24 de nov. de 2022

Uma cúpula neofascista em Nossa América : Declaração da Casa de las Américas

                                         

Declaração da Casa das Américas


   Diante do triunfo na América Latina de governos progressistas apoiados na fé em mudanças reais e do descontentamento com as políticas devastadoras promovidas por seus adversários, era de se esperar que a direita empreendesse o contra-ataque.

   Como parte disso, nos dias 18 e 19 de novembro – convocada pela Conferência Política de Ação Conservadora (CPAC) – acontecerá no México uma cúpula dos derrotados na qual Mauricio Macri, José Antonio Kast, Keiko Fujimori e Eduardo Bolsonaro (filho do destronado Jair), e em que personagens como Luis Fernando Camacho, Steve Bannon e Lech Walesa não ficarão de fora.

 Basta olhar os nomes para perceber que hoje não se trata de competir com aquela direita esclarecida que defendia os chamados valores liberais; mas para enfrentar a reação mais aberta e até o neofascismo.

 A direita na América Latina e no Caribe, bem a conhecemos, é uma guardiã da democracia quando as regras do jogo a favorecem. Mas se teme perder mais do que uma eleição, alguns privilégios, recorre descaradamente ao mais amplo espectro de violência, incluindo golpes de Estado (militares ou judiciais) e, quando for o caso, também torturas, desaparecimentos e massacres. Só depois de consolidado seu poder é que ela volta a mostrar um rosto aparentemente mais gentil, até que as circunstâncias a levem a apelar para seu lado feroz novamente.

  Hoje o mundo assiste a um crescimento alarmante dessa extrema direita racista e xenófoba que alimenta o ódio por meio da mídia e das redes sociais, abomina os imigrantes e as minorias, assim como os moderados reformistas. Usa a mentira como arma para tentar apagar o que a história e a cultura construíram ao longo dos séculos.

  As esperançosas vitórias da esquerda nos últimos anos em nossa região devem ser defendidas. Cabe a nós desmascarar todas as armadilhas e conspirações que ameaçam os esforços para expandir a justiça social e as reivindicações dos pobres da terra.

   Roberto Fernández Retamar, no último texto que escreveu "Notas sobre a América", se perguntava qual seria o destino de um mundo mergulhado na barbárie por aqueles que consideram os outros seres inferiores e os tratam como tal, da mesma forma que os nazistas.

  Para evitar que esta barbárie se naturalize e prevaleça, a Casa de las Américas convoca seus amigos do Continente, todas as pessoas honestas dos mais diversos signos políticos, a unirem suas vozes para denunciar esta nova ofensiva fascista, por nossos mais elementares direitos, nossa dignidade e nossas vidas.


Havana, 17 de novembro de 2022


Enviado por Claudio Negrão

p/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba

                          


23 de nov. de 2022

Frankenstein em Miami: Por que os Democratas perderam a Flórida?

                                               
Iroel Sánchez    

Tradução: Marcia Choueri*

   Na noite de sábado passado, a televisão cubana transmitiu o filme Víctor Frankenstein, uma das muitas versões cinematográficas e televisivas do romance da escritora inglesa Mary Shelley. A história do homem que, juntando partes de cadáveres, cria um novo ser, que acaba sendo um monstro que se rebela contra o seu criador, continua motivando realizadores do cinema e televisão, e sua «lição moral», talvez sem intenção de sua autora literária, não deixa de se tornar realidade na política contemporânea. A mais recente das possíveis associações políticas com a história frankensteinana pode ser extraída do ocorrido nesta mesma semana, nas eleições de meio período, no estado norte-americano da Flórida, em que o Partido Republicano obteve um sonoro triunfo.

   Intencional ou não, a verdade é que o que aconteceu neste 8 de novembro no sul daquele estado confirma novamente o velho ditado que diz que quem alimenta um monstro acaba sendo atacado por ele. O conhecido “cria corvos, e eles te comerão os olhos”. 

  Por mais que o presidente Biden tenha se esforçado para agradar a extrema direita que controla o voto cubano-americano em Miami, continuando as políticas de seu predecessor Donald Trump, de tratar de asfixiar Cuba, e contrariando assim suas próprias promessas de campanha eleitoral pela Presidência, o voto desse setor foi de forma incisiva para os candidatos republicanos daquela zona. A frase do candidato vitorioso ao governo do estado, o republicano Ron De Santis, resume o “êxito” do galanteio trumpista realizado por Biden em uma cidade onde mais de 50% dos votantes são cubano-americanos: “Obrigado, Miami”.

    Desde as eleições de 2002, quando Jeb Bush, o irmão do então presidente George Bush, conquistou esse governo, o Partido Democrata havia controlado esse cargo. Também por esse estado, venceu o senador Marco Rubio, quem em sua campanha se jactou de ser o autor das políticas de Trump contra Cuba, as quais ele garante que Biden mantém “por medo ao exílio cubano”. Também foram reeleitos em Miami os três representantes republicanos na Câmara, que se caracterizam pela linha dura anticubana: María Elvira Salazar, Mario Díaz-Balart e Carlos Giménez.

    Mas o que poderíamos denominar a não escrita «Lei Frankenstein» não afeta só os Democratas na Flórida: que os partidários das políticas trumpistas contra Cuba tenham vencido não quer dizer que Donald Trump tenha  garantido ali o respaldo a uma candidatura presidencial republicana em 2024. O agora governador republicano Ron De Santis é um candidato que triunfou sem o apoio do ex-presidente e já se mostra como um aspirante à indicação republicana para a Casa Branca, enfrentando o magnata, e para isso terá de contar com esse aparato de pressão, extorsão e propaganda política que está em mãos da extrema direita cubano-americana de Miami.

O paradoxal é que foi o governo de Biden que contribuiu para manter a vitalidade desse aparato, por duas vias:

1.     A decisão da Casa Branca de manter a política trumpista de máxima pressão contra Cuba, combinada com a pandemia de covid-19 – quando até o oxigênio medicinal foi recusado à Ilha pela administração Biden –, com a crise econômica global subsequente e as consequências da guerra na Ucrânia, fatos como os distúrbios de julho de 2021 e os protestos em algumas localidades no segundo semestre de 2022, devido aos cortes de eletricidade, agudizados cm a passagem do furacão Ian, alimentaram nesse setor a percepção de que, quanto mais duro se aperte, mais rápido cairá a Revolução cubana, e quem melhor para fazer isso, que os políticos que nos Estados Unidos acusam os Democratas de serem tão socialistas e comunistas como o governo de Havana.


2.     O governo de Biden manteve o tradicional financiamento milionário a meios na internet para a guerra psicológica contra Cuba, que chegou, durante as duas últimas décadas, ao sustento de líderes de opinião que constroem percepções anticomunistas extremas numa parcel do eleitorado de Miami. Mais recentemente, como revela uma pesquisa da Universidade da Flórida, ganhou influência nas percepções dos cubano-americanos sobre Cuba, um grupo de pessoas que lançam nas redes sociais digitais um discurso anticomunista de ódio ainda mais extremo, organizam e financiam ações terroristas na Ilha, tais que, se fossem contra a sociedade estadunidense, seriam combatidas pelos organismos norte-americanos de aplicação da lei, mas que gozam de total impunidade por parte das autoridades federais. Vários desses «influencers» têm vínculos orgânicos com políticos republicanos eleitos neste 8 de novembro na Flórida.

    Foi um republicano, Ronald Reagan, que, junto com o terrorista Jorge Más Canosa (foto) e sua Fundação Nacional Cubano-Americana, insertou na institucionalidade estadunidense os cubanos de Miami que vinham das organizações violentas criadas pela CIA nos anos sessenta e setenta do século XX para a guerra suja contra Cuba. O dinheiro federal continuou fluindo para essa mesma guerra, agora mais concentrada na propaganda via internet. Sem embargo, quando o governo de Barack Obama, sem abandonar esses financiamentos nem objetivos, assumiu uma política para Cuba de contato people to people, que desafiou o velho Frankenstein de Miami, ganhou o voto cubano-americano, igual a sua sucessora como candidata Democrata, Hillary Clinton.

    El people to people, longe de assustar o governo de  Havana, aterrorizou os extremistas sucessores de Más Canosa, que encontraram em Trump alguém disposto a desmontá-lo e a fazer o que quisessem, com o fim de ganhar a Casa Branca. Apareceram assim “ataques sônicos comunistas”, negados agora até pela CIA, para justificar o fechamento do consulado estadunidense em Havana, o que estimulou uma rota migratória irregular por terra e por mar, que colocou a Casa Branca ante um grave problema. Esse fluxo migratório multiplicado não se resolve retomando tardiamente os acordos migratórios com Cuba, como acaba de hacer, contra a própria vontade, a atual administração, sua base material são as medidas do bloqueio exacerbado por Trump, que Biden mantém intactas. Junto com os «ataques sônicos», os médicos cubanos na Venezuela foram transformados, por obra e graça do Departamento de Estado trumpista, em militares prontos para invadir a Colômbia, mas hoje os presidentes de ambos os países conversam amistosamente, enquanto enviados especiais viajam de Washington a Caracas em busca de um petróleo cada vez mais caro e distante, graças à aventura ucraniana de Biden e seu filho Hunter. 

                                         

    O mundo muda, se reconfigura. Os Estados Unidos, ante uma aliança russo-chinesa que ganha influência, necessitam garantir-se numa América Latina que não compartilha sua política em relação a Cuba. Três dos países com mais peso político e econômico na região (México, Argentina e Colômbia) criticam abertamente as políticas trumpistas de Biden para a Ilha, e a partir de janeiro um Lula latino-americanista e amigo de Cuba ocupará a presidência do Brasil, com mais peso ainda que os três anteriores juntos, para fechar um quadro de influencers no governo, e não nas redes sociais, que colocam importantes desafios a Washington. Biden manterá, apesar disso, a política trumpista contra Cuba, só para agradar um Frankenstein que o despreza nas urnas e no discurso?

   Vítima até agora de uma espécie de Síndrome de Estocolmo miamense, o atual ocupante da Casa Branca acaba de declarar que quer voltar a ser presidente em 2024, mas uma pergunta possível é se poderá ser, sem desafiar o Frankenstein republicano e mafioso do Sul da Flórida, que não se esconde para gritar que o Presidente tem medo dele.


(Esta é uma versão ampliada de um artigo publicado originalmente em Al Mayadeen).

 *Integrante do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

                            

22 de nov. de 2022

Algumas impressões sobre a Venezuela no Encontro de Solidariedade #MejorSinBloqueo

Carmen Diniz

   Um país solidário e em revolução é o que se vê e sente na capital venezuelana. Estive aqui em 2003 quando a Revolução Bolivariana começava a construir um novo país. Dezenove anos depois a mudança é impressionante. 

   Fisicamente com a construção de muitos edifícios imensos, bem construídos, bonitos, com varanda, etc que enfeitam a capital. Venezuela enfrentava um déficit de 3 milhões de habitações (no Brasil são mais de 6 milhões). Pois bem, construíram cerca de 5 milhões em todo o país - que conta com 34 milhões de habitantes - em um projeto  do tipo "minha casa minha vida" que inicialmente ofereciam imóveis gratuitos e depois passaram a ser financiados a baixos valores.

   Aqui uma observação : sim, também surgiram especuladores do programa, o ser humano não falha. Isso não inviabilizou o projeto que se destinava a moradores em áreas de risco e pessoas sem moradias.

    




Por ser período pré natalino a cidade inteira está iluminada, em especial em amarelo, vermelho e azul, as cores da bandeira.  

                    

   


  O Quartel de la Montaña é um local muito emocionante com o túmulo de Chávez guardado por guardas do exército bolivariano e com um museu em honra do Comandante eterno que conta sua vida desde o nascimento até sua passagem à eternidade com fotos e vídeos. 

Entrada do Quartel 

           

Local do túmulo de Chavez

    4 F é referente ao dia 4 de fevereiro, o dia do levante militar liderado por Chávez contra o governo Andres Pérez e que foi um impulso a que posteriormente a revolução bolivariana fosse vitoriosa.  Foi dessa forma que o povo se reapropriou da bandeira, bonés, etc que a direita havia usado como se fossem seus, inserindo 4F nos símbolos. 


  MARÍA  BETANCOURT Dentre os patrimônios venezuelanos destaco um dos mais  importantes que conheci:María Betancourt, a indígena que foi a primeira pessoa a de alfabetizar no país depois da Revolução Bolivariana pela missão Simon Rodriguez (educador venezuelano ) com o método cubano Yo Si Puedo. Uma pessoa orgulhosa de sua nova condição de alfabetizada e consciente da importância disso para seu povo.

        Maria conheceu  Leonela Relys Díaz pessoalmente, a criadora do método que lhe fez uma dedicatória (foto) 

Foi alfabetizada pelo próprio filho: 


   


Faz questão de contar como sua formatura alterou sua vida e como "se eu pude, qualquer pessoa consegue".  Porque trabalhava, cuidava de filhos e netos e de uma filha doente. Declara a importância de Chávez para seu país e em especial na educação. Uma pessoa que emociona.  Patrimônio da Venezuela.

    

   A situação econômica do país segundo informações, conta desde 2020 com um bloqueio estadunidense que faz com que a inflação (agora mais baixa) ainda castigue o país. São mais de 800 medidas dos EUA contra a Venezuela.Hoje, domingo, para cada dólar se cobra 12 bolívares, a moeda nacional. poucos dias antes se comprava 1 dólar com 7 bolivares.Para que se avalie a rapidez da inflação.  E se pode usar ambas as moedas em todo o comércio, inclusive no informal.

  Apesar de tudo isso, não há mais desabastecimento. Os mercados vendem de tudo ( e os camelôs também, nas ruas)


   Mercados  caraquenhos 
Comércio local

camelôs no boulevard
Além disso, o cartão cidadania garante comida a preços mínimos e combustível subsidiados ao cidadão : 120 litros por 3 dólares. Por isso se vê filas nos postos. Garantido aos cidadãos venezuelanos.

Sem ser pelo cartão se compra mais caro, sem filas mas a  0,5 dólar
 ( eu sei, dá inveja né não ?)


     Mutirão : uma organização de 30 famílias lideradas por mulheres passaram a construir moradias em uma localidade de Caracas. E foram vitoriosas mesmo com a pandemia e com os ataques da direita : muitas vezes tiveram que se refugiar no local por causa da violência dos "bolsonarentos" de lá, os esquálidos, que ameaçavam todos e todas se saíssem às ruas. A boa notícia é que   foram vitoriosas em sua luta e que aquela direita CANSOU. Boa notícia também para nós. Eles cansam.
Presenteei essas mulheres da ong com um símbolo que nós mulheres usamos na campanha pela eleição de Lula : aqueles óculos de estrela vermelha. Agradeceram muito, muitos aplausos rsrsr.


 


Aqui outra observação : os venezuelanos se animam muito com a eleição de Lula. Mesmo com a ressalva de Lula  não ser um Chávez, mas claro que a reaproximação com a América Latina vai ocorrer daqui para a frente, e isso já é motivo de comemoração.

O XII Encontro Nacional de Solidariedade Venezuela-Cuba
Realizado na Escuela de Planificacion de Venezuela , lindo local.

    Muita solidariedade entre os dois países que se encontram bloqueados pelos EUA  e que mantém suas revoluções apesar de todas as dificuldades que enfrentam. 
    As trocas que estabeleceram entre ambos minoram as dificuldades sem solucionar os problemas causados pelo império. O bloqueio a Cuba, há mais de 60 anos é o mais extenso ( e intenso) da história da humanidade.   
                   
Representantes dos dois países no evento

    Os dois países reforçaram  seus laços e  a importância da solidariedade entre os povos. 
    Internacionalmente estivemos o Brasil ( com a alegria pela eleição de  Lula) e 4 colombianos também muito festejados por terem comparecido  ao evento por via terrestre, dessa forma demonstrando o restabelecimento das relações entre os dois países com a abertura das fronteiras pelo presidente Petro.
    Este fato, aliado à eleição de Lula no Brasil traz uma onda de esperanças à região, sem dúvida. E foi isso que se viu.
    Aliado a isso, fomos agraciados os dois países com moções de agradecimento pela luta e solidariedade à Venezuela e Cuba. Uma honra.
      Ao receber o reconhecimento no ato final do evento em nome do Comitê, aproveitei para agradecer como brasileira à Venezuela pelo fornecimento de oxigênio a Manaus em janeiro de 2021 durante o ápice da pandemia da COVID-19 (em função da omissão do governo brasileiro) e que evitou terríveis mortes de brasileiros e brasileiras. Jamais esqueceremos.               

        Na mesa da Comunicação participamos a primeira vice- presidenta do Icap Noemi Rabaza, Ana Morena (da comunicação da  Rede Continental) Tamara Velázquez da comunicação do Icap e eu pelo meu querido Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos. Muitas questões levantadas sobre a Comunicação, a censura a sites cubanos e às informações verdadeiras sobre os dois países e a quaisquer outros países que não se submetam aos desígnios da política estadunidense. 
                    
Mesa da Comunicação
   Demais integrantes da mesa e do público se interessaram pelos panfletos didáticos do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba  sobre o bloqueio, distribuídos aos presentes para traduzi-lo com informações  concretas sobre o bloqueio imposto a Cuba . Para que se  entenda melhor do que com números absolutos. 
    
Simon Bolivar e Manuela Saenz no evento com discurso atual

   Aqui faço meus agradecimentos aos companheiros que nos convidaram ao evento e que nos ofereceram  toda estrutura e acolhimento, em especial : @MariaElenaQuintero @InesLuigi e @YhonnyGarcia e demais compas que nos receberam como hermanos que somos ❤️  Hasta siempre 
                                      

Declaração Final do XII Encontro de Solidariedade Mútua Venezuela-Cuba :
https://convertio.co/pt/download/e3ecba97edc783987f5773d8b4870a081cd9d9/

     Mais informações sobre o evento:

   https://cubaenresumen.org/2022/11/21/cuba-y-venezuela-el-amor-infinito-tejido-por-la-historia/            


15 de nov. de 2022

Reunião da direita mundial, para quê?

A direita pressente sua queda e reorganiza suas forças repressoras de corpo e de ideia. Foto: PL

     Tradução: Marcia Choueri*

   Visto que, neste momento, a direita não dispõe de líderes emblemáticos, seus representantes se reúnem para reciclar ataques contra a humanidade. Daqui a pouco falarão, na Conferência Política de Ação Conservadora, no México, sobre como reprimir os povos, impor reformas trabalhistas e reforçar suas armas de guerra ideológica. Falarão em nome da liberdade e da democracia. Reciclarão seus «valores» – ou antivalores – porque estão preocupados com os «populismos», que inquietam o idílio burguês, enquanto a realidade, dura e crua, reacomoda tudo. Começando pela ideologia da classe dominante, que se assusta e se desespera, quando seus elixires e suas chantagens perdem poder. A cada dia, fica menos fácil esconder os mortos e a miséria que o capitalismo fabrica. E sabemos que estão organizando coisas piores. Como suas mass media vão disfarçá-lo?

     Eles vão se reunir, carregando seu instinto monopólico. Congregarão suas contradições, enquanto o mundo mostra estragos de fracasso civilizatório. Eles sabem que não há como defender o capitalismo que se encarregou de destroçar qualquer chance de prosperidade para a humanidade entre guerras, ruínas político-econômicas, pandemias e devastação da dignidade humana. Compartilharão discursos de ambiguidade salivosa e, entre braçadas de afogado, tratarão de organizar sua ideia de democracia de elite, com seu «pluralismo de monólogos», para garantir lugar ao «discurso único» de endividar todos e assegurar a renda de uns poucos. A qualquer preço.

    Reúnem-se para organizar sua sobrevivência no cenário eleitoral próximo, e porque sabem que já não são capazes de manipular à sua vontade, nem sequer nos campos semânticos de seus interesses. Sabem que sua «inteligência» e seu misticismo escapista entraram em crise. Por isso se munem com mais armamentos legalistas e rebulices, financiam a «guerra judicial» em seu labirinto histórico, armam guerras contra os trabalhadores, disfarçadas de reformas trabalhistas, reordenam o mapa do saqueio dos recursos naturais, e reorganizam suas forças repressoras de corpos e ideias… tudo isso com balbúrdias por causa da «corrupção» e da «insegurança» enquanto promovem todas as quinquilharias do neofascismo. Exibirão sem pudor uma moral monopólica, que exige o desaparecimento de toda competição. E nós, o que fazemos enquanto isso?

    Eles pressentem sua queda e se dispõem a fechar toda e qualquer saída para uma nova sociedade. Derretem os miolos para disfarçar as mais rançosas manias de controle e reformismo. Reúnem-se para consolidar blindagens para seu modelo econômico, desde as bases de suas estruturas jurídicas e militares… sua perda de «ideias» e de futuro na espiral descendente e abismal de sua decadência. Também vão rever a instrução imperial protocolada pela «direita mãe», que exacerba sua decisão cada vez mais medíocre de se refugiar no reino da mediocridade mediática. Não é um «trocadilho», é o relato de uma decadência que, quanto mais afunda, mais carnavalesca fica, e mais perigosa pode se tornar, se nos descuidamos. Sua reunião conterá nichos de vassalagem e ridículo, entre vãos de intransigência individualista, independente de que nome lhe deem. E, enquanto isso, serão aplaudidos por suas «teles».

     Isso que lhes resta como agenda político-econômica será desfeito a golpes de egolatrias linguarudas domesticadas, para fabricar eufemismos que camuflam, de mil maneiras, o ódio de classe burguês. Seus representantes mais conspícuos têm a tarefa infausta de imaginar ilusões rentáveis para seus chefes, criar-lhes miragens sobre si mesmos e sobre seu destino messiânico. Suas melhores «ideias» apodrecem no caldo irracional de seus planos de lucros e seus modelos de negócios. Veremos quantos governos se tornam cúmplices de cada «acordo» engendrado nessa reunião. Por isso fundam reinos de espionagem desesperada e insolente, como neo-estratégias para reprimir e, especialmente, para semear provas falsas a quem desejem sacrificar em seus campos de guerra judicial. De suas aulas e laboratórios de pensamento, só emergem projetos de usura, evasão, fraude e desfalque.

    Não é má ideia, levar a sério o que se discuta nesse e em outros encontros. Observar de perto, decodificar suas mensagens evidentes e latentes. Sairão com a consigna de nos impregnar seu otimismo e de nos convencer de que eles são o melhor que nos aconteceu. Avançarão para a radicalização de seus protocolos de pilhagem e exploração, com modalidades retóricas «novas», carregadas com campanhas mediáticas e para um modelo de controle que lhes cresce desigualmente. Hoje vemos seu rosto com mais nitidez histórica e vemos sua inclinação que, não livre de ameaças, carrega a advertência de uma época pior. Nem tudo na queda do capitalismo é «noite e silêncio». Pelo contrário, para os povos é claridade e fortaleza, porque nasce, firme, a certeza de que outro mundo é possível, necessário e urgente. Se dermos atenção a nossas debilidades como se deve.


  nternet@granma.cu  13 de Novembro de 2022 

*Marcia é integrante do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba




12 de nov. de 2022

ESTREIA NO BRASIL O DOCUMENTÁRIO CUBANO "LA GOTA DE AGUA" - #MejorSinBloqueo

            Nesta sexta-feira 11 de novembro de 2022 estreou no Brasil o documentário cubano La Gota de Agua. Nesta tarde/noite  o auditório Paulo Freire na sede do Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro foi exibido pela primeira vez no Brasil o filme legendado em português.         

                

    

O documentário de 30 minutos conta uma história real demonstrando os danos causados pelo bloqueio que os EUA impõem a Cuba há mais de seis décadas. 



O filme relata um caso concreto de uma doença em uma criança de 4 anos e as dificuldades causadas à família pela precariedade de recursos na Ilha.           

      
   Após a exibição do filme que emocionou bastante os presentes, foi aberto o debate com a presença do Cônsul Geral de Cuba no Brasil em São Paulo, Pedro Monzón, o presidente do Sindicato (SinproRio) Elson Paiva e uma representante do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba Carmen Diniz que responderam às questões sobre a recente votação do bloqueio na ONU e sobre as consequências concretas do bloqueio criminoso que os governos dos EUA impõem ao povo cubano há mais de 60 anos. É o bloqueio mais longevo da história da humanidade sem que tenha havido qualquer conflito entre duas  nações.

    Fica aqui novamente nosso agradecimento ao SinproRio e a alegria por essa estreia ter sido realizada na casa dos professores, esses formadores de corações e mentes, a profissão mais respeitada e admirada em Cuba. Seguimos !                                                                                        #MejorSinBloqueo        


9 de nov. de 2022

Irrompe o Ministério da Verdade dos Estados Unidos

                         

Publicado por La pupila insomne

Por: Iroel Sánchez

Tradução: Marcia Choueri

Longe da «enorme estrutura piramidal de reluzente concreto branco», descrita por George Orwell em seu romance 1984, o Ministério da Verdade de Washington é invisível, chama-se CISA (sigla em inglês de Agência de Cibersegurança e Segurança das Infraestruturas), está embutido no Departamento de Segurança da Pátria (DHS, sigla em inglês) e se dedica a monitorar e comunicar às principais empresas de redes sociais digitais a informação que o governo entende como daninha e que deve ser eliminada.

Revelações publicadas pelo meio alternativo The Intercept, na segunda-feira passada, e depois replicadas pela imprensa estadunidense divulgam memorandos, e-mails e documentos internos do DHS, obtidos «através de vazamentos, um processo em curso, bem como documentos públicos, e ilustram um esforço expansivo da agência para influir nas plataformas tecnológicas».

Segundo um informe governamental, também vazado, pretende-se vigiar «as plataformas de redes sociais de todos os tamanhos, os principais meios de comunicação, as notícias por agências, os meios superpartidaristas, os programas de rádio e outros recursos online», tanto estrangeiros como estadunidenses.

Há e-mails da CISA, com respostas favoráveis da empresa, em que a agência solicita ao Twitter eliminar até contas humorísticas, e revela-se a existência de um portal interno do Facebook, onde agentes do DHS indicam à plataforma a informação «prejudicial» que deve ter seu alcance limitado ou mesmo ser eliminada, o que demonstra  The Intercept que o governo estadunidense «usou seu poder para tratar de moldar o discurso online».

Mas, no que se considera desinformação e na avaliação da efetividade de seu enfrentamento, não deve aparecer a mão do governo: segundo revela The Intercept, um funcionário da CISA chamado Geof Hale recomendou «o uso de organizações sem fins lucrativos de intercâmbio de informação de terceiros como uma ‘câmara de compensação de informação, para evitar a aparência de propaganda governamental’».

Provavelmente, as repartições governamentais de qualquer país veem seus chefes com menos frequência que as empresas de tecnologia e comunicação estadunidenses veem os operadores de segurança nacional. Se, antes das eleições de 2020, as reuniões entre as agências federais (FBI e DHS e outros representantes governamentais) com entidades como Twitter, Facebook, Reddit, Discord, Wikipedia, Microsoft, LinkedIn e Verizon Media eram mensais, agora passaram a realizar encontros similares de quinze em quinze dias.

Ainda segundo as revelações, têm sido prioridade do trabalho do DHS e da CISA nas redes: as origens da pandemia da covid 19 e a eficácia das vacinas contra a doença, a justiça racial, as leis dos EUA, a retirada do Afeganistão e a natureza do apoio de Washington à Ucrânia.

Então, se você publicou na internet sobre algum desses temas com um enfoque não coincidente com o do governo estadunidense e não chegou muito longe, The Intercept lhe oferece uma explicação.

Para conseguir maior alcance, você deve sempre lembrar as três consignas expostas nas paredes do Ministério da Verdade orweliano: «A GUERRA É PAZ», «A LIBERDADE É ESCRAVIDÃO» e «A IGNORÂNCIA É FORÇA».

 







*Marcia é integrante do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 



8 de nov. de 2022

O Procurador Geral dos EUA reverte a guerra de Trump contra o jornalismo : O que vem a seguir? #FreeAssangeNOW

                                 
     O Procurador Geral dos EUA, Merrick Garland, "formalizou" mudanças de política que impedem o Departamento de Justiça de apreender os registros dos repórteres ou processá-los por "coleta de notícias".

   O vencedor do Prêmio Pulitzer, Charlie Savage, do New York Times, divulgou a história, o que poderia ter implicações para a acusação equivocada de Julian Assange pelo governo dos Estados Unidos.

    Não é apenas uma mudança de tom que recua na retórica hostil de Trump contra a imprensa. Estes novos regulamentos esclarecem a definição de "coleta de notícias", impedindo o Departamento de Justiça de processar jornalistas e editores - mesmo que eles estejam ativamente buscando informações ou fontes.

   Julian Assange permanece trancado na Prisão Belmarsh de segurança máxima, acusado exatamente pelo mesmo comportamento que estas novas regulamentações do Departamento de Justiça visam proteger. Os governos dos EUA e do Reino Unido devem #FreeAssange imediatamente - e não apenas fazer promessas de fazer melhor no futuro.

 Comitê de Defesa Assange  www.assangedefense.org

                                   


  O Procurador-Geral dos EUA proíbe o departamento de justiça de apreender registros de jornalistas.

  Essas conversas levaram a vários ajustes sobre questões potencialmente críticas, como a definição de "coleta de notícias". Segundo os participantes, o Departamento de Justiça originalmente pretendia definir “coleta de notícias” de uma forma que se limitasse ao recebimento passivo de segredos governamentais. Mas a versão final agora abrange o ato de buscar informações. O regulamento define "coleta de notícias" como "o processo pelo qual um membro da mídia coleta, busca ou obtém informações ou registros para fins de produção de conteúdo destinado à divulgação pública", incluindo "informações sigilosas" de fontes confidenciais.

     Diz-se também que o Departamento de Justiça removeu a espionagem de uma lista de atividades criminosas que são excluídas da coleta de notícias protegidas.

   

The Assange Defense Committee info@assangedefense.org 

Tradução/Edição:Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 



 NT: De se desconfiar que nos EUA decidam descriminalizar qualquer conduta. É um Estado excessivamente punitivista. Se no entanto, isso acontecer e lá,  como aqui,  uma norma possa retroagir para beneficiar o réu, Assange realmente sai da condição de acusado. Vamos ver - e torcer.