E onde vocês estão? Este é um apelo à solidariedade vindo do coração de uma ilha que nunca soube dizer não quando o mundo bateu à sua porta. É um pedido legítimo dirigido aos governos, parlamentos, organizações e movimentos de solidariedade daquelas nações que hoje desfrutam de soberania, saúde ou liberdade, em parte, graças ao sacrifício cubano.
Cuba não compartilhou o que lhe sobra; compartilhou o que lhe falta. Durante décadas, nossa pátria semeou esperança no planeta.
Na África, os filhos de Cuba lutaram contra o colonialismo e o vergonhoso apartheid.
Nas selvas, montanhas e favelas onde os médicos cubanos foram os únicos a chegar, enfrentando epidemias, desastres naturais e o esquecimento histórico.
Chegamos com professores que alfabetizaram povos inteiros, devolvendo-lhes a dignidade da palavra.
Estamos sempre presentes diante das ameaças de agressão e subversão imperialista contra qualquer povo irmão.
Hoje, essa mesma pátria que se sacrificou por outros está em perigo iminente e real. A investida imperialista não é uma teoria; é um cerco asfixiante que busca nos render pela fome, pela necessidade e pelo desespero. E com seu exército. Sim, com seu exército.
Observamos com amargura que, enquanto Cuba enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história, a resposta de muitos que deveriam ser os primeiros na fila do agradecimento é insuficiente, com ajudas que não chegam a amenizar a magnitude do cerco; é tímida, com pronunciamentos que temem apontar o agressor pelo nome e pela magnitude; é justificativa, com argumentos burocráticos para explicar uma inação que custa sacrifícios e pode custar vidas; é simbólica, com gestos que, se fossem mais profundos, deteriam a agressão. Doem-me especialmente os ausentes, aqueles que não sei onde estão e por que não estão.
Este é um chamado à ação profunda. A gratidão não é um sentimento abstrato, é uma ação política. Não é momento para neutralidades confortáveis. Se Cuba esteve presente quando o ebola ameaçava, quando o colonialismo oprimia ou quando o terremoto destruía, onde vocês estão agora que o imperialismo tenta apagar nossa soberania do mapa?
A história não julgará apenas os agressores; julgará com igual rigor aqueles que, podendo ter impedido o crime com seu apoio decidido, preferiram fazer vista grossa.
É hora de agir por Cuba, antes que seja tarde demais. Não vamos desistir; e se não vamos desistir, o que você está fazendo para impedir um desfecho de proporções incalculáveis?
O futuro é o melhor juiz. Aja no presente para que o futuro possa absolvê-lo.
por: Miguel Ángel Moreno Carpio
Trad/ed @comitecarioca21
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