27 de mai. de 2026

«Chegou a hora da solidariedade com Cuba, que sempre foi solidária com todos» (Bruno Rodriguez) +video

                      

Discurso do ministro das Relações Exteriores Bruno Rodríguez Parrilla no debate aberto do Conselho de Segurança sobre “A defesa dos objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas e o fortalecimento do sistema internacional centrado na ONU”, Nova York, 26 de maio de 2026.


Senhor presidente, ilustres representantes permanentes:

Valorizamos altamente a liderança da República Popular da China na defesa da paz e da segurança internacionais, no respeito ao Direito Internacional; na preservação, fortalecimento e reforma adequada da Organização das Nações Unidas, em particular a democratização, transparência e eficácia do Conselho de Segurança e o fortalecimento da Assembleia Geral; bem como na construção de uma ordem internacional multilateral, baseada na igualdade soberana, justa e democrática.

Prova disso são as iniciativas globais promovidas pelo presidente Xi Jinping, que apoiamos, para enfrentar os desafios atuais por meio de uma cooperação multilateral genuína. A convocação deste debate aberto também o evidencia.

Em 26 de setembro de 1960, na Assembleia Geral da ONU, o Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz afirmou: «Que desapareça a filosofia da espoliação, e desaparecerá a filosofia da guerra!» Recordamo-lo vividamente no ano do seu centenário.

Senhor presidente:

Como referir-se à defesa do papel central das Nações Unidas, à promoção da paz e do desenvolvimento, à salvaguarda da ordem internacional sustentada no Direito Internacional e nas normas básicas das relações internacionais, a fim de evitar novos conflitos, onde os fortes se impõem sobre os fracos; sem mencionar o genocídio contra a Palestina ou a agressão imperialista contra a República Islâmica do Irã e a guerra no Oriente Médio?

O governo dos Estados Unidos, na prática, está em uma posição de violação da paz e da segurança internacionais e de violação do Direito Internacional e do Direito Internacional Humanitário em relação à República de Cuba.

A acusação criminal contra o líder da Revolução cubana, o General do Exército Raúl Castro Ruz, é um ato moralmente infame e juridicamente arbitrário, por abuso da jurisdição dos tribunais estadunidenses, pela manipulação do local do abate dos aviões ocorrido no espaço aéreo e marítimo do território cubano; pelas missões terroristas e ilegais que estes frequentemente realizaram, em violação das leis estadunidenses, pela impunidade e cumplicidade das autoridades desse país e por desconsiderar o direito à legítima defesa dos Estados.

Trata-se de uma decisão motivada politicamente, fraudulenta e destinada a enganar os cidadãos estadunidenses e estrangeiros, 30 anos após os acontecimentos, com o vil propósito de que apoiem uma aventura militar contra Cuba para conseguir uma “mudança de regime” ou uma “construção da nação”, como agora chamam eufemisticamente.

O cerco petrolífero ou energético que os Estados Unidos impõem a Cuba equivale, em seus efeitos, a um bloqueio naval, o que constitui um ato de guerra e de genocídio que submete a população cubana a condições que ameaçam sua integridade e existência e representa uma “punição coletiva” cruel e indiscriminada que hoje causa mortes, como reflete a duplicação da taxa de mortalidade infantil, de 4,0 para 9,2 por mil nascidos vivos, ou a redução da expectativa de vida de crianças com câncer de 85% para 65%.

Uma agressão militar provocaria um banho de sangue. Milhares de cubanos morreriam defendendo a Pátria e valores e razões sagradas, e pereceriam também jovens estadunidenses, sem causa nem ideal a defender, arrastados à violência por uma política imperialista e neofascista de dominação, pilhagem e conquista.

                  


Dirijo-me, em especial, aos cidadãos estadunidenses, especialmente aos seus jovens, e apelo aos seus valores humanos, aos seus sentimentos pacifistas e nobres, e peço que busquem a verdade e não permitam que sejam enganados ou manipulados por uma camarilha elitista, corrupta e poderosa de Miami, que não representa o povo estadunidense nem os cubanos residentes neste país, os quais se opõem majoritariamente à barbárie da guerra e do bloqueio energético.

O presidente que desse essa ordem de ataque militar, o secretário de Estado e o secretário da Guerra que o instigassem a fazê-lo, passariam para a história como criminosos de guerra, autores diretos de crimes contra a humanidade. Não se pode invocar qualquer justificativa para uma agressão nem para atos coercitivos desumanos e semelhantes a essa, devido ao seu impacto humanitário. Deixem Cuba viver em paz!

Por mais de seis décadas, o governo dos Estados Unidos tem inventado pretextos para tentar justificar sua conduta criminosa.

Tem utilizado o argumento absurdo de apresentar a pequena, mas simbólica, ilha como uma suposta ameaça à segurança nacional da superpotência nuclear, ideia que desafia a lógica e o bom senso, além de se basear em afirmações e insinuações totalmente mentirosas.

Como reiterou o presidente Miguel Díaz-Canel, Cuba não é nem pode ser uma ameaça. Não é inimiga dos Estados Unidos nem quer sê-lo, apesar das diferenças significativas com seu governo. Cuba mantém laços profundos e fraternos com o povo e a cultura estadunidenses. Continuaremos a receber com cordialidade e hospitalidade os viajantes estadunidenses, mesmo que seu governo restrinja suas liberdades; e seus empresários e empresas com projetos competitivos para que participem, sem qualquer discriminação, do nosso desenvolvimento econômico, mesmo que o bloqueio o impeça.

No entanto, agora uma plutocracia corrupta e imoral invoca a lenda da incompetência e da suposta corrupção do nosso governo e o suposto perigo de uma “crise humanitária” como justificativa para uma intervenção estrangeira. Isso é dito, cinicamente, pelo próprio carrasco que, de maneira fria, maliciosa e deliberada, provoca com suas ações efeitos devastadores, como aqueles que causariam em qualquer país do mundo, independentemente de seu potencial econômico, seu nível de desenvolvimento ou a natureza de seu sistema político.

Apesar da falta de progressos e de boa vontade, da falta de seriedade e coerência por parte dos Estados Unidos, continuamos dispostos a prosseguir com as conversações; tratar dos problemas bilaterais, sem ingerência em nossos assuntos internos, nem em nosso sistema político, nem em nossas eleições; e buscar formas de comportamento civilizado e cooperação multifacetada, em particular em matéria de terrorismo, tráfico de drogas, crime transnacional organizado, migração regular e segura, tráfico de pessoas, compensações econômicas mútuas e outros.

Trata-se de uma agressão unilateral sem precedentes e sem qualquer justificativa. Por meio da intimidação e das sanções “secundárias”, aplicáveis a terceiros, o governo dos Estados Unidos pretende obrigar todos os Estados a participar, contra sua vontade, de suas políticas atrozes contra Cuba, o que não ocorrerá.

Peço à comunidade internacional que se mobilize para impedir uma catástrofe humanitária que possa se impor, seja por meio das armas, seja por meio do cerco energético e do endurecimento extremo do bloqueio, que também matam e provocam sofrimento.

Peço à América Latina e ao Caribe que ajam para preservar sua condição de Zona de Paz e evitem consequências adversas que desestabilizariam a região.

É hora de que uma ampla articulação internacional, acima de diferenças políticas, abordagens ideológicas e divergências históricas, ponha um limite e impeça os excessos que ameaçam e prejudicam os interesses nacionais, os povos e as prerrogativas soberanas de todos os Estados.

O Sul Global deveria lutar por isso e proteger-se coletivamente de qualquer represália, por meio da voz e da ação coletivas e da cooperação mútua. Peço humildemente: chegou a hora da solidariedade com Cuba, que sempre foi solidária com todos, sem nunca se deter diante de riscos, às vezes mortais; nem diante de interesses ou escassez material.

Não encontro como me referir à defesa do papel central das Nações Unidas e à promoção da Paz e do Desenvolvimento, bem como à responsabilidade primordial do Conselho de Segurança na manutenção da Paz e da Segurança Internacionais e à sua contribuição para o diálogo e a promoção de soluções políticas; sem pedir a este Conselho de Segurança que, com realismo, pelo menos tente cumprir seu mandato primordial e supremo em relação à ameaça militar e ao bloqueio energético contra Cuba; nem posso deixar de encorajar a Assembleia Geral das Nações Unidas a que, em qualquer caso, use com determinação seus amplos e decisivos poderes, sua autoridade moral, legal e democrática que lhe foram conferidos pelos povos, na situação de Cuba.

Que ninguém duvide de que, caso cheguemos a um momento que esperamos nunca ocorrer, o povo de Cuba lutará até as últimas consequências.

Pátria ou morte, venceremos!

Muito obrigado.

(Cubaminrex)

https://cubaenresumen.org/2026/05/26/ha-llegado-la-hora-de-la-solidaridad-con-cuba-que-siempre-lo-ha-sido-con-todos/


Trad/Ed e grifo: @comitecarioca


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