11 de jan. de 2026

EXPLIQUEM A TRUMP QUE CUBA NÃO SE ALIMENTA DE MEDO.

Foto: Yaimi Ravelo 

Expliquem a Trump que Cuba não se alimenta de medo.

Por Hedelberto López Blanch*

     O desespero em compreender que o império estadunidense está em declínio devido ao surgimento de um mundo multipolar, à perda do dólar como principal moeda de reserva internacional e à crise econômica que paira como a espada de Dâmocles sobre Washington, alimentaram a arrogância e a periculosidade do presidente condenado Donald Trump e seus assessores.

      Desde que chegou à Casa Branca, a cópia estadunidense de Adolf Hitler pressionou para assumir o controle do Canal do Panamá; bombardeou a Venezuela e sequestrou ilegalmente o presidente Nicolás Maduro para roubar seu petróleo; ameaçou invadir e tomar a Groenlândia para coagir militarmente a Rússia; afirmou que transformaria o Canadá no 51º estado dos Estados Unidos e ameaçou subjugar Cuba caso não cedesse à sua chantagem.

    Parece que o Hitler americano do século XXI desconhece a história da independência de muitos países, e especificamente de Cuba, cujos Mambises** lutaram bravamente contra o colonialismo espanhol; mais tarde, os rebeldes liderados por Fidel Castro derrubaram a ditadura de Fulgencio Batista imposta por Washington; em 1961, derrotaram a invasão militar organizada pelos Estados Unidos nas areias da Praia Girón, e durante 67 anos, seu povo e seus líderes enfrentaram o mais longo bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelas diversas administrações ianque.

     Trump desconhece o discurso de Fidel Castro na Praça da Revolução em 20 de dezembro de 1980, quando ele respondeu às ameaças do então presidente Ronald Reagan:

"Deixamos bem claro ao Sr. Reagan que não temos medo de suas ameaças, porque, é claro, há algo que não gostamos, e não gostamos de ser ameaçados; não gostamos de ser intimidados, não gostamos disso. Além disso, nosso povo há muito tempo perdeu o conceito de medo; nosso povo há muito tempo perdeu a ideia do que é o medo", declarou ele.                 


    Agora, nos primeiros dias de janeiro, após o ataque à Venezuela, Trump intensificou suas ameaças contra Cuba. A mais recente veio no domingo, 11 de janeiro, quando ele disse: “Não haverá mais petróleo nem mais dinheiro para Cuba. Zero! Eu insisto para que vocês façam um acordo antes que seja tarde demais”. E então, como de costume, acrescentou uma série de mentiras contra o governo cubano.

     O presidente Miguel Díaz-Canel, em sua conta no Twitter, refutou imediatamente o presidente condenado e declarou: Trump “não tem autoridade moral para apontar o dedo para Cuba em nada, absolutamente nada, aqueles que transformam tudo em negócio, até mesmo vidas humanas. Aqueles que hoje estão histericamente descarregando sua raiva contra nossa nação o fazem por indignação com a decisão soberana deste povo de escolher seu modelo político”, afirmou.

   Díaz-Canel reiterou que "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém dita o que fazemos. Cuba não ataca; tem sido atacada pelos Estados Unidos há 67 anos, e não ameaça; prepara-se, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue."

    Por sua vez, o Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, em mensagem divulgada no X, reafirmou: "Ao contrário dos Estados Unidos, não temos um governo que se preste a atividades mercenárias, chantagem ou coerção militar contra outros Estados."

    Washington, acrescentou ele, comporta-se como "uma potência hegemônica criminosa e descontrolada que ameaça a paz e a segurança, não só em Cuba e neste hemisfério, mas em todo o mundo".

    Ele também enfatizou que o país tem o direito absoluto de importar combustível de mercados dispostos a exportá-lo, bem como de exercer seu direito de desenvolver suas relações comerciais sem interferência ou subordinação a medidas coercitivas unilaterais dos Estados Unidos.

     Por todas essas razões, os assessores precisam explicar a Trump que Cuba não se alimenta de medo!

(*) Jornalista cubano. Escreve para o jornal Juventud Rebelde e para o semanário Opciones. É autor de “Emigração Cubana para os Estados Unidos”, “Histórias Secretas de Médicos Cubanos na África” e “Miami, Dinheiro Sujo”, entre outros. 

https://cubaenresumen.org/2026/01/11/expliquenle-a-trump-que-cuba-no-come-miedo/

 @comitecarioca

NT: ** mambises: guerrilheiros cubanos que lutaram no século XIX pela independência de suas nações contra o domínio colonial espanhol. 

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