31 de mar. de 2026

O NAVIO QUE FUROU O CERCO: A SOLIDARIEDADE DA RÚSSIA E A CORAGEM DE PUTIN.

                               
Paulo Da Silva

Quando o bloqueio e a escuridão apertam, há quem estenda a mão – mesmo que o império ameace.

Há meses que Cuba espera. Há meses que o bloqueio aperta como nunca. Desde 9 de janeiro, nem uma gota de petróleo entrou na ilha. Os geradores pararam. Os hospitais funcionaram com luzes de emergência. As crianças estudaram à luz de velas. Os doentes de câncer esperaram, em vão, por tratamentos que não chegam. O povo cubano, esse, resistiu, como sempre resistiu. Mas até a resistência tem limites quando o combustível acaba.

E foi nesse momento, quando o cerco parecia fatal, que a Rússia apareceu no horizonte. Não com promessas, não com discursos – com um navio. O Anatoly Kolodkin, um petroleiro russo com 730.000 barris de petróleo, desafiou abertamente o bloqueio dos EUA e navegou em direção a Cuba. E, contra todas as previsões, contra a doutrina Monroe, contra as ameaças de Trump, chegou a Matanzas.

 

O gesto de Vladimir Putin

Não é a primeira vez que a Rússia ajuda Cuba. Mas este gesto tem um significado especial. Enquanto os EUA apertavam o cerco, enquanto Trump ameaçava com tarifas e prometia que Cuba “falharia em breve”, Moscou fez o oposto. Enviou o que era mais necessário: combustível. E o fez de forma declarada, humanitária e firme.

O ministro da Energia russo, Sergey Tsivilyov, foi claro: “Estamos enviando cargas humanitárias. Cuba encontra-se numa situação difícil como resultado da pressão das sanções”. Não houve rodeios. Não houve hesitação. A Rússia declarou publicamente que continuaria a ajudar a ilha, independentemente das ameaças.

Vladimir Putin, que tem sido retratado pelo Ocidente e parte da esquerda como o vilão de todas as histórias, mostrou, mais uma vez, que há uma diferença entre os que falam e os que agem. Enquanto a Europa e os EUA impõem sanções, bloqueiam, estrangulam, a Rússia envia petróleo. Enquanto o império ameaça, Moscou age.

 

A declaração de Trump (e a sua ironia)

O próprio Donald Trump, que tantas vezes ameaçou “tomar Cuba de uma forma ou de outra”, foi forçado a recuar. A Guarda Costeira dos EUA tinha navios na região, mas não recebeu ordens para agir. E Trump, em declarações à imprensa, admitiu que o navio foi “autorizado por razões humanitárias”.

“Não nos importamos que alguém traga um barco carregado porque eles precisam de sobreviver. Prefiro deixá-lo entrar, seja da Rússia ou de qualquer outro, porque as pessoas precisam de aquecimento. ”

É a ironia suprema. O mesmo homem que jurou estrangular Cuba até à rendição foi obrigado a permitir que a Rússia furasse o seu cerco. Não por generosidade, porque não podia fazer o contrário. Interceptar um navio russo, com ajuda humanitária, em águas internacionais, seria uma escalada que nem Trump, com toda a sua bravata, estava disposto a enfrentar.

 

A Rússia venceu, sem disparar um tiro.

 

A escolta e a espera

Durante toda a viagem, a expectativa foi enorme. O Anatoly Kolodkin viajou sob bandeira russa, escoltado por um navio de guerra da Armada russa no Canal da Mancha. Depois, continuou sozinho pelo Atlântico, mas sempre vigiado, não pelo império, que ameaçava, mas pela esperança de quem, em Cuba, aguardava. Quando passou a província de Holguín, viajando a 12,3 nós, o horizonte já se clareava. A cada milha percorrida, a certeza crescia: o navio chegaria.

E chegou. Ao porto de Matanzas, com 100.000 toneladas de petróleo, o Anatoly Kolodkin atracou. É o primeiro petroleiro a chegar a Cuba em três meses. O primeiro alívio real desde que o cerco energético foi imposto. O primeiro sinal de que a solidariedade, quando é verdadeira, não recua perante ameaças.

 

O Mundo Multipolar em ação

Este navio não é apenas um carregamento de petróleo. É um símbolo. É a prova de que o mundo já não é unipolar. É a demonstração de que há quem esteja disposto a enfrentar o império, não com bombas, mas com solidariedade. É a confirmação de que Cuba não está sozinha.

A Rússia, com este gesto, mostrou que a sua aliança com Cuba não é retórica. É prática. É um navio que atravessa o Atlântico, que desafiou o bloqueio, para chegar a Matanzas com o combustível que mantém hospitais abertos, escolas iluminadas, vidas salvas.

E Putin, que tantas vezes é acusado de ser o grande inimigo do Ocidente, mostrou que, para os povos que resistem, ele é um aliado. Não um aliado de discurso – um aliado de fato.

O Anatoly Kolodkin atracou em Matanzas. O petróleo correndo para os geradores, para os hospitais, para a vida que continua. A humilhação de Trump, que teve de autorizar o que não podia impedir. Fica a certeza de que Cuba não se verga – e que, quando o cerco aperta, há quem apareça no horizonte.

Fica, também, a lição: o mundo multipolar não é uma teoria. É a Rússia enviando petróleo, é a China enviando arroz, é o México, Brasil, Venezuela e tantos outros enviando ajuda humanitária, são os povos se unindo contra o bloqueio.

 

O abraço que atravessou o Atlântico

 

O Anatoly Kolodkin não é apenas um navio. É um abraço. Um abraço que saiu da Rússia, atravessou o Atlântico, desafiou o império, e chegou a Cuba. Não é petróleo que transporta é a prova de que há laços que não se rompem com ameaças. É a certeza de que, quando um povo sofre, há outro que não vira a cara.

Rússia e Cuba. Dois países separados por oceanos, unidos por uma história de luta. A União Soviética que, décadas atrás, esteve ao lado da Revolução Cubana quando o mundo a queria ver cair. Cuba que, hoje, recebe de braços abertos o que a Rússia envia – não como esmola, como fraternidade.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, foi claro: “A Rússia considera que é seu dever não ficar indiferente e prestar a ajuda necessária aos nossos amigos cubanos. Em condições de um bloqueio severíssimo, os nossos amigos cubanos precisam de produtos petrolíferos e petróleo cru – isto é necessário para o funcionamento dos sistemas de suporte à vida no país, para a geração de eletricidade, para prestar serviços médicos à população”.

Há quem chame a isto geopolítica. Nós, chamamos o que é: solidariedade. A mesma que Fidel pregou, a mesma que Che viveu, a mesma que Stalin construiu quando mostrou que o socialismo não se constrói sozinho. É a mão que se estende quando o império aperta. É a certeza de que, mesmo no meio do cerco, há quem esteja do lado certo.

 

A fraternidade que não se compra

A Rússia de Putin não é a União Soviética. Mas há algo que permanece: a recusa em aceitar que o mundo seja governado por um só. A coragem de enfrentar o império, não com bravata, mas com atos. E Cuba, que há mais de 60 anos resiste ao bloqueio, sabe o que é ter ao lado quem não se curva.

Este navio, é a prova de que a fraternidade entre os povos russo e cubano não é uma frase. É um fato. É um petroleiro que, durante a viagem, navegou escoltado. É um governo que, apesar das ameaças, não hesitou. É um povo que, do outro lado do oceano, sabe que Cuba não está sozinha.

O Anatoly Kolodkin atracou em Matanzas, não foi apenas combustível que desceu para os tanques. É a certeza de que há quem não se venda. É a prova de que a solidariedade, quando é verdadeira, não tem preço. É um abraço entre dois povos que, apesar da distância, estão mais unidos do que nunca.

 

A certeza de quem espera

Desde o início da viagem acompanhei o navio. Quando desligou o transponder. Quando surgiu nos radares com o destino “Atlantis”. Quando tantos duvidaram. Nesse momento, tive a certeza: este vai mesmo para Cuba. Não foi adivinhação. Foi a fé de quem já viu o império apertar e, ainda assim, a solidariedade vencer. Foi a experiência de quem aprendeu, com a vida, que quando um povo está sozinho no escuro, há sempre alguém a caminho.

A cada milha que o Anatoly Kolodkin percorria, o horizonte clareava. E hoje, o navio chegou. Em Cuba, pelo Mundo o Anatoly Kolodkin foi acompanhado até o fim. O império, que ameaçou, ficou a ver.... Cuba, que esperou, recebeu o que é seu por direito.

 

Conclusão

Fica o navio no porto de Matanzas. Ficam as 100.000 toneladas de petróleo a serem descarregadas. Ficam os hospitais acesos, as escolas iluminadas, as crianças que voltam a estudar sem velas. Fica a declaração de Trump – que, mesmo querendo “ajudar” depois do estrangulamento, não conseguiu impedir que outros ajudassem primeiro. Fica a Rússia, de pé, a mostrar ao mundo que há quem desafie o bloqueio. Fica Cuba, mais forte, mais unida, mais viva.

E fica, a esperança de quem acompanhou. A fé de dois povos. A certeza de que, quando o horizonte parece escuro, há sempre um navio a caminho. O Anatoly Kolodkin chegou. O povo cubano, o russo, estiveram acompanhando cada momento. Vendo. Acreditando. Contando.

 

Patria o Muerte ! Pela Rússia, por Cuba, por todos os que não se vergam.

30 de Março, 2026


  
 Paulo Jorge da Silva | Um ativista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão. Porque os princípios, como Fidel ensinou, não se negociam.

Original : https://cubasoberana.com/blog/o-navio-que-furou-o-cerco-a-solidariedade-da-russia-e-a-coragem-de-putin/





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