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Crianças de Goiania vítimas do Césio-137 foram levadas a Cuba para tratamento após o acidente |
Uma produção real, bem feita e bem dirigida,
o seriado com 5 episódios da Netflix chamado Emergência Radioativa
traz uma história dramática, um acidente evitável assim como as consequências
terríveis do descaso coletivo. Até hoje é lembrado como o que foi na realidade:
o pior acidente radioativo da história fora de uma instalação nuclear.
Em
1987, dois moradores da cidade de Goiânia retiraram de uma clínica radiológica
desativada e abandonada há anos um objeto pesado, de chumbo, levando-o a
um ferro-velho local. O objeto, um cilindro encontrado dentro de um recipiente
de chumbo, começa a vazar um pó azul: o Césio-137, substância altamente
contaminante de radioatividade.
Pessoas encantadas com a cor e o brilho da
substância passaram a manipular o pó sem saber o perigo que aquilo
representava. Enfim, uma tragédia para os moradores da cidade que, com medo,
passaram a discriminar quem tivesse ou não a mais leve suspeita de carregar no
corpo o problema. O medo e a insegurança se instauraram no local.
A história é realmente muito bem contada na
série.
Somente uma parte se suprimiu, infelizmente:
a participação do sistema de saúde cubano no caso. Até por uma razão de
reconhecimento por parte do nosso país, omitir o atendimento de Cuba se mostra
uma falha sem sentido, até porque a série mostra médicos russos no atendimento aos
contaminados em Goiânia. Dessa forma, aqui fazemos, por uma questão de justiça
e mérito, um adendo importante à série.
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| Fidel recebe as crianças em Cuba. |
Um ano antes do acidente no Brasil, aconteceu
o maior acidente nuclear mundial na usina de Chernobyl, na Ucrânia em 1986. Muito
mais grave – por se tratar de uma explosão em um reator nuclear – Cuba se
ofereceu e recebeu mais de 20 mil crianças ucranianas para tratamento na Ilha
em 1990. (https://solidariedadecubarj.blogspot.com/search?q=chernobyl
) Sem contar com experiência em radioatividade, trouxe cientistas de outros
países para auxiliar nos tratamentos. Assim foi criado um programa de saúde
absolutamente gratuito: “um exemplo do
que pode fazer um povo que, sem ter grandes riquezas materiais, tem a grande
riqueza espiritual de haver-se educado na solidariedade", disse o
ministro de Saúde cubano, José Ramón Balaguer na ocasião. Cuba sozinha tratou
mais crianças de Chernobyl do que o resto de todos os países do mundo.
É exatamente com base na solidariedade que
dois anos depois, em 1992 na ECO92 realizada no Brasil que o Comandante Fidel
Castro, informado da situação em Goiânia, abre novamente as portas de Cuba para
receber as vítimas da radiação pelo Césio-137.
Naquele mesmo ano recebeu um grupo de 50
brasileiros (34 crianças e 16 adultos pais ou responsáveis).
As crianças foram hospedadas em Tarará, um balneário
de praia perto de Havana que tinha sido uma espécie de resort/condomínio à beira mar para turistas
endinheirados e que a Revolução Cubana transformou em uma espécie de colônia de
férias para os pioneiros (crianças cubanas). Ali as 34 crianças brasileiras se
somaram às crianças ucranianas afetadas pelo acidente nuclear de Chernobyl.
Durante a estadia, as crianças passaram por
uma bateria de exames médicos, incluindo avaliações hematológicas, radiológicas
e exames de medula óssea. Ao todo, centenas de procedimentos foram realizados. Além
do acompanhamento clínico, os pacientes receberam vacinas, tratamentos
odontológicos e intervenções cirúrgicas de menor complexidade. Também houve suporte
psicológico, considerado essencial diante dos impactos emocionais causados pelo
acidente.
Sobreviventes relatam que a experiência em
Cuba foi marcada por acolhimento e estrutura adequada, contrastando com o
cenário vivido no Brasil após o acidente. *
Em Goiânia, muitas vítimas enfrentaram
isolamento social, discriminação e perdas materiais, já que bens contaminados
precisaram ser descartados. Estudos da Universidade Federal de Goiás apontam
que esses fatores tiveram impacto significativo na saúde mental dos atingidos.
Já em Cuba, os pacientes participaram de
atividades recreativas, passeios e conviveram com outras crianças em
tratamento, o que ajudou a reduzir o impacto psicológico. (https://www.novacultura.info/post/2026/04/28/o-amor-de-cuba-abracou-chernobyl
)
* https://diariodegoias.com.br/cesio-137-cuba-tratamento-criancas-netflix/529738/
*Coordenadora do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba.






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