#FIMDOBLOQUEIO
Com a palavra os próprios cubanos.
VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!!
16 de fev. de 2016
15 de fev. de 2016
XXIII BRIGADA SUL-AMERICANA DE TRABALHO VOLUNTÁRIO E SOLIDARIEDADE A CUBA
MPSC - Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba
Declaração final
O novo contexto geopolítico de nossa América Latina, onde se evidencia um notório avanço da direita neoliberal e um possível retrocesso da integração entre nossos países. Entendemos que é determinante para as relações futuras de nossa Grande Nação, organizar a resistência e articular a luta dos movimentos sociais para defender a liberdade e a igualdade de nossos povos.
A participação nas diferentes atividades tais como a mencionada Conferência, as visitas a lugares históricos e emblemáticos de Cuba e as oportunidades de encontro com seu povo nos permitiram uma aproximação melhor da realidade atual da sociedade cubana. Assim gostaríamos de ressaltar:
• O grande trabalho do processo revolucionário cubano em garantir e proteger os direitos humanos e sociais de seu povo tais como: acesso universal a saúde, a educação, a moradia e a cultura.
• Os valores de solidariedade, unidade, igualdade, compromisso com os princípios e ideais que são fruto do processo de luta revolucionária que se refletem na unidade e organização social que pudemos vivenciar em cada uma das experiências.
• O papel das novas gerações e o compromisso de renovar e encarar a atualização do projeto da Revolução, compreendendo o enorme desafio que isto implica.
• A solidariedade internacional manifestada em torno da luta pelo retorno dos cinco heróis antiterroristas a Cuba presos injustamente nos Estados Unidos.
• A resistência ante os incansáveis ataques imperialistas e midiáticos contra a Revolução.
Em consequência exigimos:
• O fim definitivo do embargo genocida imposto pelos Estados Unidos, sanção arbitrária e cruel que provoca o isolamento da ilha e o sofrimento do povo cubano. O bloqueio deve acabar para que Cuba possa explorar todo seu potencial, expandir seu comércio, sua rica cultura, seus princípios, fortalecer seus laços de amizade e cooperação com outras nações e proporcionar maiores benefícios a sua população.
• O fim da campanha midiática negativa contra o povo cubano, responsabilidade dos meios de comunicação imperialistas que distorcem sua história, desacreditando e deslegitimando a Revolução com o objetivo de subverter seu sistema político e de governo.
• A retirada da base naval controlada pelos Estados Unidos em Guantánamo que representa uma clara violação da soberania e independência do povo cubano e da devolução do território ilegalmente ocupado a seus legítimos donos.
• Ao fechamento de todas as bases militares na região e no mundo, assim como nossa adesão ao acordo firmado pela CELAC e pela UNASUR que declara a região da América Latina e Caribe como zona de paz.
Nós, 202 brigadistas nos comprometemos a:
• Exercer pressão política nos organismos governamentais internacionais mobilizando a população para denunciar e exigir o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra Cuba.
• Apoiar as ações que as organizações de solidariedade a Cuba desenvolvem em nossos respectivos países a favor desse país irmão para combater essehorrívelcrime.
• Gerar uma mobilização popular para boicotar os veículos de informação que de modo intencional e covarde destroem a imagem do país e sua luta revolucionária. Nos comprometemos a produzir e propiciar canais alternativos de comunicação com o objetivo de conhecer a realidade cubana.
• Promover as brigadas de trabalho voluntário organizadas pelo ICAP com o objetivo de que se conheça de perto a realidade cubana e os esforços de seu povo em construir uma sociedade mais equitativa apesar dos desafios econômicos enfrentados.
• Expressar nossa mais enérgica oposição por todas as vias e em todos os fóruns possíveis das tentativas imperialistas de negar a Cuba seu direito a independência, soberania e autodeterminação.
• Divulgar a celebração da Jornada Internacional contra o bloqueio em Washington D.C. em Setembro e no VIII Encontro Continental de Solidariedade a Cuba a ser celebrado na República Dominicana em Julho de 2016.
• Difundir e defender os ideais que se baseiam a Revolução Cubana, a aprofundar a amizade e unidade dos povos latino-americanos e caribenhos como objetivo dessa missão, recordando e praticando o legado de José Martí: “Pátria é humanidade”.
Saudamos o 90º aniversário do Comandante Chefe e líder da Revolução, nosso companheiro Fidel Castro, símbolo vivo presente e futuro da Revolução Cubana e da união de todos os povos.
Agradecemos enormemente ao ICAP, ao CIJAM, a AMISTUR e as delegações das províncias de Santiago de Cuba, Camagüey, Villa Clara e Ciego de Ávila pela organização dessa Brigada e calorosa acolhida que nos proporcionaram.
Compreendendo a importância dessa experiência para o fortalecimento da solidariedade e da amizade entre os povos, consideramos um dever nos inspirarmos nas vivências e aprendizagens que obtemos em Cuba para construir uma realidade mais justa, solidária e igualitária em nossos respectivos países.
“Até a vitória, sempre!”
Viva Cuba!
Viva a Revolução!
Viva Fidel!
Viva a irmandade entre os povos da Grande Nação!
Caimito, Artemisa, 6 de Fevereiro de 2016.
VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!!
A MENINA MALAK, REFUGIADA SÍRIA QUE SOBREVIVEU A TRAVESSIA, VIRA FILME DA UNICEF (VÍDEO)
Apesar do menino sírio, Aylan Kurdi, ter chegado sem vida à costa da
Turquia e tornar-se um símbolo da tragédia humana, outras crianças
foram salvas desse destino, seja por acaso ou pela valentia de grupos
salva-vidas. Malak, uma menina síria sobrevivente, foi escolhida para
estrelar um curta-metragem da UNICEF intitulada "O barco de Malak" ...
para viver e contar.
A organização UNICEF apresentou um curta-metragem que contém imagens reais e animação sobre a história da Malak,
com a menina síria como o protagonista da obra. Malak e sua família,
que estavam tentando escapar da guerra na Síria, testemunharam mortes
nas entranhas do mar..
O filme tem duração de dois minutos e mostra um bote que transporta a menina junto com vários refugiados sírios sem rostos. O filme também descreve os momentos de terror vividos em alto-mar em meio a ondas violentas. Os fragmentos são acompanhadas pela voz real da menina Malak narrando em árabe.
O curta de drama atinge o seu pico quando a menina se encontra completamente só lutando contra as ondas e a morte.
Malak é uma menina real que desembarcou na ilha grega Lisbos. Ela roubou a atenção do mundo para a sua inocência e coragem de se expressar, para de se tornar uma testemunha da imigração em condições deploráveis.
As emoções que transbordam e as imagens surpreendentes e impactantes refletidas nesses dois minutos têm comovido milhares de pessoas através das redes sociais e estão tornando Malak em um exemplo de valentia e esperança.
"El bote de Malak"... para vivir y contar
Fuente:
Al Mayadeen TV Español
VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!!
14 de fev. de 2016
PATRIARCA DA IGREJA ORTODOXA VISITA FIDEL CASTRO EM CUBA
O patriarca da Igreja Ortodoxa Cirilo visitou na tarde deste sábado
(13/02) o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro. Segundo a imprensa do
país, os dois conversaram sobre a preservação da paz, a luta conta a
discriminação e a sobrevivência humana.
Durante o encontro, Fidel lembrou da contribuição de Cirilo ao “fortalecimento da amizade entre os povos russo e cubano” e à “difusão dos valores que unem os dois povos”, de acordo com o jornal Granma.
Cirilo esteve em Cuba para um encontro histórico com o papa Francisco,
na primeira reunião entre os líderes das duas igrejas em mais de 900
anos.
“Foi um encontro muito esperado tanto por mim como pelo meu irmão
Cirilo”, afirmou o papa a jornalistas. Antes de chegar à ilha, Francisco
disse em seu perfil oficial no Twitter que o encontro com Cirilo era
“um presente de Deus” e pediu que os fiéis rezassem pelos dois.
Segundo o patriarca, o encontro com o papa foi um sinal de esperança
para toda a comunidade cristã. Cirilo está em uma viagem de 11 dias pela
América Latina, que inclui o Brasil.
13 de fev. de 2016
MÍSSIL ESTADUNIDENSE QUE CHEGOU A CUBA "POR ENGANO" É DEVOLVIDO
DECLARAÇÃO DO MINISTÉRIO DE RELAÇÕES EXTERIORES SOBRE O AGM 114 "HELFIRE"
Em junho de
2014 chegou a Havana em um voo procedente de Paris uma carga comercial
que, ao ser inspecionada pelas autoridades da Alfândega Geral da
República se descobriu que se tratava de um foguete com cabeça de
autocondução a laser AGM 114 "Helfire".
Este míssil chegou a Cuba por equívoco o má manipulação no país de procedência. Para as autoridades cubanas pareceu preocupante a entrada no país de um objeto militar de fabricação estadunidense que não tinha sido declarado como tal na declaração de carga da aeronave que a transportara.
Este artefato militar foi devidamente conservado e custodiado. Quando o governo dos Estados Unidos informou oficialmente ao governo cubano que um míssil de treinamento, de propriedade da empresa "Lockheed Martin" havia sido enviado a nosso país por erro e expressou seu interesse em recuperá-lo, Cuba transmitiu a decisão de entregá-lo e se iniciaram as negociações entre as partes para a sua devolução.
Como resultado destes intercâmbios, uma equipe de especialistas do governo estadunidense e da referida empresa viajou a Cuba para vistoriar o estado da carga.
Em 13 de fevereiro de 2016 os especialistas retornaram aos EUA com o míssil.
Cuba agiu com seriedade e transparência e cooperou para encontrar uma solução satisfatória para o fato.
Fonte: CUBADEBATE 13-02-2016
VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!!
PAPA FRANCISCO E O PATRIARCA KIRIL ENCONTRAM-SE PELA PRIMEIRA VEZ EM HAVANA (VÍDEO)
Encontro dos dois religiosos em Havana.
Papa Francisco: "Não quero ir sem dar um sentido de agradecimento a
Cuba, ao grande povo cubano e a seu presidente aqui presente. E agradeço
à sua disponibilidade ativa. Se continua assim, Cuba será a capital da
Unidade"
A mídia internacional ressalta a visita do patriarca Kirill a Cuba e seu encontro com o papa Francisco
Porém a mídia brasileira guarda um estranho e absoluto silêncio. Ainda ressoa nas redes sociais um dos lemas prediletos da direita: “Vai pra Cuba!” E não é que Suas Santidades Francisco e Kirill escolheram exatamente Cuba para seu encontro histórico. Kirill está de visita a Havana – mais tarde virá ao Brasil - e Francisco estará viajando ao México. Vão se encontrar no aeroporto José Marti de Havana, especialmente preparado para o importante evento. Poderiam ter escolhido uma outra sede, por exemplo, a alardeada democracia da Costa Rica, ali pertinho, que nem exército tem. Francisco esteve recentemente em Cuba, Kirill é a quarta vez que pisa na Ilha. Parece que gostaram e aceitaram de bom grado “Ir pra Cuba!”.
Porém a mídia brasileira guarda um estranho e absoluto silêncio. Ainda ressoa nas redes sociais um dos lemas prediletos da direita: “Vai pra Cuba!” E não é que Suas Santidades Francisco e Kirill escolheram exatamente Cuba para seu encontro histórico. Kirill está de visita a Havana – mais tarde virá ao Brasil - e Francisco estará viajando ao México. Vão se encontrar no aeroporto José Marti de Havana, especialmente preparado para o importante evento. Poderiam ter escolhido uma outra sede, por exemplo, a alardeada democracia da Costa Rica, ali pertinho, que nem exército tem. Francisco esteve recentemente em Cuba, Kirill é a quarta vez que pisa na Ilha. Parece que gostaram e aceitaram de bom grado “Ir pra Cuba!”.
E então, por quê o papa Francisco e o patriarca russo Kirill escolheram Cuba para a sua histórica reunião?
O papa Francisco e o patriarca Kirill conversarão durante duas horas no aeroporto José Martí | Foto: BBC
O chefe da Igreja Católica Romana papa Francisco se reunirá nesta sexta-feira com o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa Kirill no que se constitui no primeiro e único encontro entre os líderes de dois dos principais ramos do cristianismo desde que ambas se separaram em 1054, há quase um milênio.
O interesse de Francisco no encontro estava
claro desde pelo menos novembro de 2014, quando ao regressar de uma
viagem a Istambul, revelou que havia falado por telefone com Kirill e
que lhe havia dito: “Irei aonde quiser. Chama-me e eu vou”.
Finalmente o encontro está confirmado, porém não ocorrerá nem em Moscou
nem em Roma nem em nenhuma outra capital europeia e sim em Havana, Cuba,
onde ambos conversarão durante cerca de duas horas numa sala de
reuniões especialmente montada no aeroporto internacional José Marti.
Por quê esses líderes religiosos decidiram encontrar-se em Havana,
capital de um país que até 1992 era oficialmente ateu e que é o país com
menos cristãos, proporcionalmente, da América Latina?
John
Allen, editor associado de Crux, uma publicação do Boston Globe e autor
de 10 livros sobre o Vaticano e temas do catolicismo, considera que na
escolha do local houve uma parte de sorte e outra de estratégia.
"A parte da sorte tem a ver com que o patriarca russo já tinha previsto viajar a Cuba ao mesmo tempo que o papa Francisco iria ao México, de modo que resultava prático se verem ali. A parte estratégica tem a ver com o fato de que a relação entre ambas as igrejas está muito carregada pela história europeia”, explicou Allen. "Esta relação necessita de um novo começo, por isso a reunião não poderia ocorrer na Europa nem nos Estados Unidos. Cuba é uma excelente escolha porque é amistosa para a Igreja Católica porém também para a Rússia porque foi o alido mais próximo de Moscou no continente americano.”
Por seu lado,
Vakhtang Kipshidze, porta-voz do Patriarcado de Moscou da Igreja
Ortodoxa, afirmou que "Cuba é ideal porque é um país principalmente
católico que tem uma comunidade ortodoxa em Havana. É um lugar
igualmente hospitaleiro para todos. Em contraposição, a Europa está
ligada a experiências negativas e dramáticas para ambas as comunidades
religiosas".
O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, opinou que "no passado se tentou, sem êxito, conseguir esse encontro, nos tempos de João Paulo II e do patriarca Alexis II, levantando-se hipóteses de diferentes lugares na Europa, que é um continente muito complexo e com grande densidade histórica”.
Para John Allen, o
fato de que Cuba seja percebida como um país majoritariamente secular
contribui para a sua imagem de território neutro. “Encontrar-se ali não
significa uma vitória do papa nem do patriarca. Simplemente decorre ser
um lugar que para ambos resulta conveniente”.
Victor Gaetan, correspondente do National Catholic Register e colaborador da revista Foreign Policy, considera que a escolha de Cuba favorece o governo de Raúl Castro "ao posicionar Havana como um mediador entre Ocidente e Rússia. Pode dar a impressão que Francisco esteja fazendo concessões, todavia o que fica claro é sua disposição de cicatrizar uma ferida que já dura 1000 anos. Cuba significa um meio para alcançar um grande objetivo: a reconciliação”.
Ted Piccone, analista do programa
sobre América Latina do Brookings Institution, concordou que o encontro
ajudará a melhorar a imagem de Cuba no exterior. "Cuba precisa
reconstruir seu capital no estrangeiro agora que já não pode limitar-se
simplesmente a queixar-se dos Estados Unidos. Quer construir a imagem de
que é um ator conciliador diplomático neutro como tem sido nas
negociações de paz entre a Colômbia e as FARC".
A Secretaria
Geral das Nações Unidas qualificou de histórico o encontro entre o papa
Francisco e o patriarca Kirill. O porta-voz Stephane Dujarric assegurou
que Ban Ki-moon se sente feliz pelo encontro na Ilha caribenha.
VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!!
11 de fev. de 2016
MUDAR GUANTÁNAMO — MAS SÓ DE ENDEREÇO...
Para salvar imagem,
Obama pode transferir presos encarcerados na base infame. Planeja,
porém, mantê-los na condição de condenados eternos, sem julgamento ou
direito à defesa
Por Luis Matías López | Tradução: Inês Castilho
Barack Obama não quer passar para a história como um presidente cheio
de boas intenções, algumas conquistas importantes (reforma da saúde,
normalização das relações com Cuba, acordo nuclear com o Irã…), mas com a
coluna de créditos do seu balanço mais curta do que o saldo devedor
(incapacidade de impedir a emergência do Estado Islâmico,
internacionalização do terrorismo jihadista, guerras de Bush falsamente
encerradas, graves tensões com a Rússia…).
No afã presidente
norte-americano para salvar seu legado há uma questão de alto valor
simbólico, porque supõe o sonoro e midiático descumprimento da promessa
de fechar o cárcere vergonhoso de Guantánamo, na base de mesmo nome
localizada em Cuba. Sua ocupação resulta do direito colonial rançoso,
anterior à revolução cubana, e não do livre acordo entre aliados –, já
que Havana não desistiu de sua reivindicação estéril para recuperar essa
parte do país.
Além do alto valor estratégico de manter forte
presença militar em um país vizinho que os EUA não conseguiram submeter
em 57 anos, Guantánamo brindou tanto Bush como Obama com uma saída
perfeita para reter, em condições frequentemente sub-humanas e já há 14
anos, centenas de combatentes inimigos, sem ter de reconhecer o direito
de serem considerados inocentes até prova em contrário.
Obama
sustenta que a culpa não é sua, mas de um Congresso dominado pelos
republicanos que boicotou, sistematicamente, todas as tentativas de
fechar a prisão atípica e vergonhosa. Não lhe falta parte da razão, mas,
se é bem certo que o sistema de equilíbrio de poderes limita suas
atribuições presidenciais, não é menos verdadeiro que deixa ampla margem
ao Executivo quando este demonstra uma clara vontade política de
batalhar contra a resistência do Legislativo. Trata-se tanto de poder
como de querer, e não está claro se Obama deseja fechar Guantánamo a
ponto de assumir, por essa questão, o desgaste de um conflito aberto com
o Congresso.
Uma prova evidente de como o presidente relativiza o
assunto é que, em que pesem suas advertências em contrário, ele
terminou aceitando, em novembro, um orçamento de defesa que proíbe o
traslado aos Estados Unidos de prisioneiros aprisionados na base.
Enviá-los para território norte-americano suporia, entre outras coisas,
reconhecer seu direito a um julgamento justo. Se se aceitasse este
princípio, a grande maioria dos detidos ilegalmente – contra os quais
não há provas sustentáveis diante de um tribunal imparcial – deveriam
ser colocados em liberdade. Isso suporia reconhecer um dos maiores
ultrajes legais cometidos pelos Estados Unidos em seus quase dois
séculos e meio de história. E, num país onde os advogados florescem como
cogumelos, poderia multiplicar as exigências de reparação pelos danos
físicos e morais à multidão de encarcerados durante esses 14 anos.
Esse perigo parece distante, sem dúvida. De fato, o secretário de
Defesa, Ashton Carter, anunciou que apresentará, ao Congresso, de um
plano que, se colocado em prática, implica mudança da localização dos
prisioneiros – de Guantánamo aos Estados Unidos –, sem alterar
necessariamente seu status. Hoje, eles não podem ser transferidos a
outros países; nem julgados (por falta de provas), nem libertados
(porque continuam sob suspeita de terrorismo). Uma aberração legal, mas
que não seria a mais grave perpetrada na “guerra contra o terror”
empreendida por Bush desde 11 de Setembro, e que também aprisionou
Obama, mais preocupado em salvar a própria pele do que com que se faça
justiça.
Obama não é exatamente igual a Bush, e fez, sim, alguma
coisa. Por exemplo, proibiu as torturas – ainda que persista tratamento
degradante – que tiveram inclusive cobertura legal (embora secreta), e
que foram praticadas de forma rotineira durante o mandato de seu
predecessor. Reduziu o némero de presos aos 93 atuais, dos 245 que havia
quando assumiu a presidência (há sete anos!), e um número muito
distante dos 680 que Guantánamo chegou a ter no seu ápice, em 2003.
Dos 93 que continuam lá aprisionados, 34 estão tão “limpos” que se
admite transferi-los a outros países – se houver quem aceite acolhê-los;
três foram condenados pelas “comissões militares” que substituem os
tribunais civis; sete estão sendo julgados por esses mesmos órgãos; e os
49 restantes, classificados como “combatentes ilegais”, estão retidos
em caráter indefinido e sem indícios de culpabilidade que permitam serem
processados com as mínimas garantias legais que deveriam ver
reconhecidas.
As irracionalidades abundam. É claro que o sistema
penitenciário, capaz de aprisionar o autor do atentado da maratona de
Boston e o rei do narcotráfico, Chapo Guzmán – se for finalmente
extraditado do México –, não teria problemas em deter, com garantias, um
punhado de supostos terroristas. O problema é que, se chegarem aos
Estados Unidos, fora já do limbo legal de Guantánamo, demonstrar sua
culpabilidade, caso exista, seria questão quase impossível. E a
propaganda dos republicanos, amplificada em pleno ano eleitoral, somada
às reticências nos Estados onde se encontram as eventuais prisões
receptoras, reafirma que haveria um grave risco à segurança nacional se,
finalmente, a maioria desses reclusos acabassem em liberdade. Difícil
imaginar maior exercício de hipocrisia num país que dá lições de
democracia e respeito aos direitos individuais ao mundo todo.
Mas
ainda tem mais. Pois Obama está preso à sua sonora promessa de fechar
Guantánamo, e descumpri-la o colocaria em evidência. Por isso continuará
esforçando-se para realizá-la, ainda que isso suponha pouco mais que
maquiagem. Diversas organizações defensoras dos direitos humanos (como
Anistia Internacional e a União de Liberdades Civis Americanas) temem
que o eventual transporte dos prisioneiros para os Estados Unidos não
inclua mudança em seu status atual de “presos indefinidos”.
A
Anistia Internacional, por exemplo, sustenta, através da diretora do
Programa de Segurança e Direitos Humanos nos Estados Unidos, Naureen
Shah: “A única coisa que a proposta de Obama (realocação dos
prisioneiros, conservando-os em detenção indefinida nos Estados Unidos)
conseguiria seria mudar o código postal de Guantánamo (…) O certo seria
por fim à detenção indefinida sem ressalvas, não mudá-la de lugar (…);
os que não podem ser transferidos a outros países considerados seguros
devem ser acusados diante de um tribunal federal ou postos em
liberdade”. A Anistia exige, além disso, que os EUA assumam “a
responsabilidade pelos abusos cometidos no passado” e que “sejam
ampliadas as investigações sobre denúncias de tortura e outras violações
dos direitos humanos.” Enquanto isso, a advogada novaiorquina Tina
Foster, que representa vários prisioneiros, sustenta que o fechamento da
prisão seria principalmente uma medida de relações públicas, sem nenhum
significado real.
De outro lado, exportar para outros países os
prisioneiros de Guantánamo não garantiria que estejam seguros e com seus
direitos fundamentais a salvo, algo que exigiria um mecanismo de
controle para garantir que não estão mudando de uma prisão para outra,
igualmente injusta e arbitrária. Um exemplo: o marroquino Yunus Chekuri,
transferido encapuzado e algemado a seu país após 14 meses detido na
base norte-americana sem que houvesse nenhuma acusação contra ele, e sem
que a CIA e o FBI o considerassem uma ameaça, continua aprisionado
próximo a Rabat. E seu caso não é o único.
Fonte: Blog do Luis Nassif em 10/02/2016
VENCEMOS !!! VENCEREMOS !!!
Assinar:
Postagens (Atom)















