Desmantelamento
a partir de dentro. Não é preciso dizer que Fidel Castro sabia disso quando
proferiu seu discurso na Aula Magna da Universidade de Havana em 17 de novembro
de 2005.
O texto reproduzido aqui foi publicado por Luis Fidel Escalante em seu mural do Facebook.
A
imagem que nunca vimos: o referendo esquecido sobre a continuidade da URSS
Em
17 de março de 1991, os cidadãos da União Soviética foram convocados para um
referendo para decidir o destino de seu país. A pergunta era clara: “Você
considera necessário preservar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
como uma federação renovada de repúblicas soberanas iguais em direitos, na qual
os direitos e as liberdades de todas as nacionalidades são totalmente
garantidos?”. Apesar da crise política e econômica na URSS, a resposta do povo
foi esmagadora: 78% dos eleitores apoiaram a continuidade do Estado soviético.
Entretanto,
esse resultado democrático foi ignorado pelas elites governantes. Em seis das
quinze repúblicas soviéticas - Estônia, Letônia, Lituânia, Moldávia, Geórgia e
Armênia - o referendo nem sequer foi realizado, pois seus líderes já haviam
tomado a decisão unilateral de se separar. Nas nove repúblicas restantes, o
comparecimento foi muito alto, refletindo o desejo da população de manter a
União Soviética. Apesar dessa demonstração de vontade popular, menos de um ano
depois, a URSS foi desmantelada em um processo que não contou com o
consentimento do povo, mas com a cumplicidade de seus líderes.
Um
processo de sabotagem interna e a traição das elites
Desde
a morte de Stalin, em 1953, a liderança soviética foi ocupada por figuras que,
longe de fortalecer o projeto socialista, começaram a minar suas bases. Nikita
Khrushchev iniciou uma política de desestabilização interna com suas reformas
caóticas e sua aproximação com o Ocidente. Leonid Brezhnev permitiu a
consolidação de uma burocracia corrupta e passiva. Por fim, Mikhail Gorbachev e
Boris Yeltsin foram os executores finais do colapso, destruindo as estruturas
de poder soviéticas por dentro em estreita colaboração com os interesses dos
Estados Unidos e de seus aliados.
O
referendo de 1991 expôs uma realidade incômoda para os defensores da narrativa
oficial do colapso da URSS: o povo soviético não queria a dissolução do país.
Entretanto, a narrativa dominante no Ocidente apresenta esse processo como a
“libertação” do povo soviético do “domínio comunista”, quando na verdade foi
uma imposição de cima para baixo, executada por uma elite política que ignorou
deliberadamente a vontade do povo.
A
tradição ocidental de ignorar a vontade do povo
A
União Soviética não é um caso isolado. Ao longo da história, os governos
ocidentais demonstraram uma tendência sistemática de desconsiderar a vontade
das maiorias quando ela não favorece seus interesses. De referendos ignorados
na União Europeia a golpes patrocinados na América Latina, a democracia parece
ser um valor negociável quando os resultados não favorecem os que estão no
poder.
A dissolução da URSS não foi uma consequência natural do desejo popular, mas o resultado de um processo de sabotagem interna e pressão externa. A história oficial tenta nos convencer de que os cidadãos soviéticos queriam o colapso de seu processo, mas os fatos provam o contrário. A imagem que nunca vimos foi a de milhões de soviéticos votando pela continuação de seu processo, uma imagem que não se encaixava na narrativa construída pelo Ocidente e seus aliados internos.
Facebook de LuisToledo Sande , gracias
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