1 de set. de 2026

NOTAS SOBRE OS ACORDOS DE PETRÓLEO DA VENEZUELA.

                              

31 agosto 26

Algumas notas que podem ajudar a entender as mudanças na política de petróleo da venezuela.

 

I-                   O QUE ACONTECIA ANTES DE JANEIRO/26

1.     No governo Chavez a produção de petróleo era sempre ao redor de 3,3 milhões de barris/dia de petróleo.  Com a crise e o bloqueio ao governo Maduro, a produçao caiu para menos de um milhão de barris/dia.

2.     O governo Maduro fazia acordos com muitas empresas, através da PDVSA, e de acordo com as condições dos poços, já identificados ou não, se realizavam contratos (contratos de participação produtiva sob a lei antibloqueio que o Maduro usou como ferramenta para poder chamar inversão), em que em geral as empresas recebiam de 30 a 60% da renda petroleira, e entregavam a maior parte do petróleo para a PDVSA comercializar. Algumas empresas tinham contratos para elas pagarem royalties ao governo e vendiam o produto no mercado internacional.

3.     Havia empresas privadas nacionais (algumas associadas a capital estrangeiro), empresas estrangeiras da china, russia, EUA (NABEP), argentina e do Brasil. As empresas americanas eram pequenas, por conta do bloqueio. E muitas empresas interessadas não conseguiram entrar com receio do bloqueio, e das sanções americanas, em especial as empresas da Índia e França...).

4.     Vejam notícias de quais empresas atuavam:

Pdvsa agiliza con 15 compañías extranjeras su producción mediante los CPP

¿Qué sabemos de los nuevos contratos petroleros en Venezuela? - Guacamaya

 

5.     A Chevron estava muito forte com acesso a muitos poços e tinha um modelo de negócios próprio com o governo.

6.     O petróleo era vendido quase totalmente para China, Iran, Turquia e Rússia (o eixo do mal rsrss), mas também tinha clientes americanos disfarçados. E claro, NABEP y Chevron (americanas que fechavam o ciclo completo).

7.     A venezuela vendia petróleo também para Cuba, em menor quantidade em relação ao total, e recebia o pagamento em serviços medicos e assistência tecnica.

8.     Naquele período do início do governo Maduro e o reconhecimento do governo dos EUA, ao impostor Guaidó, o gov. dos Estados unidos entregou ao Guaidó, todas as refinarias da PDVSA que funcionavam nos Estados Unidos.    Isso representou um sequestro de milhões de dólares que a PDVSA movimentava vendendo nos postos de combustível, diretamente aos consumidores americanos gasolina e diesel.   E diminuiu por completo as exportações da PDVSA que antes iram para suas refinarias nos EUA.

9.     Devido ao Bloqueio e ameaças de sanções dos EUA, e todo imbróglio político de guerra hibrida contra a Venezuela, a produção de petróleo caiu a níveis muito baixos, diminuindo muito os ingressos em divisas estrangerias.

10.                       As vendas prioritárias para a India e a China, implicavam em troca por produtos, e não envolviam pagamentos em dólar.   Trazendo também dificuldades para a Venezuela poder comprar mercadorias em dólares de outros países, inclusive peças de reposição para sua indústria petrolífera.

11.                       Por tanto, pode-se dizer que a Venezuela não estava conseguindo usufruir dos benefícios de ter a maior reserva de petróleo identificada, em todo mundo.   E ainda que a havia a possibilidade de exploração a baixo custo, mas faltava o capital necessário para comprar equipamentos, manutenção e até contratação de pessoal especializado.

 

II-              JANEIRO DE 2026

 

1.     O ataque militar dos EUA, com armas inimagináveis, e o sequestro do Presidente Maduro e da deputada Cília, representou uma derrota política e militar a Venezuela, que trouxe consequências gravíssimas, para seu futuro.

2.     Todos sabem que o verdadeiro objetivo do ataque e sequestro era ter acesso irrestrito do petróleo venezuelano em benefício das empresas americanas.

3.     O governo interino está sob ameaça constante de mais ataques e sanções.

4.     Diante da derrota sofrida e amargando dores e feridas, como a morte de mais de 80 militares (32 cubanos), o governo interino fixou a seguinte rota tática:

a)    Buscar recursos para ampliar a exploração petroleira para chegar aos níveis de exploração dos tempos de Chavez.

b)    Lograr que os recursos da renda petroleira, servissem para melhorar as condições de vida da população.

c)     Ganhar tempo, para que com as melhorias de vida, ampliar o apoio do povo ao chavismo.

d)    Fazer acordos com a oposição civilizada (sem a extrema direita), para um novo calendário eleitoral.

e)     Abandonaram o discurso anti-imperialista, e passaram a adotar apenas a defesa da soberania nacional e popular.

 

5.     Nesse meio tempo, ocorrem os dois terremotos, que custaram a vida de mais de 6 mil pessoas, centenas de casas e edifícios destruídos, implicando em necessidade ainda maior de recursos para reconstrução  de toda uma região.

 

 

III-            SITUAÇÃO ATUAL

 

1.     O governo mudou a lei de petróleo, que foi aprovada por unanimidade na assembleia nacional.   A nova lei flexibiliza a possibilidade de empresas estrangeiras investirem no petróleo. 

2.     Uma empresa estrangeira ou privada nacional pode apresentar uma proposta de projeto para extrair petróleo de poços indicados pela PDVSA.    A empresa investe na extração, e do petróleo extraído paga ao redor de 30% de royalties pro governo e pode vender o petróleo a quem quiser ou para a PDVSA.

3.     Com base na nova lei, e  sob pressão do governo Trump , o governo da Venezuela fez negociações com empresas  americanas que poderão  acessar  os poços indicados pela PDVSA  e  investir e pagar os  royalties.

4.     O acordo de concessão é por 25 anos.    E isso vai permitir nesse período acessar a 65 bilhões de barris de petróleo.   Mas ninguém ainda pode precisar qual o volume de petróleo será extraído pro ano, e quanto será o valor dos 30% a serem arrecadados a cada ano.

5.     Atentem que as reservas comprovadas de petróleo na Venezuela são estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, o equivalente a aproximadamente 17% do total mundial.

6.     Comenta-se que essa concessão poderá atrair investimentos estrangeiros de 110 bilhões de dólares na indústria petroleira. E por outro lado a estimar-se o valor de 19 dólares por barril, a ser recolhido em royalties ao estado venezuelano, poderia resultar num ingresso de 220 bilhões de dólares em divisas!

7.     Com as novas empresas estrangeiras que foram investir a produção de petróleo voltou a crescer e já chegou a 1,2 milhões de barris/dia.

8.     A expectativa do governo, que com acordo com as empresas americanas, se poderia voltar a produzir 3 milhões de barris/dia, alcançando o patamar historico. 

 

IV-            AS REPERCUSSÕES POLITICAS

 

1.     O governo explicou o acordo, na fala oficial da presidenta.

 

https://www.telesurtv.net/acuerdo-eeuu-venezuela-soberania-desarrollo/

 

2.     Pela afirmação da Presidenta o acordo representa a concessão de acesso das empresas dos EUA às reservas de petróleo da Venezuela, que continuarão com sua propriedade, e a exploração de qualquer poço, passa pela aprovação previa da PDVSA. Mas sobretudo a expectativa é de que os 30% de royalties permitirão ao governo ter recursos para investir na indústria e necessidades da população.

3.     Setores da oposição direitista, maiormente ligados ao partido democrata dos EUA, saíram na imprensa condenando o acordo.  Já que o acordo teoricamente, vai beneficiar o governo Trump na campanha eleitoral até novembro.

4.     Setores de esquerda latinoamericana, que tampouco apoiavam o governo Maduro, também vieram a público criticar o acordo.

Vejam artigo de William Castillo,da Venezuela, comentando las repercussões  na direita e na esquerda

https://x.com/planwac/status/2093883139558916510

5-AQUI UMA ANÁLISE DE COMO ACORDO INTERESSA PARA USO POLÍTICO NAS ELEIÇÕES AMERICANAS

https://www.resumenlatinoamericano.org/2026/08/30/pensamiento-critico-venezuela-sin-chavez-un-acuerdo-petrolero-pensando-en-las-elecciones-de-estados-unidos/

 

6- Nota aos brasileiros:  as condições de petróleo no pré-sal, as concessões de uso e exploração são semelhantes às da Venezuela, e as empresas também.  As reservas encontradas na margem equatorial da foz do amazonas, em processo de licitação, por coincidência, teria a mesma quantidade de petróleo do acordo com EUA, para 25 ANOS.   Vejam artigo de Tania Mandarino, no portal VIOOMUNDO,Brasil, sobre o tema 

https://www.viomundo.com.br/contramare/tania-mandarino-a-ilusao-da-altivez-mineral-no-capitalismo-dependente.html

 

7- A direita venezuelana é ligada tradicionalmente aos democratas... e portanto a notícia de Trump conta como trunfo para a economia americana, na disputa eleitoral por la.

 

8.Toda a direita venezuelana, dentro e fora do país está contra o acordo. Mas também houve protestos de pequenos grupos de esquerda radical.

9.Inclusive tem artistas venezuelanos que estão acusando a Trump de “apoio à ditadura venezuelana” com o discurso dos democratas. 

10.A Direita venezuelana acredita que os royalties do petróleo, em volumes tão grandes vai dar um novo oxigênio ao governo chavista para investir na economia e das condições de vida da população e com isso aumentaria apoio eleitoral nas próximas eleições.

11.Segundo algumas fontes de comentaristas que analisam o comportamento eleitoral do povo da venezuela, revelam de que o chavismo teria 30% de apoio consolidado, mas que a oposição (na de extrema direita) também teria 30%, e que, em caso de eleições seria decidido pelos 40% que se dizem cansados da polarização, dos bloqueios e crise política.   A migração de tantos venezuelanos para os países vizinhos e inclusive EUA, seriam originários desse grupo.    Além dos grupos de militantes da extrema direita que vivem em Miami e Madrid.

🚨Blanca Rosa Mármol afirma que acuerdo petrolero de Trump es nulo🚨

La reconocida magistrada y jurista venezolana Blanca Rosa Mármol de León calificó de manera categórica como jurídicamente nulo el reciente acuerdo petrolero promovido por la administración estadounidense en torno a los yacimientos venezolanos, argumentando que carece de la aprobación constitucional indispensable de la Asamblea Nacional legítima. Mármol enfatizó que cualquier compromiso financiero o concesión sobre recursos estratégicos de la nación suscrito al margen de la Carta Magna carece de validez legal y legitimidad democrática, por lo que no compromete de forma vinculante el patrimonio futuro de la República ni el ordenamiento institucional venezolano. 

La experta en materia constitucional advirtió además que negociaciones de esta magnitud, realizadas sin el debido escrutinio público ni la concurrencia de los poderes públicos independientes, profundizan la inseguridad jurídica que ahuyenta a los inversionistas serios y vulnera flagrantemente el principio de soberanía nacional consagrado en el texto constitucional. Sus declaraciones reavivan la polémica en los círculos legales del país sobre la validez de los contratos petroleros firmados en contextos de profunda crisis institucional y fractura de la separación de poderes.

Fuente: El Nacional

@comitecarioca

                             

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