29 de mar. de 2025

SOBRE A DESMONTAGEM FORÇADA DA URSS

                                     

Desmantelamento a partir de dentro. Não é preciso dizer que Fidel Castro sabia disso quando proferiu seu discurso na Aula Magna da Universidade de Havana em 17 de novembro de 2005.

O texto reproduzido aqui foi publicado por Luis Fidel Escalante em seu mural do Facebook. 


A imagem que nunca vimos: o referendo esquecido sobre a continuidade da URSS

Em 17 de março de 1991, os cidadãos da União Soviética foram convocados para um referendo para decidir o destino de seu país. A pergunta era clara: “Você considera necessário preservar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas como uma federação renovada de repúblicas soberanas iguais em direitos, na qual os direitos e as liberdades de todas as nacionalidades são totalmente garantidos?”. Apesar da crise política e econômica na URSS, a resposta do povo foi esmagadora: 78% dos eleitores apoiaram a continuidade do Estado soviético.

Entretanto, esse resultado democrático foi ignorado pelas elites governantes. Em seis das quinze repúblicas soviéticas - Estônia, Letônia, Lituânia, Moldávia, Geórgia e Armênia - o referendo nem sequer foi realizado, pois seus líderes já haviam tomado a decisão unilateral de se separar. Nas nove repúblicas restantes, o comparecimento foi muito alto, refletindo o desejo da população de manter a União Soviética. Apesar dessa demonstração de vontade popular, menos de um ano depois, a URSS foi desmantelada em um processo que não contou com o consentimento do povo, mas com a cumplicidade de seus líderes.

Um processo de sabotagem interna e a traição das elites

Desde a morte de Stalin, em 1953, a liderança soviética foi ocupada por figuras que, longe de fortalecer o projeto socialista, começaram a minar suas bases. Nikita Khrushchev iniciou uma política de desestabilização interna com suas reformas caóticas e sua aproximação com o Ocidente. Leonid Brezhnev permitiu a consolidação de uma burocracia corrupta e passiva. Por fim, Mikhail Gorbachev e Boris Yeltsin foram os executores finais do colapso, destruindo as estruturas de poder soviéticas por dentro em estreita colaboração com os interesses dos Estados Unidos e de seus aliados.

O referendo de 1991 expôs uma realidade incômoda para os defensores da narrativa oficial do colapso da URSS: o povo soviético não queria a dissolução do país. Entretanto, a narrativa dominante no Ocidente apresenta esse processo como a “libertação” do povo soviético do “domínio comunista”, quando na verdade foi uma imposição de cima para baixo, executada por uma elite política que ignorou deliberadamente a vontade do povo.

A tradição ocidental de ignorar a vontade do povo

A União Soviética não é um caso isolado. Ao longo da história, os governos ocidentais demonstraram uma tendência sistemática de desconsiderar a vontade das maiorias quando ela não favorece seus interesses. De referendos ignorados na União Europeia a golpes patrocinados na América Latina, a democracia parece ser um valor negociável quando os resultados não favorecem os que estão no poder.

A dissolução da URSS não foi uma consequência natural do desejo popular, mas o resultado de um processo de sabotagem interna e pressão externa. A história oficial tenta nos convencer de que os cidadãos soviéticos queriam o colapso de seu processo, mas os fatos provam o contrário. A imagem que nunca vimos foi a de milhões de soviéticos votando pela continuação de seu processo, uma imagem que não se encaixava na narrativa construída pelo Ocidente e seus aliados internos.

Facebook  de LuisToledo Sande , gracias

@comitecarioca21

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