| "Não foi minha culpa" |
Se fizermos uma postagem lamentando que ela tenha sido estuprada, mas (ah, os “mas”!) comentarmos que ela nunca deveria ter andado sozinha por aquela área ou que deveria ter escolhido melhor suas roupas, que deveria ter previsto essa agressão e treinado judô ou karatê, estamos justificando o verdadeiro culpado.
E se começarmos a criticar que se defenda as mulheres e não as vítimas em geral, afirmando que os homens também são estuprados, estamos ignorando todo um sistema de violência patriarcal onde as vítimas de agressões sexuais quase sempre são mulheres e os agressores sempre são homens. Nossa afirmação relativista só ajuda a desviar a atenção.
Por isso, quando vejo alguém “defender” a Cuba bloqueada pela maior potência militar e econômica da história com frases clichês do tipo “também foram cometidos erros”, “não se pode ignorar o ‘bloqueio interno’” (oh, falácia maiúscula!), “e por que não previram que os Estados Unidos impediriam a entrada de petróleo?”... lembro-me daqueles que falam da mulher estuprada como se a culpa fosse dela, porque escolheu andar por onde não devia, porque se vestiu de maneira muito provocante, porque não soube se defender.
E quando vejo aqueles que dizem que não vale a pena Cuba oferecer resistência... Bem... Melhor parar por aqui com a parábola. Acho que dá para entender.
A culpa é daqueles que nos agridem, a culpa é daqueles que querem nos sufocar. No entanto, nem vão nos derrotar nem vão nos fazer desaparecer do mapa. Por mais injusto que seja o jogo, por piores que sejam as cartas que nos coube, não vamos nos render. E quando sairmos dessa, vamos nos lembrar de quem nos ajudou e de quem aproveitou a conjuntura para apontar nossas falhas, cúmplice velado daquele que quis ser nosso carrasco.
Há montanhas, e é preciso subir
As montanhas altas; depois
Veremos, alma, quem é
Aquele que te colocou à beira da morte!
¡Viva Cuba libre! ¡Abajo el imperialismo!
A resposta de Graciela Ramirez Cruz :
Quando sairmos desta situação — e garanto-lhe, Michel E. Torres Corona, que vamos sair —, faremos O Livro dos Nossos Abraços: o livro daqueles que nunca soltaram a mão uns dos outros, daqueles que compartilharam o pouco que tinham, daqueles que levantaram quem estava caindo. E no livro de “Nem esquecimento nem perdão” estarão os traidores, os cúmplices, os covardes, aqueles que desviaram o olhar, aqueles que nos abandonaram no meio da tempestade. Aqueles a quem devemos tanta vida, aqueles que nos convidaram a nos render, você, e todos os que se juntarem a nós, faremos o livro dos Nossos Abraços. O outro será escrito pelos povos.

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