentença de 175 anos de prisão por publicar segredos de estado que todos nós deveríamos saber? É claro que precisamos urgentemente fazer mais para proteger a liberdade de imprensa e garantir que ninguém tenha que passar pelo que meu filho está passando. Obrigada por terem dedicado seu tempo para fazermos algo juntos. Seu esperançoso, John Shipton".

                      
John Shipton


5 de abr. de 2022

CUBA: LIÇÕES DE UMA GUERRA INACABADA

                                

Iroel Sánchez* 

"As ideias da classe dominante são as ideias dominantes em cada época..." (Marx e Engels dixit). 

    Na época do imperialismo, como é bem conhecido, eles são os da burguesia, a classe social com poder e hegemonia no capitalismo globalizado, no qual os Estados Unidos são o hegemônico global.

     Esta hegemonia é construída e reproduzida através de canais de construção de consenso social, tais como sistemas educacionais, produtos da indústria cultural, mídia, organizações internacionais, instituições religiosas e governamentais e academia, em um processo muito mais complexo do que o que podemos descrever neste espaço. O advento da internet, longe de diminuir, fortaleceu as hegemonias pré-existentes quando, em média, as pessoas passam mais de seis horas por dia na internet e o acesso aos recursos tecnológicos e financeiros para influenciar mais ali, juntamente com as poucas empresas que controlam esses espaços, respondem às mesmas relações de classe pré-existentes, dominação e acúmulo no mundo físico.

     A contradição capitalista entre trabalho (cada vez mais social) e capital (cada vez mais concentrado) é expressa na internet em sua crescente utilização por bilhões de pessoas diante de uma apropriação cada vez mais concentrada por um punhado de empresas dos dados que essas pessoas geram. A divisão digital (acesso) está se fechando, enquanto a divisão cultural (capacidade de produzir e posicionar conteúdos mais influentes) está se ampliando.

    Em Cuba, a transição socialista, no contexto dessa hegemonia capitalista, enfrenta grandes desafios e desvantagens muito particulares, em comparação com outros países que, como nós, não compartilham a permissividade em relação ao domínio americano e/ou estão desenvolvendo projetos socialistas: uma cultura jovem, uma independência recentemente conquistada, uma pequena população com uma língua falada por 540 milhões de pessoas, na qual a indústria cultural de Miami vem adquirindo uma influência crescente como produtora de gostos, modos, necessidades e aspirações, especialmente entre os jovens e adolescentes de língua espanhola.

    A classe burguesa dependente derrotada em Cuba em 1959, e estabelecida no sul da Flórida, aproveitou estas características, em aliança com instituições do governo dos EUA, para buscar influência na sociedade cubana, por exemplo, com o controle que exercem de lá sobre a difusão internacional da música latina.

    O fato de a internet apagar fronteiras e assim facilitar o treinamento, a articulação e o pagamento das pessoas dentro do país permitiu-lhes capitalizar os efeitos sociais de um momento particularmente complexo (pandemia e guerra econômica intensificada) em sua estratégia de mudança de regime, e encontrar a força de trabalho para servir a esses planos entre a minoria dentro da ilha que não tem o escrúpulo de resistir a fazer o trabalho sujo para aqueles que os pagam mas os desprezam.

   Soma-se a isto a chegada maciça de cubanos residentes em redes sociais digitais, cenário antes colonizado por pessoas nascidas aqui, mas vivendo em outros países, que são submetidos a um constante bombardeio de informações negativas sobre seu país de origem. Eles sofrem o impacto de um discurso praticamente unânime da mídia hegemônica, juntamente com a influência da indústria da cultura capitalista com sua imposição de paradigmas anticomunistas.

      Além desta situação, já muito desfavorável em si, há a articulação nas redes sociais digitais com os sites anti-Cuba financiados pelos Estados Unidos e seus colaboradores na ilha. Eles são remetentes de uma mensagem essencialmente idêntica, mas dirigida de maneiras diferentes a praticamente todos os setores da sociedade.

    Este desafio só pode ser vencido a partir de Cuba com a combinação do treinamento em massa de um receptor crítico e a promoção de habilidades para participar na criação de conteúdos, juntamente com a divulgação de produções que, com códigos contemporâneos, são portadoras dos valores que defendemos. Neste sentido, a implantação do serviço móvel de dados, com o aumento do escopo e do imediatismo dos processos no espaço digital e seu previsível impacto no mundo físico, não foi suficientemente acompanhada por uma transformação radical para melhorar ambos os aspectos.

   A revelação em 2011 pelo Wikileaks de 15 de abril de 2009 do chefe da Seção de Interesses dos EUA em Cuba, Jonathan Farrar, que projetou uma nova contrarrevolução com ênfase em jovens artistas e blogueiros, havia anunciado para onde se encaminhava o recrutamento para o novo cenário.

    Os projetos da Internet destinados à articulação dos setores mencionados pela Farrar, baseados em valores antirrevolucionários, floresceram. O aumento dos meios digitais financiados do exterior nos últimos anos não foi acompanhado por um crescimento mínimo dos espaços de comunicação que abordam sistematicamente aspectos da guerra cultural e de comunicação, seja como novos meios ou como novos espaços dentro dos meios tradicionais. Estas questões foram geralmente abordadas até o final de 2020, através de blogs e outros espaços e não na mídia da Revolução.

    Combinando efetivamente, sob os narizes das instituições cubanas, bolsas de estudo, eventos e publicações, e aproveitando nossas lacunas, os Estados Unidos conseguiram avançar em Cuba na construção de um consenso no discurso público sobre economia, direito, comunicação e tratamento de períodos históricos como a república burguesa neocolonial e os primeiros anos da Revolução. Seus projetos na web forneceram uma máscara aparentemente teórica para o discurso contrarrevolucionário, e se esforçaram para promover uma sociedade civil virtual que tem acompanhado, a partir de seus títulos acadêmicos, tentativas de legitimação de ações destinadas a induzir um golpe suave desde o final dos anos 2020.

     Não é segredo que, de acordo com o já mencionado Farrar, a massa relativamente grande de criadores de arte e literatura em Cuba, cuja parte significativa da produção não encontra realização econômica dentro de nossas fronteiras e procura, como seus colegas em outros países, inserir-se em circuitos internacionais, tem sido alvo de chantagem e pressão por parte da maquinaria de mídia financiada pelos EUA. Aqueles colaboradores da estratégia subversiva que, sob a bandeira da liberdade de expressão, encenaram um protesto em frente ao Ministério da Cultura e conseguiram arrastar pessoas honestas atrás deles, agiram, conscientemente ou não, em defesa de seus interesses econômicos, que não podem mais renunciar à renda ou à celebridade desses projetos. É verdade que agora eles estão desacreditados e desmascarados, mas o fato de inicialmente terem sido capazes de apresentar outra face e enganar mais de uma pessoa é também o resultado de nossas fraquezas.

   Ao mesmo tempo, nos campos do consumo cultural mais massivo e comercial, como aconteceu com algumas figuras do reggaeton, a ação combinada do mecanismo da sedução (o mercado de Miami) e do terror psicológico (um conjunto de novos meios de comunicação e influenciadores que surgiram durante a administração do Trump) permitiu que a estratégia de guerra cultural contasse com líderes de opinião cubanos a seu serviço. Neste cenário, a ausência de um debate sistemático sobre estas questões permitiu que o pequeno grupo de pessoas ligadas à estratégia norte-americana se mostrasse como porta-estandarte da liberdade de expressão e da luta contra a censura diante do "estado repressivo".

   A virada que o 11 de julho de 2021 significou para nossas ações deu seus primeiros frutos na derrota em novembro passado dos planos imperialistas de provocar um banho de sangue no país. Eles terminaram com o desmantelamento de grande parte de sua quinta coluna aqui. Isto tem sido possível, nas piores circunstâncias econômicas e quando ainda estamos arrastando muita burocracia em nosso funcionamento institucional, devido à informação oportuna ao povo, o surgimento de novos espaços revolucionários de comunicação física e midiática e a mobilização popular, especialmente da juventude, em defesa da Revolução, mostra que não importa quantos recursos nossos inimigos tenham, o que é decisivo é o que fazemos. O que tornará nossa vitória irreversível, além da sustentabilidade econômica, é a consolidação de nossa contra hegemonia no campo das subjetividades.

    Não é que tenhamos entrado na ofensiva e não haja mais o perigo de voltar atrás. Por maior que seja o capital político da Revolução e as reservas éticas que ela semeou entre o povo, devemos assimilar as duras lições dos últimos anos para entender que a hegemonia não é um produto final, sempre o mesmo, acabado; mas um processo que envolve relações, hostilidades, confrontos de muitos tipos, em espaços ou instâncias que devem ser conquistadas no dia-a-dia.

    É urgente e essencial que sejamos capazes de produzir e reproduzir uma contra hegemonia (em oposição, rompendo e superando a hegemonia burguesa que nos chega em sua versão mais medíocre via Miami). Isto deve ser traduzido na produção - consciente, planejada, organizada, pensada, projetada, criativa, multilateral - de gostos, desejos, anseios, costumes, hábitos... que reproduzem o socialismo cubano - como uma etapa de transição para o comunismo. É necessário consolidar a hegemonia do socialismo cubano em todas as esferas da vida; para o qual é essencial mobilizar todos os seus espaços, todas as organizações, todas as instituições revolucionárias da sociedade civil. Uma batalha na qual a comunicação social está hoje no centro da contraofensiva de ideias.



*Iroel Sánchez .  Engenheiro e jornalista cubano. Trabalha no Escritório de Informatização da Sociedade cubana. Foi presidente do Instituto Cubano do Livro.

https://espanol.almayadeen.net/articles/1577541/cuba:-lecciones-de-una-guerra-inconclusa

Tradução: Carmen Diniz / Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba.