Os EUA tentam impor uma nova estratégia de chantagem contra Cuba, alerta Cossío
1º de julho de 2026
O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, denunciou que o governo dos Estados Unidos está intensificando uma política de pressão global contra a ilha, não apenas por meio do bloqueio econômico, mas também por meio de chantagem direta a governos de diferentes regiões do mundo.
Primeiro, Washington pressionou para que vários países encerrassem os programas bilaterais de cooperação médica com Cuba. O resultado não é abstrato: comunidades inteiras ficaram privadas de serviços de saúde, atendimento primário, especialistas e apoio médico que, durante anos, salvaram vidas onde muitas vezes outras alternativas não chegavam.
Agora, essa mesma pressão se estende ao âmbito diplomático. Os Estados Unidos tentam forçar governos — incluindo aliados tradicionais — a alterar sua posição histórica contra o bloqueio na Organização das Nações Unidas e até mesmo a se recusarem a debater um tema essencial para a comunidade internacional: o impacto de uma política ilegal, extraterritorial e cruel contra o povo cubano, afirma o diplomata.
Fernández de Cossío também destacou outro elemento-chave: Washington já pressiona com sucesso governos e atores internacionais para que acatem a proibição imposta pelos Estados Unidos de exportar combustíveis para Cuba. Ou seja, o cerco energético não é coincidência nem um simples problema comercial: faz parte de uma estratégia deliberada para asfixiar a vida cotidiana do país.
O que está se configurando é grave: uma ordem internacional em que um governo pretende decidir com quem os demais podem comercializar, que tipo de cooperação médica podem manter, que combustível pode chegar a uma ilha bloqueada e até mesmo quais temas podem ser debatidos na ONU.
Essa “nova ordem”, baseada em sanções, medo e obediência forçada, é insustentável, injusta e perigosa para todos os povos. Hoje ela é aplicada contra Cuba; amanhã poderá ser aplicada contra qualquer país que não se submeta.
De Cossío: O critério de sucesso da estratégia política dos EUA contra Cuba é medido pelo número de horas de apagões sofridas pela população…
O critério de sucesso do plano político dos EUA contra Cuba é medido pelo número de horas de apagões sofridas pela população, pelo número de famílias sem gás para cozinhar, pelos alimentos que estragam por não poderem ser refrigerados, pelas cirurgias adiadas ou não realizadas, pela queda nas taxas de mortalidade infantil e a consequente morte de recém-nascidos.
Isso se manifesta na falta de transporte público, no lixo sólido que se acumula em cada quarteirão, nas dificuldades de acesso à educação, na interrupção de empregos e na diminuição da renda pessoal e familiar, na inflação e na crescente escassez que a população conhece muito bem.
Uma certa classe de políticos se orgulha de suas conquistas e comemora entre si. É a guerra cruel e diária à qual a nação está submetida.
Cada ato de criatividade, cada reparo engenhoso, cada solução, por mais frágil que seja, cada vida salva e cada ato de solidariedade são registrados como derrotas do imperialismo, infligidas por um povo pacífico, mas que se recusa a retornar à condição de sujeito dependente e desprezado que sofreu durante a primeira metade do século XX.
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