30 de out. de 2026

AS DEZ MENTIRAS DO EMBAIXADOR DOS EUA NA ONU

                                       
    O embaixador dos Estados Unidos junto às Nações Unidas, Mike Waltz, cometeu inúmeras falsidades durante sua intervenção no debate sobre a resolução que exige o fim do bloqueio contra Cuba.

Seu discurso repetiu — quase ponto por ponto — o repertório de argumentos já refutados que Washington costuma utilizar para justificar um regime de sanções condenado ano após ano pela comunidade internacional.

Sob o pretexto de “corrigir desinformação”, Waltz reproduziu afirmações que não resistem à comparação com os fatos nem com a própria legislação estadunidense em vigor, e que buscam desviar o foco da responsabilidade concreta pelo bloqueio para acusações políticas contra Cuba.

Waltz recebeu uma reação contundente do Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, que, de seu assento, interrompeu o representante

“O representante permanente dos Estados Unidos não apenas mente, desviando-se substancialmente do tema, mas também se expressa de forma grosseira e, ao contrário do que faz seu presidente, atenta contra a dignidade da assembleia e dos Estados-membros. Ele está agindo de maneira incivilizada, crua e grosseira. Isso não é aceitável neste fórum democrático. Senhor Waltz, esta é a Assembleia Geral das Nações Unidas. Não é um chat de mensagens nem a Câmara dos Deputados” *         


 As dez mentiras do embaixador estadunidense:

1.-“O bloqueio não existe. ” A legislação norte-americana que sustenta o bloqueio — Lei Helms-Burton (incluindo seu Título III), Lei Torricelli, “regra dos 180 dias”, listas e sanções setoriais e financeiras — existe e está em vigor. A Resolução de Cuba contra o bloqueio não “inventa” essas normas: ela as documenta e mostra sua aplicação prática. Além disso, documentos oficiais dos EUA, como a reedição do Memorando Presidencial nº 5 (30/06/2025), confirmam a continuidade da política de “máxima pressão” contra Cuba.

2.-“As dificuldades econômicas de Cuba são de responsabilidade exclusiva do governo de Havana. ” O objetivo declarado da política estadunidense é “asfixiar a economia” para provocar uma explosão social; isso inclui pressionar os setores de combustível, finanças, turismo e cooperação médica. Esse cerco afeta preços, investimentos, logística e liquidez, e explica boa parte das tensões econômicas atuais. **

3.-“A resolução anual na ONU é propaganda. ” A votação expressa uma ampla defesa do direito internacional e da Carta da ONU; o incomum exercício de pressões diplomáticas por parte dos EUA para alterar votos ressalta o isolamento dessa política e a relevância do pronunciamento multilateral.

4.-“A escassez de alimentos e medicamentos é culpa do governo cubano. ” Existe uma cadeia de gargalos provocada pelo cerco econômico dos EUA: na área da saúde, a Lista Básica de Medicamentos (651 itens) registra um impacto de 69% e 364 medicamentos em falta (56%) devido a obstáculos de pagamento, fornecedores que se recusam a operar e proibições tecnológicas que bloqueiam equipamentos ou insumos com ≥10% de componente estadunidense. Isso impede a aquisição ou encarece severamente medicamentos avançados e dispositivos essenciais (por exemplo, próteses aórticas percutâneas ou equipamentos de diálise), com impacto direto no atendimento e nos indicadores de saúde. No setor de alimentos, a falta de financiamento e as recusas dos bancos forçaram a interrupção da importação de ~337 mil t de milho e ~120,3 mil t de soja (rações), com falhas no cumprimento das metas de produção de ovos para a Cesta Básica. Mesmo as compras “autorizadas” nos EUA são realizadas sob condições anormais: licenças específicas, pagamento à vista antecipado (sem crédito), transporte apenas em navios estadunidenses e em viagens unidirecionais, o que encarece os fretes e atrasa as entregas. A escassez de mercadorias se deve à falta de financiamento, ao acesso limitado a créditos, ao aumento dos preços, aos altos frete e aos atrasos nas chegadas — consequências diretas do bloqueio.

5.-“O bloqueio permite exportar livremente. ” Não há “liberdade” comercial: o marco legal dos EUA estabelece uma política de recusa para exportações/reexportações para Cuba (EAR) e proíbe que subsidiárias de empresas estadunidenses em países terceiros comercializem com Cuba; além disso, vigora a “regra dos 180 dias”, que dissuade as companhias marítimas de atracar em portos cubanos, e as vendas agrícolas permitidas exigem pagamento à vista antecipado, sem financiamento estadunidense. Tudo isso restringe e encarece qualquer operação, tanto de exportação quanto de importação. A isso se soma a perseguição financeira extraterritorial: multas e ameaças a bancos e fornecedores, recusas em abrir ou manter contas e operações bloqueadas que interrompem os fluxos de pagamento e cobrança. O próprio relatório de Cuba relata casos recentes (multas do OFAC à EFG; recusa em abrir conta para a EXPO Osaka; encerramento de contas de embaixadas) e quantifica os impactos generalizados em contratos, cartas de crédito e transferências. Ou seja, longe de “exportar livremente”, Cuba comercializa sob veto, licenças e medo regulatório; na verdade, o documento enumera medidas que Washington poderia autorizar —biomedicina, mineração, turismo, flexibilização de licenças de investimento, aumento do limite de 10% de componente norte-americano, autorização de correspondentes bancários, retirada de Cuba da lista SSOT e suspensão do Título III— e que hoje mesmo a própria Washington impede.

6- “Cuba tem total liberdade para comercializar com outros países. ” As medidas secundárias (extraterritoriais) dos EUA dissuadem e punem terceiros (bancos, companhias marítimas, seguradoras), elevando os custos e os riscos de operar com Cuba, o que restringe a liberdade real de comércio.

7.-“O governo cubano trafica com seu pessoal médico. ” Cuba mantém uma cooperação internacional voluntária e amplamente reconhecida; a perseguição dos EUA visa cortar essas receitas e privar populações vulneráveis de serviços essenciais, ignorando os padrões da ONU e da OPAS.

8.-“O governo cubano se beneficia do mercenarismo. ”  Cuba aplica “tolerância zero” ao mercenarismo e já processou criminalmente recrutadores; não apoia nem consente a participação de cidadãos cubanos em conflitos externos.

9.-“Cuba desestabiliza o hemisfério. ” O que causa desestabilização é o destacamento militar e a chantagem diplomática dos EUA no Caribe e na região; Cuba e a CELAC defendem o princípio da ‘Zona de Paz’.

10.-“Cuba contribui para a ‘máquina de guerra’ russa. ” Cuba não participa da guerra na Ucrânia nem envia tropas; desmantelou redes de recrutamento e penaliza o mercenarismo.

                                    


*(Ele confundiu o fórum onde as nações se reúnem em pé de igualdade com o seu próprio quintal - A ONU não é os EUA, é um terreno internacional neutro) quanto ao chat de mensagens, refere-se ao escândalo chamado signalgate (https://pt.euronews.com/2025/03/26/signalgate-escandalo-de-seguranca-nacional-dos-eua-agrava-se-com-revelacao-de-novas-mensag)

** para tentar provar seus “argumentos, o representante estadunidense exibe uma foto de Fidel Castro usando dois relógios Rolex foi tirada em 27 de abril de 1963, no Kremlin (Moscou), durante uma reunião com o líder soviético Nikita Khrushchev, e não na ONU. (Submariner e GMT-Master que ele usava) custava entre US$ 60 e US$ 150. Ajustado pela inflação, esse valor não chegava perto dos patamares de luxo proibitivos de hoje. O valor de dezenas de milhares de dólares citado atualmente refere-se ao preço de mercado das peças vintage de colecionador nos dias de hoje.  Naquele período, a Rolex ainda não era vista puramente como um símbolo de status ou joia de luxo ostentosa. Os relógios eram vendidos como ferramentas operacionais de alta precisão, resistentes à água e ao impacto, ideais para mergulhadores, pilotos e soldados (o que explica por que os revolucionários cubanos os adotaram em campo).

https://www.facebook.com/reel/1627102885120587 e outras fontes.

@comitecarioca21

           


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