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12 de out. de 2020

AS CRIANÇAS DE CHERNOBYL


A atenção gratuita à saúde que Cuba presenteia a outros povos não é novidade e é um dos princípios da Revolução Cubana, a solidariedade internacionalista. 
Portanto, também não é uma novidade a campanha mundial ao Prêmio Nobel da Paz para a brigada médica cubana, nem ela acontece em função da pandemia que o mundo enfrenta com a Covid-19.  Tampouco essa solidariedade surge com a criação do Contingente Internacionalista de Médicos Especializados no Enfrentamento de Desastres e Graves Epidemias Henry Reeve  (Brigada Henry Reeve) criada em 2005 pelo Comandante Fidel Castro. Ela é anterior.

       Dentre os fatos mais marcantes dessa solidariedade internacional um desafio que Cuba aceitou e cumpriu foi marcante: o  caso de  uma tragédia explorada recentemente em uma TV a cabo  no filme "O tradutor" assim como uma mini série  (Chernobyl) que conta parte da história do maior desastre nuclear da história da humanidade. 

     Em 26 de abril de 1986 um reator da Usina Nuclear de Chernobyl explodiu, contaminando com radiação uma área de 130 Km2 com 7 milhões de habitantes soviéticos (território que abrangia parte da Ucrânia, da Rússia e da Bielorússia). 
       Em 1989 (3 anos depois) a Ucrânia pediu ajuda internacional para as crianças vítimas da tragédia. Cuba foi o único país que respondeu ao pedido e acolheu as crianças (isso faz lembrar o pedido da Itália na Covid neste ano de 2020....). De 1990 a 2011 o país recebeu e tratou mais de 25 mil "Crianças de Chernobyl" . O primeiro voo com 139 crianças com problemas onco-hematológicos chegou a Havana em 1990 sendo recebidas pelo próprio Fidel no aeroporto, veja aqui: 


https://www.youtube.com/watch?v=0NUteTIUisM&ab_channel=Nossa%C3%89poca


      Essas crianças foram levadas inicialmente para dois hospitais pediátricos em Havana e depois para um alojamento localizado na região praiana de  Tarará. A região havia sido urbanizada nos anos 1950 pela ditadura de Batista, com a construção de um resort para atender à burguesia cubana da época e turistas estadunidenses . Ali  foi o lugar indicado pelo governo cubano para instalar o alojamento, uma vez que as acomodações,  o mar, o sol e o clima favoreciam o tratamento das crianças. 
                                                           
                                                                     
                                            Veja mais: http://pt.granma.cu/cuba/2019-06-20/o-amor-de-cuba-abracou-chernobyl

Importante contextualizar que no período em que Cuba decide acolher as vítimas de Chernobyl é o mesmo do início do conhecido Período Especial, época da maior crise econômica enfrentada por Cuba pela queda do bloco socialista em 1989, véspera da dissolução da parceira União Soviética e pelo acirramento do bloqueio instaurado pelo governo estadunidense contra o país. 



     

      Apesar de todos esses reveses - que não eram poucos - Cuba sozinha tratou mais crianças de Chernobyl do que o resto de todos os países do mundo. Essa é a parte da história que os filmes, séries e mídia não contam. A parte que falta contar.

        Nas palavras da médica ucraniana Elena Topka  no alojamento de Tarará: " Nenhum país nos ajudou como Cuba."

     Aqui mais uma ressalva importante que diz respeito ao Brasil diretamente: em setembro de 1987 o Brasil protagonizou  o maior acidente radiológico de todos os tempos, o Pesadelo de Goiânia com o Césio 137.  Em 1992 Cuba recebeu e acolheu 53 vítimas afetadas pelo material radioativo para tratamento totalmente gratuito, assim como com as crianças de Chernobyl. 

 Mais informações: https://solidariedadecubarj.blogspot.com/2019/07/a-historia-esquecida-do-acidente-de.html  










        Aqui um trecho de um lindo texto do companheiro Fernando Mousinho sobre o assunto : 

               Uma solidariedade internacionalista, mas também uma demonstração de que, no socialismo, a vida humana não é mercadoria. Uma solidariedade por todos sentida, mas que, só o amor de mãe é capaz de sintetizá-la tão bem.

Portanto, a ‘Carta das Mães de Chernobil’ à Organização Mundial de Saúde, à Organização Panamericana de Saúde e à opinião pública internacional, é um testemunho da pujança da revolução cubana em todos os sentidos. Diz o texto na íntegra:

 “Cumprimos o sagrado dever de agradecer e reconhecer às crianças cubanas, seus pioneiros, ao Ministério e trabalhadores da saúde, ao pensador e arquiteto da saúde mundial, o presidente Fidel Castro, e ao seu povo, por serem capazes de transformar os sonhos em realidade, o sofrimento e o egoísmo humano em fraternal serviço para enfrentar, junto a outros povos do mundo, a crua realidade das catástrofes a que a humanidade periodicamente está submetida”.

       Tudo que Cuba faz pelo seu povo e por outros povos não faz para ganhar nada a não ser o sentimento de seguir o princípio da solidariedade internacionalista da Revolução Cubana, do dever cumprido com a humanidade. como comprovam as  palavras do Cônsul Sérgio Lopez na época: 

“Fidel me disse: Não quero que você vá à imprensa ou que a imprensa vá ao consulado. Este é um dever elementar que estamos fazendo com o povo soviético, com uma cidade irmã. Nós não estamos fazendo isso por publicidade”.

         Por último, cumpre acrescentar um dado importante: Cuba faz tudo isso mesmo tendo grandes problemas econômicos e financeiros. É um país pequeno, pobre, com poucos recursos naturais e não bastasse essa realidade, outra mais criminosa se abate sobre a ilha: um bloqueio genocida, criminoso e cruel que os governos dos EUA insistem em impor ao povo cubano. Um bloqueio absolutamente irracional, sem motivação, sem finalidade a não ser a de tentar fazer com que os cubanos se dobrem, se submetam a seus desígnios e se voltem contra seu próprio governo e sistema social. Isso não vai ocorrer, já está mais do que provado, mas a obsessão os faz continuar asfixiando toda uma população.  Por isso mesmo a solidariedade internacional a Cuba reitera a cada momento:

O bloqueio continua ? A solidariedade também. 

#NoMasBloqueo     #BastaDeBloqueio   #SeguimosJuntos!! 


Participe da Campanha pelo Prêmio Nobel da Paz à Brigada Cubana

www.cubanobel.org/assine_a_peticao


Grupo cubano de crianças e jovens Abrakadabra em mensagem de amor, paz e humanidade no Dia das Crianças:












29 de mar. de 2022

Há 32 anos as crianças de Chernobyl chegavam a Cuba #CubaEsSolidaria


Havana, 29 de março (ACN) Nesta terça-feira, a chegada a Cuba das primeiras crianças vítimas do acidente nuclear de Chernobyl, que ocorreu há 32 anos foi descrita hoje pelo Primeiro Ministro cubano Manuel Marrero Cruz como uma grande demonstração de solidariedade.

Em sua conta oficial no Twitter, Marrero Cruz lembrou que naquele dia, em 1990, as crianças foram recebidas pelo Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz.

Ele também relembrou que, entre 1990 e 2016, mais de 26.000 pessoas afetadas foram atendidas no país.

"Há 32 anos, as primeiras crianças vítimas do acidente nuclear de #Chernobyl foram recebidas por #FidelCastro, uma grande demonstração de solidariedade de nosso país, onde mais de 26.000 pessoas afetadas foram tratadas entre 1990 e 2016.#CubaEsSolidaria", ele postou.

                                      


No balneário de Tarará, as crianças vítimas da radiação na Ucrânia, Rússia e Bielorússia foram tratadas.

Por mais de 19 anos, Cuba desenvolveu um programa abrangente de atendimento às vítimas do desastre nuclear, sendo o único país a organizar um programa de saúde abrangente, massivo e gratuito para o atendimento das crianças afetadas pelo acidente de Chernobyl.

http://www.acn.cu/mundo/92504-recuerdan-llegada-de-los-ninos-de-chernobil-a-cuba-hace-32-anos

Tradução: Carmen Diniz/ Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 


Mais com vídeo: https://solidariedadecubarj.blogspot.com/2020/10/as-criancas-de-chernobyl.html

                    


2 de mai. de 2016

CHERNOBYL: CUBA JÁ DEU TRATAMENTO PARA 24 MIL CRIANÇAS AFETADAS PELO MAIOR ACIDENTE NUCLEAR DA HISTÓRIA

#‎FIMDOBLOQUEIO‬ 

Parque abandonado  de Chernobyl (à esquerda);
crianças em tratamento e bandeira de Cuba (à direita)
Cuba atualmente oferece tratamento médico para 800 crianças da Ucrânia, Rússia e Belarus afetadas pelo acidente nuclear de Chernobyl, que ocorreu em 26 de abril de 1986 e considerado o mais grave da história. 

Cuba foi uma das primeiras nações a ajudar as vítimas, na sua maioria crianças. 

O médico cubano, Julio Medina, coordenador do programa solidário cubano, informou que até à data, Cuba já atendeu cerca de 24.000 crianças. 

De acordo com a Telesur, a maioria dos pacientes recebem tratamentos por períodos de 45 dias, mas alguns chegam a ficar um ano em cuba, num local que foi adaptado como um semi-hospital para as vítimas do acidente nuclear. Muitas crianças de Chernobyl sofrem de câncer de tireoide, leucemia, atrofia muscular, distúrbios psicológicos, neurológicos e alopécia. 
 
Crianças vítimas do acidente em tratamento na ilha
O acidente de Chernobyl, como é conhecido o desastre ambiental na usina nuclear de Vladimir Ilyich Lenin, é considerado ao lado de Fukushima, no Japão, como o mais grave na escala Internacional de eventos nucleares. 
 

Com informações de Prensa Latina e Cubadebate.


29 de mai. de 2026

ESSA É A PARTE DA HISTÓRIA QUE OS FILMES, SÉRIES E MÍDIA NÃO VÃO TE CONTAR.

       Crianças de Goiania vítimas do Césio-137 foram levadas a Cuba para tratamento após o acidente


    Carmen Diniz*

        Uma produção real, bem feita e bem dirigida, o seriado com 5 episódios da Netflix chamado Emergência Radioativa traz uma história dramática, um acidente evitável assim como as consequências terríveis do descaso coletivo. Até hoje é lembrado como o que foi na realidade: o pior acidente radioativo da história fora de uma instalação nuclear. 

     Em 1987, dois moradores da cidade de Goiânia retiraram de uma clínica radiológica desativada e abandonada há anos um objeto pesado, de chumbo, levando-o a um ferro-velho local. O objeto, um cilindro encontrado dentro de um recipiente de chumbo, começa a vazar um pó azul: o Césio-137, substância altamente contaminante de radioatividade.

     Pessoas encantadas com a cor e o brilho da substância passaram a manipular o pó sem saber o perigo que aquilo representava. Enfim, uma tragédia para os moradores da cidade que, com medo, passaram a discriminar quem tivesse ou não a mais leve suspeita de carregar no corpo o problema. O medo e a insegurança se instauraram no local.

   A história é realmente muito bem contada na série.

   Somente uma parte se suprimiu, infelizmente: a participação do sistema de saúde cubano no caso. Até por uma razão de reconhecimento por parte do nosso país, omitir o atendimento de Cuba se mostra uma falha sem sentido, até porque a série mostra médicos russos no atendimento aos contaminados em Goiânia. Dessa forma, aqui fazemos, por uma questão de justiça e mérito, um adendo importante à série.

                                          

Fidel recebe as crianças em Cuba.

             Um ano antes do acidente no Brasil, aconteceu o maior acidente nuclear mundial na usina de Chernobyl, na Ucrânia em 1986. Muito mais grave – por se tratar de uma explosão em um reator nuclear – Cuba se ofereceu e recebeu mais de 20 mil crianças ucranianas para tratamento na Ilha em 1990. (https://solidariedadecubarj.blogspot.com/search?q=chernobyl ) Sem contar com experiência em radioatividade, trouxe cientistas de outros países para auxiliar nos tratamentos. Assim foi criado um programa de saúde absolutamente gratuito: “um exemplo do que pode fazer um povo que, sem ter grandes riquezas materiais, tem a grande riqueza espiritual de haver-se educado na solidariedade", disse o ministro de Saúde cubano, José Ramón Balaguer na ocasião. Cuba sozinha tratou mais crianças de Chernobyl do que o resto de todos os países do mundo.

    É exatamente com base na solidariedade que dois anos depois, em 1992 na ECO92 realizada no Brasil que o Comandante Fidel Castro, informado da situação em Goiânia, abre novamente as portas de Cuba para receber as vítimas da radiação pelo Césio-137.

 Naquele mesmo ano recebeu um grupo de 50 brasileiros (34 crianças e 16 adultos pais ou responsáveis).

   As crianças foram hospedadas em Tarará, um balneário de praia perto de Havana que tinha sido uma espécie de resort/condomínio à beira mar para turistas endinheirados e que a Revolução Cubana transformou em uma espécie de colônia de férias para os pioneiros (crianças cubanas). Ali as 34 crianças brasileiras se somaram às crianças ucranianas afetadas pelo acidente nuclear de Chernobyl.

                                                       


Durante a estadia, as crianças passaram por uma bateria de exames médicos, incluindo avaliações hematológicas, radiológicas e exames de medula óssea. Ao todo, centenas de procedimentos foram realizados. Além do acompanhamento clínico, os pacientes receberam vacinas, tratamentos odontológicos e intervenções cirúrgicas de menor complexidade. Também houve suporte psicológico, considerado essencial diante dos impactos emocionais causados pelo acidente.

   Sobreviventes relatam que a experiência em Cuba foi marcada por acolhimento e estrutura adequada, contrastando com o cenário vivido no Brasil após o acidente. *

    Em Goiânia, muitas vítimas enfrentaram isolamento social, discriminação e perdas materiais, já que bens contaminados precisaram ser descartados. Estudos da Universidade Federal de Goiás apontam que esses fatores tiveram impacto significativo na saúde mental dos atingidos.

    Já em Cuba, os pacientes participaram de atividades recreativas, passeios e conviveram com outras crianças em tratamento, o que ajudou a reduzir o impacto psicológico. (https://www.novacultura.info/post/2026/04/28/o-amor-de-cuba-abracou-chernobyl )


* https://diariodegoias.com.br/cesio-137-cuba-tratamento-criancas-netflix/529738/

 *Coordenadora do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba.

16 de dez. de 2025

AINDA SOBRE A VOTAÇÃO DA ONU CONTRA O BLOQUEIO CRIMINOSO. (port/esp)

                         
Carmen Diniz

Prezada Ucrânia,

      Primeiramente desejar o fim do conflito em sua terra, quem sabe com você desistindo deste maldito ingresso na OTAN, base de todo o problema criado, que violou acordo realizado e que só atinge a população: o Ocidente descumpriu a promessa feita após o fim da Guerra Fria (1947-1989) de que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não iria se expandir para o Leste Europeu.

     Se sabe que atualmente você, Ucrânia, suporta uma presidência totalmente reacionária e absolutamente submissa ao governo estadunidense. No Brasil também passamos por isso. Passamos. Passado. Você também vai superar.

     Por isso - e sabendo que países não possuem solidariedade, somente interesses – é que nos dirigimos a você, para, quem sabe, em acordo com as suas leis, se reavalie  sua posição na última Assembleia Geral das Nações Unidas em outubro do presente ano para que tal fato não volte a acontecer. Os países definitivamente não têm sentimentos, mas sim ética e princípios, quase sempre inseridos em suas leis e constituições nacionais.  

    Estamos nos referindo à Resolução 79/7 que pela 33° vez foi apresentada àquela AGNU com o pedido para que se encerre o fim do bloqueio econômico, financeiro e comercial imposto a Cuba há mais de seis décadas pelos diversos governos estadunidenses.  A quase unanimidade dos países associados tem votado pelo fim desta medida que castiga severamente a população cubana, não havendo nenhum argumento que a mantenha.

    Este ano de 2025 nos surpreendemos com sua mudança de atitude e voto na AGNU e foi bem difícil de aceitar. Explicamos o porquê e já alertamos sobre o principal motivo desta irresignação:

    Em 1986 acompanhamos com dor na alma a tragédia da explosão do reator da Usina Nuclear de Chernobyl. Em 1989 (3 anos depois) a Ucrânia pediu ajuda internacional para as crianças vítimas da tragédia. Cuba foi o único país que respondeu ao pedido e acolheu as crianças. Importante contextualizar que no período em que Cuba decide acolher as vítimas de Chernobyl é o mesmo do início do conhecido Período Especial, época da maior crise econômica enfrentada por Cuba pela queda do bloco socialista em 1989, véspera da dissolução da parceira União Soviética e pelo acirramento do bloqueio instaurado pelo governo estadunidense contra o país. Mesmo assim, o país recebeu mais de 25 mil crianças para tratamento na Ilha. E cuidou. Curou. O governo cubano teve que contar com médicos de diferentes lugares, porque não havia experiência na saúde local sobre radiação e radioatividade. (https://solidariedadecubarj.blogspot.com/2020/10/as-criancas-de-chernobyl.html) +vídeo.

    Relatamos tudo isso aqui porque não há como aceitar que um país como você Ucrânia, tenha esquecido esse episódio tão marcante. Sua submissão ao governo estadunidense tem que ter um limite ! Países têm interesses, verdade, mas existe uma figura política que se chama SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL. E acredite, ela existe e a vemos constantemente funcionando, apesar de muitos países a desconsiderarem. Ou os meios de comunicação não divulgarem.

    Apesar de tais omissões, não há como se ocultar à humanidade a solidariedade internacionalista que Cuba, esse país tão pequeno e com tão poucos recursos naturais que atende tantos outros povos pelo mundo.  

                         

 "Aqui cabem mais crianças, podem vir"

   Prezada Ucrânia, sentimos muito também porque testemunhamos que o governo que sustentou e incitou seu conflito com a Rússia e que a protegia, financiava e armava, se afasta claramente de você e a rechaça radicalmente só permanecendo seu interesse em seus recursos que sim, vão conseguir. Sem nenhum pudor. Dessa forma, nem OTAN, nem "terras raras" vão lhe sobrar. O império decadente de tudo se apropria, demonstrando desprezo pelos demais países. Sentimos muito. E sabemos que há tempo hábil de mudar de rumo.

      É, porém, inevitável lembrar de um grande revolucionário que em uma frase definiu como lidar com essas forças – e que segue sendo absolutamente atual:

“Não se pode confiar no imperialismo, nem um tantinho assim, nada! ”

    Assim sendo, respeitosamente, nos dirigimos a você para que consiga reconhecer o erro cometido e consertar o rumo desta sua política internacional. Que você possa estar junto à maioria dos países que não aceita um bloqueio criminoso que atinge a população cubana de forma avassaladora.  Venha ao bom combate.

     O Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba saúda seu povo e a espera de braços abertos, como o nosso Cristo Redentor.  

                                  VENCEREMOS !!!     

         


Estimada Ucrania:

En primer lugar, deseo que termine el conflicto en tu país, quizá si renuncias a esa maldita adhesión a la OTAN, origen de todo el problema, que violó el acuerdo alcanzado y que solo afecta a la población: Occidente incumplió la promesa hecha tras el fin de la Guerra Fría (1947-1989) de que la Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN) no se expandiría hacia Europa del Este.

Es sabido que actualmente Ucrania soporta una presidencia totalmente reaccionaria y absolutamente sumisa al gobierno estadounidense. En Brasil también pasamos por eso. Lo superamos. Es pasado. Ustedes también lo superarán.

    Por eso, y sabiendo que los países no tienen solidaridad, solo intereses, nos dirigimos a ti para que, tal vez, de acuerdo con tus leyes, reevalúes tu posición en la última Asamblea General de las Naciones Unidas en octubre de este año para que tal hecho no vuelva a suceder.

 Los países definitivamente no tienen sentimientos, pero sí ética y principios, casi siempre insertados en sus leyes y constituciones nacionales. Nos referimos a la Resolución 79/7, que por 33ª vez fue presentada a esa AGNU con la solicitud de que se ponga fin al bloqueo económico, financiero y comercial impuesto a Cuba desde hace más de seis décadas por los distintos gobiernos estadounidenses. 

     La casi unanimidad de los países miembros ha votado a favor del fin de esta medida que castiga severamente a la población cubana, sin que haya ningún argumento que la mantenga.

   Este año 2025 nos ha sorprendido su cambio de actitud y voto en la AGNU y ha sido muy difícil de aceptar Explicamos el porqué y ya hemos advertido sobre la principal razón de esta insatisfacción:

En 1986 seguimos con dolor en el alma la tragedia de la explosión del reactor de la central nuclear de Chernóbil. En 1989 (tres años después) Ucrania pidió ayuda internacional para los niños víctimas de la tragedia. Cuba fue el único país que respondió a la petición y acogió a los niños. Es importante contextualizar que el período en el que Cuba decide acoger a las víctimas de Chernóbil es el mismo en el que comienza el conocido Período Especial, época de la mayor crisis económica que enfrentó Cuba por la caída del bloque socialista en 1989, víspera de la disolución de la Unión Soviética y por el recrudecimiento del bloqueo impuesto por el gobierno estadounidense contra el país. Aun así, el país acogió a más de 25 000 niños para que recibieran tratamiento en la isla. Y los cuidó. Los curó. El gobierno cubano tuvo que contar con médicos de diferentes lugares, porque no había experiencia en salud local sobre radiación y radioactividad. (https://solidariedadecubarj.blogspot.com/2020/10/as-criancas-de-chernobyl.html) +vídeo.

Relatamos todo esto aquí porque no podemos aceptar que un país como el suyo, Ucrania, haya olvidado este episodio tan significativo. ¡Su sumisión al gobierno estadounidense tiene que tener un límite! Es cierto que los países tienen intereses, pero existe una figura política que se llama SOLIDARIDAD INTERNACIONAL. Y créanme, existe y la vemos funcionar constantemente, a pesar de que muchos países la descarten. O los medios de comunicación no lo difunden.

A pesar de tales omisiones, no hay forma de se ocultar a la humanidad la solidaridad internacionalista que Cuba, ese país tan pequeño y con tan pocos recursos naturales, brinda a tantos otros pueblos del mundo.

Querida Ucrania, también lo sentimos mucho porque somos testigos de que el gobierno que sostuvo e incitó su conflicto con Rusia y que la protegía, financiaba y armaba, se aleja claramente de ti y te rechaza radicalmente, manteniendo solo su interés en tus recursos, que sí, conseguirán. Sin ningún pudor. De esta manera, ni la OTAN ni las tierras raras le quedarán. El imperio decadente se apropia de todo, mostrando desprecio por los demás países. Lo sentimos mucho. Pero sabemos que aún hay tiempo para cambiar de rumbo.

Sin embargo, es inevitable recordar a un gran revolucionario que definió en una frase cómo lidiar con estas fuerzas, y que sigue siendo absolutamente actual: 

«No se puede confiar en el imperialismo, ni un tantico así, ¡nada! »

Por lo tanto, respetuosamente, nos dirigimos a usted para que reconozca el error cometido y corrija el rumbo de su política internacional. Que pueda estar junto a la mayoría de los países que no aceptan un bloqueo criminal que afecta de manera devastadora a la población cubana. Venga a la buena batalla.

El Comité Carioca de Solidaridad con Cuba saluda a su pueblo y la espera con los brazos abiertos, como nuestro Cristo Redentor.

¡VENCEREMOS!





30 de jun. de 2021

A VOTAÇÃO NA ONU E O BLOQUEIO CONTRA CUBA: O MUNDO DISSE NÃO. ENTÃO ACABOU O BLOQUEIO ?

   Por Carmen Diniz*

      Na última quarta-feira (23/06) o mundo mais uma vez declarou em alto e bom som na Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) :  NÃO AO BLOQUEIO A CUBA.  Pela 29º vez, desde 1992, a quase unanimidade do países membros das Nações Unidas votou pelo fim do bloqueio que os EUA impõem a Cuba há seis décadas. A Organizaçao das Nações Unidas (ONU) conta com 193 países e se 184 países votam a favor de uma Resolução apresentada por um país, somente dois votam contra e três se abstém,  isso teoricamente significa que o bloqueio foi eliminado, certo? Infelizmente não é assim que funciona a AGNU. Embora devesse ser.

     O fato é que o resultado de uma  votação na AGNU tem caráter de recomendação, sem obrigatoriedade, não há previsão de sanção pelo seu não cumprimento. O governo dos EUA ignora solenemente a vontade de 97% dos países, se isola e não cumpre o que o mundo condena.  Não se trata do poder de veto que possuem no Conselho de Segurança (não há essa figura na AG) que impediria o cumprimento, mas também  é fato que a posição dos EUA conta e muito. Basta que se imagine os papéis invertidos e qual seria o resultado.   Por esse e outros motivos muitos países discutem a ‘refundação’ da ONU nesta atual configuração mundial da geopolítica e qual sua importância – e de que democracia se trata em seu âmbito.

                      

        Desde 1992 os países condenam o bloqueio e este ano quando o  atual presidente Biden prometera reverter as medidas desumanas que Trump havia imposto a Cuba, os EUA  pronunciam um voto extremamente hipócrita e mentiroso com a clara finalidade de manter o bloqueio ao povo cubano. Em 2016 pela primeira vez EUA se absteve . Biden era vice de Obama na ocasião e não houve nenhum voto contra Cuba então. Neste ano de 2021 ficou assim :

      A favor do bloqueio, como sempre, EUA e Israel (seu aliado no Oriente Médio). Nenhuma novidade, são os únicos que votam dessa forma desde 1994.  Em sua quase unanimidade, 184 países condenaram o bloqueio e foram 3 abstenções : Colômbia, Ucrânia e Brasil.** :

      O governo da  Colômbia causou decepção pelo fato de Cuba ter sediado e incentivado representantes do governo colombiano e oposição  em um acordo de paz sustentado por 4 anos em Havana ( http://www.ihu.unisinos.br/185-noticias/noticias-2016/559309-governo-da-colombia-e-farc-fecham-historico-acordo-de-paz-em-havana).

     O governo da Ucrânia demonstrou seu desdém por uma das maiores demonstrações de solidariedade que o mundo já testemunhou : o apoio do governo de Cuba ao tratamento às Crianças de Chernobyl vítimas do desastre na usina nuclear ucraniana (https://solidariedadecubarj.blogspot.com/2020/10/as-criancas-de-chernobyl.html ).

     O governo do Brasil que em 2019 votou contra Cuba em uma atitude totalmente contrária a todas as suas votações, à sua tradição, à tradição de nossas relações diplomáticas e contra sua própria Constituição, desta vez se absteve. Decepciona esse voto também vergonhoso em “retribuição” ao Programa Mais Médicos que tantas vidas salvou nos rincões do país comprovando o pouco caso pelas vidas brasileiras (https://www.brasildefato.com.br/2020/10/04/medicos-cubanos-recebem-apoio-do-grupo-de-puebla-por-atuacao-no-brasil).

     


       De se ressaltar que os referidos votos são dos governos e não de seus respectivos povos e para nossa sorte, povo e governo cubanos sabem muito bem que os povos não estão ali representados. O povo colombiano opositor ao governo colombiano que mata diariamente, as mães das crianças de  Chernobyl, o povo brasilerio que foi atendido pelos cubanos – e os que não foram também se votassem o fariam pelo fim do bloqueio.

    Então, para que serve a AGNU ? Serve para caminharmos para frente, para não desistir, para mostrar ao mundo que estamos do lado certo, para poder agradecer a Cuba por tanta solidariedade , e, acima de tudo, para pressionar e isolar o império. Mais cedo ou mais tarde este desumano bloqueio cairá. E VENCEREMOS !!!! Cuba não está sozinha ! 


 

*Integrante do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba

  **Houve um erro no placar da votação da ONU que inseriu como abstenção os Emirados Árabes Unidos . Na verdade a abstenção foi do Brasil.


13 de jun. de 2019

Cuba e Chernobyl



Muito se anda  falando e comentando sobre o desastre ocorrido em Chernobyl em 1986 , especialmente pelo fato de estar no ar um seriado sobre o assunto na tv a cabo (HBO). Algumas pessoas não sabiam do fato. A maioria não conta o que foi feito depois em um programa de ajuda e tratamento das crianças vítimas daquela tragédia.




Há também um filme há pouco no circuito (O Tradutor) que mostra um aspecto do episódio em Cuba mas sem contextualizar uma parte muito importante: mesmo no período especial (que o filme não explica) Cuba manteve o programa. 


Bem, se ninguém comenta, nós fazemos questão de lembrar, mesmo porque o exemplo de Cuba é que nos faz crer no ser humano. 





Aqui um vídeo de 2 minutos mostrando Fidel recebendo as crianças ucranianas.  Emocionante:

                                  https://www.youtube.com/watch?v=e19MeIjDR_o









Mais informações:
https://convencao2009.blogspot.com/2011/03/cuba-tratou-e-trata-os-doentes-de.html

https://expresso.pt/sociedade/2016-04-30-A-luz-que-cura-a-historia-dos-meninos-de-Chernobyl-que-se-foram-salvar-a-Cuba

16 de jul. de 2019

A história esquecida do acidente de Goiânia, “o pequeno Chernobyl”

Fidel carregou a minha filha Natasha e deu-lhe um beijo, me dei conta de quanta bondade tinha em seu olhar … e confiei mais que nunca

15 de julho de 2019 22:07:46



 Terezinha Nunes Fabiano e sua filha Natasha, vítimas do acidente radiológico de Goiânia. Foto: Felicia Hondal


Em 13 setembro de 1987 ocorreu na cidade brasileira de Goiânia, capital do estado de Goiás, no Brasil, o que foi considerado o pior acidente radiativo da história fora de uma instalação nuclear.
Dois catadores de lixo, em busca de sucata para vender, entraram em um hospital abandonado e encontraram o que lhes pareceu uma estranha máquina, a desmontaram e a levaram para uma carroça  Uma vez em  casa, utilizando chaves de fenda abriram a tampa de chumbo que lacrava o aparelho, em realidade um equipamento  de radiografia, e extraíram um cilindro do interior, depois foram a um desmanche  com o ânimo do vender.


O dono do desmanche ficou com o artefato, dias mais tarde, entrou ao local onde tinha guardado o cilindro e viu que um “formoso brilho azul” brotava da cápsula, pensou que se tratava de algo sobrenatural e a levou para sua casa.
O homem repartiu entre familiares e amigos fragmentos do material que se encontrava no interior do objeto, um material fácil de triturar, que se convertia em pó, um pó brilhante. Tratava-se de cloreto de césio enriquecido com isótopo radiativo, cesio 137.
Logo, muitas pessoas adoeceram. Ao redor de uma dúzia foram transladados a um dos hospitais de Goiânia. Ao todo, mais de 110 000 pessoas foram examinadas, delas 249 tinham níveis significativos de material radiativo em seus corpos, centenas de pessoas apresentavam contaminações leves e tiveram que permanecer em abrigos especiais.



CUBA RESPONDE
Cinco anos após o acidente, em uma das atividades paralelas da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, ECO-92, no Rio de Janeiro, – mais conhecida como Cimeira da Terra–, Terezinha Nunes Fabiano, presidenta da Associação das Vítimas, recebeu a proposta de Fidel de atender aos afetados pela contaminação radiativa.


“Conhecíamos a experiência cubana atendendo aos meninos de Chernobyl, muita gente duvidava porque tinha sofrido tantas decepções, mas quando no Brasil Fidel carregou a minha filha Natasha e lhe deu um beijo, me dei conta de quanta bondade tinha em  seu olhar…e confiei mais que nunca”, disse então Terezinha Nunes.
Foi na histórica Cimeira da Terra onde o Comandante em Chefe da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz, pronunciou aquelas proféticas palavras:
“Uma importante espécie biológica está em risco de desaparecer pela rápida e progressiva liquidação de suas condições naturais de vida: o homem”.

Dezenas de afetados pela radiatividade receberam atenção médica gratuita em cumprimento do protocolo de colaboração científica com Brasil, assinado por Fidel durante ECO-92; as vítimas do acidente compartilharam o Acampamento de Pioneiros José Martí de Tarará com 116 meninos ucranianos que sofriam as consequências da catástrofe de Chernobyl, com um grupo de crianças equatorianas e com uns 200 cubanos asmáticos e diabéticos sob tratamento para esses sofrimentos.
Em outubro de 1992 regressaram ao Brasil os pacientes uma vez concluído o programa de atenção e tratamento recebido na Ilha, viajaram acompanhados de uma delegação de especialistas cubanos que informaram às autoridades sanitárias brasileiras, das conclusões diagnósticas e recomendações, resultado de sete semanas de exames a que tinham sido submetidos.
O pessoal cubano da saúde demonstrou uma vez mais seu profissionalismo, que foi altamente apreciado pelos especialistas do gigante sul-americano, mas, sobretudo, demonstraram o grande valor humano, a entrega e o espírito solidário que lhes caracteriza, fruto de sua formação revolucionária e do exemplo de Fidel.
Terezinha Nunes, que viajou a Cuba com suas três filhas, para receber diagnóstico e tratamento, expressou ao partir:  “Vou-me com o coração dividido, porque agora tenho duas pátrias, Cuba e Brasil”.




EPÍLOGO DE UMA TRAGÉDIA
  • Quatro pessoas faleceram e 249 pessoas receberam altos índices de radiação e hoje padecem de múltiplas doenças, sobretudo câncer.
  • As pessoas afetadas pela radiação no incidente, até o dia de hoje sofrem de discriminação.



12 de ago. de 2019

Entrevista com o sociólogo argentino Atílio Boron

Com Netflix a guerra híbrida é uma realidade

29/07/2019
UMA ENTREVISTA COM
ATILIO BORON
Sociólogo esclarece o drama pré-eleitoral na Argentina e relata como as direitas latino-americanas atuam com as forças imperialistas para manter a divisão dos povos no século XXI

Atilio Boron | Ramiro Furquim/Sul21

ENTREVISTA POR
Mariana Serafini
O sociólogo argentino Atilio Boron é um dos intelectuais marxistas mais ativos da América Latina hoje. Seus artigos e livros contribuem para o debate ideológico dos defensores de Nuestra América. Em conversa com Jacobin Brasil, se mostrou otimista com os rumos da política no continente, vê grandes chances do retorno do kirchnerismo na Argentina e uma pronta derrota de Bolsonaro no Brasil. Nesta entrevista, Boron trata de sua mais recente obra, O Feiticeiro da Tribo – Mario Vargas Llosa e o Liberalismo na América Latina (2019), que será publicada em breve no Brasil pela editora Autonomia Literária, onde desconstrói as referências liberais do autor peruano que jamais deveria ter abandonado a literatura para se tornar analista político. Guerras Híbridas, Chernobyl, Netflix, Unasul, realismo mágico, perspectivas políticas, nada passa despercebido aos olhos deste que nos garante: antes de qualquer coisa, é preciso vencer a batalha ideológica.

MS
O kirchnerismo tem chances de voltar ao poder nas eleições presidenciais deste ano na Argentina?
AB
Definitivamente, há possibilidades reais de que o macrismo seja derrotado. De toda forma, é necessário ser cuidadoso porque noto em muitos companheiros, tanto na Argentina quanto no Brasil, um diagnóstico muito economicista da crise. Pensam que diante da clara intensificação da pobreza e do desemprego, com a bancarrota de muitas empresas pequenas e médias, a inflação, que com tudo isso as pessoas automaticamente votarão em uma alternativa ao macrismo. É provável, mas não é certo que as coisas aconteçam assim. Muita gente ainda pensa que, apesar desta crise econômica, as promessas de governo Macri podem ser cumpridas num próximo turno presidencial. Há muita gente neste país que foi conquistada pela “ideologia da festa”. Ou seja, a crença de que na houve uma festa populista na Argentina nos tempos dos Kirchners e chegou o momento de pagar a conta.
MS
Esta é uma narrativa da grande mídia?
AB
É uma narrativa da mídia que tem tido muito êxito não só na Argentina, mas em grande parte da América Latina. No Brasil se escuta algo parecido. É uma coisa séria que pode ser um obstáculo ao triunfo do kirchnerismo. Minha segunda consideração é: o kirchnerismo 2.0 – para usar a linguagem da informática – não é o mesmo que o Kirchnerismo 1.0. Alberto Fernández não é Cristina Fernández Kirchner, é um homem muito mais moderado. Evidentemente terá o apoio de Cristina no Senado, se chegar a ganhar, mas este é um regime presidencialista onde por mais que haja uma grande líderança política como Cristina no Senado – salvo que ela saia a organizar o campo popular, coisa que ainda não tem feito – a pressão do parlamento sobre Alberto Fernández não vai ser suficiente para impulsionar políticas mais radicais.
Por exemplo, Alberto Fernández não está disposto a reinstalar a Lei de Meios que foi revogada por Macri. Alberto Fernández tem uma posição pelo menos ambígua em relação à Venezuela, não está a favor de Juán Guaidó, mas ao mesmo tempo não deixa de falar que há uma ditadura ou uma situação de violação dos Direitos Humanos por lá. Alberto Fernández acredita que a Argentina deve voltar aos seus alinhamentos internacionais tradicionais com os Estados Unidos. Tudo isso evidentemente não era a versão do kirchnerismo 1.0. Mas um setor importante da esquerda argentina está convencido de que não podemos apostar numa fórmula que vá perder para Macri. Se nossa opção for votar no demônio, primeiro elegemos o demônio, depois nos encarregamos de saber o que fazer com ele. O mais importante é acabar com o inimigo principal que está produzindo este verdadeiro holocausto social na Argentina.
MS
No Brasil, onde a esquerda errou ao não apostar todas as fichas em uma só candidatura nas eleições presidenciais?
AB
Eu acredito que este é o erro tradicional das esquerdas em todo o mundo. A direita sabe muito bem o que defende e raramente se equivoca. Além disso, o imperialismo também raramente comete um erro ao identificar o adversário. Já nós, da esquerda, como não temos uma situação de privilégio para defender, e temos que debater planos alternativos para superar o capitalismo, é muito fácil que haja dispersão de votos. E ainda há setores da esquerda que subestimam o imperialismo de forma surpreendente. Aqui na Argentina os setores muito radicalizados não têm a menor noção do que significa o imperialismo e o que significa realmente a dominação capitalista. A partir de um diagnóstico muito abstrato, dizem que Macri e Fernández são dois políticos burgueses. Isso é óbvio. Mas Hitler também era um político burguês, bem como os sociais-democratas alemães, e se comprovou que havia diferenças. Um deles mandou 6 milhões de judeus ao holocausto e desencadeou a Segunda Guerra Mundial, enquanto o outro teria feito uma política muito modicamente reformista, mas não teria produzido esta tragédia. Então existe esta incapacidade de diferenciar as matizes entre um político burguês capaz de produzir um holocausto e um político burguês que vai fazer uma política moderada de reformas sociais. Acredito que no Brasil aconteceu exatamente o mesmo. Claro que Haddad não era Che Guevara e Manuela não era Rosa Luxemburgo.
Este é um tema que Fidel Castro falou muito: é a consciência possível. Ou seja, até que ponto o povo brasileiro está disposto a defender uma proposta revolucionária socialista radical? Com este monopólio dos meios de comunicação, esta enorme vitória ideológica da direita não somente na América Latina, mas em todo o mundo… Há uma população mobilizada disposta para receber esta mensagem e sair a lutar hoje pelo socialismo e pela revolução? Não há! Então se não há, estamos em um processo de construção, temos que ir fazendo aos poucos. Temos que fazer aquilo que Frei Betto chama de “alfabetização política do povo”. E este processo de alfabetização política não foi feito pelas forças progressistas na América Latina.
MS
Com os sucessivos golpes que sofremos nos últimos anos, em Honduras, Paraguai e Brasil, o ciclo progressista está frágil, apesar de alguns países ainda resistirem, como a Venezuela e a Bolívia. Mais recentemente o México passou a integrar este quadro. Se Evo Morales for reeleito e o kirchnerismo voltar ao poder, pode começar uma nova fase da esquerda no continente?
AB
O ciclo progressista está fraco, mas não morreu. Como você disse, o México se incorpora quase 20 anos depois porque López Obrador tem mais sintonia com Evo, Lula ou Cristina que com Macri ou Bolsonaro. Ou seja, houve retrocessos grandes em países importantes como Argentina e Brasil, mas vai ser possível recuperar de alguma forma a marcha. E nem a Argentina, nem o Brasil, demonstraram até agora ser capazes de estabilizar um processo de reorganização reacionária do capitalismo.
No caso argentino, Macri tem chances muito grandes de perder a eleição. No Brasil, a verdadeira comoção social, econômica e política, coloca o país quase como um ‘Estado canalha’ porque, depois das revelações do The Intercept, Lula teria que ter sido imediatamente posto em liberdade. O Supremo Tribunal do Brasil está discutindo algo que nos Estados Unidos, ou na França ou na Alemanha, teria provocado imediata liberação de Lula. O ciclo progressista tem problemas? Sim! Está morto? Não! O novo ciclo da direita surgiu com força? Não!
MS
Assim como Lula, Cristina Kirchner e Rafael Correa também foram vítimas de lawfare. Os vazamentos do Intercept, ao trazer à tona as inconsistências deste processo brasileiro, podem colocar em xeque o “método Lava Jato” que foi usado em outros países para perseguir lideranças políticas?
AB
Os Estados Unidos decidiram substituir os velhos golpes militares por golpes chamados “brandos”, mas que na verdade são muito violentos. Estes golpes se apoiam em três dispositivos. Primeiro, o controle quase absoluto da imprensa que desempenha um papel fundamental. Segundo, os juízes e os procuradores são treinados durante muito tempo pelos Estados Unidos nos cursos de boas práticas e as consequências disso Sérgio Moro mostrou de forma clara ao condenar Lula não pelas evidências, mas por suas convicções – isso significa um salto para trás de mais de dois séculos na história do Direito moderno. E, em terceiro lugar, estão os legisladores corruptos que também são convidados periodicamente a fazer cursos de boas práticas nos EUA. Este é o tripé que acabou com Manuel Zelaya, Fernando Lugo e Dilma Rousseff.
Há um dado muito interessante: no caso de Lugo e Dilma houve a mesma diretora da orquestra que foi Liliana Ayalde [embaixadora norte-americana]. Liliana Ayalde esteve no Paraguai, montou a operação e foi embora, em seguida retornou como embaixadora no Brasil, em 2013, para fazer exatamente a mesma coisa. Ou seja, é uma pessoa especializada em produzir este tipo de golpe brando.
Os Estados Unidos hoje optam por este tipo de ação que tem um resultado muito mais conveniente porque não é mais necessário apelar à figura odiosa de um militar com a cara de Augusto Pinochet, ditador no Chile entre 1973 e 1990, ou Castelo Branco, ditador no Brasil entre 1964 e 1967.
Então sim, vão aplicar este modelo em toda a América Latina, não só onde esteve a Operação Lava Jato, mas vão aplicá-lo até mesmo em países onde a Odebrecht não esteve presente executando obras públicas. E não se esqueça de uma coisa, toda esta ofensiva não foi destinada apenas a acabar com líderes incômodos para os Estados Unidos, mas também para tirar do jogo a maior empresa latino-americana de construção de obras públicas que era a Odebretch, em favor de empresas americanas como a Halliburton Construction e outras. Não podemos pensar que isso é só um problema político, é também um interesse econômico em acabar com estes governos e abrir espaço para as empresas americanas que vão começar a fazer agora o que a Odebrecht fazia.
MS
Na esteira dos desmontes, há um projeto em curso para desarticular a Unasul e o Brasil tem tido um papel importante neste processo.
AB
A Unasul, originalmente, foi um projeto de Fernando Henrique Cardoso, depois foi retomada e redefinida por Hugo Chávez que atraiu Lula e Néstor Kirchner e gerou uma proposta totalmente diferente. Mas a Unasul é um projeto fundamental para os nossos países, inclusive para o Brasil, e vem de muito longe. O cientista político brasileiro Hélio Jaguaribe tinha uma tese fundamental: segundo ele, ”o Brasil não consegue sozinho”. Quando todos nós pensávamos que o Brasil, poderia se destacar sozinho por suas dimensões, ele dizia que apesar disso, o atraso tecnológico e social do Brasil faz com que a união dos países da América Latina seja absolutamente necessária para potencializar a todos. O Brasil é um país que precisa da energia que sobra da Venezuela, precisa da alimentação que sobra da Argentina, dos minerais do Chile e do Peru, então ele tinha a tese de formar um polígono de resistência. A Unasul vem deste conceito, por isso Fernando Henrique propose Hugo Chávez redefiniu-a, em função da nova realidade do século 21.
Agora, uma das primeiras coisas que o governo Macri fez foi enfraquecer a Unasul. Ou seja, retirar-se, subestimar apoio. E por fim, o supremo traidor da política latino-americana, Lenín Moreno, presidente do Equador, colocou os últimos pregos no ataúde da Unasul. Isso evidentemente reflete o sucesso de um objetivo antigo da Política Externa dos Estados Unidos para o qual qualquer processo de integração sul-americano soa como uma ameaça à hegemonia imperialista.
Toda união dos países de baixo significa enfraquecer o poder imperialista na região. Então não é casualidade que governos absolutamente subordinados aos Estados Unidos, como Macri, Bolsonaro, Sebastián Piñera [Chile], Iván Duque [Colômbia], que são maus governos da América Latina, tenham atacado a Unasul. Obviamente a direita tem muito claro que é preciso manter a divisão dos povos da América Latina. Mas nós vamos ressuscitar a Unasul, e vamos fazê-la melhor, é uma questão de tempo apenas.
MS
Para as gerações que já cresceram nestes países no período progressista e ingressaram na universidade através das políticas públicas, reverter o atual cenário soa como uma tarefa muito difícil. Mas falando contigo, me parece que está bastante otimista…
AB
O Brasil vai dar certo, não há dúvidas sobre isso! Mas é preciso se dar conta que os processos históricos não são lineares. Agora estamos num retrocesso, mas isso vai dar lugar a uma superação. O Brasil não está condenado a ter um governo vergonhoso como o de Bolsonaro. Precisamos nos preparar para a mudança, fazer um exercício de autocrítica, se perguntar por que o Brasil chegou até aqui, reconhecer que houve erros. Houve erros na questão do PT que explicam o desenlace de toda essa situação crítica até chegar em Bolsonaro. Mas o Brasil é um país com imensos recursos e se conseguir organizar a grande massa popular, ainda que parcialmente, poderá recuperar o rumo. Só não pode perder a esperança, a história é assim. O Brasil não está voltando para o ano de 1964, apesar das promessas de voltar à ditadura.
O lema “Lula Livre” é uma agregação social e política muito importante. Mas há novos líderes surgindo, muito capazes, que ainda não se lançaram com tudo para organizar um movimento social e político renovador e isso faz falta. Me preocupa não ver Fernando Haddad cumprindo um papel importante que deveria agora. É uma pessoa muito inteligente, com muita experiência, mas não o vejo agora no primeiro plano da luta política, o vejo fechado nas Universidades como professor. Eu creio que Haddad tem enorme potencial de ser um dos polos de aglutinação da sociedade brasileira. Manuela D’Ávila também é uma pessoa que tem um enorme potencial de liderança. E há outros líderes que não podem ser subestimados, Ciro Gomes não é um personagem qualquer, é um homem que tem um discurso e uma capacidade de interpretação importante; João Pedro Stédile é um fenomenal líder de massas, Guilherme Boulos também. Há toda uma camada de líderes que são uma promessa de que o Brasil pode dar um salto.
Eu entendo a situação de todos eles porque o fenômeno de Bolsonaro era algo totalmente imprevisível. Mas foi uma operação maestra do imperialismo e inclui a famosa facada que, cada vez levanta mais suspeitas de ter sido uma operação cinematográfica. Há suspeitas de que houve cumplicidade dos médicos – que precisam ser denunciados – pois afirmaram que Bolsonaro não poderia participar dos debates quando ele estava claramente em condições de participar. Foi uma conspiração entre os meios de comunicação, os médicos, os juízes e os procuradores que impediram Bolsonaro de ir aos debates porque se ele tivesse ido em apenas um debate com Haddad teria sido um papelão universal e ninguém teria votado nele. Então creio que devemos ter esperança que o Brasil vai encontrar rapidamente seu rumo e o tempo passa rápido. A deterioração de Bolsonaro está nítida, as pesquisas mostram que é o presidente mais impopular nos primeiros seis meses da história do país.
MS
Em seu livro, que em breve será lançado no Brasil, você apresenta Vargas Llosa como um grande romancista que infelizmente usa sua impressionante capacidade com as palavras para manipular a opinião pública e defender o neoliberalismo. Quem é este “Feiticeiro da Tribo”?
AB
A meu ver, Vargas Llosa é hoje o principal propagador do neoliberalismo no mundo. Não só nos países de língua hispânica e portuguesa, mas também nos EUA, na Inglaterra em parte da Europa. Seus artigos publicados periodicamente no El País são reproduzidos em mais de 300 jornais somente na América Latina e no Caribe. É um homem muito hábil, tem um manejo extraordinário da linguagem, seu espanhol é límpido, muito claro, musical, agradável, mas ele o tem colocado a serviço dos piores interesses do imperialismo.
Originalmente Vargas Llosa veio da esquerda, como mostro em meu livro. Ele foi militante de uma célula clandestina do Partido Comunista do Peru e provocou toda esta transformação que passa de uma esquerda marxista dura, à qual ele foi fiel até o ano de 1971. A Revolução Cubana contou com o apoio dele desde 1959 até meados de 1971 e depois lentamente ele foi se afastando, não foi uma ruptura brusca. Mas tem tido um impacto imenso.
No livro “O Chamado da Tribo”, que eu critico, ele aborda os fundamentos teóricos onde está embasada sua concepção liberal. O que eu faço em minha obra, O Feiticeiro da Tribo, é examinar um a um os sete autores fundamentais sobre os quais ele se apoia – Adam Smith, José Ortega y Gasset, Raymond Aron, Friedrich Von Hayek, Karl Popper, Isaiah Berlin, e Jean-François Revel – e mostro as inconsistências.
Capítulo a capítulo mostro que não há nem boa análise empírica, nem argumentação teórica correta. E no último critico a ideia inicial de que liberalismo e democracia são duas caras da mesma moeda. Isso é absolutamente falso. O liberalismo é intrinsecamente inconciliável com a democracia porque como expressão ideológica do capitalismo significa fundamentalmente o individualismo e o princípio da ganância como condutor da organização da vida social. Já a democracia se organiza sobre a base de justiça e igualdade. Portanto são duas instituições que vivem em choque permanente: quanto mais liberalismo existir, menos democracia vamos ter.
Portanto, termino o livro com este capítulo de reflexão mais teórica questionando o que Varga Llosa defende. Claro que ele o diz num espanhol encantador, por isso o chamo de “feiticeiro”. Ele engana com seu jogo de palavras. E aí aproveito uma frase que ele mesmo usa para falar sobre sua tarefa como escritor, ele diz: ”um novelista é um senhor que diz mentiras que parecem verdades”. Isso é o que ele faz em sua obra de ensaios políticos, por isso há tantos ataques brutais contra López Obrador, contra  Chávez, Correa, Evo, Cristina e Lula. Por que? Porque ele, como diz Noam Chomsky, é um “mandarim do império” e cumpre muito bem essa função.
MS
A partir da perspectiva brasileira, tenho a sensação de que estamos de costas para a América Latina, apenas a literatura, em especial o boom do realismo mágico do qual Vargas Llosa é um dos precursores, conseguiu atravessar esta fronteira. Isso é um projeto? Seu livro pode contribuir para quebrar esta barreira?
AB
A classe dominante brasileira é uma das mais experimentadas e tem sido muito inteligente e muito perversa em blindar o Brasil e mantê-lo fora da América Latina. Um grande sociólogo e economista brasileiro, Ruy Mauro Marini, dizia que o projeto da direita brasileira é ser o subimpério. É justamente isso, mas este é um projeto mesquinho para um país como o Brasil. Impedir que sua população sequer saiba o que acontece com os vizinhos é uma forma de reforçar sua dominação interna e ao mesmo tempo apostar todas as fichas de que o Brasil será grande nas mãos dos Estados Unidos. Pobrezinho! Os Estados Unidos vão esmagar qualquer país que de alguma forma possa crescer tanto a ponto de ser uma ameaça a seus interesses. Nunca vão permitir que o Brasil seja a grande potência que está destinado a ser, sobretudo se o Brasil seguir se submetendo às regras do imperialismo.
MS
O senhor fala em seu livro sobre como os intelectuais à direita “saem na frente” nesta batalha ideológica porque têm um aparato midiático a seu favor. Quais os caminhos devem trilhar aqueles que permanecem convictos às causas justas?
AB
Hoje temos as redes sociais como uma forma alternativa de se fazer conhecer, mas qualquer bobagem que Varga Llosa faz é reproduzida por pelo menos 300 jornais. Isso é algo absolutamente inalcançável. Porém as coisas estão mudando, e devemos manter viva a esperança. Estamos numa batalha muito desigual, mas como as coisas que estamos dizendo são verdade, ao fim e ao cabo a verdade aparece porque eles não podem tapar a sol com a peneira.
Nosso papel é dizer a verdade e denunciar a mentira, mesmo que não tenhamos um grande aparato midiático, mas cada vez mais temos meios alternativos. Por isso tenho confiança que vamos sair deste mal trecho em que se encontra a América Latina. Perdemos tempo, começamos tarde, Fidel recomendou que começássemos esta batalha na década de 90 e nós começamos 15, 20 anos depois. Burrice!
Temos que dar um empurrão nos intelectuais brasileiros para que parem de achar que Bolsonaro representa um retorno à ditadura de 64, tenho visto um pouco este temor e têm que parar já com isso e convocar as pessoas para que saiam às ruas. É interessante o que estão fazendo Caetano Veloso e Chico Buarque porque através das artes e da música estão avançando mais do que os que se dedicam a escrever. Talvez este seja um bom caminho.
MS
Os tentáculos dos EUA para manipular a opinião pública são muitos e um deles são as produções culturais de massa. Atualmente, por exemplo, uma série sobre Chernobyl tem tido muita audiência. Como o senhor vê estas narrativas supostamente neutras difundidas nas plataformas de streaming?
AB
A guerra híbrida é uma realidade. A lawfare, a judicialização da política, o controle dos meios de comunicação, tudo isso passa a ser absolutamente fundamental. Eu vejo com muita preocupação. Chernobyl no Netflix é um caso perfeito para ilustrar. Eles mostram a degradação moral e política da União Soviética. O objetivo é deixar claro que a União Soviética hoje se chama Rússia. Mas esta série oculta um dado essencial: quando toda a Europa e os EUA lavavam as mãos com relação às vítimas de Chernobyl, houve um país pobre e subdesenvolvido chamado Cuba que atendeu mais de 24 mil crianças atingidas por este acidente nuclear em pleno período especial – fase mais crítica da economia cubana, no começo dos anos 90.
Eu sou o presidente honorário da Efac (Encontro Fraternal Argentino Cubano), através desta instituição estamos terminando um documentário chamado Tarará, que é o nome do hospital onde foram atendidas as crianças de Chernobyl. O objetivo é basicamente contrapor a história difundida pelo Netflix que não diz a verdade sobre o acidente e tampouco menciona o que ainda está acontecendo. Este reator 4 que explodiu ainda segue trabalhando e emitindo radioatividade e a cobertura que fizeram sobre isso é de que a União Europeia não tem dinheiro para reparar isso porque são pelo menos 100 milhões de euros para fazê-lo e os ”miseráveis governos europeus” não querem colocar um peso e querem que a Ucrânia, ou a Rússia, assumam isso sozinhos, e se esse reator chegar a romper vamos ter um Chernobyl novamente. Isso não se fala na série da Netflix e o perigo está aí.
Não podemos evitar que eles digam mentiras, o que nós temos que fazer é dizer a verdade. Uma coisa que me incomoda muito com o governo de Lula no Brasil é que não fez nenhum esforço sério para mexer na comunicação. O governo brasileiro tinha que ter uma rede de comunicação própria e não depender da Rede Globo como aconteceu com Dilma que toda vez que precisava fazer uma declaração ganhava uma migalha de dez minutos antes da novela das 8. Estamos muito mal nesta batalha, o imperialismo é muito criativo. Segundo Chomsky, é o maior projeto de dominação da história. Se nós não reagirmos a tempo teremos problemas graves. É imenso nosso desafio nesta guerra ideológica.