5 de jun. de 2023

DECLARAÇÃO DO DUO BUENA FE AO FINAL DA TURNÊ ESPANHOLA #Cuba

                                                                  

Palavras de Israel Rojas após o final da turnê na Espanha:

   "Foram dias difíceis. Os mais difíceis de nossa carreira. Uma campanha absurda iniciada por duas pessoas desprezíveis, com a consciência de serem desprezíveis e ampliada por pessoas e plataformas que mentem com total convicção e maldade.

    Foram dias de muitos conselhos e sugestões para voltar a Cuba e sair do olho de tal furacão midiático. Mas bem... o que fazer com as pessoas que compraram ingressos para ouvir sua música? O que fazer com os muitos que todos os dias enfrentam o ódio e as ramificações do fascismo na Europa e se oferecem para nos acompanhar?

     Obedecemos à voz de nossa consciência. Como sempre. E há feridas, é claro que há feridas. E vimos pessoas boas e nobres que nos ofenderam por serem mal informadas, por ouvirem e consumirem informações inúteis. Eu me recuso a acreditar que elas fazem isso porque gostam de causar danos. E muitos robôs e perfis falsos tentando fazer coro para harmonizar o ódio. E também tivemos perdas econômicas. É claro que tivemos.

     Nesta hora, todo o meu amor por aqueles que já são irmãos. Aqueles que levantaram suas vozes em solidariedade publicamente. Aqueles que levaram os golpes que estavam destinados a mim. Aqueles que viajaram quilômetros para ouvir uma música. Aqueles que nos deram abrigo e refúgio.

    E meu imenso, inesquecível e imperdoável desprezo por aqueles que cultivam esse ódio.

    O desafio é seguir em frente. Com as melhores músicas possíveis. Trabalhando duro como adoradores do amor e da boa fé entre os seres humanos. Criticando o que merece para a construção de um país melhor. Mas nunca sendo louvadores da derrota, da raiva e do "choro lamentado" que sabemos que não conserta nada, nem funda nada, mas faz render.

      Nunca acreditei na competição de quem leva mais pessoas a um show, porque esse é um indicador muito injusto e variável. Mas mesmo nesse campo pantanoso, ainda podemos competir. Então não quero desculpas...

     Hoje temos mais fãs na Espanha do que nunca. Hoje nossa música, especialmente o novo álbum, está sendo muito mais ouvida em Cuba e na América Latina. Esses são os números da Sandunga, de Los Lucas, do Spotify... Não sou eu que estou dizendo isso.

     Nos ofereceram uma recepção em Cuba com os protocolos que são dados aos atletas que retornam de grandes vitórias. Nos ofereceram um grande show em Havana. Nos ofereceram hospitalidade e honras. Nós, agradecidos por essa boa vibração e pela admiração que talvez provoque em alguns, essa vontade obstinada de defender a música, que é nossa maneira de defender o que para nós é Cuba. Mas dissemos que NÃO.

     Queremos chegar ao abraço de nossas mães, nossos parceiros, nossos filhos e parentes, que tanto sofreram. Não queremos alterar o programa normal de shows que foi acordado. Não queremos capitalizar esses eventos para obter ganhos pessoais. Isso não é necessário. Não fizemos nada de extraordinário. Apenas fomos nós mesmos.

   MUITO OBRIGADO A TODOS"


Tradução: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

2 de jun. de 2023

O QUE JULIAN ASSANGE ESTARÁ FAZENDO NESTE MOMENTO?

                              

    "Posso lhe dizer exatamente o que Julian está fazendo neste momento. São 3 horas da manhã em Londres. Julian está deitado em sua cela, provavelmente acordado e lutando para dormir. É lá que ele passa vinte e duas horas por dia, todos os dias. A cela de Julian tem cerca de três por dois metros. Ele usa alguns de seus livros para bloquear a corrente de ar desagradável que vem da janela nas noites frias de inverno." 

Stella Assange


                                               #FreeAssangeNOW

                             
"Este é um caso político, e é preciso uma solução política."

VISITA DO RIO DE JANEIRO À ENFF - últimas vagas

VISITA À ESCOLA NACIONAL FLORESTAN FERNANDES
Saída do Rio de Janeiro para Guararema (SP) no dia 24 de junho de 2023. Cerca de 5 a 6 horas de viagem.
Saída da Cinelândia uma hora da manhã (noite de 23 para 24);
Retorno ao mesmo local cerca de 22h do mesmo dia 24;
Chegada à ENFF para o café da manhã e mística;
Palestra, exibição de vídeo e visita às instalações da Escola;
Tema do dia: " O papel da cultura e da literatura na construção da hegemonia";
Almoço e mais atividades;
Retorno no fim da tarde, chegada à noite;
Valor: 190 reais (ônibus fretado com poltrona reclinável, ar condicionado, wc, água, etc ida e volta e refeições na Escola);
Inscrição: nome completo e número da identidade que vai portar no dia da viagem : zap (21) 98480-1284.
Quem puder, aumentar o valor para possibilitar quem não tem poder ir.
OBS: época de frio, levar agasalho, cobertor, etc
Para se inscrever: nome completo, número da identidade que vai usar no dia ( exigência da ANTT) e o pix (21) 984801284 . Enviar o comprovante pelo mesmo zap. (Carmen Diniz)


1 de jun. de 2023

PRÓXIMA PANDEMIA, QUE CUBA VACINE O MUNDO. (The Washington Post em 01/06/2023)

e e Vitor Ido*


Como a humanidade pode evitar que a próxima pandemia seja tão desastrosa como esta, na qual morreram até 15 milhões de pessoas? Na semana passada, os países da Organização Mundial da Saúde se reuniram em Genebra para começar a debater um acordo de preparação para uma pandemia. O objetivo principal é desenvolver rapidamente novas curas e vacinas e a capacidade de fornecê-las a todos no planeta.


Embora ninguém saiba ainda o que a OMS irá recomendar, é possível prever uma coisa que não irá: afrouxar as sanções dos EUA à indústria biotecnológica doméstica de Cuba, que tem os meios para desenvolver vacinas e tratamentos de ponta e compartilhá-los com países incapazes de arcar com os preços premium das empresas farmacêuticas de primeiro mundo.


Isto é um erro.


Durante a crise da covid-19, os Estados Unidos tiveram a oportunidade de compartilhar sua tecnologia de vacinas com o mundo, e seu fracasso em fazê-lo prolongou a pandemia no país e no exterior. Em junho de 2022 , um alto funcionário do governo Biden admitiu que a variante ômicron, responsável por mais de 300.000 mortes nos Estados Unidos e mais de 1,5 milhão em todo o mundo, poderia nunca ter surgido se o mundo fosse suficientemente vacinado em 2021.


O que menos se sabe é que Cuba teve a mesma oportunidade de ajudar a vacinar o mundo. A história de como Cuba foi sistematicamente bloqueada em sua busca para tornar suas próprias vacinas altamente eficazes amplamente disponíveis oferece lições cruciais.


O capítulo mais recente desta história começou no verão de 2021. A variante delta estava devastando a Índia e abrindo caminho ao redor do mundo. Novas vacinas ofereciam esperança, mas os países com menos recursos não podiam obtê-las por amor ou dinheiro. Enquanto os Estados Unidos e a Europa doaram doses, seus esforços dificilmente foram suficientes para resolver o problema global. Crucialmente, esses governos não conseguiram persuadir as empresas que haviam financiado a compartilhar as tecnologias que poderiam permitir que outros países produzissem vacinas por conta própria. Nesse cenário sombrio, foi surpreendente saber que Cuba havia feito do zero duas vacinas eficazes contra o coronavírus e depois prometeu compartilhar sua propriedade intelectual em todo o mundo.


“Percebemos que não teríamos dinheiro para comprar vacinas para o nosso povo, então tivemos que fazer as nossas próprias e em um prazo muito curto”, Rolando Pérez Rodríguez, diretor de ciência e inovação da BioCubaFarma , nos disse recentemente. Em agosto de 2021, um dos laboratórios da BioCubaFarma também produziu um reforço. Ambas demonstraram mais de 90 por cento de eficácia, a par das principais vacinas ocidentais.

O custo de desenvolvimento dessas vacinas foi de US$ 50 milhões, segundo a BioCubaFarma, bem menos do que os bilhões investidos pelo governo dos Estados Unidos e as centenas de milhões investidos pela Alemanha no deles.


John Green: Por que uma doença curável ainda mata milhões?

Notavelmente, Cuba acabou exportando quase tantas doses de vacina quanto usou em casa, abastecendo a Venezuela, México, Vietnã, Síria, Nicarágua, Bielorrússia e Irã. Mas, embora muitos países da África e do sul da Ásia também precisassem desesperadamente de vacinas, eles não aproveitaram a oferta de Cuba.


Para explicar por que não o fizeram, devemos voltar a 1962, quando entrou em vigor o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba. Desde então, as crescentes sanções, que os Estados Unidos aplicaram aplicando pressão política e financeira constante, isolaram Cuba não apenas da América, mas também efetivamente do mundo . Penas duras por violar as sanções dos EUA garantiram que as instituições e os governos rotineiramente as cumprissem em demasia.


Cuba poderia ter pedido à OMS que certificasse suas vacinas para facilitar a compra de outros países com ajuda internacional. Mas não podia se envolver com a OMS depois que o presidente Donald Trump não apenas reverteu as brandas reformas de sanções introduzidas por seu antecessor, mas também designou Cuba como um estado patrocinador do terrorismo . Isso significa que, mesmo em países onde é legal fazer transações com Cuba, poucos bancos estão dispostos a arriscar pesadas multas e sanções criminais por serem percebidos como apoiadores do terrorismo.


As relações cubano-americanas são um fio condutor político, mas os novos tempos exigem novas medidas. O mundo mudou desde 1962. O espectro que o assombra hoje não é o comunismo, mas outra emergência de saúde global. Há poucas indicações de que o governo Biden pressionará as empresas farmacêuticas dos EUA a compartilhar suas invenções médicas com o mundo. Mas o presidente Biden pode dar um passo gigantesco em direção à segurança global da saúde, revertendo as políticas draconianas do governo Trump para Cuba. Se ele fosse mais longe, permitindo novas exceções no regime de sanções dos EUA, então Cuba poderia continuar desenvolvendo – e compartilhando – vacinas e tratamentos inovadores para as doenças do mundo.


Mais de três anos depois, é óbvio que o mundo reagiu mal ao surgimento do coronavírus, que vidas foram perdidas desnecessariamente. Mas agora há tempo para se preparar para a próxima pandemia, para definir um curso rumo a uma distribuição mais equitativa de tecnologias médicas. O antigo embargo dos Estados Unidos não está prejudicando apenas Cuba. Está machucando o mundo.



*Achal Prabhala é o coordenador do projeto AccessIBSA, que faz campanha pelo acesso a medicamentos na Índia, Brasil e África do Sul. Vitor Ido é um oficial de programa no Programa de Saúde, Propriedade Intelectual e Biodiversidade no Centro Sul em Genebra.

25 de mai. de 2023

ATAQUES E AGRESSÕES CONTRA GRUPO MUSICAL CUBANO NA ESPANHA (+vídeo) #CubaPorLaPaz

                         

O GRUPO MUSICAL CUBANO BUENA FE TEM SIDO ALVO DE ATAQUES E AGRESSÕES DE CONTRA REVOLUCIONÁRIOS EM SUA TURNÊ PELA  ESPANHA. AS RESPOSTAS SÃO DO ISRAEL ROJAS, O VOCALISTA.   

Buena Fe                                                                                                                                                                                           

 "São as canções. Não nós.

Obrigado a tantos pela solidariedade e carinho. Querem que sejamos silenciados e que nossa música seja distraída por escaramuças ou pior, que permaneça ofuscada pelos mecanismos usurários da indústria cultural. 

Se você nos respeita, não contribua para o silêncio. 

Compartilhe nossas músicas. Recentes ou passadas. Temos orgulho de todas elas. Recomende-as a quem você mais gosta, a quem não as conhece. 

Podemos desaparecer amanhã. Mas que a música não morra. Que ela sobreviva nos corações daqueles que precisam dela. "

#moradabuenafe #CubaEsCultura #PuentesDeAmor

                               


                             


 Buena Fe 

Son las canciones. No nosotros.

Gracias a tantos por la solidaridad y el cariño. Nos quieren silenciar y que nuestro canto se distraiga en escaramuzas o peor, que siga ensombrecido por los mecanismos usureros de la industria cultural. 

Si usted nos respeta, no contribuya al silencio. 

Comparta nuestras canciones. Las recientes o pasadas. De todas estamos orgullosos. Recomiéndela a que más le guste, a quien no la conozca. 

Podemos desaparecer mañana mismo. Pero que no muera la música. Que sobreviva en el corazón de quien la necesite. 

#moradabuenafe #CubaEsCultura #PuentesDeAmor

Mais : https://fb.watch/kL6_FLTtc2/


23 de mai. de 2023

CUBA: A DÍVIDA MORAL DE BIDEN #Iroel

                                    

Atilio Borón 

    Escrevo estas linhas motivado pela dor que causou a tantos de nós o desaparecimento físico prematuro do intelectual, jornalista, guerreiro da informática e revolucionário cubano Iroel Sánchez Espinosa (foto) . O que segue é parte de uma conversa que tive com ele durante minha última visita a Cuba, em fevereiro deste ano. Conversamos sobre muitas coisas, é claro, mas não poderíamos deixar de falar sobre a política criminosa de Washington em relação a Cuba: o bloqueio econômico , comercial, financeiro, midiático; a perseguição ou chantagem de intelectuais, artistas ou figuras públicas e celebridades cubanas; o fenomenal cyberbullying desencadeado por várias fábricas de trolls de Miami; as dezenas de notícias falsas divulgadas diariamente para semear desânimo, confusão e raiva na população submetida aos duros rigores do bloqueio abrangente decretado pela Casa Branca há mais de sessenta anos. 

   Falamos também da hipocrisia e da cumplicidade das potências "democráticas" europeias, dessas decadentes ex-metrópoles coloniais hoje convertidas em submissos e indignos protetorados estadunidenses e muitas outras coisas. Recordando aquela longa e última conversa com Iroel esta manhã, senti que poderia processar melhor o luto causado por sua morte escrevendo minhas memórias daquele diálogo, como uma modesta homenagem à sua memória.

     Nessa conversa concluímos que o presidente Joe Biden deveria retirar Cuba sem demora da lista de países que patrocinam o terrorismo, uma decisão desonesta de seu antecessor, Donald Trump. Uma resolução infame, se é que existe, porque se algo caracterizou Cuba, é precisamente ter sido vítima do terrorismo promovido pela máfia anticastrista e colonialista entrincheirada em Miami, com seus personagens sombrios como Luis Posada Carriles, Orlando Bosch Ávilae seus capangas, todos gozando da proteção do FBI e da CIA atestados pelas mais diversas fontes oficiais dos Estados Unidos. E Cuba continua até hoje vítima de outro tipo de terrorismo, do qual pouco se fala, mas não menos criminoso por isso: o terrorismo econômico que se expressa no bloqueio abrangente imposto desde o início dos anos 1960 pelos Estados Unidos contra a Ilha rebelde em violação aberta dos direitos humanos e da Carta das Nações Unidas. O terrorismo das "sanções econômicas unilaterais" às quais às vezes se refere apelando a um eufemismo como a palavra "embargo" para não ter que usar o termo correspondente: bloqueio.

      Terrorismo, dizemos, porque segundo Richard Nephew-um dos teóricos e proponentes desta política e assessor por longos anos no Departamento de Estado- trata-se de infligir cirurgicamente o maior sofrimento possível às pessoas sancionadas de forma a provocar uma insurreição contra os governos que  não são do agrado de  Washington. Seu livro é intitulado por isso mesmo  "The Art of Sanctions" (Columbia University Press, 2018) e essa "arte" deve ser sublinhada: a arte de fazer o mal, de ferir, de causar sofrimento e, finalmente, de matar. Seu livro e seus conselhos  são o equivalente nesta época aos golpes suaves e legais ao que foram os manuais que a CIA distribuiu por toda a América Latina na década de 1970, instruindo os militares da região sobre as técnicas mais cruéis para torturar seus detidos e obter deles a tão almejada confissão .

    Apesar de tantas difamações e ataques fomentados pelo desejo doentio de Washington de tomar Cuba, Cuba tem o prestígio moral que falta aos Estados Unidos, responsáveis por tantos crimes e atentados terroristas nos cinco continentes. Basta citar apenas uma: o lançamento de duas bombas atômicas sobre as indefesas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki reduzindo instantaneamente a cinzas cerca de cento e dez mil pessoas e, segundo afirma o Boletim dos Cientistas Atômicos dos Estados Unidos , condenando muitos outros à morte nos anos seguintes, devido às consequências a longo prazo da radiação nuclear mortal.Por sua exemplaridade moral e sua incomparável solidariedade internacional, Cuba foi, junto com a Noruega, a fiadora das negociações de paz entre as FARC e o governo colombiano, e ainda hoje é fiadora das negociações entre Bogotá e a guerrilha do ELN. Retirar Cuba dessa lista infame, que agrava ainda mais o sofrimento que o bloqueio causa ao seu povo, é um ato de estrita justiça e integridade moral.

     É por isso que concluímos com Iroel que o presidente Biden, que constantemente pede a Deus que o ilumine nas difíceis decisões que tem que tomar diariamente, deveria hoje retirar Cuba de sua injusta inclusão em uma lista tão ignominiosa.


https://www.pagina12.com.ar/551315-la-deuda-moral-de-biden?ampOptimize=1

Tradução/edição: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba                                 


15 de mai. de 2023

"JORNALISMO NÃO É CRIME" diz Biden - a não ser para o Assange #FreeAssangeNOW

                       

Julian Assange,  imperdoável para o império

       A sentença virtual de Washington contra o jornalista australiano perseguido há mais de uma década por expor a roupa suja do mundo passou quase despercebida.

      O fato foi relatado por Patrick Martin no portal WSWS: "Jornalismo não é crime", diz Joseph Biden, exceto para Julian Assange.

     Esse é o título da reportagem do jornalista sobre o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, "uma ocasião para a elite da mídia e os principais políticos de Washington conversarem e declararem sua solidariedade uns com os outros".

   Ele diz que o encontro tradicional muitas vezes se refere à defesa da Primeira Emenda, que estabelece a liberdade de imprensa, "embora essa disposição constitucional tenha sido sistematicamente pisoteada por administração após administração no interesse do imperialismo dos EUA".

   E acrescenta: "A espionagem ilegal do governo, a violência policial e a violação de preceitos democráticos básicos, como a separação entre igreja e estado, são práticas cotidianas nos Estados Unidos, e a mídia corporativa geralmente as ignora em silêncio, desde que seus próprios interesses financeiros não sejam prejudicados".

    Críticas severas a realidades que são bem conhecidas, mas ignoradas quando se trata de proteger os pilares sacrossantos do sistema ao qual elas respondem.

    Martin relata que na noite do último sábado, no jantar anual, o presidente Biden e a elite política e da mídia reunida "fingiram defender a liberdade de imprensa, mas apenas quando ela atende aos interesses da política externa do imperialismo dos EUA".

   O repórter observa que a maioria das aparições presidenciais no jantar - que contou com a presença de todos os presidentes nos últimos anos, exceto Donald Trump - "foi caracterizada por comentários zombando do público, dos oponentes e críticos políticos do presidente e do próprio presidente".

    Biden dedicou a maior parte de seu discurso a uma longa declaração de sua oposição à repressão a jornalistas na Rússia, China, Irã, Síria e Venezuela, e prometeu dedicar esforços diplomáticos dos EUA para garantir a libertação do repórter do Wall Street Journal Evan Gershkovich, recentemente detido na Rússia sob acusações de espionagem, e de outros estadunidenses.

            A primeira emenda à Contituição dos EUA : 



O Congresso não fará nenhuma lei a respeito da organização de uma religião ou que proíba seu livre exercício; ou que restrinja a liberdade de expressão ou de imprensa; ou o direito do povo de se reunir pacificamente e de apresentar petições ao governo para a reparação de queixas.

     Martin observa que houve uma sobreposição óbvia entre "a lista de países culpados de violar a liberdade de imprensa e a lista de países visados pelo imperialismo dos EUA para suas operações de subversão e mudança de regime".

    O caso mais flagrante de dois pesos e duas medidas foi um que implica diretamente o governo Biden: a perseguição a Julian Assange: "três minutos depois de seu discurso nas comemorações..., Biden declarou: "O jornalismo não é um crime". A formulação parecia uma reformulação perversa de uma declaração emitida por meia dúzia dos principais jornais do mundo, incluindo o New York Times, em dezembro passado, quando pediram ao governo Biden que retirasse as acusações contra Assange porque "publicar não é um crime".

     Martin observa que, em sua cobertura do jantar dos correspondentes, "nem o Times, nem o Washington Post, nem qualquer outra publicação 'mainstream' fez qualquer menção a Assange ou à contradição entre a declaração de fidelidade de Biden à Primeira Emenda e a pressão contínua de seu governo para extraditar e prender Assange. Nenhum correspondente ou executivo de mídia, a maioria dos participantes do jantar, tentou levantar a questão".

    Lembre-se de que sete membros democratas do Congresso, incluindo todos os cinco membros do Democratic Socialists of America (DSA), enviaram recentemente uma carta ao procurador-geral Merrick Garland, pedindo que ele desistisse da acusação contra Assange. Nenhum desses representantes tentou levantar a questão no jantar dos correspondentes, que ocorreu apenas quatro dias antes do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (designado pelas Nações Unidas).

   O relatório continua: "Mais tarde, em seu discurso, Biden elogiou a imprensa, declarando: "Vocês possibilitam que cidadãos comuns questionem a autoridade. Na realidade, a mídia corporativa dos EUA abandonou até mesmo um compromisso simbólico com essa postura de oposição ao governo dos EUA".

    Afirma que "o Times, que define a agenda para a cobertura diária na mídia dos EUA, é pouco mais do que um adjunto da CIA e do Pentágono em questões de segurança nacional, especialmente a guerra na Ucrânia".

    Detalha essa publicação observando que, quando o aviador da Guarda Nacional e especialista em informática Jack Teixeira publicou documentos secretos do Pentágono na Internet, a mídia "o localizou e publicou seu nome, permitindo que o FBI interviesse e prendesse o soldado de 21 anos poucas horas depois".

    Os elogios de Biden à mídia dos EUA e sua declaração de devoção à Primeira Emenda foram seguidos por uma série de piadas óbvias e banais, em grande parte às custas da Fox News, bem como algumas referências à sua idade avançada, como se esse fosse o único problema que impedisse sua campanha de reeleição.

    Ele não fez nenhuma menção à guerra na Ucrânia, que todos os dias ameaça se transformar em um intercâmbio nuclear entre os EUA e a Rússia, ou à pandemia da COVID, que continua sendo uma ameaça mortal para a população mundial.

 

https://cubaenresumen.org/2023/05/13/julian-assange-imperdonable-para-el-imperio-2/

Tradução/edição : Carmen Diniz p/ Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos - Capítulo Brasil