Daniel Guerra: (4 de junho de 2026)
Bom dia. Nas últimas 48 horas, ocorreram três coisas que, vistas separadamente, parecem notícias distintas. Juntas, elas são o retrato mais claro que tivemos em muito tempo do que está acontecendo e, acima de tudo, do que não está acontecendo com a estratégia de Washington contra Cuba.
📍Na terça-feira, a Iberostar anunciou a saída de 12 hotéis em Cuba. Na quarta-feira, a Meliá Hotels International anunciou que deixará de administrar e comercializar imediatamente mais 15 estabelecimentos. Vinte e sete hotéis em 48 horas. Duas das mais importantes redes hoteleiras do mundo abandonando suas operações na Ilha como consequência direta da Ordem Executiva assinada por Donald Trump no dia 1º de maio e das novas medidas contra a GAESA. Não como uma decisão empresarial livre: como resultado da pressão de sanções secundárias que transformam em alvo qualquer empresa estrangeira que opere com entidades cubanas. A reação veio de Madri: o Ministério das Relações Exteriores da Espanha expressou o que chamou de “enorme preocupação” com o impacto dessas medidas unilaterais sobre as empresas espanholas e com o agravamento do que a própria Chancelaria espanhola denominou “penúria humanitária” da população cubana. A Espanha não é um governo revolucionário. É um parceiro da OTAN e um dos principais investidores europeus no continente americano. Quando Madri usa essas palavras, o eco não é pequeno.
📍📍 O Banco Central de Cuba informou que, a partir do próximo sábado, 6 de junho, os cartões internacionais Visa e Mastercard processados pela FINCIMEX deixarão de funcionar no país, após a decisão de um banco estrangeiro de interromper sua relação com essa entidade. A causa direta, mais uma vez, é a Ordem Executiva de 1º de maio.
Para o público que nos acompanha da Ilha, isso tem consequências práticas imediatas. Para a análise política, é mais um elo na cadeia de isolamento financeiro que o governo Trump vem construindo sistematicamente. Alternativas permanecem: dinheiro vivo, cartões pré-pagos nacionais, os sistemas Mir e UnionPay. Mas o efeito comunicacional da medida, a narrativa de desconexão progressiva que seus promotores querem instalar, é parte do objetivo tanto quanto a própria medida.
Agora bem. Aí vem a terceira coisa, e é a que mais importa nesta manhã. 👇
📍📍📍O jornal britânico The Telegraph publicou uma análise sobre a estratégia de Trump em relação a Cuba, na qual reúne as declarações de Mark Cancian, ex-funcionário do Pentágono e atual analista sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, que é um dos think tanks mais influentes de Washington em matéria de segurança. O que Cancian disse não é algo que eu digo, não é algo que o Ministério das Relações Exteriores de Cuba diz, não é algo que nenhum meio de comunicação de esquerda diz: “As pessoas pensam imediatamente: bem, vamos invadir Cuba? A resposta para isso é absolutamente não. Isso exigiria uma operação enorme, de vários meses e com múltiplas divisões. Tem ‘impasse’ escrito por toda parte.” Um ex-funcionário do Pentágono.
Um analista do think tank que assessora o establishment de segurança dos Estados Unidos. Dizendo ao mundo que a opção militar contra Cuba não é viável.
E não é a única admissão reveladora da semana. Em sua audiência no Congresso, o próprio Marco Rubio, ao falar de um eventual cenário de transição em Cuba, reconheceu que não identifica, dentro do aparato estatal cubano, uma figura capaz de liderar essa transição supervisionada por Washington. Não há, em suas próprias palavras, um equivalente cubano ao papel que Delcy Rodríguez desempenhou na Venezuela. Essa admissão, que passou quase despercebida em meio ao barulho da audiência, diz algo fundamental: o Departamento de Estado não tem ninguém dentro de Cuba disposto a entregar-lhe o país. E sem essa pessoa, a estratégia de mudança de regime que tanto proclamam não tem uma arquitetura interna possível.
Então, o que temos nesta manhã? Uma estratégia que está causando um dano real e crescente ao povo cubano; isso é verdade e deve ser dito sem eufemismos. Vinte e sete hotéis. Os cartões que deixam de funcionar no sábado. Os apagões. A pressão inflacionária. O dano é real. Mas a mesma estratégia não tem saída militar, segundo sua própria comunidade de segurança, não tem interlocutor interno, segundo seu próprio secretário de Estado, e está gerando reações diplomáticas incômodas, inclusive entre aliados de Washington.
✍️ Paulo Coelho escreveu certa vez que os dois maiores erros de uma estratégia são agir antes da hora e deixar a oportunidade passar. Washington leva décadas sem encontrar o momento exato para acabar com a Revolução Cubana.
E enquanto espera por esse momento que não chega, Cuba tem uma tarefa que não admite demora: que a vontade coletiva, aquela que nenhuma sanção pode atingir, não passe despercebida. Esse é o recurso que não aparece em nenhuma lista de bloqueio, que não pode ser apreendido, que não sai por nenhum porto. E é exatamente o que este momento histórico exige que seja posto em prática.
Isso é Amanhecer Cubano. Bom dia.
#AmanecerCubano en #LaEsquina de #RazonesdeCuba donde #LaPatriaSeDefiende porque #CubaQuierePaz y eso es Decisión de pueblo
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Trad/Ed @comitecarioca21

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