2 de fev. de 2026

ENTREVISTA AP: CUBA NÃO MANTÉM DIÁLOGO COM EUA APÓS ÚLTIMAS AMEAÇAS DE TRUMP

                               

HAVANA (AP)   Cuba não mantém diálogo com os Estados Unidos devido às tensões causadas após o presidente Donald Trump ter aumentado drasticamente as sanções contra a nação caribenha na semana passada, afirmou na segunda-feira um alto funcionário da Ilha.

 As trocas de mensagens e as conversas são as habituais (principalmente sobre migração e drogas) no âmbito das relações diplomáticas bilaterais, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, em entrevista à Associated Press.

 “Se me perguntam se hoje temos uma mesa de diálogo (com os Estados Unidos), não temos”, afirmou enfaticamente Fernández de Cossío, embora tenha reiterado que estão dispostos a “manter esse diálogo informal com os Estados Unidos” para discutir “as diferenças”, respeitando o modelo político da Ilha.

 Trump assinou na semana passada uma ordem executiva pela qual ameaçou impor tarifas sobre os bens dos países que ousassem vender ou entregar petróleo a Cuba, uma reviravolta nas sanções contra Cuba impostas há mais de seis décadas para pressionar por uma mudança no país.

 No fim de semana, Trump também disse que os Estados Unidos já haviam iniciado uma conversa com os líderes cubanos enquanto seu governo tenta cortar o fornecimento de petróleo proveniente da Venezuela e do México. O presidente sugeriu que isso forçaria Cuba a sentar-se à mesa de negociações.

Quando questionado sobre quanto tempo Cuba poderá suportar as condições atuais, dada a grave crise econômica que a ilha já vive nos últimos anos, com severos apagões e escassez, Fernández de Cossío afirmou que não poderia revelar “nenhuma via” que a ilha tenha para garantir o fornecimento de petróleo.

 “Cuba, é claro, está se preparando com criatividade, estoicismo e austeridade”, disse ele.

 A Ilha produz apenas 40% do petróleo de que necessita para sua economia e, até o início de janeiro, dependia das importações da Venezuela, México e Rússia. A intensidade das sanções causou 7,556 bilhões de dólares em perdas para o ciclo entre março de 2024 e fevereiro de 2025, 49% a mais em relação ao mesmo período anterior, segundo as autoridades.

Nos últimos seis anos, a nação caribenha perdeu 15% de seu Produto Interno Bruto, o que resultou também em uma forte migração.

 Após assinar a ordem para impor tarifas, Trump disse que Cuba era uma nação “falida” e que não sobreviveria sem o apoio da Venezuela, sua grande aliada nas últimas décadas, após o ataque americano que capturou o então presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. O líder republicano instou a Ilha a negociar com os Estados Unidos antes que fosse tarde demais.

Havana,  2 de fevereiro de 2026  

A correspondente Dánica Coto contribuiu com esta reportagem.

Trad/ed: Comitê Carioca 

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