O ministro de extrema-direita exibe centenas de ativistas algemados como troféus de guerra, enquanto a Europa começa, timidamente, a reagir à impunidade do Estado sionista de Israel.
O Estado sionista de Israel vem destruindo Gaza há meses diante dos olhos do mundo. Fome. Bombardeios. Hospitais destruídos. Crianças mutiladas. Jornalistas assassinados. E agora, demonstrações públicas de humilhação contra ativistas internacionais detidos em águas internacionais. Porque eles nem sequer escondem mais nada. Eles gravam. Editam. Publicam com orgulho.
Em 20 de maio , o Ministro da Segurança Nacional de Israel, o direitista Itamar Ben Gvir, divulgou um vídeo do porto de Ashdod mostrando dezenas de ativistas da Flotilha Global Sumud amarrados, ajoelhados e amontoados sob o sol, enquanto o hino nacional israelense era tocado por alto-falantes. Ben Gvir sorriu. Acenou com uma bandeira. "Bem-vindos a Israel", disse ele em tom de deboche.
https://x.com/haaretzcom/status/2057063202639253845
Não se trata de uma cena isolada. É uma declaração política.
A flotilha tentava romper o bloqueio marítimo imposto por Israel a Gaza desde 2007 e entregar ajuda humanitária a uma população que as Nações Unidas descrevem há meses como sofrendo uma catástrofe humanitária sem precedentes. A resposta israelense foi interceptar os navios em águas internacionais, prender cerca de 430 pessoas e usar a prisão como propaganda ultranacionalista.
O sadismo político como mensagem de Estado
O que mais perturba não é apenas a violência em si, mas a naturalidade com que ela ocorre. As imagens mostram policiais israelenses arrastando ativistas pelo pescoço, obrigando-os a permanecer algemados e de bruços, e empurrando ao chão uma mulher que gritava "Palestina Livre".
Enquanto isso, Ben Gvir fala sobre "apoiadores do terrorismo". A mesma velha desculpa de sempre. Vale tudo se a palavra Hamas for mencionada. Não importa se são trabalhadores humanitários, médicos, ativistas pela paz ou membros do parlamento. O Estado sionista de Israel transformou a acusação de terrorismo em uma licença política para justificar qualquer abuso. Até mesmo o sequestro de civis em alto-mar.
A organização Adalah, que oferece assistência jurídica a alguns dos detidos, denunciou uma “política criminosa de abuso e humilhação”. Observou ainda que esta não é a primeira vez que tais incidentes ocorrem e que Israel nunca foi responsabilizado por eventos semelhantes.
Isso é o que importa. Impunidade.
Porque Ben Gvir não surgiu do nada. Ele é ministro. Ele tem poder institucional. Ele controla a polícia israelense. Ele passou anos defendendo medidas brutais contra a população palestina e contra detidos, desde cortes no fornecimento de água e comida nas prisões até a defesa aberta da pena de morte.
No entanto, o Ocidente continua a tratar Israel como uma democracia.
Uma democracia onde um ministro desfila seres humanos algemados como se fossem animais derrotados. Uma democracia onde navios civis são interceptados em águas internacionais. Uma democracia onde a ajuda humanitária é apresentada como uma ameaça militar. Uma democracia onde a extrema-direita racista é parte estrutural do governo.
Em seguida, surgiram as nuances diplomáticas. Netanyahu descreveu o vídeo de Ben Gvir como algo que "não está em conformidade com os valores e normas de Israel". O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, classificou-o como uma "apresentação vergonhosa".
Mas ninguém questionou a questão fundamental. Ninguém criticou o sequestro da flotilha. Ninguém falou em suspender o bloqueio a Gaza. Eles só discutem a encenação. Se era apropriado filmar tudo.
É a diferença entre violência e relações públicas.
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| Integrantes da flotilha presos por "israhell"e humilhados (maio de 2026 ) |
A Europa começa a se sentir desconfortável com o que não pode mais ser escondido.
A divulgação do vídeo provocou protestos diplomáticos da Espanha, Itália e França. O governo espanhol convocou novamente o representante diplomático israelense e descreveu o tratamento dado aos ativistas como “monstruoso, indigno e desumano”.
José Manuel Albares lembrou que entre os detidos estavam 44 espanhóis e sublinhou algo óbvio: a interceptação ocorreu em águas internacionais, onde Israel “não tem o direito de tocar em nenhum espanhol”.
Parece óbvio. Mas temos visto há meses como as coisas mais básicas e óbvias desaparecem quando se fala de Israel.
A Itália também exigiu explicações. A França convocou o embaixador israelense e classificou o tratamento como “inaceitável”. Mesmo dentro do próprio governo israelense, houve vozes preocupadas com os danos internacionais que Ben Gvir estava causando.
Danos internacionais. Isso de novo.
Não é o sofrimento em Gaza. Não são os detidos. Não é o direito internacional. O problema surge quando as imagens se tornam demasiado obscenas, mesmo para os aliados.
O ativista espanhol-palestino Saif Abukeshek, deportado após dez dias de detenção, rapidamente desmantelou a narrativa de um “incidente isolado”. Ele afirmou que Ben Gvir “representa o governo” e que o exército israelense não intercepta navios em alto-mar sem ordens políticas.
E ele tem razão.
Porque isto não é um desvio do sistema israelense. É o sistema funcionando exatamente como foi concebido: ocupação, punição coletiva, propaganda e desumanização.
Talvez o mais perigoso não seja Ben Gvir. O mais perigoso é que, após meses de genocídio transmitido ao vivo, ainda existam governos europeus fingindo surpresa cada vez que o Estado sionista de Israel mostra ao mundo o que realmente é.
Declaração do gov.br: https://www.brasil247.com/brasil/itamaraty-critica-tratamento-humilhante-e-pede-libertacao-imediata-de-brasileiros-presos-ilegalmente-por-israel
Trad/Edição: @comitecarioca21
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| Mural MST |



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