13 de mar. de 2025

O apoio de Cuba a Angola está escrito em letras douradas.

                                           

Entrevista com a embaixadora da República de Angola em Cuba, Maria Cândida Teixeira

Por ocasião do encerramento de sua missão em Cuba, a Embaixadora da República de Angola, Maria Cândida Teixeira, prestou declarações nas quais destacou que se trata de uma experiência excepcional, que lhe permite contribuir para o fortalecimento contínuo das relações bilaterais, uma parceria que remonta à década de 1960, forjada na luta comum pela liberdade, autodeterminação e soberania de ambos os países.


Como você vê seu trabalho em Cuba ao longo dos anos?

— Maria Cândida. - Cuba foi o país onde comecei minha carreira diplomática, como embaixadora, e para este momento em particular, uso um velho ditado que diz o seguinte. “O melhor espetáculo é sempre visto no final.”

Minha acreditação como embaixadora de Angola em Cuba, há quatro anos, catapultou o auge da minha carreira diplomática, e por isso me sinto lisonjeada. Considero-me uma cidadã afortunada, porque não poderia ter sido diferente, iniciando minhas funções nas terras de José Martí e do eterno Comandante Fidel Castro, que considero minha segunda pátria.

Em 11 de novembro, nosso país comemora o 50º aniversário da Proclamação da Independência.

Sob o lema “Angola: 50 anos preservando e valorizando suas conquistas, construindo um futuro”, celebramos esta independência, conquistada a ferro e fogo, e com o sangue derramado por nossos heróis.

Agradecemos o apoio e a união de todos os países comprometidos com a paz, a justiça e a liberdade, especialmente os países africanos que nos acolheram no exílio, como Argélia, Marrocos, Senegal, Tanzânia, Zâmbia, República Democrática do Congo, Congo, Guiné-Bissau e Guiné-Conacri, oferecendo-nos apoio substancial para que nossas ações de guerrilha em Angola contra o regime colonial português pudessem prosperar. Da Rússia, recebemos apoio decisivo com armas, conselhos e treinamento militar.

 

Como você avalia as relações entre as duas nações? 

— Maria Cândida. - Cuba e Angola têm os laços mais profundos, indeléveis e profundos, que derivam não só de razões históricas e culturais (a chegada de muitos escravos à ilha), mas também do fato de que, nos momentos mais críticos da história de Angola, Cuba enviou seu maior patrimônio, seus filhos, para a pátria angolana, que lutaram ombro a ombro com os angolanos pela conquista da independência e pela manutenção de nossa soberania.

A famosa Batalha de Cuíto Cuanavale é o exemplo mais vívido, onde a Namíbia e a África do Sul estão incluídas neste grande épico.

No âmbito das nossas excelentes relações políticas, econômicas e culturais, tanto no plano bilateral como multilateral, foram realizadas trocas de visitas de alto nível entre ambas as nações, como a participação do Presidente João Lourenço na reunião do G77+China em Cuba e a visita do Presidente Díaz-Canel-Bermúdez a Angola em 2023. Isso demonstrou a importância atribuída às relações bilaterais e nos permitiu reafirmar a fraternidade e as perspectivas futuras.

O apoio de Cuba a Angola, desde os primeiros anos da nossa independência, está escrito em letras de ouro na história das nossas nações.

A presença de milhares de combatentes internacionalistas cubanos que derramaram seu sangue em solo angolano não foi apenas um símbolo de solidariedade, mas também um ato de coragem, bravura e comprometimento que jamais será esquecido pelo nosso povo.

 

Essas relações foram consolidadas durante sua estadia?

—Maria Cândida. - Em tempos mais recentes, nossas relações se fortaleceram e se diversificaram, abrangendo áreas como saúde, educação, defesa, ciência e tecnologia, agricultura, cultura e desenvolvimento econômico.

No setor da saúde, os médicos cubanos têm desempenhado um papel fundamental em Angola, especialmente nas áreas mais remotas, ajudando a melhorar a qualidade de vida da população. Ao mesmo tempo, centenas de jovens angolanos continuam a se beneficiar de uma excelente formação em instituições de ensino superior cubanas.

Em defesa e segurança, a cooperação tem sido essencial para manter a paz e a estabilidade em Angola, a soberania nacional e a segurança regional.

Economicamente, a recente intensificação de parcerias no setor agrícola e no desenvolvimento de infraestrutura demonstra o dinamismo dessas relações e o potencial que ainda temos a explorar, promovendo o desenvolvimento conjunto e sustentável.

 

Você conseguiu fortalecer as relações de Angola na América Latina?

Como embaixadora não residente, tive a oportunidade de, a partir de Cuba, fortalecer as relações com o Panamá, a Costa Rica, a República Dominicana, a Nicarágua, a Guatemala, El Salvador e o Caribe. Cada uma dessas nações desempenha um papel importante no fortalecimento da cooperação Sul-Sul e no desenvolvimento regional. Construí pontes importantes entre Angola e esses países, promovendo o intercâmbio econômico e cultural, bem como experiências e conhecimentos em áreas de interesse comum, o que acredito que terá um impacto positivo no futuro das nossas relações.

A República de Angola assumiu a Presidência da União Africana em fevereiro. Um dos objetivos é a mediação contínua nos conflitos regionais que continuam a assolar nosso continente, particularmente entre a República Democrática do Congo e Ruanda, que causaram vítimas inocentes e destruíram infraestruturas importantes.

 

Que mensagem você deixa para os cubanos após sua nova missão?

— Maria Cândida. - Aos meus irmãos e irmãs cubanos, reafirmo minha gratidão à pátria de Fidel por me permitir fazer parte desta história, por ter me dado uma calorosa acolhida e por tornar esta missão inesquecível. Despeço-me com o coração cheio de gratidão e a promessa de que, da França, como representante do meu país na UNESCO, continuarei defendendo e promovendo a amizade entre nossos países, certa de que nossas relações continuarão.

Ao me despedir, levo comigo lembranças preciosas e a certeza de que o trabalho que comecei continuará crescendo e dando frutos. Angola e Cuba partilham valores de solidariedade, respeito e progresso comum, que servirão de base para o fortalecimento contínuo das nossas relações bilaterais e multilaterais, sempre pautadas pelo objetivo de construir sociedades mais justas, prósperas e solidárias.

 

Hedelberto López Blanch, jornalista, escritor e pesquisador cubano, especialista em política internacional.

 https://www.resumenlatinoamericano.org/2025/03/12/cuba-el-apoyo-de-cuba-a-angola-esta-escrito-con-letras-de-oro/

@Tradução: @comitecarioca21 


EUA SANCIONAM PAÍSES COM BRIGADAS MÉDICAS CUBANAS.

                 

Médica cubana Miriela León Sierra atende a adolescente brasileira na Paraíba. Autoría de Araquém Alcântara.

Cubainformación.- O Secretário de Estado dos Estados Unidos “Marco Rubio anuncia uma política de restrição de vistos para aqueles que exploram os trabalhadores cubanos”, lemos no El País, um jornal espanhol que se tornou um verdadeiro libelo de propaganda contra Cuba.

O artigo é assinado por Carla Gloria Colomé, uma cubana que trabalhou durante anos em Havana na chamada “imprensa independente”, tão independente que seu salário era pago pelo governo dos EUA por meio de seus fundos para a “democracia em Cuba”.

A manchete diz tudo: “vistos para aqueles que exploram os trabalhadores cubanos”. Não “de acordo com os EUA”, “de acordo com Marco Rubio”, não, não. O jornal afirma e endossa a narrativa falsa e mentirosa do Departamento de Estado contra a cooperação médica cubana em centenas de países do Sul Global. E também endossa seus métodos: chantagem mafiosa, intimidação de governos que assinaram acordos de saúde com Cuba e cujas populações são atendidas por profissionais de saúde cubanos. Porque o que agora foi aprovado por esse monstro moral chamado Marco Rubio (o arquiteto das 243 sanções impostas contra Cuba no primeiro governo Trump e agora Secretário de Estado) consiste em negar a entrada nos EUA não apenas aos representantes do Ministério da Saúde cubano, uma medida que realmente tem pouco impacto, mas também aos funcionários dos países que recebem a cooperação médica cubana que assinaram esses acordos, bem como suas famílias. Não se pode ser mais perverso do que isso.

E qual é o objetivo, além de desacreditar o exemplo da cooperação cubana em todo o mundo? Acabar com os recursos que a Ilha obtém para manter seu sistema interno de saúde, já que alguns países proporcionam certas receitas que sustentam o orçamento da saúde pública cubana. Em outras palavras: que a situação crítica da Ilha se torne dramática e caótica. Marco Rubio e seus capangas, suas ONGs colaboradoras, nada mais são do que carrascos do povo cubano. Eles são os verdadeiros inimigos de uma guerra econômica implacável. E é assim que eles devem ser tratados.

Por outro lado, o governo dos Estados Unidos acaba de desferir um novo golpe contra os emigrantes cubanos ao congelar todos os procedimentos de solicitação de residência permanente para aqueles que entraram por três canais: a liberdade condicional humanitária, a liberdade condicional para ucranianos e a liberdade condicional de reunificação familiar. O que afeta os emigrantes cubanos é fundamentalmente o primeiro, o Humanitarian Parole. Ela foi criada por Joe Biden para que os migrantes de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela, se obtivessem um “patrocinador financeiro”, pudessem obter um período de dois anos de residência legal nos EUA. Um total de 530.000 pessoas foram beneficiadas, incluindo mais de 110.000 cubanos. E, nesse caso (o cubano), com um privilégio adicional: com a Lei de Ajuste Cubano de 1966, após um ano de permanência, eles poderiam obter residência permanente (Green Card). Mas o que aconteceu? Agora tudo está paralisado, eles se encontram em um limbo jurídico e com a possibilidade real de deportação. O que os trumpistas (anti)cubanos da Flórida dizem agora? Eles vão continuar dizendo que defendem seu povo? Seu grande líder lhes deu um bom chute no traseiro.

Também analisamos a manipulação da “imprensa independente cubana” (paga pelo governo dos EUA) sobre a holding estatal cubana GAESA.

Também nos aprofundamos no vasto programa de promoção da energia solar fotovoltaica, que será a solução para a grave crise de eletricidade de Cuba. O primeiro dos 92 grandes parques a serem instalados no país já está em operação, com apoio e financiamento da China.

E vamos rir um pouco do último absurdo ocorrido na cidade de Rivas-Vaciamadrid, na Comunidade de Madri. Lá, o Partido Popular (PP), por meio de sua porta-voz municipal, a cidadã nascida em Havana (por pura coincidência) Janette Novo, pediu a “supressão de todos os acordos com a China”. Ela solicitou “a supressão de todos os acordos de colaboração assinados com entidades (ONGs) que desenvolvem seus projetos em um país que aplica a pena de morte, como é o caso de Cuba”. É assim que o infame verme pensa e age. Em Miami ou em Madri. Procura impedir que a ajuda humanitária ou de cooperação chegue ao povo cubano, apoiando assim o bloqueio econômico e a asfixia do país onde nasceu. Mas o que é terrivelmente contraditório é que o Novo menciona a pena de morte em todo esse caso, sem que isso seja relevante ou tenha a menor conexão com uma questão como a cooperação para o desenvolvimento. Isso levanta várias questões: primeiro, será que o PP vai propor o rompimento de todas as relações ou acordos políticos com os EUA, onde não só existe a pena de morte, mas onde ela é aplicada sem piedade; segundo, será que o PP sabia que em Cuba existe uma moratória e que, há 23 anos, a pena de morte não é aplicada nem uma vez sequer; e terceiro, será que a direita vai propor o cancelamento de todos os projetos de cooperação em países africanos onde a pena de morte também existe em seus códigos penais?

Por fim, analisamos a posição do atual governo dos EUA sobre a questão da Ucrânia, algo que está causando curtos-circuitos agudos nos cérebros dos odiadores anticubanos de Trump em Miami. Eles não disseram que Cuba deveria ser (ainda mais) sancionada por se abster e não condenar a “invasão” russa do Donbass nas Nações Unidas? Bem, os EUA acabaram de votar “não”, juntamente com a Rússia, a Coreia do Norte, a Bielorrússia e a Nicarágua, à última proposta da Ucrânia sobre o assunto. Sofra, sofra, isso está apenas começando.


https://www.cubainformacion.tv/especiales/20250227/114291/114291-eeuu-sanciona-a-paises-con-brigadas-medicas-cubanas

Tradução: @comitecarioca21 

10 de mar. de 2025

El Toque demite metade de seus funcionários e dezenas de colaboradores, após congelamento de fundos pela Casa Branca: assim funciona um "meio de comunicação cubano independente"

                               

Cubainformacion - Em recente carta aos seus seguidores, também publicada em seu site , o meio de comunicação digital “El Toque” expôs ainda mais o que já era conhecido: sua dependência econômica de fundos do Governo dos Estados Unidos, destinados à desestabilização e ingerência política em Cuba. Sob o título "Apoie sua mídia independente favorita, é urgente", o canal tenta se apresentar como uma voz autônoma e crítica, ao mesmo tempo em que reconhece abertamente que sua sobrevivência depende de recursos financeiros canalizados por meio de programas dos EUA projetados para minar a soberania da ilha.

No texto, El Toque faz um apelo desesperado aos seus leitores para que contribuam financeiramente para seu apoio, argumentando que é um "meio de comunicação independente ". No entanto, o que não menciona com absoluta clareza é que grande parte de seu financiamento vem de entidades como a USAID e a NED (National Endowment for Democracy), organizações paragovernamentais dos EUA que historicamente serviram como ferramentas da política externa dos EUA para promover mudanças de regime em países que não se alinham com seus interesses.

El Toque, ao anunciar que demitirá metade de sua equipe (15 pessoas) e cancelará "dezenas de contratos temporários" com freelancers , após o congelamento de fundos da USAID do governo dos EUA, afirma não ter "nenhum contrato com a USAID". Isso demonstra o método preferido de financiamento para esses meios de comunicação e organizações "dissidentes" cubanas: a triangulação de subsídios da Casa Branca por meio de organizações de fachada ou intermediárias localizadas em Miami, Madri, Praga, Lima etc.

                                                  

Sempre lembrando. El  toque está aí... (NT)

Este tipo de financiamento não é neutro. Está diretamente ligado aos objetivos de Washington de desestabilizar Cuba, promover desinformação e fomentar um clima de descontentamento social, acompanhando e justificando a criminosa guerra econômica da Casa Branca contra o povo cubano. El Toque, longe de ser um meio de comunicação independente, torna-se assim mais um instrumento da guerra não convencional que os Estados Unidos travam contra Cuba há décadas. Uma de suas principais linhas, nesse sentido, é a manipulação da taxa de câmbio do mercado informal em Cuba, o que impacta na inflação, um dos problemas essenciais sofridos pelo povo cubano.

A hipocrisia do El Toque está na tentativa de se apresentar como um espaço plural e crítico, enquanto esconde sua verdadeira natureza: a de um meio de comunicação que serve aos interesses de uma potência estrangeira que busca impor sua agenda na Ilha. Seu apelo por "independência" é, na realidade, uma fachada para encobrir seu papel como veículo de propaganda e desestabilização.

Em Cuba, onde o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos causou enorme sofrimento ao povo, é especialmente cínico que um meio de comunicação se apresente como "independente" enquanto recebe financiamento daqueles que elaboraram e mantiveram essa política de asfixia econômica. A verdadeira independência jornalística não pode coexistir com a dependência de fundos destinados à interferência política.

Cuba não precisa de uma mídia que sirva aos interesses de Washington. Precisa de vozes autênticas, comprometidas com a verdade e com a defesa de sua soberania. El Toque, com seus padrões duplos e seu alinhamento com a política de guerra econômica e psicológica da Casa Branca, além de realizar uma atividade punível por quase todos os códigos criminais do mundo, está longe de ser um deles.


https://www.cubainformacion.tv/contra-cuba/20250304/114450/114450-el-toque-despide-a-la-mitad-de-su-plantilla-y-a-decenas-de-colaboradores-tras-el-congelamiento-de-fondos-de-la-casa-blanca-asi-funciona-un-medio-independiente-cubano

Tradução: Comite Carioca de Solidariedade a Cuba

           


EUA cancelam ajuda de apoio a prisioneiros e ativistas em Cuba, Nicarágua e Venezuela

                                                                                                                        

Nora Gámez Torres*

    O Departamento de Estado cancelou abruptamente programas de ajuda externa para apoiar ativistas da oposição, prisioneiros e grupos religiosos em Cuba, Nicarágua e Venezuela, levantando preocupações sobre uma mudança na política externa dos EUA. Os programas de apoio a prisioneiros em Cuba, grupos religiosos que se opõem a Daniel Ortega na Nicarágua e ativistas que resistem à tomada de poder por Nicolás Maduro na Venezuela foram cancelados depois que uma análise do Departamento de Estado concluiu que eles não eram de “interesse nacional” dos Estados Unidos. Não importava que os programas fossem administrados pelo Instituto Republicano Internacional, uma organização sem fins lucrativos ligada ao partido governista, ou que estivessem focados na promoção da democracia em países autoritários.

    Com exceção de três dos 95 programas do Instituto financiados por subsídios do Departamento de Estado e da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional, todos foram cancelados, de acordo com várias fontes familiarizadas com os cortes que pediram para não serem identificadas para discutir a questão delicada. Os três programas restantes, relacionados a grupos na Venezuela, estão suspensos, seguindo uma diretriz do Departamento de Estado para implementar a ordem executiva do presidente Donald Trump de congelar todo o financiamento de ajuda externdezoito programas ques o International Republican Institute estava apoiandoa por 90 dias. 

   O restante dos 175 programas do Instituto em todo o mundo também está no limbo porque depende de fundos apropriados diretamente pelo Congresso para o National Endowment for Democracy (NED). O NED disse que não conseguiu acessar o dinheiro. Como resultado,  na América Latina foram “apagados”, suspensos ou congelados, disse uma fonte. Os avisos de cancelamento, enviados na sexta-feira pelo Departamento de Estado e pela USAID, agora subordinada ao Departamento de Estado, indicaram que os contratos “não estavam alinhados” com as prioridades das agências e “não eram de interesse nacional” após uma análise, disse a fonte.

    A contraparte democrata do instituto, o National Democratic Institute, enfrenta um desafio semelhante. As fontes disseram que cerca de 100 programas foram encerrados e apenas um programa permaneceu na região, com foco na Venezuela. A maioria dos funcionários de ambos os institutos, do National Endowment for Democracy e de outras organizações que trabalham com programas de ajuda externa foi colocada em licença administrativa. 

   O Departamento de Estado não respondeu imediatamente às perguntas sobre as rescisões de contrato. Uma decisão da Suprema Corte na quarta-feira ordenou que o governo desembolsasse uma parte dos fundos devidos pelo trabalho já realizado por algumas dessas organizações e empreiteiras que gerenciam programas de assistência e ajuda externa. No entanto, com tantos contratos já cancelados e funcionários com licença ou demitidos, não está claro como o governo procederá. Uma mudança na política

                                      


    A mídia "independente" de Cuba também foi duramente atingida pelos cortes. Meios de comunicação com décadas de existência, como o Cubanet, com sede em Miami, perderam seu financiamento da USAID, enquanto outros que dependem do NED ainda estão no limbo. No passado, o financiamento para a mídia independente de Cuba, que tem sido fundamental para expor os cubanos na Ilha às violações dos direitos humanos e outros abusos do governo não relatados pela mídia estatal, foi considerado central para uma política dos EUA focada na promoção de uma transição democrática na Ilha. Na noite de terça-feira, a conta de Resposta Rápida da Casa Branca no X citou um subsídio de 1,5 milhão para “reconstruir o ecossistema da mídia cubana” como um exemplo de programas “ridículos” da USAID que foram cortados.

    Em uma audiência no Senado, na quarta-feira, sobre o avanço dos interesses dos EUA no Hemisfério Ocidental, o senador Rick Scott, da Flórida, ecoou as opiniões atuais sobre ajuda externa entre os funcionários do governo Trump em uma discussão sobre como justificar o dinheiro gasto para os contribuintes. “Meu problema é que não posso ir para a Flórida e dizer: “Rapaz, estou entusiasmado com a quantidade de dinheiro que gastamos em ajuda externa porque algo pode acontecer. Vejamos: o regime de Castro ainda controla Cuba, a Venezuela acabou de roubar outra eleição, Ortega está ficando mais forte na Nicarágua”, disse ele. 

    A suspensão dos programas de ajuda externa para a promoção da democracia em países autoritários, uma política bipartidária dos EUA mantida por décadas, fez com que muitos se perguntassem se o governo Trump abandonou essa meta. A questão foi levantada em uma ligação feita por líderes do International Republican Institute para alertar a equipe que trabalha para a delegação do Congresso da Flórida, onde vivem as maiores comunidades cubanas, nicaraguenses e venezuelanas dos EUA, que a organização não sobreviveria por muito tempo sem financiamento, provavelmente apenas algumas semanas, de acordo com pessoas familiarizadas com a chamada. 

   De acordo com as fontes, o presidente do International Republican Institute, Daniel Twining, disse que os cortes na promoção da democracia só beneficiariam ditadores em lugares como Cuba, Venezuela e Nicarágua. Os cortes correm o risco de perder a rede de contatos construída ao longo de anos de trabalho nesses países e deixam os grupos em campo desprotegidos contra a repressão do governo, argumentou Twining no telefonema. Twining confirmou a ligação para o Herald. Cinco pessoas com conhecimento da discussão disseram que Twining ofereceu uma avaliação alarmante do futuro do Instituto e de seus parceiros no local. Pelo menos 40 grupos que trabalhavam com o Instituto na região tiveram que fechar devido à falta de fundos.

     Fontes do Congresso temem que a mudança repentina de política possa deixar figuras da oposição, como Maria Corina Machado, na Venezuela, mais expostas à violência do governo. Durante a audiência de quarta-feira, a senadora Jeanne Shaheen, membro graduado do Comitê de Relações Exteriores do Senado, disse que os cortes na USAID e em outras organizações que prestam assistência externa entram em conflito com outras metas declaradas na política do governo Trump para a América Latina, especialmente os esforços para combater a influência da China. 

   No entanto, uma das fontes que falou com o Herald disse acreditar que os republicanos ainda apoiam o financiamento de projetos para promover a democracia em países sob governos autoritários e que o Congresso provavelmente alocará fundos para esses programas no futuro. A fonte disse que os republicanos teriam que acomodar algumas demandas democratas nessa frente porque não podem perder todo o seu apoio nas negociações orçamentárias. Muitos dos contratos finalizados se concentraram em “questões de conscientização”, defesa anticorrupção, apoio à mídia independente ou ajuda a grupos em países democráticos, todos objetivos que alguns funcionários do governo “não gostaram”, disse uma fonte. 

  Contatada anteriormente para comentar sobre a pausa na ajuda externa, a representante dos EUA Maria Elvira Salazar, de Miami, disse: “Cada dólar gasto tem que responder a estas três coisas: ele torna os Estados Unidos mais seguros, mais fortes e mais prósperos? Fui clara quanto a isso e pedi ao governo Trump que restaurasse rapidamente os programas para Cuba, Nicarágua e Venezuela que se alinham com nossos interesses de segurança nacional. Uma América Latina livre e democrática significa um Estados Unidos da América livre e democrático”.

   Mas a deputada democrata Debbie Wasserman Schultz, cujo distrito do sul da Flórida inclui áreas densamente povoadas por exilados venezuelanos, criticou seus colegas republicanos por não fazerem mais. “É impensável que os republicanos da Câmara fiquem de braços cruzados enquanto Trump destrói décadas de investimento em programas de democracia cubana e venezuelana”, disse ela. “Lutei durante toda a minha carreira para promover os direitos humanos e responsabilizar esses regimes brutais. Continuarei lutando para restaurar esses fundos que protegem os dissidentes, quebram a censura e dão esperança.”

Artigo publicado originalmente em 6 de março de 2025.

*Nora Gámez Torres el Nuevo Herald 305-376-2169 Nora Gámez Torres é repórter de política Cuba/EUA-América Latina do el Nuevo Herald e do Miami Herald.

Leia mais em: https://www.elnuevoherald.com/noticias/america-latina/cuba-es/article301503634.html#storylink=cpy


Tradução e edição: @comitecarioca21 

7 de mar. de 2025

Mensagem de Abel Prieto, ex-ministro da Cultura de Cuba e atual presidente da Casa de Las Américas sobre "Ainda estou aqui" (port/esp)

Sede da Casa de Las Américas em  Havana, Cuba.  

     “Ainda estou aqui” continuará a nos desafiar

Quando a euforia do sucesso internacional (incluindo o Oscar) do filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles - que foi precedido por uma recepção emocionante no Brasil - se dissipar, seu tema continuará a nos desafiar.

O sequestro e o desaparecimento forçado do ex-deputado Rubens Paiva fazem parte de um dos capítulos mais sombrios da história da América Latina. A integridade desafiadora de sua viúva, por outro lado, é um exemplo de resistência à brutalidade do fascismo.

Parte do efeito provocado pelo trabalho de Salles vem do fato de que falar sobre esse passado é, na realidade, falar sobre o presente mais urgente, ainda mais em um país que viveu, não faz muito tempo, um governo de ultradireita que nunca escondeu sua admiração pela ditadura militar.

O fato de o filme ter influenciado a consciência nacional a ponto de o Supremo Tribunal Federal ter aprovado uma investigação sobre as circunstâncias da morte de Paiva e reaberto o debate sobre a lei da anistia também nos fala do poder da arte de questionar, comover e desencadear reservas éticas em uma sociedade.

O fato de aparecer em um momento em que o mundo, e em particular o nosso continente, está vendo um ressurgimento do fascismo mais desenfreado, dá ao filme aquela dimensão adicional que a arte sabe como realizar e que devemos apoiar diante da irracionalidade e da barbárie.

Da Casa de las Américas, enviamos nossos parabéns a Walter Salles e à equipe de produção desse excelente filme.

                                                    

«Aún estoy aquí» seguirá interpelándonos

Cuando se disipe la euforia por el éxito internacional (Oscar incluido) de la película de Walter Salles «Aún estoy aquí» –que estuvo precedido por una emocionada acogida en Brasil–, su tema seguirá interpelándonos.
El secuestro y la desaparición forzada del exdiputado Rubens Paiva forma parte de uno de los capítulos más tenebrosos de la historia latinoamericana. La desafiante integridad de su viuda, en cambio, es ejemplo de la resistencia a la brutalidad del fascismo.
Parte del efecto provocado por la obra de Salles proviene del hecho de que hablar de ese pasado es, en realidad, hacerlo sobre el más acuciante presente, más aún en un país que vivió, en fecha no muy lejana, un gobierno ultraderechista que no ocultó nunca su admiración por la dictadura militar.
Que la película haya influido en la conciencia nacional al punto de que la Corte Suprema aprobara investigar las circunstancias de la muerte de Paiva y reabriera el debate sobre la ley de amnistía, nos habla también del poder del arte para cuestionar, conmover y desatar reservas éticas en una sociedad.
Que aparezca en un momento en que el mundo, y en particular nuestro Continente, ven resurgir el más desenfrenado fascismo, otorga a la película esa dimensión adicional que el arte sabe cumplir y que nos toca apoyar frente a la sinrazón y la barbarie.
Desde la Casa de las Américas enviamos una felicitación a Walter Salles y al equipo de realización de esta excelente película.



26 de fev. de 2025

CLAVER-CARONE E SUA OBSESSÃO POR CUBA

                                    

Johana Tablada

Mauricio Claver Carone, o enviado especial para a América Latina, nomeado pelo Presidente Trump e sob as ordens do já tristemente célebre Secretário de Estado Marco Rubio, está mais uma vez tentando assustar Cuba e os seus vizinhos, assegurando, mais uma vez, que desta vez é verdade que a Revolução tem apenas alguns dias e que o governo dos EUA fará tudo o que for possível para acelerar este processo.

Fala de medidas e ações “criativas”. Evita enumerá-las, mas os seus aliados na Flórida estão promovendo o fim dos voos e das visitas familiares a Cuba com todo o tipo de mentiras e ameaças discriminatórias contra a emigração cubana (na verdade, querem eliminar os voos para provocar mais escassez, desestabilização e, se possível, uma crise migratória). Façamos um pequeno relato recente.

Claver Carone foi, com Marco Rubio, o arquiteto e executor que a partir da Casa Branca desenhou e executou num par de anos (verão de 2018 até janeiro de 2021) mais de 200 medidas adicionais ao bloqueio com o objetivo de colapsar Cuba.

Não atingiu o seu objetivo principal, mas impôs um retrocesso brutal nas relações bilaterais e no nível de vida dos cubanos, provocando, gratuita e imerecidamente, um enorme sofrimento que ainda persiste e o maior fluxo migratório da nossa história.

Agora vêm dizer que Cuba está brincando com a questão migratória, que somos inimigos da humanidade e uma ameaça...

Este senhor é perigoso e bem conhecido. Regressou ao governo, depois de ter sido expulso por corrupção do cargo de Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Foi um cargo que lhe foi presenteado por Trump como recompensa quando o seu primeiro mandato estava chegando ao fim.

Anteriormente, o cargo tinha sido sempre atribuído a uma figura de prestígio da América Latina, por razões de equilíbrio, uma vez que a sede do Banco se situa em Washington DC.

Poucos dias antes da decisão simbólica e tardia de Biden, em 14 de janeiro, aclamada por todos e com justiça, de retirar Cuba da lista de Estados patrocinadores do terrorismo, Claver Carone respondeu com altivez ao New York Times dizendo que... “Ri melhor quem ri por último”. E prometeu medidas piores assim que o presidente eleito tomasse posse.

E por aí vão. Também é de se lamentar a recente atividade da embaixada dos Estados Unidos, dedicada a agradar aos setores anti-cubanos mais abusivos, mentirosos e reacionários para cair nas boas graças dos novos chefes da diplomacia do Departamento de Estado com ações abertamente ingerencistas que não permitiriam que governos estrangeiros tomassem no seu país. Entretanto, convido-os a verem nas redes sociais como a nossa embaixada em Washington se dedica a promover melhores vínculos entre os dois países.

Segundo eles, as suas medidas de cerco não são responsáveis pelas nossas deficiências. A verdade é que não deixaram passar um único dia com Trump no governo para começar a torcer os parafusos da pressão e da guerra econômica.

Se Cuba já ia cair de imediato, por que tanta pressa em retificar as duas medidas de flexibilização de Biden dentro de um grande pacote de decretos?

O problema é que o fizeram sem sequer documentar o processo de revisão da decisão. Apenas 23 legisladores criticaram a decisão de excluir Cuba da infame lista. Nenhum, para além dos habituais, aplaudiu a reversão da medida.

Eles também sabem que em apenas três meses ficaria claro que temos razão em dizer o quanto a inclusão fraudulenta na lista de terroristas está prejudicando os cubanos (mais turistas viriam em breve, mais negócios viriam, menos pessoas iriam embora, haveria algum alívio do tormento aplicado por eles e Biden).

Curiosamente e sem estridência, escondendo as suas ações do olhar público, já fizeram um pouco mais com a medida de acabar com os canais transparentes de remessas e reparem no pouco que deixaram de fazer da última vez. Exceto a ruptura das relações diplomáticas e o bloqueio naval a Cuba, que propuseram mil vezes, quase tudo o resto conseguiram arrancar da administração Trump, para quem Cuba não era nem é uma prioridade, mas que deseja agradar aos políticos de origem cubana que melhor o servem, apesar de o terem enganado vezes sem conta.

Assim, essas medidas que Biden aplicou, na sua maioria com objetivos idênticos e com um elevado custo humano para o nosso povo e para a sua emigração, enfraqueceram-nos, levaram centenas de milhares a emigrar, mas não derrubaram a Revolução nem dobraram a vontade dos cubanos face à baixa estatura moral do adversário.

Quem pode garantir que, fazendo a mesma coisa, obterão resultados diferentes? Ninguém pode. Não conseguirão.

Não creio que a República Dominicana ou qualquer outro país vizinho resistisse ao tipo de aperto que este senhor executou e concebeu com o outro corrupto Marco Rubio.

Todos nós vimos, com merecida sensibilidade, como todos eles se preocuparam em países da região, como a Colômbia, o México, o Panamá e o Canadá, devido à ameaça de medidas coercivas ou de ajustamento das tarifas comerciais, devido às grandes perdas estimadas.

Isto não representa sequer 2 por cento do que os EUA já fazem a Cuba.

Tomemos um exemplo que ninguém gostaria que fosse verdade:

Imaginemos que amanhã a República Dominicana entra injustamente na pequena lista de Estados patrocinadores do terrorismo e que os milhões de europeus que a visitam perdem o direito de viajar para os EUA com o prático sistema de vistos remotos em linha ESTA. Isso reduzirá radicalmente o turismo.

E assim poderia levar duas horas a enumerar, para outros países, outras medidas “criativas” de Rubio e Carone que já estão em vigor, como a perseguição medieval ao combustível (mais de 50 navios punidos no mundo), as ameaças aos governos de suspenderem os acordos de cooperação médica que permitem a entrada de moeda estrangeira no sistema de saúde pública de Cuba, e uma lista muito longa que continua com as dezenas de medidas adicionais de Trump e as do bloqueio.

Oxalá ao menos pudéssemos exportar rum, tabaco, coco, café, produtos biotecnológicos, espetáculos culturais e muito mais para os Estados Unidos com tarifas.

Dói e é lamentável que, graças às ambições e à sede de castigo e vingança de homens sem integridade, desonestos e de baixa moral, o povo cubano e outros povos da região tenham que sofrer. Mas o amor vence o ódio.

Nem a mentira, nem o medo e mais medidas, nem o hard power nem o soft power conseguirão o seu intento.

Nem mesmo com a covardia dos que os temem e os maus sentimentos dos que os apoiam e gostam do tormento de ver sofrer o seu próprio povo conseguirão apagar a estatura de Cuba e do seu povo.

No seu desprezo e maus tratos a Cuba e aos países da região tiveram vitórias passageiras, mas já falharam estridentemente antes e voltarão a falhar. Rubio e Carone já começaram a passar vergonha com a chantagem que fazem com o Panamá, a Colômbia e a Venezuela. Carone estava dizendo que não queria o petróleo da Venezuela quando o avião de Grennel aterrou para se encontrar com Maduro e a licença da Chevron foi aprovada, Rubio voltou do Panamá dizendo que os navios não iriam pagar e depois verificou-se que não era esse o caso e com a Colômbia, o México e o Canadá tiveram de engolir as suas medidas em poucas horas. Trump pode não estar muito contente em breve. Qualquer dia destes descobre que o plano que propuseram para Cuba é outro esquema que pode aumentar a emigração.

Fizeram um grande alarido quando venderam a Trump a proposta de que ele reconheceria Guaidó e eles derrubariam o Presidente Maduro. Culparam Cuba pela sua mentira e trapalhada, inventando a inexistência de 30.000 soldados cubanos na Venezuela que impediram o sucesso do golpe, para não reconhecerem que a Revolução Bolivariana tinha de fato o apoio do povo e dos militares.

Carone é um psicopata, inteligente, mas um psicopata doente de ódio e desacreditado neste hemisfério pela sua responsabilidade na dívida multimilionária da Argentina com o FMI (também trabalhou lá durante algum tempo), pela sua passagem corrupta pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, que o expulsou, e pela sua determinação e trajetória de impor obstáculos a tudo o que melhorasse as relações de Cuba com os EUA.

Perante estes tipos criminosos, aliados aos setores mais reacionários dos EUA e da região, Cuba e o seu povo têm reservas para os enfrentar e vencer.

Eles vão voltar a ficar querendo. É claro que podemos e devemos fazer muito melhor em casa e faremos, mas é injusto concordar com aqueles que querem responsabilizar Cuba pelo impacto de tal ultraje.  Resistir já tem sido um feito e tanto.

Estão dispostos a tudo para tentar dar Cuba como troféu ao seu amo e é por isso que não nos resta outra alternativa senão unirmo-nos, fazer o que depende de nós e trabalhar arduamente para seguir em frente, sabendo que nos despediremos deles e estaremos aqui a lutar pelos sonhos de um país melhor, sem bloqueios nem ingerências.

Cinquenta e sete por cento dos americanos querem a normalização das relações com Cuba e o mundo já sabe como se dividiu com um esmagamento de todos contra dois. Aqui estão eles, juntamente com a entrevista dos fomentadores do medo.


http://www.cubadebate.cu/opinion/2025/02/17/claver-carone-y-su-obsesion-por-cuba/

@comitecarioca21

21 de fev. de 2025

Leonard Peltier, quase cinquenta anos preso. O preso político que mais tempo viveu encarcerado. Seu carinho por Fidel e por Cuba (por/esp)

                               

Do Facebook do companheiro Orestes Hernandez Hernandez

Leonard Peltier foi preso injustamente em prisões dos EUA por quase 50 anos.

O prisioneiro político mais antigo do continente.

Um lutador pelos direitos dos povos originários dos Estados Unidos.

Em sua idade avançada, ele foi libertado há poucas horas.

Na década de 1970, quando Cuba realizou comícios e pediu a libertação da ativista afro-americana Angela Davis, lembro-me de que também fizemos isso por Peltier.

Em 2003, Fidel recebeu a “Pena de Águia”, o mais alto prêmio conferido pela primeira vez pelo Movimento Indígena Americano a um Chefe de Estado.


O prêmio foi entregue a ele por Daniel Yang, líder dos jovens dessa organização e afilhado de Leonard Peltier.

Em agosto daquele ano, Peltier tornou pública uma mensagem a Fidel e a Cuba que foi republicada na mídia cubana, na qual ele também pedia a liberdade dos Cinco.

A resistência desse homem está expressa no punho erguido quando ele chegou à sua terra natal após a dura e injusta prisão.

Peltier merece um grande abraço de todos os cubanos. Este é o meu.


Mensagem de solidariedade de Leonard Peltier para Fidel, o povo e a revolução

Leonard Peltier #89637-132

Penitenciária dos EUA

P.O. Box 1000

Leavenworth, KS 66048-1000

Agosto de 2003

Meus honrados irmãos e irmãs de Cuba:

Durante os muitos anos de minha injusta prisão, Sua Excelência o Presidente Fidel Castro, a Revolução e o grande povo de Cuba me ofereceram gentilmente quase três décadas de solidariedade e mantiveram seu compromisso com minha luta pela liberdade. No entanto, ainda estou cumprindo injustamente duas sentenças de prisão perpétua consecutivas em uma penitenciária dos EUA simplesmente por me opor à exploração e à opressão do meu povo.

Este ano marca o 50º aniversário dos ataques ao Quartel Moncada em Santiago de Cuba e ao Quartel Carlos Manuel de Céspedes em Bayamo, realizados pelas grandes forças revolucionárias de Cuba, lideradas por Sua Excelência o Presidente Fidel Castro. O dia 26 de julho de 1953 marcou uma das resistências mais significativas de toda a história contra o imperialismo e o primeiro passo que levou à derrota da ditadura de Batista, apoiada pelos EUA. Meu povo, o povo indígena da América do Norte, enfrentou e lutou contra um imperialismo semelhante por mais de 500 anos. Essa agressão imperialista foi responsável pela morte de nossos ancestrais, pelo estupro de nossas irmãs e pela pilhagem de nossas terras. Hoje, mais do que nunca, somos obrigados a continuar lutando para preservar nossa autodeterminação e soberania.

Gostaria de aproveitar esta oportunidade para reiterar minha solidariedade com Sua Excelência o Presidente Fidel Castro, com a Revolução e com meus irmãos e irmãs em Cuba. Peço o fim de todas as campanhas de subversão e agressão estrangeira contra o governo e o povo cubanos. A nova “guerra contra o terrorismo” conduzida pelos Estados Unidos criou uma cortina de fumaça para atos ilegais de agressão e atos que desrespeitam flagrantemente o direito internacional. A República de Cuba tem o direito de defender e preservar sua soberania nacional contra todas as formas de agressão imperialista e terrorismo. Por fim, peço ao governo dos Estados Unidos que liberte imediatamente meus Cinco Irmãos Heroicos que permanecem injustamente presos por tentarem impedir as ações terroristas organizadas a partir de Miami contra seu país e seu povo. Prometo solidariedade constante com meus irmãos e irmãs em Cuba e peço humildemente que continuem a apoiar a luta pela minha liberdade.

Hasta la Victoria Siempre!

No espírito do Cavalo Louco,

Leonard Peltier



Casi 50 años estuvo Leonard Peltier prisionero injustamente en cárceles estadounidenses.
El preso político más antiguo del continente.
Luchador los derechos del pueblo originario de Estados Unidos.
Ya muy anciano ha logrado su libertad hace unas horas.
En los años 70 cuando Cuba había mítines y pedía la libertad de la activista afronorteamericana Ángela Davis, recuerdo que también lo hacíamos por Peltier.
En el 2003, Fidel recibió la “Pluma de Águila”, la más alta condecoración que por primera vez confirió el Movimiento Indio Americano a un Jefe de Estado.
Se la entregó Daniel Yang, dirigente juvenil de esa organización y ahijado de Leonard Peltier.
En agosto de ese año Peltier hizo público un mensaje a Fidel y a Cuba que repilcaron medios cubanos, en el que también pedía la libertad de los Cinco.
La resistencia de ese hombre, se expresa en ese puño el alto al llegar a su tierra después del duro e injusto presidio.
Pentier merece un abrazo grande de todos y todas los cubanos y cubanas. Este es el mío.

Mensaje solidario de Leonard Peltier a Fidel, el Pueblo y la Revolución
Leonard Peltier #89637-132
U.S. Penitenciary
P.O. Box 1000
Leavenworth, KS 66048-1000
Agosto de 2003
Mis honorables hermanos y hermanas de Cuba:
Durante los muchos años de mi injusta prisión, su Excelencia el Presidente Fidel Castro, la Revolución y el gran pueblo de Cuba, me han ofrecido gentilmente casi tres décadas de solidaridad y han mantenido su compromiso con mi lucha por la libertad. Sin embargo, sigo injustamente cumpliendo dos cadenas perpetuas consecutivas en una penitenciaría de los Estados Unidos simplemente por oponerme a la explotación y a la opresión de mi pueblo.
En este año se conmemora el 50 aniversario de los asaltos a los cuarteles Moncada de Santiago de Cuba y Carlos Manuel de Céspedes de Bayamo, que llevaron a cabo las grandiosas fuerzas revolucionarias de Cuba, dirigidas por Su Excelencia el Presidente Fidel Castro. El 26 de julio de 1953 marcó una de las resistencias más significativas de toda la historia contra el imperialismo y el primer paso que condujo a la derrota de la dictadura de Batista apoyada por los Estados Unidos. Mi pueblo, el pueblo indígena de América del Norte, se ha enfrentado a un imperialismo similar durante más de 500 años y ha luchado contra él. Esta agresión imperialista ha sido la responsable de la muerte de nuestros ancestros, de la violación de nuestras hermanas y del saqueo de nuestras tierras. Hoy, mas que nunca, estamos obligados a continuar luchando por preservar nuestra libre determinación y nuestra soberanía.
Quisiera aprovechar esta oportunidad para expresar que reitero mi solidaridad con Su Excelencia el Presidente Fidel Castro, con la Revolución y con mis hermanos y hermanas de Cuba. Llamo a que se ponga fin a todas las campañas de subversión y de agresión extranjera contra el Gobierno y el pueblo cubanos. La nueva "guerra al terrorismo" que conducen los Estados Unidos ha creado una cortina de humo para realizar actos de agresión ilegales y hechos que ostensiblemente ignoran el Derecho Internacional. La República de Cuba tiene el derecho de defender y preservar su soberanía nacional frente a todas las formas de agresión y terrorismo imperialista. Por último, llamo al gobierno de los Estados Unidos a que libere inmediatamente a mis Cinco Heroicos Hermanos que permanecen injustamente encarcelados por tratar de detener las acciones terroristas que desde Miami se organizan contra su país y su pueblo. Prometo una constante solidaridad con mis hermanos y hermanas de Cuba y les pido humildemente que sigan apoyando la lucha por lograr mi libertad.
Hasta la Victoria Siempre!
En el espíritu de Caballo Loco,
Leonard Peltier

@comitecarioca21