Autor: Raúl Antonio Capote |Foto: JUVENAL BALÁN
Não é a primeira vez que o império decreta o fim da Ilha, mas esta terra, feita de sangue e memória, ainda está aqui, contra todas as probabilidades, respirando em meio aos obstáculos do bloqueio, mas viva.
O ano de 2026 encontrou Cuba em sua encruzilhada mais grave desde aquele período especial que nos ensinou a fazer pão com o que não tínhamos; agora é diferente, isto é um bloqueio total.
Foram assinadas ordens executivas pelo governo sediado na Casa Branca que parecem saídas diretamente de um roteiro de filme B: bloqueio de energia, sanções contra qualquer um que se atreva a vender combustível para a ilha e ameaças de "tomar o controle".
A lista de medidas coercitivas parece interminável, tão interminável quanto a resistência de um povo que sofre perseguição há mais de seis décadas.
Caminhar por Havana hoje em dia é como passear pelo cenário de um filme do pós-guerra, mas sem os créditos finais. Os apagões afetaram o país inteiro; o déficit de eletricidade gira em torno de 2.000 megawatts, com uma média de 20 horas sem energia por dia.
Em muitas partes do país, os cortes de energia podem durar mais de 40 horas, causando um calor sufocante, a impossibilidade de conservar alimentos, bombear água ou mesmo dormir. A vida se tornou um exercício de fé e engenhosidade.
E, no entanto, as mulheres – sempre elas – suportam o peso dessa asfixia criminosa, realizando o triplo do esforço, enquanto se desdobram para conseguir o pouco combustível que chega, suficiente para cozinhar, sem perder o sorriso.
Mas em Cuba, a escassez deu origem a uma estranha abundância: a engenhosidade. É o que acontece quando um mecânico conserta um motor com peças de outra época, quando uma dona de casa transforma o que tem no que precisa, quando um artista pinta com as cores que encontra, e não com as que preferiria.
"Cuba resiste heroicamente e criativamente", escreveu este jornal, e não é um slogan, é algo que se vê claramente, no dispositivo inventado para converter plástico em gasolina, mas, sobretudo, na ciência cubana, nas centenas de cientistas que não pararam de criar vacinas, de encontrar soluções para curar doenças que de outra forma seriam fatais, nos engenheiros que conseguem processar o petróleo bruto cubano, nos heróis das usinas termoelétricas.
Rolando Pérez Betancourt, o crítico de cinema que elevou a crônica a um gênero de grande prestígio, costumava dizer que um bom jornalista deve saber olhar, e não apenas ver, especialmente neste filme do qual somos protagonistas.
Há cenas dolorosas: hospitais sem medicamentos, escolas com carteiras vazias, preços em alta; mas também há cenas comoventes: a vizinha que compartilha o pouco que tem, o médico que improvisa tratamentos com o que está disponível, a criança que lê à luz de velas.
Como escreveu Fernando Buen Abad, doutor em Filosofia: "Atacar Cuba é atacar a hipótese da liberdade consciente". É por isso que o império não cede, porque Cuba não é apenas uma ilha, é uma possibilidade.
Ao cair da noite, quando o sol se põe sobre o Malecón e a escuridão toma conta da cidade, os cubanos acendem suas lanternas, suas lâmpadas, suas velas.
É um ato de sobrevivência, mas também um ato de desafio, porque cada vela acesa em meio ao apagão é uma pequena declaração de independência, é a luz que não se apaga, é a Ilha que não se rende.
A resiliência é um ato da vida, e a vida sempre encontra um jeito de seguir em frente, mesmo quando o mundo tenta colocar obstáculos em seu caminho.
https://www.granma.cu/mundo/2026-06-22/la-isla-que-no-se-rinde-22-06-2026-21-06-15


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