17 de out. de 2020

DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO: o Plano SAN de Cuba


 O Plano SAN indica que é necessária uma revolução cultural e ética, que substitua a lógica do “livre mercado” pela do compartilhar e da paridade de direitos, que é a realizada por Cuba




Autor: Frei Betto – internet@granma.cu

16 de outubro de 2020

 




O Dia Mundial da Alimentação, que se comemora em 16 de outubro, celebra-se atualmente em mais de 150 países. Trata-se de uma data importante, porque constitui uma oportunidade para conscientizar a opinião pública sobre questões relativas à educação nutricional e à alimentação.

Neste ano, dois acontecimentos – um positivo e outro negativo – marcam a data em Cuba: o positivo é a aprovação, pelo Conselho de Ministros, do Plano SAN, o Plano de Soberania Alimentar e Educação Nutricional, que já começa a ser implementado em todo o país. O negativo é a pandemia da Covid-19, que Cuba enfrentou com sua ampla rede de proteção sanitária, o que limitou o número de vítimas fatais, enquanto o país avança na busca de uma vacina eficaz, a Soberana 1.

O Conselho de Ministros de Cuba aprovou, em 22 de julho, o Plano Nacional de Soberania Alimentar e Educação Nutricional, o primeiro do seu tipo na história do país. Gustavo Rodríguez, ministro da Agricultura – organismo que coordenou a elaboração do Plano –, assegurou que se sustenta na capacidade da nação para produzir alimentos de forma sustentável, e de dar acesso à população a uma alimentação balanceada, nutritiva e inócua, reduzindo a dependência de meios e insumos externos.

Durante a reunião, o Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez insistiu na necessidade de fortalecer o trabalho nos municípios, “porque tudo que façamos tem de estar articulado”.


Representantes de 22 ministérios, 11 grupos empresariais, 25 entidades de ciência, tecnologia e inovação, dez organizações da sociedade civil e cinco organismos internacionais trabalharam durante mais de um ano, na preparação do Plano SAN, que inclui antecedentes, diagnóstico, metodologia, quadro conceitual e um plano de ação que contempla a sinergia entre esforços nacionais e a cooperação internacional.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) acompanhou a formulação, sob o ponto de vista metodológico e sobre a base das experiências na construção de planos de segurança alimentar na região, no contexto do programa “Impacto, resiliência, sustentabilidade e transformação para a segurança alimentar e nutricional”, cofinanciado pela União Europeia e com a colaboração da Oxfam Internacional.

Este processo nutriu-se de mais de uma dezena de oficinas, encontros e consultas Inter setoriais, bem como de propósitos já definidos em outras estratégias e programas sobre produção de alimentos de maneira sustentável.

Entre os temas estratégicos identificados, encontram-se: diminuir a dependência das importações de alimentos e insumos; garantir a qualidade e inocuidade, e a diminuição das perdas e desperdícios de alimentos; consolidar os sistemas alimentares locais; e mobilizar os sistemas educacionais, da cultura e da comunicação, para fortalecer a educação alimentar e nutricional.


O relatório da ONU divulgado em 13 de julho expressa que o inferno da fome encerra hoje 820 milhões de seres humanos. É possível que se somem a esse número mais de 270 milhões, até o final do ano.

Dois bilhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar, ou seja, não têm um acesso regular a alimentos nutritivos, em qualidade e quantidade suficientes. O aumento da fome e da insegurança alimentar, neste ano, deve-se à desaceleração da economia global, devido à pandemia, agravada pelas restrições impostas à circulação de mercadorias e pessoas, o que fez crescer o índice de desemprego.

Em nosso continente não faltam alimentos. Falta justiça. Hoje, 84 milhões de crianças na América Latina e no Caribe dependem da escola para ter uma boa alimentação. Destes, dez milhões só ingerem uma comida minimamente nutritiva graças à merenda escolar. Agora o vírus os afasta da escola e os aproxima da fome.

Outro grande paradoxo de nosso mundo atual é que não apenas aumenta a fome. A obesidade converteu-se em uma praga que ataca igualmente a países ricos e pobres. É uma ameaça globalizada.

O Plano SAN mostra que é necessária uma revolução cultural e ética, que substitua a lógica do “livre mercado” pela do compartilhar e da paridade de direitos, que é a realizada por Cuba.


 



Tradução: Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba 
http://www.granma.cu/mundo/2020-10-16/dia-mundial-de-la-alimentacion-el-plan-san-de-cuba-16-10-2020-00-10-06


Um comentário:

  1. Super necessário aqui no Brasil, que tem todos esses problemas e muito disperdicio de alimentos

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