28 de mai. de 2025

RAÚL CAPOTE, EX-AGENTE CUBANO: BIG TECHS VÃO SUBSTITUIR HOLLYWOOD NA GUERRA CULTURAL DOS EUA.

Raúl Capote: "Estamos enfrentando um fascismo que, como sua própria natureza sempre indicou, não tem escrúpulo algum" (Imagem: Gerada por IA)
                                 

Em entrevista, o ex-infiltrado na CIA fala sobre as faces do novo imperialismo sob Trump e explica que agora as corporações podem fazer guerra economizando milhões de dólares

 Geraldina Colotti  - Resumen Latinoamericano - Tradução: Ana Corbisier

No último mês de março, a Universidade de Havana celebrou o 20º aniversário da Telesur, o canal de notícias multiestatal criado por Fidel Castro e Hugo Chávez, em julho de 2005, no marco da ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), com o objetivo de enfrentar o “latifúndio midiático” na América Latina. O canal é hoje representado por uma ampla delegação de jornalistas e operadores, liderada por sua diretora, Patricia Villegas. Foram instalados estandes dedicados à Palestina e um grande palco para concertos e espetáculos culturais, pronto para receber a noite de encerramento do 4º Colóquio Internacional Pátria, com o lema “Somos povos tecendo redes”.

Três dias de seminários, encontros, conferências e debates animados por prestigiados convidados nacionais e internacionais (mais de 400, provenientes de 47 países): jornalistas, intelectuais, editores e comunidades organizadas no campo da comunicação alternativa. Foi uma ocasião também para celebrar o 133º aniversário da criação do Patria, o jornal fundado por José Martí, que concebia a pátria como “humanidade”. Um conceito aplicado hoje contra as “pequenas pátrias” xenófobas, os fechamentos e as fronteiras impostas pelo “tecnofeudalismo” de Donald Trump.

Havana não parece ter sido afetada pela enésima rodada de apagões que acaba de terminar, e que não abalaram o bom humor dos cubanos: “Quando há sol, aproveitamos a praia; quando não há, aproveitamos para ficar em casa e fazer amor”, nos conta um trabalhador que limpa o jardim. No meio de um pequeno grupo de jovens com piercings e tranças, encontramos Raúl Capote Fernández, jornalista do diário Granma, analista político e ex-agente da segurança do Estado de Cuba. O resultado deste diálogo você confere a seguir.

 

Geraldina Colotti – Tendo se infiltrado na CIA e conhecido por dentro os planos de desestabilização contra Cuba, sua perspectiva é privilegiada para observar o que está acontecendo hoje. O que mudou desde que você deixou de ser um agente operativo? Como vê a situação com a chegada de Trump?

Raúl Capote – Estamos vivendo uma situação muito complexa, realmente muito difícil, porque com o ressurgimento dos fascismos em todas as suas variantes no mundo, com um governo de ultradireita nos Estados Unidos, com uma visão totalmente diferente daquela a que estávamos habituados, inclusive dentro do próprio império estadunidense, isso agrava as coisas em muitos sentidos: porque estamos diante de uma direita organizada, articulada, com um propósito definido, e a resposta que demos a partir da esquerda foi uma resposta, poderíamos dizer, desarticulada.

Apesar de termos nos reunido muitas vezes, conversado, tentado organizar um programa antifascista a nível internacional, não tivemos a possibilidade — talvez por razões que exigiriam uma análise muito mais profunda — de criar realmente uma frente antifascista com tudo o que as circunstâncias exigem: porque estamos enfrentando um fascismo que, como sua própria natureza sempre indicou, não tem escrúpulo algum.

Ou seja, vivemos em um mundo onde se pode massacrar um povo como o da Palestina, sem que absolutamente nada aconteça; onde podem ocorrer fenômenos como os da Síria, e todo mundo permanece em silêncio, simplesmente porque não está totalmente alinhado com meu pensamento ou com minhas crenças. E então há assassinatos bons, assassinatos maus; criminosos bons, criminosos maus. Claro, qualquer crime tem sempre um significado, mas “Israel” (a entidade sionista, para dizer corretamente) assassina milhares de crianças, mulheres, e o mundo se acostumou, vamos dizer com toda franqueza, a ver imagens horripilantes, sem que isso desperte nada.

Hoje temos um vizinho aqui de Cuba, ao norte, que com uma tranquilidade tremenda diz que vai se apoderar da Groenlândia, que supostamente é um aliado, dizem. Ou diz: “vou me apoderar do Canadá”. Diz que vai se apoderar do canal do Panamá. Se vão fazer isso com aliados dos Estados Unidos, que são até membros da Otan, e não acontece absolutamente nada, não há uma resposta, imagine o que pode acontecer conosco!

E a resposta da Europa, inclusive dos partidos de “centro-esquerda” que falam de pacifismo, é continuar armando Zelensky. O que você acha disso?

Penso que há uma confusão tremenda, que, aliás, tem a ver com a grande decadência que existe na Europa, não apenas do pensamento político, mas também da liderança política da esquerda, onde há igualmente uma falta de radicalidade.

A ultradireita europeia, o fascismo europeu, apropriou-se do nosso discurso, o discurso da esquerda; então, as direitas se apresentaram diante das massas como aquelas que vão solucionar os problemas criados, amparando-se nessa nova esquerda que foi construída durante muitos anos, que sustentou o globalismo por muito tempo, uma esquerda moldada sob medida para os interesses desse globalismo neoliberal, e que ainda detém o poder em alguns países da Europa, mas que responde a interesses específicos.

Assim, o monopólio da defesa do nacionalismo, da defesa dos interesses nacionais, parece ter ficado com a direita. Dessa forma, a direita aparece com um discurso positivo, dizendo que não quer guerra, falando de paz, enquanto os governos de centro e de esquerda falam em guerra, falam de uma guerra cujas consequências são incertas. Não sou, de forma alguma, simpatizante de Donald Trump, mas Trump responde ao ministro inglês, e com toda razão, pergunta: você pode vencer a Rússia? Você está falando de guerra com a Rússia — você realmente tem como vencer a Rússia? Não tem, ou seja, estão levando a Europa a uma guerra que não podem vencer, que na verdade ninguém pode vencer, e isso é o mais triste de tudo. É uma guerra que não leva absolutamente a nada e que ninguém sairá vencedor.

Estamos, então, diante de um monte de acontecimentos neste mundo, onde é evidente que está em curso uma mudança, uma mudança profunda, sobretudo no plano das hegemonias. E esse processo de aterrissagem pode seguir dois caminhos: ou será uma aterrissagem suave, consensuada, na qual todos participam dessa nova visão de mundo que muitos defendem, ou será uma aterrissagem conduzida pelo fascismo, pela ultradireita, que regerá os destinos do mundo, repartindo-o, dividindo as zonas de influência e decidindo quem manda onde, subordinando o restante do mundo — porque precisam dessa mudança, impulsionada pelo próprio desenvolvimento tecnológico.

E aí teríamos que recorrer a Marx para compreender. O problema é que esquecemos Marx, inclusive nós que falamos de Marx — não utilizamos as ferramentas que ele nos deixou para analisar a história e os acontecimentos, que é o mais importante; ou seja, não usamos a metodologia que o marxismo nos legou para compreender a história. Então, o que está acontecendo? Para onde vamos agora? Se não temos uma resposta, se não temos uma análise correta do que está ocorrendo, para onde iremos com um desenvolvimento tecnológico tão avançado, que exige uma repartição do mundo e a conquista do poder — o verdadeiro poder real deste mundo capitalista? O que farão amanhã com os milhares de pessoas que ficarão sem trabalho, quando os avanços tecnológicos e a inteligência artificial deixarem milhões de cidadãos desempregados neste mundo?

A propósito da Inteligência Artificial e do impacto que ela tem no sabotamento do sistema elétrico e dos serviços públicos. Esse foi o tema aqui no Colóquio Pátria. Como você viu esses eventos num momento em que Cuba se relança apesar dos apagões e de tudo? As ruas estão tão cheias de vida como se nada tivesse acontecido.

Você sabe que Cuba, felizmente, é um bastião. Pátria é uma ideia brilhante desde a sua criação, e tem crescido, se transformado. Eu acredito que a ideia de realizá-lo na universidade é extremamente interessante, não apenas pelos espaços, mas pelo que representa a Universidade de Havana e seu próprio simbolismo, porque utilizar um jornal como o Patria tem uma atualidade tremenda. Patria é o jornal de Martí, criado não apenas como um órgão de um partido revolucionário para fazer uma guerra, mas como o órgão de um partido revolucionário para fazer uma revolução — que era o que Martí queria fazer em Cuba.

… E com um sentido muito diferente daquele conceito de pátria xenófoba que têm os fascistas…

Exatamente, porque é o conceito de pátria de Martí, que Martí define com clareza: pátria é humanidade, ou seja, é o conceito de pátria que Martí defendeu. Mas, além disso, é um jornal que Martí cria em um momento em que está surgindo o imperialismo estadunidense.

Martí está travando uma guerra contra o imperialismo nascente — não esqueçamos nunca que o imperialismo estadunidense se torna o que é hoje a partir da guerra hispano-cubo-americana, a guerra que se desencadeia em Cuba pela independência, na qual os Estados Unidos intervêm e se apropriam da vitória das tropas insurgentes cubanas. E Cuba está sendo vítima, naquele momento, de uma duríssima guerra cultural, a primeira da história moderna, que levou a uma campanha de descrédito dos Estados Unidos, na qual se utilizou pela primeira vez a imprensa; já existia Pulitzer, estavam lá os grandes meios de comunicação estadunidenses operando para influenciar a forma de pensar das pessoas e garantir a negação de Cuba. Então estamos falando de um jornal que enfrentou, pela primeira vez, esse desafio.

O que enfrentamos hoje é um desafio diferente, é verdade, a época é outra, mas estamos diante do mesmo plano. Hoje estamos diante de um império em decadência; Martí o enfrentou em seu nascimento e agora está em decadência, por isso é tão simbólico que se crie um evento que leve o nome do jornal de Martí. Porque estamos enfrentando também um novo mundo que está surgindo, o imperialismo que está promovendo o fascismo, o mundo que está promovendo a ultradireita em escala internacional.

Não é o mundo que queremos, este é o mundo contra o qual lutamos toda a vida: é o mundo da exclusão, é o mundo do racismo, é o mundo onde se pode agir com absoluta liberdade e, ao mesmo tempo, assassinar, matar e invadir, sem que ocorra absolutamente nada; com um sistema internacional criado após a Segunda Guerra Mundial e que praticamente não existe mais, porque esse novo poder que está surgindo com tanta força está destruindo o sistema multilateral, está destruindo o sistema que criou as Nações Unidas. Ainda que nunca tenham sido perfeitos — todos sabemos o que isso significou — era o único sistema que havia, o único lugar onde talvez se pudesse expressar determinadas questões, onde houve debates muito interessantes em certos momentos, e que servia, ao menos, para que as pessoas desabafassem, para que se discutissem temas. Hoje isso está a caminho da destruição, e não sabemos o que vai acontecer.

Cuba também foi laboratório dos ataques por meio da Inteligência Artificial, para alcançar a “mudança de regime”. Em 2010, a CIA criou o Zunzuneo, uma espécie de Twitter que operava de forma encoberta para coletar informações sobre os usuários cubanos e, depois, utilizar essas informações para disseminar mensagens políticas com o objetivo de gerar desestabilização. O alvo principal era confundir os jovens. Podemos considerá-lo um precursor da estratégia de guerra digital que vemos hoje, com o uso de bots e trolls nas redes sociais para disseminar propaganda e desinformação de forma anônima?

Sim, mas agora estamos enfrentando algo novo, e muita gente não entende o que está acontecendo no mundo hoje. Já ouvi alguns, inclusive da esquerda, dizerem “a revolução Trump”. Não, Trump não está fazendo uma revolução, é uma involução — e não podemos perder isso de vista, porque ele está mudando as regras do jogo, e é isso que está acontecendo agora.

A subversão da classe dominante, como dizia Gramsci?

Sim, e agora o imperialismo não precisa mais de organizações como a Usaid, não precisa disso. Eles gastaram aí 68 bilhões de euros. Para que vão usá-la? Já têm uma enorme experiência utilizando as empresas digitais. Um exemplo é a indústria do entretenimento estadunidense — em grande parte, a guerra cultural que eles impuseram ao mundo. Eles venceram a guerra cultural no mundo e mantêm a hegemonia cultural no mundo, usando sua imensa indústria do entretenimento, sua poderosa indústria cultural. Então, para que você vai querer ONGs? Para que utilizar esse tipo de coisa? Se hoje você pode contar com uma indústria que representa o que são hoje as grandes empresas tecnológicas. Por que Trump apareceu cercado por todos os grandes donos das plataformas digitais? Porque a guerra vem por aí. Ele não precisa mais dessas coisas antigas — isso é dinheiro desperdiçado.

Hoje, serão essas empresas que vão comandar, como fez Hollywood em seu tempo, como fez toda a indústria do entretenimento em seu tempo. Hoje você tem a internet, tem a inteligência artificial; hoje você pode promover determinado influencer nas redes sociais por meio da digitalização da empresa, conduzindo os conteúdos, premiando os conteúdos que você quer que sejam vistos e condenando ao absoluto esquecimento aqueles que você não quer que apareçam nas redes sociais. A ditadura do algoritmo.

Esse é o imenso poder — e esse imenso poder que o capitalismo jamais teve está agora nas mãos dessas grandes empresas. Elas têm a capacidade de fazer essa guerra economizando milhões de dólares. Em todos os sentidos.

                                 

Raúl Capote


https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/raul-capote-ex-agente-cubano-big-techs-vao-substituir-hollywood-na-guerra-cultural-dos-eua/

26 de mai. de 2025

BRICS: "UMA ALTERNATIVA MUITO IMPORTANTE PARA CUBA".

                                       


Os BRICS representam um caminho viável por meio do qual a ilha poderia resolver alguns de seus problemas, disse Juana Lilia Delgado Portal, ministra e presidente do Banco Central de Cuba, em entrevista à Sputnik.

"Estamos em uma situação de crescente intensificação do bloqueio econômico, comercial e financeiro que Cuba sofre há mais de 66 anos e, claro, os BRICS representam uma alternativa muito importante para Cuba, onde encontra a oportunidade de integrar projetos, de realmente encontrar parceiros com os quais possa se envolver econômica, comercial, financeiramente, por meio de investimentos e por meio da cooperação", disse a executiva, falando no Fórum de Empreendedorismo Feminino dos BRICS, que contou com a presença de mais de 1.400 participantes de 50 países                                                    

O BRICS é uma associação multilateral criada em 2006. Além de Rússia, Brasil, Índia, China e África do Sul, agora inclui Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria e Uzbequistão tornaram-se oficialmente estados-membros do grupo em 1º de janeiro de 2025.

Atualmente, esse bloco é responsável por 36% do PIB global, superando os 29,3% do G7 e os 14,5% da União Europeia (UE).
 
"Ouvimos pedidos de muitos participantes do Fórum para estabelecer relações econômicas com nosso país, para aprender sobre nossa realidade e para nos aprofundar em maneiras pelas quais Cuba pode se integrar ainda mais ao BRICS", compartilha Delgado Portal. Segundo a executiva, os BRICS desempenham um papel importante na transformação da arquitetura financeira atual, o que, segundo ela, não resolve de fato todos os problemas do sul global.
 
"A possibilidade aberta dentro desta organização, baseada na utilização das moedas nacionais de seus países-membros para transações entre países, constitui uma alternativa que representa uma mudança importante e transcendental para os países", disse a Ministra-Presidente do Banco Central do país caribenho.


Para ela, isso implica "romper" com uma das maiores pressões que muitas nações enfrentam: "a dependência do uso do dólar americano em transações internacionais", da qual Cuba pode se beneficiar.

A construção de um mundo verdadeiramente multipolar, afirma ela, anda de mãos dadas com a necessidade de mídias alternativas, que nada mais são do que "uma possibilidade de transmitir as realidades do nosso povo, que nem sempre encontram espaço na grande mídia, onde a informação é manipulada e não apresentada com a veracidade necessária e, em muitos casos, nem sequer oferecida".

Fonte: Sputnik/ Foto da capa: Sputnik                  

https://cubaenresumen.org/2025/05/19/los-brics-alternativa-muy-importante-para-cuba/

@comitecarioca21

24 de mai. de 2025

DECLARAÇÕES DE MIKE HAMMER EM MIAMI: UM ATAQUE DE MENTIRAS CONTRA CUBA.



Correspondente em Cuba/Resumen Latinoamericano.

Em entrevista à mídia americana em Miami, o encarregado de negócios dos EUA em Cuba, Mike Hammer, acaba de  declarar que seu governo "quer apoiar o povo cubano".

Segundo Hammer, a entrevista responderia a "perguntas difíceis" dos veículos de comunicação convidados para a coletiva de imprensa, que não incluíam Russia Today, TeleSur, Prensa Latina ou outros. 

Após as declarações caluniosas feitas pelo emissário do governo dos EUA em Cuba, Johana Tablada, vice-diretora-geral da Direção dos EUA do Ministério das Relações Exteriores de Cuba, publicou cada linha do discurso de Hammer nas redes sociais, "em uma análise quase exaustiva das principais mentiras, meias-verdades e inconsistências da coletiva de imprensa", declarou a autoridade cubana.

1. Falsidades e meias-verdades no diagnóstico econômico:
"A revolução fracassou. Não há eletricidade, falta combustível, alimentos e medicamentos. E isso não tem nada a ver com nenhuma política dos EUA.
• Falso!!!: As medidas coercitivas unilaterais dos Estados Unidos contra Cuba — conhecidas como bloqueio — têm impacto direto e severo no acesso a financiamento, tecnologia, insumos e medicamentos, sendo reconhecidas até pela ONU como o principal obstáculo ao desenvolvimento cubano.
• Omissão deliberada: Não menciona que o bloqueio proíbe operações bancárias internacionais com Cuba, penaliza navios que atracam em portos cubanos e dificulta a compra de combustível, entre centenas de outras medidas coercitivas para desestabilizar e dominar Cuba.
• Manipulação: Embora seja verdade que há uma crise econômica, culpar exclusivamente o governo cubano é uma simplificação que ignora a guerra econômica, financeira e comercial multidimensional imposta por Washington há mais de seis décadas.

2. Manipulação política e tentativa de encobrimento da interferência:
"Eu saio para me encontrar com as pessoas como fiz em outros países. Não há nada na Convenção de Viena que impeça isso.
• Enganoso: A Convenção de Viena proíbe expressamente a interferência nos assuntos internos do país anfitrião (Art. 41), o que inclui contatos sistemáticos com a oposição ou apoio a atores desestabilizadores.
• Hipocrisia óbvia: Se um diplomata cubano fizesse viagens semelhantes nos EUA, intervindo em assuntos internos ao se reunir com indivíduos e grupos para incitá-los a violar leis ou atacar o governo Biden ou Trump, ele seria declarado persona non grata e expulso. Nossos diplomatas trabalham todos os dias para promover melhores relações entre os dois países.
• Mentira implícita: Afirmar que essas reuniões são "com qualquer pessoa" e "sem interferência" esconde uma estratégia de desestabilização suave comum em operações de mudança de regime.

3. Branqueamento de figuras desestabilizadoras:
“Visito artistas, jovens e familiares daqueles que chamam de “presos políticos…” (pessoas que eles encorajaram a infringir a lei)
• Manipulação discursiva: Figuras financiadas direta ou indiretamente pelos EUA são apresentadas como vítimas do “regime”, ocultando o fato de terem convocado abertamente a subversão, a sabotagem ou atos violentos.
• Mentira por omissão: Não reconhece que várias dessas figuras têm antecedentes criminais ou cometeram crimes classificados até mesmo fora da esfera política.

4. Mentira descarada sobre o bloqueio:
“O embargo permite alimentos e medicamentos.”
• Falso na prática: embora existam exceções legais, o sistema de licenciamento, a perseguição financeira e o medo de sanções secundárias impedem que bancos, companhias de navegação ou empresas vendam livremente para Cuba, até mesmo alimentos ou remédios.
• Cínico: Minimiza os efeitos de uma política coercitiva que inclui sanções contra terceiros países, perseguição de transações e asfixia energética.

5. Inconsistência diplomática e propaganda:
“A política do governo Trump é clara: política dura contra o regime, apoio ao povo.”
• Contradição perigosa: “Apoio ao povo” inclui sanções que ameaçam a subsistência da população e provocam e agravam a angústia diária do povo cubano para fins políticos.
• Falsidade retórica: Não existe “apoio ao povo” quando as remessas e as viagens são bloqueadas, os consulados são fechados, a reunificação familiar é dificultada e o comércio com Cuba é criminalizado.

6. Promover a migração irregular:
“Todos os cubanos me dizem que querem vir para os EUA; eles amam nossa cultura.”
• Narrativa egoísta: exagera a percepção da migração como se fosse um desejo generalizado, em vez do resultado de uma crise induzida por medidas de asfixia e desinformação dos EUA.
• Estratégia de atração seletiva: Os EUA têm incentivado ativamente a migração para corroer o projeto socialista, gerando uma fuga de cérebros e pressionando o sistema político.

7. Hipocrisia em relação à imprensa:
“Não há liberdade de imprensa em Cuba; a mídia independente diz a verdade.”
• Manipulação grosseira: muitos dos “meios de comunicação independentes” são financiados diretamente pelos EUA ou suas agências, como a NED e a USAID, o que os torna extensões da política externa dos EUA, e não uma imprensa livre. Recentemente, todos foram reconectados ao financiamento da USAID e do NED. Somente a NED recebeu US$ 6,6 milhões para projetos contra Cuba, o valor mais alto da região.
• Silêncio sobre a repressão nos EUA: Não há menção à repressão e censura da mídia progressista ou pró-Cuba nas plataformas digitais e na mídia tradicional dos EUA.

Segundo Johana Tablada, a intervenção de Mike Hammer não foi uma coletiva de imprensa neutra, mas uma operação de comunicação política cuidadosamente planejada para:
• Instalar um discurso de Estado falido em relação a Cuba,
• Legitimar a ingerência diplomática como “solidariedade”,
• Branquear as sanções dos EUA e se isentar da responsabilidade pelo bloqueio intensificado desde 20 de janeiro,
• Reforçar figuras da contrarrevolução financiada por Washington como porta-vozes legítimos,
• Posicionar o governo Trump e Marco Rubio como “aliados do povo cubano”.
Tudo isso é feito dentro de uma estrutura de propaganda que ignora os princípios básicos do direito internacional e o respeito à soberania.

"Se, como ele diz, está 'preocupado com a situação do povo cubano', deve propor ao seu Secretário de Estado que o Departamento do Tesouro retire sua lista de mais de 60 navios, armadores e seguradoras que forneceram combustível e derivados a Cuba e que foram sancionados por esse governo", denunciou Alejandro García del Toro, vice-chefe de missão da Embaixada de Cuba em Washington.

O diplomata cubano acrescentou que Mike Hammer deveria propor ao Secretário de Estado que o ESTA fosse restabelecido para cidadãos europeus, latino-americanos e asiáticos para que pudessem viajar a Cuba sem perder o direito de entrada nos EUA, uma limitação resultante da inclusão de Cuba na Lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo e que impacta diretamente o número de turistas que viajam ao nosso país.

"O Gerente afirma querer ouvir o povo cubano; mas não menciona que a maioria dos encontros que manteve com cidadãos cubanos se concentrou em indivíduos que, segundo ele, receberam dinheiro e apoio logístico de sua Embaixada. Não menciona que esses indivíduos estão violando as leis cubanas com essa ação, nem que, em virtude de sua imunidade diplomática, não podem ser acusados ​​ou presos; mas os cidadãos com quem se encontra estão em risco", argumentou García del Toro, respaldado pelo direito internacional e pelos princípios defendidos pela Convenção de Viena.

O Encarregado de Negócios dos EUA em Cuba visitou várias províncias da ilha nos últimos dias, documentando e publicando várias reuniões com cidadãos cubanos sem sofrer intervenção ou ameaças do governo cubano. Seu comportamento hipócrita em relação ao bem-estar dos cubanos é uma afronta à longa história de lutas de Cuba pela independência e soberania.

https://cubaenresumen.org/2025/05/23/declaraciones-de-mike-hammer-en-miami-un-ataque-de-mentiras-contra-cuba/

@comitecarioca21


19 de mai. de 2025

JOSÉ MARTÍ : O MAIS UNIVERSAL DOS CUBANOS. (em português e espanhol)

                                   
Autor: Idalmys Brooks

Conselheira da Embaixada de Cuba no Brasil

A morte de José Martí em 19 de maio de 1895 em Dos Ríos representa um dos momentos mais transcendentais e dolorosos da história de Cuba. Sua queda em combate não apenas marcou a perda de um líder, mas também consolidou sua figura como um símbolo eterno da luta pela independência e justiça social.

A morte de Martí foi um duro golpe para a revolução da independência cubana. Naquela época, a nação perdeu seu principal líder intelectual e político, que organizou e deu sentido à chamada "Guerra Necessária" para libertar Cuba do domínio colonial espanhol.

Martí fundou o Partido Revolucionário Cubano e foi o principal organizador da guerra de independência, demonstrando que não era apenas um homem de ideias, mas também um líder disposto a dar a vida por seu país.

Após sua morte, Martí se tornou o "Apóstolo da independência", um símbolo de entrega total à causa cubana e modelo de pensamento político, cujos ideais de justiça social e soberania nacional continuam vigentes na sociedade cubana. Seu exemplo de morrer "de cara para o sol", como ele mesmo havia escrito em seus versos, reforçou a imagem de um líder coerente entre palavra e ação, disposto a sacrificar-se pela liberdade de seu povo.

A carta inconclusa que escreveu a Manuel Mercado, um dia antes de sua morte, foi considerada seu testamento político. Nela, Martí expressa sua preocupação em evitar que os Estados Unidos estendesse seu domínio sobre as Antilhas, reafirmando seu caráter antiimperialista e sua visão de uma Cuba soberana quando disse: “já estou todos os dias em perigo de dar minha vida por meu país, e por meu dever - já que o entendo e tenho forças para realizá-lo - de impedir a tempo com a independência de Cuba que os Estados Unidos se estendam pelas Antilhas e caiam, com essa força a mais, sobre nossas terras da América. Tudo que fiz até hoje, e farei, é para isso. Em silêncio teve que ser e como indiretamente, porque há coisas que para serem alcançadas devem andar ocultas, e ao se proclamarem pelo que são levantariam dificuldades muito rígidas para alcançar sobre elas o fim.

Nesta mesma carta, Martí, sempre oposto ao anexionismo, “…impedir que em Cuba se abra, pela anexação dos imperialistas de lá e dos espanhóis, o caminho que deve ser cegado, e com nosso sangue estamos cegando, da anexação dos povos da nossa América, ao Norte revolto e brutal que os despreza”.

E além disso, ele compreende que o perigo não é apenas para Cuba: “E o México, não encontrará um modo sagaz, efetivo e imediato, de auxiliar, a tempo, quem o defende? Sim, ele encontrará, - ou eu o encontrarei. - Isso é morte ou vida, e não cabe errar.”

Em seu ensaio Nossa América alertou sobre o perigo do expansionismo norte-americano, que se engendrava no "norte revolto e brutal", convocando à unidade latino-americana que o Libertador Simón Bolívar havia lançado anos antes, onde manifesta seu profundo entendimento das ameaças que o imperialismo representava para a região, e chama à necessária unidade latino-americana "É a hora da contagem e da marcha unida e devemos andar, em quadro apertado, como a prata nas raízes dos Andes."

Martí deixou um modelo de pensamento e ação que inspirou as gerações posteriores, incluindo os líderes da Revolução Cubana de 1959, que viram nele a raiz ideológica e moral de sua luta.

Hoje, a figura de Martí é central na identidade nacional cubana. Ele é lembrado como "o mais universal dos cubanos", e sua vida e obra são objeto de homenagem e estudo constantes. Seu exemplo continua a ser uma guia ética e política para o povo cubano, que o reconhece como o Herói Nacional.

A comemoração anual de sua queda é um momento de reafirmação dos valores de independência, dignidade e justiça que ele defendeu até seu último suspiro. A 130 anos da queda em combate de José Martí, seu exemplo continua a inspirar a luta pela soberania e pela justiça do povo cubano.

                                               


José Martí: el más universal de los cubanos

Autor: Idalmys Brooks

 Consejera de la Embajada de Cuba en Brasil

La muerte de José Martí el 19 de mayo de 1895 en Dos Ríos representa uno de los momentos más trascendentales y dolorosos en la historia de Cuba. Su caída en combate no solo marcó la pérdida de un líder, sino que también consolidó su figura como símbolo eterno de la lucha por la independencia y la justicia social.

La muerte de Martí fue un duro golpe para la revolución independentista cubana. En ese momento, la nación perdió a su principal líder intelectual y político, quien había organizado y dado sentido a la llamada "Guerra Necesaria" para liberar a Cuba del dominio colonial español.

Martí había fundado el Partido Revolucionario Cubano y fue el principal organizador de la guerra de independencia, demostrando que no solo era un hombre de ideas, sino también un líder dispuesto a dar la vida por su patria.

Tras su muerte, Martí se convirtió en el "Apóstol de la independencia", un símbolo de entrega total a la causa cubana y modelo de pensamiento político, cuyos ideales de justicia social y soberanía nacional siguen vigentes en la sociedad cubana.

Su ejemplo de morir "de cara al sol", como él mismo había escrito en sus versos, reforzó la imagen de un líder coherente entre palabra y acción, dispuesto a sacrificarse por la libertad de su pueblo.

La carta inconclusa que escribió a Manuel Mercado, un día antes de su muerte, ha sido considerada su testamento político. En ella, Martí expresa su preocupación por evitar que Estados Unidos extendiera su dominio sobre las Antillas, reafirmando su carácter antiimperialista y su visión de una Cuba soberana cuando dijo: “ya estoy todos los días en peligro de dar mi vida por mi país, y por mi deber- puesto que lo entiendo y tengo fuerzas con qué realizarlo- de impedir a tiempo con la independencia de Cuba que se extiendan por las Antillas los Estados Unidos y caigan, con esa fuerza más, sobre nuestras tierras de América.

Cuanto hice hasta hoy, y haré, es para eso. En silencio ha tenido que ser y como indirectamente, porque hay cosas que para lograrlas han de andar ocultas, y de proclamarse en lo que son levantarían dificultades demasiado recias para alcanzar sobre ellas el fin.”

En esa misma carta Martí, opuesto siempre al anexionismo, “…impedir que en Cuba se abra, por la anexión de los imperialistas de allá y los españoles, el camino que se ha de cegar, y con nuestra sangre estamos cegando, de la anexión de los pueblos de nuestra América, al Norte revuelto y brutal que los desprecia”.

Y además comprende que el peligro no es solo para Cuba: “Y México, ¿no hallará modo sagaz, efectivo e inmediato, de auxiliar, a tiempo, a quien lo defiende? Sí lo hallará, - o yo se lo hallaré. - Esto es muerte o vida, y no cabe errar".

En su ensayo Nuestra América alertó sobre el peligro del expansionismo norteamericano, que se engendraba en el “norte revuelto y brutal”, convocando a la unidad latinoamericana que el Libertador Simón Bolívar había lanzado años antes, donde manifiesta su profundo entendimiento de las amenazas que el imperialismo encarnaba para la región, y llama a la necesaria unidad latinoamericana "Es la hora del recuento y de la marcha unida y hemos de andar, en cuadro apretado, como la plata en las raíces de los Andes."

Martí dejó un modelo de pensamiento y acción que inspiró a las generaciones posteriores, incluyendo a los líderes de la Revolución Cubana de 1959, quienes vieron en él la raíz ideológica y moral de su lucha.

Hoy, la figura de Martí es central en la identidad nacional cubana. Se le recuerda como "el más universal de los cubanos", y su vida y obra son objeto de homenaje y estudio constante. Su ejemplo sigue siendo una guía ética y política para el pueblo cubano, que lo reconoce como el Héroe Nacional.

La conmemoración anual de su caída es un momento de reafirmación de los valores de independencia, dignidad y justicia que él defendió hasta su último aliento.

A 130 años de la caída en combate de José Martí su ejemplo continúa inspirando la lucha por la soberanía y la justicia del pueblo cubano.