Cuba rebate acusações dos EUA na ONU e denuncia pressão sobre países
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, rejeitou na terça-feira (27) as acusações do embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, durante o debate sobre uma resolução que pede o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro contra a ilha.
Segundo o jornal cubano Granma, o chanceler solicitou uma
repreensão ao representante americano e denunciou pressões de Washington sobre
países que participarão da votação.
A reação ocorreu após Waltz responsabilizar as autoridades
cubanas pelas dificuldades econômicas da população e, conforme o relato do
Granma, negar a existência do bloqueio. O diplomata estadunidense também
questionou a cooperação médica internacional de Cuba e o destino da ajuda
humanitária enviada pelos Estados Unidos.
Rodríguez apresentou uma questão de ordem e pediu à
presidência da Assembleia Geral que repreendesse Waltz por declarações que
considerou
“Os
Estados Unidos não apenas mentem de forma grosseira e arrogante: também
desrespeitam a dignidade dos Estados-membros, exercem pressão e ofendem a
dignidade do povo e do governo cubano”, declarou o ministro.
Chanceler
denuncia pressão sobre a votação
Ao contestar a intervenção estadunidense, Rodríguez acusou
Washington de pressionar outros Estados-membros no contexto da votação da resolução
contrária ao bloqueio.
O debate colocou em confronto as posições dos dois governos
sobre as dificuldades econômicas da ilha. Enquanto Waltz atribuiu a responsabilidade
às autoridades cubanas, Rodríguez rejeitou os argumentos apresentados pelo
embaixador estadunidense durante a discussão da proposta que exige o fim das
restrições.
As críticas à cooperação médica e à ajuda humanitária
também integraram a manifestação dos Estados Unidos.
Rodríguez
cobra liberdade de viagem para estadunidenses
O chanceler cubano também defendeu que cidadãos dos Estados
Unidos possam viajar livremente a Cuba. A cobrança foi uma resposta às
referências feitas por Waltz aos destinos turísticos da ilha
A discussão ocorreu na Assembleia Geral das Nações Unidas
durante a análise do projeto de resolução sobre o bloqueio.
O que aconteceu no plenário
• O estopim: O confronto começou quando o representante dos
EUA, Mike Waltz, fez críticas ao governo de Cuba e exibiu uma imagem do líder
histórico Fidel Castro usando um relógio no ano de 1963 (!?),
• A reação de Cuba: A delegação cubana protestou e o
ministro Bruno Rodríguez levantou-se dirigindo-se ao pódio para contestar a
fala.
• A frase de Rodríguez: Durante a discussão, Rodríguez
lembrou a Waltz que ele estava nas Nações Unidas e não em uma unidade de boinas
verdes ou no Conselho de Segurança Nacional dos EUA. Waltz respondeu afirmando
que ninguém o intimidaria ali.
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz,
protagonizou nesta terça-feira uma discussão com o ministro das Relações
Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, em mais um episódio da histórica tensão
entre os dois países, alimentada pelo recrudescimento do bloqueio estadunidense
contra a Ilha nos últimos meses.
“Colegas, em 1979, o então presidente Reagan fez um alerta
ao povo cubano. Ele os advertiu. Disse: “A suposta sociedade comunista e sem
classes resultará em uma elite considerável, com muitos privilégios especiais,
e ela já começou a surgir. ” (Reagan foi
eleito presidente somente em 1981)
A foto
de Fidel Castro usando dois relógios Rolex foi tirada em 27 de abril de 1963,
no Kremlin (Moscou), durante uma reunião com o líder soviético Nikita
Khrushchev, e não na ONU. (Submariner e GMT-Master que ele usava) custava entre
US$ 60 e US$ 150. Ajustado pela inflação, esse valor não chegava perto dos
patamares de luxo proibitivos de hoje. O valor de dezenas de milhares de
dólares citado atualmente refere-se ao preço de mercado das peças vintage de
colecionador nos dias de hoje. Naquele
período, a Rolex ainda não era vista puramente como um símbolo de status ou
joia de luxo ostentosa. Os relógios eram vendidos como ferramentas operacionais
de alta precisão, resistentes à água e ao impacto, ideais para mergulhadores,
pilotos e soldados (o que explica por que os revolucionários cubanos os
adotaram em campo).
"Estamos nos Estados Unidos da América e ninguém vai
me intimidar aqui."
(Ele confundiu o fórum onde as nações se reúnem em pé de igualdade com o seu próprio quintal - A ONU não é os EUA, é um terreno internacional neutro)
Sobre Waltz: https://en.wikipedia.org/wiki/Mike_Waltz
Vamos examinar quatro grandes mentiras, uma por uma, com o
mapa e os arquivos de jornais em mãos.
Mentira 1: “A ilha de
Castro”. Waltz denunciou uma misteriosa “ilha” sem apresentar nenhuma
prova: nem coordenadas, nem foto desfocada, nem testemunha. Método curioso no
“país das evidências”. Porque ilhas particulares, ilhas particulares… elas
existem, mas nos EUA: Little St. James, a ilha caribenha de Jeffrey Epstein,
onde se reuniam os poderosos de Washington, documentada nas mais de 3 milhões
de páginas dos arquivos de Epstein que o próprio Departamento de Justiça dos
EUA divulgou em 30 de janeiro de 2026 — incluindo 2.000 vídeos. E o presidente
Trump, sócio e amigo de Epstein por duas décadas, segundo os registros de voo
do jato do financista, continua sem conseguir se livrar desse escândalo que
revela a podridão do poder em Washington. Se Waltz quer falar de ilhas
sombrias, tem uma com nome e coordenadas a 40 minutos de jato presidencial da
Flórida.
Mentira 2: Cuba
“oprime” o setor privado. Os dados dizem o contrário: é Cuba quem mais
amplia os espaços para o setor privado — o setor mais dinâmico de sua economia
—, com novas reformas legais que estendem até mesmo o investimento privado para
dentro das indústrias estratégicas. Quem realmente oprime o setor privado
cubano são… os EUA: em 30 de setembro de 2026, o OFAC ordenou o fechamento das
contas bancárias de empreendedores cubanos em bancos norte-americanos e exigiu
que eles obtivessem licenças individuais para recuperar seu próprio dinheiro,
medida que afeta esse setor privado que, em nome da “liberdade”, afirmaram
apoiar mil e uma vezes. Com amigos assim, o setor privado cubano não precisa de
bloqueios.
Mentira 3: “Não há
remédios porque o regime rouba o dinheiro”. Que Washington responda: por
que acabou de incluir Cuba em sua nova lista de “países que causam
preocupação”, apontando para a biotecnologia e a capacidade da ilha de produzir
seus próprios medicamentos? Por que o bloqueio persegue os investimentos em
saúde pública, impõe sanções a entidades ligadas à saúde e chegou até a
impedir, durante a pandemia da Covid-19, a chegada de oxigênio a Cuba? Não há
regime que roube remédios: há um bloqueio que os sequestra.
Mentira 4: “Não
existe bloqueio”. Que perguntem isso ao presidente Trump, que, ao assinar a
ordem de proibição total do fornecimento de combustíveis à ilha, usou
exatamente essa palavra: bloqueio. Dez meses depois, apenas um petroleiro russo
chegou às costas cubanas; o país tem 2,6 milhões de toneladas de combustível a
menos do que o planejado; hospitais às escuras, transporte paralisado, navios
vindos do México interceptados e milhares de contêineres com alimentos retidos.
Um bloqueio tão “inexistente” que seus autores o assinaram com sua própria
caneta.
As fábulas são o gênero de Waltz — incluindo a Disney —,
mas até mesmo os desenhos animados precisam de coerência interna. Cuba não
precisa inventar ilhas fantasmas: a do império já tinha dono.
Após o episódio, Rodríguez classificou a manifestação do
embaixador como ofensiva em uma publicação nas redes sociais. O ministro também
criticou a postura do diplomata e afirmou que ele parecia desconsiderar o fato
de estar nas Nações Unidas, e não no Conselho de Segurança Nacional dos Estados
Unidos ou em uma unidade de boinas verdes.
O chanceler cubano associou as declarações de Waltz a uma
estratégia de exposição midiática, ameaças e campanha eleitoral. Segundo
Rodríguez, o governo estadunidense emprega recursos econômicos e humanos
consideráveis nessas iniciativas.
Ler mais: https://www.notimerica.com/politica/noticia-embajador-eeuu-ministro-exteriores-cubano-enzarzan-gritos-plena-asamblea-general-onu-20261027175338.html
Brasil 247, Granma, notibrasil.com.br, https://www.state.gov/,
ICAP, https://www.inder.gob.cu/lo-que-waltz-olvido-en-el-podio/,
https://operamundi.uol.com.br/
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