1 de jun. de 2026

Ex-funcionários da inteligência dos EUA alertam Trump: um ataque a Cuba seria um fracasso catastrófico.

                   

O grupo Veteran Intelligence Professionals for Sanity —VIPS—, composto por ex-

funcionários das áreas de inteligência, diplomacia e segurança dos EUA, publicou um

 memorando dirigido ao presidente Donald Trump alertando para o risco de uma política de

 "colapso do regime" contra Cuba.

O texto alerta que a estratégia atual de Washington pode levar a um desastre humanitário pelo qual os EUA seriam responsáveis, e destaca que qualquer opção militar arrastaria o país para uma guerra perdida desde o início.

 O memorando desmonta vários argumentos usados ​​contra Cuba: afirma que não há provas de apoio operacional cubano a organizações terroristas; questiona a acusação contra Raúl Castro pelos eventos de 1996; rejeita a ideia de bases de espionagem chinesas ou russas contra os EUA em Cuba; e lembra que também não há provas que liguem Cuba aos chamados “ataques sônicos”.

 Os signatários enfatizam que Cuba não é a Venezuela e que Washington nunca compreendeu o orgulho nacional, a cultura institucional e o profundo senso de soberania do povo cubano. Alertam que mesmo os setores que desejam mudanças internas se uniriam em defesa da nação contra a agressão estrangeira.

 Uma das frases mais impactantes do memorando resume o risco:

"O colapso apoiado pelos EUA e a imposição de um governo de nossa escolha fracassarão miseravelmente." 

 Eles também alertam que uma operação contra Cuba aumentaria a pressão migratória e criaria um cenário imprevisível. Coerção, bloqueio, acusações políticas e negociações "sob a mira de uma arma" não funcionam há mais de seis décadas.

A importância desta declaração é enorme: não se trata de uma denúncia vinda de Cuba, mas de um alerta emitido de dentro do próprio aparato de segurança dos EUA. Ex-oficiais da CIA, do FBI, do Departamento de Estado, do Pentágono e das Forças Armadas afirmam que o caminho da agressão contra Cuba é falso, perigoso e fadado ao fracasso.

 Nos Estados Unidos, também há uma crescente rejeição à política de bloqueio, ameaças e guerra contra Cuba.

Memorando dirigido ao Presidente Donald Trump (texto completo)

Filho da Nova Revolução Americana

Substack :

Evitando falhas catastróficas em Cuba

Larry Johnson / 28 de maio de 2026

MEMORANDO DE ALERTA AO: Presidente

DE: Veteranos Profissionais de Inteligência pela Sensatez (VIPS)

ASSUNTO: Evitando falhas catastróficas em Cuba

Prezado Presidente Trump: Estamos profundamente preocupados com o fato de a atual abordagem dos EUA em relação a Cuba estar tornando cada vez mais provável um desastre humanitário catastrófico, pelo qual os Estados Unidos serão responsáveis. Também acreditamos que qualquer opção militar levará a uma guerra perdida.

Cuba não é a Venezuela. As relações dos EUA com Cuba nunca foram boas, mesmo antes da ascensão de Fidel Castro ao poder em 1959. Washington nunca compreendeu o profundo orgulho nacional do povo cubano e seu anseio por soberania, nem sua cultura de respeito às instituições. Gostemos ou não, o governo ainda conserva alguma legitimidade residual, e mesmo os cubanos que desejam mudanças significativas se unirão em torno da bandeira cubana se houver um ataque vindo do exterior.

De fato, o povo cubano está sofrendo, mas os relatos que alegam amplo apoio popular às sanções americanas e até mesmo à intervenção militar são fortemente influenciados por pessoas que recebem pagamentos do governo dos EUA. Diante da falsa escolha entre viver sob o governo atual com a máxima pressão das sanções americanas e viver sob um novo sistema, alguns cubanos optariam pela mudança. Mas seus protestos não visam culpar o governo, e mesmo aqueles que desejam mudanças significativas em Cuba desconfiam dos Estados Unidos. O embargo de 65 anos e o bloqueio petrolífero em curso são fontes de profunda, embora latente, suspeita em relação a nós.

O texto das Ordens Executivas de 29 de janeiro e 1º de maio, que alega que “as políticas, práticas e ações do Governo de Cuba constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos Estados Unidos”, sugere uma confusão entre a realidade e acusações com motivação política. Essas narrativas são, em sua maioria, falsas.

Cuba busca maneiras de burlar as sanções americanas — como qualquer país faria para sobreviver — e vários países a auxiliam, embora em níveis cada vez menores. Esses esforços dificilmente podem ser considerados uma “ameaça” aos Estados Unidos. Embora o ideal fosse que o conglomerado empresarial cubano, GAESA, operasse com mais transparência, é cínico da nossa parte não reconhecer a necessidade de manter o sigilo diante das agressivas operações de inteligência e sanções americanas.

Desde pelo menos 1992, o governo dos Estados Unidos não possui nenhuma evidência de que Cuba tenha fornecido apoio operacional, logístico ou de treinamento a qualquer organização terrorista. Ampliar a definição de "terrorista" para incluir alguns fugitivos da justiça americana parece desonesto.

Uma análise cuidadosa das informações de inteligência sobre a trágica e desnecessária queda dos dois aviões cubano-estadunidenses quando decolavam do espaço aéreo cubano em 24 de fevereiro de 1996, demonstra claramente que a acusação feita ao ex-presidente Raúl Castro na semana passada não se baseia em fatos.

O governo dos EUA também não possui provas de que a China e a Rússia estejam operando bases de espionagem de inteligência de sinais em Cuba direcionadas contra os Estados Unidos. Como a comunidade de inteligência sabe, a Rússia abandonou suas principais instalações após o colapso da URSS, e nunca houve qualquer indício de que uma instalação chinesa tivesse como alvo os Estados Unidos.

Embora o debate sobre os alegados ataques sônicos "ou de micro-ondas" contra o pessoal dos EUA continue em alguns setores, nenhuma evidência foi descoberta nos últimos nove anos para sustentar a acusação de envolvimento de Cuba em tais ataques na Ilha, na China, na Europa e nos Estados Unidos.

Operações secretas no âmbito dos programas de “promoção da democracia” ou “mudança de regime” dos EUA geram informações que corroboram as visões do eleitorado estadunidense que as controla, tornando o quadro resultante enganoso. Instamos o senhor a analisar cuidadosamente essas atividades secretas. Caso decida aprová-las, subscreva um parecer presidencial e uma notificação oficial do Congresso. Os registros demonstram que os planejadores de ações secretas enganaram o presidente Kennedy sobre as perspectivas da operação na Baía dos Porcos, e os analistas da CIA foram mantidos no escuro.

Declarações da administração, coleta agressiva de informações aéreas e movimentações de navios ao redor de Cuba sugerem preparativos para uma ação militar. As forças armadas cubanas são fracas e carecem até mesmo de suprimentos básicos, e a doutrina cubana da “Guerra de Todo o Povo” pode nos parecer ingênua. Cuba reagirá com o armamento convencional que possui e que pode adquirir, talvez até mesmo drones, em defesa de sua liderança e instalações sensíveis.

Mas o colapso do regime apoiado pelos EUA e a ocupação ou imposição de um governo de nossa escolha fracassarão miseravelmente. As mesmas pessoas que mantêm um Chevrolet de 1957 rodando com um cabide para casacos causarão estragos contra um regime imposto do exterior. As declarações do governo demonstram uma tendência sábia de manter as tropas estadunidenses fora do território cubano, mas também é importante saber que multidões de nacionalistas cubanos irão minar silenciosamente qualquer sistema que impusermos. As implicações de qualquer um desses cenários para a pressão migratória seriam catastróficas.

Notícias da imprensa indicam que os Estados Unidos estão envolvidos em algum tipo de “negociação” com um neto do ex-presidente Raúl Castro, que não ocupa nenhum cargo oficial em Cuba. De qualquer forma, nossa experiência com conflitos em todo o mundo nos leva a concluir que conversas sob a mira de uma arma não são negociações verdadeiras. A coerção dos EUA contra Cuba não funciona há mais de seis décadas. Negociações sem bloqueios, armas apontadas para líderes e acusações políticas podem ser muito mais eficazes.

PARA O GRUPO DE GESTÃO, VETERANOS PROFISSIONAIS DE INTELIGÊNCIA PARA A SENSATEZ (VIPS)

-Fulton Armstrong, ex-Oficial Nacional de Inteligência para a América Latina (aposentado)

-Marshall Carter-Tripp, Oficial do Serviço Exterior (Aposentado); Diretor da Divisão do Escritório de Inteligência e Pesquisa do Departamento de Estado

-Felipe Giraldyo, ex-oficial de operações da CIA (aposentado)

-Mateo Hoh, ex-capitão do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, oficial do Serviço Exterior e veterano no Iraque e Afeganistão (Associado VIPS)

-Larry Johnson, ex-oficial de inteligência da CIA e oficial de contraterrorismo do Departamento de Estado (aposentado)

-Juan Kiriakou, ex-oficial de contraterrorismo da CIA e ex-pesquisador sênior do Comitê de Relações Exteriores do Senado.

-Karen Kwiatkowski, ex-tenente-coronel da Força Aérea dos EUA (aposentada); no Gabinete do Secretário de Defesa, observando a fabricação de mentiras no Iraque, 2001-2003

-Ray McGovern, ex-oficial de infantaria/inteligência do Exército dos EUA e analista da CIA; assessor presidencial da CIA (aposentado)

-Elizabeth Murray, ex-vice-diretora nacional de inteligência para o Oriente Próximo, Conselho Nacional de Inteligência; analista política da CIA (aposentada)

-Scott Ritter, ex-major do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, ex-inspetor-chefe de armas da ONU no Iraque

-Coleen Rowley, Agente Especial do FBI e ex-Assessora Jurídica da Divisão de Minneapolis (Aposentada)

-Lawrence Wilkerson, Coronel (EUA, aposentado), Professor Visitante Distinto, College of William and Mary (Associado VIPS)

-Sara G. Wilton, CDR, USNR, (aposentado)/DIA, (aposentado)

-Roberto Ala, ex-funcionário do Serviço Exterior (associado ao VIPS)

-Ann Wright, Coronel do Exército dos EUA (aposentada); Oficial do Serviço Exterior (demitiu-se em oposição à guerra contra o Iraque)

Fonte:  https://larrycjohnson.substack.com/p/avoiding-catastrophic-failure-in

https://cubaenresumen.org/2026/05/30/exoficiales-de-inteligencia-de-ee-uu-advierten-a-trump-una-agresion-contra-cuba-seria-un-fracaso-catastrofico/

Trad: @comitecarioca

29 de mai. de 2026

ESSA É A PARTE DA HISTÓRIA QUE OS FILMES, SÉRIES E MÍDIA NÃO VÃO TE CONTAR.

       Crianças de Goiania vítimas do Césio-137 foram levadas a Cuba para tratamento após o acidente


    Carmen Diniz*

        Uma produção real, bem feita e bem dirigida, o seriado com 5 episódios da Netflix chamado Emergência Radioativa traz uma história dramática, um acidente evitável assim como as consequências terríveis do descaso coletivo. Até hoje é lembrado como o que foi na realidade: o pior acidente radioativo da história fora de uma instalação nuclear. 

     Em 1987, dois moradores da cidade de Goiânia retiraram de uma clínica radiológica desativada e abandonada há anos um objeto pesado, de chumbo, levando-o a um ferro-velho local. O objeto, um cilindro encontrado dentro de um recipiente de chumbo, começa a vazar um pó azul: o Césio-137, substância altamente contaminante de radioatividade.

     Pessoas encantadas com a cor e o brilho da substância passaram a manipular o pó sem saber o perigo que aquilo representava. Enfim, uma tragédia para os moradores da cidade que, com medo, passaram a discriminar quem tivesse ou não a mais leve suspeita de carregar no corpo o problema. O medo e a insegurança se instauraram no local.

   A história é realmente muito bem contada na série.

   Somente uma parte se suprimiu, infelizmente: a participação do sistema de saúde cubano no caso. Até por uma razão de reconhecimento por parte do nosso país, omitir o atendimento de Cuba se mostra uma falha sem sentido, até porque a série mostra médicos russos no atendimento aos contaminados em Goiânia. Dessa forma, aqui fazemos, por uma questão de justiça e mérito, um adendo importante à série.

                                          

Fidel recebe as crianças em Cuba.

             Um ano antes do acidente no Brasil, aconteceu o maior acidente nuclear mundial na usina de Chernobyl, na Ucrânia em 1986. Muito mais grave – por se tratar de uma explosão em um reator nuclear – Cuba se ofereceu e recebeu mais de 20 mil crianças ucranianas para tratamento na Ilha em 1990. (https://solidariedadecubarj.blogspot.com/search?q=chernobyl ) Sem contar com experiência em radioatividade, trouxe cientistas de outros países para auxiliar nos tratamentos. Assim foi criado um programa de saúde absolutamente gratuito: “um exemplo do que pode fazer um povo que, sem ter grandes riquezas materiais, tem a grande riqueza espiritual de haver-se educado na solidariedade", disse o ministro de Saúde cubano, José Ramón Balaguer na ocasião. Cuba sozinha tratou mais crianças de Chernobyl do que o resto de todos os países do mundo.

    É exatamente com base na solidariedade que dois anos depois, em 1992 na ECO92 realizada no Brasil que o Comandante Fidel Castro, informado da situação em Goiânia, abre novamente as portas de Cuba para receber as vítimas da radiação pelo Césio-137.

 Naquele mesmo ano recebeu um grupo de 50 brasileiros (34 crianças e 16 adultos pais ou responsáveis).

   As crianças foram hospedadas em Tarará, um balneário de praia perto de Havana que tinha sido uma espécie de resort/condomínio à beira mar para turistas endinheirados e que a Revolução Cubana transformou em uma espécie de colônia de férias para os pioneiros (crianças cubanas). Ali as 34 crianças brasileiras se somaram às crianças ucranianas afetadas pelo acidente nuclear de Chernobyl.

                                                       


Durante a estadia, as crianças passaram por uma bateria de exames médicos, incluindo avaliações hematológicas, radiológicas e exames de medula óssea. Ao todo, centenas de procedimentos foram realizados. Além do acompanhamento clínico, os pacientes receberam vacinas, tratamentos odontológicos e intervenções cirúrgicas de menor complexidade. Também houve suporte psicológico, considerado essencial diante dos impactos emocionais causados pelo acidente.

   Sobreviventes relatam que a experiência em Cuba foi marcada por acolhimento e estrutura adequada, contrastando com o cenário vivido no Brasil após o acidente. *

    Em Goiânia, muitas vítimas enfrentaram isolamento social, discriminação e perdas materiais, já que bens contaminados precisaram ser descartados. Estudos da Universidade Federal de Goiás apontam que esses fatores tiveram impacto significativo na saúde mental dos atingidos.

    Já em Cuba, os pacientes participaram de atividades recreativas, passeios e conviveram com outras crianças em tratamento, o que ajudou a reduzir o impacto psicológico. (https://www.novacultura.info/post/2026/04/28/o-amor-de-cuba-abracou-chernobyl )


* https://diariodegoias.com.br/cesio-137-cuba-tratamento-criancas-netflix/529738/

 *Coordenadora do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba.

27 de mai. de 2026

«Chegou a hora da solidariedade com Cuba, que sempre foi solidária com todos» (Bruno Rodriguez) +video

                      

Discurso do ministro das Relações Exteriores Bruno Rodríguez Parrilla no debate aberto do Conselho de Segurança sobre “A defesa dos objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas e o fortalecimento do sistema internacional centrado na ONU”, Nova York, 26 de maio de 2026.


Senhor presidente, ilustres representantes permanentes:

Valorizamos altamente a liderança da República Popular da China na defesa da paz e da segurança internacionais, no respeito ao Direito Internacional; na preservação, fortalecimento e reforma adequada da Organização das Nações Unidas, em particular a democratização, transparência e eficácia do Conselho de Segurança e o fortalecimento da Assembleia Geral; bem como na construção de uma ordem internacional multilateral, baseada na igualdade soberana, justa e democrática.

Prova disso são as iniciativas globais promovidas pelo presidente Xi Jinping, que apoiamos, para enfrentar os desafios atuais por meio de uma cooperação multilateral genuína. A convocação deste debate aberto também o evidencia.

Em 26 de setembro de 1960, na Assembleia Geral da ONU, o Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz afirmou: «Que desapareça a filosofia da espoliação, e desaparecerá a filosofia da guerra!» Recordamo-lo vividamente no ano do seu centenário.

Senhor presidente:

Como referir-se à defesa do papel central das Nações Unidas, à promoção da paz e do desenvolvimento, à salvaguarda da ordem internacional sustentada no Direito Internacional e nas normas básicas das relações internacionais, a fim de evitar novos conflitos, onde os fortes se impõem sobre os fracos; sem mencionar o genocídio contra a Palestina ou a agressão imperialista contra a República Islâmica do Irã e a guerra no Oriente Médio?

O governo dos Estados Unidos, na prática, está em uma posição de violação da paz e da segurança internacionais e de violação do Direito Internacional e do Direito Internacional Humanitário em relação à República de Cuba.

A acusação criminal contra o líder da Revolução cubana, o General do Exército Raúl Castro Ruz, é um ato moralmente infame e juridicamente arbitrário, por abuso da jurisdição dos tribunais estadunidenses, pela manipulação do local do abate dos aviões ocorrido no espaço aéreo e marítimo do território cubano; pelas missões terroristas e ilegais que estes frequentemente realizaram, em violação das leis estadunidenses, pela impunidade e cumplicidade das autoridades desse país e por desconsiderar o direito à legítima defesa dos Estados.

Trata-se de uma decisão motivada politicamente, fraudulenta e destinada a enganar os cidadãos estadunidenses e estrangeiros, 30 anos após os acontecimentos, com o vil propósito de que apoiem uma aventura militar contra Cuba para conseguir uma “mudança de regime” ou uma “construção da nação”, como agora chamam eufemisticamente.

O cerco petrolífero ou energético que os Estados Unidos impõem a Cuba equivale, em seus efeitos, a um bloqueio naval, o que constitui um ato de guerra e de genocídio que submete a população cubana a condições que ameaçam sua integridade e existência e representa uma “punição coletiva” cruel e indiscriminada que hoje causa mortes, como reflete a duplicação da taxa de mortalidade infantil, de 4,0 para 9,2 por mil nascidos vivos, ou a redução da expectativa de vida de crianças com câncer de 85% para 65%.

Uma agressão militar provocaria um banho de sangue. Milhares de cubanos morreriam defendendo a Pátria e valores e razões sagradas, e pereceriam também jovens estadunidenses, sem causa nem ideal a defender, arrastados à violência por uma política imperialista e neofascista de dominação, pilhagem e conquista.

                  


Dirijo-me, em especial, aos cidadãos estadunidenses, especialmente aos seus jovens, e apelo aos seus valores humanos, aos seus sentimentos pacifistas e nobres, e peço que busquem a verdade e não permitam que sejam enganados ou manipulados por uma camarilha elitista, corrupta e poderosa de Miami, que não representa o povo estadunidense nem os cubanos residentes neste país, os quais se opõem majoritariamente à barbárie da guerra e do bloqueio energético.

O presidente que desse essa ordem de ataque militar, o secretário de Estado e o secretário da Guerra que o instigassem a fazê-lo, passariam para a história como criminosos de guerra, autores diretos de crimes contra a humanidade. Não se pode invocar qualquer justificativa para uma agressão nem para atos coercitivos desumanos e semelhantes a essa, devido ao seu impacto humanitário. Deixem Cuba viver em paz!

Por mais de seis décadas, o governo dos Estados Unidos tem inventado pretextos para tentar justificar sua conduta criminosa.

Tem utilizado o argumento absurdo de apresentar a pequena, mas simbólica, ilha como uma suposta ameaça à segurança nacional da superpotência nuclear, ideia que desafia a lógica e o bom senso, além de se basear em afirmações e insinuações totalmente mentirosas.

Como reiterou o presidente Miguel Díaz-Canel, Cuba não é nem pode ser uma ameaça. Não é inimiga dos Estados Unidos nem quer sê-lo, apesar das diferenças significativas com seu governo. Cuba mantém laços profundos e fraternos com o povo e a cultura estadunidenses. Continuaremos a receber com cordialidade e hospitalidade os viajantes estadunidenses, mesmo que seu governo restrinja suas liberdades; e seus empresários e empresas com projetos competitivos para que participem, sem qualquer discriminação, do nosso desenvolvimento econômico, mesmo que o bloqueio o impeça.

No entanto, agora uma plutocracia corrupta e imoral invoca a lenda da incompetência e da suposta corrupção do nosso governo e o suposto perigo de uma “crise humanitária” como justificativa para uma intervenção estrangeira. Isso é dito, cinicamente, pelo próprio carrasco que, de maneira fria, maliciosa e deliberada, provoca com suas ações efeitos devastadores, como aqueles que causariam em qualquer país do mundo, independentemente de seu potencial econômico, seu nível de desenvolvimento ou a natureza de seu sistema político.

Apesar da falta de progressos e de boa vontade, da falta de seriedade e coerência por parte dos Estados Unidos, continuamos dispostos a prosseguir com as conversações; tratar dos problemas bilaterais, sem ingerência em nossos assuntos internos, nem em nosso sistema político, nem em nossas eleições; e buscar formas de comportamento civilizado e cooperação multifacetada, em particular em matéria de terrorismo, tráfico de drogas, crime transnacional organizado, migração regular e segura, tráfico de pessoas, compensações econômicas mútuas e outros.

Trata-se de uma agressão unilateral sem precedentes e sem qualquer justificativa. Por meio da intimidação e das sanções “secundárias”, aplicáveis a terceiros, o governo dos Estados Unidos pretende obrigar todos os Estados a participar, contra sua vontade, de suas políticas atrozes contra Cuba, o que não ocorrerá.

Peço à comunidade internacional que se mobilize para impedir uma catástrofe humanitária que possa se impor, seja por meio das armas, seja por meio do cerco energético e do endurecimento extremo do bloqueio, que também matam e provocam sofrimento.

Peço à América Latina e ao Caribe que ajam para preservar sua condição de Zona de Paz e evitem consequências adversas que desestabilizariam a região.

É hora de que uma ampla articulação internacional, acima de diferenças políticas, abordagens ideológicas e divergências históricas, ponha um limite e impeça os excessos que ameaçam e prejudicam os interesses nacionais, os povos e as prerrogativas soberanas de todos os Estados.

O Sul Global deveria lutar por isso e proteger-se coletivamente de qualquer represália, por meio da voz e da ação coletivas e da cooperação mútua. Peço humildemente: chegou a hora da solidariedade com Cuba, que sempre foi solidária com todos, sem nunca se deter diante de riscos, às vezes mortais; nem diante de interesses ou escassez material.

Não encontro como me referir à defesa do papel central das Nações Unidas e à promoção da Paz e do Desenvolvimento, bem como à responsabilidade primordial do Conselho de Segurança na manutenção da Paz e da Segurança Internacionais e à sua contribuição para o diálogo e a promoção de soluções políticas; sem pedir a este Conselho de Segurança que, com realismo, pelo menos tente cumprir seu mandato primordial e supremo em relação à ameaça militar e ao bloqueio energético contra Cuba; nem posso deixar de encorajar a Assembleia Geral das Nações Unidas a que, em qualquer caso, use com determinação seus amplos e decisivos poderes, sua autoridade moral, legal e democrática que lhe foram conferidos pelos povos, na situação de Cuba.

Que ninguém duvide de que, caso cheguemos a um momento que esperamos nunca ocorrer, o povo de Cuba lutará até as últimas consequências.

Pátria ou morte, venceremos!

Muito obrigado.

(Cubaminrex)

https://cubaenresumen.org/2026/05/26/ha-llegado-la-hora-de-la-solidaridad-con-cuba-que-siempre-lo-ha-sido-con-todos/


Trad/Ed e grifo: @comitecarioca


26 de mai. de 2026

O governo dos Estados Unidos criminaliza a liberdade de expressão e o direito dos cidadãos estadunidenses de viajar

                           

Declaração do Comitê Internacional «Paz, Justiça e Dignidade aos Povos» e do Capítulo Cubano da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade.

«O governo dos Estados Unidos não pode nos dizer quem são nossos amigos». Reverendo Lucius Walker

Em uma escalada fascista e grotesca que lembra a vergonha do macartismo, o Departamento de Justiça e o Tesouro dos Estados Unidos anunciaram a abertura de uma investigação contra 145 organizações sem fins lucrativos e cerca de 40 representantes e ativistas estadunidenses por denunciarem o bloqueio genocida contra Cuba, visitarem a ilha e levarem medicamentos, leite em pó, fórmulas infantis e painéis solares para hospitais.

Organizações sociais, políticas, religiosas, jurídicas, sindicais, culturais, educacionais, meios de comunicação, grupos universitários, campanhas de solidariedade à agricultura, campanhas de arrecadação de suprimentos médicos, de intercâmbio em educação e cultura, coletas públicas para ajudar o povo cubano, comboios, flotilhas, caravanas e ralis estão sob o olhar inquisitorial pelo crime de agir em solidariedade com um povo vizinho, que jamais agrediu os Estados Unidos e sofre os estragos de um bloqueio de mais de seis décadas.

Influenciadores como Hasan Piker receberam citações.

O assédio e a pressão contra organizações de base, personalidades e ativistas visam silenciar as vozes que, a partir dos Estados Unidos, se levantam contra a política fracassada, cruel e genocida do mais longo bloqueio da história.

No século XXI, o obscurantismo do atual governo supera o macarthismo do século passado e a Inquisição de séculos atrás.

Personalidades e ativistas, muitos dos quais integram a Rede em Defesa da Humanidade, são questionados se violaram a proibição de viajar a Cuba e se hospedar em hotéis incluídos em uma lista ilegal por serem 100% cubanos.

Criminaliza-se a sua presença no Comboio Nossa América, que reuniu mais de 650 pessoas solidárias de 33 países e 120 organizações de todo o mundo, lideradas por Jeremy Corbyn, Pablo Iglesias, Chris Smalls, Thiago Ávila, Michele Curto, Luciano Vasapollo, parlamentares, músicos, jornalistas, intelectuais e artistas.

Cabe perguntar se incluirão no assédio e na perseguição os congressistas do Caucus Negro, os representantes democratas, artistas como Danny Glover, Alice Walker, Susan Sarandon, James Early, Kevin Costner, Steven Spielberg, Michael Moore, Oliver Stone, pelo crime de terem viajado ao único país do mundo proibido aos estadunidenses.

Vão intimar o ex-presidente Barack Obama por ter cometido o pecado de visitar Cuba após a retomada das relações? Por ter passeado e jantado com sua família na Havana Velha? Vão intimar o assessor de Obama, Ben Rhodes? Vão intimar a equipe de beisebol americana que disputou um jogo amistoso com Cuba?

O secretário de Estado Marco Rubio desconhece algo tão elementar quanto a decência, o senso de justiça, a amizade e a solidariedade entre os povos. Ele desconhece o humanismo que move tantos como Hasan e Medea, que se multiplicam nos Estados Unidos e no mundo para fazer o bem, para que as crianças de um pequeno país vizinho, que jamais ofendeu, ameaçou ou invadiu os Estados Unidos, que não constitui um perigo para a segurança nacional dos EUA nem de nenhum país do mundo, não morram por falta de luz em uma incubadora, e um paciente crônico tenha os medicamentos que o bloqueio o impede de adquirir em Cuba.

Ignora que nenhum dos incluídos nessa investigação odiosa precisa de instruções de nenhum governo para mitigar o dano letal que o regime dos Estados Unidos causa a Cuba com o bloqueio energético; assim como a humanidade não precisa delas para se mobilizar contra o genocídio de Israel na Palestina.

Repudiamos o assédio e a perseguição aos nossos amigos, irmãos e companheiros que sempre acompanharam com imenso respeito e carinho a resistência do povo cubano e as causas justas da humanidade.

Defendemos a Cuba Socialista, seu Governo Revolucionário, o querido Presidente Díaz-Canel e o líder histórico Raúl Castro Ruz por sua vida exemplar em defesa de seu povo e sua solidariedade internacional com todos os povos do mundo.

Não conseguirão silenciar nossas vozes livres, não conseguirão deter a solidariedade e a amizade entre o povo dos Estados Unidos e de Cuba.

Não conseguirão deter nem bloquear a Solidariedade Internacional.

O secretário de Estado ignora e zomba da maioria do mundo, que, com exceção dos EUA e de Israel, exige o fim do bloqueio criminoso que já dura mais de três décadas, ano após ano, na Assembleia Geral da ONU.

Como costumava dizer em vida o reverendo Lucius Walker quando organizava as caravanas para Cuba: “O governo dos Estados Unidos não pode nos dizer quem são nossos amigos”.

Nós amamos a vida. Rejeitamos com todas as forças a guerra. Mas se Cuba for atacada militarmente, que os senhores imperialistas saibam que estaremos ao lado de Cuba para defendê-la.


                

                                  


https://cubaenresumen.org/2026/05/25/el-gobierno-de-estados-unidos-criminaliza-la-libertad-de-expresion-el-derecho-de-los-ciudadanos-estadounidenses-a-viajar/

Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos

REDH-CUBA

Trad: @comitecarioca21

24 de mai. de 2026

“Muitas pessoas no mundo estão tomando consciência da realidade do bloqueio contra Cuba”: Gerardo Hernández Nordelo, em entrevista exclusiva

                               

“Eles já admitem: estão sufocando o povo cubano para que ele saia às ruas”

O Herói da República de Cuba e coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR) concedeu uma entrevista à Cubainformación TV, na qual abordou a solidariedade internacional com a ilha, o papel dos CDR, a incorporação de jovens, as campanhas de mentiras nas redes sociais e a situação atual do bloqueio contra a ilha.

Em um extenso diálogo, Gerardo Hernández Nordelo, coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR), apresentou um panorama detalhado sobre o momento que Cuba vive, a resposta do povo diante das agressões e o papel fundamental da organização de massas na defesa da Revolução a partir dos bairros.

Agradecimento pelo Convoy “Nuestra América”

Hernández começou avaliando positivamente o recente Convoy “Nuestra América” de solidariedade com Cuba. “Nós, cubanos, nos sentimos muito gratos e muito orgulhosos”, afirmou, destacando a presença de muitos jovens ao lado de veteranos lutadores solidários, incluindo pessoas que participaram da campanha pela libertação dos Cinco Heróis.

“Havia muitas pessoas que não tínhamos visto antes, que não conhecíamos, e também jovens”, observou, interpretando esse fenômeno como um despertar da consciência internacional sobre a realidade do bloqueio.

O bloqueio: uma verdade que já ninguém esconde

Uma das declarações mais contundentes do entrevistado girou em torno do cerco econômico imposto pelos Estados Unidos. Hernández explicou que, durante décadas, os inimigos da Revolução tentaram minimizar seus efeitos dizendo que “não é contra o povo, é contra os dirigentes, é contra o regime”.

“Agora eles tiraram a máscara e reconhecem que é contra o povo e, mais ainda, reconhecem que é para que o povo se sinta sufocado, desesperado e saia às ruas para provocar uma desordem social”, denunciou.

E sentenciou: “O bloqueio existe, o bloqueio se intensificou e causa muito sofrimento ao povo de Cuba”.

Os CDR: sentinela revolucionária diante de um contexto semelhante ao de 1960

Hernández lembrou que os CDR foram fundados por Fidel Castro em 28 de setembro de 1960 e destacou que as circunstâncias atuais se assemelham perigosamente àquelas. “Sob ameaça até mesmo de agressão militar, com infiltrações e tentativas de atos terroristas, as circunstâncias se assemelham muito às da fundação”, alertou.

Embora algumas tarefas tenham evoluído — como a coleta de matérias-primas ou as doações de sangue —, a missão fundamental permanece intacta: “a defesa da Revolução a partir de nossos bairros, a defesa de nossos princípios e de nosso processo revolucionário a partir das comunidades e pelos próprios vizinhos”.

Sobre as críticas que acusam os CDR de serem uma rede de espionagem de bairro, Hernández respondeu com ironia: “Ignoram de forma muito hipócrita que em lugares como os Estados Unidos existe uma organização chamada Neighbor’s Watch”. E esclareceu: “Nossa vigilância tem a ver com pessoas que querem roubar em armazéns, assaltar, distribuir drogas ou cometer atos terroristas”.

Ele também reconheceu com honestidade que, em uma organização tão grande (cerca de 38 mil CDR em todo o país), “é possível que em algum lugar tenha ocorrido algum excesso, alguma injustiça”, mas negou categoricamente que isso caracterize o movimento.

O desafio da juventude e das novas tecnologias

Um dos maiores desafios é a incorporação dos jovens. Hernández explicou que muitos estudantes e trabalhadores sentem que não têm tempo, o que fez com que a base da liderança comunitária fosse composta por idosos. “Queremos injetar sangue jovem na organização”, afirmou.

Ele citou como exemplo o uso das redes sociais e dos grupos do WhatsApp para convocar reuniões, uma tarefa em que os jovens são indispensáveis. “Contamos com ativistas nas redes sociais em muitos CDRs que estão ajudando a organização”, destacou.

Insultos nas redes e paternidade: “Quem fica ridículo são eles”

Questionado sobre como lida com as zombarias e mentiras nas redes sociais, Hernández lembrou sua trajetória como humorista desde os 17 anos, o que lhe deu “uma paciência extra para aguentar tudo”. Ele apontou que os ataques recorrentes sobre sua paternidade — um assunto de domínio público por documentos do FBI e até mesmo declarações de Ileana Ros-Lehtinen — são ridículos.

“Quem fica ridículo ao usar isso são justamente eles, porque é algo que a maioria das pessoas sabe como se desenrolou”, afirmou.

Mensagem final à solidariedade internacional

O coordenador nacional dos CDR lançou um apelo aos amigos e amigas de Cuba no mundo: "É hora de apoiar Cuba, é hora de levantar as vozes. Não se pode subestimar os perigos destes tempos. É todo um povo — homens, mulheres e crianças — que está em perigo“.

Ele ressaltou que os cubanos e as cubanas sabem que têm problemas e que há coisas a mudar, ”mas queremos fazer isso do nosso jeito, como nós mesmos decidirmos, não porque alguém de fora venha nos impor um sistema de governo".

E lançou uma pergunta ao ar para aqueles que, de Miami, prometem um futuro próspero para a ilha: “Por que não começam construindo casas para os cubanos que vivem debaixo das pontes em Miami?”.

Concluiu com uma mensagem de confiança na preparação e na determinação do povo cubano: “Contem também com a preparação do nosso povo e com a determinação dos cubanos livres de defender nossa Revolução”.


Transcrição integral da entrevista com Gerardo Hernández Nordelo

1. Como avalia o recente Convoy “Nuestra América” de solidariedade com Cuba?

Em primeiro lugar, nós, cubanos, nos sentimos muito gratos e muito orgulhosos, considerando o momento em que vivemos, um momento de tanta importância para o nosso país. Ver quantos amigos, sem muita preparação nem preâmbulos, se fizeram presentes em nosso país para expressar solidariedade aos cubanos é realmente motivo de satisfação e orgulho.

Gostaria de pensar que não é algo ocasional, porque vimos muitos jovens nesse comboio, ao lado de pessoas experientes, conhecidas nas lutas de solidariedade com nosso país, e até mesmo pessoas que se solidarizaram durante a campanha pela libertação dos Cinco. Mas havia muitas pessoas que não tínhamos visto antes, que não conhecíamos, e também jovens. Acontece que, mesmo para os amigos, chegou um momento em que o discurso sobre o bloqueio lhes parecia um pouco exagerado; diziam: “não é um bloqueio, é um embargo”.

Na verdade, os efeitos são tão graves quanto Cuba costuma dizer. O que vem ocorrendo demonstrou a muitas pessoas no mundo, em primeiro lugar, que estávamos certos, que estivemos certos durante todos os anos em que nos queixamos dos efeitos do bloqueio, de quanta dor e sofrimento ele causa ao nosso povo. Além disso, o uso da palavra “bloqueio” não é exagerado; agora, mais do que nunca, isso ficou evidente. Acho que há muitas pessoas no mundo que estão despertando para essas realidades.

O bloqueio existe mesmo, se intensificou e causa muito sofrimento ao povo de Cuba. Os inimigos da Revolução, durante muito tempo, tentaram esconder que o bloqueio afeta nosso povo e diziam: “não é contra o povo, é contra os dirigentes, é contra o regime”. Agora, eles tiraram a máscara e reconhecem que é contra o povo e, mais ainda, reconhecem que é para que o povo se sinta sufocado, desesperado e saia às ruas para provocar desordem social. Eles já não se escondem para dizer: “sim, há bloqueio, sim, queremos sufocar o povo, sim, queremos colocar esse povo de joelhos”, algo que Cuba vem dizendo há décadas.

O bloqueio afeta o povo, não é contra o governo, é para fazer nosso povo sofrer, e agora isso está mais do que comprovado. Há muitas pessoas que tomaram consciência dessa situação, e acredito que há um fortalecimento da solidariedade, e devo dizer, não apenas lá fora, mas também internamente em nosso país. Para nós, que nascemos sob o bloqueio há gerações, às vezes a maneira de condenar o bloqueio se tornava um pouco monótona, e algumas pessoas chegavam até a duvidar novamente da história do bloqueio. No entanto, agora, com o que vem ocorrendo, muito mais pessoas em Cuba estão conscientes de que o bloqueio tem como objetivo nos colocar de joelhos, nos subjugar pela fome e pelas necessidades, e fazer com que este povo se rebele contra seu governo.

2. Que relações os CDR mantêm com a solidariedade internacional para com Cuba?

Nós, os Comitês de Defesa da Revolução, temos procurado fortalecer nossas relações internacionais. Temos relações muito boas, com todo o respeito, com organizações de outros países, mas também com a solidariedade em sentido geral. Por sermos a maior organização de massas de Cuba, com presença em todos os bairros e recantos do país, somos uma organização que se presta para que pessoas solidárias possam chegar onde houver cubanos que precisem de ajuda.

Como tal, temos trabalhado e fortalecido nossos laços com companheiros e companheiras solidários do mundo todo, e com cubanos residentes em muitos países. Como é sabido, fazemos parte do projeto “A Cuba hay que quererla”, que vem trabalhando há vários anos, desde sua fundação, na questão dos medicamentos. Ao final do “Barrio Debate”, centenas de membros do CDR do bairro Laguinera, em Arroyo Naranjo, assinaram em prol da pátria, enquanto os pioneiros homenageavam combatentes do Exército Rebelde e de Playa Girón por sua dedicação em momentos cruciais da história do país. Adán Morel, canal cubano de notícias, informou sobre o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, a falta de medicamentos para as crianças e o genocídio contra o povo palestino, e exigiu…

Portanto, há diferentes projetos que temos apoiado, diferentes iniciativas de nossos compatriotas que residem em outros países, de forma não estatal. Nossa mensagem de solidariedade com Cuba nestes momentos tão difíceis, em que é hora de levantar nossas vozes e unir esforços em apoio ao nosso povo, é que vocês podem contar com os Comitês de Defesa da Revolução para ajudar a viabilizar qualquer projeto que seja em benefício do nosso povo.

3. Que atividades os CDR realizam atualmente e quais deixaram para trás?

Como vocês sabem, os Comitês de Defesa da Revolução foram fundados por Fidel em 28 de setembro de 1960. Por muito tempo, nos últimos anos, eu mesmo costumava dizer, quando falava dessa data: “os tempos mudaram muito, as circunstâncias não são as mesmas”. No entanto, devo me corrigir, pois agora há circunstâncias muito semelhantes às daquela época.

Nestes tempos recentes, sob ameaça até mesmo de agressão militar, com infiltrações e tentativas de atos terroristas, as circunstâncias se assemelham muito às da fundação dos Comitês de Defesa da Revolução. Portanto, embora algumas das tarefas fundacionais tenham mudado, à medida que o país e o mundo foram mudando, nossa missão fundamental continua sendo a defesa da Revolução a partir de nossos bairros, a defesa de nossos princípios e de nosso processo revolucionário a partir das comunidades e pelos próprios vizinhos. A essa tarefa se somaram outras ao longo dos anos. Nossa organização está envolvida, por exemplo, com a questão das doações de sangue para ajudar voluntariamente as pessoas que precisam. Tivemos grande participação no que antes era conhecido como “coleta de matérias-primas”, hoje chamado de “recuperação de valores”. A forma de agir mudou um pouco. Temos agora ótimas relações com o grupo empresarial de recuperação conhecido como Hermoso.

Apoiamos esse trabalho de recuperação de matérias-primas. Embora sejam tarefas que durante muitos anos caracterizaram a organização, elas foram se adaptando e se modificando de acordo com as novas circunstâncias. Há tarefas que nunca mudaram nem mudarão: a defesa da nossa Revolução, a proteção dos nossos bairros, a vigilância revolucionária. Esse é um aspecto muito criticado pelos inimigos da Revolução e, especificamente, pelos inimigos dos Comitês de Defesa da Revolução.

Dizem que os Comitês são uma organização de vizinhos espionando outros vizinhos, etc., e ignoram de forma muito hipócrita que em lugares como os Estados Unidos existe uma organização chamada Neighbor's Watch, onde em qualquer bairro, sobretudo nos mais abastados, onde não é comum ver pessoas afro-americanas andando, existe essa organização e consiste precisamente em vizinhos vigiando seu bairro e, quando veem uma pessoa estranha, chamam a polícia. Nossa vigilância não tem a ver com pessoas de um bairro que não deveriam estar no seu, mas com pessoas que querem roubar nos armazéns onde está a cesta básica dos cidadãos, com pessoas que assaltam para roubar um celular, com pessoas que distribuem drogas. Esse tipo de proteção, que somos nós, os vizinhos, que devemos proporcionar a nós mesmos, é nisso que consiste nossa vigilância.

É claro que, se há pessoas que querem sabotar, cometer um ato terrorista ou agir contra a Revolução, isso também faz parte da nossa vigilância, porque se trata de defender um projeto que custou muito sacrifício para ser construído, e não vamos entregá-lo de mão beijada, vamos continuar protegendo-o. Você perguntou o que deixamos para trás: os princípios fundamentais são os mesmos; o que pode ter mudado é a forma de desenvolver nossas estratégias de acordo com os tempos, que mudaram. Mudaram os códigos para transmitir nossos interesses, para fazer um apelo ao cumprimento das missões da organização.

Tentamos nos adaptar aos novos tempos, mas as tarefas fundamentais são as mesmas; não deixamos para trás nenhuma essencial. Também posso te dizer que, ao longo de mais de sessenta anos, em uma organização que é a maior de Cuba, com presença em todas as quadras, e pensando nas coisas pelas quais se difama os CDR e com as quais se critica os cederistas, sou o primeiro a reconhecer que, em uma organização tão grande, com cerca de 38.000 CDR diferentes em todo o país, é possível que em algum lugar tenha ocorrido algum excesso, alguma injustiça, que alguma pessoa tenha excedido suas funções. Isso pode ter acontecido, como pode ocorrer com qualquer organização em qualquer lugar do mundo, mas não é, de forma alguma, o que caracteriza nossa organização nem o que deve definir uma organização comunitária como a nossa.

4. O que estão fazendo para incorporar mais jovens?

Esta é uma das missões mais importantes que temos, um dos desafios mais importantes dos Comitês de Defesa da Revolução: a incorporação de jovens. Isso se deve a vários fatores, incluindo o fato de que muitas pessoas que foram fundadoras dos CDR, que dedicaram sua vida à organização, que a amam, que assumiram uma responsabilidade em determinado momento, têm querido permanecer enquanto tiverem forças. Portanto, ainda existem em nossas fileiras fundadores, pessoas que durante toda a vida dedicaram seus esforços ao trabalho comunitário por meio de nossa organização. Mas também nos afeta o fato de que há pessoas muito revolucionárias e com um trabalho muito destacado em seus locais de trabalho; elas trabalham oito ou mais horas e, quando voltam para casa, dizem: “já cumpri minha parte por hoje, agora preciso descansar”.

Em essência, não têm tempo para começar tarefas da comunidade a essa hora. O mesmo ocorre com jovens estudantes que dizem: “estudo o dia todo na universidade ou onde quer que seja, e quando volto tenho que fazer algum seminário, estudar”, e também dizem não ter tempo para se envolver em tarefas da comunidade. E então a quem fica essa responsabilidade? Quem é essa pessoa na família que tem tempo suficiente? Pois o avô ou a avó, que em determinado momento dizem: “tudo bem, eu vou assumir a responsabilidade no CDR e o trabalho na comunidade”.

Isso levou, é um dos fatores que levou, a que nossa liderança nos quarteirões e bairros seja geralmente composta por pessoas da terceira idade ou, pelo menos, da segunda. Queremos injetar sangue novo na organização. Sentimos um enorme orgulho dos idosos que, como eu dizia, dedicaram toda uma vida ao trabalho na organização e são muito úteis; por isso defendemos a incorporação de jovens para que assumam toda essa experiência ao lado dos idosos.

É uma necessidade para os CDR que os jovens identifiquem a organização como uma trincheira a partir da qual possam contribuir para o país, para o seu bairro, para os seus vizinhos, e desenvolver toda a sua vocação organizativa e sua liderança. O trabalho comunitário que podem desenvolver por meio da nossa organização é ilimitado e, felizmente, a cada dia são mais os jovens que a identificam dessa forma e se incorporam à organização. Posso te dizer que temos pessoas muito jovens que são presidentes de CDR, que são até mesmo coordenadores de zona, e que contribuem para nossa organização. Vou te dar um exemplo: o tema das redes sociais. Quando os CDR foram fundados, elas não existiam; até pouco tempo atrás, há apenas alguns anos, eram algo completamente desconhecido.

Quem hoje domina mais esse tema são os jovens. Atualmente, há reuniões que são convocadas por meio de grupos do WhatsApp, mas, para isso, é preciso que haja alguém que ensine aos outros o que é um grupo do WhatsApp, como se lida com as redes sociais. Contamos com ativistas de redes sociais em muitos CDR que estão ajudando a organização nessa tarefa. É apenas um exemplo.

5. Ouvimos dizer que “o bloqueio contra Cuba” não existe

Eles nunca perdoaram o fato de nós, cubanos, termos feito uma revolução bem debaixo do nariz do império, e a partir daí surgiu sua tremenda perseguição, que já dura décadas. Um bloqueio tão criminoso quanto este, tão prolongado, é, creio eu, único na história da humanidade. Durante muitos anos, como já dissemos, eles afirmavam que o bloqueio não tinha nada a ver com o povo, que não era contra o povo, que era contra o regime. Mas eles já se desmascararam, essa mentira não tinha pernas para andar.

Agora tiveram que reconhecer, em parte e entre aspas, graças ao presidente dos Estados Unidos, que não tem papas na língua quando fala de suas pretensões, não é nada diplomático nem as esconde. Aquelas pessoas, inclusive de origem cubana, que tinham um pouco de vergonha e não queriam reconhecer que se aliavam a interesses estrangeiros para agir contra seu povo, que não queriam reconhecer que tentavam matar seu povo de fome e privações, que não queriam reconhecer que a falta de medicamentos de seu povo se devia em grande parte à sua atitude, essas pessoas, seguindo a linha traçada por seus senhores, hoje reconheceram que sim, que o bloqueio serve para estrangulá-los, para sufocá-los e para que vocês façam algo e saiam às ruas contra o seu governo. Já dizem isso abertamente. É muito triste que pessoas de origem cubana ataquem dessa maneira o seu país e tenham a descarada ousadia de pedir até mesmo uma agressão militar contra ele, quando sabem que isso vai custar a vida de pessoas, possivelmente até de crianças.

6. Como você lida com os insultos e mentiras nas redes sociais?

É curioso porque eles têm um trabalho um pouco complicado comigo nesse sentido. Eu, desde os 17 anos, sou humorista, entrei no mundo do humor, e os humoristas precisam ter uma paciência extra para, como dizemos nós, cubanos, “aguentar o tranco” ou suportar as provocações. Portanto, as provocações não me afetam pessoalmente, e principalmente quando eles são tão pouco inteligentes a ponto de escolherem para zombar de algo que todo mundo conhece.

A questão da minha paternidade está registrada em documentários, em documentos do FBI, em declarações da sua querida Ileana Ross. Enfim, isso é de conhecimento público. Quem quiser saber como isso aconteceu só precisa verificar. A maneira como isso ocorreu foi realmente um golpe para eles, para aqueles que queriam que eu ainda estivesse na prisão, para aqueles que querem criar desentendimentos constantemente entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos, que negociaram pelas costas deles, e isso os magoa muito; por isso, eles pegaram nesse assunto para fazer piadas.

Mas quem fica ridículo ao usar isso são justamente eles, porque é algo que a maioria das pessoas sabe como se desenrolou. Quanto à organização, também é fruto de campanhas de zombaria e desinformação.

7. O que você diria a tantos amigos e amigas de Cuba neste momento?

Eu diria que em Cuba levamos muito a sério os perigos destes tempos. Nós, cubanos, não deixamos de nos preparar. Até mesmo os inimigos da Revolução, tão servos e tão subservientes, zombam de seu povo quando sai uma reportagem na televisão mostrando como o povo se prepara para defender a pátria. O que se pode esperar de pessoas que se dizem martinianas e que dizem seguir as ideias de Martí, mas agem contra seu próprio povo em função dos interesses de um império como o dos Estados Unidos?

Não se pode esperar nada deles. Aos nossos amigos diríamos: é hora de apoiar Cuba, é hora de levantar a voz. Não se pode subestimar os perigos destes tempos. É todo um povo, é a segurança de todo um povo — homens, mulheres e crianças — que está em perigo. É um povo que resistiu a muitos problemas, a muitas carências, e que está disposto, em sua maioria, a defender a revolução. Porque nós, cubanos, sabemos que temos problemas, sabemos que há coisas que devem ser mudadas, mas queremos fazê-lo à nossa maneira, como nós mesmos decidirmos, não porque alguém de fora venha nos impor um sistema de governo ou condições. As pessoas percebem que muitos daqueles que, dos Estados Unidos, prometem que, quando chegarem ao poder em Cuba, construirão casas para todo mundo e que Cuba será próspera…

Por que não começam construindo casas para os cubanos que vivem debaixo das pontes em Miami? Por que não começam resolvendo os problemas de tantas pessoas que passam por dificuldades lá, que também são cubanas?

Parece-me uma grande hipocrisia que estejam prometendo ao nosso povo vilas e castelos quando sabem que são coisas que não poderão cumprir, e que, assim que conseguirem seus interesses, o que farão será explorar, como estão acostumados, e submeter o país aos interesses dos Estados Unidos.

Em resumo, eu diria aos nossos irmãos que é hora de levantar suas vozes por Cuba, que nós, cubanos, agradecemos a solidariedade com que sempre nos acompanharam, e que este é um momento de perigos, mas que também contem com a preparação do nosso povo e com a determinação dos cubanos livres de defender nossa Revolução.

                            

José Manzaneda

Coordenador da Cubainformación   

www.cubainformacion.tv

Trad/Ed: @comitecarioca21

                

21 de mai. de 2026

DECLARAÇÃO DO COMITÊ INTERNACIONAL PAZ, JUSTIÇA E DIGNIDADE AOS POVOS

                             

O Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos rejeita e condena a escalada de agressões do governo dos EUA contra Cuba.

Neste dia 20 de maio, 131 anos após a morte em combate de José Martí, a máfia de Miami, liderada por congressistas anticubanos, apresentou uma acusação contra o General do Exército Raúl Castro Ruz por um ato de legítima defesa ocorrido em 24 de fevereiro de 1996.

Naquele dia, três aeronaves da organização terrorista Hermanos al Rescate (HAR), liderada pelo criminoso José Basulto, violaram pela 26ª vez o espaço aéreo cubano.

Durante dois anos, de 1994 a 1996, em pleno período especial, a HAR realizou múltiplas incursões aéreas. Repetidamente, por vinte e cinco vezes, realizaram voos sobre as cidades de Havana e Matanzas. Cada voo era uma provocação e cada provocação colocava em risco a segurança nacional de Cuba, seus habitantes e o corredor aéreo nacional e internacional. Os aviões da HAR lançavam panfletos contrarrevolucionários, folhetos que incitavam à sedição ou pesticidas para destruir as plantações. Voavam a baixa altitude para burlar os radares, mas podiam ser vistos do Malecón.

Cada incursão ilegal foi denunciada pelo governo cubano ao governo dos EUA e aos organismos internacionais de aviação. Fidel deixou claro que não haveria mais tolerância a agressões ao espaço aéreo, marítimo e terrestre de Cuba.

Em 24 de fevereiro de 1996, a Força Aérea cubana advertiu os terroristas da HAR para que recuassem e não invadissem o espaço aéreo cubano.

O chefe Basulto ordenou que os dois aviões continuassem, mas, covardemente, deu meia-volta e voltou para Miami. Os dois aviões foram abatidos, caindo em águas marítimas cubanas.

Os Estados Unidos ocultaram por 30 anos as imagens de satélite que comprovam que os aviões violaram o espaço aéreo e caíram em águas marítimas cubanas.

Um único testemunho, do proprietário de um iate de luxo, intimamente ligado à sinistra Fundação Nacional Cubano-Americana de Miami, afirmou que o abate ocorreu em águas internacionais.

Nós, que participamos da campanha internacional pela liberdade dos Cinco Patriotas Cubanos, tomamos conhecimento detalhado ao analisar a falta de provas da acusação.

O único responsável por aquele lúgubre fato de legítima defesa foi o governo dos Estados Unidos, que permitiu e permite a impunidade de grupos terroristas como o Hermanos al Rescate, que, por trás da fachada de seu nome, se dedicava ao tráfico de drogas, a atentados terroristas, ao contrabando e ao tráfico ilegal de migrantes.

Os Estados Unidos mentem descaradamente e manipulam os fatos, carecem de qualquer base jurídica e realizaram esse espetáculo vergonhoso para continuar aumentando a pressão a limites desumanos que provoquem uma explosão interna ou justifiquem uma agressão militar.

Raúl, o do Moncada, o do Granma, o jovem da Sierra Maestra e da vitória resplandecente de 1º de janeiro, é a força do povo uniformizado e do povo comum. Raúl brilhou como Comandante guerrilheiro à frente da II Frente Oriental. Como estadista, conseguiu os Acordos de Paz na Colômbia e a retomada das relações com os Estados Unidos. Conquistou o respeito de todo o mundo.

Seu humanismo, sua ética, seu exemplo de vida militante, sua fidelidade a Fidel, ao ideário de Martí e ao seu povo fizeram com que ele entrasse, aos 95 anos, na alma da história de Cuba. Quem se atrever a querer sequestrar a história perecerá nela.

Fazemos nossa a Declaração do Governo Revolucionário Cubano, convocamos a solidariedade internacional a se mobilizar em todo o mundo para evitar a guerra e a agressão militar dos Estados Unidos contra Cuba.

Cuba não ameaça, não ofende nem invade ninguém; Cuba quer que a deixem viver em paz, sem bloqueio nem sanções, mas se for atacada, se defenderá. Com ela e ao seu lado, na linha de frente estará a solidariedade internacional.

Diante da agressão imperial no Centenário de Fidel, dizemos mais alto do que nunca:

Não ao imperialismo! Não ao fascismo!

Viva a Revolução!

Viva Fidel e Raúl!

Havana, 20 de maio de 2026   


https://cubaenresumen.org/2026/05/21/comite-internacional-paz-justicia-y-dignidad-a-los-pueblos-rechaza-y-condena-la-escalada-de-agresiones-del-gobierno-de-ee-uu-contra-cuba/