11 de abr. de 2025

É PRECISO SAIR DO IMOBILISMO - Roberto Amaral (um artigo imprescindível.)

Imagem: JusBrasil 

Roberto Amaral*

Estamos a 61 anos do golpe de 1º de abril de 1964, e a 40 anos do fim da ditadura. Mesmo após a reconstitucionalização, o regime castrense sobreviveu como bedel do país democratizado. Graças a um pacto transacionado nos salões de Brasília, imunes aos sons do povo nas ruas, elegemos Tancredo Neves para dar posse a José Sarney, o último grande líder civil do partido da ditadura. Assim, ingressamos na frustrada “Nova República” e chegamos à Constituinte de 1988, condicionada pela concordata com os militares — acordo que compreendia veto à Constituinte ordinária (que nos permitiria passar o país a limpo), veto à revisão da anistia capenga (que só beneficiava os criminosos), veto ao julgamento dos crimes da caserna e, cereja do bolo, o infame art. 142, ditado pelo general Pires Gonçalves, estafeta designado pela caserna para vigiar os trabalhos dos parlamentares. Foi assim que nasceu a “Constituição Cidadã” do dr. Ulysses, um belo projeto que vem sendo continuadamente desconstituído, dilapidado — seja pelo neoliberalismo voraz, seja pela direita em seu largo espectro.

Há sempre um ponto de partida, por óbvio, para a análise do processo histórico, e o nosso é o mantra da conciliação — pai e mãe da impunidade, pai e mãe de todos os golpes intentados e perpetrados contra a democracia. Otávio Mangabeira, falando nos tempos em que os liberais tinham o que dizer, comparava a democracia a uma “planta tenra que precisa ser regada todos os dias para que não morra”, porque entre nós — ontem como hoje — ela é ameaçada por um reacionarismo larvar, antissocial e antinacional, fundamentalmente autoritário, velho como a Sé de Braga, porque nos persegue desde sempre e não se desapega de nossa História, sustando o futuro. Como faz no momento presente.

Quando não apela à violência — como nos sucessivos golpes de Estado que fazem nossa história desde o nascimento do Império —, a classe dominante impõe a conciliação, inventada para impedir não só qualquer arte de ruptura, mas qualquer mudança — salvo aquela engendrada para que nada mude.

Ao sabor das circunstâncias, a vontade supostamente majoritária da sociedade brasileira vinha mantendo de pé a luta democrática, respeitosa dos ritos e das regras do sistema, padecendo derrotas, mas aqui e ali logrando, ainda que em vezes raras, algum progresso social — à mercê, porém, da maldição de recuar dois passos sempre que logra caminhar um à frente.

Passam as águas da política sob a ponte da história, mas parece que foi ontem o golpe parlamentar de 2016, porque ainda convivemos com suas consequências, que nos abraçam e nos ameaçam com sua presença num horizonte a perder de vista — se nos faltarem as forças de que carecemos para enfrentar a ofensiva política e organizacional da onda neofascista. Ou se continuarmos, por falsa defesa, minimizando a letalidade do adversário. A extrema-direita é articulada internacionalmente, inclusive por meio do ramo neopentecostal, mas outro erro fatal — embora fale ao espírito dos tíbios — é reduzir o fenômeno nacional (o progresso das legiões fascistas) a simples manifestação do quadro internacional, aguçado de último pela consagração norte-americana de Trump. É a teorização do “não há o que fazer”.

Em 1985, e mais ainda em 1988, pago o preço humano conhecido, havíamos retomado os trilhos da democracia descarrilhada em 1964. Caminhamos segundo as regras da conciliação, mediante avanços e recuos — mais recuos do que avanços (trágica sina!) — e chegámos a um estranho 2018, que ainda não conseguimos explicar.

Segue-se, daquele então até aqui, uma penca de recuos políticos, atingindo os interesses populares e restringindo os espaços — mesmo os mais formais — da democracia possível.

Ainda incomoda a persistente lembrança do quatriênio da extrema-direita — no poder pelo voto, em pleito legítimo —, e a intentona do 8 de janeiro de 2023 veio lembrar, aos que têm olhos para ver o indesejável, o avanço do projeto de poder do fascismo caboclo. Trata-se de avanço notável, que se revela num plano de organização política e material, nacional e internacional, desconhecido entre nós, porque agora sustentado em bases populares e eleitorais que falaram em 2018 e 2022 — e já rosnam olhando para 2026.

Frustrados os projetos da esquerda mais moderada (e já não registro o arquivo a que foram condenadas as esperanças socialistas, sonho de uma militância em recesso), o presente nos assalta com maus presságios.

A eleição de Lula — pelos seus números e pelas dificuldades da governança, que o passar do tempo só agrava — é ponto de alívio e advertência, para nos ajudar a medir o tamanho e o peso do adversário que não ensarilhou as armas. Não é uma posição de conforto. Ademais, é momento que requer reflexão.

Como, porém, conservar as posições atuais e avançar — conditio sine qua non para sua sobrevivência política — se o governo (fruto de uma coalizão eleitoralmente necessária, mas heterodoxa tanto do ponto de vista político quanto ideológico) carece de um projeto político, regente de um programa de governo? Se a política nacional, de um ponto de vista progressista, padece anomia letal? Se o chamado campo das esquerdas se imola na doença senil do imobilismo, cedendo espaços políticos e ideológicos às forças do atraso, deixando-nos como herança perversa a contingência de defensores das instituições e da ordem?

As contingências roubaram-nos o ardor revolucionário; um certo oportunismo nos levou a esquecer nossas teses fundamentais — como a denúncia do sistema e a contestação da ordem. Mesmo a esquerda socialista parece haver retirado de sua bandeira a denúncia da iniquidade que é o capitalismo em si.

Não está mais no vocabulário da militância a miséria da exploração do trabalho.

Discutimos teses importadas de nossos adversários, cuidamos de ajuste fiscal. Pouco nos referimos à concentração de renda e, quando ela entra em nossos discursos, chega desapartada da indispensável denúncia de suas causas. Tratamos o fim da impunidade dos golpes — que pode mudar os rumos da República — como uma questão processual adstrita ao STF e ao seu plenário de capas pretas. Não vamos à rua para dar respaldo ao processo e não temos força (ou será ânimo?) para a mobilização popular contra a impunidade, ora batizada de “anistia”.

Os riscos são os de sempre. A caserna se conserva como instrumento de conservação do status quo, mas o cenário de hoje — agravado pelo quadro internacional — lembra os riscos de 1937 e 1964. Não há propriamente incompletudes, mas há muito o que fazer. E o fazer é resistir para avançar, olhando para o grande objetivo: retomar o comando do processo histórico.

Aliás, a história da democracia na República não é um lago sereno. Jamais foi. Sérgio Buarque de Holanda já nos disse que “a democracia entre nós foi sempre um mal-entendido” — e ele se referia à democracia política. A democracia social, aquela que deve ser o leitmotiv da esquerda, não é entre nós apenas um mal-entendido, mas o fantasma que a classe dominante forceja por exorcizar — sem medir  o preço a pagar, mormente agora, quando suas velas são enfunadas pelo vento quente que nos chega dos EUA, animando os reacionários de todos os naipes, no mundo inteiro.


A batalha de Glauber Braga na Câmara

Prepara-se, na pior legislatura da história da Câmara dos Deputados, um dos mais graves atentados contra a democracia e contra o princípio que a justifica: a soberania popular. No chamado Conselho de Ética — chorume político-parlamentar que nos avilta — articula-se a cassação encomendada do mandato do deputado fluminense Glauber Braga.

As razões são as do lobo, consagradas na fábula de La Fontaine. A motivação — mais que tudo uma vendeta — é política. Mas trata-se da pequena política, da política de várzea, que expressa interesses mesquinhos e inconfessáveis dos “coronéis” de paletó e gravata e da direita de todos os jaezes, grupos e grupelhos que infestam e controlam o poder legislativo, abastardando-o. É a política do atraso: atraso econômico,  atraso social,  atraso ético e aviltamento moral; a política que se alimenta do “orçamento secreto”, da manipulação de verbas públicas denunciada por Glauber Braga, da orgia das emendas parlamentares destinadas a fins inconfessáveis — mas conhecidos pelo país —, como o enriquecimento ilícito de agentes públicos.

É o usufruto de recursos para obras públicas nunca realizadas (ou jamais concluídas), mas pagas pelo erário, pois sua real finalidade é financiar projetos eleitorais. É a pequena política da advocacia administrativa, levada a cabo por deputados-procuradores e lobistas de interesses privados. É o tráfico de influência, a deslavada manipulação de verbas públicas — instrumento superior do envilecimento da política.

A tudo isso Glauber Braga oferece um combate firme, sem quartel. E esse combate, feito de peito aberto, pode custar-lhe o mandato.

No Brasil que já aspirou à modernidade, o campeão de hoje é o patrimonialismo associado à política dos rincões. É o Centrão — um valhacouto de políticos marginais (embora bem-sucedidos nos negócios e na traficância) — que governa a Câmara, seu redil controlado a rédeas curtas. Pois é essa súcia que lança mão de todas as armas para cassar o mandato do deputado fluminense e expeli-lo da política, com uma inelegibilidade adicional de oito anos.

Glauber está há cerca de um ano sendo processado no referido colegiado Câmara dos Deputados — agora já com a aprovação do parecer escrito para ser lido pelo relator: um pobre, mas perigoso zé-ninguém, criado pelo velho carlismo, que propõe a cassação de seu mandato. O pretexto acusatório é uma reação passada do parlamentar que, seguidamente agredido por um trânsfuga assalariado da extrema-direita, expulsou das dependências da Câmara esse meliante — usando a força necessária. Glauber reagiu à baixaria quando, além de agredido em sua integridade política e moral, viu a agressão estender-se — em nível abjeto, o natural dos fascistas — contra sua mãe, um raro exemplo de política e administradora proba, já bastante doente, vítima de Alzheimer avançado. Saudade Braga viria a falecer poucos dias após a agressão sofrida pelo filho.

Pois o pobre diabo que leu como seu o relatório pedindo a cassação do mandato de Glauber Braga é o mesmo que, no recinto da Câmara, agrediu fisicamente um escritor que ali lançava um livro tido como desairoso ao cacique Antônio Carlos Magalhães — tio e mentor do hoje relator.

O Conselho aprovou o relatório espúrio, que será afinal submetido ao Plenário — quando decidir o presidente da Câmara (pau mandado do antecessor), isto é, quando estiverem somados e contados os votos necessários à sua aprovação. A cassação será também um aviso, que dirá ao coletivo de que lado está a força do arbítrio. E assim será, se essa violência não for repudiada pelo conjunto da Casa, pressionada pela sociedade.

* Com a colaboração de Pedro Amaral


     Edição: @comitecarioca21  (grifos nosso) 

 

8 de abr. de 2025

REDOBRAR A SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA PARA FREAR O FASCISMO

                               

O Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos pede a redobrada solidariedade internacional com a Palestina e a adesão ao movimento global para condenar, em todas as formas, o genocídio perpetrado pelos ocupantes israelenses com o apoio material, militar e político do imperialismo estadunidense.

Jamais normalizaremos o massacre e o horror da população civil, onde crianças, mulheres, jovens, idosos, hospitais, ambulâncias, médicos e profissionais de saúde, escolas, universidades, campos de refugiados e tendas são alvos diários de bombardeios.

Vimos com horror os corpos destroçados de crianças palestinas, a dor indizível de seus pais e mães beijando seus filhos envoltos em mortalhas, carregando o que restava da criança que minutos antes tentava brincar em uma rua de Gaza.

Vimos os gritos de meninas cujos irmãos mais novos morreram diante de seus olhos, e seu desespero por não poderem segurar suas mãos para salvá-los antes que os estilhaços que acabaram com seus sonhos e suas vidas caíssem sobre elas.

Vimos corpos de homens voando pelo céu após bombardeios brutais. Que novas armas letais esses criminosos de guerra nazistas estão usando?

Hitler enfrentou a Resistência e os Aliados quando invadiu a Europa. Depois que o fascismo foi derrotado e os criminosos de guerra foram julgados em Nuremberg, a ONU nasceu com sua Carta fundadora para que o direito à vida e à paz de todas as nações do planeta fosse respeitado.

Oito décadas depois, com algumas exceções como os países da ALBA, o mundo se resignou a declarações mornas, e a União Europeia se tornou cúmplice de seu silêncio diante dos ataques à Palestina, Líbano, Iêmen, Síria e das constantes ameaças ao Irã.

Vamos denunciar com todas as nossas forças o criminoso de guerra Benjamin Netanyahu e seu parceiro Donald Trump.

Bombardear uma aldeia inteira durante 17 meses, bloqueá-la, deixá-la sem eletricidade, sem água potável, sem pão e sem medicamentos; destruir 80 por cento das suas casas e edifícios, hospitais, escolas e universidades; forçando-os a se mudar e depois queimando e bombardeando suas humildes tendas novamente. O bloqueio da entrada de ajuda humanitária é usado pelo sionismo e pelo imperialismo como novas armas de guerra. A ocupação brutal constitui um crime contra a humanidade que deve ser repudiado, processado e condenado.

Exigir o fim da ocupação de toda a Palestina, do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo, é um imperativo que nos desafia a acabar com o genocídio.

O povo palestino tem direito legítimo à vida, à sua terra, cultura e soberania.

Milhões de refugiados palestinos ao redor do mundo têm o direito legítimo de retornar à sua amada terra natal.

17 de abril é o Dia dos Prisioneiros Palestinos.

Milhares de prisioneiros foram humilhados e maltratados sob formas cruéis e humilhantes de detenção, dia após dia, durante anos. Os direitos mais básicos de crianças, jovens, mulheres e adultos são violados repetidamente. Exigimos a libertação de todos os presos políticos, única maneira de alcançar a paz, juntamente com o fim da ocupação.

Apelamos aos nossos amigos em todo o mundo, aos comitês de solidariedade com a causa palestina, aos homens e mulheres de boa vontade que prezam o sagrado direito à vida e à paz, para que protestem em todo o mundo, de todas as maneiras possíveis:

● Protestos em frente às embaixadas de Israel e dos EUA.

● Exigir que os governos rompam relações comerciais e diplomáticas com o ocupante Israel.

● Solicitar à ONU que sancione Israel e os Estados Unidos como uma ameaça real à humanidade.

● Processar Israel nos tribunais de nossos países por genocídio, extermínio e etnocídio.

● Divulgar todos os tipos de expressão cultural, livros, cartazes, peças de teatro, musicais e filmes que afirmem o direito da Palestina à soberania.

● Usar o lenço de cabeça palestino - Kufiya - como símbolo de solidariedade e do direito da Palestina de existir.

 

Desde 18 de março, dia em que Israel encerrou unilateralmente o cessar-fogo, o exército israelense mata uma criança a cada 45 minutos. Parar o genocídio na Palestina Ocupada significa parar o avanço do fascismo não apenas na região.

O mundo derrotou o nazismo em maio de 1945 ao enorme custo de mais de 20 milhões de soviéticos. Dezenas de milhares de pessoas de todas as nacionalidades lutaram nas linhas de frente para acabar com o horror do fascismo.

Oitenta anos depois, testemunhamos com horror o massacre em curso, a violação brutal dos direitos humanos da população civil e dos presos políticos, o desrespeito à lei e às resoluções de organizações internacionais e a renúncia da ONU, que não conseguiu pôr fim ao horror que a humanidade testemunha diante de seus olhos.

Os milhões que deram suas vidas para libertar a Europa do fascismo não morreram em vão.

Não permitamos o assassinato de mais crianças palestinas, libanesas ou sírias, nem que famílias sejam desfeitas por suas perdas intermináveis.

Nós nos levantamos em protesto internacional pela Palestina, que é uma manifestação pelo Amor à Vida, pela Justiça, pela Dignidade Humana e pelo direito de todos os nossos povos à Soberania e à Paz.

 

                                   Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos.

 

7 de abril de 2025

https://cubaenresumen.org/2025/04/08/redoblar-la-solidaridad-con-palestina-para-frenar-al-fascismo/

7 de abr. de 2025

UMA DOR A CURTO PRAZO PARA CONSEGUIR LUCROS A LONGO PRAZO (+vídeo)

Foto: Caricatura Jorge

   Declarado campeão de “ideias muito criativas” contra Cuba, Mauricio Claver-Carone revela abertamente sua receita, que é um cálculo de rentabilidade para o negócio da política anticubana.

  As recentes declarações do enviado especial da Casa Branca para a América Latina, Mauricio Claver-Carone, perante o Conselho de Assuntos Mundiais em Miami, são prova da hostilidade constante de Washington em relação a Havana.

  Diante das perguntas do moderador Aaron Rosen, representante do Conselho de Assuntos Mundiais de Miami, e de outros presentes, Claver-Carone expôs as linhas gerais do plano do atual governo contra Cuba.

  Em um tom frequentemente comemorativo, como se estivesse se dirigindo às câmeras de um programa de entrevistas na televisão, o “falcão de Trump”, como alguns já o apelidaram, demonstrou sua animosidade em relação ao povo da Ilha.

  “O que eu aprendi? Em 2019, a política era de pressão máxima, mas nunca chegamos ao ponto de pressão máxima, nem mesmo a 50%. Havia muitas coisas que poderiam ser feitas”, disse Carone.

  Parece que seu arsenal de maldade é inesgotável. Como ele explicou, há uma diferença marcante entre o cenário atual e o que existia durante o governo anterior de Trump (2016-2020).

  “Claramente não há discordâncias. Temos um Departamento do Tesouro que entende completamente a ameaça; e temos um Departamento de Defesa que entende que a segurança na região é uma prioridade”, disse ele.

  Digno de um personagem maquiavélico, desprovido de qualquer referência moral, ele afirmou que, como empresário, acredita que se deve investir em uma “dor de curto prazo para obter lucros de longo prazo”, em vez de apostar em uma “dor de longo prazo e nenhum lucro”.

  E então ameaçou: “Portanto, temos que apostar tudo. Essa é a minha maior lição. Eu trabalho com um Secretário de Estado que pensa da mesma forma, um Presidente que entende essas prioridades, e o objetivo é fazer as coisas acontecerem”.

         


   Sobre outras insinuações expressas pelo funcionário à imprensa - lembre-se da entrevista que ele deu ao Político sobre a implementação de “abordagens criativas” para facilitar a mudança política em Cuba -, disse: “A transição em Cuba não é apenas inevitável, mas provavelmente iminente. Acho que podemos ser muito criativos. Muito criativos".

   É claro que a pessoa mencionada ratificou esse critério e respondeu, como de costume em campanhas de difamação, culpando a vítima pelos crimes do carrasco.

   Ele mentiu sobre os eventos de Mariel em 1980, sobre questões de migração, uma questão dolorosa usada por sucessivas administrações dos EUA contra a Ilha.

    Claver-Carone recorre à narrativa anti-imigrante de Trump e, para provar seu ponto de vista, usa falácias sobre o Trem de Aragua contra a Venezuela, além de ameaçar a doutrina de força do presidente nas relações internacionais.

   No entanto, ele está em flagrante contradição com seu chefe, pois sabe muito bem que a política de pressão máxima, a limitação de vistos e a emigração legal, bem como qualquer violação dos acordos de migração entre as duas nações, podem gerar um aumento considerável nas saídas ilegais para os EUA.

  Das formas de bloqueio hoje existentes, o que não é uma justificativa para o governo cubano, o próprio Mauricio se encarregou de demonstrar em sua jactância: “conseguimos criar novos mecanismos eficientes para sermos mais cirúrgicos em Cuba em relação aos setores econômicos do regime”.

  No entanto, nada do que o “criativo” Carone disse foi original; pelo contrário, parece que ele leu e reempacotou o que estava escrito no nefasto memorando de 6 de abril de 1960, há 65 anos, no qual foram revelados os fundamentos da política genocida do governo dos EUA contra Cuba. "enfraquecer a vida econômica de Cuba (...) reduzir seus recursos financeiros e salários reais, provocar a fome, o desespero e a derrubada de Fidel Castro”.

   Assim, o “lança-chamas” anticubano, como o diretor executivo da Engage Cuba, James Williams, o chamou uma vez, começou desde o primeiro minuto a realizar efetivamente seus sonhos de destruir a Revolução Cubana.

  Mais uma vez ele ignora o povo, sua história e seus valores. Ele persiste na guerra de pressão, porque sabe que para mantê-la é necessário financiamento e, é claro, sem esse financiamento não haveria carreira política para nenhum deles.


https://www.granma.cu/mundo/2025-04-06/un-dolor-a-corto-plazo-para-obtener-ganancias-a-largo-plazo-06-04-2025-23-04-05

Trad: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba  


4 de abr. de 2025

"O GOVERNO DOS EUA TORTURA E ASFIXIA A POPULAÇÃO CUBANA COMO EM UM EXPERIMENTO DE LABORATÓRIO" - Johana Tablada

                                   

Cubainformación.- Johana Tablada, atual vice-diretora geral da Direção dos Estados Unidos do Ministério das Relações Exteriores de Cuba, concedeu esta detalhada entrevista à Cubainformación TV.

   Sobre se um hipotético levantamento das sanções a Cuba por parte dos EUA reduziria, de acordo com as prioridades de Donald Trump e seu governo, o fluxo de emigração cubana para os EUA, Tablada explica que sim, “o fluxo de migrantes seria imediatamente reduzido”. E acrescenta que “o caso de Cuba é perfeito para estudar os efeitos de ‘empurrar e puxar’ na emigração”, nesse caso devido às medidas de guerra econômica dos EUA, que “torturaram a população cubana, em uma espécie de experimento de laboratório para asfixiar e cortar todas as fontes de renda”.

   E por que Trump não toma medidas nesse sentido? Porque “a questão de Cuba foi terceirizada para setores do sul da Flórida, que fizeram um negócio lucrativo com a política de agressão contra a Revolução Cubana e o cerco econômico ao nosso país”.

   Essa política de guerra, diz ela, “fracassou em termos de seu objetivo político, mas tem conseguido causar dor às famílias cubanas”.

   No entanto, um eventual levantamento do bloqueio econômico e financeiro “seria benéfico para ambos os países”, em áreas como “investimento, cultura” ou “acesso a medicamentos cubanos como o Heberprot-P”, que evita a amputação de pés diabéticos, uma doença que afeta milhares de pessoas nos EUA.

   A diplomata menciona uma pesquisa de outubro de 2024, que mostra que pelo menos 59% da população dos EUA apoia a normalização das relações entre Cuba e EUA.

    Com relação às dezenas de milhares de cubanos ameaçados de deportação dos EUA hoje, apesar de terem obtido status legal sob a administração anterior de Joe Biden por meio do chamado parole humanitário, Johana Tablada denuncia o cinismo do Secretário de Estado Marco Rubio e da atual administração Trump: o governo dos EUA “os forçou a emigrar ao deteriorar deliberadamente suas condições de vida”, por meio de dezenas de sanções econômicas contra a Ilha; depois “os manipulou”; e agora “os aterroriza”. Essas pessoas, a maioria, ela explica, “deixaram Cuba de forma totalmente legal” e afirma que “continuaremos a apoiar nossa emigração”.

   Johana Tablada faz perguntas difíceis de encaixar na narrativa tradicional anticubana: “qual é o país que limita as viagens da população cubana, Cuba ou os EUA?”; “qual governo coloca obstáculos e até ameaça os cubanos por decidirem viajar e ver sua família na Ilha, o governo cubano ou o governo dos EUA?”; “quem impede o envio de remessas dessa emigração, Washington ou Havana?” ou “quem proíbe a população dos EUA de visitar Cuba e faça turismo, o governo cubano ou o governo dos EUA”? Portanto, “qual é o Estado totalitário e qual é o que protege as liberdades?”

    Em relação às últimas medidas punitivas contra Cuba, o Secretário de Estado Marco Rubio anunciou a possibilidade de sancionar funcionários de terceiros países que assinam convênios médicos com Cuba, devido a um hipotético “tráfico de pessoas”, até mesmo “escravidão trabalhista” desses profissionais. Tablada destaca que se trata de um “capricho delirante” de Rubio, um projeto que “vai fracassar” porque “ninguém acredita nele”, nem mesmo “ele próprio”.

    O objetivo desse ataque à cooperação médica cubana é duplo: primeiro, “isolar Cuba internacionalmente e corroer seu merecido prestígio” no campo da medicina; e segundo, cortar uma fonte de renda que é “o sustento dos serviços médicos dentro de Cuba”.

    Com relação à acusação de “tráfico de pessoas”, ela ressalta que “nenhum dos elementos necessários está presente: nem os médicos são enganados, pois assinam um contrato e conhecem suas condições; nem são forçados ou coagidos; nem trabalham sem salário”. Pelo contrário, Johana Tablada explica que eles têm “dupla remuneração: o salário cubano integral e o pagamento em moeda forte no país onde estão baseados”. Ela também nega que as equipes de ajuda “estejam confinadas” ou que “não se movimentem livremente”.

                                

    Diz que, há alguns dias, “Marco Rubio teve a audácia” de expor suas mentiras sobre esse assunto “diante do primeiro-ministro jamaicano e o confrontou”, defendendo seus acordos de saúde pública com Cuba e reconhecendo o papel dos médicos cubanos em seu país. Porque “uma coisa é mentir no Senado dos EUA, onde eles não sabem o que está acontecendo, acostumados a qualquer coisa que políticos corruptos como Rubio, Ted Cruz ou Bob Menéndez dizem” e outra é fazê-lo diante daqueles que conhecem de perto os benefícios da cooperação cubana.

   “Marco Rubio não é um homem bem-sucedido”, ressalta. E lembra o fiasco da “operação Juan Guaidó” na Venezuela, que ele propôs a Donald Trump. E quando este lhe pediu para explicar o fracasso, ele “acusou Cuba”, dizendo que o golpe não foi bem-sucedido porque havia “30.000 soldados cubanos” na Venezuela. Mais tarde, a “própria CIA negou” essa bobagem sobre “tropas cubanas”.

    Ela também lembra que Rubio, junto com John Bolton e outros extremistas, no primeiro governo Trump, propôs um “bloqueio naval a Cuba” e foram os militares dos EUA que disseram que “eles ficaram loucos” e impediram tal iniciativa.   


    Sobre a redução das cifras de turismo para Cuba nos últimos anos, Tablada assinala que é uma consequência direta da política estadunidense, em dois aspectos: na perseguição aos investimentos no setor, após a aplicação total da Lei Helms-Burton; e na inclusão de Cuba na “lista de países patrocinadores do terrorismo”, pela qual, automaticamente, os cidadãos de 41 países, se visitarem Cuba, já não poderão entrar nos EUA sem visto.

   Há poucos dias, a diplomata deu uma conferência em Madri, junto com o embaixador cubano Marcelino Medina, sobre as relações entre Cuba e EUA e a atual escalada de medidas coercitivas contra a Ilha.

                                         

Fotos: Cubainformación, Prensa Latina, MINREX, People´s Forum, Colectivo 26 de Julio, Asociación Hispano-Cubana Bartolomé de las Casas.

https://www.cubainformacion.tv/especiales/20250404/114981/114981-el-gobierno-de-eeuu-tortura-y-asfixia-a-la-poblacion-de-cuba-como-en-un-experimento-de-laboratorio-johana-tablada

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Traduçao/Edição: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

@comitecarioca21 



2 de abr. de 2025

DECLARAÇÃO DO COMITÊ CARIOCA DE SOLIDARIEDADE A CUBA

                             

   O Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba vem se pronunciar com a mais absoluta indignação pelas recentes declarações de um secretário de estado estadunidense a respeito da cooperação médica de Cuba a países que a solicitam e necessitam.

   Este senhor Marco Rubio, em sua doentia obsessão por Cuba e no afã de derrubar o governo cubano, tenta criminalizar as brigadas médicas cubanas sem obter qualquer apoio por parte do povo. As populações atendidas sabem e as aprovam fortemente pelos cuidados que recebem por parte desses profissionais. Não vão prosperar as mentiras por ele espalhadas e as medidas de sanções se desgastarão por si mesmas, embora eventualmente causem prejuízos.

    O Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba se solidariza com os médicos e o governo cubanos e em especial, com o Programa Mais Médicos que aqui no Brasil salvou centenas de vidas, reduziu a mortalidade infantil, atuou em locais do país onde algumas populações nunca tiveram contato com setor de saúde, em locais de difícil ou perigoso acesso. Só temos a agradecer.

      Seria muito útil que pudéssemos criar uma vacina que injetasse em alguns setores um pouco de humanidade e para além disso se aprendesse um pouco de um certo Comandante que um dia disse: “MÉDICOS, NÃO BOMBAS” para, enfim, alcançarmos um outro mundo possível. E necessário.


                                 SEGUIMOS. E VENCEREMOS!

 

                                        Rio de Janeiro, 2 de abril de 2025

 

CUBA. COMEMORANDO MAIS DE SEIS DÉCADAS DE COOPERAÇÃO MÉDICA INTERNACIONAL. "MÉDICOS, NÃO BOMBAS."

                         

   A colaboração médica cubana, iniciada em 1963, marcou marcos históricos na saúde global com uma abordagem humanitária e solidária, destacando mais de 600.000 profissionais para áreas vulneráveis ​​ao redor do mundo.

  Desde sua primeira missão à Argélia em 1963, a cooperação médica cubana tem sido um pilar da solidariedade internacional, atendendo mais de 2,3 bilhões de pessoas e salvando 12 milhões de vidas.  Com um modelo baseado no altruísmo, Cuba forneceu assistência médica a 165 países, incluindo as regiões mais remotas e afetadas por crises.

  Em 17 de outubro de 1962, o líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, anunciou no Instituto de Ciências Básicas e Pré-clínicas Victoria de Girón o envio de 50 médicos para a Argélia, declarando:  “Hoje podemos enviar apenas 50, mas em 8 ou 10 anos, quem sabe quantos, e estaremos ajudando nossos irmãos, porque a Revolução tem o direito de colher os frutos que semeou .” Um ano depois, a primeira brigada médica partiu, dando início a uma tradição que hoje conta com mais de 600.000 profissionais.

   Marcos notáveis ​​incluem a criação do Programa de Saúde Integral após os furacões Mitch e George na América Central, seguido por iniciativas como "Barrio Adentro" na Venezuela e "Operación Milagro",  que realizou mais de 3,3 milhões de cirurgias oculares.

    Em 2005, Cuba criou o Contingente Henry Reeve, composto por mais de 10.000 profissionais  para responder ao furacão Katrina nos Estados Unidos e posteriormente à epidemia de ebola na África Ocidental (2014), onde 256 colaboradores trabalharam nos países mais afetados.

   Cuba também respondeu a emergências globais durante a pandemia de COVID-19, mobilizando 58 brigadas médicas em 42 países , incluindo a Lombardia (Itália), o epicentro inicial da doença. Em 2023, após os terremotos na Turquia e na Síria, 32 profissionais cubanos chegaram em menos de 48 horas para ajudar as vítimas.


   Médicos cubanos trataram mais de 2,3 bilhões de pessoas; realizou 17 milhões de intervenções cirúrgicas; atendeu 5 milhões de partos assistidos com um total de 12 milhões de vidas salvas e 24 mil colaboradores ativos em 56 países (2023).  Além disso, a cooperação conta com 25 convênios gratuitos e 23 convênios com bolsas para profissionais, priorizando áreas com acesso limitado à saúde.

    A colaboração médica cubana se baseia no voluntariado e no humanismo, enfrentando críticas infundadas dos Estados Unidos, que lhe impuseram sanções com base no argumento de exploração trabalhista por parte do governo cubano , quando na realidade seu trabalho foi reconhecido pelos governos e populações locais, especialmente em áreas onde nenhum profissional de saúde havia chegado anteriormente e com amor à sua vocação.


https://www.resumenlatinoamericano.org/2025/04/01/cuba-celebran-mas-de-seis-decadas-de-cooperacion-medica-internacional/

Trd/Ed: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 

           


1 de abr. de 2025

O MUNDO SEGUNDO RAÚL CAPOTE. ENTREVISTA COM O AGENTE CUBANO INFILTRADO NA CIA

                              

Por Geraldina Colotti

    A Universidade de Havana comemora o vigésimo aniversário da Telesur, o canal de notícias multiestatal criado por Fidel Castro e Hugo Chávez no âmbito da ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), com o objetivo de combater o "latifúndio midiático" na América Latina. O canal é representado por uma grande delegação de jornalistas e operadores, liderada por sua diretora, Patricia Villegas. Estandes dedicados à Palestina e um grande palco para shows e apresentações culturais foram montados, prontos para sediar a noite de encerramento do IV Colóquio Internacional Pátria,  sob o lema "Somos povos tecendo redes".

    Três dias de seminários, encontros, conferências e debates promovidos por prestigiosos convidados nacionais e internacionais (mais de 400 de 47 países): jornalistas, intelectuais, editores e comunidades organizadas no campo da comunicação alternativa. Uma ocasião para celebrar também o 133º aniversário da criação do  Patria , o jornal fundado por José Martí, que concebeu a pátria como “humanidade”. Um conceito aplicado hoje contra as "pequenas pátrias" xenófobas, os fechamentos e as fronteiras impostas pelo "tecno-feudalismo" de Donald Trump.

   Havana não parece ter sido afetada pela enésima rodada de apagões que acabou de terminar, e isso não afetou o bom humor dos cubanos: "Quando o sol está brilhando, aproveitamos a praia; quando não está, ficamos em casa e fazemos amor", conta um jardineiro. No meio de um pequeno grupo de jovens com piercings e tranças, encontramos Raúl Capote, Fernández, jornalista do  jornal Granma , analista político e ex-agente de segurança do Estado cubano.

  Tendo se infiltrado na CIA e aprendido internamente sobre os planos de desestabilização contra Cuba, sua perspectiva é única para observar o que está acontecendo hoje. O que mudou desde que você deixou de ser um agente operacional? Como você vê a situação com a chegada de Trump?

   Estamos vivendo uma situação muito complexa, realmente muito difícil, porque com o ressurgimento do fascismo em todas as suas formas no mundo, com um governo de extrema direita nos Estados Unidos, com uma visão, aliás, totalmente diferente daquela a que estávamos acostumados, até mesmo do próprio império estadunidense, bem, isso agrava as coisas em muitos aspectos: porque estamos diante de uma direita organizada, articulada, com um propósito definido, e a resposta que demos da esquerda tem sido uma resposta, poderíamos dizer, desarticulada. Embora tenhamos nos encontrado muitas vezes, conversado e tentado organizar um programa antifascista internacional, não tivemos a oportunidade, talvez por razões que deveriam ser analisadas muito mais profundamente, de realmente criar uma frente antifascista com tudo o que isso implicaria nas circunstâncias: porque estamos diante de um fascismo que, como sua própria natureza sempre indicou, não tem escrúpulos de qualquer espécie. Quero dizer, vivemos em um mundo onde um povo como a Palestina pode ser massacrado, e absolutamente nada acontecerá, onde fenômenos como os da Síria podem ocorrer, e todos permanecem em silêncio, simplesmente porque isso "não está totalmente de acordo com meu pensamento ou minhas crenças". E depois há bons assassinatos, assassinatos ruins, bons criminosos, maus criminosos. Claro, todo crime sempre tem um significado, mas "Israel" (a entidade sionista, para dizer o certo) assassina milhares de crianças e mulheres, e o mundo se acostumou, sejamos francos, a ver imagens horripilantes, sem que isso provoque nada. Hoje temos um vizinho aqui em Cuba, ao norte, que com tremenda calma diz que vai tomar conta da Groenlândia, que supostamente é uma aliada, dizem. Ou ele diz: vou tomar conta do Canadá, ele diz que vai tomar conta do Canal do Panamá. Se eles vão fazer isso com os aliados dos EUA, que são até membros da OTAN, e absolutamente nada acontece, não há resposta, imagine o que pode acontecer conosco!

  E a resposta da Europa, mesmo dos partidos de "centro-esquerda" que falam em pacifismo, é continuar armando Zelensky. O que você acha disso?

   Acho que há uma tremenda confusão, que também tem a ver com o grande declínio na Europa, não apenas do pensamento político, mas da liderança política da esquerda, onde também há uma falta de radicalismo. A extrema direita europeia, o fascismo europeu, se apropriou do nosso discurso de esquerda, então a direita se apresentou às massas como aqueles que resolverão os problemas que elas criaram, apoiando-se nessa nova esquerda que foi construída ao longo de muitos anos, esse globalismo construído ao longo de muitos anos, que foi uma esquerda adaptada aos interesses desse globalismo neoliberal, e que ainda detém o poder em alguns países da Europa, mas que responde a certos interesses. Então, o monopólio da defesa do nacionalismo, da defesa dos interesses nacionais, parece ser detido pela direita. Então, a direita está dando bons argumentos para não querer guerra, falando sobre paz, enquanto os governos de centro e de esquerda estão falando sobre guerra, falando sobre uma guerra cujas consequências são desconhecidas. Não sou fã de Donald Trump, mas Trump responde corretamente ao ministro britânico: Você consegue derrotar a Rússia? Você está falando sobre guerra com a Rússia. Você realmente tem o que é preciso para vencer a Rússia? Vocês não têm os meios, quero dizer, eles estão levando a Europa para uma guerra que eles não podem vencer, e uma guerra que ninguém pode vencer, o que é a parte mais triste de tudo isso. É uma guerra que não leva a absolutamente nada e que ninguém vai vencer. Então, muitas coisas estão acontecendo neste mundo, onde evidentemente há uma mudança, uma mudança profunda que está ocorrendo, principalmente nas hegemonias, e esse pouso tem dois caminhos: ou pode ser um pouso suave, um pouso consensual, onde todos participam dessa nova visão de mundo que muita gente defende, ou um pouso do fascismo, da extrema direita, governando os destinos do mundo e dividindo o mundo, dividindo as forças de influência, e decidindo onde eu mando, onde você manda, onde o outro manda, e subordinando o resto do mundo: porque eles precisam dessa mudança, devido ao próprio desenvolvimento tecnológico. E aí teríamos que recorrer a Marx para entender isso. A questão é que não nos esqueçamos de Marx, mesmo aqueles de nós que falamos sobre Marx não usamos as ferramentas que Marx nos deixou para analisar a história e os eventos, que é o mais importante; Ou seja, não usamos a metodologia que o marxismo nos deu para analisar a história. Então, o que está acontecendo? Onde vamos parar agora? Se não tivermos uma resposta, se não tivermos uma análise correta do que está acontecendo, onde vamos chegar com um desenvolvimento tecnológico tão alto, que exige dividir o mundo e obter poder?o verdadeiro poder deste mundo capitalista? O que farão amanhã com as milhares de pessoas que ficarão sem trabalho, quando os avanços tecnológicos e a inteligência artificial deixarem milhões de cidadãos neste mundo desempregados?

  Sobre a Inteligência Artificial e o impacto que ela tem na sabotagem do sistema elétrico e dos serviços públicos. Esse tem sido o tema aqui no Colóquio Pátria. Como você viu esses eventos em um momento em que Cuba se relançou apesar dos apagões e tudo mais? As ruas estão tão vitais como se nada tivesse acontecido.

  Você sabe que Cuba é, felizmente, um bastião. O Pátria é uma ideia brilhante, desde que foi criada, ela vem crescendo, ela vem se transformando, eu acho que a ideia de fazer isso até na universidade é extremamente interessante, não só pelos espaços, mas pelo que a Universidade de Havana significa, e pelo seu próprio surgimento, porque usar um jornal como o  Patria é tremendamente relevante hoje,  o Patria  é o jornal de Martí, criado não só como o órgão de um partido revolucionário para fazer a guerra, mas é o órgão de um partido revolucionário para fazer uma revolução, que é o que Martí queria fazer em Cuba.

…  E com um sentido muito diferente do conceito fascista de uma pátria xenófoba…

  Exatamente, porque é o conceito de pátria de Martí, que Martí define claramente, que pátria é humanidade, ou seja, é o conceito de pátria que Martí também defendeu. Mas também é um jornal que Martí criou numa época em que o imperialismo estadunidense estava surgindo. Martí está travando uma guerra contra o imperialismo nascente. Nunca esqueçamos que o imperialismo estadunidense se tornou o que é hoje depois da Guerra Hispano-Cubano-Americana, a guerra que eclodiu em Cuba pela independência, onde os Estados Unidos intervieram e se apropriaram da vitória das tropas insurgentes cubanas. E Cuba é atualmente vítima de uma dura guerra cultural, a primeira da história moderna, que levou a uma campanha de descrédito dos Estados Unidos, onde a imprensa foi usada pela primeira vez — o Pulitzer já estava lá, e os grandes meios de comunicação estadunidenses já estavam no poder — para influenciar o modo de pensar das pessoas e garantir a negação de Cuba. Então estamos falando de um jornal que enfrentou esse desafio pela primeira vez. Então, hoje estamos enfrentando um desafio diferente, é verdade, os tempos são diferentes, mas estamos enfrentando o mesmo plano. Hoje enfrentamos um império em declínio. Martí o enfrentou em seu nascimento, e agora ele está em declínio. É por isso que a criação de um evento com o nome do jornal de Martí é tão simbólico. Porque também estamos diante de um novo mundo que está surgindo, um imperialismo que está promovendo o fascismo, um mundo que está promovendo a extrema direita internacionalmente. Este não é o mundo que queremos, este é o mundo contra o qual lutamos durante toda a nossa vida, é o mundo da exclusão, é o mundo do racismo, é o mundo onde se pode agir com absoluta liberalidade e, ao mesmo tempo, assassinar, matar e invadir, sem que exatamente nada aconteça; com um sistema internacional que foi criado depois da Segunda Guerra Mundial e que praticamente não existe mais, porque esse novo poder que está surgindo com tanta força está destruindo o sistema multilateral, está destruindo o sistema que criou as Nações Unidas. Embora nunca tenham sido perfeitos, todos nós sabemos o que isso significava, mas era o único sistema que tínhamos, era o único lugar onde talvez as pessoas pudessem expressar certas questões, onde um debate muito interessante acontecia em algum lugar, e que servia, pelo menos, para as pessoas desabafarem e para os tópicos serem discutidos. Hoje ele está caminhando para a destruição e não sabemos o que vai acontecer.

  Cuba também tem sido um laboratório de ataques usando inteligência artificial para conseguir "mudança de regime"? Em 2010, a CIA criou o Zunzuneo, um tipo de conta do Twitter que operava secretamente para coletar informações sobre usuários cubanos e depois usar essas informações para espalhar mensagens políticas destinadas a criar desestabilização, com o objetivo principal de confundir os jovens. Podemos considerar isso um precursor da estratégia de guerra digital que estamos vendo agora, com o uso de bots e trolls nas mídias sociais para espalhar propaganda e desinformação anonimamente?

  Sim, mas agora estamos enfrentando algo novo, mas muitas pessoas não entendem o que está acontecendo no mundo hoje, até que ouvi alguns, até mesmo da esquerda, chamando isso de "a revolução Trump". Não, Trump não está fazendo uma revolução, ele está regredindo, e não podemos perder isso de vista, porque ele está mudando as regras do jogo, porque é isso que está acontecendo agora.

  A subversão da classe dominante, como disse Gramsci?

    Sim, e agora o imperialismo não precisa de organizações como a USAID, não precisa dela, eles gastaram 68 bilhões de euros lá. Para que você vai usá-lo? Ele tem uma experiência tremenda no uso de negócios digitais. Um exemplo é a indústria do entretenimento estadunidense, em grande parte, eles impuseram a guerra cultural no mundo, venceram a guerra cultural no mundo e mantêm a hegemonia cultural no mundo, usando sua grande indústria do entretenimento, sua grande indústria cultural. Então por que você tem uma ONG? Para que você usa esse tipo de coisa? Se você também pode contar com uma indústria, o que significam as grandes empresas de tecnologia hoje. Por que Trump apareceu cercado por todos os principais proprietários de plataformas digitais? Como a guerra está vindo de lá, não precisa de nada disso de antes, isso é dinheiro desperdiçado.

Hoje, serão essas empresas que o administrarão, assim como Hollywood fez em sua época, assim como toda a indústria do entretenimento fez em sua época. Hoje, você tem a internet, você tem inteligência artificial. Hoje, você pode promover um influenciador específico nas mídias sociais digitalizando seu negócio, selecionando conteúdo, recompensando o conteúdo que você quer que seja visto e condenando o conteúdo que você não quer que seja visto nas mídias sociais até o completo esquecimento. A ditadura do algoritmo.

Esse é o poder enorme, e esse poder enorme é o que essas grandes empresas têm hoje, algo que o capitalismo nunca teve. Eles têm a possibilidade de travar essa guerra e economizar milhões de dólares. Em todos os sentidos.


https://www.resumenlatinoamericano.org/2025/03/31/pensamiento-critico-el-mundo-segun-raul-capote-entrevista-con-el-agente-cubano-infiltrado-en-la-cia/

@comitecarioca21