12 de set. de 2022

A FORÇA DE UM PAÍS CHAMADO CUBA (+videoclipe)

Por Pedro Jorge Velázquez.

Ser uma testemunha e não uma árvore. Crescer a partir da sinestesia dos eventos, a partir do impacto dos golpes. Pensar sobre os juramentos que esta terra aprendeu a fazer. Para fazer mais do que dizer. Caminhar mais do que sentar-se à beira da estrada para criticar a caminhada dos outros. Para ficar. A rota escolhida por Buena Fe não é de arrependimentos. Eles os perseguem ali, atrás das dunas e dos ministérios ultravioletas; eles os atacam por não terem se transformado em lama e polietileno.

Como se corta hoje um épico? É a vez de quem? O mês de janeiro trouxe muitos desafios. Naquele janeiro pensou-se em um país melhor. Mas já passaram mil janeiros e até mil países. Os riscos foram renovados, também para aqueles que correm na eira e ousam exigir uma arte revolucionária que não peca por esquecimento. Amar no paradoxo perdido destes tempos talvez seja a prova mais forte quando eles escrevem seus vereditos. Eles. Eram eles, agora não os deixem procurar por outros culpados. Foram eles, com sua canção Valientes, que começaram a tecer esperança a partir de abril - ou os abriles - para reencarnar do pentagrama dos agradecidos em uma nova canção, ou talvez em uma nova vida.

Vejo em Buena Fe não apenas os artistas que tentaram traduzir a luta contra a pandemia em Cuba em versos, mas também os homens humildes que procuram no interior do país aquele talento que é estranho às telas, estranho a Los Lucas*, aquele talento que foi evitado e que precisa começar a ser incluído. Por isso a canção La fuerza de un país não teria sido possível sem o tom Bayames de Ronald González e Explosión Rumbera, sem o refrão de Changüí Guantánamo e sem o latão dos jovens que compõem a Banda de Boyeros. O pop foi unido ao nosso guaguancó e ao nosso changüí, para que não faltasse o sabor da música tradicional cubana.

Não é coincidência que quando você ouve a canção e vê o vídeo clipe, você se lembra daqueles que acreditavam na loucura, você pensa novamente nas consequências de ser livre e na decisão de criar maravilhas nesta ilha onde existe subdesenvolvimento, mas não desabrigado. "Imagine por um momento meu povo sem o bloqueio".

A força de um país não é a força de poucos; a estratégia, o anseio, os anos de estudo, a insistência, a insônia, o suor, a dedicação e o compromisso com o outro o formaram. E essa força e esse sacrifício pelos outros não surgiram do nada, nem explodiram num piscar de olhos; ao contrário, é o resultado mais acabado da semeadura rebelde, de acreditar na ciência e colocá-la a serviço da maioria para criar vacinas eficazes que hoje pertencem a todos.

A alternativa existe. Nós a apoiamos. Não devemos caminhar por um caminho imposto quando o caminho da eira é um caminho possível; quando o socialismo, esse socialismo que se pretende destruir e manter em uma caixa de papelão, esse socialismo vivo que alguns pintam como um fracasso, essa crença no amor ao outro tanto quanto a si mesmo, abriu suas portas e saiu para curar todo o chão que nos cobre.

As bestas gritam. Eles avisam o "gigante das sete léguas". Eles procuram nos isolar de uma vez por todas. Mas eles sabem que aqui estamos, aqui caminhamos, os pequenos aldeões - alguns de nós vaidosos - sem medo de ousar, de mudar, da liberdade que está além dos nichos mercantis. E os gigantes conhecem a força quixotesca que surge quando vamos juntos, apertando as mãos e apertando forte, como se a vida do outro fosse nossa própria vida, porque a Revolução hoje significa viver em mais de um corpo e morrer acreditando no que os outros acreditavam, e nascer de novo nas ideias daqueles que irão caminhar amanhã.

Quem pode gravitar, consciente do desprezo por si mesmo, e pisar com segurança? Quem ousa pedir uma intervenção militar em sua aldeia, em sua terra, em sua pátria? Por que a pátria deveria voltar a ser a ratoeira, o esconderijo, a síntese monótona das aparências, o fantoche, a sombra, a morte, o buraco, a cadela que ladra quando o mestre ordena? Onde pararíamos se aqueles que hoje prometem "paraísos" caíssem amanhã diante do medo, imposição, lama, desigualdade, pobreza multidimensional, dependência, ultraje, caos... Onde ficariam os mais de 60 anos em que homens e mulheres, contra todas as probabilidades, construíram a força de um país?

A força de um país não é um campo, não é uma abstração ou uma personificação imóvel, não é um manual, nem uma ordem governamental, nem um relatório que pode ser pré-definido. Buena Fe canta de uma força maior. Onde a leitura foi ensinada, onde a terra foi entregue, onde os sonhos foram defendidos, onde foi dito e feito, onde nossa cultura foi forjada, descolonizada; onde foi criticada, transformada, retificada e enfrentada dogmaticamente; onde um esporte era praticado, onde uma medalha era conquistada, onde a ciência era ensinada e vidas eram salvas independentemente de raça, sexo, crenças ou alcance econômico, a força de um país nasceu e cresceu, e agora é essa força que nos sustenta para permanecermos livres. Livres, pois só nós podemos ser livres.

Há uma reunião dos sacrificados, há dois meninos que desde que deixaram Guantánamo não deixaram de dizer o que sentem, porque sabem que esta é a única maneira de andar de cabeça erguida. O resultado musical é o resultado de meses de trabalho, mas também de uma inspiração que só eles saberiam descrever. O esforço que foi feito para fazer esta canção e seu vídeo clipe teve que corresponder aos esforços dos cientistas, médicos, enfermeiros, assistentes, transportadores e todos os trabalhadores da saúde que se colocaram entre nós e o vírus para nos proteger.

Hoje Cuba tem uma população quase totalmente imunizada. Os casos confirmados de Covid-19 são cada vez menores, e a batalha contra a morte foi ganha.

Como cronistas da época em que vivem, como herdeiros de uma tradição musical que levou a canção ao seu mais alto nível e como a voz crítica de uma geração que os acompanha, Buena Fe toma a palavra e se levanta: cheia, altiva, como se todos os linchamentos da mídia a que foram submetidos pudessem ter sido reduzidos com um piscar de olhos cubano e o poder do povo que os abraça.

Eles não estão à procura de "likes" ou vistas no YouTube. Também não estão procurando prêmios formais, ou formalismos que recompensem. Isso não é o que os gratifica. Há uma gratidão muito mais profunda em nossas ruas e na pobreza de nosso povo, onde o respeito arde. Israel Rojas e Yoel Martínez sabem que não são mais aqueles jovens aventureiros que deixaram Guantánamo há mais de 20 anos, embora eu saiba bem que eles ainda têm o mesmo fogo nos olhos.

 É a mesma coisa na enxada, no giz, no estetoscópio, na espingarda, no carrinho de mão e na canção. Há um menino com um lenço azul e cabelo macio que sorri com um sorriso saudável, desenha um triângulo com seu lápis vermelho e me confirma isso. Novamente voamos e acreditamos que é possível curar após a catarse. A confiança também tem sido nossa forma de rebelião. Para confiar. Para lutar. Para fazer. Para caminhar.

A força de um país é onipresente, assim como a pátria. É o mesmo neste frasco que estava naquele mês de julho de 53̓. É no dia a dia e na resistência, no caminho que tomamos e não vamos deixar. É em um povo ferido que se levanta para vacinar o mundo contra o vírus do egoísmo. Está no sangue do mambi e na criança que nascerá amanhã. Vai no tecido dos lenços vermelhos. Está na memória daquele avô que morreu confiando-nos sua verdade para que pudéssemos sustentá-la, eternamente, com nossas vidas.


Nota: (*) The Lucas Awards: prêmios concedidos anualmente aos melhores videoclipes cubanos em várias categorias.

https://cubaenresumen.org/2022/09/10/la-fuerza-de-un-pais-llamado-cuba/

Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba

 

NT:  o texto (lindo) se refere ao duo musical Buena Fe  que compôs a também linda música sobre a vacina cubana : La fuerza de un país








9 de set. de 2022

BIDEN PRORROGA A LEI QUE MANTÉM POLÍTICA DE ABUSOS COM CUBA. #NoMasBloqueo

                                                                        

Joe mostra seu "amor" pelo povo cubano - Joe Biden prorroga uma das leis que sustentam a guerra econômica contra Cuba, sim senhoras e senhores, o bloqueio econômico, comercial e financeiro.    Alerta para aqueles que sofrem com a peste bobônica, eles são suscetíveis ao contágio. (Raul Capote)

   A prorrogação da medida unilateral é baseada na emitida em 7 de setembro de 2021, que expira em 14 de setembro

   O membro do Bureau Político do Partido e ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, condenou no Twitter a prorrogação, pelo presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, da antiga Lei do Comércio com o Inimigo.

   "Ao prorrogar a aplicação da "Lei do Comércio com o Inimigo" , Biden se torna o 12º. Presidente dos Estados Unidos a ratificar o marco que sustenta a política de abuso contra Cuba e seu povo, que é rejeitada por quase todos os países membros da comunidade internacional”, escreveu o chanceler cubano.

                              


  Com sua assinatura, Biden prorrogou, por mais um ano, a vigência dessa norma, que limita o comércio e implementa sanções econômicas contra a Ilha.

   Em comunicado divulgado pela Casa Branca e dirigido aos gabinetes do secretário de Estado, Antony Blinken, e da secretária do Tesouro, Janet Yellen, Biden destacou que a prorrogação da medida unilateral se baseia na divulgada em  7 de setembro de 2021, que expira em 14 de setembro.

  Da mesma forma, afirmou que a decisão “é de interesse nacional” para os EUA, acrescentando que a prorrogação será válida até 14 de setembro de 2023.


O Trading with the Enemy Act, aprovado pelo Congresso em 6 de outubro de 1917, dá ao presidente o poder de restringir o comércio com países "hostis" aos Estados Unidos, e a capacidade de aplicar sanções econômicas em tempo de guerra. período de emergência nacional e proíbe o comércio com o inimigo ou aliados do inimigo durante conflitos armados.

Em virtude desta lei, a mais antiga do gênero, o Regulamento para o Controle de Bens Cubanos foi adotado em 1963, depois que o bloqueio contra Cuba foi declarado em 1962 pelo presidente John F. Kennedy, também baseado neste estatuto.


https://www.granma.cu/mundo/2022-09-03/biden-prorroga-la-ley-que-sostiene-politica-de-abuso-con-cuba-03-09-2022-00-09-28

Tradução: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba


                 


8 de set. de 2022

DIA 8 DE OUTUBRO UMA CORRENTE HUMANA SE FORMARÁ EM TORNO DO PARLAMENTO BRITÂNICO (+ vídeo) #FreeAssangeNOW

                                                 

Em 08.10.2022, uma grande cadeia humana para a libertação de Julian Assange será formada em torno do Parlamento Britânico.  Até agora foram registrados 1900 dos 5000 participantes necessários.  Queremos mostrar nossos rostos e demonstrar o maior escândalo de justiça do século em torno do jornalista mais importante de nosso tempo. Pela nossa liberdade e a de nossos filhos!  Acompanhe-nos!

    Dia 8 de outubro será  formada uma grande cadeia humana em torno do Parlamento  exigindo a liberdade de Julian #Assange SUA SAÍDA ESTÁ EM NOSSAS MÃOS.  Em 08.10.2022, uma grande cadeia humana para a libertação de Julian Assange será formada em torno do Parlamento Britânico.  Até agora foram registrados 1900 dos 5000 participantes necessários.  Queremos mostrar nossos rostos e demonstrar o maior escândalo de justiça do século em torno do jornalista mais importante de nosso tempo. Pela nossa liberdade e a de nossos filhos!  Acompanhe-nos!

   📌 O tempo está  se esgotando  para o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, à medida que se aproxima a sua potencial extradição. Uma decisão final é prevista pelo Supremo Tribunal de Londres  em setembro, o que significa que ele pode ser enviado para os EUA dentro de alguns meses.

   "A vida de Julian depende desta decisão", disse a sua esposa Stella #Morris. "

     Embora o juiz distrital britânico tenha decidido que "seria opressivo extraditá-lo", o  Tribunal anulou essa decisão. O pedido foi acelerado para a ministra do Interior Priti #Patel, que aprovou a extradição.

     Um pedido de última hora para parar a extradição foi feito, então Julian permanece em #Belmarsh, a mais conhecida prisão de segurança máxima do Reino Unido desde que foi capturado em 2019.

  Anteriormente, ele tinha pedido asilo na embaixada do Equador em Londres. Lá dentro, ele estava sendo espionado pela CIA. Os advogados de Assange estão agora processando a #CIA e o seu ex-diretor Mike #Pompeo por gravar conversas e copiar dados de telefones e computadores. Sem contar relatos de que a agência conspirou para sequestrar, matar e envenenar Assange.

    Da embaixada para Belmarsh 

   O fundador do #WikiLeaks estava  cumprindo uma sentença de 50 semanas quando encontrou refúgio na embaixada. Há muito tempo já cumpriu a sua sentença inicial de 50 semanas, mas permaneceu detido desde então, tendo a sua fiança negada várias vezes. E isto, apesar de não ter sido considerado culpado de qualquer crime, faz dele um prisioneiro político.

   Os EUA querem Julian Assange pelo seu presumível papel no que chamam de "um dos maiores compromissos de informação confidencial na história dos Estados Unidos. " Eles indiciam Assange de 18 acusações ao abrigo da lei de espionagem por publicar documentos militares confidenciais relacionados com as guerras no Iraque, Afeganistão e o centro de detenção de #Guantánamo, bem como uma ação de acusação por conspiração por hackear uma empresa governamental para publicar estes documentos confidenciais. Em outras palavras, Julian liberou uma infinidade de arquivos expondo os crimes de guerra cometidos pelo governo dos EUA.

   Para começar, e para esclarecer, o jornalismo não é um ato de espionagem. Espionagem é um ato de Estado e os segredos devem ser mantidos segredos para os referidos Estados. Jornalismo é um ato de direito público e, por isso, envolve divulgação intencional.

   Sabemos agora que a guerra contra o terrorismo foi travada com base em invenções, ilusões e mentiras. Desde a chamada "missão de libertação" das mulheres no Afeganistão à resposta às armas de destruição em massa que poderiam ser desmontadas em menos de 45 minutos, o Oriente Médio sofreu seriamente com esta duplicidade. E, graças a Julian Assange, sabemos agora que nestas guerras  foram cometidos crimes da pior espécie.

                                   

   Na verdade, é fácil desviarmo-nos no labirinto legal que dura 10 anos; desde alegações de pirataria ilegal e acusações de espionagem até leis de extradição, através de decisões judiciais. Mas o caso de Assange é tão político quanto jurídico. E em muitos aspectos,  mais político.

   A citação comumente atribuída a George Orwell - "Numa era de engano, dizer a verdade é um ato revolucionário" - não poderia ser mais relevante no caso de Assange.

  Os advogados de Assange dizem que o caso é "extraordinário, sem precedentes e politizado" . Infrações desta natureza estão livres de extradição nos termos do Tratado do Reino Unido e dos Estados Unidos, o que significa que estão protegidos pela Primeira Emenda. Ou pelo menos deveriam estar.

   Em vez disso, por falar a verdade sobre o complexo militar e as ações cometidas pelas tropas ocidentais, Julian enfrenta uma sentença de morte. Se os EUA lhe puserem as mãos em cima, ele provavelmente será considerado culpado e condenado a até 175 anos de prisão. A defesa de Julian diz que ele " se arrisca a  um destino pior do que a morte" na prisão ADX do Colorado, onde ficará confinado 23 horas por dia. Dizem que ele já tem pensamentos suicidas "várias vezes ao dia". E sabemos que a saúde física dele está se deteriorando dia após dia.

   Entregá-lo aos EUA não só o colocaria em perigo, como seria um perigo para os jornalistas de todo o mundo. Apoiadores e ativistas há muito que dizem que não é só Assange que está no banco dos réus, mas que ao seu lado estão os princípios fundamentais da liberdade de imprensa e o direito do público ao inferno com a sua ornamentação. A extradição de Assange não só silenciará ele, mas também amordaçará todos os outros jornalistas de todo o mundo.

   Os advogados estão  trabalhando incansavelmente para que ele seja libertado e a opinião pública está cada vez mais do lado de Julian, mas o tempo está  se esgotando.  Junte-se à Coligação Stop the War para formar uma cadeia humana em torno do Parlamento no dia 8 de outubro, para exigir a libertação de Julian Assange O destino dele está nas nossas mãos

 https://www.facebook.com/photo/?fbid=5578765185508306&set=gm.1737476836592510   

Edição e Tradução: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba  


Um vídeo de Stella Assange convocando para o dia 8/10 em Londres

Legendas em português:

Ir na engrenagem e clicar na legenda automática.

           

                     

6 de set. de 2022

A PRISÃO SIONISTA

                                                                                                      

Omar Rafael García Lazo*

Em 6 de setembro de 2021, seis palestinos detidos na prisão de segurança máxima em Gilboa, "Israel", protagonizaram  uma fuga espetacular. Após meses cavando um  túnel, os seis lutadores conseguiram romper as paredes que os confinavam para toda a vida. 

Dias mais tarde, depois de uma caçada feroz, eles foram capturados. No entanto, o evento é um símbolo do desejo de liberdade e espírito de luta do povo palestino, um povo ainda em busca da luz ao final do túnel.

Por mais de 70 anos, os palestinos vêm lutando pela concretização de um Estado soberano. Nem as guerras travadas, nem as resoluções da ONU, nem os acordos assinados conseguiram materializar este anseio. Entretanto, em meio a suas restrições econômicas, traições fratricidas, silêncios cúmplices e cinismo ocidental, o povo continua a resistir à ocupação sionista.

O sofrimento suportado pelo povo palestino devido à ocupação e ao apartheid sionistas é comparável apenas à dor causada pelos crimes contra a humanidade do nazismo alemão, o bombardeio nuclear estadunidense contra o Japão ou a bestialidade imperialista desencadeada por Washington contra o Vietnã.

Em 1947, após a resolução 181 da ONU, os sionistas declararam o estabelecimento de um Estado e começaram a guerra de pilhagem que terminou com o controle de mais de 20.000 quilômetros quadrados, cerca de 5.000 a mais do que estabeleceu o plano de partição da ONU. Com total impunidade, a entidade sionista conseguiu ocupar cerca de 78% do que já foi o mandato britânico da Palestina.

No lado palestino, as divisões internas, a própria guerra, as posições pusilânimes dos países árabes na região, a impotência da Europa, a inação da União Soviética e a duplicidade dos Estados Unidos impediram o estabelecimento de um Estado, como estabelecido pela resolução acima mencionada.

O que é conhecido como Palestina histórica cobre uma área de mais de 27.000 quilômetros quadrados, dos quais hoje apenas pouco mais de 6.000 quilômetros quadrados permanecem reconhecidos como território palestino, apesar de serem ocupados por tropas israelenses.

"Israel", com uma política de colonização pelo sangue e pelo fogo, trabalhou todo esse tempo para render o povo palestino em sua luta. A estratégia é eliminar progressivamente a identidade cultural palestina e conseguir a subjugação jurídica, militar e política através de uma combinação de ações repressivas constantes, assassinatos seletivos e extrajudiciais, deslocamento, desarticulação social, êxodo, violação dos direitos humanos fundamentais, humilhação e desprezo permanentes. Estamos diante de uma entidade que aplica uma política óbvia de apartheid e terrorismo de Estado diante dos olhos impávidos  do mundo "civilizado".


Os muros


O regime sionista aprisionou os palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. O bloqueio econômico, o controle do espaço aéreo, marítimo e terrestre, juntamente com o sistema de segurança e espionagem, com centenas de pontos de vigilância, muros e arame farpado, constituem uma prisão a céu aberto que reduz a mobilidade dos palestinos em suas próprias terras a quase zero.

Ao mesmo tempo, e como parte deste esforço para intimidar, aterrorizar, desmobilizar e separar famílias a fim de enfraquecer qualquer tipo de resistência, inclusive ideológica e cultural, o regime desenvolve um programa punitivo contra o povo palestino, à margem das normas internacionais.

Nas superlotadas prisões sionistas há mais de 15.000 pessoas, e mais de 40% delas não têm sentenças definidas. Destes, mais de 4.500 são palestinos, a grande maioria deles vítimas do ódio e da repressão. Entre eles estão 31 mulheres e 175 crianças.

As denúncias de detentos e organizações de direitos humanos refletem a existência de violações sistemáticas dos direitos humanos nas prisões israelenses.


A Liberdade


As causas justas sempre terão morte, prisão e exílio escondidos atrás delas. Quanto aos muros, não há nenhum capaz de deter o anseio de seres humanos justos pela liberdade. José Martí, o Herói Nacional de Cuba, que foi prisioneiro da tirania colonial espanhola no século XIX, disse: "Os tristes prisioneiros se cegarão para tudo, exceto para a porta larga que se abre para apressar sua liberdade".

A prisão também não deteve o jovem Fidel Castro, que após a aparente derrota militar e a prisão como punição em 1953, sabia a que estaria exposto atrás das grades: "Quanto a mim, sei que a prisão será dura, como nunca foi para ninguém, cheia de crueldade  e covarde brutalidade.  Mas eu não temo isso, assim como não temo a fúria do tirano miserável que tirou a vida de 70 de meus irmãos. Condene-me, não importa, a história me absolverá".

O povo libertou Fidel depois de exigir sua anistia e Fidel continuou a luta pela liberdade do povo. Esta unidade entre a liderança e o povo é a melhor lição que Cuba deixa aos povos do mundo que lutam por sua libertação.

Das prisões sionistas, o grito de resistência daqueles que não desistem pode ser ouvido, e os acontecimentos em Gilboa confirmam que o desejo de liberdade e a luta por uma Palestina independente e livre persiste. Enquanto o ideal estiver vivo, a vitória é possível.


 *Analista politico internacional                 

https://espanol.almayadeen.net/articles/1626591/la-c%C3%A1rcel-sionista

Tradução: Carmen Diniz / Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 


Mais: 

 https://www.youtube.com/watch?v=NjbiuzzjvgI&t=2s&ab_channel=AlMayadeenEspa%C3%B1ol

https://espanol.almayadeen.net/news/politics/1627261/banderas-de-resistencia-desde-el-t%c3%banel-de-la-libertad

29 de ago. de 2022

"TRAGAM-NO PARA CASA" - DIZ O PAI DE JULIAN ASSANGE

John Shipton. Photo Tree Faerie.

Eve Jeffrey, 26/08/2022

Julian Assange está trancado à chave há 13 anos. Durante esse tempo ele poderia ter criado um bebê até a adolescência ou ter feito um curso de medicina, estágio, residência, treinamento de GP, e ter tido um ano sabático. Nesse tempo, ele poderia também ter cumprido três mandatos como primeiro-ministro australiano.

Assange, o prisioneiro mais famoso do mundo, tem pessoas no exterior esperando por ele. Não apenas os milhares de apoiadores que fazem lobby e protestam, fazem arte e angariam fundos para vê-lo libertado, mas uma família:  pais, irmãos e uma esposa e filhos próprios. E seu pai, John Shipton.

Shipton parece que veio direto da Central de Estrelas de Hollywood. Um cavalheiro alto, bonito, elegante e digno fazendo o papel de um pai herói de Hollywood no caminho para salvar seu filho. Um filho injustamente aprisionado. O personagem seria um homem que está lutando contra um Golias, esperando um dia reunir em sua terra natal uma família espalhada pelo mundo - para recuperar a paz de espírito e a paz de coração...

Mas espere! Há um filme sobre isso. John Shipton e seu filho Gabriel Shipton, que é o produtor do filme, estão em Byron Bay para uma exibição de Ithaca: A Fight To Free Julian Assange [Ítaca: Uma luta para libertar Julian Assange]. Mas esse filme não é um conto de fadas de Los Angeles e pode não ter um final feliz. É um documentário sobre um filho de verdade que está apodrecendo na prisão de Sua Majestade, Belmarsh.

                               

Just bring him home. Photo Tree Faerie.

  Belmarsh não é um passeio no parque. Neste drama da vida real, Assange está em uma prisão de segurança máxima "Categoria A", o que significa que Assange é considerado altamente perigoso para o público e/ou para a segurança nacional. Prisões de Categoria A abrigam assassinos, estupradores, ladrões armados, sequestradores, traficantes de drogas e explosivos e terroristas. Você não encontrará aqui os fumantes de maconha e os fraudadores.

   Shipton é envolvente e humilde - uma figura simpática. Alguém que você quer ver vencer. Não há nenhum flash ou glamour, apenas um homem calado e sincero fazendo o melhor por seu filho. É de partir o coração vê-lo lutar com a linguagem quando suas emoções estão tão desordenadas.


 Grandes apoios

                                   

John é imensamente grato aos apoiadores de Assange - pessoas comuns, que estão abrindo mão de seu tempo e energia. Os artistas, em particular, ocupam um lugar caloroso em seu afeto. Eles são fabulosos. Há uma exposição em Leipzig no momento, há outra em Viena, outra em Paris, e depois, é claro, há os locais dos Rios do Norte.         

"Houve uma grande exposição em Colônia, na qual 24 artistas apresentaram trabalhos. Há também um site que acumula todos estes projetos, e há Ai Weiwei; os artistas não hesitam. Leunig, por exemplo, é um apoiador, suas obras são ouro puro. Roger Waters é muito comprometido'.

Shipton diz que Julian vê as obras de arte - ele recebe cartões e cartas, e as pessoas enviam notícias e livros.

                                 

Vista aérea da prisão de Belmarsh

'É uma prisão de segurança máxima, então você tem que passar por quatro portais seguros. Você é despojado de tudo - você não pode levar papel, então você tem que memorizar tudo. Então, antes de entrar na sala de reuniões, você é revistado novamente e depois os cães farejadores farejam você entrando. 

Quando você entra na sala de reuniões, ela está cheia de câmeras [de alta fidelidade].

'Sempre que estamos em Londres, visitamos, mas na maioria das vezes apenas viajamos incessantemente ao redor do mundo construindo o apoio social e depois convertendo isso em apoio político'.

Shipton diz ter visto Assange há cerca de três semanas e que ele não está bem. "Ele teve um derrame há cerca de três meses, um mini-avc. Seu olho esquerdo é um pouco assim [John pisca os olhos]. Há relatórios sobre sua saúde - um apresentado formalmente ao tribunal pelo professor [Dr. Michael] Kopelman sobre sua saúde mental.

Há outro relatório feito pelo relator das Nações Unidas sobre tortura, Professor Nils Melzer, que em meados de 2009 levou dois médicos especialistas com ele para examinar Julian na prisão de Belmarsh. Eles chegaram à conclusão de que ele estava sofrendo os efeitos da tortura psicológica.

                                         

Nils Melzer

É interessante porque TODAS as torturas visam a mudanças psicológicas. Coisas como não saber onde está, detenção arbitrária".

"Se você me permite mais um pequeno aparte": Em 1948 Herbert Vere Evatt, o primeiro Presidente das Nações Unidas da Austrália, foi coapresentador, junto com Eleanor Roosevelt dos Estados Unidos, da Declaração Universal dos Direitos Humanos na primeira Assembleia Geral das Nações Unidas.

A Austrália, em 1973, apresentou à Assembleia Geral das Nações Unidas, para ratificação, as Convenções Sobre Asilo. Todos os autores destes maravilhosos artefatos civis do final do século 20 acharam por bem ignorar suas próprias criações".

Shipton tem opiniões fortes sobre o sistema judiciário britânico. "Pensa-se muitas vezes que na perseguição de Julian Assange, o Reino Unido age como representante dos Estados Unidos. Bem, o Código de Nuremberg diz especificamente que se você o faz, você não pode dizer que alguém lhe disse para fazê-lo. Eles o fizeram.

Eles mantêm desproporcionalmente Julian incomunicável em uma prisão de segurança máxima". Eles conspiraram com a autoridade promotora sueca e com o Ministério Público da Coroa do Reino Unido para manter Julian na embaixada.

Recusaram-se a realizar uma entrevista sob assistência jurídica mútua, que está disponível para entrevistas na Inglaterra. I Os promotores suecos poderiam ligar a TV [uma tela] e entrevistar Julian.

Julian levou três casos ao nível federal até o tribunal federal na Suécia, exigindo que a Suécia prosseguisse com o caso, para encaminhar o caso. Assim, entre esses dois elementos, obtemos um entendimento diferente do que o Reino Unido estava tramitando.

Tivemos diante de nossos olhos e-mails do Ministério Público da Coroa para a Procuradoria da Suécia: "Você não está ficando com os pés frios sobre isto [perseguir Julian], está? Isto é mais do que uma simples extradição".                                                                                                                


"O que você pode fazer com essas pessoas?"


 É o devido abuso de processo, irregularidades processuais, a desproporção de manter Julian - um editor que nunca fez nada errado! Ele é um prisioneiro em prisão preventiva. Ou seja, ele é inocente.  Ele não tem sequer uma multa de estacionamento e está preso há 13 anos, e o mantêm em uma prisão de segurança máxima, incomunicável - isso em si mesmo é outro crime sangrento.

Portanto, o Reino Unido é um participante. E que a Austrália ignore estas coisas, faz com que a Austrália seja cúmplice.

"Você não pode se importar, e não faz. Você não se importa, você ignora - isto é, você se torna cúmplice ao ignorar, ao aceitar.

Shipton não sabe o que diria se tivesse dois minutos do tempo de Joe Biden. “Imagino que se encontrasse Joe Biden, sairia correndo depois e tomaria um banho de sauna ou algo para tirar a podridão da carne. Essas pessoas estão levando os Estados Unidos por um caminho do qual não há como voltar atrás.

Não consigo imaginar o que eu diria a ele. Você sabe que ele tem um filho que morreu em um acidente de carro. Outro que destrambelhou. Um viciado em crack. Ele é supostamente católico, vai à igreja regularmente. Ele é da minha idade - imagino que dois pais com filhos em dificuldades possam ter um ponto de convergência em algum lugar ao longo da linha. Isso poderia ser usado como ponto de partida'.                                              

Shipton diz que todos os candidatos bem-sucedidos às eleições federais de 2022 tinham uma plataforma, de uma forma ou de outra, de trazer Julian para casa na Austrália. O Partido Trabalhista, os Verdes, os marrecos e os Independentes, todos eles - cada um deles. Alguns do Partido Nacional, no caso de Barnaby Joyce, e alguns de Pauline Hanson's One Nation - todos eles ofereceram apoio a Julian. Portanto, não é um exagero dizer que foi uma eleição sobre Assange. E Assange a ganhou para essas pessoas. Esperamos agora que eles honrem suas promessas, e que ajam decentemente em relação à política que foi o núcleo central de suas preocupações".

 

Tragam-no para casa


O que eu diria a Anthony [Albanese]? Bem, eu acho que diria: Demonstre sua sinceridade e diga-nos o que você fez e como podemos ajudar. Nossa atitude é gerar apoio político para que o Primeiro-Ministro e seus ministros atuem de boa fé em suas indicações anteriores e lhes deem a espinha dorsal ou a estrutura, através de nosso apoio, a fim de dizer aos Estados Unidos, "nós só queremos que Julian volte para casa". Não queremos ver um filho da Austrália, que fez uma imensa contribuição para a compreensão mundial de como os governos fazem as coisas - não queremos vê-lo morrer em uma prisão americana". Tragam-no de volta para casa".

 

 

Disponível em https://www.echo.net.au/2022/08/bring-him-home-says-julian-assanges-father/

Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba com Sandra Fernandes Erickson 

                                       

Cuba e o Mais Médicos, 9 anos depois (Folha de São Paulo 28-08-2022)

 

Cuba e o Mais Médicos, 9 anos depois

Vê-se agora que fim injustificado trouxe efeitos dolorosos aos brasileiros

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28.ago.2022 às 21h00

·          EDIÇÃO IMPRESSA

Pedro Monzón

Cônsul-geral de Cuba em São Paulo

    O programa Mais Médicos, que se iniciou em 8 de julho de 2013, desempenhou um papel muito importante na promoção da saúde no Brasil. Seu propósito foi captar médicos no próprio país e no mundo para trabalhar nas zonas pobres e afastadas do país.

     A participação cubana, até 2018, foi muito efetiva. Organizou-se sobre a base de um projeto de cooperação técnica entre a Organização Panamericana de Saúde e os ministérios de Saúde de Cuba e do Brasil. Teve a virtude de não constituir uma competição —os cubanos ocuparam postos não cobertos por médicos brasileiros ou estrangeiros.

Impacto da saída de médicos cubanos

Ambulância fazem o atendimento emergencial a pacientes da UBS do povoado de Tingui, na BA, e os encaminha para outra unidades Adriano Vizoni/FolhapressMAIS 

1.            

     É reconhecido em todo o Brasil que Cuba teve uma presença proeminente, fato confirmado com dados. Os médicos cubanos representavam 80% de todos os participantes do programa. Em cinco anos, o total do pessoal cubano da Saúde alcançou 20 mil colaboradores. No momento em que a iniciativa foi suspensa, havia mais de 8.000 médicos cubanos no Brasil. Os profissionais da ilha atenderam cerca de 113 milhões 359 mil pacientes em mais de 3.600 municípios, dos quais 700 tiveram serviços médicos pela primeira vez em sua história. Os cubanos cobriram um universo de cerca de 60 milhões de pessoas em zonas de pobreza extrema e, em particular, nos 34 distritos especiais indígenas.

Nos lugares em que trabalharam, todos os indicadores de saúde melhoraram ostensivamente, os índices de mortes foram reduzidos e evitou-se o sofrimento desnecessário por doenças curáveis.

O papel dos médicos cubanos foi reconhecido pela população, que sofreu muito com sua partida. Segundo investigação encomendada pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 95% dos entrevistados confirmaram a alta consideração do povo brasileiro pelo trabalho dos médicos cubanos. Sempre foram distinguidos por seu profissionalismo, caráter amistoso e sua capacidade de se misturar com o povo.

1.           

Alexandre Almeida e Simone Ferreira e os filhos na Bahia; o mais novo teve o pré-natal feito por cubanos Fernando Vivas/FolhapressMAI

 

   Tanto no Brasil como em outros países, assumiram muitos riscos de contágio de doenças perigosas. Tal conduta se explica pelo fato de que os médicos cubanos são educados sobre a base de valores e a concepção de que a saúde é direito humano, e o paciente não é mercadoria.

Não é algo excepcional: esse comportamento caracteriza toda a colaboração internacional de Cuba nas últimas seis décadas. Nesse período, mais de 605 mil médicos apoiaram mais de 170 nações, geralmente as mais pobres, nas quais atenderam comunidades humildes que habitam regiões intrincadas.

 

1.           

Cerca de 400 médicos deixarão o Brasil nesta quinta (22) pelo aeroporto internacional de Brasília Pedro Ladeira/FolhapressMAIS 

 

 

Com esses antecedentes, é obvio concluir que as causas que provocaram o fim da participação de Cuba no programa Mais Médicos foram completamente injustificadas —e o resultado, desnecessário e doloroso para os cidadãos brasileiros, que ficaram sem serviços médicos, precisamente nos prelúdios da pandemia.

Os povos do Brasil e de Cuba têm muito em comum e possibilidades infinitas de intercâmbio, tendo em conta nossas respectivas fortalezas. Por isso, estamos seguros de que, no futuro, serão criadas condições para empreender projetos fraternais nesta e em outras esferas.


                      


 

26 de ago. de 2022

POR QUE NÃO QUEREM QUE A ESQUERDA FALE NA ONU ?


Arleen Rodríguez Derivet

    Uma nova e muito perigosa campanha contra a esquerda latino-americana acaba de começar nos Estados Unidos. De acordo com El Nuevo Herald: Na quarta-feira, o senador da Flórida Rick Scott  pediu ao presidente Joe Biden para negar vistos aos líderes de Cuba, Venezuela e Nicarágua e suas respectivas delegações para que não possam viajar a Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro. Na carta obtida pelo Herald na quarta-feira, o republicano da Flórida instou o presidente a "defender a liberdade e a democracia na América Latina e fazer a coisa certa para proteger os interesses de segurança dos Estados Unidos, negando a entrada a esses três bandidos e seus comparsas".

   Na opinião de Reinier Duardo, esta já é uma estratégia clássica: um senador de extrema-direita pede ao presidente do país anfitrião da ONU que evite a presença de presidentes de esquerda no país. Não importa que se trate de uma violação aberta das leis que regem as relações internacionais. Uma campanha será realizada e já aconteceu mais de uma vez que os Estados Unidos obstruem, dificultam e criam problemas para os representantes legais de outros países.

  Depois apelam para argumentos de sua própria autoria de que "eles são países que patrocinam o terrorismo" e outras invenções do gênero. O objetivo é impedir que as vozes dessas nações sejam ouvidas na ONU.

    Na notícia, foi lembrado que desde 1960 eles atentam contra a Revolução  como a recusa de acomodar a delegação cubana no hotel planejado. Fidel disse então que eles seriam instalados em barracas nos jardins da ONU e foi quando a solidariedade do bairro negro de Harlem os acomodou no Hotel Theresa, em um episódio que faria história.

  Fizeram história da mesma forma todos os seus discursos no pódio da Assembleia Geral, ao qual se somariam outros momentos lendários com Che, Roa e mais tarde Chávez, Correa, Evo e outros líderes latino-americanos. Os Estados Unidos não podem impedir, mas bloqueiam, obstruem e pressionam as delegações. E a carta do senador republicano é um aviso de que eles tentarão fazer isso novamente.

                         

                        A VERDADE MATA A MENTIRA 

    O programa começou com um comentário sobre o evidente declínio no nível de notícias falsas sobre Cuba. No lado negativo, os comentários, insultos, grosserias e as matrizes de opinião do estado falido, "socialismo é pobreza", "eu odeio o comunismo" permanecem, mas é evidente que o volume de mentiras caiu.

    Na opinião do analista, há vários fatores que convergem em um fato: a verdade é uma força muito poderosa. E desde os dias do incêndio em Matanzas, a mídia pública cubana tem preenchido cada espaço com a verdade, deixando pouco ou nenhum espaço para as invenções falsas.

Mais tarde, as medidas no mercado de divisas e no comércio exterior e interno foram amplamente explicadas e, mais recentemente, a explicação ampla e profunda das causas da crise na geração de eletricidade confirmou que uma informação pública mais imediata e transparente neutraliza as tentativas de distorcer a realidade.

   Como exemplo, destacou-se a coletiva de imprensa do Dr. Jorge González sobre os companheiros mortos no cumprimento do dever no incêndio de Matanzas. Dificilmente há uma notícia mais dura, mas foi divulgada com absoluta transparência e imediatismo, evitando especulações sobre uma questão tão sensível. A informação mata a desinformação. E a verdade mata a mentira.

     O que não diminuiu em nada é a campanha contra o socialismo; A guerra midiática contra tudo o que significa um giro para a esquerda ou mesmo para o centro.

  Nas últimas horas, a notícia foi o assédio contra Cristina Fernández na Argentina, para quem outra lei ou processo judicial está sendo preparado para impedi-la de se tornar presidente no próximo mandato. Assim como o assédio ao qual está sendo submetida pelo FBI, a Brigada Juan Rius Rivera em Porto Rico. Mais ou menos o mesmo que o que está sendo orquestrado contra Carlos Lazo, intimidando qualquer um que se atreva a expressar qualquer aproximação ou simpatia pela esquerda e pelo progressismo. A "direitização" vem da Europa, mas se alastra especialmente na  direita estadunidense. Imagine os republicanos atacando Biden acusando-o de ser um marxista.

   As primárias para as eleições que garantem o dinheiro do contribuinte estão concentrando os debates nos dias de hoje na política interna. E como nenhum dos lados tem propostas interessantes para o povo, eles se acusam mutuamente de algo que nem sabem o que significa

     Enquanto isso, nos canais do Youtube dos detratores só se encontra bobagens, banalidades e muita vulgaridade. Esperamos que um dia não tenhamos sequer que ouvi-los para desmenti-los. Hoje eles caíram sob o fogo da verdade. Que assim seja, mesmo que a falta de mentiras nos deixe sem tópico para confrontar.


http://www.cubadebate.cu/especiales/2022/08/25/chapeando-por-que-no-quieren-que-la-izquierda-hable-en-la-onu-podcast/

Tradução e edição : Carmen Diniz/Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba