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| Foto: Jornalista libanesa Wafika Ibrahim. |
Com a presença de delegados
internacionais e personalidades do mundo árabe e islâmico, uma Conferência
Mundial de Solidariedade ao Povo Palestino e à Resistência Palestina foi
realizada na sexta-feira em Caracas, Venezuela. Lá, pouco antes do encerramento
da reunião com um discurso do presidente Nicolás Maduro, a diretora do canal
pan-árabe Al Mayadeen (em espanhol) e a deputada cubana Mariela Castro Espín
falaram em nome do Líbano. Ambas foram explícitas ao denunciar a grave situação
de violação dos direitos humanos pela entidade sionista tanto na Palestina
quanto no Líbano, e ao defender a luta da resistência palestina e libanesa.
Aqui, o discurso de Wafika
Ibrahim:
Caros amigos de nossa
Palestina e Líbano ....
A resistência palestina é a
resistência do povo palestino contra a ocupação racista e expansionista
sionista israelense... e ela existe de uma forma ou de outra desde o
estabelecimento do Estado colonial de Israel por meio de massacres e com o
apoio dos países ocidentais, especialmente do Reino Unido, que colonizou a
Palestina na época... depois que Israel rejeitou todos os tipos de soluções e
resoluções da ONU relacionadas à causa palestina, desde um estado binacional
unificado até a famosa solução de dois estados, e ocupou toda a Palestina e
está avançando para a anexação da Cisjordânia, conforme declarado pelos
extremistas da direita sectária fanática liderada por Benjamin Netanyahu.
A Operação Dilúvio de Al-Aqsa
aconteceu de uma forma que abalou a entidade sionista e, como resultado, Israel
lançou uma guerra genocida contra o povo da Faixa de Gaza, que ainda resiste à
máquina de guerra israelense apoiada pelos EUA, Alemanha, Reino Unido, França e
alguns países árabes.
Há quatorze meses, os
palestinos de Gaza têm resistido como no primeiro dia. Mais de 45.000 mártires
caíram e mais de 100.000 ficaram feridos, a maioria deles crianças, mulheres e
idosos.
Israel, liderado por Netanyahu
e apoiado pelas armas letais dos EUA, busca liquidar a causa do povo palestino
a título de liquidar o movimento Hamas. Conseguiu assassinar alguns de seus
líderes, mas não conseguiu eliminar a resistência do povo palestino, nem
tampouco o Hamas.
Quando Netanyahu atacou Gaza
sob o pretexto da Operação Dilúvio de Al-Aqsa, na realidade sua guerra foi
preparada com e sem o Dilúvio de Al-Aqsa em 7 de outubro de 2023. Na minha
opinião, e na de observadores políticos, seu projeto era estabelecer o caráter
judaico do Estado deportando os palestinos de Gaza para o Sinai, os da
Cisjordânia para a Jordânia e os da Palestina, ou seja, das terras ocupadas em
1948, enviá-los para o Líbano. Para
conseguir isso, ele precisa sufocar a resistência na Cisjordânia, em Gaza e no
Líbano, e isso não poderia ser feito sem desencadear uma guerra civil dentro do
Líbano, o que seria feito até mesmo às custas dos cristãos no Líbano. Mas o
“Eixo de Resistência”, ou seja, as resistências no Líbano, na Palestina, no
Iêmen e no Iraque, são apoiadas pelo Irã, e é por isso que Israel percebeu que
o Irã deve ser atacado.
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| Dois dos 5 herois cubanos, René e Tony, a deputada Mariela Castro e Wafy Ibrahim |
Há dez anos, Netanyahu vem
tentando pressionar os estadunidenses a atacar o Irã. Porque, na realidade,
Israel não tem os meios para atacá-lo. Quando Netanyahu diz que sua principal
guerra é contra o Irã, isso significa que tudo o que está acontecendo agora são
etapas preparatórias para seu objetivo final. Se um ataque contra o Irã for
realizado, isso levaria, para os israelenses, não apenas à divisão do Líbano,
mas também da Síria e do Iraque, e também do Irã e da Turquia, e esse é o
segredo do apoio dos israelenses ao projeto do Estado curdo, que posteriormente
levará, esperam os israelenses, à explosão da situação interna na Síria, no
Iraque, na Turquia e no Irã. Isso abre uma espécie de corredor, desde o
Mediterrâneo oriental até as fronteiras da China, e expande a esfera de
influência de Israel.
Na opinião dos observadores,
Netanyahu está se arrastando à espera da chegada de Trump ao poder, porque a
personalidade de Trump é voltada para o confronto, e isso poderia levá-lo a
tomar a decisão de atacar o Irã. Concluindo, Netanyahu jamais estaria interessado
em um cessar-fogo no Líbano se dependesse dele.
Alguns criticam em um tom
pejorativo que não há equilíbrio de dissuasão entre a resistência e Israel! E
eu lhes pergunto: desde quando existe esse equilíbrio entre um Estado e uma
resistência? A resistência, como conceito, é uma reação à ação de ocupação e,
em geral, os sacrifícios sofridos por aqueles que resistem à ocupação são muito
maiores do que os sofridos pelo ocupante. Um exemplo disso é a Guerra do
Vietnã. Quem venceu no final? O Vietnã venceu porque os estadunidenses foram
derrotados. O número de soldados estadunidenses mortos foi de 50.000, enquanto
o número de vietnamitas que deram suas vidas foi de dois milhões. O mesmo
aconteceu na então União Soviética contra Hitler, onde 20 milhões de mártires
perderam suas vidas, e na Argélia contra o colonialismo francês, onde o povo
argelino ofereceu 1,5 milhão de mártires. Em tudo isso, não há equilíbrio de
poder ou dissuasão entre o povo que resiste e o ocupante. Mas o ocupante tenta
quebrar a vontade do povo de lutar e resistir. Nesse caso, é a firmeza da
resistência que é o fator decisivo nesse contexto. Quanto aos recursos
militares do ocupante israelense, eles são muitos e imensos, e estão travando
essa guerra com os recursos e as armas do Ocidente.
A questão hoje é: a
resistência conseguirá resistir por muito tempo? Apesar dos golpes que a
resistência recebeu, sua força é centenas de vezes maior do que no ano de 82,
quando os invasores foram derrotados. Se quisermos comparar com a situação
internacional, a situação internacional agora é muito melhor do que em 2006,
porque em 2006 a Rússia e a China não tinham o papel que têm hoje. Os Estados
Unidos, apesar de sua força e poder, estão relativamente mais fracos do que há
vinte anos, porque há forças se levantando para desafiar a hegemonia dos EUA.
Em 1982, o inimigo israelense chegou à capital Beirute em cinco dias, ao passo
que hoje ele passou quase dois meses tentando, em vão, entrar na linha de
frente. Portanto, a situação é melhor, apesar dos sacrifícios, das dificuldades
e da dor. Não podemos esquecer que, um ano após o genocídio israelense em Gaza,
a campanha de solidariedade global só se intensificou.
Previsivelmente, porém, os EUA
e a mídia corporativa ocidental fizeram hora extra para tentar provar que os
manifestantes são “apoiadores do terrorismo” e “antissemitas”. Os extremistas
sionistas tentaram se fazer de vítimas, como de costume, agarrando-se
desesperadamente aos exemplos mais ridículos para sugerir que eles se sentem
perseguidos como judeus. Entretanto, embora essas táticas tenham funcionado no
passado, esses argumentos fracos não conseguiram dissuadir os manifestantes
O Dilúvio de Al Aqsa trouxe a
causa palestina de volta com força cognitiva à consciência palestina, árabe e
internacional. Cidades de todo o mundo testemunharam as maiores manifestações
nas ruas e universidades dos Estados Unidos da América, Europa, países árabes e
islâmicos....
A Palestina se tornou o maior
desafio moral de nossa era e está sendo vista pelas gerações mais jovens como
um teste de nossa humanidade coletiva.
O plano radical
sionista-americano colocou essa guerra no caminho de uma guerra existencial
tanto do lado palestino quanto do lado israelense....
O Irã foi e continua sendo o país não árabe
que apoia a resistência palestina e que também se juntou a esse confronto em
apoio a Gaza, juntamente com a resistência libanesa, o Ansarollah na República
do Iêmen e a resistência iraquiana....
Os EUA estão obstruindo o
processo de cessar-fogo há mais de um ano, enquanto Israel não consegue
encontrar uma maneira de atingir seus três objetivos de guerra:
1) Eliminar o Hamas
2) O retorno dos sequestrados
israelenses (cerca de 100)
3) E garantir que o dia
seguinte à guerra em Gaza será sem a presença do Hamas.
É por isso que a guerra de
extermínio continua... Não há alvos militares em Gaza... Os civis se tornaram
alvos de Israel... Ele os mata em suas casas, escolas, igrejas, mesquitas,
todos os abrigos e hospitais e proíbe a entrada de ajuda humanitária, matando-os
de fome.
No dia seguinte à Operação
Dilúvio de Al-Aqsa, em uma medida preventiva, a Resistência Libanesa
(Hizbullah) iniciou suas operações militares contra Israel, em apoio aos irmãos
em Gaza, e conseguiu forçar mais de cem mil colonos no norte da Palestina ocupada
por Israel a se mudarem, o que forçou Israel a colocar um terço de suas forças
armadas na linha de frente com o Líbano.... a resistência no Líbano e, durante
um ano inteiro, continuou a apoiar a resistência em Gaza, atacando o inimigo
sionista de acordo com as regras de enfrentamento, ou seja, sem entrar em uma
guerra de grande escala.
Israel, liderado por
Netanyahu, ao assassinar Ismail Haniyeh e Yahya Sinwar (altos dirigentes do
Hamas), considerou que era hora de atacar o Hizbullah e liquidá-lo, bem como
bombardear o ambiente social que apóia e protege essa resistência, ou seja,
principalmente a seita xiita... especialmente depois dos ataques com bipes,
wakie talkies ou pagers. E foi capaz de assassinar o líder máximo do Hizbullah,
Sayyed Hassan Nasrallah, um símbolo de luta e solidariedade internacionalista
do nosso mundo árabe, depois que os EUA trouxeram mísseis projetados para
penetrar em grandes fortificações... Como resultado, Netanyahu anunciou,
encorajado, desfrutando de total impunidade, que agora poderia ir além e
realizar seu sonho de um Estado de Israel ainda maior e o plano dos EUA de
mudar a face do Oriente Médio.
Israel matou 3.800 pessoas no
Líbano, feriu 15.000, destruiu os principais vilarejos e prédios no sul do
país, nos subúrbios ao sul de Beirute, em Bekaa, e lançou cerca de 70.000
soldados armados até os dentes com as últimas gerações de armas estadunidenses
em direção à fronteira libanesa....
Por mais de dois meses, esse
exército israelense, devido à firmeza e à bravura da resistência libanesa, não
conseguiu avançar mais de cinco quilômetros, pagando mais de cem mortos e mais
de mil e duzentos feridos... um número significativo para o exército
israelense... que já estava esgotado em Gaza...
Nossos jovens criaram épicos
militares extraordinários em nossa história. Pequenos grupos móveis resistiram
e mantiveram sua posição em Gaza e no Líbano, depois de uma feroz batalha de
atrito em Gaza contra o quarto exército mais poderoso do mundo, em cujas costas
estavam dezenas de navios de guerra e submarinos da OTAN com porta-aviões,
satélites e as últimas tendências da tecnologia moderna - infligindo pesadas
perdas às forças e aos equipamentos do inimigo.
E, pela primeira vez, a área
ocupada foi atacada em dois níveis, militar e econômico, com mísseis guiados
com precisão e drones, a uma distância de 150 quilômetros.
O presidente dos EUA, Joe
Biden, queria chegar a um cessar-fogo antes que Trump chegasse à Casa Branca,
por isso forçou Netanyahu a descer da árvore e aceitar um cessar-fogo com base
na resolução 1701 da ONU.
Supostamente, esse cessar-fogo
está em vigor há alguns dias, mas Israel retomou o bombardeio em algumas das
aldeias da fronteira para impedir o rápido retorno “tsunâmico” dos deslocados
às suas aldeias e às ruínas de suas casas. Portanto, o cessar-fogo nos parece
ser apenas uma pausa do regime malicioso que está se preparando para atacar
novamente.
Israel não quer a solução de
dois Estados, nem a solução de um Estado, porque o sionismo não tem isso em seu vocabulário.
O que lhe resta?
Genocídio e limpeza étnica,
portanto, o confronto é longo e o que devemos fazer é lembrar ao mundo que a
Palestina não fez nada mais do que cumprir a lei internacional que diz
exatamente que qualquer povo sob ocupação tem o direito de combater a ocupação
por todos os meios, inclusive a luta armada. Isso está estipulado na resolução
30/70 da Assembleia da ONU (XXVIII), e há uma lista de declarações fundamentais
desde a Revolução Francesa que protegem o direito de agir diante de situações
inaceitáveis de repressão....
Quanto à tão falada questão de
que, com o cessar-fogo, Israel conseguiu separar as frentes libanesa e de Gaza,
lhes digo que o acordo foi firmado entre o Estado libanês e a entidade sionista
por meio de um mediador estadunidense, com a Resistência relatando seu
progresso e aprovando seus resultados, E a Resistência libanesa está mais
ciente do que todos de seu campo, de suas condições de segurança e de suas
condições políticas, e tem um histórico longo, veterano e imaculado de luta
contra o inimigo e de apoio à resistência na Palestina, e sua posição política
é de princípio. Vamos dar a ele espaço de manobra, porque seu crédito, seu
desempenho e seus sacrifícios ao longo de mais de 40 anos, e na última rodada
em particular, nos exigem isso.
Quanto àqueles que pensam que
o Hizbullah abandonou Gaza, bem, eles certamente não conhecem o significado de
um compromisso ideológico.
Um novo mundo está
gradualmente substituindo o velho mundo, e o conflito sobre a Palestina é um
ponto de virada no mundo e para a humanidade. Agora está claro que isso é
genocídio... e agora cabe a todos nós a responsabilidade de tomar uma
posição... Ou estamos com o genocídio e o imperialismo dos faraós, dos
imperadores, dos reis, ou estamos com a luta anti-imperialista dos povos. Esse
é o dilema que temos, e cabe a cada um de nós decidir agora qual é a nossa
posição. Não há pontos neutros aqui, quem ficar de braços cruzados, quem
assumir a posição de não entendo, não sei, isso nunca será resolvido, estará
apoiando o genocídio porque não está fazendo nada.
Quando falamos em avaliar o
cenário da mídia, seus componentes e dinâmicas, devemos começar pela hegemonia
que o Ocidente impõe a esse cenário.
É claro que a mídia e as redes
sociais estão divididas em duas frentes. Algumas mídias de forças políticas de
direita que, logicamente, não apoiam a resistência e, na verdade, esperavam que
ela fosse derrotada e incitaram contra a resistência... e há outras mídias
leais à pátria que acompanharam a guerra desde o início e tiveram vários
mártires, como Al-Mayadeen, Al-Manar, Al Jazeera e outras.
A posição política árabe em
geral tem sido decepcionante... Nenhum governo dos que mantêm relações
diplomáticas com Israel tomou a decisão de rompê-las, apesar de tudo...
A solidariedade com os povos palestino e
libanês foi maravilhosa e extraordinária, constituindo um apoio moral aos
combatentes da resistência no campo de batalha como forma de resistência.
Onde essa solidariedade mais
se manifestou foi nas mídias sociais, onde as narrativas políticas inimigas
foram criadas desde o início... É por isso que a transição do mundo virtual
para o real é necessária para transformar a empatia em ação, e a Palestina
merece isso.
A presença de um Israel
racista, colonialista e expansionista apoiado pelos EUA é o fator mais
importante de instabilidade na região. A resistência, seja ela palestina ou
libanesa, é a pedra angular da resistência à ocupação e é o que frustrará seus
planos de controlar a terra e a riqueza de nossa região. Essa guerra
desmascarou os rostos de muitos que por muito tempo se venderam como paradigmas
de liberdade, democracia e direitos humanos.
Os artistas de nossa região em
geral não reagiram ao que estava acontecendo durante a guerra.
Será que imaginamos que a
Rússia permitirá que os Estados Unidos sejam bem-sucedidos em seu plano de
transformar o Oriente Médio em uma enorme base militar e lançar seu ataque à
Ásia Central, que é o flanco frágil da Rússia? Na minha opinião, a resposta é
não. A Rússia não deixará o Irã sozinho no meio da atual batalha no Oriente
Médio.
Muito obrigada.
Com legendas:https://www.facebook.com/watch/?v=1275038883645765&ref=sharing
https://www.resumenlatinoamericano.org/2024/11/30/palestina-vibrante-y-contundente-discurso-de-la-directora-de-la-cadena-al-mayadeen-en-espanol-wafika-ibrahim-recibio-muestras-de-apoyo-en-la-conferencia-internacional-por-palestina-celebrada-en-vene/
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