22 de set. de 2022

CUBA CONTINUARÁ A LEVANTAR SUA VOZ PARA RECHAÇAR A DOMINAÇÃO E O HEGEMONISMO (+vídeo)

                                           

Discurso do Ministro das Relações Exteriores da República de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, no Debate Geral do Segmento de Alto Nível da Assembléia Geral das Nações Unidas. Nova York, 21 de setembro de 2022.


Sr. Presidente:

Senhores delegados:

O impacto da pandemia da COVID-19 expôs, como nunca antes, a verdadeira essência da ordem internacional injusta e insustentável prevalecente.

Nunca antes a humanidade teve este formidável potencial científico e técnico, esta extraordinária capacidade de gerar riqueza e bem-estar, e ainda assim nunca antes o mundo foi tão desigual e a iniquidade tão profunda.

Oitocentos e vinte e oito milhões de pessoas, 10% da população mundial, sofrem de fome, e quase 50 milhões de crianças sofrem de raquitismo, a forma mais mortal de desnutrição.

O desemprego afetará 207 milhões de pessoas em 2022, 21 milhões a mais do que em 2019. Em meio à quarta revolução industrial, 773 milhões de seres humanos não sabem ler nem escrever.

Cerca de 6,5 milhões de pessoas morreram devido à pandemia de HIV/AIDS. As  vacinas para enfrentá-la são inacessíveis a um bilhão de pessoas em países de baixa renda. Em 2021, as multinacionais farmacêuticas ganharam 84,588 bilhões de dólares.

A dívida externa já foi paga várias vezes, mas está se multiplicando. Paradoxalmente, os gastos militares globais crescem vertiginosamente, ultrapassando pela primeira vez dois trilhões de dólares.

Nada justifica o fato de que a humanidade ainda esteja ameaçada pela existência de quase 13.000 armas nucleares. Defendemos a universalidade do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares.

Quanto mais poderíamos fazer se esses recursos fossem gastos na promoção da saúde e do desenvolvimento? Quantas mortes causadas pela COVID-19 e outras causas poderiam ter sido evitadas? Quantas crianças seriam salvas da fome e de doenças evitáveis ou curáveis?


Sr. Presidente:

Os gases de efeito estufa registraram concentrações recorde em 2021, e serão as mesmas em 2022. O nível médio do mar atingiu um novo patamar. Os últimos sete anos são os mais quentes de que se tem notícia.

Não podemos continuar ignorando as advertências de uma catástrofe climática iminente. Temos apenas uma Terra, a única casa para todos nós. Devemos agir sem mais demora.

A "filosofia de guerra e espoliação" e os padrões irracionais de produção e consumo do capitalismo levarão a uma catástrofe.

As relações internacionais estão em um caminho muito perigoso. A ofensiva norte-americana visando subjugar os Estados por meio de ameaças e coerção econômica, militar e político-diplomática, a fim de submetê-los a uma ordem baseada em suas regras caprichosas, juntamente com a expansão da otan e o desenvolvimento de uma doutrina agressiva e de uma guerra não convencional de quinta geração, levam inevitavelmente a um clima de tensão e conflito, cujas consequências são imprevisíveis.

Sr. Presidente:

Cuba, um pequeno estado insular em desenvolvimento, pagou um alto preço por defender seu legítimo direito de existir como uma nação soberana e independente.

Por mais de seis décadas, temos resistido a um implacável e unilateral bloqueio econômico, comercial e financeiro que se intensificou a níveis sem precedentes desde 2019 e durante a pandemia.

Trinta anos após a primeira resolução desta Assembléia contra o bloqueio, o Governo dos Estados Unidos continua a ignorar a exigência quase unânime da comunidade internacional de cessar sua política ilegal e cruel contra Cuba.

Ele persiste em seus esforços para gerar escassez de material, escassez e sofrimento, para semear o desânimo e a insatisfação e causar danos ao povo cubano.

O governo dos Estados Unidos reforça a pressão sobre governos, instituições bancárias e empresas em todo o mundo interessadas em ter relações com Cuba, e busca obsessivamente todas as fontes de renda e fluxos de divisas para o país, a fim de provocar o colapso econômico.

Como resultado, a economia cubana tem experimentado pressões extraordinárias, manifestadas na indústria, serviços, escassez de alimentos e medicamentos e a deterioração do nível de consumo e bem-estar geral da população.

O dano humano causado por esta política a todas as famílias cubanas, impossível de ser quantificado, é enorme, cruel e imoral.

O bloqueio é um ato de guerra econômica em tempo de paz.

O atual governo dos Estados Unidos mantém em vigor as medidas de pressão mais agressivas contra nosso país adotadas pelo governo do Presidente Donald Trump.

A inclusão injustificada de Cuba na lista arbitrária e unilateral do Departamento de Estado dos países que supostamente patrocinam o terrorismo continua.

Esta classificação caluniosa impõe um estigma a nossas entidades e instituições, e torna as transações financeiras e comerciais, os pagamentos e os créditos extremamente difíceis.

Cuba, que tem sido vítima do terrorismo de Estado, não promove e nunca promoverá o terrorismo. Pelo contrário, condenamo-lo em todas as suas formas e manifestações.

O Governo dos Estados Unidos manipula oportunisticamente questões altamente sensíveis como terrorismo, religião, democracia, justiça, corrupção e direitos humanos.

Padrões duplos, incoerência, seletividade e manipulação política prejudicam a causa dos direitos humanos.

O discurso anterior do chanceler tcheco, que não ousa mencionar o crime do bloqueio de Cuba, é um triste exemplo.

Alertamos claramente o Governo dos EUA que os fatores que incentivam a migração irregular e causam a perda de vidas humanas devem ser abordados, tal como seu fracasso, desde 2017, em cumprir sua obrigação, nos termos dos acordos bilaterais existentes, de conceder não menos de 20.000 vistos anuais para migrantes; a existência da Lei de Ajuste Cubano, tratamento privilegiado politicamente motivado, pressões restritivas sobre os países de trânsito regular, e o bloqueio econômico reforçado.

O anúncio de hoje de que o processamento de vistos de migrantes retornará à Embaixada dos EUA em Havana é um passo positivo.

Cuba reitera sua vontade de avançar para um melhor entendimento com o Governo dos Estados Unidos e de desenvolver relações civilizadas e até mesmo cooperativas entre os dois países, com base no respeito mútuo, na igualdade soberana e sem minar nossa independência e soberania, apesar das profundas diferenças.

Destacamos o valioso compromisso e as recentes manifestações de cubanos e descendentes de cubanos em todas as latitudes e neste país, de respeito aos direitos soberanos de Cuba, e a rejeição da agressão implacável dos Estados Unidos, em particular o bloqueio econômico.

Também sou profundamente grato pelas declarações dos Chefes de Estado e de Governo neste debate geral, pelo apoio histórico desta Câmara e pelas expressões de solidariedade para com Cuba por parte de governos, personalidades, organizações políticas e movimentos solidários, sociais e populares em todo o mundo.

Hoje, essa solidariedade e apoio continuam a ser essenciais.

Sr. Presidente:


Apesar dos enormes desafios, o povo e o governo cubanos não se renderam em sua determinação de avançar na construção de uma sociedade socialista mais justa, democrática, próspera e sustentável.

Superamos a COVID-19 com recursos, nossas próprias vacinas e a força de nosso sistema de saúde pública e científico. Conseguimos colaborar modestamente enviando 58 brigadas médicas, no pior momento da pandemia, para 42 países e territórios.

Trabalhamos para restaurar a vida econômica e social do país; para apoiar a transformação de nossas comunidades; e para sustentar e expandir programas sociais.

Continuamos a melhorar nosso sistema jurídico, nosso estado socialista de direito e justiça social, para garantir o pleno gozo de todos os direitos humanos por todos os cubanos, e para enriquecer o sistema de justiça social que várias gerações desfrutaram.

Em 25 de setembro, após um amplo processo de participação e consulta popular, será realizado o referendo legislativo sobre um novo e inclusivo Código das Famílias. Será um exercício de verdadeira democracia direta e de poder efetivo do povo cubano.


Sr. Presidente:


A "unidade na diversidade" proposta pelo então Presidente Raúl Castro é possível nos países do Sul e na Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe, que está se fortalecendo cada vez mais, e está criando as condições para que nossa região avance em direção a formas mais elevadas de integração e cooperação, com base nos postulados da Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz.

Apreciamos a postura digna tomada por vários países de nossa região diante de exclusões arbitrárias em foros hemisféricos.

Renovamos nosso apoio e solidariedade com a República Bolivariana da Venezuela, seu presidente constitucional, Nicolás Maduro Moros, e a unidade civil-militar de seu povo, diante das tentativas de desestabilizar e subverter a ordem interna daquele país fraternal. Rejeitamos a aplicação de medidas coercitivas unilaterais contra a Venezuela.

Denunciamos as tentativas imperialistas de desestabilizar o Governo de Reconciliação e Unidade Nacional da Nicarágua. Reiteramos nosso firme apoio ao povo nicaraguense fraternal e a seu presidente, Daniel Ortega.

Somos solidários com as nações irmãs do Caribe e apoiamos sua legítima demanda por reparações pelos efeitos nocivos do colonialismo e da escravidão. Elas precisam e merecem um tratamento justo, especial e diferenciado.

Reafirmamos nosso compromisso histórico com a autodeterminação e a independência do povo de Porto Rico.

O Haiti precisa de uma contribuição especial da comunidade internacional para sua reconstrução e desenvolvimento. A humanidade tem uma dívida com essa República fundacional.

Apoiamos a legítima reivindicação do Presidente Alberto Fernandez e do povo da Argentina à soberania sobre as Malvinas, as Ilhas Sandwich do Sul e Geórgia do Sul e as áreas marítimas vizinhas.

Expressamos nossa total solidariedade com a Vice-Presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que, vítima de assédio judicial e midiático injusto e infundado, sofreu recentemente uma tentativa vil de assassinato.

Reiteramos nosso firme compromisso com a paz na Colômbia. A manifesta vontade de paz do atual Presidente Gustavo Petro e das partes interessadas merece o apoio da região e da comunidade internacional.

Os recursos necessários devem ser disponibilizados para apoiar a Agenda 2063 da União Africana, que estabelece o roteiro para o desenvolvimento deste continente irmão.

Defendemos a busca de uma solução pacífica e negociada para a situação imposta à Síria, e exigimos a cessação da interferência externa e o pleno respeito por sua soberania e integridade territorial.

Apoiamos uma solução justa, abrangente e duradoura para o conflito do Oriente Médio, que garanta o exercício real do direito inalienável do povo palestino de construir seu próprio Estado dentro das fronteiras pré-1967, com sua capital em Jerusalém Oriental, e o fim da ocupação israelense dos territórios palestinos ocupados.

Reafirmamos nossa inabalável solidariedade com o povo saharaui.

Rejeitamos as medidas coercitivas unilaterais impostas à República Islâmica do Irã.

Condenamos a imposição de medidas econômicas unilaterais injustas contra a República Popular Democrática da Coréia e a interferência externa em seus assuntos.

Nos opomos à interferência nos assuntos internos da República de Belarus.

Reafirmamos nossa rejeição à imposição de sanções unilaterais contra a Federação Russa.

Condenamos as campanhas de difamação infundadas contra a República Popular da China e as tentativas de prejudicar sua integridade territorial e sua soberania. Reiteramos o apoio inabalável ao princípio de "Uma só China".

Defendemos uma solução diplomática séria, construtiva e realista para a guerra atual na Ucrânia, por meios pacíficos e de acordo com as regras do direito internacional, o que garante a segurança e a soberania de todos.

Sr. Presidente:

Cuba continuará a levantar sua voz para rechaçar o domínio e o hegemonismo, as medidas coercitivas unilaterais, os bloqueios genocidas e a tentativa de impor ao mundo uma cultura e um modelo únicos.
Nunca renunciaremos à defesa da independência, soberania e autodeterminação dos povos, sem interferência ou intervenção estrangeira.
Por nosso passado glorioso, pelo presente e futuro das novas gerações de cubanos, com a liderança do Presidente Miguel Díaz-Canel, resistiremos com criatividade e lutaremos incansavelmente até alcançarmos nossos sonhos de paz e desenvolvimento, com equidade e justiça social para Cuba e para o mundo.

Muito obrigado.



https://cubaenresumen.org/2022/09/21/cuba-continuara-alzando-su-voz-para-rechazar-la-dominacion-y-el-hegemonismo/

Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba


                         



21 de set. de 2022

A NOVA MANOBRA CONTRA O TURISMO EM CUBA E A FALTA DE DIGNIDADE DA EUROPA.

                               

Por: José Manzaneda

    A União Europeia tornou-se, de fato, uma colônia americana.         

           E sua mídia reproduz o esquema de propaganda da metrópole: censura e reportagens de guerra sobre o conflito ucraniano, submissão aos interesses de Washington na agenda de notícias internacionais

    Se empresas petrolíferas europeias como a ENI ou a Repsol estão novamente operando na Venezuela porque o governo dos EUA lhes permite fazê-lo, depois de tê-las proibido durante anos, será que lemos alguma análise crítica, algum editorial na imprensa italiana ou espanhola denunciando tal subjugação da soberania europeia? Nada, nem mesmo o mínimo vislumbre de dignidade. "Os EUA permitirão que a Repsol e a ENI levem o petróleo venezuelano para a Europa", lemos.  A imprensa europeia se limita a escrever o que o mestre dita.

   No caso de Cuba, mais do mesmo. A lei estadunidense Helms-Burton persegue as empresas europeias que investem na ilha e ameaça e afugenta aquelas que estão planejando fazê-lo. Seus executivos - os da empresa hoteleira espanhola Meliá, por exemplo - estão até proibidos de entrar nos EUA. E o que faz a imprensa corporativa espanhola? Ela defende os interesses de suas empresas, ela denuncia tal extorsão? Não. Pelo contrário. O jornal ABC, por exemplo, coloca Camila Acosta como sua correspondente em Havana. Ela é a força motriz por trás do boicote ao turismo na ilha, que inclui ações contra Meliá e outras empresas espanholas.

   O último exemplo de falta de dignidade europeia é a medida da Casa Branca de exigir um visto para entrar nos Estados Unidos para qualquer pessoa que tenha visitado Cuba. Lembremos que os cidadãos europeus não precisam de visto para entrar nos EUA, apenas um formulário digital chamado ESTA. Mas qualquer pessoa que tenha sido turista em Cuba terá agora que solicitar um visto para entrar nos EUA. Algum protesto dos governos europeus, medidas recíprocas? E a imprensa europeia? Qualquer denúncia, qualquer editorial, qualquer crítica a esta chantagem inaceitável? Nada. Mais uma vez, curvando a cabeça diante do império, cujo Departamento de Segurança Nacional, em seu website, deixa claras suas ameaças: "se for constatado que um viajante visitou um país designado como patrocinador estatal do terrorismo (...) ele ou ela deve solicitar um visto para entrar nos Estados Unidos".

   Recordemos que Cuba foi incluída em 2021, pela Casa Branca, em sua "Lista de Estados Patrocinadores  do Terrorismo", algo que teve consequências letais para sua economia, como o bloqueio bancário internacional. Sua inclusão foi um truque sujo entre os presidentes dos EUA e da Colômbia, Donald Trump e Iván Duque. Este último havia decidido interromper o processo de diálogo com os guerrilheiros do ELN, que estava sendo realizado com a ajuda de Cuba, e exigiu que Havana entregasse a delegação negociadora da guerrilha. A recusa do governo cubano em violar o protocolo assinado pelas partes e pelos países garantidores foi a desculpa para Trump incluir Cuba, um país que tem dado tudo pela paz na Colômbia, na famosa "lista de países terroristas".

    Mas voltemos à medida que exige visto para entrar nos EUA para qualquer pessoa que tenha visitado a ilha. A intenção é óbvia: colocar mais um pau na roda da economia cubana, enfraquecida pelo bloqueio, pelas 243 sanções recentes e pela pandemia, e atacar uma das poucas fontes de renda do país, o turismo. Tudo isso para que a escassez, a falta de medicamentos e os apagões elétricos se estendam com o tempo, a ponto de provocar o desespero da população e hipotéticos protestos em massa.

    É por isso que é necessário difundir esta mensagem. Cuba deve ser visitada, seu turismo deve ser promovido. É uma questão de vida ou morte para um povo submetido a uma guerra impiedosa e cruel.


http://www.cubadebate.cu/opinion/2022/09/21/la-nueva-maniobra-contra-el-turismo-a-cuba-y-la-indignidad-europea-video/

Tradução e Edição: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba


20 de set. de 2022

MANUEL ZELAYA E PERSONALIDADES DE DESTAQUE PEDEM A LIBERTAÇÃO DE JULIAN ASSANGE #FreeAssangeNOW

                            
   Lois Pérez Leira  

    O ex-presidente da República de Honduras e atual presidente da Internacional Anti-imperialista dos Povos em Defesa da Humanidade e da Natureza, José Manuel Zelaya Rosales, pediu à primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, a revisão da extradição para os Estados Unidos da América e a libertação imediata do jornalista e ativista australiano Julian Assange.

    Julian Assange está preso desde abril de 2019, após uma estadia de sete anos como refugiado político na embaixada do Equador.

    O ex-presidente hondurenho juntou-se à voz de outros presidentes representando a Internacional Anti-Imperialista dos Povos, organizações de direitos humanos e numerosas personalidades políticas e culturais da América Latina e do mundo, que estão conscientes de que o confinamento prolongado e as condições atuais de detenção afetaram seriamente a saúde do Sr. Assange, mas também em razões que alertam sobre a violação dos direitos não apenas dos acima mencionados, mas da sociedade civilizada como um todo.

     Deve-se notar que, caso o Reino Unido dê autorização para extraditar o Sr. Assange para os EUA, isto implica o risco de uma sentença de 175 anos de prisão, o que, dado o atual estado de saúde do jornalista, significa na prática sua sentença de morte. Em vista disto, o ex-presidente Zelaya ressaltou que tal autorização ignora o fato de que a extradição por delitos políticos é proibida pela legislação britânica e europeia.

      Em sua carta à primeira-ministra britânica, o presidente da Internacional Anti-Imperialista lembrou-lhe que o maior crime do Sr. Assange foi revelar ao mundo a verdade sobre uma série de eventos que demonstram a violação do direito internacional e dos direitos dos povos à segurança e à paz. Considerando que Zelaya foi vítima de uma dessas violações quando foi derrubado por um golpe de Estado em 2009, onde a interferência de uma força estrangeira foi posteriormente confirmada pelos documentos desclassificados pelo Wikileaks.

    Zelaya também mencionou que o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada por todos os Estados que compõem a comunidade internacional, declara: "Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão"; este direito inclui o direito de ter opiniões sem interferência e de buscar, receber e transmitir informações e idéias através de qualquer mídia e independentemente de fronteiras.

     Após ler este artigo, Zelaya perguntou se a disseminação da verdade poderia representar qualquer ameaça à segurança dos Estados signatários desta Declaração, que havia sido consagrada alguns anos após a tragédia da Segunda Guerra Mundial, cujas formidáveis lições nunca deveriam ser esquecidas.

        A prisão prolongada e a extradição iminente de alguém que não cometeu um único crime em sua consciência, que não ordenou o bombardeio de cidades ou a derrubada de governos, constitui uma ameaça real à imprensa livre, ao direito dos povos à informação, como consagrado no citado artigo 19, disse Zelaya.

     O ex-presidente de Honduras terminou sua carta lembrando à primeira-ministra do Reino Unido que ela tem hoje a oportunidade de executar um gesto de grandeza para contribuir para a inauguração de uma nova era marcada pelo respeito zeloso aos direitos humanos, o que exige que governos e estadistas adotem uma atitude magnânima de respeito à lei e de defesa dos fracos contra os poderosos.                      

     Desta forma, Zelaya reiterou seu pedido de não-extradição e libertação imediata de Julian Assange:


Secretaria de Imprensa

David de la Paz

Setembro de 2022

À Honorável Excelência Liz Truss

Primeira Ministra do Reino Unido


Sua Excelência Primeira-Ministra:


Escrevo-lhes, na minha qualidade de ex-presidente da República de Honduras e atual presidente da Internacional Anti-Imperialista dos Povos em Defesa da Humanidade e da Natureza, para solicitar a revisão da extradição para os Estados Unidos da América e a libertação imediata do jornalista e ativista australiano Julian Assange, que está preso em seu país desde abril de 2019, após uma estadia de 7 anos como refugiado político na embaixada do Equador. Ao fazê-lo, junto minha voz à de outros presidentes, organizações de direitos humanos e numerosas personalidades políticas e culturais da América Latina e do mundo. Baseio este pedido em razões humanitárias, pois como é do conhecimento público, o confinamento prolongado e as condições atuais de detenção afetaram seriamente a saúde do Sr. Assange, mas também em razões que alertam para a violação dos direitos não apenas do acima mencionado, mas da sociedade civilizada como um todo.

A autorização do Reino Unido para extraditar o Sr. Assange para os EUA implica o risco de uma pena de prisão de 175 anos, o que, dado o atual estado de saúde do jornalista, significa na prática que ele será condenado à morte. Posso também ressaltar que esta autorização ignora o fato de que a extradição por ofensas políticas é proibida tanto pela legislação britânica quanto pela europeia e não tenho dúvidas de que existe uma completa falta de salvaguardas em um julgamento onde o detido é condenado antecipadamente.

Excelentíssima Primeira-Ministra, estou cada vez mais convencido de que o maior crime do Sr. Assange tem sido revelar ao mundo a verdade sobre uma série de eventos que demonstram no mínimo a violação do direito internacional e dos direitos dos povos à segurança e à paz. O próprio autor foi vítima de uma dessas violações quando foi derrubado por um golpe de Estado em 2009, onde a interferência de uma força estrangeira foi posteriormente confirmada pelos documentos desclassificados pelo Wikileaks.

Devo lembrar a Sua Excelência que o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual todos os Estados que compõem a comunidade internacional subscreveram, declara: Todos têm o direito à liberdade de opinião e expressão"; este direito inclui a liberdade de ter opiniões sem interferência e de buscar, receber e transmitir informações e idéias através de qualquer mídia e independentemente de fronteiras.

À luz deste artigo, então, vale a pena perguntar se a disseminação da verdade pode representar qualquer ameaça à segurança dos Estados signatários desta Declaração, que foi adotada alguns anos após a tragédia da Segunda Guerra Mundial, cujas formidáveis lições nunca devem ser esquecidas. Se, como expressa o Evangelho cristão: "Somente a verdade nos libertará", não tenham dúvidas de que o conhecimento da verdade, por mais dura e amarga que seja, é o único caminho para um mundo mais justo onde a convivência pacífica e harmoniosa entre estados, povos, comunidades, etc., se torne uma realidade.

Por outro lado, a prisão prolongada e a extradição iminente de alguém que não cometeu um único crime em sua consciência, de alguém que não ordenou o bombardeio de cidades ou a derrubada de governos, constitui uma ameaça real à imprensa livre, ao direito dos povos à informação, como consagrado no citado artigo 19.

Neste momento dramático do mundo, ameaçado por uma nova conflagração mundial, e coincidindo com a nova nomeação de Vossa Excelência para uma posição governamental tão alta, nós, os povos, esperamos dos governantes das grandes nações, gestos de grandeza.

A senhora, hoje, tem a oportunidade de realizar uma delas a fim de contribuir para a inauguração de uma nova era marcada pelo zeloso respeito aos direitos humanos, que exige dos governos e dos estadistas uma atitude magnânima de respeito à lei e de defesa dos fracos contra os poderosos.

Reitero, portanto, meu pedido de não-extradição e liberação imediata de Julian Assange.

Envio-lhe meus melhores cumprimentos

Manuel Zelaya Internacional Antiimperialista de losPueblos en Defensa de la Humanidad y la Naturaleza  Tegucigalpa, República de Honduras

Se suman también al pedido internacional las siguientes personalidades firmantes:

  • Fernando Lugo, Ex Presidente de Paraguay
  • Adolfo Pérez Esquivel, Premio Nobel De La Paz.
  • Martin Almada, Premio Nobel Alternativo 2002. Descubridor de los Archivos del Plan Cóndor, Paraguay.
  • Juan Carlos Monedero, Profesor De Ciencia Política UCM Y Cofundador De Podemos. España
  • Atilio Boron, Analista Internacional, Argentina
  • Piedad Córdoba, Senadora, Colombia.
  • Ignacio Ramonet, Escritor y Periodista de España.
  • Verónika Mendoza, Ex Candidata a Presidenta del Perú, Por Nuevo Perú.
  • Yeidckol Polevnsky, Diputada Morena. México.
  • Alberto Rusconi, Secretario Relaciones Internacionales del Movimiento Evita. Argentina.
  • Hugo Gutiérrez Gálvez, Ex Diputado y Ex Convencional Constituyente de Chile.
  • Jorge Elbaun, Periodista y Sociólogo, Argentina.
  • Raúl Torres, Cantante de la Nueva Trova Cubana. Diputado de la Asamblea Popular. Cuba
  • Nidia Diaz, Negociadora y Firmante de la Paz por Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN) El Salvador, Ex Diputada Asamblea Legislativa y del PARLACEN de El Salvador
  • Stella Calloni, Analista Internacional, Argentina.
  • Lois Pérez Leira, Secretario Ejecutivo de la Internacional Antiimperialista de los Pueblos, Argentina.
  • Gabriela Rivadeneira Burbano. Ex Presidenta Asamblea Nacional del Ecuador.
  • Carlos Aznarez, Director de Resumen Latinoamericano. Argentina.
  • Enver Leon Gonzales, Secretario General Movimiento Nuevo Perú.
  • Arleen Rodríguez Derivet, Periodista Cubana Mesa Redonda.
  • Jorge Alemán, Psicoanalista y Escritor, España.
  • Saúl Ortega, Diputado Asamblea Nacional. Venezuela.
  • Sandra Russo, Periodista y Escritora. Argentina.
  • Claudio Lozano, Director Banco Nación Argentina. Presidente U.P.
  • Adriana Varela. Cantante Argentina.
  • Carlos Castañeda, Ex Canciller de El Salvador. FLN FM.
  • Cynthia García, Periodista. Argentina.
  • Gabriela Montaño, Ex Presidenta de la Cámara de Diputados y de la Cámara de Senadores del Estado Plurinacional de Bolivia.
  • Ricardo Canese, Parlamentario del Mercosur por el Frente Guasu, Paraguay.
  • Eduardo Sigal, Vicepresidente Partido Frente Grande. Argentina.
  • Víctor Kot, Secretario General del Partido Comunista Argentino.
  • Jorge Kreynnes, Secretario de Relaciones Internacionales del Partido Comunista Argentino.
  • Esteban Diotallevi. Director del Diario El Argentino.
  • Francisco Paco Olveira, Sacerdote Grupo Curas en Opción por los Pobres de Argentina.
  • Roberto Perdía, Montonero, Miembro de Organizaciones Libres del Pueblo Resistir y Luchar OLP R Y L., Argentina
  • Julia Argentina Perié, Parlamentaria del Parlasur. Argentina.
  • Javier Madrazo Lavín, Ex-Consejero de Vivienda y Asuntos Sociales del Gobierno Vasco.
  • Rafael Méndez, Ex Diputado y Dirigente de la Fuerza del Pueblo. República Dominicana.
  • Elsa Osorio, Escritora. Argentina.
  • Adair Pinto Rivero, Periodista Boliviano.
  • Fatima Rallo Gutierrez, Internacionalista, Antropóloga Dirigente Social. Paraguay.
  • Pablo Micheli, Secretario General Central de Trabajadores de Argentina.
  • Paula Klachko, Coordinadora de la REDH Argentina.
  • Norma Guevara, Ex Diputada y Ex Secretaria General Adjunta del Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN) El Salvador.
  • Thelma Luzzani, Periodista y Escritora de Argentina.
  • Víctor Bassuk, Cineasta, APRI-. Argentina.
  • Graciela Ramírez Cruz, Coordinadora Comité Internacional Paz, Justicia y Dignidad a los Pueblos, Cuba.
  • Carlos Javier Estrada. Subsecretario de Comunicación Estratégica y Prensa de Honduras.
  • María Remedios García Albert. España.
  • Federico Lopardo, Área de Relaciones Internacionales de la Corriente Nuestra Patria, Argentina.
  • Fernanda Pereyra, Secretaria de Relaciones Internacionales de la UTEP, Argentina.
  • Alberto Larrambebere, Músico y Cineasta. Argentina.
  • Miguel Petridis, Psicólogo. Argentina.
  • Alberto Grillon, Ex Senador del Frente Guazu. Paraguay.
  • Oscar González, Ex Diputado Nacional, Presidente de Asociación Democracia Participativa. Argentina.
  • Alberto Girondo, Periodista de Tiempo Argentino.
  • Horacio Viqueira, Diputado Nacional (MC). Frente Grande. Argentina.
  • Francisco López. Coordinador de Podemos Argentina. Secretario de Participación y Círculos de Podemos Exterior.
  • Minou Tavárez Mirabal, Militante Política. República Dominicana.
  • Andrés Bercum, Secretario de Relaciones Internacionales Corriente Peronista Descamisados. Argentina.
  • Andrés Rodríguez, Secretario de Relaciones Internacionales de Nuevo Encuentro. Argentina.
  • Secil Oswaldo De León, Profesor Universitario Guatemala.
  • Julio Gambina, Fundación de Investigaciones Sociales y Políticas. Argentina.
  • José Pacheco, Secretario General Del Partido Pueblo Unido – Perú.
  • Tirso Saenz, Ex Ministro de la Industria de Cuba bajo las Órdenes de Ernesto Guevara.
  • Alberto Nadra, Escritor y Periodista. Argentina.
  • Daniel Ponzo, Periodista. Argentina.
  • Geraldina Colotti, Periodista y Escritora Italiana.
  • Dante Alfaro, Sindicalista Docente Escritor. Integra la Internacional Antimperialista de los Pueblos. Argentina.
  • Juan Dionisio Rodríguez, Diputado por el Frente Amplio de República Dominicana.
  • Maria Stella Cáceres, Periodista y Directora Fundadora del Museo de Las Memorias: Dictadura y Derechos Humanos Paraguay.
  • Lorena Lores, Cantante y Actriz. Argentina.
  • Norberto López, Empresario. Argentina.
  • Héctor Castro Pérez, Economista, Perú.
  • Sergio Maldonado, Defensor de Derechos Humanos  y Hno. De Santiago Maldonado, Argentina.
  • Taty Almeida, Por Madres de Plaza de Mayo L.F., Argentina.
  • Lidia Doninni, Docente y Activista Defensora de Derechos Humano, Paraguay.
  • Ricardo Patiño Aroca, Ex Ministro de Relaciones Exteriores de Ecuador.
  • Hugo “Cachorro” Godoy, Secretario General de ATE, Argentina
  • Edgardo Hernán Cardo, Periodista, Presidente del Instituto de Investigación y Análisis Geopolítico Alexandre Pétion, Argentina.
  • René Ortiz Muñiz, Enlace Legislativo Cámara De Diputados Morena México.
  • Juan Manuel Flores Cornejo. Preside La Federación Centroamericana de Amistad China. Miembro del Consejo Nacional Del Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN) El Salvador.
  • Anabel Belloso, Diputada a la Asamblea Legislativa de El Salvador. Integrante de la Comisión Política del Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN).
  • Lorena Peña, Presidenta de la Federación Democrática Internacional de Mujeres-FDIM- Ex presidenta de la Asamblea Legislativa de El Salvador.
  • Alejandro Navarro Brain, Presidente del Foro Latinoamericano de Derechos Humanos ( FOLACH ). Ex Senador de la República de  Chile.
  • Esteban Silva Cuadra, Presidente Fundación Constituyente XXI, Chile.
  • Adolfo Mendoza, Dirigente del MÁS Bolivia, Diputado Presidente del Parlamento Andino
  • Luisa Valenzuela, Novelista y periodista, Argentina.
  • Jorge Rivas, Dirigente socialista. Argentina.
  • Allan Fajardo Reina, Sociólogo, Honduras.
  • Francisco López, Red de Círculos Podemos Latinoamérica, Argentina.
  • Fernando Bossi, Director Portal Alba, argentino venezolano. Fundador del Congreso Bolivariano de los Pueblos, Argentina.
  • Mónica Sainz, Fundación Emancipación, argentina venezolana, Venezuela.
  • Cris González, Directora de la Revista Correo del Alba, Venezuela.
  • Roberto Perdía, Ex conducción de Montoneros – OLP Resistir y Luchar, Argentina.
  • Hector Bejar. Escritor, Ex Canciller de Perú.
  • Jasael Torres, Secretario Nacional de Juventud del FMLD, El Salvador.
  • Juan Hubieres, Ex Diputado Presidente Capítulo Dominicano.
  • Juan Andrés Compres, Ex Diputado Vicepresidente Capítulo dominicano.
  • Miguel Eduardo Espinal, Relaciones Internacionales Capítulo Dominicano.
  • Albertina Méndez, Secretaria Capítulo Dominicano.
  • Txema Guijarro García, Diputado Nacional Unidas Podemos, España.
  • Marco Consolo. Refundación Comunista, Italia.
  • Verónica Costilla. Escritora, TGD Padres, Argentina.
  • Myriam Archerito, Escritora, Argentina.
  • Ana Navone. Escritora Argentina.
  • Alonso Acosta, Lund, Suecia.
  • “Frente Intercontinental del FMLN“.
  • Asociación Taxistas De Buenos Aires, República de Argentina.
  • Asociación Civil Alexandre Pétion, Argentina.


https://www.resumenlatinoamericano.org/2022/09/14/comunicacion-manuel-zelaya-y-destacadas-personalidades-reclaman-la-libertad-de-julian-assange/
Tradução: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba

                     




19 de set. de 2022

PRESIDENTE DA CÂMARA DOS REPRESENTANTES DOS EUA NANCY PELOSI VISITA A ARMÊNIA

                             

Ceyhun Osmanli *

   Em 18 de setembro, a Presidente da Câmara de Representantes dos EUA Nancy Pelosi visitou Erevan, a capital da República da Armênia, poucos dias depois de uma provocação militar armênia em grande escala nas fronteiras do Azerbaijão e da Armênia que resultou na morte de mais de 200 soldados armênios de ambos os lados.

Ela é a mais alta funcionária americana a visitar a Armênia desde sua independência em 1991.

Nancy Pelosi declarou que sua visita deveria ser vista como um "esforço para apoiar os direitos humanos e a dignidade de todas as pessoas".

No entanto, suas declarações antes da visita demonstram que o principal objetivo era mostrar seu apoio à Armênia.

A este respeito, deve-se observar que Nancy Pelosi é conhecida como uma política pró-Armênia, e a presença de membros pró-Armênia do Congresso dos EUA em sua delegação deve ser entendida como um passo político para obter o apoio da diáspora armênia antes das eleições  intermediárias a serem realizadas dentro de dois meses nos Estados Unidos.

Durante sua visita, Nancy Pelosi culpou o Azerbaijão pelo recente choque nas fronteiras do Azerbaijão e da Armênia.

Entretanto, sua declaração sobre o assunto é infundada e injusta e não corresponde ao Princípio de Justiça.

Deve-se notar que desde a Declaração Trilateral de 10 de novembro de 2020, o Azerbaijão tem expressado seu interesse em todas as ocasiões no estabelecimento de uma paz duradoura entre os dois Estados.

Entretanto, a Armênia sabotou as negociações de paz a cada passo, e o último confronto entre os dois Estados foi o resultado da política provocadora da Armênia sobre o assunto, que não está disposta a chegar a uma conclusão para assinar um tratado de paz com o Azerbaijão.

É por isso que toda a responsabilidade pelo recente confronto é da liderança político-militar da Armênia e, como partido defensor, o Azerbaijão tem o direito à autodefesa, de acordo com o direito internacional consagrado no artigo 51 da Carta da ONU, para proteger suas fronteiras estatais e a soberania sobre seus territórios internacionalmente reconhecidos.

Neste contexto, pode-se concluir que a visita de Nancy Pelosi a Erevan e demonstrar apoio à Armênia enquanto acusa o Azerbaijão não é mais do que uma tentativa desesperada de obter o apoio do lobby armênio na véspera das eleições intermediárias.

Entretanto, deve-se lembrar que o Azerbaijão foi um aliado dos EUA em sua "guerra ao terror" e que as Unidades do Exército do Azerbaijão participaram das operações de manutenção da paz da OTAN em Kosovo, Afeganistão e Iraque.

De fato, os EUA eram um estado mediador dentro do há muito esquecido Grupo Minsk da OSCE, que visava resolver o antigo conflito de Nagorno-Karabakh através do diálogo político.

Não há dúvida de que tais declarações da representante do governo dos EUA minam seu papel no processo posterior da agenda pós-conflito.

Portanto, a representante do governo dos EUA deve pensar duas vezes enquanto apoia a Armênia, principal aliado da Rússia e vassalo histórico no Cáucaso do Sul, e proclama quaisquer acusações contra o Azerbaijão, o aliado estratégico dos EUA em áreas cruciais como a coalizão antiterrorista e a segurança energética. 

Finalmente, surgem questões razoáveis sobre onde Nancy Pelosi, o "arauto da justiça e dos direitos humanos", esteve por quase três décadas, enquanto os territórios internacionalmente reconhecidos do Azerbaijão estavam sob ocupação armênia?

Onde Nancy Pelosi esteve quando a própria Armênia cometeu crimes de guerra e o genocídio de Khojaly? Onde Nancy Pelosi esteve quando crimes contra a humanidade, crimes contra a população civil do Azerbaijão foram cometidos em violação grosseira e flagrante do direito humanitário internacional e do direito internacional dos direitos humanos?

 

*El Dr. Ceyhun Osmanli   Ex Membro dO Parlamento, pesquisador e  analista de relaçoes  internacionais e economia política, diretor de TLM - Centro de Iniciativas y Proyectos en Azerbaiyán 

https://elvanguardistaonline.com/visita-de-la-presidenta-de-la-camara-de-representantes-de-estados-unidos-nancy-pelosi-a-armenia/

Traduçao: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba

                            

              

12 de set. de 2022

"VAI PRA CUBA!"

                                        

Cuba foi eleita como o principal destino cultural da região do Caribe pelo segundo ano consecutivo, de acordo com a plataforma World Travel Awards, que recentemente anunciou os vencedores para 2022, em suas diferentes categorias.

Além do prêmio concedido ao país, outros hotéis e empresas ganharam prêmios individuais, como o Hotel Nacional de Cuba, que ganhou a distinção de líder da nação antilhana pela décima oitava vez, enquanto o Gran Hotel Manzana Kempinski Havana foi selecionado como o melhor hotel de negócios do país, de acordo com uma nota publicada no site do Ministério do Turismo.

Esta última também foi reconhecida como a melhor suíte do país para a Suíte Presidencial Lorca.

Foto: Ismael Batista Ramírez

De acordo com o World Travel Awards, a principal empresa de gestão de destinos do país foi a CubaForTravel, a melhor operadora de turismo da Cuba Inbound e a melhor agência de viagens Cuba Direct.

Além disso, o hotel Iberostar Selection Varadero foi reconhecido como o principal resort do país.

Todos os anos, os World Travel Awards são concedidos a empresas de turismo que demonstram qualidade superior em instalações e serviços, através de uma votação on-line, na qual participam tanto viajantes quanto especialistas.


https://www.granma.cu/cuba/2022-09-09/cuba-es-electa-principal-destino-cultural-del-caribe

Edição/ tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba






NO NOVO ANO, ANA BELÉN MONTES SERÁ UMA MULHER LIVRE.

                               
    Cuba e setores de Porto Rico, incluindo a diáspora porto-riquenha nos Estados Unidos, celebrarão a libertação de Ana Belén Montes, cuja data de libertação será 8 de janeiro de 2023.

Ana Belén Montes deveria ser liberada no final de 2021 por um comportamento exemplar. Uma agência federal recusou-se a autorizar uma liberdade condicionl ou casa de transição para que ela fosse libertada.

Será lembrado que nos últimos anos a Mesa de Trabalho Ana Belén Montes foi organizada, o que ajudou em diferentes instâncias. Agora os interessados podem ajudar de várias maneiras para facilitar sua reintegração na comunidade livre.

Ana foi encarcerada no Federal Medical Center (FMC) em Carswell, dentro das instalações militares da Estação Aérea da Marinha dos EUA em Fort Worth, Texas, EUA.

Ela foi presa em 20 de setembro de 2001 quando estava em seu escritório nas instalações do DIA na Base Aérea de Bolling, Washington D.C., por agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI).

Dias depois, foi acusada de conspiração para cometer espionagem em nome de Cuba. Foi colocada em julgamento e, em algum momento, transferida para uma prisão federal especial para infratores com problemas de saúde física ou mental, embora ela não tivesse nenhum desses problemas no momento de seu encarceramento.

"Honorável, eu me dediquei à atividade que me trouxe diante de vocês porque obedeci à minha consciência em vez de obedecer à lei. Considero a política de nosso governo em relação a Cuba cruel e injusta, profundamente hostil; considero-me moralmente obrigada a ajudar a ilha a se defender contra nossos esforços para impor nossos valores e nosso sistema político a ela", disse Ana ao magistrado federal que a sentenciou.

A opinião pública em Porto Rico não obteve informações porque poucos meios de comunicação investigaram e divulgaram o que realmente aconteceu com Ana, objeto de estigma e preconceito devido à espionagem generalizada castrista atribuída a ela.

O que é certo é que após pouco mais de 20 anos de prisão e após sobreviver ao câncer de mama, sua libertação parecia iminente em dezembro de 2021, mas sua família teve que esperar mais um ano.

Muitos se perguntam como Ana sobreviveu 20 anos na prisão ao lado de criminosos e doentes mentais no Federal Medical Center (FMC) em Carswell, uma instalação militar na Estação Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA em Fort Worth, Texas, EUA.

Uma mulher brilhante e astuta, Ana construiu imaginativamente uma cápsula na qual viveu durante os últimos 20 anos de confinamento para lidar emocional e psicologicamente com um confinamento psicológico que outras pessoas teriam enlouquecido sem suas ferramentas.

Ana, uma mulher realizada profissionalmente, com um bom salário, uma família que a ama e um namorado, abdicou de sua liberdade por amor à justiça, especificamente do direito do povo cubano de viver sem a opressão e o assédio de um bloqueio econômico que, prorrogado,  dura várias décadas.

Mais adiante neste artigo incluímos suas declarações perante o magistrado federal que a condenou por espionagem em nome do regime castrista, mas é necessário documentar, atestado por fontes plenamente credíveis, sua força e coragem para suportar a privação do direito mais sagrado do ser humano: a liberdade.

   

Moralmente e eticamente, de acordo com seu senso de justiça, respeito, paz e amizade entre os países, Ana Belén Montes renunciou à sua vida de privilégio.

Ela arriscou sua vida e liberdade sem nenhum ganho, exceto a tranquilidade de sua consciência. Por causa de seus princípios, enquanto trabalhava no Pentágono, ela evitou mais danos e desgraças para o povo cubano.

Com sua inteligência, há cerca de 20 anos Ana se protege da loucura e do inferno, escrevendo análises políticas e literárias, cartas e guardando suas memórias na forma de um diário.

Em sua cápsula, Ana mantém sua mente ocupada. É uma reprogramação mental para a equanimidade e o autocontrole, embora o mundo caia ao seu lado por causa da diversidade insuspeita de cenários psicológicos aos quais ela está exposta em nível institucional, mas que não dobram seu caráter.

Ana lê muito sobre Porto Rico e a história de seu status colonial. Um de seus textos favoritos é "O Livro da Alegria" do Dalai Lama e do Arcebispo Emérito da África do Sul, Desmond Tutu, que morreu há algum tempo.

Ana não é uma pessoa religiosa, mas reconhece - como um ser integral - a necessidade de cultivar sua espiritualidade.

Ela geralmente não escuta música, mas escreve diariamente e gosta de vídeos sobre a Mãe Terra e sua riqueza ecológica, que a ajudam a reconciliar a paz.

Sozinha em sua cela, Ana cumpre 20 anos de prisão. Durante algum tempo, ela deu aulas de espanhol para parte da comunidade de detentas, apesar do fato de que não são poucas as que padecem de faculdades  mentais.

Exposta 24 horas por dia, 7 dias por semana a um ambiente tóxico, Ana Belén Montes suporta duas décadas na prisão. Ela ficou doente com câncer de mama e foi submetida a uma mastectomia parcial, mas a operação não enfraqueceu seu espírito.

Em Cuba, onde ela é considerada uma heroína,  é recebida com simpatia, solidariedade e entusiasmo.

Os comentários dos cubanos são numerosos e eles estão celebrando a próxima libertação. Ana é um sinal do sonho de Martí. Sua ação foi motivada pela justiça para com a Maior das Antilhas, que também está resistindo ao bloqueio econômico americano, que se esperava que fosse relaxado ou levantado pelo governo democrata de Joe Biden, como um movimento político internacional consistente com o de Barack Obama, cuja presidência é lembrada pela retomada das relações diplomáticas dos EUA com Cuba, mas espancado durante a administração Trump.

De Cuba, Guillermo Soffi escreve: "Mulher corajosa! Esperamos que ela esteja em Cuba em algum momento. Um abraço para ela".

Entre dezenas de comentários publicados por cubanos nesta mídia independente, Alfredo Molina Benítez comenta: "Quando ela sair de seu confinamento, Cuba pode ser sua pátria. Para que ela possa viver em paz e segurança".

Alfredo Ceballos compartilhou no bate-papo Prensa sin censura: "Este caso se soma ao vergonhoso registro de injustiça em um país que se proclama o campeão das liberdades. Ana é uma heroína mundial e quanto mais seu caso se torna conhecido, mais respeito e admiração ele desperta".

Carmelo Cedrés escreve: "Ana Belén Montes não cometeu um crime, mas um ato de solidariedade e heroísmo. Sua dignidade e resistência por tão longo tempo são admiráveis. Com muitos desejos de que ela seja libertada em breve, a prisão nunca foi capaz de destruir suas  ideias justas, nem de fazer prisioneira uma consciência livre e solidária".

Enquanto isso, milhares de pessoas lhe escreveram cartas que mais tarde foram devolvidas porque as autoridades federais as submeteram a uma rigorosa censura política.

Luis Raúl Sáez Ríos, um porto-riquenho que vive no estado da Flórida, é uma das milhares de pessoas que escreveram para Ana no último Natal e cujas cartas foram devolvidas.

"Continuarei a enviar as cartas até o dia em que estiver livre e, se elas me forem devolvidas, eu as entregarei pessoalmente", disse Saez Rios.

No início de 2021, sua prima Miriam Montes Mock agradeceu aos cubanos e porto-riquenhos por sua solidariedade na causa da libertação de Ana Belén Montes.

O aniversário de Ana Belén Montes é 28 de fevereiro. Ela terá 66 anos de idade e pela primeira vez em pouco mais de 20 anos ela o celebrará com sua família. Sua consciência continua limpa. E todos estes anos ela tem sido sustentada pelo Amor que é um defensor incondicional da Justiça.

"Meu maior desejo seria ver surgir uma relação amigável entre os Estados Unidos e Cuba". Espero que meu caso estimule, de alguma forma, nosso governo a abandonar sua hostilidade para com Cuba e trabalhar em conjunto com Havana, imbuído de um espírito de tolerância, respeito mútuo e compreensão".

Assim disse Ana Belén Montes.

  

https://cubaenresumen.org/2022/09/10/en-ano-nuevo-ana-belen-montes-sera-una-mujer-libre/

Tradução: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba