
Dizem que há tambores que se ouvem até mesmo no sono mais profundo. Os tambores de um porta-aviões, anunciado a 100 metros do nosso Malecón, não são tambores de festa, amigo. São o rufar de um funeral anunciado para a sanidade. O presidente Trump, com a frieza senil que o caracteriza, move peças em um tabuleiro alheio; acredita que, ao aproximar o aço até roçar as escamas do nosso jacaré verde, o medo nos paralisará, a Revolução desmoronará como um castelo de areia e nós, os cubanos, sairemos correndo...
Talvez ele observe o horror das quase 180 meninas massacradas no Irã e pense:
“O terror funciona”. Mas o homem do Norte não consegue entender a verdadeira natureza do nosso medo. Porque sim, temos medo. Mas não do bloco metálico que flutua no horizonte, e sim da dor da inocência esmagada... algo que o cubano projeta com tremenda força para a frente...
Esse medo não é novo; nós o absorvemos com o leite de nossas mães.
No entanto, o que lá em Washington não conseguiram decifrar em mais de sessenta anos é o mistério de nossa psique. Eles acreditam que o cubano, acostumado ao furacão e à escassez, se curva.
Grave erro de cálculo, meu amigo. O cubano, quando se sente encurralado, quando o cerco se fecha a ponto de cortar a respiração, não foge. Ele se transforma. Não estou falando do “medo” das bombas, aquele pânico imediato e atroz que ceifa a vida de crianças, jovens, mulheres e idosos. Falo de um medo mais profundo e perigoso: o medo de quem já não tem nada a perder... Ah, caramba!
Um povo que transforma sua angústia em resistência é um animal mitológico. Somos o “animal encurralado”, aquela criatura que, ferida em seu covil, não mede as forças do adversário, mas a profundidade de seu próprio ferimento. É aí que reside o verdadeiro perigo: seríamos um míssil silencioso, sem radar para detectá-lo, viajando direto para o coração dos Estados Unidos. Porque nós não estamos longe; estamos colados, quase entrelaçados pelo sangue e pela geografia (depois falarei com você sobre a história). Nos separam 90 milhas de água... Isso é realmente uma pocinha...
Se Havana explodir, a metralha... a fúria contida de uma ilha inteira atravessará o Estreito da Flórida mais rápido do que qualquer foguete.
O estadunidense comum, aquele que trabalha, aquele que ama seus filhos em Ohio, no Texas ou na própria Miami, deve saber disso: jogar roleta russa com um povo a 100 jardas não é política externa; é um suicídio coletivo. Vocês não estão a salvo atrás de uma barreira de água. Neste caso, o terror não é um jogo de vídeo; é uma onda expansiva que destrói quem a recebe, mas também destrói e desumaniza quem a lança.
Se deixarmos que os tambores de guerra abafem o som das guitarras, a tragédia não terá cor de passaporte.
É hora de ambos os povos despertarem o feitiço das pombas brancas.
Que o povo estadunidense, aquele que também sofre os excessos do poder imperial, saiba hoje mais do que nunca que seu verdadeiro inimigo não está nesta ilha que dança e cria, mas naquela lógica perversa que quer incendiar o quintal comum para benefício de poucos com interesses eleitorais...
A união das almas de ambas as margens é o único escudo real contra a guerra.
Não queremos compaixão, queremos respeito. Não queremos esmolas, queremos paz. Ainda há tempo de descer dessa máquina de morte. Que, de uma vez por todas, a vizinhança não seja uma maldição geográfica, mas o milagre de dois mundos que, abraçados, podem salvar-se do abismo.
Porque se o animal encurralado tiver que se defender, acredite, senhor do Norte, o estrondo não fará distinção entre o carrasco e o inocente, e o coração do império também sangrará. E esse sangue, independentemente do idioma, TAMBÉM VAI DOER!
de: Raulito Torres

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